<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Global Voices em Português &#187; Americas</title>
	<atom:link href="http://pt.globalvoicesonline.org/category/world/americas/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://pt.globalvoicesonline.org</link>
	<description>O mundo está falando. Você está ouvindo?</description>
	<lastBuildDate>Fri, 04 Dec 2009 03:54:21 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.8.4</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>América Central: Dizendo &#8220;Não&#8221; à Violência contra a Mulher</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/27/america-central-dizendo-nao-a-violencia-contra-a-mulher/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/27/america-central-dizendo-nao-a-violencia-contra-a-mulher/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 27 Nov 2009 22:29:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Casaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[Guatemala]]></category>
		<category><![CDATA[Gênero]]></category>
		<category><![CDATA[Honduras]]></category>
		<category><![CDATA[Spanish]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=5121</guid>
		<description><![CDATA[Por toda a América Central, campanhas online e atividades de sensibilização sobre a questão da Violência Contra as Mulheres estão ocorrendo na região. Muitos desses esforços estão atraindo o interesse e a participação dos blogueiros que partilham os seus pensamentos sobre o assunto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/renata-avila/">Renata Avila</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/diegocasaes/'>Diego Casaes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/11/26/central-america-saying-no-to-violence-against-women/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="single">
<p>Por toda a América Central, campanhas online e atividades de sensibilização sobre a questão da Violência Contra as Mulheres estão ocorrendo na região. Muitos desses esforços estão atraindo o interesse e a participação dos blogueiros que partilham os seus pensamentos sobre o assunto.</p>
<div id="attachment_5123" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://www.flickr.com/photos/antiguadailyphoto/4107614645/in/photostream/"><img class="size-full wp-image-5123 " title="Foto por Rudy Girón em Antigue Daily Photo e usada sob uma licença Creative Commons." src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/11/women.jpg" alt="Foto por Rudy Girón em Antigue Daily Photo e usada sob uma licença Creative Commons." width="400" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Foto por Rudy Girón do blog Antigue Daily Photo e usada sob uma licença Creative Commons.</p></div>
<p>Na Guatemala, a Multi-Campanha Anual (2008 à 2015), do Capítulo Regional intitulada &#8220;UNIR-SE para pôr Fim à Violência contra a Mulher&#8221; foi recentemente lançada, e a <em>Rádio Feminista</em> está relatando o evento no espaço colaborativo <a href="http://www.finalaviolencia.radiofeminista.org/">Fin a la La Violencia (Fim à Violência)</a>. Além disso, a organização Take Back the Tech está promovendo <a href="http://www.takebackthetech.net/take-action/16days">uma blogatona de 16 dias</a> assumindo controle da blogosfera para discutir temas relacionados à violência contra as mulheres e as formas de evitá-la através do uso da tecnologia. Qualquer um <a href="http://www.takebackthetech.net/write/blog-with-us">pode participar da rede</a> e blogar sobre o assunto, de qualquer lugar, em qualquer idioma.</p>
<p><strong>Honduras</strong></p>
<p>Quando surge uma crise pelo mundo, muitas vezes tal crise deixa as mulheres mais vulneráveis enquanto alvos para a violência. Por exemplo, o blog <a href="http://generoconclase.blogspot.com/2009/11/honduras-mas-feminicidio-y-violencia.html"><em>Género con Clase</em></a> [es] de Honduras reproduz um artigo escrito por Tacuazina Morales, que diz ter havido um aumento da violência e brutalidade contra as mulheres logo após o golpe. Isso se deveu em parte ao &#8220;estado de não-proteção em que as vítimas se encontravam e o enfraquecimento das instituições responsáveis pela proteção dos direitos humanos das mulheres.&#8221; De acordo com <em>Feministas en Resistencia</em>, <a href="http://generoconclase.blogspot.com/2009/11/honduras-mas-feminicidio-y-violencia.html">houve aproximadamente 400 casos de violência contra mulheres</a> durante as manifestações contra o golpe, incluindo 23 agressões sexuais, algumas das quais tiveram o envolvimento das forças de segurança do Estado.</p>
<p><strong>Guatemala</strong></p>
<p>Na vizinha da Guatemala, a impunidade, que é a não-acusação ou repressão dos criminosos, é a conseqüência mais grave deste fenômeno. Até <a href="http://generoconclase.blogspot.com/2009/11/poca-respuesta-de-guatemala-violencia.html">97% dos casos de violência contra as mulheres da Guatemala não são processados</a> de acordo com o blog <em>Género con Clase</em>. A jornalista Montserrat Boix lista diversas organizações que trabalham com a questão no país, e <a href="http://montserratboix.nireblog.com/post/2009/05/23/guatemala-mujer-violencia-e-impunidad">também destaca a recente Lei Contra o Femicídio aprovada em 2009 [es]</a>.</p>
<p><span id="result_box"><span style="background-color: #ffffff;" title="Guatemalan blogger Ixmucane of Cine Sobre Todo [es] writes about migrant women, who are especially vulnerable to violence:">A blogueira guatemalteca Ixmucane do <em>Cine Sobre Todo</em> [es] <a href="http://cinesobretodo.blogspot.com/2009/11/dia-internacional-contra-la-violencia.html">escreve sobre as mulheres migrantes, que são especialmente vulneráveis à violência</a>:</span></span></p>
<blockquote><p>Unas de las situaciones en las que las mujeres están más indefensas es en la migración, porque están lejos del círculo familiar que las proteje, no conocen las leyes y muchas veces tampoco el idioma. Insisto que cuando hablo de migración, hablo de la migración dentro del país como hacia el extranjero. Y lo peor es que no se quiere defraudar a la familia que se queda, ya que ellos dependen muchas veces económicamente de ellas.</p></blockquote>
<div class="translation">Uma das situações em que as mulheres são as mais indefesas é a migração, pois por estarem longe do círculo familiar que as protege, elas não conhecem as leis, e muitas vezes não sabem o idioma local. Quando escrevo sobre a migração, quero dizer a migração dentro do país, bem como no estrangeiro. O que é pior, é que elas não querem decepcionar a família que deixaram para trás, pois muitos familiares dependem economicamente dessas mulheres.</div>
<p>Na Igreja Católica, uma novena é uma devoção que consiste em oração tipicamente realizada em nove dias consecutivos, pedindo por graças especiais; assim, Julio Serrano do blog <a href="http://julitoserrano.blogspot.com/2009/11/dia-i.html"><em>Fellinada</em></a> [es] escreveu uma série de nove artigos, ou &#8220;uma novena&#8221; para desvendar as complexidades da violência contra as mulheres. Ele também pede a graça de substituir a violência por palavras de amor: ele usou, como suas orações, nove histórias reais de diferentes tipos de violência contra as mulheres, e finalizou com estes pensamentos:</p>
<blockquote><p>Finalmente, no es un golpe bajo hablar del amor en este día, es una postura radical, política, amar es un acto social. Desde mi masculinidad y reivindicando a la mujer en mí, y a la mujer en el otro, y a las mujeres cercanas y lejanas, a mi mamá, a mi novia, a mis amigas, a mis hermanos, a mi papá, a mis amigos, y a aquellas tres hermanas y a lo que representan para nosotros hoy, para ustedes estas palabras llenas de amor”</p></blockquote>
<div class="translation">Finalmente, não é um golpe baixo falar de amor atualmente, é uma posição radical e política, amar é um ato social. Da minha masculinidade e justificando a mulher em mim e a mulher em outros, e para aquelas mulheres perto e longe de mim, minha mãe, minha namorada, minhas amigas, meus irmãos, meu pai, meus amigos, e para aquelas três irmãs e o que elas representam para nós hoje, para todos vocês, minhas palavras cheias de amor.</div>
<div id="attachment_5124" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://www.flickr.com/photos/antiguadailyphoto/4107629095/"><img class="size-full wp-image-5124" title="women1" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/11/women1.jpg" alt="Foto por Rudy Girón da Antigua Daily Photo e usada sob uma licença Creative Commons." width="400" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Foto por Rudy Girón do blog Antigue Daily Photo e usada sob uma licença Creative Commons.</p></div>
</div>
<p>Rudy Girón do blog <a href="http://antiguadailyphoto.com/2009/11/17/stop-violence-against-women/"><em>Antigua Daily Photo</em></a> [en] fez uma declaração sobre porque devemos rejeitar a violência como algo normal, e porque devemos tomar isso como um ponto de partida para ser parte da solução do problema da violência contra a mulher:</p>
<blockquote><p>I do not want to hear gun shots as normal. I refuse to take violent acts as normal. I do not want to be desensitized towards all the manifestations of violence. I do not want to see <a href="http://antiguadailyphoto.com/2006/12/29/the-naked-gun/">naked guns on the streets</a>; at the entrance of banks; with every delivery truck; at shops and every tiendita (store) in the country. I do not want to be part of the problem. I will not yield to words that belittle women or other people. I will not. I want to be part of the solution.</p></blockquote>
<div class="translation">Eu não quero ouvir tiros como se fosse algo normal. Recuso-me a assumir atos violentos como algo normal. Eu não quero perder a sensibilidade para todas as manifestações de violência. Eu não quero ver <a href="http://antiguadailyphoto.com/2006/12/29/the-naked-gun/">armas lícitas na rua</a>; na entrada dos bancos; à cada caminhão de entrega; em lojas e em cada tiendita (loja) do país. Eu não quero ser parte do problema. Não vou me render a palavras que depreciam as mulheres ou outras pessoas. Eu não vou. Eu quero ser parte da solução.</div>
<p>O mundo mudou novamente, trazendo problemas mais complexos a serem resolvidos em primeiro plano, mas por causa da Internet também há mais vozes para se juntarem à conversa que acrescentam as suas idéias para soluções. Mesmo as mais marginalizadas na sociedade, mulheres pobres e indígenas estão lutando por seus direitos, conforme <a href="http://www.guatemalasolidarity.org.uk/?q=blog">descrito pelo blog <em>Guatemala Solidarity</em></a> [en]; então, é hora de dizer não à violência e dizer sim à uma sociedade mais igualitária.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/27/america-central-dizendo-nao-a-violencia-contra-a-mulher/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Brasil: O Debate sobre a Violência contra a Mulher</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/27/brasil-o-debate-sobre-a-violencia-contra-a-mulher/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/27/brasil-o-debate-sobre-a-violencia-contra-a-mulher/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 27 Nov 2009 19:18:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Casaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Brazil]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[Gênero]]></category>
		<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=5111</guid>
		<description><![CDATA[No Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra a Mulher, as blogueiras brasileiras reacendem o debate e fazem campanha pelo fim da violência.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/diego-casaes/">Diego Casaes</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/diegocasaes/'>Diego Casaes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/11/26/brazil-the-violence-against-women-debate/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p><img class="alignright size-full wp-image-5152" title="contraviolencia3" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/11/contraviolencia3.png" alt="contraviolencia3" width="184" height="200" />Ontem foi o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/International_Day_for_the_Elimination_of_Violence_against_Women">Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres</a> [en]. Seguindo <a href="http://globalvoicesonline.org/specialcoverage/ending-violence-against-women-2009/">uma série de posts especiais</a> do Global Voices Online para sensibilizar e levantar vozes em torno da causa, vamos ver neste post as opiniões de alguns blogueiros brasileiros sobre os direitos das mulheres.</p>
<p style="text-align: left;">A renomada blogueira brasileira <a href="http://www.ladybugbrazil.com/">Lúcia Freitas</a> dá sua contribuição, postando uma chamada para blogueiros para apoiar a <a href="http://www.luluzinhacamp.com/2009/11/23/uma-vida-sem-violencia-e-um-direito-das-mulheres/">campanha</a> contra a violência no <a href="http://www.luluzinhacamp.com/">LuluzinhaCamp</a>, um coletivo de mulheres blogueiras inspirado em histórias em quadrinhos da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Little_Lulu">Luluzinha</a>:</p>
<blockquote><p>Chamada geral! Entre 25 de novembro e 10 de dezembro estamos convocando para a luta pelo fim da violência contra as mulheres. Vamos fazer posts, twittar, fotografar e lembrar que mulheres são seres humanos e merecem respeito – aliás, todo mundo merece…</p></blockquote>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 434px"><a href="http://www.flickr.com/photos/gabibutcher/4130476483/"><img title="4130476483_2d91bfac5d" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/11/4130476483_2d91bfac5d.jpg" alt="&quot;Lulus againts violence&quot;. Photo by Gabi Butcher©, used under a Creative Commons license" width="424" height="282" /></a><p class="wp-caption-text">Foto por Gabi Butcher©, usada sob uma licença Creative Commons.</p></div>
<p><a href="http://srtabia.com/"><em>Srta. Bia</em></a> ouve o chamado e adiciona sua voz para a campanha LuluzinhaCamp, <a href="http://srtabia.com/2009/11/2511-dia-internacional-da-nao-violencia-contra-as-mulheres/">dizendo</a>:</p>
<blockquote><p>No Brasil uma mulher é agredida a cada <a href="http://www.tudoagora.com.br/noticia/11469/Uma-mulher-e-agredida-no-Brasil-a-cada-15-segundos-diz-fundacao.html" target="_blank">15 segundos</a>. Na maioria das vezes o agressor é o parceiro, um familiar ou uma pessoa próxima. Desde pequenas, meninas sofrem com violência e discriminação. Organizações em defesa dos direitos da mulher lutam para eliminar as brechas e anacronismos nas leis, porém as mudanças precisam reverberar na sociedade, na maneira como a mulher é vista.</p></blockquote>
<p>E continua:</p>
<blockquote><p>É por liberdade que as Irmãs Mirabal lutaram, é por liberdade que lutamos a cada dia. Liberdade de ser a mulher que eu quiser, a mulher politizada ou não, a mulher que tem filhos ou não, a mulher que faz um aborto ou não, a mulher depilada ou não, a mulher que faz sexo com quem quiser ou não, mas acima de tudo a mulher que deve ser respeitada e que de maneira alguma pode sofrer nenhum tipo de violência, seja ela física ou psicológica, apenas por ser mulher. Nada justifica a violência contra ninguém.</p></blockquote>
<div id="attachment_5114" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://www.flickr.com/photos/gabibutcher/4131270773/in/pool-luluzinhacamp"><img class="size-full wp-image-5114 " title="4131270773_6fde455b83" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/11/4131270773_6fde455b83.jpg" alt="Foto por Gabi Butcher©, usada sob uma licença Creative Commons." width="400" height="266" /></a><p class="wp-caption-text">Foto por Gabi Butcher©, usada sob uma licença Creative Commons.</p></div>
<p>O debate da violência contra a mulher é um tema quente no Brasil. Recentemente, uma série de eventos envolvendo uma estudante da Universidade Bandeirantes, no estado de São Paulo, provocou <a href="http://blogsearch.google.com/blogsearch?hl=pt-BR&amp;ie=UTF-8&amp;q=geisy+arruda&amp;btnG=Pesquisar+blogs&amp;lr=">muitos posts</a> sobre o preconceito da sociedade contra o corpo feminino. Na ocasião, a estudante de turismo Geisy Arruda usou um vestido rosa curto na sala de aula. Sua história, porém, tange muito mais do que a escolha de uma mulher de 20 anos sobre sua roupa: ela acabou chamando a atenção de muitos estudantes que consideraram o vestido ofensivo. Centenas deles começaram a ridicularizar e xingar a moça, bem como ameaçaram atacá-la naquele dia.</p>
<p>Geisy Arruda acabou por ser expulsa da Universidade sob o argumento de que o seu &#8220;comportamento provocativo&#8221; não era compatível com as regras da escola, mas depois que a mídia internacional achou o caso rentável e Geisy se tornou uma celebridade na TV e na internet, a universidade reconheceu sua volta como estudante. Até agora, os estudantes que causaram a manifestação não foram punidos. Denise Arcoverde no <a href="http://sindromedeestocolmo.com/"><em>Síndrome de Estocolmo</em></a> mencionou o caso em seu blog. Em uma ocasião especial, <a href="http://sindromedeestocolmo.com/archives/2009/11/universidade_para_em_catarse_moralista_e_monstruosa_por_causa_de_uma_minissaia.html/">ela escreveu</a>:</p>
<blockquote><p><a onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/www.youtube.com');" href="http://www.youtube.com/watch?v=KGxQ8XtXpaQ" target="_blank">Nesse outro vídeo</a>, a imagem da moça saindo escoltada pela polícia.  Fiquei tão passada com a história que me deu uma taquicardia, de raiva. Eu já vi muito machismo, muita cretinice, mas nada com essa violência. Foi um estupro emocional, que não deve ficar por isso mesmo.</p>
<p>Como discutimos no Twitter, a faculdade paulista UNIBAN não é culpada pela atitude canalha dos estudantes, mas é <strong>responsável</strong> por não ter controlado a situação e ainda deixar a menina ser humilhada ao sair, escoltada pela polícia. Se fosse minha filha, processaria e exigiria milhões de indenização por danos morais.</p></blockquote>
<div id="attachment_5115" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://www.flickr.com/photos/gabibutcher/4132032566/in/pool-luluzinhacamp"><img class="size-full wp-image-5115 " title="4132032566_5b23bafc74" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/11/4132032566_5b23bafc74.jpg" alt="Foto por Gabi Butcher©, usada sob uma licença Creative Commons." width="400" height="266" /></a><p class="wp-caption-text">Foto por Gabi Butcher©, usada sob uma licença Creative Commons.</p></div>
<p>O blog <a href="http://corpos-em-revolta.blogspot.com/"><em>Corpos em Revolta</em></a> descreve os diferentes tipos de violência sofridos pelas mulheres e <a href="http://corpos-em-revolta.blogspot.com/2009/11/participe-do-ato-pelo-dia-internacional.html">pede aos leitores para tomar parte nesta luta</a>:</p>
<blockquote><p>Acreditando que a idéia de feminilidade e o ideal de beleza são conceitos socialmente construídos e ferramentas de controle, o Coletivo Antissexista Corpos em Revolta mostra seu repúdio, nesse dia Internacional da Eliminação da Violência Contra a Mulher, a todas as formas de misoginia, machismo, sexismo, homofobia, e racismo, que vitimizam e inferiorizam as mulheres.</p></blockquote>
<p>E eles acrescentam informações sobre uma manifestação programada para 29 de novembro para celebrar essa luta:</p>
<blockquote><p>Não acreditamos em padrões de feminilidade nem aceitamos padrões estéticos! Somos a favor da diversidade de corpos e de personalidades, da subversão dos valores sexistas que controlam nossas relações! Propomos uma sociedade onde não haja distinções de gênero, cor, etnia, sexualidade ou qualquer outra forma de inequidade sustentada pela sociedade de mercado!</p>
<p>Para marcar essa data, o Corpos em Revolta fará um ato simbólico no Parque Redenção no domingo, dia 29 de novembro, às 15 horas. Traga sua revolta e participe!</p></blockquote>
<p>Por fim, lemos <a href="http://unisinos.br/blog/ihu/2009/11/25/dia-internacional-de-combate-a-violencia-contra-a-mulher/">a seguinte mensagem</a> no blog do <a href="http://unisinos.br/blog/ihu/"><em>Instituto Humanitas Unisinos</em></a>:</p>
<blockquote><p>Mulheres vem sofrendo a violência dos homens presentes em suas vidas (companheiros, pais, irmãos, filhos) há alguns séculos, e cotidianamente, muitas vezes em silêncio e culpadas por acontecer, ou muitas vezes sem saber reconhecer como uma violência e especialmente contra elas, por serem mulheres. Só recentemente e nos últimos anos, a agressividade social e individual contra nós está sendo nomeada e combatida, com o avanço dos movimentos sociais, feministas e de mulheres, muita coisa avançou no sentido de reconhecer como uma forma específica de privação dos direitos ao exercício da cidadania.</p></blockquote>
<div id="attachment_5116" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://www.flickr.com/photos/gabibutcher/4131016373/in/pool-luluzinhacamp/"><img class="size-full wp-image-5116 " title="4131016373_9b3e4bcd7b" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/11/4131016373_9b3e4bcd7b.jpg" alt="Foto por Gabi Butcher©, no Luluzinha Camp usada sob uma licença Creative Commons." width="400" height="266" /></a><p class="wp-caption-text">Foto por Gabi Butcher©, no Luluzinha Camp usada sob uma licença Creative Commons.</p></div>
<p>As fotos que ilustram este texto são de uma reunião LuluzinhaCamp em São Paulo no dia 22 de novembro. Veja a <a href="http://www.flickr.com/photos/gabibutcher/sets/72157622859971452/">galeria completa de retratos de pensamento positivo</a> por Gabi Butcher, do blog <a href="http://diapositivo.wordpress.com/">Diapositivo Fotografia</a>. E <a href="http://www.flickr.com/photos/gabibutcher/4131146178/in/set-72157622859971452/">feliz 2010</a>!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/27/brasil-o-debate-sobre-a-violencia-contra-a-mulher/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Brasil: A perda de um ativista digital pioneiro</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/20/brasil-a-perda-de-um-ativista-digital-pioneiro/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/20/brasil-a-perda-de-um-ativista-digital-pioneiro/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 20 Nov 2009 22:47:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Casaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Brazil]]></category>
		<category><![CDATA[Cyber-Ativismo]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=5068</guid>
		<description><![CDATA[O Brasil está de luto hoje: o país perdeu um de seus pioneiros do ativismo digital. Esta é a homenagem do Global Voices ao Daniel Pádua. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/diego-casaes/">Diego Casaes</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/diegocasaes/'>Diego Casaes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/11/20/brazil-the-loss-of-a-pioneer-digital-activist/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="attachment_107480" class="wp-caption aligncenter" style="width: 365px"><img class="size-full wp-image-107480  " title="DSC02980-462x259" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/11/DSC02980-462x2591.jpg" alt="Daniel Pádua were a well-known digital activist in Brazil. Photo by Cátia Kitahara from Wordpress-BR." width="355" height="199" /><p class="wp-caption-text">Daniel Pádua foi um ativista digital bastante conhecido no Brasil. Foto trazida por Cátia Kitahara no Wordpress-BR.</p></div>
<p>O Brasil perdeu hoje um de seus ativistas digitais pioneiros. <a href="http://imaginarios.net/dpadua/">Daniel Pádua</a> (também conhecido como <a href="http://twitter.com/dpadua">@dpadua</a> no Twitter) havia sido recentemente diagnosticado com câncer e perdeu a batalha na manhã de hoje, em Brasília. Sempre presente em eventos de software de código aberto e cultura livre no Brasil, Daniel Pádua era referência para blogueiros em assuntos de ciberativismo e liberdade de expressão na Internet brasileira.</p>
<p>No blog <em><a href="http://www.wordpress-br.com">Wordpress-Br</a></em>, Cátia Kitahara <a href="http://www.wordpress-br.com/novidades/geral/homenagem-ao-amigo-daniel-padua">escreveu</a>:</p>
<blockquote><p>Hoje perdemos um amigo queridíssimo, aqui da comunidade, o Daniel Pádua. Sentiremos muito sua falta, não só pelo grande talento e inteligência que ele possuia, mas principalmente pelo seu caráter. Queremos manifestar nosso carinho para sua família e amigos.</p></blockquote>
<p>Enquanto a notícia se espalhava pela web, usuários do Twitter que conheciam seu trabalho e comprometimento <a href="http://search.twitter.com/search?q=%40dpadua">o homenagearam</a> dizendo um último adeus:</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-107492" title="emerluis honors dpadua" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/11/emer.PNG" alt="emerluis honors dpadua" width="521" height="58" /></p>
<p>Esta é a homenagem do Global Voices para o Daniel Pádua. Descanse em paz.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/20/brasil-a-perda-de-um-ativista-digital-pioneiro/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>8</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Blogueiros: Caribé, um idealista incurável e ciberativista no Brasil</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/15/blogueiros-caribe-um-idealista-incuravel-e-ciberativista-no-brasil/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/15/blogueiros-caribe-um-idealista-incuravel-e-ciberativista-no-brasil/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 15 Nov 2009 22:00:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Casaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Blogueiros]]></category>
		<category><![CDATA[Brazil]]></category>
		<category><![CDATA[Cyber-Ativismo]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[Governança]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade de Expressão]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=4407</guid>
		<description><![CDATA[O Global Voices entrevistou João Carlos Caribé, um dos blogueiros ciberativistas mais influentes do Brasil e responsável pela mais bem-sucedida campanha no que tange a luta contra a censura na Internet brasileira: o movimento Mega Não.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/diego-casaes/">Diego Casaes</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/diegocasaes/'>Diego Casaes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/11/15/blogger-profiles-caribe-an-incurable-idealist-and-cyberactivist-in-brazil/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>O Global Voices Online é <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2009/06/11/brasil-dialogos-amplificados-na-luta-contra-o-projeto-azeredo/">bastante ativo</a> quando se trata da cobertura das ameaças à liberdade de expressão no Brasil. Dentre <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/23/brasil-decisoes-judiciais-ameaca-crescente-a-liberdade-online/">tais ameaças</a>, o <a href="http://globalvoicesonline.org/2006/11/11/holding-the-line-for-internet-freedoms-in-brazilian-cyberspace/">Projeto de Lei de Crimes Digitais</a> [en], conhecido como Lei Azeredo e as <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2009/09/23/brasil-a-internet-livre-entrou-mesmo-no-cenario-eleitoral/">discussões sobre a Reforma da Lei Eleitoral</a> são considerados pela blogosfera como modos de se restringir os direitos dos cidadãos comuns na web. Neste post, encontraremos-nos com um dos blogueiros ciberativistas mais influentes do Brasil e responsável pela mais bem-sucedida campanha na Internet no que tange a luta contra a censura na Internet brasileira: o movimento <a href="http://meganao.wordpress.com/">Mega Não</a>.</p>
<p><em>João Carlos Caribé</em>, conhecido popularmente por <em>Caribé</em> apenas, é um <a href="http://entropia.blog.br/">ativista nato</a>. Em suas próprias palavras, ele diz: &#8220;O ativismo é algo que está no meu DNA, sou um idealista incurável, quanto mais a gente pesquisa, mais aprende e mais  fica  inconformado; muitas vezes a ignorância é uma dádiva&#8221;.</p>
<p style="text-align: center;">
<div id="attachment_4483" class="wp-caption aligncenter" style="width: 374px"><img class="size-large wp-image-4483 " title="CaribeGVoices" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/09/CaribeGVoices-1024x1005.jpg" alt="Caribe and the national flag colors in the background. Logo stands for the #meganao movement and is accredited to @marioamaya." width="364" height="359" /><p class="wp-caption-text">Caribé e as cores da bandeira nacional. O logo representa o movimento Mega Não e foi criado por Mario Amaya.</p></div>
<p>Desde pequeno sonhava em ser um super heroi e proteger os fracos e oprimidos, este ideal infantil cresceu e amadureceu. Hoje ele vem se manifestando de diversas formas, seja pela luta para liberdade na internet, seja pelo voluntariado educacional, ou pela crítica implacável [nas mídias sociais]; e completa ser impossível ficar parado frente a tanta coisa. Irreverente, no seu perfil do Twitter nos deparamos com a seguinte mensagem:</p>
<blockquote><p><strong>Bio</strong> Procura no Google! Eu falo palavrão, sacanagem e xingo politicos, siga por conta e risco.</p></blockquote>
<p><strong>Quem é o @caribe?</strong></p>
<p>O cientista que habita em mim, leva-me a desconstruir mentalmente sólidas estruturas sociais, econômicas e culturais para simular sua obsolescência em busca de uma resposta: O que vem depois? Hoje sou Publicitário, já fui DJ, trabalhei em Engenharia, Análise de Sistemas, e O&amp;M; sempre gostei de um desafio novo. Sou um idealista incurável!</p>
<p><strong> Há quanto tempo utiliza blogs e de quantos participa?</strong></p>
