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	<title>Global Voices em Português &#187; Brazil</title>
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	<description>O mundo está falando. Você está ouvindo?</description>
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		<title>Brasil: O Debate sobre a Violência contra a Mulher</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/27/brasil-o-debate-sobre-a-violencia-contra-a-mulher/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/27/brasil-o-debate-sobre-a-violencia-contra-a-mulher/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 27 Nov 2009 19:18:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Casaes</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Brazil]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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		<description><![CDATA[No Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra a Mulher, as blogueiras brasileiras reacendem o debate e fazem campanha pelo fim da violência.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/diego-casaes/">Diego Casaes</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/diegocasaes/'>Diego Casaes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/11/26/brazil-the-violence-against-women-debate/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p><img class="alignright size-full wp-image-5152" title="contraviolencia3" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/11/contraviolencia3.png" alt="contraviolencia3" width="184" height="200" />Ontem foi o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/International_Day_for_the_Elimination_of_Violence_against_Women">Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres</a> [en]. Seguindo <a href="http://globalvoicesonline.org/specialcoverage/ending-violence-against-women-2009/">uma série de posts especiais</a> do Global Voices Online para sensibilizar e levantar vozes em torno da causa, vamos ver neste post as opiniões de alguns blogueiros brasileiros sobre os direitos das mulheres.</p>
<p style="text-align: left;">A renomada blogueira brasileira <a href="http://www.ladybugbrazil.com/">Lúcia Freitas</a> dá sua contribuição, postando uma chamada para blogueiros para apoiar a <a href="http://www.luluzinhacamp.com/2009/11/23/uma-vida-sem-violencia-e-um-direito-das-mulheres/">campanha</a> contra a violência no <a href="http://www.luluzinhacamp.com/">LuluzinhaCamp</a>, um coletivo de mulheres blogueiras inspirado em histórias em quadrinhos da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Little_Lulu">Luluzinha</a>:</p>
<blockquote><p>Chamada geral! Entre 25 de novembro e 10 de dezembro estamos convocando para a luta pelo fim da violência contra as mulheres. Vamos fazer posts, twittar, fotografar e lembrar que mulheres são seres humanos e merecem respeito – aliás, todo mundo merece…</p></blockquote>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 434px"><a href="http://www.flickr.com/photos/gabibutcher/4130476483/"><img title="4130476483_2d91bfac5d" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/11/4130476483_2d91bfac5d.jpg" alt="&quot;Lulus againts violence&quot;. Photo by Gabi Butcher©, used under a Creative Commons license" width="424" height="282" /></a><p class="wp-caption-text">Foto por Gabi Butcher©, usada sob uma licença Creative Commons.</p></div>
<p><a href="http://srtabia.com/"><em>Srta. Bia</em></a> ouve o chamado e adiciona sua voz para a campanha LuluzinhaCamp, <a href="http://srtabia.com/2009/11/2511-dia-internacional-da-nao-violencia-contra-as-mulheres/">dizendo</a>:</p>
<blockquote><p>No Brasil uma mulher é agredida a cada <a href="http://www.tudoagora.com.br/noticia/11469/Uma-mulher-e-agredida-no-Brasil-a-cada-15-segundos-diz-fundacao.