<p>Apesar de atuar na Internet desde 1996, só vim a criar um blog no final de 2002, chamava-se <em><a href="http://ex-gordo.blogspot.com/">Ex-Gordo</a></em>, em 2005 criei o meu blog pessoal, o <em><a href="http://entropia.blog.br/">Entropia!</a></em>. No início de  2006 criei o blog coletivo <em><a href="http://ppgmkt.blogspot.com/">Propaganda &amp; Marketing</a></em> e somente no final de 2006 criei outro blog coletivo, o <em><a href="http://xocensura.wordpress.com/">Xô Censura</a></em> quanto tomei conhecimento do AI5digital, o projeto do Azeredo; podemos dizer que aí dei inicio a minha participação no Ciberativismo Brasileiro. Em 2007, eu criei o coletivo <em><a href="http://perspectiva.ning.com">Perspectiva</a></em> que é o networking do bem, e mais adiante um blog coletivo, o <em><a href="http://blogcidadao.wordpress.com/">Blog Cidadão</a></em>. Em agosto de 2008 criei o coletivo <em><a href="http://ciberativismo.ning.com">Ciberativismo na rede Ning</a></em>. No início deste ano fui convidado pelo <em>Sérgio Amadeu</em> (que também assina o movimento Mega Não) a participar do<em> <a href="http://www.trezentos.blog.br/">Trezentos</a></em> e por fim, e por enquanto, criei o blog <em><a href="http://meganao.wordpress.com/">Mega Não</a></em>, que tem o objetivo de ser um meta-manifesto que tem superado as minhas expectativas.</p>
<p>Entre 1996 e 2002 eu estava envolvido com outros projetos também na web.  Em 1996 eu criei um site pessoal, em que publicava variedades sobre gerenciamento  e tecnologia, no ano seguinte criei o <em><a href="http://www.flash-brasil.com.br/">Flash Brasil</a></em>, uma comunidade que girava em torno do Flash da Macromedia. Estava criando sem querer um modelo de negócios que nos levou a ficar entre os Top 5  revendedores  que chamou a atenção da Vice Presidência de Marketing da Macromedia que passou a citar o Flash Brasil como <em>case</em> de sucesso e culminou com um convite para dar uma palestra em 2001 em Nova Iorque para mais de cem líderes de comunidades do mundo inteiro. Aliás, 2001 foi um ano do tipo &#8220;céu e inferno&#8221; pois no final do ano o processo de estouro da bolha da Internet estava bem avançado e já havia afetado seriamente meu negócio. Contudo, o Flash Brasil ainda tem um número de acessos bastante significativo, com mais de 500 mil visitas por mês.</p>
<p><strong> Como você se transformou em um ciberativista? E quais os ativismos fora da rede? (pergunta de <em><a href="http://twitter.com/maria_fro">Conceição Oliveira</a></em> via Twitter)</strong></p>
<p>Eu acho que não foi uma transformação, foi uma evolução natural, o ativismo é algo que está no meu DNA, sou um idealista incurável, quanto mais a gente pesquisa, mais aprende e mais  fica  inconformado; muitas vezes a ignorância é uma dádiva. Comecei a fazer algo de concreto quando me dediquei ao voluntariado. Atualmente estou sem tempo para continuar praticando o voluntariado, mas sinto falta, pois é gratificante demais; é uma terapia e um tremendo remédio para depressão.</p>
<p>Em 2006, tomei conhecimento do AI5Digital pelo <a href="http://www.internetlegal.com.br/sobre/omar/"><em>Omar Kaminski</em></a> - advogado conceituado no Brasil no que se refere o Direito e as Novas Tecnologias - na Comunidade Cibercultura no Orkut, o projeto tramitava no Senado e iria ser votado no dia oito de novembro de 2006. Entrei de cabeça. Fiz o que chamamos de <em>protest-o-matic</em>, que era um formulário que qualquer um poderia preencher e enviar uma mensagem a todos os Senadores. Mais de 3000 emails foram enviados em menos de 24 horas, e o projeto não foi votado, os Senadores decidiram tramitá-lo por outras comissões.</p>
<p style="text-align: center;">
<p>Daí para frente fui literalmente me educando politicamente, estudando, aprendendo, e comecei a perceber claramente as estratégias políticas; passei a enxergar um mundo que antes não conhecia, aliás um mundo que antes eu não concebia. Neste meio tempo fui conhecendo outros ciberativistas, pude constatar que a Internet é mesmo um mundo de pontas, fui vivenciando todas aquelas teorias fantásticas como a Inteligência Coletiva, o <em>Crowdsourcing</em>, Manifesto <em>Cluetrain</em>, dentre outras.</p>
<p>Praticamente não tenho feito ativismos fora da rede, eu entendo que o ciberativismo, que os críticos chamam de ativismo de sofá, é muito mais poderoso, rápido e eficiente, ele só precisa se completar nas pontas em ativismo presencial para que os &#8216;analógicos&#39; possam entendê-los. Fora os ativismos anarquistas dos tempos de faculdade, os únicos atos públicos que participei foram o do Rio de Janeiro e via Skype no do Rio Grande do Sul.</p>
<p style="text-align: center;">
<div id="attachment_4626" class="wp-caption aligncenter" style="width: 440px"><img class="size-full wp-image-4626  " title="3679362609_fca0019753_b" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/3679362609_fca0019753_b.jpg" alt="Caribé discursa sobre o Movimento Mega Não e a censura na Internet durante um Ato Público no Rio de Janeiro. Omar Kaminski pode ser visto à sua esquerda. À sua direita o Deputado Federal Jorge Bittar e o Deputado Estadual Alessandro Molon." width="430" height="323" /><p class="wp-caption-text">Caribé discursa sobre o Movimento Mega Não e a censura na Internet durante um Ato Público no Rio de Janeiro. Henrique Antoun pode ser visto à sua esquerda. À sua direita o Deputado Federal Jorge Bittar e o Deputado Estadual Alessandro Molon.</p></div>
<p><strong> Fale-me sobre o Mega Não por favor. Como surgiu a ideia por trás do movimento?</strong></p>
<div id="attachment_4501" class="wp-caption alignright" style="width: 220px"><img class="size-medium wp-image-4501 " title="Simbolo_Olho_2009" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/09/Simbolo_Olho_2009-300x300.gif" alt="Símbolo do MegaNão, por Mario Amaya." width="210" height="210" /><p class="wp-caption-text">Símbolo do Mega Não, por Mario Amaya.</p></div>
<p>O Mega Não é o típico caso onde mirei no coelho e acertei no elefante. A tramitação do AI5 digital estava ganhando força na câmara dos deputados, e sentimos a necessidade urgente de fazer algo mais abrangente, mais mega, daí tive a ideia de criar o Mega Não. A proposta inicial era uma sequência de eventos isolados <em>online</em> e <em>offline</em> que direcionariam pessoas e espectadores para o Mega Não. Compartilhei o projeto com o <em><a href="http://twitter.com/dpadua">Daniel Pádua</a></em> que deu diversas idéias interessantes, e o projeto ficou espetacular. No entanto, sua execução exigia dedicação. Em seguida surgiu a ideia do ato público em São Paulo, e decidimos que este seria o <em>grand finale</em>. O tempo agora era nosso inimigo, com a pressa criei o blog, que não tem nada haver com o que imaginamos, a não ser o nome. Neste processo tivemos uma grande colaboração do <em><a href="http://twitter.com/aarles">Antonio Arles</a> </em>e da <em><a href="http://twitter.com/myris">Myris Silva</a></em>.</p>
<p>&#8220;Mega Não&#8221; foi um nome perfeito, e rapidamente se tornou sinônimo do ciberativismo contra o AI5 Digital. A ideia de transformá-lo em um meta-manifesto foi o ponto crucial para também torná-lo uma fonte de informações sobre o ativismo. O movimento foi construído às pressas por todos os colaboradores e acabou ficando muito bom. Ele foi rapidamente disseminado nas mídias sociais e hoje é um blog razoavelmente visitado e fartamente citado e linkado<strong> </strong>em outros blogs.<strong> </strong></p>
<p><strong>&#8211;</strong></p>
<p><em>Desenvolvido por vários ativistas brasileiros juntamente com João Carlos Caribé, o movimento já alcançou até mesmo a EFF - <a href="http://www.eff.org/">Electronic Frontier Foundation</a> [en], organização que luta pelos direitos dos usuários na Internet, com um <a href="http://www.eff.org/deeplinks/2009/07/lula-and-cybercrime">post</a> [en] sobre a declaração do presidente Luís Inácio Lula da Silva <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2009/07/05/brasil-o-presidente-lula-e-nerd/">durante o 10° FISL em Porto Alegre</a> sobre o projeto de lei Azeredo e sua repercussão na política brasileira.<br />
</em></p>
<p><em><a href="http://www.eff.org/deeplinks/2009/07/lula-and-cybercrime"></a></em></p>
<p><strong> Visto que você é bastante participativo no ciberativismo brasileiro, de onde você tira tanta disposição para lutar pela liberdade da rede? (pergunta de <em><a href="http://twitter.com/aarles">Antônio Arles</a></em> via Twitter)</strong></p>
<div id="attachment_4610" class="wp-caption alignright" style="width: 220px"><img class="size-medium wp-image-4610" title="3223581767_7d2547b1e1_o" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/3223581767_7d2547b1e1_o-300x283.jpg" alt="3223581767_7d2547b1e1_o" width="210" height="198" /><p class="wp-caption-text">&quot;Pirata Caribenho&quot;. Foto por @_thebest_</p></div>
<p><strong> </strong>O meu idealismo incurável é uma das razões, a outra posso dizer que é a paixão pela causa, nasci e cresci sob a égide da censura e hoje temos um pouco mais de liberdade. A Internet hoje deu voz ao cidadão comum. Qualquer um pode produzir qualquer coisa na Internet, pois ela acabou com a economia da escassês, democratizou o conhecimento, permite que as pessoas se relacionem por afinidade, por ideologia, e também está eliminando os atravessadores.</p>
<p>Como diz no <em><a href="http://entropia.blog.br/2009/08/16/manifesto-da-cultura-livre/">Manifesto da Cultura Livre</a></em>, a Internet é uma janela de oportunidade para que a sociedade promova uma grande e bela revolução sob todos os aspectos, caminhamos para um socio-capitalismo, um sistema baseado na fartura e no compartilhamento, e isto assusta o <em>establishment</em>.</p>
<p>Existe uma guerra velada contra este bem social, uma guerra dos grandes oligopólios, dos governos corruptos e repressores, dos bancos, da indústria de intermediação cultural, da mídia tradicional e manipuladora, e de outros interessados em manter tudo como está. A minha luta, minha motivação apaixonada é por manter todos os benefícios que a Internet proporcionou à sociedade e ampliá-los.</p>
<p><strong> Como você avalia a blogosfera brasileira?</strong></p>
<div id="attachment_4623" class="wp-caption alignright" style="width: 299px"><img class="size-medium wp-image-4623 " title="A Bio do Caribé no Twitter diz: &quot;Procura no Google! Eu falo palavrão, sacanagem e xingo politicos, siga por conta e risco.&quot;" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/futuro-internet-31-300x221.jpg" alt="futuro-internet 31" width="289" height="213" /><p class="wp-caption-text">A bio do Caribé no Twitter diz: &quot;Procura no Google! Eu falo palavrão, sacanagem e xingo politicos, siga por conta e risco.&quot;</p></div>
<p>Blogosfera brasileira é uma definição complexa. Para a maioria dos veículos de comunicação e agências de publicidade, a blogosfera nacional se resume à uma duzia de blogs com grande volume de acesso. Para mim é um emaranhado de produção intelectual dos <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Prosumer"><em>prosumers</em></a>, e como não poderia deixar de ser, um emaranhado heterogêneo.</p>
<p>No nosso ciberativismo contra o AI5 Digital tivemos uma árdua tarefa em descobrir as motivações dos blogs para engajarem na causa. Acreditava que poucos iriam aderir, uma destas ideias foi a blogagem coletiva, e me surpreendi com mais de 180 posts em blogs totalmente diferentes. Até mesmo blog &#8220;mimimi&#8221; engajou, o que me fez mudar meu ponto de vista, passei a respeitar e procurar entender qualquer manifestação e motivação dos blogueiros, até mesmo os &#8220;mimimis&#8221;</p>
<p><strong>Quais as mudanças reais que podem se consolidar através do ciberativismo?</strong></p>
<p>Muitas ja estão consolidando, muitas evidentes e claras e outras mais sutis. Por exemplo podemos começar com a crescente politização da sociedade conectada, como eu falei em um <a href="http://www.trezentos.blog.br/?p=1453">post</a> no <a href="http://www.trezentos.blog.br/"><em>Trezentos</em></a>:</p>
<blockquote><p>[..] Estamos pensando e agindo coletivamente, estamos nos “alfabetizando politicamente”, estamos reconhecendo nossos direitos, aprendendo a valorizar o próximo e, estamos aprendendo, como diz Dalai Lama que: uma enorme jornada começa com um pequeno passo. Podemos não perceber isto agora, mas nunca mais seremos os mesmos, estamos reconstruindo a história da democracia no Brasil, somos os agentes de mudança, dificilmente seremos enganados novamente, somos os revolucionários digitais, estamos fazendo a revolução mediada por computador, a revolução da era da participação [&#8230;]</p></blockquote>
<p>Além desta ampla &#8220;alfabetização política&#8221;, as mudanças reais estão acontecendo, em nosso ciberativismo contra o AI5 Digital, conseguimos convencer milhares de céticos de que o projeto de lei era lobo em pele de cordeiro, que não iria resolver o problema dos cibercrimes e que tornaria a Internet um ambiente inóspito. Praticamente nenhum veículo da mídia brasileira publicou uma matéria consistente sobre o ativismo contra o AI5 digital, ato que em si já demonstra uma clara manipulação, já que publica matérias sobre cibercrimes quase que diariamente, além das vezes em que faz <em>merchandising</em> a favor do AI5 digital em suas novelas.</p>
<p>Mesmo sem esta cobertura da imprensa tradicional, atingimos em torno de 15 milhões de brasileiros e centenas de milhares de estrangeiros. Com nosso ciberativismo pavimentamos uma plataforma para que os parlamentares simpáticos a causa tivessem como defender nossos interesses no parlamento. Nossa petição online com mais de 150 mil assinaturas se transformou no ícone do ciberativismo contra o AI5 digital. Acredito que nosso movimento acelerou o processo de adoção de mídias sociais pelos parlamentares, e agora estamos assistindo ao remix da &#8220;<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Roupa_Nova_do_Rei">Roupa nova do Rei</a>&#8221; no Senado, onde a total ignorância dos parlamentares em termos de Internet os coloca numa exposição ridícula, deixando-os totalmente nus perante a sociedade conectada.</p>
<p>Arrisco dizer que fizemos muito mais do que alterar a tramitação e conteúdo de um projeto de lei que afeta a Internet. Colaboramos para este espetáculo de &#8220;nudismo&#8221; do parlamento que vai encaminhar para o &#8220;expurgo&#8221; dos dinossauros políticos, que serão substituídos por políticos muito mais arrojados e realmente comprometidos com a sociedade e com o melhor futuro para a nossa nação. Os dinossauros políticos perceberam isto, por esta razão tentam medidas inócuas de censura a Internet nas próximas eleições. Mas não adianta mais, a janela da oportunidade já foi aberta, e agora não há mais como fechá-la.</p>
<p><strong> Como você imagina a Internet brasileira daqui a 10 anos?</strong></p>
<div id="attachment_4618" class="wp-caption alignleft" style="width: 196px"><a href="http://www.flickr.com/photos/ayfugita/3229315885/"><img class="size-full wp-image-4618  " title="João Carlos Caribé no Campus Party 2008" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/3229315885_6be0588136.jpg" alt="João Carlos Caribé no Campus Party 2008. Foto por Alexandre Fugita." width="186" height="330" /></a><p class="wp-caption-text">João Carlos Caribé no Campus Party 2008. Foto por Alexandre Fugita.</p></div>
<p>É um belo exercício de imaginação. Não dá para fazer uma projeção só, temos de estabelecer cenários, vou criar dois: Um se a liberdade na web prevalecer e outro se o vigilantismo se estabelecer.</p>
<p>Em termos gerais, acredito que em 10 anos não teremos mais a Internet que conhecemos, o acesso será gratuito e de qualquer dispositivo, redes interconectadas aumentarão a densidade e capilaridade da Internet. Viveremos dentro dela, nosso carro, nossa geladeira, fogões, sapatos, privadas, luminárias, eletrodomésticos, tudo estará conectado. Carregaremos dados em nosso corpo que poderão ser acessados através de qualquer superfície provida de uma interface de virtualização, assim por exemplo uma tábua de carne poderá servir como computador, ou o parabrisa do seu carro.</p>
<p>Com tudo integrado assim saberemos que tipo de manutenção nosso carro necessita, antes mesmo que o problema ocorra, assim como poderemos consultar a geladeira de qualquer lugar para saber se tem queijos e vinhos em quantidade suficiente para receber os amigos que vão chegar para o jantar. Se não tiver, sem problemas a geladeira manda a lista para o supermercado mais barato e você só precisará autorizar a compra.</p>
<p>Mecanismos <em>open source</em> de segurança garantirão que esta transação entre os dispositivos e você sejam seguras e invioláveis. Quem apostou na web semântica, a &#8220;singularidade&#8221;  da Internet terá perdido a aposta. A <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Web_sem%C3%A2ntica">web semântica</a>, onde <em>scripts</em> iriam conectar e até produzir conteúdo a partir de conteúdos existentes se mostrou mecanizada demais, existirá mas não será excludente. O processo criativo e o tom humano da Internet continuará pleno, pessoas querem falar com pessoas, lembra o antigo <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Cluetrain_Manifesto"><em>Manifesto Cluetrain</em></a> [en].</p>
<p>No entanto, se o vigilantismo se estabelecer, será nas pontas da web; E como a Internet é um mundo de pontas, vai entender este controle como um defeito e irá roteá-lo, auxiliado por pessoas que criarão a reação. Assim uma luta inócua do vigilantismo contra a sociedade conectada se dará sempre com um vencendor anunciado: a sociedade conectada. Acho pouco provável que o vigilantismo se estabeleça, países que estão reagindo com pouca intensidade à tentativa de controle da Internet irão perceber que &#8220;dormiram no ponto&#8221; e reagirão com mais intensidade. Assim como na China o controle é impossível, no resto do mundo também será.</p>
<p>Desta forma a sociedade conectada elegerá seus representantes com mais critério, desmontará estruturas que se beneficiam do controle, e teremos passado por um pesadelo da história. Um pesadelo onde as corporações, a mídia golpista e políticos corruptos e/ou comprometidos com este poder tentavam manter a sociedade alienada e sob controle. Aos poucos o <em>establishment</em> se tornará uma utopia e teremos conseguido um mundo melhor.</p>
<p><strong>O que você diria para convencer uma pessoa que não acredita no &#8220;poder&#8221; dos blogs?</strong></p>
<p>Acho mais adequado falar do poder da sociedade conectada. Tem gente que ainda acredita que o computador é uma máquina alienante, que afeta os relacionamentos sociais e que &#8220;<em>viola</em> criancinhas&#8221;. As pessoas podem ser livres para acreditar no que elas quiserem, tem muita gente que acredita nas &#8220;boas intenções&#8221; do AI5 digital, em Papai Noel, Coelho da Pascoa e até mesmo no Neo-liberalismo. Lidar com estes sistemas de crenças envolve não só em mostrar uma outra opção como também desmontar as crenças e valores de quem se deseja convencer. Quanto mais conservador for este interlocutor, mais dificil será esta tarefa.</p>
<p>Veja que até hoje o Senador Eduardo Azeredo fala que as críticas ao AI5 digital são bobagem, que é fruto de uma interpretação equivocada. Ele parece acreditar ainda em um sistema intelectual vertical, e parece não fazer a menor ideia do que seja a Inteligência Coletiva, ou sistema intelectual horizontal e distribuído. Como poderei convencer uma pessoa assim do poder da sociedade conectada? Acho que já convencemos, ele é que ainda não se deu conta, e nem vai perceber, ou será que irá perceber isto nas próximas eleições?</p>
<p>&#8211;</p>
<p>Sendo uma influente figura no ciberativismo brasileiro, Caribé inspira muitos blogueiros novatos no Brasil. Na medida em que vários projetos de leis, decisões judiciais e leis que tentam censurar a Internet se tornam cada vez mais frequentes na nação, pessoas como ele são mais que bem-vindas. Estas pessoas são necessárias para manter o espírito da democracia na Internet como um direito humano, não apenas uma falácia financiada por políticos controversos e meios de comunicação enganadores.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/15/blogueiros-caribe-um-idealista-incuravel-e-ciberativista-no-brasil/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>República Dominicana: A Crise de Energia Continua</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/15/republica-dominicana-a-crise-de-energia-continua/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/15/republica-dominicana-a-crise-de-energia-continua/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 15 Nov 2009 19:09:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Casaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Dominican Republic]]></category>
		<category><![CDATA[Energia]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Spanish]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=5031</guid>
		<description><![CDATA[Os problemas de falta de energia elétrica na República Dominicana continuam, e muitos estão ficando impacientes com a liderança que tem sido incapaz de resolver a situação.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/rocio-diaz/">Rocio Diaz</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/diegocasaes/'>Diego Casaes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/11/14/dominican-republic-energy-crisis-continues/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Com menos de três meses no cargo de Vice-presidente da <a href="http://www.cdeee.gov.do/">Corporação Dominicana das Companhias Elétricas Estatais </a>[es] (CDEEE, na sigla em espanhol), o empresário Celso Marranzini viu a necessidade de buscar ajuda fora do país <a href="http://globalvoicesonline.org/2009/08/19/dominican-republic-solving-the-issue-of-power-outages/">para solucionar o sério problema de energia</a> [en], o qual recentemente alcançou níveis críticos.</p>
<p>Uma delegação emcabeçada por Marranzini <a href="http://www.hoy.com.do/economia/2009/11/8/301097/Marranzini-y-otros-funcionarios-tratan-energia-en-Corea-del-Sur">viajou até a Coréia do Sul para buscar assistência técnica para ajudar a resolver o problema de energia</a> [es], no qual metade das instalações elétricas estão fora de serviço sob o argumento de que estão em manutenção. Entretanto, isso resultou em um déficit de energia de 600 Megawatts, em que os dominicanos tem sido submetidos à faltas de energia de 9-10 horas por dia.</p>
<p>Como este é um problema contínuo que parece piorar para até os atuais níveis críticos, a população tem demonstrado o seu descontentamento após se apegarem à esperança de que Marranzini poderia resolver o problema. Essas quedas de energia estão causando frustração e críticas sobre a liderança de Marranzini. Os usuários do Twitter Elvis Medina e Ana Peguero proporcionam algumas reflexões sobre a situação:</p>
<blockquote><p><a href="http://twitter.com/anapeguero/statuses/5661432888">@anapeguero</a>: Arroyo Hondo tenía circuito 24 horas hasta que llegó Marranzini, ahora nos dan apagones por un tubo… y la factura más cara to los días!!!</p></blockquote>
<div class="translation">(O bairro) Arroyo Hondo tinha energia 24h por dia até Marranzini chegar, agora temos apagões, e as contas mais caras.</div>
<blockquote><p><a href="http://twitter.com/ElvisMedina/statuses/5411741025">@elvismedina: </a>Espero q para estas navidades, el sr. Marranzini, se convierta en Santa Claus y nos regale un poquito mas de ENERGIA…Oremos por eso..</p></blockquote>
<div class="translation">Esperançosamente para este Natal, o Sr. Marranzini se tornará o Papai Noel e nos dará um pouco mais de ENERGIA&#8230; Vamos rezar por isso.</div>
<p>Além disso, protestos de rua contra as quedas de energia aconteceram em lugares como na província de Barahona e o Distrito Nacional. O incidente mais recente aconteceu <a href="http://www.7dias.com.do/app/article.aspx?id=63270">na cidade de Santiago, onde uma pessoa morreu e muitas outras foram presas</a> [es].</p>
<p>Como um anterior crítico do CDEEE antes de ser nomeado para dirigir a entidade, muitos esperavam que Marranzini poderia resolver este problema que já acontece há mais de 40 anos, e que se tornou um obstáculo no desenvolvimento do país.</p>
<p>Enquanto Marranzini tem se concentrado em melhorar as finanças do CDEEE e a redução da folha de pagamento, ele não foi capaz de reduzir os apagões. Os cortes atingiram o ponto de terem piorado desde que ele assumiu o cargo em agosto de 2009, mantendo o sistema elétrico em um estado tão delicado, que alguns até mesmo pediram o retorno de Radhames Segura, seu antecessor.</p>
<div id="attachment_5032" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><img class="size-full wp-image-5032" title="Apagão" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/11/apagon.jpg" alt="Apagão" width="400" height="200" /><p class="wp-caption-text">Charge por Harold Priego que descreve o chamado de retorno do Segura para seu cargo antigo, que é preferível à situação de quedas de energia. Charge publicada com permissão.</p></div>
<p>A solução vai além da mudança de um funcionário público para outro. Há alguns que atribuem a situação a interesses pessoais e políticos. Para outros, como o <a href="http://www.blogger.com/profile/10513152976382997401">Dr. José Antonio Vanderhorst</a>, consultor em energia elétrica, a questão central é a estrutura do sistema elétrico nacional. Ele escreve no blog do <a href="http://grupomillenium.blogspot.com/2009/09/urge-decision-para-cambiar-el-sistema.html">Grupo Millennium Hispaniola [es]</a>:</p>
<blockquote><p>… por sí misma la despolitización es insuficiente. Es absolutamente necesario cambiar el sistema (eléctrico) que sigue muy influenciado por el paradigma de la CDE y de la capitalización que están orientadas a la oferta, cuando los problemas más complejos están en los aspectos sociales, organizacionales y culturales, que se corresponden al consumo que está en el lado de demanda.</p>
<p>Es urgente dar un giro para desarrollar e integrar los recursos de la demanda. La urgencia está en que la decisión de cambio de ley necesita ser introducido en el acuerdo con el FMI. De lo contrario, seguiremos sin resolver la crisis sistémica del sector eléctrico.</p></blockquote>
<div class="translation">&#8230; a despolitização em si é insuficiente. É absolutamente necessário mudar o sistema (elétrico) que continua a ser grandemente influenciado pelo paradigma da CDEEE e pela capitalização, que é orientada para o fornecimento, quando os problemas mais complexos são os aspectos sociais, organizacionais e culturais que correspondem ao consumo e demanda.</p>
<p>É importante fazer uma mudança para o desenvolvimento e integração dos recursos da demanda. A urgência na decisão de mudar a lei é que tal mudança precisa ser introduzida no acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional). Por outro lado, ainda continuaremos sem resolver a crise sistêmica no setor elétrico.</p></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/15/republica-dominicana-a-crise-de-energia-continua/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Cuba: Yoaní Sánchez e outros blogueiros apreendidos</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/12/cuba-yoani-sanchez-e-outros-blogueiros-apreendidos/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/12/cuba-yoani-sanchez-e-outros-blogueiros-apreendidos/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 12 Nov 2009 03:34:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Casaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Cuba]]></category>
		<category><![CDATA[Cyber-Ativismo]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Diáspora]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[Internet & Telecoms]]></category>
		<category><![CDATA[Lei]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade de Expressão]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Protesto]]></category>
		<category><![CDATA[Software & Ferramentas]]></category>
		<category><![CDATA[Spanish]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=4995</guid>
		<description><![CDATA[Talvez fosse apenas uma questão de tempo, mas Yoani Sánchez, blogueira mais famosa de Cuba, que recebeu inúmeros prêmios internacionais por seu ativismo, foi detida brevemente e espancada pelas autoridades cubanas em 6 de novembro, junto com seus colegas blogueiros, Claudia Cadelo (uma colaboradora do Global Voices) e Orlando Luís Pardo Lazo. Os três estavam em seu caminho para uma marcha anti-violência na capital cubana, Havana.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/janine-mendes-franco/">Janine Mendes-Franco</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/diegocasaes/'>Diego Casaes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/11/07/yoani/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Talvez fosse apenas uma questão de tempo, mas <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Yoani_S%C3%A1nchez">Yoani Sánchez</a>, blogueira <a href="http://www.desdecuba.com/generationy/">mais famosa</a> de Cuba, que recebeu <a href="http://globalvoicesonline.org/2008/04/08/cuba-blocked-blogger-yoani-sanchez-receives-prestigious-award/">inúmeros prêmios internacionais</a> por seu ativismo, foi <a href="http://momento24.com/en/2009/11/07/yoani-sanchez-cuban-blogger-was-arrested-and-beaten-by-the-police/">detida brevemente e espancada</a> pelas autoridades cubanas em 6 de novembro, junto com seus colegas blogueiros, <a href="http://www.octavocerco.blogspot.com/">Claudia Cadelo</a> (uma <a href="http://globalvoicesonline.org/author/claudia-cadelo/">colaboradora</a> do Global Voices) e <a href="http://globalvoicesonline.org/2009/03/23/cuba-interview-with-blogger-orlando-luis-pardo-lazo/">Orlando Luís Pardo Lazo</a>. Os três estavam em seu caminho para uma <a href="http://alongthemalecon.blogspot.com/2009/11/cuban-marchers-shout-peace-and-love.html">marcha anti-violência</a> na capital cubana, Havana.</p>
<p>A blogueira espanhola Rosa Jiménez Cano, que trabalha para o jornal espanhol El País, <a href="http://www.rosajc.com/2009/11/07/yoani-sanchez-detenida-y-golpeada/">relatou</a> ter recebido a seguinte mensagem de texto da Yoaní por volta de 2am, horário de Madri:</p>
<blockquote><p>Fui detenida junto a Orlando L. Pardo y Claudia Cadelo nos llevaron a la fuerza estilo siciliano. Golpes. Nos dejaron tirados en una esquina.</p></blockquote>
<div class="translation">Fui detida junto com Orlando L. Pardo e Claudia Cadelo; levaram-nos à força no estilo siciliano. Golpes. Fomos deixados deitados em uma esquina.</div>
<p>Na manhã seguinte aos acontecimentos, Yoaní <a href="http://www.desdecuba.com/generaciony/?p=2468">postou</a> o seguinte relato em seu blog:</p>
<blockquote><p>Cerca de la calle 23 y justo en la rotonda de la Avenida de los Presidente, fue que vimos llegar en un auto negro –de fabricación china– a tres fornidos desconocidos: ‘Yoani, móntate en el auto&#39; me dijo uno mientras me aguantaba fuertemente por la muñeca. Los otros dos rodeaban a Claudia Cadelo, Orlando Luís Pardo Lazo y una amiga que nos acompañaba a una marcha contra la violencia. Ironías de la vida, fue una tarde cargada de golpes, gritos y malas palabras la que debió transcurrir como una jornada de paz y concordia.  Los mismos ‘agresores&#39; llamaron a una patrulla que se llevó a mis otras dos acompañantes, Orlando y yo estábamos condenados al auto de matrícula amarilla, al pavoroso terreno de la ilegalidad y la impunidad del Armagedón.</p>
<p>Me negué a subir al brillante Geely y exigimos nos mostraran una identificación o una orden judicial para llevarnos. Claro que no enseñaron ningún papel que probara la legitimidad de nuestro arresto. Los curiosos se agolpaban alrededor y yo gritaba ‘Auxilio, estos hombres nos quieren secuestrar&#39;, pero ellos pararon a los que querían intervenir con un grito que revelaba todo el trasfondo ideológico de la operación: ‘No se metan, estos son unos contrarrevolucionarios&#39;. Ante nuestra resistencia verbal, tomaron el teléfono y dijeron a alguien que debió ser su jefe: ‘¿Qué hacemos? No quieren subir al auto&#39;. Imagino que del otro lado la respuesta fue tajante, porque después vino una andanada de golpes, empujones, me cargaron con la cabeza hacia abajo e intentaron colarme en el carro. Me aguanté de la puerta… golpes en los nudillos… alcancé a quitarle un papel que uno de ellos llevaba en el bolsillo y me lo metí en la boca. Otra andanada de golpes para que les devolviera el documento.</p></blockquote>
<div class="translation">Perto da rua 23, na Avenida de los Presidentes, vimos um carro preto feito na China estacionando com três desconhecidos musculosos. &#8220;Yoaní, entre no carro&#8221;, disse um deles enquanto me agarrava à força pelo pulso. Os outros dois cercaram Claudia Cadelo, Orlando Luís Pardo Lazo, e um amigo que estava nos acompanhando até a marcha contra a violência. As ironias da vida; foi uma noite cheia de socos, gritos e palavrões o que deveria ter passado como um dia de paz e harmonia. Os mesmos &#8216;agressores&#39; chamaram um carro da patrulha que levou meus outros dois companheiros, e Orlando e eu estávamos condenados ao carro com placas amarelas, o mundo terrível de anarquia e a impunidade do Armageddon.<br />
Eu me recusei a entrar no brilhante <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Geely">carro da Geely</a> e pedimos que eles nos mostrassem sua identificação ou um mandado. É claro que eles não nos mostraram nenhum documento para provar a legitimidade da nossa prisão. Os curiosos se aglomeraram ao redor e eu gritava, &#8216;Socorro, estes homens querem nos seqüestrar&#39;, mas eles pararam os que queriam intervir com uma mensagem que revelou o plano de fundo ideológico de toda a operação: &#8220;Não interrompam, estes são contra-revolucionários&#8221;. Diante de nossa resistência verbal eles fizeram um telefonema e disseram a alguém que deve ter sido o chefe: &#8220;O que nós fazemos? Eles não querem entrar no carro.&#8221; Eu imagino que a resposta do outro lado era inequívoca, porque, então, veio uma enxurrada de socos e empurrões; eles abaixaram minha cabeça e tentaram me empurrar para dentro do carro. Eu segurava o porta &#8230; golpes aos meus dedos &#8230; eu consegui pegar o papel que um deles tinha no bolso e colocá-lo na minha boca. Outra rajada de socos para que eu devolvesse o documento a eles.</div>
<p>O post da Yoaní continua descrevendo a brutalidade infligida a ela e ao Orlando, e sua eventual libertação:</p>
<blockquote><p>Nos dejaron tirados y adoloridos en una calle de la Timba, una mujer se acercó ‘¿Qué les ha pasado?&#39;… ‘Un secuestro&#39;, atiné a decir. Lloramos abrazados en medio de la acera, pensaba en Teo, por Dios cómo voy a explicarle todos estos morados. Cómo voy a decirle que vive en un país donde ocurre esto, cómo voy a mirarlo y contarle que a su madre, por escribir un blog y poner sus opiniones en kilobytes, la han violentado en plena calle. Cómo describirle la cara despótica de quienes nos montaron a la fuerza en aquel auto, el disfrute que se les notaba al pegarnos, al levantar mi saya y arrastrarme semidesnuda hasta el auto.</p></blockquote>
<div class="translation">Fomos deixados doloridos, deitados em uma rua em Timba; uma mulher se aproximou: &#8216;O que aconteceu&#39;&#8230; &#8216;Um seqüestro&#39;, consegui dizer. Nós choramos abraçados um ao outro no meio da calçada, pensando no Teo, por Deus, como eu iria explicar aqueles machucados. Como vou dizer a ele que vivemos em um país em que isso pode acontecer, como vou olhar para ele e dizer que sua mãe, por escrever um blog e colocar minha opinião em kilobytes, foi espancada em uma rua pública. Como descrever os rostos despóticos daqueles que nos forçaram a entrar no carro, a alegria deles que pude perceber enquanto eles nos espancavam, ou ao levantarem minha saia e me arrastarem semi-nua até o carro.</div>
<p>No momento em que escreveu, o post da Yoaní atraiu 1.412 comentários.</p>
<p>Claudia também inseriu rapidamente a sua versão do incidente <a href="http://octavocercoen.blogspot.com/2009/11/march-where-i-wasnt.html">em seu blog</a></p>
<blockquote><p>We refused to get in the car, there were three of them and they threatened us:</p>
<p>‘Get in the car, now.&#39;<br />
‘Let us see your documents, or bring a policeman.&#39;</p>
<p>Orlando had his cell phone in his hand. ‘Pardo, don’t record,&#39; said the one in the orange shirt, and I got my cell out. Nobody noticed me, I sent the first Tweet… In less than three minutes a patrol car came up with a couple of cops—a woman and a man—completely dumbstruck by the scene. They carried out their orders almost in slow motion, the woman told me:</p>
<p>‘Don’t resist.&#39;</p>
<p>‘They are undocumented,&#39; it occurred to me to enlighten her.</p>
<p>Yoani was clinging to a bush, I was clinging to her waist, and the woman was pulling me by the leg. They had already dragged Orlando off, outside my field of vision. A man at the bus-stop looked on with an expression of terror, people didn’t say a single word. The officer, very young, got me in an armlock that immobilized me. I could have kicked a little but I was too astonished at seeing Yoani’s legs sticking out the rear window of the State Security car.</p></blockquote>
<div class="translation">Nós nos recusamos a entrar no carro, eles estavam em três e nos ameaçaram:</p>
<p>&#8216;Entrem no carro, agora.&#39;<br />
&#8216;Deixe-nos ver seus documentos, ou traga um policial.&#39;</p>
<p>Orlando tinha o telefone em suas mãos. &#8220;Pardo, não grave&#39;, disse o agressor que vestia uma camisa laranja, e eu tirei meu celular. Ninguém percebeu, e eu mandei meu primeiro Tweet&#8230;. em menos de trêsminutos um carro-patrulha veio com dois policiais - uma mulher e um homem - completamente sem palavras pela cena. Eles executaram suas ordens quase em câmera lenta; a mulher me disse:</p>
<p>&#8216;Não resista.&#39;</p>
<p>&#8216;Eles não têm documentos,&#39; eu a recordei.</p>
<p>Yoaní estava se agarrando a um arbusto, eu estava agarrada à sua cintura, e a mulher estava me puxando pela perna. Eles já tinham arrastado o Orlando para fora do meu campo de visão. Um homem na parada de ônibus contemplava com uma expressão de terror, as pessoas não dizem uma única palavra. O oficial, muito jovem, me pegou em uma chave-de-braço que me imobilizou. Eu poderia ter chutado um pouco, mas eu estava muito surpresa ao ver as pernas de Yoani saindo da janela traseira do carro de segurança do Estado.</p></div>
<p>Seu post continua a relatar a cadeia de eventos em grande detalhe, mas ela completa com uma nota triunfante:</p>
<blockquote><p>Then the first call came, with a 00 international prefix, and I knew nothing had been in vain, even if we had all been arrested and the march suspended. When, later, I saw the video that Ciro brought me, I knew for certain: They lost; it&#39;s the countdown.</p></blockquote>
<div class="translation">Então veio a primeira ligação, com um prefixo internacional 00, e eu soube que nada foi em vão, mesmo se nós tivéssemos todos sido presos e a marcha suspensa. Quando, mais tarde, eu vi o vídeo que o Ciro trouxe, eu sabia com certeza: Eles perderam; é a contagem regressiva.</div>
<p>Comentando sobre o incidente, o blogueiro em diáspora do blog <a href="http://marcmasferrer.typepad.com/uncommon_sense/2009/11/cuban-bloggers-arrested.html"><em>Uncommon Sense</em></a> expressa surpresa, já que &#8220;aqueles de nós em outros países que presumem que porque a Yoani, Claudia e outros são bem conhecidos, a ditadura de Castro nunca ousaria prendê-los.&#8221; No entanto, foi o que fizeram. Ele continua:</p>
<blockquote><p>Of course, we should never be surprised at what the regime does when it comes to trying to silence its opposition on the island.</p>
<p>And we should never underestimate the importance of the protection we provide every time we read one of their blogs. Obviously, it doesn&#39;t provide them absolute immunity, but it is conceivable that someone like Yoani Sanchez would have a long ago been locked away in the Castro gulag were it not for the fact that she is so well known.</p>
<p>What you provide them with each click is the moral support vital for their continuing struggle for freedom.</p></blockquote>
<div class="translation">É claro, nós nunca devemos ficar surpresos com o que o regime faz quando se trata de tentar silenciar sua oposição na ilha.</p>
<p>E não devemos nunca subestimar a importância da proteção que provemos toda vez que lemos um de seus blogs. Obviamente, isso não lhes concede imunidade absoluta, mas é concebível que alguém como Yoaní Sánchez já teria sido detida na <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Gulag">gulag</a> do Castro se não fosse o fato de ela ser conhecida.</p>
<p>O que vocês lhes concedem com cada clique é apoio moral vital para sua luta constante por liberdade.</p></div>
<p>Enquanto isso, o <a href="http://babalublog.com/2009/11/breaking-news-yoani-sanchez-arrested-in-cuba/" target="_blank"><em>Babalu Blog</em></a>, após publicar a história como notícia urgente, continuou atualizando o post na medida em que mais detalhes estavam disponíveis, incluindo uma entrada às 8:15 da manhã mostrando uma evidência de abuso físico em uma foto enviada ao <a href="http://www.penultimosdias.com/2009/11/07/knuck-knuck-knuckin%E2%80%99-on-my-nuca/"><em>Penultimos Dias</em></a> por Orlando Luís Pardo. John R., do blog <a href="http://cubanamericanpundits.blogspot.com/2009/11/beer-ice-cream-and-beaten-bloggers.html"><em>Cuban American Pundits&#39;</em></a> [en], soube da detenção de Yoaní através de <a href="http://babalublog.com/2009/11/breaking-news-yoani-sanchez-arrested-in-cuba/"><em>Babalu</em></a> e comenta:</p>
<blockquote><p>It can only be said that the Cuba Governement is afraid, and that these heirs to Cuba&#39;s future are extremely brave.</p></blockquote>
<div class="translation">Só se pode ser dito que o Governo de Cuba está com medo, e que estes herdeiros do futuro de Cuba são extremamente bravos.</div>
<p>O blog também procurou sites da mídia de massa para determinar o quão grande foi a história e ficou decepcionado ao saber que &#8220;a única coisa que a <a href="http://www.cnn.com/2009/WORLD/americas/11/04/cuba.trade/index.html">CNN</a> está cobrindo sobre Cuba é como a cerveja Miller e o sorvete Haagen Dazs podem ser vendidos em Cuba - como recompensa, no entanto. Enquanto cidadãos cubanos são seqüestrados e espancados por seu exercício de liberdade de expressão, a Chicago Foods (e outras empresas) estão negociando como cerveja e sorvete devem ser vendidos na ilha.&#8221; (<a href="http://edition.cnn.com/2009/WORLD/americas/11/07/cuba.blogger.detained/index.html">a CNN eventualmente passou a cobrir a história</a> da apreensão dos blogueiros.) O post continua ao comentar sobre o embargo dos EUA sobre a ilha, e dizendo:</p>
<blockquote><p>For those who claim that a new era has dawned on Cuba should take a close look at the incident that happened with a peaceful group of Cuban bloggers. Nothing has changed. Oppression remains in the cities while luxury and freedom exudes in the resorts.</p>
<p>I don&#39;t know about you, but I&#39;m no longer eating Hagen Dazs ice cream nor drinking Miller beer.</p></blockquote>
<div class="translation">Para aqueles que clamam que uma nova era amanheceu em Cuba devem olhar de perto o incidente que aconteceu com um grupo pacífico de blogueiros cubanos. Nada mudou. A opressão continua nas cidades enquanto luxo e liberdade exalam dos <em>resorts</em>.</p>
<p>Não sei quanto a vocês, mas eu não estou mais tomando sorvete Hagen Dazs, nem bebendo cerveja Miller.</p></div>
<p>Oswaldo Payá do Movimento Cristiano Liberação emitiu <a href="http://www.oswaldopaya.org/es/2009/11/07/mcl-se-solidariza-con-yoani-sanchez-darsi-ferrer-ylas-demas-victimas-de-la-represion/">uma declaração</a> expressando solidariedade para com Sánchez e as outras vítimas de repressão. <a href="http://www.mybigfatcubanfamily.com/my_big_fat_cuban_family/2009/11/standing-with-yoani.html"><em>My big, fat Cuban family</em></a> também permanece em solidariedade com suas irmãs cubanas:</p>
<blockquote><p>I have the supreme luxury of writing about anything that excites or amuses me at any given time. And I do.</p>
<p>Today I want to make you aware if you&#39;re not already, of a group of dissident bloggers presently under fire for blogging in Cuba.</p>
<p>Unlike me, they write about the everyday indignities of living in castro&#39;s gulag. You understand, of course, that in a communist country, dissension is not just discouraged, it is oftentimes attacked.</p>
<p>Yet these brave bloggers persist…Tonight, Yoani Sanchez and a group of dissidents were picked up, harassed, detained and beaten as they prepared to attend, ironically, a demonstration against the use of violence.</p>
<p>They knew and called her by name and forced her into a car where she figured that this was a kidnapping  which would end in her execution. Although she and her dissident companions were beaten severely they were subsequently released.</p>
<p>Her safety lies here. On blogs like mine.</p></blockquote>
<div class="translation">Eu tenho o luxo supremo de escrever sobre tudo o que me emociona ou me diverte a qualquer momento. E eu escrevo.</p>
<p>Hoje, quero lhes alertar, se já não estão alertas, sobre um grupo de blogueiros dissidentes atualmente sob fogo por blogarem em Cuba.</p>
<p>Diferentemente de mim, eles escrevem sobre indignidades cotidianos da vida na gulag de Castro. Vocês compreendem, é claro, que em um país comunista, a divergência não é somente desencorajada, mas frequentemente atacada.</p>
<p>Ainda assim, estes bravos blogueiros persistem&#8230; Hoje à noite, Yoaní Sánchez e um grupo de dissidentes foram apreendidos, assediados, detidos e espancados enquanto eles se preparavam para participar, ironicamente, de uma manifestação contra o uso da violência.</p>
<p>Eles sabiam e chamaram ela pelo nome, e forçaram-na a entrar em um carro e percebeu que aquilo era um sequestro que terminaria em execução. Embora ela e seus companheiros dissidentes foram espancados gravemente, eles foram liberados em seguida.</p>
<p>Sua segurança está aqui. Em blogs como o meu.</p></div>
<p>O blog <em><a href="http://alongthemalecon.blogspot.com/2009/11/cuban-blogger-yoani-sanchez-shaken-up.html" target="_blank">Along the Malecon</a></em> dá algumas informações sobre o incidente e está convicto de que &#8220;a lenda de Yoaní Sánchez cresceu na sexta-feira depois que as autoridades cubanas lhe deteram na rua, empurraram-na em um carro e agrediram-na antes de libertá-la&#8221;:</p>
<blockquote><p>Luis Eligio, of the counterculture group OMNI-Zona Franca, and two rappers organized the march. On Oct. 20, Sanchez was one of more than 10 bloggers who staged a ‘virtual protest&#39; using Tweets, cell phone text messages and blog posts to call for the release of political prisoners. All this puts the socialist government in a tough spot. The more force authorities use, the easier it will be for opposition activists to recruit followers. These incidents also help galvanize international support for Sanchez and other bloggers. This support grows at an exponential rate, colonizing cyberspace and making it difficult for the Cuban government to effectively counter.</p></blockquote>
<div class="translation">Luis Eligio, do grupo contracultura OMNI-Zona Franca, organizou a marcha com outros dois rappers. Em 20 de outubro, Sánchez foi uma das mais de 10 blogueiros que encenaram um &#8216;protesto virtual&#39; usando tweets, mensagens de texto de telefone celular e postagens em blogs para pedir a libertação de presos políticos. Tudo isso coloca o governo socialista em uma situação difícil. Quanto mais as autoridades utilizam a força, mais fácil será para os ativistas da oposição para recrutarem seguidores. Estes incidentes também ajudar a galvanizar apoio internacional para Sánchez e outros blogueiros. Este apoio cresce a uma taxa exponencial, colonizando o ciberespaço e tornando difícil para o governo cubano combatê-lo eficazmente.</div>
<p>Em <a href="http://alongthemalecon.blogspot.com/2009/11/peace-march-rather-shady-pro-government.html">um post em separado</a>, o blogueiro destaca os pontos de vista daqueles que estão um pouco céticos sobre todo o evento, um dos quais é o jornalista cubano Vladia Rubio Jiménez, que escreve em <a href="http://vladia.blogcip.cu/2009/11/07/huele-a-quema%C2%B4o-en-calle-g/">seu blog</a>:</p>
<blockquote><p>Francamente, me resulta bien oscuro el asunto. ¿A partir de ahora seremos testigos de “espontáneas” marchas de protesta? ¿Contra qué violencia estaban pronunciándose esos muchachos con sus abstractos carteles? ¿Sería contra la que está ocurriendo en Afganistán, Honduras,  o contra lo acontecido en la más importante base militar norteamericana donde un enloquecido disparó y dejó muertas a 13 personas y varios heridos?</p></blockquote>
<div class="translation">Francamente, acho o assunto um pouco obscuro. A partir de agora teremos de testemunhar marchas de protesto &#8220;espontâneas&#8221;? Violência contra o que esses caras demonstravam com seus sinais? Seria contra o que está acontecendo no Afeganistão, Honduras, ou contra o que aconteceu na maior base militar dos EUA onde um louco atirou e deixou 13 mortos e vários feridos?</div>
<p>Ela continua:</p>
<blockquote><p>Por lo que leo, parece haber sido una manifestación organizada sobre todo a través de algunos blogs, entre ellos Octavo Cerco; y también me asombra ver las posibilidades tecnológicas de que disponen: teléfonos celulares, rápidas conexiones a Internet que incluso les permiten subir los videos… En ninguna parte dice con claridad quién convocó esa marcha.</p></blockquote>
<div class="translation">Pelo que li, parece ter sido uma manifestação organizada principalmente através de alguns blogs, incluindo o blog do Octavo Cerco e também espanta-me ver a tecnologia à disposição dos blogueiros: telefones celulares, conexões rápidas à Internet que até mesmo lhes permitem fazer upload de vídeos&#8230; Em nenhum lugar diz claramente quem organizou essa marcha.</div>
<p><em><a href="http://yohandry.wordpress.com/2009/11/07/yoani-sanchez-fuera-de-temporada/">Yohandry&#39;s Weblog</a></em> ecoa seu ceticismo:</p>
<blockquote><p>Pero bien, Claudia Cadelo dejó este vídeo en su blog. No comprendo cómo pueden subir sus videos a Youtube tan rápido, pero allí está. Ella misma por Twitter dijo que no había llegado hasta el performance, además de que explicó que estaba detenida.</p>
<p>Cómo pudo hacer Twitter detenida, cómo subió el video desde un carro de la policía?</p>
<p>Entra en acción Yoani Sánchez. Ahora bien, Yoani Sánchez cuenta a las siempre listas agencias y emisoras que tienen la misión de cubrir sus actividades lo ocurrido con ella y otros bloggers que se encaminaban al performance, quizás con el objetivo de provocar, nadie sabe.</p>
<p>Les dejo la grabación, ¡esos medios tan ágiles al servicio de Yoani! Adelanto que cuenta que ella tiene celular, computadora y seguirá haciendo Twitter, cosa que no acabo de comprender, cuando ella misma dice que no tiene libertad para trabajar en Cuba.</p>
<p>Y yo esperaré ahora  la otra versión de lo ocurrido. Como dice el dicho, siempre hay un ojo que te ve.</p></blockquote>
<div class="translation">Mas bem, Claudia Cadelo deixou este vídeo em seu blog. Eu não entendo como podem fazer upload de seus vídeos no YouTube tão rapidamente, mas ele está lá. Ela ainda disse no Twitter que não tinha conseguido chegar à performance, e explicou por que foi detida. Como ela poderia ter acessado o Twitter enquanto foi detido? Como ela enviou o do vídeo de um carro da polícia?</p>
<p>Yoani Sánchez entra em cena. Bem, deixa ver, Yoani Sánchez conta a agências e estações, cuja missão é facilmente cobrir seus eventos, o que aconteceu com ela e outros blogueiros que estavam indo para à performance. Talvez com a intenção de provocar. Ninguém sabe.</p>
<p>Aqui está a gravação. Estes meios de comunicação agem tão rapidamente ao serviço de Yoani! Devo dizer que ela tem um celular, um computador, e ela vai continuar a usar o Twitter, algo que eu simplesmente não consigo entender quando ela diz que não tem liberdade para trabalhar em Cuba.</p>
<p>E eu vou esperar pela próxima versão do incidente. Como diz o ditado: há sempre um olho que vê você.</p></div>
<p>Usuários de mídias sociais essão certamente mantendo um olhar atento sobre os fatos. Mesmo quando a <a href="http://twitter.com/ClaudiaCadelo">Claudia enviou sua mensagem no Twitter sobre o incidente</a>, aparentemente enquanto estava acontecendo - &#8220;<span><span>Estoy detenida</span><span><a rel="bookmark" href="http://twitter.com/ClaudiaCadelo/status/5490743504"> <span>aproximadamente 22 horas atràs</span></a> por<span> <a rel="nofollow" href="http://help.twitter.com/index.php?pg=kb.page&amp;id=75">txt</a></span></span></span>&#8221; sua primeira mensagem - seguidores de seu <a href="http://twitter.com/">Twitter</a> têm mostrado o seu apoio, com um usuário chamado-a de &#8220;muy valiente&#8221; ( &#8220;muito corajosa&#8221;).</p>
<div class="notes">
<div><small><em>A imagem usada no thumbnail deste post, <a href="http://www.flickr.com/photos/caveman_92223/2901480891/">“The Freedom of Speech”</a>, é de autoria do Caveman 92223, usada sob uma licença <a href="http://creativecommons.org/licenses/by-nd/2.0/deed.en">Creative Commons</a>.  Visite <a href="http://www.flickr.com/photos/caveman_92223/">a galeria do Caveman 92223&#8242;no Flickr.</a></em></small></div>
<div><em><br />
</em></div>
</div>
<div class="notes">
<div><a href="http://globalvoicesonline.org/author/georgia-popplewell/">Georgia Popplewell</a> e <a href="http://globalvoicesonline.org/author/firuzeh-shokooh-valle/">Firuzeh Shokooh Valle</a> contribuiram neste post.</div>
</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/12/cuba-yoani-sanchez-e-outros-blogueiros-apreendidos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>América Latina: O rápido aumento da desertificação</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/09/america-latina-o-rapido-aumento-da-desertificacao/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/09/america-latina-o-rapido-aumento-da-desertificacao/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 13:57:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Casaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Argentina]]></category>
		<category><![CDATA[Brazil]]></category>
		<category><![CDATA[Chile]]></category>
		<category><![CDATA[Conversations for a Better World]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
		<category><![CDATA[Spanish]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=4974</guid>
		<description><![CDATA[A desertificação está silenciosamente, mas rapidamente, espalhando-se por todo o mundo e a América Latina não escapa de seus efeitos devastadores.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/belen-bogado/">Belen Bogado</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/diegocasaes/'>Diego Casaes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/11/04/latin-america-the-rapid-spread-of-desertification/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>O termo &#8220;desertificação&#8221; soa parecido com &#8220;deserto&#8221;, mas há uma diferença fundamental entre ambos: enquanto os desertos são algumas das formações maravilhosas da natureza, a desertificação é um processo de degradação das terras após terem sido afetadas pelas mudanças climáticas, por atividades humanas e forças naturais até eventualmente se tornarem desertos.</p>
<div id="attachment_4975" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><img class="size-full wp-image-4975" title="desertification" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/11/desertification.jpg" alt="Foto por Macnolete e usada sob uma licença Creative Commons." width="400" height="258" /><p class="wp-caption-text">Foto por Macnolete e usada sob uma licença Creative Commons.</p></div>
<p>Apesar da influência das mudanças climáticas na desertificação ainda não ser completamente compreendida, de acordo com o <em>GreenFacts</em> [en], sabe-se que <a href="http://www.greenfacts.org/en/desertification/index.htm">altas temperaturas resultantes do aumento do nível de dióxido de carbono podem ter um impacto negativo através da crescente perda d&#39;água do solo e da redução de chuvas em terras áridas</a>. Ao mesmo tempo, a desertificação contribui para as mudanças climáticas na medida em que libera na atmosfera o carbono mantido na vegetação de terras áridas e no solo.</p>
<p>A desertificação está causando danos em todos os lugares. Neste exato momento, está destruindo colheitas, aumentando o preço dos alimentos que ainda restam, e em algumas áreas, animais estão morrendo. Pessoas também estão sendo levadas de suas casas, como o blogueiro Miguel Angel Alvarado de El Salvador <a href="http://www.ecoportal.net/content/view/full/61308/">explica com a situação da residência presidencial precisar ter sido movida por causa da desertificação</a> [es]:</p>
<blockquote><p>El traslado de casa presidencial, del Barrio san Jacinto al local en donde estaba el Ministerio de Relaciones exteriores, según informes extrajudiciales, obedece a la prevención del ejecutivo ante un posible hundimiento del suelo generado por cárcavas en este sector.</p></blockquote>
<div class="translation">De acordo com documentos não-judiciais, a relocação da residência presidencial do bairro de San Jacinto para a área onde o Ministério de Relações Internacionais estava situado foi uma medida preventiva do setor executivo para evitar um possível desmoronamento do chão como consequência dos sulcos que se formaram na terra.</div>
<p>O continente mais afetado é a África, e isto pode ser visto especialmente no Quênia, onde a parte mais suscetível aos efeitos da desertificação são jovens garotas. Quando o reservatório de água se esgota no orfanato de Dago Dala Hera, ao oeste do Quênia, mães voluntárias e crianças têm de retirar água suja de um rio próximo ao local para cozinhar e beber. <a href="http://us.oneworld.net/article/367320-africa-famine-deepens-drought-worst-decades">&#8220;Ir ao rio sozinhas tarde da noite tornam as garotas mais vulneráveis a homens que podem abusá-las sexualmente,&#8221;</a> [en] disse Edwin Odoyo, cuja mãe Pamela fundou o orfanato.</p>
<p>Apesar da desertificação ter seu maior impacto na África, as condições ambientais da América Latina também estão sob transformações significativas, como discutido recentemente em Buenos Aires, Argentina, na Nona Sessão da Conferência da Convenção das Nações Unidas para Combater a Desertificação. O perito italiano Massimo Candelori, representante da Convenção para Combater a Desertificação <a href="http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=esp&amp;idnews=3422">disse em uma entrevista para a Tierramerica</a> que a situação na América Latina é preocupante, considerando-se que não há informações suficientes sobre o escopo da desertificação na região. &#8220;Não temos dados atuais. Uma das metas discutidas durante a nona sessão foi a de obter indicadores que nos permitam compreender melhor a situação&#8230; os últimos dados que temos datam de 10 anos atrás&#8221; disse Candelori.</p>
<p>Em países da América Latina onde a agricultura e criação de gado são alguns dos maiores setores da economia, a desertificação pode ser um predador silencioso, entretanto terrível. Pelo menos <a href="http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=eng&amp;idnews=3207">25% do território regional</a> já está em degradação e a população está cada vez mais se preocupando com este assunto, como se vê em diversos blogs.</p>
<p><em>Eco Briefings</em>, um blog brasileiro, aponta que a <a href="http://ecobriefings.com/2009/10/05/desertificao/">população na região nordeste está testemunhando uma expansão alarmante da desertificação</a>:</p>
<blockquote><p>Mais um alerta está ligado. Temos pouco tempo para corrigir as coisas. (…)</p>
<p>No Brasil a desertificação tem avançado na caatinga, e zonas do polígono da seca no Nordeste e Norte de Minas Gerais, e também em Estados que antes não tinham áreas secas ou desertificadas como o Rio Grande do Sul. O Rio Amazonas viveu já uma grande seca a pouco tempo, grande com mortandade de peixes.</p></blockquote>
<p>A Argentina também possui diversas áreas afetadas. Na região de Valles Aridos, ao nordeste, onde a maior atividade econômica é a criação de ovelhas, estipula-se que <a href="http://www.inta.gov.ar/salta/info/documentos/Desertificaci%C3%B3n.pdf">durante os últimos 100 anos pelo menos 180 mil pessoas emigraram [es] (formado .pdf)</a>. O sul do país também não escapou da desertificação. O blogueiro Ailen Romero comenta no blog <em>Geoperspectivas</em> [es] <a href="http://geoperspectivas.blogspot.com/2009/06/dia-mundial-de-la-desertificacion-2009.html">que na região da Patagônia as ações do governo para combater a desertificação não são suficientes</a>:</p>
<blockquote><p>En la Patagonia, la amplitud del problema es de tal magnitud que ha comenzado a adquirir estado público. Pocos ignoran el tema, pero pocos tienen la posibilidad de actuar de alguna forma o con el conocimiento para hacerlo. El problema de la desertificación en el caso de la Patagonia supera a los planes que se han elaborado para combatirlo. Es por eso que no deben ahorrarse esfuerzos, ni limitar la imaginación de soluciones alternativas.”Si la geografía es la manifestación de la sociedad en el espacio físico, un espacio físico deteriorado refleja una sociedad deteriorada” afirman del Valle y Coronato(investigadores del Centro Nacional Patagónico)</p></blockquote>
<div class="translation">Na Patagônia, a magnitude do problema é tão ampla ao ponto de o público em geral perceber a situação. Poucas pessoas ignoram o problema e somente algumas têm a chance ou o conhecimento para tomar ações a respeito. O problema da desertificação na Patagônia supera os planos que foram elaborados para combatê-lo. É por isso que os esforços não podem ser tímidos, nem se deve limitar a imaginação para se pensar em soluções alternativas. &#8220;Se a geografia é a manifestação da sociedade no espaço físico, um espaço físico deteriorado é a reflexão de uma sociedade deteriorada&#8221;, afirmam Valle e Coronato (pesquisadores do Centro Nacional da Patagônia).</div>
<p>No Chile, onde <a href="http://www.conaf.cl/?seccion_id=8ad00d8dd61d22aa152575a1e5c08e58&amp;unidad=0&amp;PHPSESSID=db19e79870c9e01418e62b8576a26daf">62% do território nacional já é afetado pela desertificação</a> [es], o blogueiro Alfredo Erlwein expressou preocupação no blog <em>El Ciudadano</em> a respeito do <a href="http://www.elciudadano.cl/2009/03/26/desertificacion-y-sequia-el-gran-problema-ambiental-de-chile-y-el-mundo/">pouco conhecimento dos cidadãos sobre este problema</a> [es].</p>
<blockquote><p>Efectivamente la desertificación es el problema ambiental más grave de Chile y muy poco conocido. Existen grandes zonas, como en la costa de la octava región, donde la erosión severa supera el 50% de la superficie: esto es que literalmente más de la mitad de los suelos se ha perdido por completo. En esas zonas se encuentran cárcavas de más de 50 metros de profundidad. Una tasa normal de formación de suelo puede ser de 0.2 cm por año, lo que evidencia la gravedad del asunto.</p></blockquote>
<div class="translation">De fato, a desertificação é o maior, embora menos conhecido, problema ambiental no Chile. Há enormes áreas, como as da costa da Região Oito, onde a erosão severa excede 50% da superfície: isto significa que mais da metade da terra foi perdida, literalmente. Nestas áreas há sulcos com mais de 50 metros de profundidade. A escala normal de formação da terra é de cerca de 0,2 centímetros por ano, o que comprova a gravidade da questão.</div>
<p>De acordo com o perito italiano Candelori, <a href="http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=eng&amp;idnews=3207">usar o solo no mercado de carbono ajudará a combater a desertificação</a>; isso pode ser decidido durante a conferência de Copenhague. A contagem regressiva para Copenhague começou, e o mundo espera por isso.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/09/america-latina-o-rapido-aumento-da-desertificacao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Peru: O Debate sobre Aborto</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/05/peru-o-debate-sobre-aborto/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/05/peru-o-debate-sobre-aborto/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 14:16:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cilene Dutra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Conversations for a Better World]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Gênero]]></category>
		<category><![CDATA[Lei]]></category>
		<category><![CDATA[Peru]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Spanish]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=4845</guid>
		<description><![CDATA[O debate sobre aborto ressurgiu devido a um projeto de lei que foi aprovado no Comitê Especial do Código Penal no Congresso Peruano, que descriminalizaria o aborto em casos de estupro ou desordens congênitas no feto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/juan-arellano/">Juan Arellano</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/cilenedutra/'>Cilene Dutra</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/10/26/peru-the-abortion-debate/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>O debate sobre aborto ressurgiu devido a <a href="http://www.livinginperu.com/news/10320">um projeto de lei que foi aprovado </a>no Comitê Especial do Código Penal no Congresso Peruano, que descriminalizaria o aborto em casos de estupro ou desordens congênitas no feto. Esse tipo de aborto é conhecido como aborto eugênico ou terapêutico. A <a href="http://elcomercio.pe/noticia/353461/cardenal-cipriani-critica-proyecto-despenalizar-aborto-eugenesico">Igreja Católica Apostólica Romana é contra a medida [es]</a> e está <a href="http://www.livinginperu.com/news/10326">dividindo opiniões no Gabinete Ministerial</a>. Porém, o debate está longe de terminar, uma vez que a proposta ainda precisa ser submetida a debate pelo Comitê do Presidente do Congresso durante o mês de dezembro.</p>
<p>A legislação peruana atual (Código Penal 1991) <a href="http://www.clacai.org/index2.php?option=com_content&amp;do_pdf=1&amp;id=28">estipula [es]</a> (pdf) a criminalização de todas as formas de aborto, exceto para terapia e inclui atenuantes como o aborto ético ou sentimental e o aborto eugênico. Embora não existam números oficiais confiáveis sobre aborto, estima-se que haja <a href="http://www.larepublica.pe/sociedad/10/10/2009/quotaborto-solo-en-casos-de-excepcionquot">entre 350 mil e 400 mil abortos por ano [es]</a> no Peru.</p>
<p>Protestos contra e a favor da descriminalização do aborto já alcançaram as <a href="http://www.rpp.com.pe/2009-10-20-caos-en-el-centro-de-lima-por-protestas-a-favor-y-en-contra-del-aborto-noticia_216802.html">ruas da capital, Lima [es] </a>e já que o debate ainda tem longo caminho pela frente, espera-se que os protestos durem meses. Pesquisas mostram que as opiniões estão divididas quase ao meio e a <a href="http://www.peru.com/noticias/portada20091014/60461/Congreso-no-deberia-legalizar-aborto-eugenesico-revela-encuesta-de-Perucom">pesquisa digital conduzida pelo site Peru.com [es]</a> mostra que 54% da população acredita que o aborto eugênico causado por desordens congênitas e estupro não deveria ser descriminalizado, enquanto 43% pensa o oposto. Outra <a href="http://elcomercio.pe/impresa/notas/86-esta-favor-voto-voluntario/20091018/356487">pesquisa conduzida pela companhia Apoyo [es]</a> para o jornal El Comercio apresenta resultados semelhantes: &#8220;53% desaprova o aborto quando a gravidez é conseqüência de estupro. 41% aprova. 48% diz não ao aborto quando o feto apresenta defeitos. 46% afirma estar de acordo.&#8221;</p>
<p>Essa polêmica nacional também teve repercussão no exterior, mas é na Internet que se encontram muitas opiniões, como no Foros Perú (Fóruns do Peru), onde há um tópico intitulado &#8220;<a href="http://www.forosperu.net/showthread.php?p=1386459">Aborto Eugênico: Você é a favor ou contra? [es]</a>&#8221; Há também discussões de blogueiros, como Isabel Guerra de <em>Las Burbujas Recargadas</em> [es], <a href="http://burbujasreloaded.wordpress.com/2009/10/11/por-que-me-opongo-al-aborto/">que afirma sua posição sobre o assunto</a>:</p>
<blockquote><p>Creo que la principal razón por la que me opongo (al aborto) es porque la muerte es irreversible. No tiene retorno. Abortar o aplicar la eutanasia, o enviar a alguien al patíbulo, son generalmente situaciones a las que se llega bajo un tremendo estrés, en las que se llega a sentir que esto es la única solución. Ojo, que digo sentir, no pensar, porque cuando uno está pasando alguna de esas situaciones extremas es muy fácil no pensar con claridad, es terriblemente fácil equivocarse.</p>
<p>Hay muchísimos testimonios (libros, páginas web, etc.) de mujeres que abortaron y que años después se arrepintieron. Les dijeron que con un aborto se libraban de un problema en media hora. Pero no les dijeron que el recuerdo no las abandonaría nunca. Y cuando años después se arrepintieron, ya no había vuelta atrás. Lo que tienen casi todos estos testimonios en común es que las mujeres señalan que no recibieron ninguna ayuda, y que de una u otra forma fueron inducidas, por las circunstancias, por la desesperación o por terceras personas, a creer que el aborto era la única salida.</p></blockquote>
<div class="translation">Creio que a principal razão para me opor ao aborto é porque a morte é irreversível. Não há retorno. Abortar, aplicar eutanásia ou enviar alguém à forca são geralmente situações às quais se chega sob tremendo estresse, quando se chega a sentir que é a única solução. Atenção, pois digo sentir, não pensar, pois quando se passa por uma dessas situações extremas é muito fácil agir irracionalmente; é terrivelmente fácil se enganar.</p>
<p>Há muitos depoimentos (livros, páginas da web etc.) de mulheres que abortaram e anos depois se arrependeram. Disseram a elas que abortando se livrariam de um problema em meia hora. Mas não lhes disseram que a lembrança nunca as abandonaria. E quando se arrependeram anos depois, já não havia volta. O que há em comum nesses depoimentos é que essas mulheres destacam que não receberam nenhuma ajuda e que de uma forma ou de outra foram induzidas pelas circunstâncias, pelo desespero ou por terceiros a crer que o aborto era a única saída.</p></div>
<p>Daniel Salas do blog <em>Gran Combo Club </em>[es] <a href="http://grancomboclub.com/2009/10/debatiendo-el-aborto.html">descreve a ética do problema de um ponto de vista contrário:</a></p>
<blockquote><p>La discusión sobre el aborto no debería estar enfocada en las motivaciones terapéuticas, ya que estos criterios crean severas contradicciones. Por ejemplo, conozco algunas personas que se oponen al aborto por razones morales pues consideran que el óvulo fecundado debe ya ser considerado una persona pero, a la vez, admiten que hay ciertos casos (como la violación o malformaciones severas) que pueden justificar tal práctica. Si el aborto fuese injustificable e inmoral, no debería tener excepciones, ni siquiera como respuesta posible a una violación, ya que el nuevo ser debería ser considerado enteramente independiente de tal acto que le dio origen; tampoco se debería permitir en casos de que el embarazo pudiera causar la muerte de la madre, ya que el niño por nacer, con todos sus derechos plenamente constituidos, no podría ser considerado responsable de tal consecuencia.</p>
<p>Entonces, quien admita que el aborto es admisible “en ciertos casos” o “bajo ciertas condiciones” debería reconocer que la inviolabilidad de la vida humana aplicada a un feto no es tan absoluta como en principio se anunciaba. La discusión debería estar, en cambio, enfocada en dos cuestiones de índole ética, a saber:</p>
<p>1. El derecho que posee la mujer de continuar con el embarazo de un ser que depende enteramente de ella.<br />
2. La posibilidad de otorgarle al no nacido los mismos derechos que a un nacido</p></blockquote>
<div class="translation">A discussão sobre o aborto não deveria ser focada em motivos terapêuticos, já que esses critérios criam severas contradições. Por exemplo, conheço algumas pessoas que se opõem ao aborto por razões morais, pois consideram que o óvulo fecundado já é uma pessoa, mas ao mesmo tempo, admitem que há certos casos (violação, malformação severa) que são justificáveis. Se o aborto fosse injustificável e imoral, não deveria haver exceções, nem como resposta a uma violação, uma vez que o novo ser deveria ser considerado inteiramente independente do ato que lhe deu origem, nem deveria ser permitido nos casos em que a gravidez poderia causar a morte da mãe, pois o filho por nascer, com todos os seus direitos plenamente constituídos,não poderia ser responsabilizado por tal conseqüência. Então, quem admite que o aborto é admissível &#8216;em certos casos&#39;, &#39;sob certas condições&#39; deveria reconhecer que a inviolabilidade da vida humana aplicada a um feto não é tão absoluta como em princípio anunciavam. A discussão deveria estar, por outro lado, focada em duas questões de índole ética. Ei-las:</p>
<p>1. O direito que possui a mulher de continuar com a gravidez de um ser que depende inteiramente dela.<br />
2. A possibilidade de outorgar ao inato os mesmos direitos de um nato.</p></div>
<p>No blog <em>Tinta Roja [es]</em>, Cristina Andrade adiciona sua contribuição ao debate <a href="http://cristina-tintaroja.blogspot.com/2009/10/ley-del-aborto-y-quien-defiende-los.html">citando o problema da informalidade que prevalece no país</a>:</p>
<blockquote><p>otro problema en esta posible legalización del aborto, es la criollada, la ilegalidad de algunos médicos, quienes bajo el pretexto de que la muerte de la madre peligra, o que es un bebé con malformaciones, falsearán exámenes y documentos, para justificar el aborto, claro dependiendo de cuanto les paguen, porque en este país todo se compra, todo se vende y lamentablemente como existen médicos buenos, también hay malos y sin ninguna ética, quienes por dinero son capaces de todo.</p>
<p>Esos son los riesgos de legalizar el aborto, estamos en el Perú, no en Europa ni otros países civilizados en los que la ética, los valores y las leyes se respetan. Aquí siempre están buscando como violar las normas, así que en ese sentido, creo que sería muy peligroso legalizar el aborto.</p></blockquote>
<div class="translation">Outro problema nesta legalização do aborto é a informalidade, a ilegalidade de alguns médicos que, sob o pretexto de perigo de morte para a mãe ou de um bebê malformado, falsificam exames e documentos para justificar o aborto, dependendo obviamente de quanto paguem, pois neste país tudo se compra, tudo se vende e lamentavelmente, assim como existem médicos bons, existem os ruins e sem ética alguma, que por dinheiro são capazes de tudo.</p>
<p>Esses são os riscos de legalizar o aborto, estamos no Peru, não na Europa, nem em outros países desenvolvidos, onde a ética, os valores e as leis são respeitadas. Aqui sempre estão buscando como violar as normas, de modo que seria muito perigoso legalizar o aborto, creio eu.</p></div>
<p>O post gerou mais discussão e Andrade complementa com seu próprio post <a href="http://cristina-tintaroja.blogspot.com/2009/10/el-aborto-cuestion-de-conviccion-y.html">ao dizer</a> [es]:</p>
<blockquote><p>Leer los comentarios a favor y en contra en mi primer post, solo me han hecho llegar a una conclusión: la mujer debe tener la libertad de decidir si aborta o no. Y creanme, yo no estoy a favor del aborto, pero tampoco puedo obligar a alguien a pensar como yo. Es sencillo, en mi caso, por mas que despenalicen el aborto, no lo haría, porque mi convicción, mi forma de ser no lo permitiría. Es decir, quien está en contra del aborto, simplemente no lo hará, con o sin ley a favor o en contra, simplemente no lo hará. En todo caso, quienes piensan distinto, tienen la libertad de decidir, y no ser juzgadas.</p></blockquote>
<div class="translation">Ler comentários a favor e contra o aborto em meu primeiro post só me levaram a uma conclusão: a mulher deve ser livre para decidir se aborta ou não. É simples, no meu caso: por mais que despenalizem o aborto, eu não o faria, porque minha convicção, minha forma de ser, não permitiria. Isto é, quem e contra, simplesmente não o fará e aquelas que pensam de forma diferente têm a liberdade de decidir e não serem julgadas.</div>
<p>Laura Arroyo do blog <em>Menoscanas [es]</em> <a href="http://menoscanas.blogspot.com/2009/10/verdades-legitimas-sobre-el-aborto.html">cita a necessidade de debater e respeitar opiniões diferentes</a>:</p>
<blockquote><p>El problema en este país es justamente que somos incapaces de reconocer en la opinión distinta de la propia una opinión válida. Problematizar temas polémicos como el aborto, la eutanasia, preguntarnos si el Estado debiera ser o no laico, etc. es, en buena cuenta permitir que se desarrolle la democracia. En ese sentido, ¡a buena hora el tema del aborto ha sido puesto en la mesa!</p></blockquote>
<div class="translation">O problema deste país é que somos incapazes de reconhecer como válida uma opinião diferente. Problematizar temas polêmicos como o aborto, a eutanásia, perguntarmo-nos se o Estado deve ser laico etc, é realmente permitir que a democracia se desenvolva. Nesse sentido, até que enfim a questão do aborto foi colocada em debate!</div>
<p>Sobre o debate, Daniel Salas de <em>GranComboClub </em>[es] <a href="http://grancomboclub.com/2009/10/debatiendo-el-aborto-ii.html">indaga</a>:</p>
<blockquote><p>Un asunto en este debate al que nadie ha podido responder es qué se entiende exactamente por penalizar el aborto.</p>
<p>Con la penalización del aborto hay una enorme discrepancia entre el discurso que lo sanciona y el castigo que reciben efectivamente quienes lo ejecutan. Así, quienes se oponen a despenalizar el aborto sostienen que la interrupción voluntaria de un embarazo equivale a un homicidio. La consecuencia práctica de tal juicio debería ser que las personas involucradas en el aborto, incluyendo la madre, reciban la misma condena que recibe quien asesina a un nacido. Esto, sin embargo, no ocurre. Una madre que asesina a sus hijos va a la cárcel y recibe mucha publicidad en los medios.</p>
<p>Pero una mujer que aborta no.Este tipo de discrepancias revelan las verdaderas intenciones de la ley. … controlar la capacidad de las mujeres de tomar decisiones sobre su cuerpo. Permitimos que el aborto se practique, pero no de manera abierta porque esto último daría demasiada libertad a las mujeres en una decisión que sentimos que afecta el sostenimiento de la sociedad.</p></blockquote>
<div class="translation">Algo que até agora ninguém pode responder exatamente é o que se entende por penalizar o aborto.</p>
<p>Com a penalização, há uma enorme discrepância entre o discurso que o sanciona e o castigo que recebe efetivamente quem o executa. Assim, aqueles que se opõem à despenalização do aborto sustem que a interrupção voluntária equivale a um homicídio. A conseqüência prática de tal juizo deveria ser a de que os envolvidos no aborto, incluindo a mãe, recebam a mesma condenação de quem assasina um nascido. No entanto, não é isso que acontece. Uma mãe que assassina seus filhos vai para a cadeia  e recebe muita publicidade na mídia.</p>
<p>Mas uma mulher que aborta, não. Esse tipo de discrepância revela as verdadeiras intenções da lei: controlar a capacidade das mulheres de tomar decisões sobre seu corpo. Permitimos que o aborto seja feito, mas não de maneira aberta, porque isso daria muita liberdade às mulheres em uma decisão que sentimos que afeta as bases da sociedade.</p></div>
<p>Para David Ramos do blog <em>Yo, (DASH) </em>[es], <a href="http://idashpe.blogspot.com/2009/10/abortar-es-asesinar-no-hay-medias.html">não há argumentos que valham a pena</a>:</p>
<blockquote><p>las organizaciones feministas y pro-elección, en general, parecen considerar que el ser humano inicia su vida con el nacimiento. Antes de eso, solo era poco más que un riñón. Vale anotar que no hay ciencia que sustente esto, más que una frívola y equívoca percepción de la realidad: no te veo, por lo tanto no existes.</p>
<p>la defensa de la vida debe ser prioridad: así como defendemos delfines, perritos callejeros, flora y fauna amazónica, con mayor razón debemos defender la vida humana en cualquiera de sus etapas. Ningún honor hay en defender más la vida de una foca o de una ballena que la de un congénere humano.</p></blockquote>
<div class="translation">As organizações feministas e pró-decisão, em geral, parecem achar que o ser humano inicia sua vida após o nascimento. Antes disso, era pouco mais que um rim. Vale lembrar que não há ciência que sustente isso, nada mais que uma frívola e equívoca percepção da realidade: se não te vejo, você não existe.</p>
<p>A defesa da vida deve ser prioridade: assim como defendemos golfinhos, cachorros de rua, flora e fauna amazônica, com maiores razões devemos defender a vida humana em qualquer de suas etapas. Não há nenhuma honra em defender mais a vida de uma foca ou baleia que a de um congênere humano.</p></div>
<p>Como se pode perceber pelos pontos de vista acima, as posições sobre o aborto são difíceis de conciliar. É compreensível pois a discussão gira em torno da vida, da ética, da moral, dos valores, da ciência com decisões baseadas no pragmatismo e na privacidade. Por outro lado, há muitos interesses materias em jogo. O debate seguirá e com ainda mais intensidade com o <a href="http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5gMOKOMOJL4OJx8SiVT41I5agg7bQ">anúncio recente do banimento da distribuição gratuita da &#8216;pílula do dia seguinte&#39; pela Corte Constitucional [es]</a>. Está claro que o assunto não vai esfriar.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/05/peru-o-debate-sobre-aborto/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Paraguai: Debatendo as crescentes questões de segurança</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/03/paraguai-debatendo-as-crescentes-questoes-de-seguranca/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/03/paraguai-debatendo-as-crescentes-questoes-de-seguranca/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 03 Nov 2009 14:44:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Casaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[Lei]]></category>
		<category><![CDATA[Paraguay]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Spanish]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=4913</guid>
		<description><![CDATA[O recente seqüestro de um fazendeiro atiçou o debate sobre quem seria o maior responsável para as questões de segurança e se a culpa colocada sobre o presidente Fernando Lugo é justificável ou meramente uma manobra política.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/belen-bogado/">Belen Bogado</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/diegocasaes/'>Diego Casaes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/10/30/paraguay-addressing-the-growing-security-concerns/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="single">
<p>Dois ex-candidatos presidenciais, dois senadores, e alguns empresários têm pedido o <em>impeachment</em> do presidente <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Lugo">Fernando Lugo</a> por sua incapacidade de prover segurança ao país. Entretanto, foi o recente seqüestro de Fidel Zavala, um fazendeiro mantido em cativeiro desde 15 de outubro, cujos seqüestradores demandaram um resgate no valor de 5 milhões de dólares, que atiçou o debate sobre quem seria o maior responsável pelas questões de segurança, quais passos devem ser tomados para solucionar a situação, e se a culpa posta sobre o presidente seria meramente uma manobra política da oposição.</p>
<p>Zavala foi seqüestrado pelo Exército do Povo Paraguaio (EPP), um grupo terrorista que acredita-se ser a extensão do partido político Patria Libre. Acredita-se ainda que o EPP tenha <a href="http://noticias.aol.com/articulos/_a/afirman-que-ejercito-del-pueblo/n20091016163309990032">sido aconselhado pelas FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em 2004, no seqüestro e assassinato de Cecilia Cubas</a> [es], filha do ex-presidente Raúl Cubas.</p>
<div id="attachment_4916" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><img class="size-full wp-image-4916" title="pressconference" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/11/pressconference.jpg" alt="Presidente Fernando Lugo delineando o plano de segurança. Foto por Fernando Lugo APC e usada sob uma licença Creative Commons." width="400" height="220" /><p class="wp-caption-text">Presidente Fernando Lugo delineando o plano de segurança. Foto por Fernando Lugo APC e usada sob uma licença Creative Commons.</p></div>
<p>O senador liberal <a href="http://www.abc.com.py/abc/nota/36712-Senador-Jaeggli-pide-juicio-pol%C3%ADtico-para-Lugo/">Alfredo Jaeggli disse que o presidente Lugo deve sofrer o <em>impeachment</em></a> [es] pois ele não está cumprindo suas funções como presidente por não prover segurança aos cidadãos paraguaios. A ideia do <em>impeachment</em> também é apoiada por Pedro Fadul e Lino Oviedo, ambos ex-candidatos presidenciais e pelo senador Julio Cesar Velázques.</p>
<p>O que coloca Lugo em uma situação ainda mais difícil é que o presidente tem sido relacionado a membros envolvidos no caso de Cubas, ao ponto que a mãe de Cecilia, Mirta Guzinsky, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=1-iSZsd-Bl8&amp;feature=related">publicou um vídeo durante a campanha presidencial em 2008 pedindo aos cidadãos que não votassem por Lugo</a> [es]. O vídeo agora foi revivido na comunidade online Paraguaia por emails coletivos com a seguinte frase no campo de assunto: &#8220;E se a Mirtha Gusinsky estivesse certa?&#8221; Lugo era bispo do departamento de São Pedro em 2004 quando disse que não ouvira nada a respeito do seqüestro, apesar do caso de Cubas ter sido divulgado em todos os meios de comunicação do país naquela época.</p>
<p>Discussões estão ocorrendo tanto nas mais altas esferas políticas quanto entre os cidadãos paraguaios comuns. O blogueiro José Angel López Barrios, comenta eu seu blog <a href="http://lopezbarrios.blogspot.com/2009/10/secuestros-y-portacion-de-armas-en.html">que o governo não está, e nunca esteve, equipado para lutar a crescente indústria de sequestros</a> [es]:</p>
<blockquote><p>Sin duda se aúnan un montón de factores en la sucesión de secuestros que nos acorralan, en 8 años hemos tenido por lo menos 100 secuestros y el único factor común destacable es que quienes deben solucionar estos crímenes no están preparados para ello. (…)</p>
<p>La increíble suma solicitada por los mismos (5.000.000 de dólares) revela que atrás de ese pedido existe la idea de financiar las operaciones del grupo clandestino….</p></blockquote>
<div>
<div class="translation">Não há dúvida que há muitos fatores que tornam possíveis estes seqüestros que nos assombram; tivemos cerca de 100 seqüestros em 8 anos e o principal fator para isso é que os responsáveis na resolução destes crimes não estão preparados para tal tarefa (&#8230;)</p>
<p>A incrível soma de dinheiro requisitada pelos seqüestradors (5 milhões de dólares) revela que, por trás do pedido de resgate, mora a ideia de financiar mais operações para este grupo clandestino.</p></div>
<p>Maki Fretez, um blogueiro que comenta em um artigo do ABC Color, <a href="http://www.abc.com.py/abc/nota/37491-Instan-a-Franco-a-promover-juicio-pol%C3%ADtico-contra-Lugo/">diz que o impeachment é fundamental para reestabelecer a tranqüilidade e segurança no Paraguai</a> [es]:</p>
<blockquote><p>Cambiar al presidente en este momento es una cuestion de superviviencia!, de lo contrario hay que apagar las luces y salir del pais cuanto antes. El juicio politico es un mecanismo constitucional por lo que no puede ser considerado irregular…</p></blockquote>
<div class="translation">Mudar o presidente neste momento é uma questão de sobrevivência! Caso contrário é melhor que apaguemos as luzes e deixemos o país o mais rápido possível. Um julgamento político é um mecanismo constitucional, então não pode ser considerado uma medida irregular a ser tomada.</div>
<p>Outros acreditam que a bandeira de <em>impeachment</em> está sendo usada por políticos para favorecerem seus partidos e interesses pessoais, e que não ajudaria nas circunstâncias do seqüestro de Zavala, nem melhoraria a situação no país. O blogueiro e jornalista Alfredo Boccia, escreve em seu blog <a href="http://blogs.ultimahora.com/post/2516/50/los-politicos-y-la-vida-de-fidel-zavala.html:"><em>Antes del Septimo Día</em></a> [es]:</p>
<blockquote><p>La mención al juicio político fue azuzada por buena parte de la oposición, por la prensa -que insinuaba que el silencio de Lugo ocultaba algo- y, por supuesto, por el vicepresidente, quien le dio manija a su fastidiosa y autodestructiva tarea de marcar sus diferencias con el presidente.</p>
<p>En momentos en que se imponían la austeridad de palabras y la reflexión prudente, triunfó la descalificación irresponsable y la vocinglería fanática. El que debería ser la principal preocupación de todos -cautivo en condiciones probablemente dramáticas en los montes del Norte- pasó a un segundo plano.</p></blockquote>
<div>
<div class="translation">A ideia do julgamento político foi incitada pela oposição e pela imprensa - que insinuou ser o silêncio de Lugo significado de que ele escondia algo - e é claro, pelo vice-presidente que insistiu em sua função irritante e auto-destrutiva de apontar suas diferenças com o presidente.</p>
<p>Em tempos em que se faz necessário usar palavras austeras e uma reflexão prudente, a desqualificação irresponsável e o clamor fanático prevaleceram.  A pessoal que deveria ser o principal interesse - provavelmente mantida em condições dramáticas na floresta ao norte - tornou-se uma questão secundária.</p></div>
<p>Enquanto Zavala é mantido em cativeiro, o debate sobre as questões envolvendo segurança continuam.</p></div>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/03/paraguai-debatendo-as-crescentes-questoes-de-seguranca/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Vídeo: Vencedores de concurso da ONU se tornam Embaixadores Cidadãos</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/10/30/video-vencedores-de-concurso-da-onu-se-tornam-embaixadores-cidadaos/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/10/30/video-vencedores-de-concurso-da-onu-se-tornam-embaixadores-cidadaos/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 30 Oct 2009 04:20:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Casaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Arte & Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Brazil]]></category>
		<category><![CDATA[Canada]]></category>
		<category><![CDATA[Cyber-Ativismo]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[Idéias]]></category>
		<category><![CDATA[Mexico]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
		<category><![CDATA[U.S.A.]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
		<category><![CDATA[Video]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=4902</guid>
		<description><![CDATA[Trazemos neste post os 5 vencedores do Concurso da ONU, em que os participantes enviaram um vídeo afirmando o que diriam aos líderes mundiais se tivessem a oportunidade. Os 5 video-bloggers puderam mandar seu recado em pessoa na celebração do Dia da ONU em Nova Iorque.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/juliana-rincon-parra/">Juliana Rincón Parra</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/diegocasaes/'>Diego Casaes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/10/28/video-winners-of-un-contest-became-citizen-mbassadors/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="single">
<p>Trazemos neste post os 5 vencedores do Concurso da ONU, em que os participantes enviaram um vídeo afirmando o que diriam aos líderes mundiais se tivessem a oportunidade. Os 5 video-bloggers puderam mandar seu recado em pessoa na celebração do Dia da ONU em Nova Iorque.</p>
<p><a href="http://globalvoicesonline.org/2009/09/25/video-contest-citizen-embassadors-for-the-64th-un-day/">Em um post anterior</a> [en] anunciamos o concurso para Embaixador Cidadão da ONU, em que os video-bloggers teriam de gravar o que diriam aos Líderes Mundiais se tivessem a chance, a fim de ganhar a oportunidade de falar diretamente com o Secretário-Geral Ban Ki Moon no Dia da ONU, em 23 de outubro. Os vencedores foram selecionados e também notificados através do YouTube. Aqui está o <a href="http://www.youtube.com/watch?v=2z7vvvQrtAM">vídeo anunciando os escolhidos</a> no Canal das Nações Unidas:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="261" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/2z7vvvQrtAM&amp;hl=es&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="261" src="http://www.youtube.com/v/2z7vvvQrtAM&amp;hl=es&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Emily Troutman dos Estados Unidos, <a href="http://globalvoicesonline.org/2009/09/12/video-caring-about-congo/">a qual recentemente referenciamos</a> [en] em relação ao seu vídeo Congo Matters (O Congo é Importante), foi uma das vencedoras. Em seu <a href="http://www.youtube.com/watch?v=Zo3gydiUy64">vídeo-resposta à ONU</a>, ela fala sobre como os Líderes Mundiais deveriam se lembrar de que são responsáveis por mais de 6 bilhões de vidas de outros seres humanos, uma pessoa de cada vez:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="261" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/Zo3gydiUy64&amp;hl=es&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="261" src="http://www.youtube.com/v/Zo3gydiUy64&amp;hl=es&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=Fx9n1yVD2eE">Jeremy Walker do Canada</a> foi mais um outro vencedor, e pediu que a ONU provasse que ainda pode ajudar a resolver os problemas mundiais; para dar mais uma vez esperança àqueles que ainda querem acreditar que pode haver mudança:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="261" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/Fx9n1yVD2eE&amp;hl=es&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="261" src="http://www.youtube.com/v/Fx9n1yVD2eE&amp;hl=es&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=RR_toVxuuco">Breno Coelho do Brazil</a> enviou um vídeo respondendo o que precisa ser feito para fazer deste mundo um lugar melhor e mais seguro em que várias pessoas oferecem suas soluções: mais amor, menos cobiça, menos ódio:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="261" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/RR_toVxuuco&amp;hl=es&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="261" src="http://www.youtube.com/v/RR_toVxuuco&amp;hl=es&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=Xj532Q-iVmo">Maricarmen Ortega do Mexico</a> também incluiu as vozes de várias pessoas em seu vídeo, mas desta vez em vários idiomas:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="261" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/Xj532Q-iVmo&amp;hl=es&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="261" src="http://www.youtube.com/v/Xj532Q-iVmo&amp;hl=es&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=IUCR_f4E1l0">Kirsty Matthews do Canada</a> fez uma pequena mensagem, direta ao ponto: o que é preciso é igualdade, sustentabilidade e justiça para todos:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="261" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/IUCR_f4E1l0&amp;hl=es&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="261" src="http://www.youtube.com/v/IUCR_f4E1l0&amp;hl=es&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>A TV das Nações Unidos publicou um vídeo mostrando os 5 Embaixadores Cidadãos em Nova Iorque no Dia da ONU:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/PnIqALtOq6g&amp;hl=es&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/PnIqALtOq6g&amp;hl=es&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Parabéns a todos!!</p></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/10/30/video-vencedores-de-concurso-da-onu-se-tornam-embaixadores-cidadaos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Brasil: Entre a Democracia e a Dúvida</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/10/29/brasil-entre-a-democracia-e-a-duvida/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/10/29/brasil-entre-a-democracia-e-a-duvida/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 29 Oct 2009 18:16:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Casaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Brazil]]></category>
		<category><![CDATA[Cyber-Ativismo]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[Governança]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade de Expressão]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=4795</guid>
		<description><![CDATA[O Brasil aguarda sua primeira Conferência Nacional de Comunicação que sinalizará um grande passo inicial na democratização do sistema comunicacional do país.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/marta-cooper/">Marta Cooper</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/diegocasaes/'>Diego Casaes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/10/23/brazil-between-democracy-and-doubt/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="single">
<p>Desde o Fórum Mundial Social em Belém, em Janeiro deste ano, quando os meios de comunicação alternativos clamaram por informação progressiva e com pluralidade, iniciativas independentes online têm florescido no Brasil. Lado a lado com outros meios de comunicação já estabilizados, o <a href="http://www.midiaindependente.org/">Centro de Mídia Independente</a> possui coletivos com base nas maiores cidades brasileiras, a Web 2.0 hospeda incontáveis blogs, <a href="http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/parceiros.asp.">sites de notícias alternativos</a>, fóruns, interfaces, e o <a href="http://www.trezentos.blog.br/">ciberativismo</a> está tomando forma.</p>
<p>Estes exemplos estão se fortalecendo com encontros municipais e estaduais com a sociedade civil, organizações e acadêmicos em preparação para a primeira Conferência Nacional de Comunicação do Brasil, em dezembro. Intitulada &#8220;Comunicação: meios para a construção de direito e de cidadania na era digital&#8221;, a conferência sinaliza um grande passo na democratização do sistema de comunicação brasileiro.</p>
<p>Mas, apesar dos setores alternativos mostrarem tendências democráticas, a mídia brasileira é bastante conhecida por sua alta <a href="http://www.opendemocracy.net/media-globalmediaownership/article_64.jsp">concentração</a> [en] nas mãos de menos de dez famílias. Não sendo novidade, portanto, aqueles que lutam pela democratização da mídia têm numerosas propostas, incluindo o fortalecimento do serviço público de televisão e radiodifusão, afinando a ilusória estrutura de regulamentação, e expandindo o programa de inclusão digital do ex-Ministro da Cultura Gilberto Gil e investindo mais em setores e comunidades alternativas.</p>
<p style="text-align: center;"><img title="conferencia_comunicacao2-300x220" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/conferencia_comunicacao2-300x220.jpg" alt="conferencia_comunicacao2-300x220" width="300" height="220" /></p>
<p>A blogosfera permanece dividida sobre qual proposta é mais importante. Vários blogs feministas, por exemplo, recordam que o regulamento, monitoração, e revisão da lei de imprensa são fundamentais. Estes itens podem também denotar responsabilidade no que tante o controle social, o qual, para a blogueira <em><a href="http://terribili.blogspot.com/2009/05/tal-de-lei-de-imprensa-por-uma.html">Alessandra Terribili</a></em>,</p>
<blockquote><p>É garantir que eles não podem dizer o que querem, reforçar esteriótipos, legitimar preconceitos, seduzir pelo consumo, informar pela metade, esconder uma parte… não podem fazer isso impunemente.</p></blockquote>
<p>Mas para o site de ciberativismo <a href="http://www.trezentos.blog.br/?p=3025"><em>Trezentos</em></a>, a inclusão digital permanece algo de suma importância. Suas propostas vão além da expansão de banda larga e infraestrutura de conectividade pelo país e também enfatizam os <em>direitos digitais</em> dos cidadãos:</p>
<blockquote><p>“Todos os brasileiros têm o direito ao acesso à Internet sem distinção de renda, classe, credo, raça, cor, opção sexual, sem discriminação física ou cultural […] Todo cidadão tem direito de acessar informações públicas em sites da Internet sem discriminação de sistema operacional, navegador ou plataforma computacional utilizada. Toda pessoa tem o direito a escrever em blogs e participar de redes sociais com seu nome, com codinome ou anonimamente.”</p></blockquote>
<p>O quão longe tais propostas possam vir a se tornar efetivas, dado as eleições presidenciais em 2010, é discutível. Além disso, a comunicação não é amplamente reconhecida como um direito humano, e veículos alternativos raramente se mobilizam coletivamente. A gradativa inclusão digital do Brasil de 34% com acesso a Internet, sendo 5% apenas se beneficiando de banda larga, também se opõe como um rígido contraste aos 98% da população que assistem à TV. Por mais contra-hegemônica que seja a luta para a democratização da comunicação, essa luta é, no final das contas, ofuscada pela mídia de massa monopolista.</p>
<p>Embora a conferência possa ver mais envolvimento público na criação de políticas e um papel mais ativo e conjunto por parte dos representantes de mídias alternativas e atores da <a href="http://www.intervozes.org.br/">sociedade civil</a>, tanto a mídia brasileira quanto a democracia em si são frágeis e em processo de amadurecimento. Mas é essencial que ambas se fortaleçam juntas. Para o blogueiro <a href="http://pablojus.blogspot.com/2009/10/midia-brasileira-esta-cega-e-servico.html"><em>Pablo Pedroso</em></a>:</p>
<blockquote><p>“Parte do esforço para a profunda transformação socioeconômica do Brasil, passa pela democratização dos meios de comunicação.”</p></blockquote>
<p>Portanto, a Conferência é somente o primeiro passo para um longo &#8220;trabalho de formiguinha&#8221; que o Brasil enfrenta em seu desenvolvimento democrático. Teremos de simplesmente esperar e ver o quanto tecnologias convergentes resultam em interesses convergentes.</p></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/10/29/brasil-entre-a-democracia-e-a-duvida/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Posts em Português no Blog Action Day 2009</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/10/16/posts-em-portugues-no-blog-action-day-2009/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/10/16/posts-em-portugues-no-blog-action-day-2009/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 16 Oct 2009 13:23:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Casaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Brazil]]></category>
		<category><![CDATA[Cyber-Ativismo]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Mozambique]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
		<category><![CDATA[Sub-Saharan Africa]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>
		<category><![CDATA[Western Europe]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=4688</guid>
		<description><![CDATA[Blogueiros lusófonos de vários países se juntaram aos blogueiros mundiais no Blog Action Day 2009 para alcançar sua audiência e sensibilizá-la sobre as mudanças climáticas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/diego-casaes/">Diego Casaes</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/diegocasaes/'>Diego Casaes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/10/16/post-in-portuguese-on-blog-action-day-09/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p><a href="http://www.blogactionday.org"><img class="alignright" style="border: 0pt none;" src="http://www.blogactionday.org/imgs/badges/bad-180-150.jpg" border="0" alt="" width="180" height="150" /></a>Ontem foi o <a href="http://www.blogactionday.org/">Blog Action Day</a> [en], o evento anual em que blogueiros <a href="http://globalvoicesonline.org/2009/10/15/reading-the-world-on-blog-action-day/">de todo o mundo se reúnem</a> [en] para sensibilizar as pessoas sobre uma causa. O tópico desse ano são as mudanças climáticas, especialmente planejado dado a realização da <a href="http://en.cop15.dk/">Conferência Climática da ONU</a> [en] em dezembro deste ano na cidade de Copenhague. Blogueiros lusófonos estavam ansiosos por semanas para o evento e agora publicaram diversos posts contribuindo para a causa.</p>
<p>Os blogueiros brasileiros em <a href="http://essetalmeioambiente.wordpress.com/"><em>Esse Tal de Meio Ambiente</em></a>, <em><a href="http://malmg.blogspot.com/">Minas Ambiente</a></em> e <em><a href="http://coisasdesp.blogspot.com/">Coisas de Sampa</a></em>, por exemplo, criaram um post-padrão para aquelas pessoas que não teriam tempo para criar seus próprios artigos para o Blog Action Day, mas que querem levar a seus leitores uma mensagem relevante. <a href="http://essetalmeioambiente.wordpress.com/2009/10/13/blog-action-day-um-dia-sem-sacola-plastica/">Eles também lançaram a campanha</a> &#8220;Um dia sem sacola plástica&#8221;:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;">Você imagina o que acontece com as sacolas plásticas que pegamos nos supermercados para acondicionar nossas compras, quando as jogamos no lixo?</p>
<p style="text-align: left;">Algumas vão direto para aterros sanitários, onde levam mais de 300 anos para decompor. Outras, jogadas nas ruas, entopem bueiros e provocam enchentes nas áreas urbanas. Outra parte, ainda, é ingerida por milhares de espécies animais – em terra ou no mar – provocando-lhes asfixia e morte. As estimativas são de que, todos os anos, a ingestão de plásticos causa a morte de cerca de um milhão de aves marinhas, cem mil mamíferos e inumeráveis peixes.</p>
<p style="text-align: left;">Dia 15 de Outubro é o <em>Blog Action Day,</em> dia em que blogueiros de todo o mundo se juntam para mobilizar a sociedade em prol de uma causa. [..] nessa data um desafio é proposto: <strong>um dia sem sacola plástica.</strong> E aí? Vai ficar aí parado? Junte-se a nós. Mobilize. Faça parte desta ação.</p>
</blockquote>
<div id="attachment_101414" style="width: 415px;">
<div id="attachment_4690" class="wp-caption alignnone" style="width: 460px"><a href="http://www.flickr.com/photos/leoffreitas/1469376131/"><img class="size-full wp-image-4690 " title="1469376131_bef3a92e48" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/1469376131_bef3a92e48.jpg" alt="Queimadas na Amazônia. Foto por leoffreitas no Flickr. " width="450" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Queimadas na Amazônia. Foto por leoffreitas no Flickr. </p></div>
</div>
<p>A blogueira Aninha em <a href="http://odivadeeinstein.wordpress.com/"><em>O Divã de Einstein</em></a><em> </em>fundamentou seu post do Blog Action Day (<a href="http://search.twitter.com/search?q=BAD09">#BAD09</a>) no livro de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Burrhus_Frederic_Skinner">B F Skinner</a> <em>&#8220;O que há de errado com o coditiano no Ocidente?&#8221;</em>, descrevendo casos em que as pessoas não reagem às discussões sobre as mudanças climáticas porque não querem, e não necessariamente sofrerão o impacto do aquecimento global.</p>
<p>Ela <a href="http://odivadeeinstein.wordpress.com/2009/10/15/%E2%80%9Co-que-esta-errado-com-a-vida-cotidiana%E2%80%9D/">completa</a>:</p>
<blockquote><p>A solução está muito mais nas mãos dos que têm poder para mudar as regras do reforçamento do que na “vontade”, “consciência” ou “informação” dos indivíduos em particular, porque a situação requer uma mudança drástica e rápida dos comportamentos de muitas pessoas – ou melhor de TODAS as pessoas – ao mesmo tempo. Não temos tempo para esperar que o ambiente remodele os comportamentos, porque quando estiver quente pra dedéu, e todo mundo começar a se preocupar em fazer coisas que não aumentem ainda mais a temperatura, a coisa não terá mais como ser revertida. E é por isso que é tão importante pressionar os caras que têm o poder de mudar o ambiente imediato das pessoas: sobretaxando o uso de combustíveis fósseis, fazendo leis que diminuam a emissão de poluentes que aumentam o efeito estufa, investindo em produção de combustíveis alternativos e na mudança da matriz energética, educando a população para a diminuição do consumo, etc e talz.</p>
<p>É por isso que eu digo: Obama!! Já ganhou o Nobel, agora se mexe, meu filho!!!</p></blockquote>
<p>Por outro lado, os blogueiros em <a href="http://homensmodernos.wordpress.com/2009/10/15/blog-action-day-mudancas-climaticas/"><em>Homens Modernos</em></a> enfatizam que, embora a maior responsabilidade em relação ao Meio Ambiente esteja com os governantes, os cidadãos comuns <a href="http://homensmodernos.wordpress.com/2009/10/15/blog-action-day-mudancas-climaticas/">também podem fazer uma diferença</a>:</p>
<blockquote><p>Não preciso nem dizer que <a href="http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/meio_ambiente_brasil/clima/mudancas_climaticas/">mudança climática </a>não é somente uma lenda urbana mas sim uma realidade em progresso que pode (ou não) vir a ter consequências desastrosas pra nós se ficarmos sentados de braços e pernas cruzados sem nada fazer pra reverter ou amenizar o quadro. Sim, claro que uma fatia grande deste fazer cabe aos governos do mundo, mas isso não quer dizer que não possamos dar uma bela “contribuída” nessa. E nem que esta contribuição não vá fazer lá muita diferença, porque vai. Afinal as escolhas que a gente faz todo dia tem peso e com certeza vão refletir no futuro do planeta, para o bem ou para o mal do próprio. Portanto, pondere as suas <em>and take the green way as much as you can</em>.</p></blockquote>
<div style="width: 387px;">
<div id="attachment_4691" class="wp-caption alignnone" style="width: 387px"><a href="http://www.flickr.com/photos/starrynight1/3907365035/"><img class="size-full wp-image-4691" title="3907365035_c4f85dea1b" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/3907365035_c4f85dea1b.jpg" alt="Torre de Belém em Portugal rodeada por lixo. Foto por starrynight1 no Flickr." width="377" height="500" /></a><p class="wp-caption-text">Torre de Belém em Portugal rodeada por lixo. Foto por starrynight1 no Flickr.</p></div>
</div>
<p>O blogueiro e jornalista Wander Veroni do <a href="http://cafecomnoticias.blogspot.com/"><em>Café com Notícias</em></a> traz à discussão o papel do jornalismo no que tange as mudanças climáticas. Ele <a href="http://cafecomnoticias.blogspot.com/2009/10/blog-action-day-2009-previsao-do-tempo.html">diz que</a> atualmente a previsão do tempo e reportagens correlatas recebem mais atenção do que antes:</p>
<blockquote><p>Até bem pouco tempo, a previsão do tempo era tratada como uma editoria “menor” em boa parte dos noticiários. Coisa de menos de cinco anos atrás. Era muito comum apenas se noticiar a previsão do tempo do dia - ou no máximo do dia seguinte. Se acontecesse algo de mais importante no montante de notícias do dia, a previsão do tempo era a primeira a cair e não entrava no ar.</p>
<p>Hoje, vemos uma situação completamente diferente. Muitos veículos mantêm jornalistas apenas para cobrir fatos relativos ao tempo e temperatura no pais e no mundo. Além de render pauta constantemente, a editoria ouve especialistas e traduz termos técnicos importantes para que o público entenda o porque dos fenômenos meteorológicos interferirem no seu dia-dia.</p></blockquote>
<p>A blogueira  Daiane Santana do<em> <a href="http://vivoverde.com.br/">Vivo Verde</a></em> fez uma seleção de <a href="http://vivoverde.com.br/?p=1237">15 posts relacionados com as mudanças climáticas que foram discutidos em seu blog</a>. Ela está entre os blogueiros ambientalistas mais populares do Brasil. Como ela diz:</p>
<blockquote><p>Hoje é um dia bem especial para a blogosfera e principalmente para nós, blogueiros ambientais, que tratam dos assuntos voltados ao meio ambiente com o coração aberto para nossos leitores.</p></blockquote>
<p>Daiane também publicou um post no blog coletivo<em> <a href="http://www.nerdssomosnozes.com/">Nerds Somos Nozes</a></em> em que trouxe à tona a discussão acerca do lixo tóxico e seu impacto na sociedade. Ela apontou formas de como cada cidadão pode contribuir nessa luta:</p>
<blockquote><p>Quando  empresas de telefonia promovem campanhas de devolução/coleta de baterias , não pense você que  com esta ação a empresa está gerando apenas lucro para ela, lembre-se que o seu ato de depositar aquela bateria inutilizada e até a carcaça de seu celular que “você considerou” como lixo, poderá ter um destino qualificado e deixará de ser um fator de perigo para você e sua família.</p></blockquote>
<p>De Portugal, a blogueira Marta do blog  <a href="http://milvisoes.blogspot.com/"><em>Mil Visões</em></a> listou algumas dicas que o cidadão comum pode seguir para manter um estilo de vida mais amigável ao Meio Ambiente, <a href="http://milvisoes.blogspot.com/2009/10/blog-action-day-alteracoes-climaticas.html">completando</a>:</p>
<blockquote><p>Apontada como uma das grandes causas para as alterações climáticas, as emissões de gases poluentes para a atmosfera têm deixado os “Deuses loucos”! E a nós também. É por isso urgente todos intervirmos para que os nossos filhos, netos, bisnetos e por aí fora, possam usufruir de um planeta mais limpo e seguro.<br />
Se já se pode considerar lugar comum dizer-se que já se faz isto ou aquilo para combater estes fenómenos, muitos há que ainda acham que reciclar um pacote de leite não irá fazer a menor diferença. Mas faz, e muito! É a tal história do “grão a grão enche a galinha o papo”.</p></blockquote>
<p>Finalmente, Elisio Leonardo do blog <a href="http://infomoz.net/"><em>Informática Moçambique</em></a> publicou sua colaboração ao Blog Action Day. Ele <a href="http://infomoz.net/lang/en/blog-action-day-lets-heal-the-world/">diz</a>:</p>
<blockquote><p>É momento de pensarmos no futuro e mudarmos o nosso modo de vida, para fazer-mos da terra um lugar melhor. Michael Jackson disse isso no seu “Heal the World”,  e é exactamente o que o <a onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://www.blogactionday.org/');" rel="nofollow" href="http://www.blogactionday.org/" target="_blank">Blog Action Day</a> está a tentar mostrar.</p></blockquote>
<p>Muitos blogueiros de todas as partes do planeta têm contribuído para o Blog Action Day. Você pode seguir as atualizações a partir <a href="http://www.blogactionday.org/en/blogs">deste link</a> [en].</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/10/16/posts-em-portugues-no-blog-action-day-2009/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Bolívia: A Batalha sobre o Parque Machia</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/10/15/bolivia-a-batalha-sobre-o-parque-machia/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/10/15/bolivia-a-batalha-sobre-o-parque-machia/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 15 Oct 2009 23:39:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cilene Dutra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Bolivia]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Photos]]></category>
		<category><![CDATA[Protesto]]></category>
		<category><![CDATA[Spanish]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=4663</guid>
		<description><![CDATA[O Parque Machia é conhecido por muitos viajantes estrangeiros que visitam com freqüência o refúgio animal próximo a Villa Tunari nos trópicos de Cochabamba no centro da Bolívia. Entretanto, o projeto de construção de uma estrada está ameaçando sua existência.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/eduardo-avila/">Eduardo Avila</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/cilenedutra/'>Cilene Dutra</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/10/13/bolivia-the-battle-over-machia-park/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>O Parque Machia é conhecido por muitos viajantes estrangeiros que visitam com freqüência o refúgio animal próximo a Villa Tunari nos trópicos de Cochabamba no centro da Bolívia. Alguns desses viajantes permanecem por mais tempo como voluntários da organização <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Inti_Wara_Yassi">Inti Wara Yassi</a></em> [en], onde reabilitam macacos que outrora foram bichos de estimação, e protegem outros animais selvagens presentes no parque.</p>
<p>Entretanto, alguns desses voluntários estão liderando a responsabilidade de proteger o Parque Machia, uma vez que há um projeto de estrada recente que atravessa o meio do parque. A nova estrada está sendo construída pelo município local para facilitar o transporte de colheita para os plantadores de coca. O conflito continua entre a organização e as autoridades locais, com críticas ao plano dizendo que <a href="http://www.intiwarayassi.org/articles/volunteer_animal_refuge/ciwy_noticias.html#136">o projeto não conduziu a pesquisa necessária de Impacto Ambiental e que não foram feitos preparativos para acomodar os animais deslocados.</a></p>
<p style="text-align: center;">
<div id="attachment_4678" class="wp-caption aligncenter" style="width: 276px"><a href="http://www.flickr.com/photos/thekjkev/3718252096/"><img class="size-full wp-image-4678 " title="Parque Machia " src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/monkeys.jpg" alt=" Foto de Macaco no Parque Machia por thekjkev e sob a licença Creative Commons. " width="266" height="400" /></a><p class="wp-caption-text"> Foto de Macaco no Parque Machia por thekjkev e sob a licença Creative Commons. </p></div>
<p>Alguns voluntários têm protestado diretamente pelo blog <em>Inti Wara Yassi</em>, <a href="http://www.intiwarayassi.org/articles/volunteer_animal_refuge/ciwy_noticias.html#136">descrevendo quais áreas estariam em risco:</a></p>
<blockquote><p>The monkey park, where several species of monkey are cared for and fed – capuchins, spider monkeys, squirrel monkeys.<br />
Areas where tortoices, agoutis, coatis are kept.<br />
The spider monkey park.<br />
The enclosures for three of our felines – Leoncio, Gato and Luna<br />
The “mirador” area, where abused and mistreated capuchin monkeys are rehabilitated.<br />
The enclosure for the endangered Spectacled Bear.<br />
Many of the trails which are used for walking the cats.</p>
<p>This is why we have concluded that no consideration has been made for the well being of the animals, not to mention the fact that Parque Machia is considered an area of National Heritage, meaning no damage to the biological, genetic and ecological diversity should be allowed.</p></blockquote>
<div class="translation">O parque do macaco, onde diversas espécies de macacos são cuidadas e alimentadas: capuchinhos, macacos-aranha, macacos esquilo.<br />
Áreas onde tartarugas, cotias e quatis são mantidos.<br />
O parque do macaco-aranha.O cercado de três de nossos felinos: Leôncio, Gato e Luna.<br />
A área do &#8216;mirador&#39;, onde são reabilitados capuchinhos que foram abusados e maltratados.<br />
O cercado para o ameaçado urso-de-óculos.<br />
Muitas das trilhas usadas por gatos andarilhos.</p>
<p>Por essa razão concluímos que não levaram em consideração o bem-estar dos animais, sem mencionar que o Parque Machia é considerado área de Herança Nacional, o que significa que nenhum prejuízo à diversidade biológica, genética e ecológica deve ser permitida.</p></div>
<p>O blog <em>The Democracy Center</em> destaca que alguns <a href="http://democracyctr.org/blog/2009/09/cocalero-expansions-draw-conflict.html">voluntários empregaram</a> [en] uma &#8220;típica tática de protesto boliviana - a barricada - para tentar impedir a construção de uma nova auto-estrada através do parque.&#8221;</p>
<p>Gustavo Cardoso do blog <em>Observancia </em>[es]<em> </em>dá créditos ao <em>Inti Wara Yassi</em> por ajudar a preservar a natureza nessa área, <a href="http://observancia.blogspot.com/2009/09/destruyen-parque-machia-en-el-chapare.html">o que gerou benefícios diretos à municipalidade local, a mesma entidade que está construindo a nova estrada.</a></p>
<blockquote><p>Paradójicamente, en esta etapa donde la comunidad internacional, busca la conservación de áreas al máximo, todavía hay quienes conciben a ultranza que el desarrollo pasa por “dominar la naturaleza” tal cual se fraguaba en el siglo XIX, y que nos llevó a un estado de cosas que lamentamos hoy en día.</p></blockquote>
<div class="translation">Paradoxalmente, nesta etapa em que a comunidade internacional busca ao máximo a conservação de áreas, ainda há quem creia piamente que o desenvolvimento requere &#8220;dominar a natureza&#8221; tal como era forjado no século XIX, e que nos levou a um estado que lamentamos hoje em dia.</div>
<div style="width: 410px;">
<div id="attachment_4679" class="wp-caption alignnone" style="width: 410px"><a href="http://www.flickr.com/photos/nebarnix/3946207025/"><img class="size-full wp-image-4679 " title="mirador" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/mirador.jpg" alt="Villa Tunari observada do Parque Machia, por Nebarnix. Uso sob licença Creative Commons." width="400" height="267" /></a><p class="wp-caption-text">Villa Tunari observada do Parque Machia, por Nebarnix. Uso sob licença Creative Commons.</p></div>
</div>
<p>O blog <em><a href="http://www.boliviabella.com/">Bolivia Bella</a> </em>[en]<em> </em>informa que a conservacionista <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jane_Goodall">Jane Goodall</a> está agendada para visitar o parque e que poderia chamar a atenção da comunidade internacional para o caso. <a href="http://www.boliviabella.com/save-machia.html">Ela também resume os motivos pelos quais o parque deveria permanecer intocado:</a></p>
<blockquote><p>In any case, I AM against the building of THIS road. It&#39;s not right. It&#39;s a national park and nature preserve. It&#39;s very name indicates it has been set aside to AVOID its destruction. For me, that&#39;s enough reason to not agree with it. Period.</p>
<p>The sad thing is, I visited Villa Tunari several times and I saw first hand how Inti Wara Yassi volunteers cared for and loved the animals back to health. I was told most of the animals rescued and received at Machía were taken from their original habitats and sold to urban dwellers who, after realizing how large they grow, how dangerous they can be, how much care and food they need, or how long they actually live, abandon them or simply lock them up in cages for the rest of their lives, or worse, abuse them.</p>
<p>Many of the animals have been severely abused and will not be able to live on their own in the wild – ever. Others may be re-inserted but this is a very long and gradual process. You can’t just move animals to a new place. It requires a lot of logistics and they many never be able to adapt to a new situation. In the case of some of these animals haven&#39;t they been put through enough already as it is!</p></blockquote>
<div class="translation">De qualquer forma, eu SOU contra a construção DESSA estrada. Não está certo isso. É um parque nacional e área de preservação. O próprio nome indica que foi poupado para EVITAR sua destruição. Para mim, isso já justifica porque eu não concordo com isso. Ponto.</p>
<p>O triste é que visitei Villa Tunari diversas vezes e pude ver em primeira mão como os voluntários do Inti Wara Yassi cuidavam e amavam os animais até que ficassem saudáveis. Disseram-me que a maioria dos animais resgatados e recebidos no Machía foram retirados de seu <em>habitat</em> original e vendidos a residentes urbanos que após perceberem quão grandes e  perigosos eles podiam ficar, quanto cuidado e comida era necessário ou quanto tempo eles realmente viviam, abandoram-nos ou simplesmente os trancaram em jaulas para o resto de suas vidas, ou pior, maltrataram esses animais.</p>
<p>Muitos dos animais foram severamente maltratados e nunca mais poderão viver por si sós na natureza selvagem. Outros podem ser reinseridos mas é um processo longo e gradual. Não se pode simplesmente mudar os animais para um novo lugar. Isso requer muita logística e muitos nunca poderão se adaptar a uma nova situação. E alguns desses animais já  suportaram mudanças demais!</p></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/10/15/bolivia-a-batalha-sobre-o-parque-machia/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Argentina: De luto pela morte da cantora Mercedes Sosa</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/10/11/argentina-de-luto-pela-morte-da-cantora-mercedes-sosa/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/10/11/argentina-de-luto-pela-morte-da-cantora-mercedes-sosa/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 11 Oct 2009 16:54:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paula Góes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Argentina]]></category>
		<category><![CDATA[Arte & Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Spanish]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=4647</guid>
		<description><![CDATA[O povo argentino está de luto pela morte da cantora Mercedes Sosa, que faleceu em 4 de outubro. Muitos foram prestar às últimas homenagens à cantora, conhecida carinhosamente como "La Negra."]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/jorge-gobbi/">Jorge Gobbi</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/paulagoes/'>Paula Góes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/10/07/argentina-mourning-the-death-of-folk-singer-mercedes-sosa/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>O falecimento em 4 de outubro da cantora <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mercedes_Sosa">Mercedes Sosa</a>, uma das vozes mais importantes da música folclórica da América Latina, foi uma das notícias mais relevantes do final de semana passado. A notícia teve cobertura em toda a imprensa da Argentina, além de alguns canais de notícias a cabo que transmitiram o velório no decorrer do domingo.</p>
<h5 id="attachment_100016" style="width: 410px;"><a href="http://www.flickr.com/photos/29835102@N00/3984723042/"><img title="ms2" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/ms2.jpg" alt="Foto de Basilievich usada sob licença do Creative Commons." width="400" height="266" /></a>Foto de Basilievich, usada sob licença do Creative Commons.</h5>
<p>Como era de se esperar, muitos blogueiros escreveram sobre a morte da cantora. A grande maioria publicou vídeos ou canções, como uma forma de prestar uma homenagem a ela. No blogue <em><a href="http://entrecolycollechuga.blogspot.com/2009/10/mercedes-sosa-solo-le-pido-dios.html">La Cocina Plural</a> [es]</em>, por example, Tomy escreve:</p>
<blockquote><p>Tus acciones, tus palabras, tus canciones y tu voz despertaron alguna conciencia social…( algunas siguen dormidas), te echaremos de menos para siempre, que descanses allí donde estés</p></blockquote>
<div class="translation">Suas ações, suas palavras, suas canções e sua voz despertaram alguma consciência social&#8230; (algumas seguem dormindo), sentiremos sempre a sua falta, que descance em paz onde quer que esteja.</div>
<h5 id="attachment_100017" style="width: 410px;"><a href="http://www.flickr.com/photos/blmurch/3980836216/"><img title="ms1" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/ms1.jpg" alt="Mourning waiting in line to pay their respects to Mercedes Sosa. Photo by blmurch and used under a Creative Commons license." width="400" height="267" /></a>Espera na fila do velório para prestar a última homenagem a Mercedes Sosa. Foto de blmurch, sob licença do Creative.</h5>
<p>Outros blogues fizeram pequenos resumos dos acontecimentos no dia seguinta ao da morte da cantora. O blog <em><a href="http://lacarabina.wordpress.com/2009/10/05/mercedes-sosa-murio-durante-la-madrugada-del-domingo">La Carabina</a> [es]</em> escreve que:</p>
<blockquote><p>desde que se conoció su muerte (producida en la madrugada del domingo), sus admiradores han guardado pacientemente horas de fila para acceder al velatorio organizado en el salón de los Pasos Perdidos del Congreso, un honor sólo reservado para las más importantes personalidades políticas y culturales.</p></blockquote>
<div class="translation">desde que sua morte foi anunciada (divulgada na madrugada de  domingo), os fãs esperaram pacientemente por horas nas filas para terem acesso ao velório organizado no Salão Pasos Perdidos do Congresso, que é uma honra reservada apenas para as personalidades mais importantes dos cenários político e cultural.</div>
<p>O site oficial da cantora já havia recebido uma grande quantidade de mensagens antes da morte dela, por causa da piora progressiva em seu quadro de saúde. Os fãs também deixaram seus pêsames na página de<a href="http://es-la.facebook.com/profile.php?id=786501444"> Mercedes Sosa no Facebook</a> [es].</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/10/11/argentina-de-luto-pela-morte-da-cantora-mercedes-sosa/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Brasil: A crise em Honduras alcança a embaixada brasileira</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/10/03/brasil-a-crise-de-honduras-alcanca-a-embaixada-brasileira/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/10/03/brasil-a-crise-de-honduras-alcanca-a-embaixada-brasileira/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 03 Oct 2009 23:50:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roger Franchini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Brazil]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[Governança]]></category>
		<category><![CDATA[Honduras]]></category>
		<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
		<category><![CDATA[Protesto]]></category>
		<category><![CDATA[Relações Internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Spanish]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=4493</guid>
		<description><![CDATA[A crise de Honduras alcançou a Embaixada do Brasil em Tegucigalpa. Além dos jornais e TVs, os blogueiros brasileiros foram levados a discutir sobre política internacional na América do Sul.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/roger-franchini/">Roger Franchini</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/rogerfranchini/'>Roger Franchini</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/10/03/brazil-bloggers-on-international-politics-triggered-by-the-honduran-crisis/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Há muita <a href="http://globalvoicesonline.org/specialcoverage/honduras-political-crisis-2009/">discussão sobre o direito constitucional de depor o presidente de Honduras Manuel Zelaya </a>. A crise em si já virou manchete em vários países, e muitos blogueiros latino-americanos, entre eles os brasileiros, estão contribuindo para o debate sobre os eventos.</p>
<p>O Brasil envolveu-se em uma inusitada posição diplomática. Mesmo que até o momento não se tenham provas de sua participação efetiva para a origem da crise em Honduras, fato que é não se tem notícias de evento semelhante na história do direito internacional. A crise alcançou a Embaixada do Brasil em Tegucigalpa e motivou os blogueiros brasileiros a discutirem política internacional na América Latina e o papel do Brasil no decorrer destes eventos.</p>
<p style="text-align: center;">
<div id="attachment_4581" class="wp-caption aligncenter" style="width: 430px"><a href="http://twitpic.com/jrtoa"><img class="size-full wp-image-4581 " title="33210874" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/33210874.jpg" alt="Zelaya na Embaixada do Brasil. Imagem por @kattracho no Twitpic." width="420" height="306" /></a><p class="wp-caption-text">Zelaya na Embaixada do Brasil. Imagem por @kattracho no Twitpic.</p></div>
<p>Cesar Fonseca, do blog <em><a title="http://independenciasulamericana.com.br/" href="http://independenciasulamericana.com.br/">Indepêndencia Sul Americana</a></em>, descreve os eventos em Honduras como motivo de vergonha entre os países latinos, por pretender o poder com violência, amparado por forças militares e <a title="http://independenciasulamericana.com.br/?p=4306" href="http://independenciasulamericana.com.br/?p=4306">ao vazio da legislação</a>:</p>
<blockquote><p>Roberto Micheletti, presidente do Legislativo de Honduras, o Carlos Lacerda golpista hondurenho, errou o<em> time </em>histórico, ao aliar-se aos militares, para detonar governo constitucional de José Manuel Zelaya, que propôs referendo constitucional para respaldar nova Constituinte, que, entre outras determinações, suprimiria limite para mandatos presidenciais, como ocorre nas democracias européias.</p></blockquote>
<p>Para Bruno Kazuhiro, do blog <em><a title="http://perspectivapolitica.com.br/" href="http://perspectivapolitica.com.br/">Perspectiva Política</a></em>, se Zelaya errou ao macular os termos da constituição do país, <a title="http://perspectivapolitica.com.br/2009/06/29/entendendo-todo-o-momento-instavel-de-honduras-zelaya-e-micheletti/" href="http://perspectivapolitica.com.br/2009/06/29/entendendo-todo-o-momento-instavel-de-honduras-zelaya-e-micheletti/">erraram também</a> o congresso, as forças armadas e o judiciário, que o expulsaram do país sem o devido julgamento:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">O que o exército hondurenho fez foi muito errado no modo, mas não, na essência. Não deveria ter sido o exército a retirar Zelaya do poder, porém, aceita a renúncia deste pelo Congresso e nomeado o novo Presidente, Manuel Zelaya deveria sim, no fim das contas, deixar o governo. Melhor que tivesse sido voluntariamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Para os que me disserem que o povo hondurenho desejava mais um mandato do grupo de Zelaya, pergunto:</p>
<p style="text-align: justify;">Por que então Zelaya não indicou sucessor e respeitou a lei?</p>
</blockquote>
<div id="attachment_4585" class="wp-caption alignright" style="width: 250px"><a href="http://twitpic.com/jfy6q"><img class="size-medium wp-image-4585 " title="Imagem por @jeneffermelo no TwitPic" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/32656850-300x161.jpg" alt="Imagem por @jeneffermelo no TwitPic" width="240" height="129" /></a><p class="wp-caption-text">Imagem por @jeneffermelo no TwitPic</p></div>
<p>Em 22 de setembro, Zelaya conseguiu entrar clandestinamente em Honduras e alcançou a embaixada brasileira na cidade de Tegucigalpa, conseguindo abrigo, para si e outros 63 correligionários nas dependências do órgão de representação estrangeira. Imediatamente, o governo hondurense efetuou cerco ao prédio, restringiu o acesso ao local e impôs toque de recolher aos cidadãos. Houve corte de luz, energia elétrica e telefone ao prédio da missão diplomática brasileira.</p>
<p>A polêmica surge no fato de que Zelaya não pretende solicitar o asilo ao governo brasileiro, de acordo com sua <a title="http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1313949-5602,00-ZELAYA+DIZ+QUE+PEDIU+PROTECAO+AO+BRASIL+E+NAO+PRETENDE+PEDIR+ASILO+POLITICO.html" href="http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1313949-5602,00-ZELAYA+DIZ+QUE+PEDIU+PROTECAO+AO+BRASIL+E+NAO+PRETENDE+PEDIR+ASILO+POLITICO.html">entrevista à TV Globo</a>, e que sua estada na embaixada é uma forma de proteção e resistência para buscar apoio político. Com essa intenção, coloca o Brasil em delicada posição, pois o país abrigou perseguido político que não pretende asilo, mas angariar forças para o enfrentamento de quem o destituiu.</p>
<p>O blog <em><a href="http://movimentoordemvigilia.blogspot.com/">Movimento Ordem Vigília Contra a Corrupção</a></em> acredita que a entrada de Zelaya na embaixada brasileira foi diretamente patrocinada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chavez, e <a title="http://movimentoordemvigilia.blogspot.com/2009/09/foi-chavez-quem-decidiu-fazer-da.html" href="http://movimentoordemvigilia.blogspot.com/2009/09/foi-chavez-quem-decidiu-fazer-da.html">demonstra incoerências que apontam para algumas supostas mentiras</a> ditas pelos personagens principais:</p>
<blockquote><p>A diplomacia terceiro-mundista tupiniquim inovou, em matéria de Direito Internacional, criando a figura do perseguido que pretende ENTRAR e não SAIR. Costuma-se conceder asilo para aquele que tenta sair do país, perseguido pelo seu governo, e Zelaya, ao contrário, entrou no país com uma súcia de 60 simpatizantes, o que desfigura a individualidade do asilo. Pior: Zelaya está usando o prédio diplomático como “bunker” da guerrilha para conclamar seus desordeiros e convulsionar as forças de ordem do país.</p></blockquote>
<p>Chavez, aliás, é uma figura recorrente nas tentativas de Zelaya à Honduras. Ele próprio <a title="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/09/090923_chavez_zelaya_viagem_cj_np.shtml" href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/09/090923_chavez_zelaya_viagem_cj_np.shtml">confessou à rede BBC</a> que sabia da volta de Zelaya à Honduras, e que ajudou o presidente deposto ao despistar as autoridades. Mas nem todos os blogueiros aceitam a tese de influência chavizta no movimento. Para Leandro Fortes, do blog <em><a title="http://brasiliaeuvi.wordpress.com/" href="http://brasiliaeuvi.wordpress.com/">Brasília, eu vi</a></em>, essa teoria é a bola da vez da imprensa América Latina, e o ponto fraco da grande mídia. Ele acredita que os recentes movimentos de esquerda são tratados de modo superficial e pasteurizada, <a title="http://brasiliaeuvi.wordpress.com/2009/09/26/sem-olhos-em-tegucigalpa/" href="http://brasiliaeuvi.wordpress.com/2009/09/26/sem-olhos-em-tegucigalpa/">ignorando suas nuances regionais</a>:</p>
<div>
<blockquote><p>O jornalismo está abandonando, aos poucos, por motivos inconfessáveis, a valorização das personagens como elemento de narrativa. Emblemático é o caso de Honduras, um catalisador profundo das intenções de setores da imprensa cada vez mais perfilados em bloco sobre um ensaiado viés chavista (a nova panacéia editorial do continente) aplicado ao noticiário toda vez que um movimento de esquerda se insinua sobre velhos latifúndios – físicos e imateriais. Para tal, recorre-se cada vez mais a malabarismos de linguagem para se referir ao golpe militar que derrubou o presidente constitucionalmente eleito Manuel Zelaya.</p>
<p>Por conta disso, o governo golpista passou a ser chamado, aqui e acolá, de “governo de fato”, uma solução patética encontrada por alguns veículos para se referir a uma administração firmada na fraude eleitoral e na usurpação pura e simples de poder. Há, ainda, quem se refira à quadrilha de Roberto Micheleti como “governo interino”, o que só pode ser piada.</p></blockquote>
</div>
<div id="attachment_4532" class="wp-caption alignright" style="width: 280px"><a href="http://www.flickr.com/photos/vredeseilanden/3947309844/"><img class="size-full wp-image-4532  " title="protest-brazil-embassy" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/09/protest-brazil-embassy.jpg" alt="Protesto em frente à embaixada do Brasil em Honduras. Foto por vredeseilanden no Flickr." width="270" height="203" /></a><p class="wp-caption-text">Protesto em frente à embaixada do Brasil em Honduras. Foto por vredeseilanden no Flickr.</p></div>
<p>Cogitou-se a possibilidade da participação do governo brasileiro em promover a volta de Zelaya, até agora não confirmada, e veementemente negada por Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores, conforme constou em entrevista ao jornal O <a title="http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,amorim-nega-que-brasil-tenha-dado-asilo-a-zelaya,438683,0.htm" href="http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,amorim-nega-que-brasil-tenha-dado-asilo-a-zelaya,438683,0.htm">Estado de São Paulo</a>. Segundo Amorim, o Brasil só aceitou a entrada de Zelaya em suas dependências em respeito às regras internacionais de asilo político. Formalmente, o governo brasileiro defende a volta pacífica de Zelaya à presidência da república e a realizações das eleições. <em>Luis Nassif</em>, em seu <a title="http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/" href="http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/">blog homônimo</a>, notou apreensão nos comentários do Ministro ao ser entrevistado pela rede CNN, enfatizando que a mudança de paradigmas na posição política mundial obriga o Brasil a <a title="http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/09/23/a-entrevista-de-amorim-na-cnn/" href="http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/09/23/a-entrevista-de-amorim-na-cnn/">uma postura mais segura:</a></p>
<blockquote><p>Mesmo que seja verdade (como disse Amorim) que o Brasil foi pego e surpresa no episódio (pedido de abrigo de Zelaya) um país que deseja se firmar como <em>global player</em> tem que estar preparado, não só para “surpresas” dsse tipo, como para assumir, sem hesitação ou insegurança, sua condição de protagonista, particularmente nas questões de politica continental. Para o bem ou para o mal.</p>
<p>Bom, espero que pelo menos a insegurança demonstrada por Amorim, (inegável na minha percepção) sirva de aprendizado.</p></blockquote>
<p>Gabriel Purcelli, do blog <em><a title="http://desabafopais.blogspot.com/2009/09/zelaya-e-aposta-ousada-de-lula.html" href="http://desabafopais.blogspot.com/2009/09/zelaya-e-aposta-ousada-de-lula.html">Desabafo Brasil</a></em>, sustenta que a conduta do governo brasileiro reafirma sua posição de líder regional. A guarida do chamado “presidente constitucional” Zelaya , face aos desmandos do “presidente de fato”, Micheletti, é medida que, indiretamente, preenche a queda de influência estadunidense na América Latina:</p>
<p><em> </em></p>
<blockquote><p>A jogada brasileira, na qual já estão publicamente envolvidos o chanceler Celso Amorim e o próprio presidente Lula, e para a qual estão utilizando a caixa de ressonância da Assembléia Geral da ONU, em Nova York, deve ser vista à luz da inquietação provocada em Brasília pela remobilização da IV Frota dos Estados Unidos no Atlântico Sul e a presença desse país em bases militares colombianas. Convencidos de que esses movimentos se destinam a contrabalançar sua força como potência emergente, os brasileiros não deixarão passar a oportunidade de se projetar, reafirmando-a.</p></blockquote>
<p><em><a href="http://tsavkko.blogspot.com/">Raphael Garcia Tsavkko</a></em> segue a mesma linha de raciocínio e aponta fatos interessantes em relação a participação do Brasil na resolução deste conflito. Ele <a href="http://tsavkko.blogspot.com/2009/09/os-especialistas-do-atraso-e-nova.html">argumenta</a>:</p>
<blockquote><p>O Brasil não sai prejudicado, na verdade foi forçado - a contragosto talvez - a mostrar porque é ou quer ser o líder da América Latina. Não mais o papo de que é mas ações concretas. Resolvendo ou ajudando a resolver o conflito no país o Brasil sai fortalecido como nunca, sai com mais força para pleitear a vaga permanente no Conselho de Segurança - que conta já com o apoio entusiasmado de Sarkozy - e sai fortalecido no cenário internacional.</p></blockquote>
<p>Em 25 de setembro foi confirmada o ataque à missão diplomática com gases tóxicos, provocando tensão entre as pessoas que ali estavam, o que foi duramente <a title="http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u629609.shtml" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u629609.shtml">criticada pelo Conselho de Segurança da ONU</a>.</p>
<p>As restrições impostas à embaixada brasileira suscitam discussões, ressalvando o caráter soberano do país dentro dos limites do prédio. Apesar de muitos acreditarem que a representação diplomática de um país é território estrangeiro, o professor de Direito <em><a title="http://tuliovianna.wordpress.com/2009/09/24/embaixada-nao-e-territorio-estrangeiro/" href="http://tuliovianna.wordpress.com/2009/09/24/embaixada-nao-e-territorio-estrangeiro/">Túlio Vianna</a></em> ressalva que, apesar de não considerado tecnicamente como tal, o ataque a uma embaixada deve ser repudiada da mesma forma:</p>
<blockquote><p>A teoria atualmente dominante para legitimar as imunidades da Missão Diplomática é a “teoria do interesse da função”. Ainda segundo Celso Mello, estes privilégios e imunidades podem ser classificados em: inviolabilidade, imunidade de jurisidição civil e criminal e isenção fiscal (v2., nº511). Nas suas palavras:</p>
<p><em>“A inviolabilidade significa que nestes locais o Estado acreditado não pode exercer nenhum ato de coação (ex: ser invadido pela polícia), a não ser que haja o consentimento do chefe da Missão. Do mesmo modo, não pode ser efetuada uma citação dentro da Missão.”</em></p>
<p>Se os golpistas hondurenhos invadirem a embaixada brasileira em Honduras para capturar Zelaya, não estarão invadindo o território brasileiro, mas violando uma imunidade diplomática.</p>
<p>Pode ser tão grave quanto, mas não é a mesma coisa.</p></blockquote>
<p>O governo brasileiro afirma buscar uma solução pacífica para o impasse surgido na volta de Manuel Zelaya à Honduras. Mesmo porque a saída belicolosa é inviável, diante da gravíssima medida de envio de forças militares ao território de país estrangeiro. Ainda assim, os blogueiros continuam a discutir sobre o papel do Brasil na crise de Honduras.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/10/03/brasil-a-crise-de-honduras-alcanca-a-embaixada-brasileira/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>República Dominicana: Aborto banido em todos os casos</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/10/03/republica-dominicana-aborto-banido-em-todos-os-casos/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/10/03/republica-dominicana-aborto-banido-em-todos-os-casos/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 03 Oct 2009 15:43:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Casaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conversations for a Better World]]></category>
		<category><![CDATA[Dominican Republic]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[Lei]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Spanish]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=4560</guid>
		<description><![CDATA[Após um intenso debate, legisladores da República Dominicana ratificaram um artigo na Reforma Constitucional que torna ilegal para uma mulher interromper sua gravidez em todos os casos.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/rocio-diaz/">Rocio Diaz</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/diegocasaes/'>Diego Casaes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/10/01/dominican-republic-constitution-bans-abortion-in-all-cases/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Após um debate intenso, em que participaram médicos, sociólogos, representantes da Igreja Católica, organizações internacionais de saúde e políticos, legisladores da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rep%C3%BAblica_Dominicana">República Dominicana</a> ratificaram o artigo da Reforma Constitucional que <a href="http://ourlatinamerica.blogspot.com/2009/04/abortion-banned-in-dominican-republic.html">torna ilegal para uma mulher interromper sua gravidez sob qualquer circunstância</a> [en].</p>
<p>Tal decisão, a qual muitos dizem haver a influência da Igreja Católica e principalmente com a proximidade das eleições do Congresso, coloca a República Dominicana entre o pequeno grupo de países que proíbe o aborto constitucionalmente, incluindo as questões de saúde em que a gravidez põe em risco a vida do feto ou da mãe. Mulheres que tenham sido vítimas de incesto ou estupro também são banidas do usufruto do aborto.</p>
<div id="attachment_4563" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://duarte101.com/2009/09/14/aborto-en-la-catedral/"><img class="size-full wp-image-4563" title="siaborto" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/siaborto.jpg" alt="Cartaz da oposição ao aborto na Catedral de Santo Domingo, por Duarte 101. Imagem usada com permissão." width="400" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Cartaz da oposição ao aborto na Catedral de Santo Domingo, por Duarte 101. Imagem usada com permissão.</p></div>
<p>O artigo em questão, atualmente conhecido como Artigo 30, afirma: &#8220;o direito a vida é inviolável desde a concepção até a morte. A pena de morte não pode ser oficializada, determinada, ou aplicada em qualquer caso.&#8221;</p>
<p>Desde sua aprovação preliminar em Abril, os <a href="http://dominicanoshoy.com/articulos/articulo/hombres-y-mujeres-realizan-marcha-contra-articulo-30/">protestos têm sido constantes</a> [es]. A socióloga Rosario Espinal <a href="http://hoy.com.do/opiniones/2009/9/22/294726/No-gano-la-vida-contra-el-aborto">escreve que agora as mulheres serão privadas de vida digna e saudável</a>, complementando que os médicos que faziam abortos ilegais exigirão mais dinheiro por causa dos riscos ainda mais altos.</p>
<p>Muitos acreditam que haverá um aumento nos abortos clandestinos como resultado desta decisão, assim como taxas mais elevadas na mortalidade maternal. Não obstante, o modo como o artigo foi aprovado também é motivo de dúvida para muitos blogueiros.</p>
<p>Luis José Lópes do blog<em> Ahí e&#39; que Prende</em> [es] <a href="http://ahiequeprende.com/2009/09/14/cuando-hasta-amnistia-internacional-habla/">evidencia que o Artigo 30 é o artigo mais polêmico debatido nessa Reforma Constitucional</a>, e nota que até mesmo a <a href="http://www.clavedigital.com/App_Pages/Noticias/Noticias.aspx?id_Articulo=25902">Anistia Internacional se pronunciou contra a decisão</a> [es]. De acordo com López, a definição da vida de uma pessoa merece um debate intenso e sincero em que todos os interesses estejam representados; algo que não aconteceu na República Dominicana:</p>
<blockquote><p>El tema del aborto es un tabú en RD demasiado influenciado por las iglesias y las religiones. Mencionar la palabra es inclusive mal visto por muchos. Quienes se atreven a cuestionar el status quo, quienes se atreven a decir: “detengámonos a pensar” son inmediatamente censurados y condenados por el debate público.</p></blockquote>
<div class="translation">O tema do aborto é um tabu na República Dominicana, influenciado demasiadamente pelas igrejas e religiões. Até mesmo mencionar a palavra é mal visto por muitos. Quem se atreve a questionar o <em>status quo</em>, e quem se atreve a dizer &#8220;vamos parar para pensar&#8221; são imediatamente censurados e condenados pelo debate público.</div>
<p>Com aproximadamente <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rep%C3%BAblica_Dominicana#Religi.C3.A3o">79% da população</a> se identificando como Católicos Romanos, a Igreja tem uma forte influência em todas as facetas da sociedade. Entretanto, apesar de toda essa fé, alguns blogueiros como José Rafael Sosa, que também é católico, <a href="http://josersosa.blogspot.com/2009/09/una-margarita-y-el-articulo-30.html">não concorda que a decisão pessoal do aborto seja regulamentada pela Constituição</a> [es]:</p>
<blockquote><p>Respeto mi Iglesia pero ello no me impide analizar el dificil tema con mi optica. El espacio legal para enfrentar lo que se llama “Aborto Criminal”, no es la Constitución. Nadie en su sano juicio, puede apoyar que se aborte una criatura ya formada, genéticamente hablando, siempre que el embarazo sea producto de una decisión de la madre, no de una violación o que intervengan otras circunstancias clínicas. En primer lugar, el tema debió haber sido decididopor quienes traen hijos al mundo, no por puros hombres buscando votos de fe. En segundo lugar, no se buscaba consagrar constitucionalmente el derecho caprichoso a abortar. El aborto es una realidad social que no se gobierna con la dinámica de aprobación de leyes o artículos constitucionales. El aborto es una realidad social que ahora provocará un aumento de la mortalidad de las mujeres que tambien tienen una vida que ser preservada. Los culpables acaban de votar publicamente por esa posibilidad. Y eso es un crimen.</p></blockquote>
<div class="translation">Eu respeito minha Igreja, mas isso não me impede de analizar esse tema difícil sob meu ponto-de-vista. O espaço legal para enfrentar o que se chama &#8220;Aborto Criminoso&#8221; não é a constituição. Ninguém em sã consciência pode apoiar o aborto de uma criança já desenvolvida, geneticamente falando, quando a gravidez é resultado da decisão da mãe, ao contrário de situações de estupros ou através de intervenção em outras circunstãncias clínicas. Primeiramente, a questão deve ser decidida por quem traz a criança a este mundo, e não por homens que buscam votos dos fiéis. Segundo, ninguém busca a Constituição para consagrar o direito de abortar. O aborto é uma realidade social que não é governada pela dinâmica de aprovação de leis e artigos constitucionais. O aborto é uma realidade que agora aumentará a mortalidade de mulheres que têm uma vida a ser preservada. Os culpados acabam de votar publicamente a favor dessa possibilidade, e isso é um crime.</div>
<div>Finalmente, alguns blogueiros acreditam que os legisladores chegaram a esta decisão baseados em seus interesses políticos. Desta maneira, María Isabel Soldevila acredita que o Congresso &#8220;<a href="http://mariasoldevila.blogspot.com/2009/09/senales-de-alerta-ciudadana.html">virou as costas para o povo.</a> [es]&#8221; María de Jesus, uma leitora do <em><a href="http://www.diariolibre.com/noticias_det.php?id=216156&amp;page=2">Diario Libre</a> [es]</em> resume seu desgosto:</div>
<blockquote><p>Sarta de hipocritas y a los que se creen que se votó por la vida, cuando una mujer tiene que abortar porque su vida esta en peligro y no lo hace SE MUEREN LA MUJER Y EL FETO! Balsa de ignorantes! La muerte va a tener un dos por uno en Republica Dominicana. Que vergüenza ser dominicana de ahora en adelante.</p></blockquote>
<div class="translation">Um fio de hipocrisia, e àqueles que acreditam terem votado a favor da vida, quando uma mulher precisa abortar porque sua vida está em perigo e não conseguem, A MULHER E O FETO MORREM. Que ignorância! A morte agora levará 2 por 1 na República Dominicana. Que vergonhoso é ser dominicana de agora em diante.</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/10/03/republica-dominicana-aborto-banido-em-todos-os-casos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Brasil: Inclusão sócio-digital por meio da Revolução das Lan Houses</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/09/29/brasil-inclusao-socio-digital-por-meio-da-revolucao-das-lan-houses/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/09/29/brasil-inclusao-socio-digital-por-meio-da-revolucao-das-lan-houses/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 29 Sep 2009 13:57:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paula Góes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Brazil]]></category>
		<category><![CDATA[Criança]]></category>
		<category><![CDATA[Desenvolvimento]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Internet & Telecoms]]></category>
		<category><![CDATA[Juventude]]></category>
		<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
		<category><![CDATA[Software & Ferramentas]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=4507</guid>
		<description><![CDATA[As mais pobres e mais excluídas populações do Brasil estão cada vez mais acessando a internet por meio de LAN - Local Area Networks. Mas será que a inclusão digital promovida pelas lan houses em todo o país afetam o desenvolvimento humano no país?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/paulagoes/">Paula Góes</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/paulagoes/'>Paula Góes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/09/28/brazil-socio-digital-inclusion-through-the-lan-house-revolution/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div>
<dl id="attachment_59160">
<dt><a href="http://www.flickr.com/photos/brunofernandes/198542622/"><img title="lan house in Brazil" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/198542622_ab105a61ab.jpg" alt="Bruno Fernandes, from Patos de Minas, Brazil. Photo available under a Creative Commons license." width="500" height="375" /></a> </dt>
<dd>Bruno Fernandes, de Patos de Minas, Brasil. Foto disponibilizada com uma licença da Creative Commons.</dd>
</dl>
</div>
<blockquote><p>Acredito que vocês devam está habituados em ver os pais  levarem e buscarem seus filhos em lan houses. Esta é uma locadora que  fica aqui na minha cidade, veja só a quantidade de bicicletas. Tinha  mais ainda do outro lado.</p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/brunofernandes/">Bruno Fer</a><a href="http://www.flickr.com/photos/brunofernandes/">nandes</a>, na legenda da foto acima</p></blockquote>
<p>A foto acima ilustra bem a &#8220;Revolução das Lan Houses&#8221; que acontece nesse exato momento no Brasil. Em todo o país, a maioria dos brasileiros hoje acessa a internet  por meio de Local Area Networks (LAN), uma tendência que no início era vista apenas nas vizinhanças mais abastadas do Brasil e que agora se transormou em fenômeno em comunidades mais carentes, onde computadores e conexão  banda larga são artigos fora do alcance da população. De acordo com Ronaldo Lemos, diretor do <a href="http://www.direitorio.fgv.br/cts/index.html">Centro de Tecnologia e Sociedade</a> da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV) no Rio de Janeiro,  &#8220;as lan-houses são locais de grande socialização, e têm ocupado um lugar importante nas favelas&#8221;. Seu artigo <a href="http://publius.cc/lan_houses_new_wave_digital_inclusion_brazil/091509">LAN Houses: A new wave of digital inclusion in Brazil</a> [Lan Houses: Uma nova onda de inclusão digital no Brasil, en] foi recentemente apresentado na <a href="http://cyber.law.harvard.edu/events/2009/09/idrc">Conferência da Universidade de Harvard</a><a href="http://cyber.law.harvard.edu/events/2009/09/idrc">: Comunicação e Desenvolvimento Humano</a> [en].</p>
<p><strong>Internet para todos?</strong></p>
<p>Há hoje no país mais de 90 mil lan houses, responsáveis por 50% dos  acessos à internet. Uma <a href="http://www.cetic.br/usuarios/tic/2008-total-brasil/rel-int-04.htm">pesquisa</a> publicada em 2008 pelo <a href="http://www.cgi.br/" target="_blank">Comitê Gestor da Internet no Brasil</a> (CGI.br) mostrou que 48% de todos os usuários que acessam a internet no Brasil o fazem em centros públicos de acesso pago, como lan houses. Quando se trata de pessoas das classes mais pobres, D e E, esse número salta para 79% -  um aumento de 60% em relação aos 48.08% de usuários em 2006.</p>
<p>Outra  <a href="http://info.abril.com.br/aberto/infonews/012009/20012009-41.shl">pesquisa</a> conduzida no início do ano pela TV Cultura em 27 lan houses espalhadas pela cidade de  São Paulo e contando com 376 entrevistas com usuários e propriétarios  revelou que cresce a presença de usuários das classes C e D. A amostra  indicou também que para 17% dos usuários, as lan houses são a única  forma de acesso à internet, a mesma proporção dos que têm acesso também  em casa (normalmente usuários que precisam acessar a internet quando  estão fora), 15% no trabalho e 12% na escola. Jogar videogames  é a atividade  principal para 42% dos entrevistados, mas uma proporção igual acessa  portais de cultura, notícia e entretenimento. Redes sociais,  especialmente o Orkut, e bate-papo online também são muito populares.  Além disso, as lan houses também são usadas para pesquisas diversas,  trabalhos escolares e busca de emprego.</p>
<p>Mas de que forma a inclusão digital promovida por lan houses em todo o país afeta o desenvolvimento humano no Brasil?</p>
<p><a href="http://blog-contexto-ufs.blogspot.com/2008/12/lan-house-uma-forma-de-melhorar-de-vida.html">Jeimy Remir</a>,  que entrevistou proprietários e usuários de lan houses, diz que elas melhoram a vida dos dois grupos, e têm mudado a cara  do país, principalmente nas áreas periféricas das grandes cidades.  De acordo com ele, a inclusão digital promovida pelas lan houses de fato afeta o desenvolvimento humano no Brasill:</p>
<blockquote><p>Fruto de criatividade e empreendedorismo, a construção  de uma lan house tem mudado a vida de seus proprietários. Geralmente  acopladas à casa de quem administra, as lan houses apresentam-se em  ambientes estilizados, muitas vezes estruturados nas garagens de  residências, com iluminação e decoração diferenciadas. [&#8230;] Outra  característica das lan houses é servir como espaços para encontro de  jovens, intencionados em fazer amizades, interagir e paquerar. Com as  ferramentas atuais da Comunicação, como msn, orkut e bate-papo, a  utilização desses espaços para semelhantes fins tem sido mais intensa e  confirma tais ambientes como um reflexo social. [&#8230;] Por isso, as lan  houses afirmam seu poder por servirem para a inclusão digital, dando  acesso à internet para pessoas de baixa renda, e confirmam com  singularidade suas inclinações: fonte de renda para quem administra e  ponto de encontro para jovens.</p></blockquote>
<div>
<dl id="attachment_59165">
<dt><a href="http://www.flickr.com/photos/yasodara/2098609789/"><img title="2098609789_4d1f88010a-1" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/2098609789_4d1f88010a-1.jpg" alt="Photo by &lt;a title=" /></a> </dt>
<dd>Foto de <a href="http://www.flickr.com/photos/yasodara/">Yasodara</a> disponibilizada com uma licença da Creative Commons.</dd>
</dl>
</div>
<blockquote><p>Lan house, até aqui?</p>
<p>Lan House em Pirenópolis. Fica em frente ao Banco do Brasil.</p>
<p>Ah, o pogresso.</p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/yasodara/">Yasodara</a>, na legenda da foto acima, tirada em 2007. <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Piren%C3%B3polis">Pirenópolis</a> é uma pequena cidade de Goiás com apenas pouco mais de 20 mil habitantes.</p></blockquote>
<p><strong>Lutando contra preconceitos  e encarando obstáculos </strong></p>
<p>No entanto,  apesar da inclusão social que promovem, as lan houses são  vítimas de preconceito no Brasil. Uma notícia publicada em um grande portal na  internet que chamou recentemente a atenção foi o chamado à polícia por  parte de um proprietário de uma lan house para prender um cliente que  havia levado um pacote de fotos pornográficas de crianças de 6 a 8 anos para  distribuí-las pela rede. Segundo usuários, a forma como a notícia foi  divulgada pela imprensa deu a entender que lan houses são pontos de  encontro para pedófilos:</p>
<blockquote><p>O título da notícia que está sendo veiculada na internet ,e que com quase toda a certeza será veiculada pelos jornais, é <strong><em>Suposto pedófilo é preso em lan house com fotos de crianças</em></strong>, como você podem ver neste <a href="http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3645667-EI5030,00-Suposto+pedofilo+e+preso+em+lan+house+com+fotos+de+criancas.html">link do Terra</a> e neste outro de uma procura pelo tema no <a href="http://news.google.com.br/news?as_q=ped%C3%B3filo+lan+house&amp;svnum=10&amp;as_scoring=r&amp;um=1&amp;ned=pt-BR_br&amp;hl=pt-BR&amp;btnG=Pesquisa+Google&amp;as_epq=&amp;as_oq=&amp;as_eq=&amp;as_drrb=q&amp;as_qdr=&amp;as_mind=18&amp;as_minm=2&amp;as_maxd=20&amp;as_maxm=3&amp;as_nsrc=&amp;as_nloc=&amp;as_occt=any&amp;aq=f">Google News</a>. Quem fica com a fama, quem fica mal na foto é a Lan House. Antro de desmandos e desvirtuamento de caminho para adolescentes.</p>
<p>Não é este o <a href="http://batismodigital.blogspot.com/">quadro</a>.  As lan houses sofrem os mesmos riscos que qualquer outro setor da  economia enfrenta. Lans Houses, cybers cafés, telecentros e o que for,  têm um papel fudamental no processo de inclusão à infraestrutura da era  do conhecimento, da inclusão digital à inovação, como eles demonstram  nesta <a href="http://www.slideshare.net/rafaelmauricio/estatsticas-sobre-as-lan-houses-no-brasil#stats-bottom">apresentação</a> estatística do mercado brasileiro.</p></blockquote>
<p><a href="http://fiqueinteligente.com.br/o-preconceito-contra-lan-houses.html ">André Rubens</a> percebeu que esse preconceito é generalizado em todo o país ao  participar de uma reunião em dezembro passado com outros donos e  presidentes de associações de lan houses brasileiras. Segundo ele, foi  possível perceber que &#8220;parece que as pessoas acham que Lan House é algo  que prejudica a saúde e o bem estar do indivíduo&#8221;. Ele explica como  essa situação já foi pior, com o aumento rápido e considerável dessa  novidade no ramo dos negócios até então desconhecida:</p>
<blockquote><p>Tudo isso virou uma grande bomba, até que começaram a  aparecer novos dados que mostram que somos responsáveis pela inclusão  digital no país e que jogos eletrônicos fazem BEM SIM para a formação  da criança e do adolescente INCLUSIVE aqueles considerados violentos e  principalmente as pessoas que nos atacavam receberam seu contrata  ataque devido e hoje nos respeitam! Nossa briga continua, argumentando  com as autoridades, rebatendo comentários estúpidos e fazendo novos  projetos vamos conquistar simpatia da sociedade e seremos reconhecidos  com grande importância na inclusão sócio-digital.</p></blockquote>
<div>
<dl id="attachment_59181">
<dt><a href="http://www.flickr.com/photos/cassimano/3087298458/"><img title="3087298458_2cc6e1dfbe" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/3087298458_2cc6e1dfbe.jpg" alt="Av. Paulista - São Paulo - Brasil. Photo by cassimano used under a Creative Commons license." width="500" height="334" /></a> </dt>
<dd>Av. Paulista - São Paulo - Brasil. Foto de cassimano disponibilizada com uma licença da Creative Commons.</dd>
</dl>
</div>
<p><span style="font-size: small;">Essa  reunião, que teve como objetivo entender e ajudar a solucionar os  principais problemas enfrentados pelas lan houses no Brasil, contou com <a href="http://blog.mozilla.com/brasil/2009/02/02/projeto-lan-house-de-sua-opiniao/">o apoio do projeto Mozilla</a>, que disponibilizou um <a href="https://wiki.mozilla.org/Community:LanHouse">wiki</a> para documentar a discussão e motivar que o debate continue de forma colaborativa, aberto a todos: </span></p>
<blockquote><p>Diversas questões foram tratadas, tais como a questão da  informalidade, as propostas de regulamentação para o setor, os  principais problemas técnicos enfrentados, sugestões de customização do  Firefox e as restrições ao uso de jogos. (&#8230;) A primeira fase do  Projeto Lan House consistiu exatamente em identificar quais eram os  problemas enfrentados e mapear as opções de como ajudar. Agora,  gostaríamos de saber a sua opinião sobre o que a Mozilla pode fazer  para ajudar as lan houses a levar inclusão digital para o Brasil de  maneira mais abrangente e melhor.</p></blockquote>
<p><strong>Controle estatal e difícil regulamentação </strong></p>
<p>Em entrevista no blog de <a href="http://ceilasantos.blogspot.com/2008/05/os-desafios-das-lan-house-no-brasil.html">Ceila Santos</a>, o diretor da <a href="http://www.abcid.com.br/index.html">ABCID (Associação Brasileira de Centros de Inclusão Digital</a> Rafael Maurício da Costa conta como novas e mais severas regulamentações podem forçar muitas lan houses a fechar as portas:</p>
<blockquote><p>Associou-se intensamente que lan house equivale à evasão  escolar. E deduziu-se que para combater a evasão escolar, basta  combater as lan houses. Como conseqüência disto produziu-se uma série  de leis pelo País que dificultam de sobremaneira a instalação formal do  negócio. O que acontece é que há uma demanda vertiginosamente crescente  pelo acesso à tecnologia, e ela produz a oferta que vemos, dessa forma,  como não há amparo na atuação legal a informalidade é majoritária. O  interessante é que é justamente nessa informalidade que predominam  todas as más praticas que a legislação pretende combater e como  conseqüência infeliz o aumento do número de pessoas formais que  encontram cada vez mais “cláusulas de barreira” à operação legal.</p></blockquote>
<p>Já existe regulamentações bem rígidas para  lan houses, e essas variam de acordo com o estado na qual se localizam. Em São Paulo, por exemplo, cada lan house deve manter uma database dos nomes e endereços dos usuários. No Paraná, um projeto de lei propõe que  <a href="http://0001coisas.blogspot.com/2009/06/lei-exigira-que-lan-house-filme.html">todas as pessoas assessando  computadores a partir de uma lan house sejam filmadas</a> e que os proprietários mantenham todas as gravações por dois anos. No estado do Amazonas, usuários menores de idade precisam de uma autorização por escrito de seus responsáveis para acessar um computador de lan houses. Um projeto de lei considera a  <a href="http://portalamazonia.globo.com/pscript/noticias/noticias.php?idN=93127">solicitação de identidade para todos os usuários</a>. <a href="http://kazuya-kun.com/2009/01/sobre-as-leis-de-regulamentao-de-lan.html">Luiz Rodrigo Silva de Souza</a>, um blogueiro de 14 anos que às vezes frequenta lan houses, comenta sobre a ineficácia dessas leis - talvez por estarem longe da realidade:</p>
<blockquote><p>Já deve ser a décima lei que fazem tentando regulamentar lan houses. Regulamentar não, proibir permitindo. Já tentaram <a href="http://forum.vscyber.com/viewtopic.php?f=41&amp;t=15647&amp;view=previous">proibir lan houses num raio de 1 km de escolas</a>, <a href="http://portalamazonia.globo.com/noticias.php?idN=58344&amp;idLingua=1">proibir as crianças de usar os computadores por mais de três horas seguidas e competições com prêmio em dinheiro</a>, e funcionou? (&#8230;)</p></blockquote>
<blockquote><p>O ideal é a criança estar na escola, não na lan house,  mas tirá-las de lá não é somente criar uma lei, se fosse assim, por que  também não cria uma lei que proíba crise econômica, cigarro e miguxês?  Está mas do que claro que estas medidas não vão tirar as crianças da  exploração e prostituição infantil, o máximo que vão conseguir é falir  as lan houses. Manter uma lan house legalizada em Manaus é inviável com  os <a href="http://kazuya-kun.com/2008/10/maldita-excluso-digital.html">custos de uma conexão banda larga por aqui</a>,  e com essas leis querem responsabilizá-las por um problema cujos  principais culpados são os responsáveis e a própria sociedade.</p></blockquote>
<div>
<dl id="attachment_98395" style="width: 410px;">
<dt><a href="http://baratasblog.blogspot.com/2008/12/melhor-lan-house-do-muundo.html"><img title="lan_house_humor" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/09/lan_house_humor.jpg" alt="In this upcoming lan house, the spelling has been adapted to 'lan rause' to help with the pronunciation in Portuguese" width="400" height="255" /></a> </dt>
<dd>Nessa lan house a ser inaugurada, a redação foi adaptada &#8220;lan  rause&#8221; para ajudar a pronúncia em português. Foto: Barata Blog</dd>
</dl>
</div>
<blockquote><p>Como podemos perceber, essa super &#8220;lan rause&#8221; ainda está passando  por reformas em seu prédio para que seja possível abrigar adequadamente  a grande multidão ansiosa para acessar internet de <span style="font-weight: bold;">1 Giga</span>!! Um espanto!! E ainda dizem que o Brasil é um país atrasado&#8230;</p>
<p><a href="http://baratasblog.blogspot.com/2008/12/melhor-lan-house-do-muundo.html">Barata Blog</a>, na legenda da foto acima</p></blockquote>
<p><strong>Inclusão social por meio de inclusão digital</strong></p>
<p>Existem mais de  90 mil lan houses no Brasil, ao mesmo tempo que o país conta com apenas <a href="http://globalvoicesonline.org/2009/09/23/harvard-forum-markets-mobiles-and-the-ability-to-make-culture/"> 2 mil cinemas e  2.600 livraria</a><a href="http://globalvoicesonline.org/2009/09/23/harvard-forum-markets-mobiles-and-the-ability-to-make-culture/">s</a> [en]. Será que elas podem vir a ser um lugar não apenas limitado aos videogames ou atualização do orkut, ou até <a href="http://publius.cc/lan_houses_new_wave_digital_inclusion_brazil/091509">cidadania e serviços a cidadãos online</a> [en]? A pedagoga Rita Guarezi diz que as Lan Houses já desempenham um <a href="http://imasters.uol.com.br/artigo/14286/elearning/lan_house_como_alternativa_de_inclusao_educacional/">papel crucial na difusão da Educação à Distância</a>:</p>
<blockquote><p>Espalhadas pelo Brasil inteiro, as lan houses ganham  expressão ainda mais relevante nas regiões mais carentes, norte e  nordeste, onde são registrados os maiores índices de evasão escolar do  país. [&#8230;] Dentro desta realidade de crescimento constante de usuários  da internet e das lan houses, a Educação à Distância pela Internet  (e-learning) vai se firmando como um instrumento de auxílio no combate  à evasão escolar entre jovens, oferecendo as mais variadas opções para  quem quer complementar seus estudos, reciclar e aprimorar  conhecimentos. [&#8230;] Por tudo isso, podemos visualizar a lan house como  um espaço também de estudo. Acreditamos que a EAD pela Internet no  Brasil está intimamente ligada ao futuro das lan houses e suas novas  nuances. E as perspectivas são extremamente promissoras.</p></blockquote>
<p>E podem também vir a ser um espaço para cultura. A escritora <a href="http://simonecampos.blogspot.com/2009/09/o-ismar-tirelli-fez-essa-entrevista.html">Simone Campos</a> tem um projeto: aproveitar a popularidade das Lan Houses para  tornar o Brasil um país de leitores. Um de seus futuros projetos é uma  ficção interativa, usando a linguagem do videogame, que é bem mais  familiar para novas gerações que do que a do livro, para fazer  literatura:</p>
<blockquote><p>A lan house é o novo rendez-vous. Eu simplesmente tenho  que aproveitar isso. Pretendo plantar um vírus que transforme a lan  house em biblioteca.</p></blockquote>
<p><a href="http://gilgiardelli.wordpress.com/2009/01/18/corujao/ ">Gil Giardelli</a> vislumbra uma revolução:</p>
<blockquote><p>Nas periferias das megalópoles, o cool são as sessões de  lan house corujão R$ 6,00 passa a noite lá e pela manhã tem um belo  café!</p>
<p>Os garotos se socializam, os pais ficam tranquilos, os educadores se  preocupam e os terapeutas certamente terao mais pacientes em um futuro  próximo!</p>
<p>50% dos conectados no Brasil, estão nas lan houses! Como será esta  revolucao? Garotos antenados? Garotos solitários? Garotos com a  educação diferenciada? Economia e educação coletiva elevada ao cubo? Um  nova humanidade?</p></blockquote>
<div id="attachment_98617"><a href="http://pralerblog.blogspot.com/2009/04/lan-house-como-ponto-de-encontro-ponto.html"><img title="05_iluca_lanhouse" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/09/05_iluca_lanhouse1.jpg" alt="'Lã Rause', in an even more Brazilian spelling. Photo from PraLer Blog." width="400" height="323" /></a></p>
<p>&#8220;Lã Rause&#8221;, escrito de uma forma ainda mais abrasileirada. Foto (ou montagem) do Blog PraLer.</p></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/09/29/brasil-inclusao-socio-digital-por-meio-da-revolucao-das-lan-houses/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>11</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Brasil: A internet livre entrou mesmo no cenário eleitoral?</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/09/23/brasil-a-internet-livre-entrou-mesmo-no-cenario-eleitoral/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/09/23/brasil-a-internet-livre-entrou-mesmo-no-cenario-eleitoral/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 23 Sep 2009 21:14:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roger Franchini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Brazil]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade de Expressão]]></category>
		<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
		<category><![CDATA[TYPE]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=4438</guid>
		<description><![CDATA[Com a nova reforma eleitoral, o internauta solitário foi legalmente obrigado a se comportar como um empresário do setor das comunicações, impedido de analisar a postura de candidatos e o andamento das eleições, perdendo o direito à liberdade de expressão.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em> &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/rogerfranchini/'>Roger Franchini</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/09/23/brazil-has-a-free-internet-really-appeared-on-the-electoral-scene/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Depois de muita discussão, a <a title="Câmara dos Deputados" href="http://www2.camara.gov.br/">Câmara dos Deputados</a> e o <a href="http://www.senado.gov.br/sf/">Senado Federal</a> aprovaram neste mês o projeto de reforma da <a title="PL 5498/2009 na íntegra" href="http://www.camara.gov.br/sileg/integras/668202.pdf" target="&gt;5.498/2009&lt;/a&gt;, que altera diversos artigos da &lt;a title=">Lei 9.096/95</a> (lei eleitoral) e da Lei <a title="Lei 9.504/1997 na íntegra" href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9504compilado.htm">9.504/1997</a> (regulamentação das eleições), impondo novas regras para a campanha eleitoral de 2010, a maior do país, conhecida como &#8220;eleições gerais&#8221;, nas quais serão escolhidos o presidente da república, governadores de estados, parlamentares estaduais e federais.</p>
<p>Com a reforma, as regras que até então proibiam completamente a campanha eleitoral na internet mudaram - e algumas aberrações, sobretudo no tocante a blogs, foram postas em prática: agora, sites pessoais e de órgãos da mídia terão o mesmo tratamento jurídico, seguindo as mesmas regras de conduta e punição aplicadas a veículos tradicionais. Para que tenha vigência, será necessária a aprovação do presidente Lula, o que deverá ocorrer até o dia 2 de outubro.</p>
<p>Os partidos realizarão as campanhas de seus candidatos a partir de 5 de julho até a data da eleição, 3 de outubro de 2010. É durante esse período que atua a lei, regulamentando os meios de propaganda eleitoral, bem como as manifestações do eleitor por meio da internet. A Câmara federal, que se autointitula &#8220;A casa do povo&#8221;, divulgou por meio de seu <a title="Agência Câmara - ref. eleitoral" href="http://www2.camara.gov.br/internet/homeagencia/materias.html?pk=140134&amp;pesq=reforma">site oficial de notícias</a>, em letras garrafais que <em>&#8220;Câmara libera internet nas campanhas eleitorais&#8221;,</em> como se a utilização da web fosse uma dádiva concedida aos cidadãos pelos parlamentares. <a href="http://www.senado.gov.br/agencia/verNoticia.aspx?codNoticia=95443&amp;codAplicativo=2&amp;parametros=">Da mesma forma fez o Senado.</a></p>
<p>O <a title="Relatório CCJ e CCT na íntegra" href="http://www.estadao.com.br/especiais/2009/08/nac_plc141relatorio_final.pdf">relatório conjunto</a> da Comissão Justiça e Cidadania e da Comissão de Ciência Tecnologia e Inovação da câmara corroborou o entendimento do autor do projeto, <a title="Pag. pessoal do dep. Henrique Alves" href="http://www2.camara.gov.br/internet/proposicoes">o deputado federal Henrique Eduardo Alves</a>, e não vê objeções em igualar as manifestações de usuários independentes na internet, com as propagandas eleitorais no rádio, TV e mídia impressa.</p>
<p>Infelizmente, o parlamento nacional perdeu uma excelente oportunidade de demonstrar ser o respaldo da sociedade brasiliera, mas optou em corresponder apenas interesses eleitoreiros, em detrimento da ampla liberdade de expressão. Sobre esse aspecto, <em>Raphael Tsavkko</em> criticou duramente no blog <a title="http://www.trezentos.blog.br/" href="http://www.trezentos.blog.br/"><em>Trezentos</em></a> a falta de sensibilidade do parlamento brasileiro, aproximando a reforma eleitoral das leis impostas  ao povo pelo regime militar dos anos 70. <a href="http://www.trezentos.blog.br/?p=2909">Ele comenta</a>, destacando a contradição de que enquanto blogueiros não poderão se manifestar anonimamente, aqueles que doam dinheiro para campanhas eleitorais presevaram o direito de não revelarem suas identidades:</p>
<blockquote><p><em>Eles brigam, nós, o povo, perdemos.</em></p>
<p><em>A tentativa de colar a idéia desta censura à uma suposta moralização é inútil, soa ofensiva quando os políticos corruptos e com ficha suja continuarão a concorrer em total liberdade. Existe liberdade para a bandalha, para o roubo, mas não para a livre expressão! Nós, palhaços, ops, eleitores, para piorar, sequer podemos sabem quem financia nossos candidatos! A piada da doação oculta permanece. OS parlamentares tem medo de dizer a verdade, de mostrar de onde vem o dinheiro de suas campanhas e pra quem irão, efetivamente legislar. Para nós é que não é, disto já sabemos!</em></p></blockquote>
<p>O mesmo blog sugere o envio de e-mails em cadeia aos deputados responsáveis pela reforma, declarando a insatisfação com a medida restritiva de direito, listando para tanto seus endereços eletrônicos.</p>
<p>Por outro lado, as matérias surgidas na imprensa sobre a aprovação do projeto na última semana comprovaram que a sociedade não se lembra da característica ditatorial da Lei 9.504/1997, diploma legal que já havia equiparado internet e mídia convencional na mesma panela. Para refrescar a memória, esse marco da negativa das garantias individuais do brasileiro proíbe <em>&#8220;difundir opinião favorável ou contrária a candidato, partido, coligação, a seus órgãos representantes&#8221; </em>(Art. 45, inciso III)<em> </em>pela internet, sob pena de multa<strong><span style="color: #ff0000;"> </span></strong>de até R$ 100.000,00.</p>
<p>O projeto atual além de não não afastar a equiparação de blogs pessoais e páginas de usuários comuns à veículos de informação de massa, inclui outras restrições, como o debate e entrevistas com candidatos. Caso cometa esse crime, o internauta poderá sofrer sanções penais e multas que variam entre R$ 5.000,00 e R$ 30.000,00. Na interpretação dos deputados, todo mundo que se manifesta sobre algum candidato é um perigo iminente, devendo ser severamente vigiado. Além disso, se criticar um candidato, o blogueiro deve dar direito de resposta, o que causou estranheza a muitos internautas, dentre os quais Rogério Martins, do blog <a href="http://marginalconservador.blogspot.com/2009/09/censura-apresenta-suas-armas-sites.html"><em>Marginal Conservador</em></a>:</p>
<blockquote><p><em>A Câmara manteve a liberdade de blogs, redes sociais, sites e programas de mensagens instantâneas (até o msn </em><em>neguinho quer vigiar!), mas com ressalvas. Ressalvas um tanto inusitadas: o direito democrático de cada blogueiro em expressar sua opinião por um ou outro candidato está liberado, mas caberá o direito de resposta e a proibição do anonimato em artigos e reportagens.</em> [&#8230;] <em>Direito de resposta para blogs?!?! Ora, os blogs estão entre os meios mais democráticos da internet, pois o &#8220;direito de resposta&#8221; já é algo inerente a eles, na ideia dos comentários que qualquer leitor pode fazer após a leitura das postagens. É isso que torna a internet 2.0 única. Aqui, o leitor também tem vez: cada post tem espaço para comentários, elogios, críticas, &#8220;direitos de resposta&#8221; etc. E há também a flexibilidade: podemos sempre &#8220;corrigir&#8221; textos já escritos, acrecentando algo ou cortando eventuais tropeços.</em></p></blockquote>
<p>O medo dos parlamentares de perderem o controle sobre a livre manifestação do cidadão está expresso no artigo 57-D, inciso I, do projeto, que <strong>proíbe a realização de matérias que envolvam </strong>pesquisas eleitorais sobre a campanha e o candidato, que destacamos:</p>
<p>Art. 57-D - <em>É vedado aos provedores de conteúdo e de serviços multimídia</em>, <em>bem como às empresas de comunicação social na internet</em>, <em>nos conteúdos disponibilizados nas páginas eletrônicas:</em></p>
<p><em>I - transmitir, ainda que sob a forma de entrevista jornalística, imagens de realização de pesquisa ou qualquer outro tipo de consulta popular de natureza eleitoral em que seja possível identificar o entrevistado ou em que haja manipulação de dados;</em></p>
<p>Em outras palavras, <strong>além de serem proibidos de comentar sobre qualquer candidato, nenhum meio de comunicação online, incluindo blogs, poderá citar</strong> resultados de pesquisas, ainda que com conteúdo crítico ou jornalístico. No artigo que o internauta escrever não poderão constar o nome dos candidatos, seus partidos, coligações, imagens, vídeos ou outros meios que o identifique. Para Arturios Maximus, do blog <em><a title="http://www.visaopanoramica.com/" href="http://www.visaopanoramica.com/" target="_blank">Visão Panorâmica</a></em>, a conduta dos deputados revela o <a title="http://www.visaopanoramica.com/2009/09/04/a-sombra-a-escurido-e-o-medo-da-transparncia/" href="http://www.visaopanoramica.com/2009/09/04/a-sombra-a-escurido-e-o-medo-da-transparncia/">receio de terem suas vidas devastadas</a> com a verdade pessoal do internauta:</p>
<blockquote><p><em>A fantasia de honradez de hombridade e de progressividade longamente cultivada diante das lentes da televisão e dos gravadores de jornalistas subservientes e tolhidos por empresas dependentes de publicidade e de financiamentos públicos; de repente se torna a carantonha feia e asquerosa, corroída pela corrupção e por toda sorte de vícios e ilicitudes cometidos ao longo de décadas de dissimulação estudada, tolerada e incentivada. Do dia para a noite o “nobre senador” ou o “nobre deputado” vê sua verdadeira imagem de escroque oportunista exposta aos quatro ventos para quem quiser ver; bem ali, ao alcance de um simples clique do mouse.</em></p></blockquote>
<p>O  deputado federal <a title="Pág. dep. Flávio Dino" href="http://www2.camara.gov.br/deputados/index.html/loadFrame2.html">Flávio Dino</a>, co-autor do polêmico projeto, em entrevista para o jornal <a title="http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,especialistas-criticam-restricao-de-cobertura-eleitoral-na-web,428665,0.htm" href="http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,especialistas-criticam-restricao-de-cobertura-eleitoral-na-web,428665,0.htm">O Estado de São Paulo</a>, dá uma aula de retórica vazia, reconhecendo a igualdade entre internet, rádio e TV, mas ao mesmo tempo negando que tenha reconhecido, pois:</p>
<blockquote><p><em>&#8220;<strong>A internet não é igual a rádio e televisão, mas é também rádio, é também televisão</strong>. É também equivalente a jornal e a revista. Então, o regime jurídico tem que ser também misto, tem que ser também híbrido. A equiparação absoluta que nós fizemos foi apenas em relação aos debates. Ou seja, se é feito um debate em um portal comercial e em uma rede comercial de TV há que se observar as mesmas regras que são democráticas. São as regras de garantir voz para todos&#8221;.</em></p></blockquote>
<p>Marcelo Träsel, em seu <a title="http://trasel.com.br/blog/?p=237" href="http://trasel.com.br/blog/?p=237">blog</a> homônimo, faz uma análise dos problemas em se equiparar mídias tradicionalmente vinculadas ao mercado e os internautas inviduais, salientando que a natureza privada da internet não permite o mesmo modo de tratamento que canais de televisão, rádio e imprensa convencional:</p>
<blockquote><p><em>O maior problema é a comparação da Internet com rádio e televisão, completamente falaciosa. As regras para propaganda e jornalismo em rádio e televisão são mais restritivas por se tratarem de concessões públicas. A Internet não exige uma concessão para que qualquer pessoa ou instituição possa se manifestar, portanto não pode seguir as mesmas regras de rádio e televisão. Nas redes de computadores, os candidatos podem ocupar espaços livremente, sem depender da chancela de um jornalista ou empresário de comunicação. Assim, as possibilidades de manipulação por parte do poder econômico são muito menores — embora existam.</em></p></blockquote>
<p>O deserviço oferecido pelo legislativo à imprensa e a WEB 2.0 alcança proporções impensáveis para um século XXI livre de amarras ditatoriais. O internauta solitário foi legalmente obrigado a se comportar como um empresário do setor das comunicações, impedido de analisar a postura de candidatos e o andamento das eleições, cerceando-lhe o direito constitucionalmente garantido de expressar-se. Mais uma pá de terra sobre o frágil Estado Democrático de Direito brasileiro.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/09/23/brasil-a-internet-livre-entrou-mesmo-no-cenario-eleitoral/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Brasil: Blogueiros discutem o racismo no país</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/09/16/brasil-blogueiros-discutem-o-racismo-no-pais/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/09/16/brasil-blogueiros-discutem-o-racismo-no-pais/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 16 Sep 2009 22:21:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Casaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Brazil]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Etnicidade]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=4418</guid>
		<description><![CDATA[Seguindo as discussões trazidas semanas atrás com a história de um homem negro acusado de roubar seu próprio carro, Diego Casaes evidencia outros casos e as opiniões de blogueiros sobre discriminação racial.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/diego-casaes/">Diego Casaes</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/diegocasaes/'>Diego Casaes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/09/16/bloggers-on-why-racism-still-exist-in-brazil/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Há duas semanas, o Global Voices contou <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2009/09/01/brasil-negros-podem-dirigir-carros-de-luxo/">a história de Januário Alves de Santana</a>, um homem negro que foi espancado por seguranças de uma das maiores lojas de departamento internacionais no Brasil. Ele esperava por sua família no estacionamento do supermercado quando foi acusado de tentar roubar seu próprio carro, sob o argumento de que, por ser negro, ele não teria condições de possuir um carro de luxo.</p>
<p>O fato reacendeu o sempre polêmico e caloroso debate sobre o racismo no Brasil (siga <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2007/11/18/brasil-dia-da-consciencia-negra-e-o-debate-sobre-racismo/">este link</a> para um post anterior do Global Voices sobre esse assunto) e inspirou muitos posts em blogs, a maioria dos quais repudiando o pensamento da classe média de que o racismo não existe no país, e que os problemas das classes sociais são a verdadeira razão para casos como os de Januário.</p>
<p>Em 11 de setembro, estudantes e funcionários da Universidade de São Paulo, onde Januário Alves de Santana trabalha, reuniram-se para discutir como o racismo está presente no cotidiano. A mesa redonda &#8220;Racismo, Violência e Globalização&#8221; denunciou: &#8220;Carrefour agride negro brasileiro: eis o ano da França no Brasil&#8221;. O blog <em>Pão e Rosas</em> <a href="http://nucleopaoerosas.blogspot.com/2009/09/grande-debate-na-usp-diz-nao-ao-racismo.html">nos traz</a> fotos do evento e comentários:</p>
<blockquote><p>Todas as falas enfatizaram que o caso não é isolado, mas expressa sim como o racismo ainda é uma marca profunda da sociedade em que vivemos. Nós do Pão e Rosas nos colocamos de pé, ao lado de Januário e todos os negros e negras que sofrem com o racismo e a violência policial. Do mesmo modo, nos colocamos ao lado dos moradores das favelas que têm se manifestado contra a repressão da polícia , como em Heliópolis na semana passada. A realidade impõe que nos levantemos!</p></blockquote>
<div class="mceTemp mceIEcenter">
<dl id="attachment_95948" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px;">
<dt><img title="O discurso de Januário durante o debate na USP." src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/09/janu%C3%A1rio-usp.jpg" alt="Januário's speech in the meeting at USP" width="300" height="400" /> O discurso de Januário durante o debate na USP.</dt>
</dl>
</div>
<p><em><a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2009/08/07/alex-castro-um-blogueiro-liberal-libertario-e-libertino/">Alex Castro</a></em>, do blog <em><a href="http://www.interney.net/blogs/lll/">Liberal, Libertário e Libertino</a></em>, <a href="http://www.interney.net/blogs/lll/2009/09/06/o_problema_do_brasil_e_a_falta_de_confli/">fala sobre</a> a questão do racismo meticulosamente e aponta um fato alarmante no que tange a historicidade racial do Brasil ao dizer que o problema é, na verdade, que a sociedade é vazia de conflitos raciais:</p>
<blockquote><p>No Brasil, nunca houve leis racistas proibindo negros de ingressarem em restaurantes, hotéis, tribunais porque a própria estrutura socioeconômica perversa já era garantia mais do que suficiente de que negros somente entrariam nesses ambientes pra varrer o chão e servir café. O Brasil é tão arraigadamente racista que nunca nem precisou de leis racistas para manter seus negros em posição totalmente inferiorizada.</p></blockquote>
<p>Seu post também foi divulgado no blog da Rachel Glickhouse, o <em><a href="http://riogringa.typepad.com/my_weblog/">Adventures of a Gringa</a></em> [en], e <a href="http://riogringa.typepad.com/my_weblog/2009/09/guest-post-racial-conflict-in-brazil-or-rather-the-lack-thereof.html#more">alguns leitores responderam às suas indagações</a>. Por exemplo, <em>Roger Penguino</em> <a href="http://riogringa.typepad.com/my_weblog/2009/09/guest-post-racial-conflict-in-brazil-or-rather-the-lack-thereof.html?cid=6a00e008ca9cc688340120a55c2f64970b#comment-6a00e008ca9cc688340120a55c2f64970b">comentou</a>:</p>
<blockquote><p>Para aqueles que sempre pensaram que no Brasil não ocorre problemas raciais, aqui encontra-se um ponto de partida para nova reflexão sobre a realidade. Sempre ouvi de amigos Americanos que no Brasil “everyone just gets along” e sempre foi difícil explicar a complexa e sistemática institucionalização do racismo brasileiro. Muitos ao olharam para população brasileira dizem ver uma mistura racial maior que de outros grandes países, mas claro que deixam de perceber os milhares que lutam contra si mesmos porque nesta mistura aprenderam a odiar sua própria condição.</p></blockquote>
<p>Em junho deste ano, Lucrécia Paco, uma das maiores atrizes de Moçambique, que atuava em uma peça na cidade de São Paulo, sofreu racismo quando acidentalmente empurrou uma mulher branca na fila de uma agência de câmbio em um shopping. Leonardo Sakamoto do <em><a href="http://colunistas.ig.com.br/sakamoto/2009/06/21/entao-e-verdade-no-brasil-e-duro-ser-negro/">Blog do Sakamoto</a></em> e o blog <em><a href="http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/lucrecia-nunca-fui-tao-discriminada/">Viomundo</a></em> republicaram e comentaram a <a href="http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI78162-15228,00-ENTAO+E+VERDADE+NO+BRASIL+E+DURO+SER+NEGRO.html">notícia trazida a público pela Revista Época</a>.</p>
<p>Na ocasião, a mulher apontou Lucrécia como uma potencial assaltante, e gritou pela polícia da imigração. Lucrécia reagiu, e gritou para a mulher dizendo que muitos brasileiros vão morar em Moçambique, mas em vez de serem maltratados são recebidos de braços abertos. A jornalista <em>Eliane Brum</em>, que entrevistou Lucrécia Paco, relatou:</p>
<blockquote><p>Lucrécia não consegue esquecer. “Não pude dormir à noite, fiquei muito mal”, diz. “Comecei a ficar paranoica, a ver sinais de discriminação no restaurante, em todo o lugar que ia. E eu não quero isso pra mim.” Em seus 39 anos de vida dura, num país que foi colônia portuguesa até 1975 e, depois, devastado por 20 anos de guerra civil, Lucrécia nunca tinha passado por nada assim. “Eu nunca fui discriminada dessa maneira”, diz. “Dá uma dor na gente. ”</p></blockquote>
<p><em>Glória Cabo</em>, uma leitora do <em>Blog do Sakamoto</em> comentou a entrevista. Ela <a href="http://colunistas.ig.com.br/sakamoto/2009/06/21/entao-e-verdade-no-brasil-e-duro-ser-negro/#comment-50305">contou</a> seu próprio testemunho de família sobre o porquê dos brasileiros cultivarem o racismo:</p>
<blockquote><p>No Brasil não só é difícil ser negro, como também: nordestino, pobre, tatuado, gay, punk, feio. Nem as loiras escapam… Mas, de onde vem esse preconceito? E como acabar com ele? A origem do problema, no meu ponto de vista está nas nossas próprias origens. Somos descendentes de europeus preconceituosos, retrógrados e antiquados. Eu como filha de europeus, convivi com racismo explicito de meus pais, com comentários absurdos de que meu pai não queria ter um “negrinho” o chamando de avô. Eu mesma, confesso, que já tive pensamentos racistas. Mas, com a maturidade, analisei meus preconceitos e descobri que não eram meus, e sim uma herança pobre e sem sentido herdada de pais preconceituosos. Buscar a origem do racismo, analisar que diferenças são normais e necessárias, isso faria toda a diferença.</p></blockquote>
<p><em>Pedro Turambar </em>do blog <a href="http://www.ocrepusculo.com/"><em>O Crepúsculo</em></a> cita outro caso presenciado por ele mesmo enquanto fazia compras no Carrefour e que considera racismo. A funcionária da loja pediu a uma mulher negra que confirmasse que ela era a dona do cartão de crédito do qual usara para pagar por suas compras. Pedro sugeriu que a funcionária somente pediu a confirmação por causa da quantidade das compras que a mulher fez. A mulher negra era, na verdade, empregada doméstica, e sua empregadora, uma senhora branca que estava distante no momento, veio em direção à funcionária gritando &#8220;Isso é preconceito! Isso é discriminação racial!&#8221;. Ele <a href="http://www.ocrepusculo.com/2009/07/30/descriminacao-racial-no-carrefour/">diz</a>:</p>
<blockquote><p>O trabalho dela é perguntar e pedir a identidade. […]. DESDE QUE ELA FAÇA ISSO COM TODO MUNDO. Mas tanto você quanto eu, sabe que isso não acontece e não foi por isso que a moça pediu para a empregada provar que era titular do cartão</p></blockquote>
<p>E completa:</p>
<blockquote><p>Eu iria pagar a conta com o cartão de crédito do meu irmão e tinha certeza que o caixa não iria me perguntar se eu era o titular do cartão. Dito e feito. Paguei com um cartão de uma conta da qual não sou titular, mas como sou branco, gordinho, fofinho bonitinho, jamais pensariam que eu roubei o cartão para comprar meia dúzia de produtos de limpeza.</p>
<p>O melhor foi o medo que eu coloquei no caixa que me atendeu. Ele ironicamente e sarcasticamente comentava o fato, e quando o cara do casal de trás disse brincando “Eu não to pagando com meu cartão não em! e se você falar que não é meu eu subo aqui em cima e fico louco”, o caixa morreu de rir. Até que eu disse que o cartão que eu acabara de pagar não era meu. Disse isso rindo também, por isso ele achou que era brincadeira, até que eu fechei a cara e repeti “O cartão não é meu. Mesmo. Eu não me chamo Daniel.” Ele olhou para mim e viu que eu falava sério. Engoliu o riso e claramente ficou com medo. Eu apenas disse “A mulher tá certa. Certíssima em dizer que foi preconceito, porque foi.”, me despedi do casal – que olhava para mim com uma cara de júbilo – peguei as compras e fui embora.</p></blockquote>
<p>Finalmente, um comentário no post do <em>Alex Castro</em> é digno de nota. A leitora <em>Te</em> <a href="http://www.interney.net/blogs/lll/2009/09/06/o_problema_do_brasil_e_a_falta_de_confli/#c457372">claramente diz</a>:</p>
<blockquote><p>É mesmo, no Brasil faz falta uma Rosa Parks. […]</p></blockquote>
<p>A campanha <a href="http://www.dialogoscontraoracismo.org.br/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=16&amp;Itemid=34">Onde você guarda seu racismo?</a> apresenta vários depoimentos reais de racismo no Brasil. Foi produzida como uma campanha pública contra o racismo por <em><a href="http://www.dialogoscontraoracismo.org.br/">Diálogos contra o Racismo (pela igualdade racial)</a></em>, um grupo de mais de 40 organizações da sociedade civil dedicados à erradicação da pobreza e desigualdade e para estimular debates em escolas, bairros, escritórios, clubes e famílias sobre as relações raciais e como modificá-las.<br />
<iframe src="http://dotsub.com/media/b776ed76-5830-4359-a4f5-8e7290935609/e/m/por_br" frameborder="0" width="420" height="347"></iframe></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/09/16/brasil-blogueiros-discutem-o-racismo-no-pais/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>França: Secularidade, Requisito para Democracia e Direitos Humanos</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/09/07/franca-secularidade-requisito-para-democracia-e-direitos-humanos/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/09/07/franca-secularidade-requisito-para-democracia-e-direitos-humanos/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 07 Sep 2009 21:12:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Casaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[France]]></category>
		<category><![CDATA[French]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Lei]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[U.S.A.]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=4269</guid>
		<description><![CDATA[O conceito francês de secularidade parece ser tão distinto, que até mesmo o verbete sobre esse conceito na Wikipédia em Inglês utiliza a palavra laïcité [laicidade] na descrição. Suzanne Lehn explica os modos diferentes que os blogueiros dos EUA e da França vêem a separação da Igreja e do Estado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/suzanne-lehn/">Suzanne Lehn</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/diegocasaes/'>Diego Casaes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/09/04/france-secularity-required-for-democracy-and-human-rights/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="single">
<p>O conceito francês de secularidade parece ser tão distinto, que até mesmo <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/La%C3%AFcit%C3%A9">o verbete sobre esse conceito na Wikipédia em Inglês</a> utiliza a palavra <em>laïcité</em> [laicidade] na descrição.</p>
<p>Levando em conta as blogosferas dos EUA e da França, é possível, de alguma forma, sanar a falha na compreensão do termo <em>laïcite</em> que tem sido gerada entre ambos os lados do oceano Atlântico?</p>
<p><em>Arthur Goldhammer</em>, traçando um paralelo entre a burca e o hábito das freiras católicas, <a href="http://artgoldhammer.blogspot.com/2009/08/cant-help-scratching-that-itch.html">adverte</a> [en] ser um &#8220;fanático da <em>laïcité</em>&#8220;:</p>
<blockquote><p>(…) Not everyone in the ambient society accepts these tenets of faith, but the symbol embodying them is nevertheless not banned from the streets. It is banned from the schools. Traditionally, laïcité meant exactly this kind of drawing of boundaries.</p></blockquote>
<div class="translation">(&#8230;) Nem todos na sociedade aceitam estes dogmas de fé, mas os símbolos incorporados neles não são, contudo, banidos das ruas. São banidos das escolas. Tradicionalmente, a <em>laïcité</em> significa exatamente este tipo de delineamento dos limites.</div>
<p>Alguns blogueiros franceses, preocupados com os ataques, não somente religiosos como também políticos, que eles sentem estar ameaçando a <em>laïcité</em> na França, esforçaram-se para explicar a noção e deixar claro que a laicidade é um requisito para democracia e direitos humanos.</p>
<p>Em um <a href="http://librepropos.blog.lemonde.fr/2009/05/17/revison-de-la-loi-1905-vigilance-republicaine/">post</a> [fr] em maio de 2009 hospedado no site do lemonde.fr, Bartolomeo, do blog <em>librepropos</em> mostrou essa <strong>definição</strong>:</p>
<blockquote><p>laïcité: La Laïcité combat tous les cléricalismes c’est à dire toute intrusion du fait religieux, de la croyance dans les institutions publiques de la République.</p></blockquote>
<div class="translation">laïcité: A laicidade combate todos os clericalismos, ou seja, toda intrusão de qualquer fenômeno religioso ou credo, nas instituições públicas da República.</div>
<div><strong>O contexto histórico</strong></div>
<p>O conceito de <em>laïcité</em> apareceu primeiramente com a Revolução Francesa, e foi institucionalizado com a &#8220;lei de 1905&#8243; [da Separação da Igreja e do Estado]. O choque com a Igreja Católica enfraqueceu, cada lado encontrando, enfim, seus interesses nessa nova relação.</p>
<blockquote><p>Dans ce concept de laïcité ouverte des années 1990, ce droit à la différence se transforma petit à petit en “une différence de droits” . L’islam absent de ce débat apparaît alors à travers l’affaire du foulard de Creil en 1989. […]</p></blockquote>
<div class="translation">Neste conceito de secularidade aberta dos anos 90, o direito de ser diferente gradualmente se transformou em &#8220;direitos diferentes&#8221;. O Islamismo, ainda ausente deste debate, insere-se na discussão com o caso do véu na cidade de Creil, no ano de 1989 [&#8230;].</div>
<div><strong>Uma das fundações da República</strong></p>
<blockquote><p>[La laïcité est inscrite à l&#39;article 1 de la Constitution] “La France est une République indivisible, laïque, démocratique et sociale. Elle assure l’égalité devant la loi de tous les citoyens sans distinction d’origine, de race ou de religion. Elle respecte toutes les croyancea s. […]”</p></blockquote>
<div class="translation">[A <em>Laïcité</em> está presente no primeiro artigo da  <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Constitution_of_France">Constituição francesa, en]</a>; “A França é uma República indivisível, laica, democrática e social. Ela garante a igualdade sob os olhos da lei para todos os cidadãos, sem distinção de origem, raça ou religião. Ela respeita todos os credos. [&#8230;]</div>
<p>Mas a<em> laïcité</em> se originou com o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Iluminismo">Iluminismo</a> e a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Declara%C3%A7%C3%A3o_dos_Direitos_do_Homem_e_do_Cidad%C3%A3o">Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 26 de agosto de 1789</a>.</p>
<p><strong>O conteúdo da <em>laïcité</em> em 4 pontos</strong></p>
<blockquote><p><em>Vivre ensemble</em>: […] A chacun de vivre librement ses options spirituelles ou convictions philosophiques. - A tous de disposer d’un espace commun, public, assurant liberté et égalité. - mais aussi créer un monde commun aux hommes, tout en leur permettant de garder librement leurs différences.</p>
<p>selon <em>3 principes</em>: Liberté de Conscience - Égalité des Options Spirituelles Universalité de la Loi Commune.</p>
<p>[<em>par le moyen juridique</em> de] la séparation des Églises et de l’État par la loi de 1905 [en distinguant] une Sphère Privée et une Sphère Publique<br />
<em>L&#39;Ecole Laïque</em> [en est l&#39;outil basique pédagogique].</p></blockquote>
</div>
<div class="translation"><em>Conviver</em> : Direito de viver livremente de acordo com suas convicções filosóficas ou espirituais; de espaço público, garantindo a liberdade e igualdade - mas também para criar um mundo em comum para a humanidade, permitindo-os a livremente manter suas diferenças.<br />
São três princípios: Liberdade de consciência; igualdade de opções espirituais; e universalidade da lei.</p>
<p>Por meios jurídicos, garantir a separação do Estado e da Igreja com a lei de 1905 distinguindo uma esfera privada e uma esfera pública.</p>
<p><em>Escola Secular</em> [a ferramenta de ensino básico]</div>
<div><em>Franco-Ivorian</em> <em>Delugio</em>, em seu blog <em> <a href="http://delugio.blogspot.com">“Une vingtaine”! et quelques</a> </em>[fr]<em>,</em> <a href="http://delugio.blogspot.com/2009/08/burqa-gauche-et-neo-colonialisme.html">explica a diferença</a> entre a secularidade americana e a <em>laïcité</em> francesa:</p>
<blockquote><p>Dans sa structure moderne, la racine immédiate de la démocratie peut se trouver dans le protestantisme américain, s’organisant pour un « vivre ensemble » au-delà de la pluralité des Églises — pour une gestion partagée de la cité commune.<br />
Cela ne se fera pas sans heurts : ça commencera par la guerre d’indépendance pour aboutir au XXe siècle — mais dès le départ, pour les indépendantistes, la dimension de la séparation des Églises et de l’État est un acquis non négociable.<br />
Lorsque la France révolutionnaire reprendra ce modèle américain, elle se heurtera à une Église, l’Église catholique, prétendant, contrairement aux Églises protestantes américaines, à l’unicité.<br />
C’est ce choc qui caractérise la « laïcité à la française » : laïcité de type américain dans un contexte de combat contre une Église revendiquant le pouvoir d’une façon ou d’une autre.</p></blockquote>
<div class="translation">
<div>Em sua estrutura moderna, a raiz imediata da democracia pode ser encontrada no Protestantismo Americano, organizando-se em prol de um &#8220;conviver&#8221; além da pluralidade das Igrejas - por uma gestão compartilhada da cidade comum.</div>
<div>Isso não seria possível sem conflitos: para começar, a Guerra da Independência durou até o século XX - mas desde o início, a importância da separação entre Igrejas e o Estado tem sido um ativo não-negociável.</div>
<div>Quando a França revolucionária retomou o modelo americano, discordou de uma Igreja, a Igreja Católica, reivindicando, diferentemente das Igrejas Protestantes Americanas, uma unicidade.<br />
Esta discordância é a característica da &#8220;laicidade à francesa&#8221;: um tipo americano de secularidade em um contexto que luta contra uma Igreja que exige poder de alguma forma.</div>
</div>
<p>Ele então avalia as chances e obstáculos para o Islã neste mesmo percurso em direção a <em>laïcité</em>, que ele enxerga como desejável e historicamente necessária, e acha que a França pode assumir um papel específico neste processo:</p>
<blockquote><p>La France est en position, de par son histoire, de mener ce combat qu’elle a déjà mené en métropole face au catholicisme.</p>
<p>Mais le combat sera rendu plus difficile encore par ce que dans son empire colonial, la France a fait exactement l’inverse de ce qu’elle a proclamé et de ce qu’elle a fait en métropole : elle a, à l&#39;instar des autres puissances coloniales, consacré dans l’empire colonial des lois particulières, y compris la charia, comme vis-à-vis de la République.</p></blockquote>
<div class="translation">
<div>A França, com todo o contexto histórico, está em posição de liderar esta luta, visto sua luta contra o Catolicismo no país.</div>
<div>Mas o combate será bem mais difícil, na medida em que a França fez, em seu império colonial, o oposto do que fez e proclamou em seu próprio país: como outras potências colonialistas, a França estabeleceu em seu império colonial regulamentos específicos, incluindo a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Charia">Charia</a> [lei islâmica fundamentalmente baseada no Corão], como parceiros da República.</div>
</div>
<p>E se, além de todos estes grandes princípios que os Franceses adoram tomar posse como seus cavalinhos de guerra, eles se inspirarem, como sugerido por <em><a href="http://michelr.tumblr.com">MRT</a></em> [fr], pelo pragmatismo de seus vizinhos belgas, compreendendo a <a href="http://michelr.tumblr.com/post/165588002/la-burka-et-les-belges">questão da burca</a> como uma simples questão de segurança:</p>
<blockquote><p>En Belgique et au Luxembourg, c’est tout simple : pas de ségrégation religieuse, mais une simple loi sur la sécurité afin que les personnes mal intentionnées ne déjouent pas les caméras de surveillance.<br />
Voici le texte de loi voté en 2005:<br />
“Sans autorisation de l’autorité compétente, il est interdit sur le domaine public de se dissimuler le visage par des grimages, le port d’un masque ou tout autre moyen, à l’exception du “temps du carnaval”.</p></blockquote>
<div class="translation">Na Bélgica e em Luxemburgo é muito simples: não há segregação religiosa, mas uma simples lei sobre segurança com o intuito de prevenir que pessoas mal-intencionadas frustrem as câmeras de vigilância.<br />
O projeto de lei, aprovado em 2005, diz:<br />
“Sem permissão da autoridade responsável, está proibido, em espaços públicos, que uma pessoa esconda seu rosto com pinturas, máscaras, ou qualquer outra forma, exceto em tempos de carnaval&#8221;.</div>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/09/07/franca-secularidade-requisito-para-democracia-e-direitos-humanos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
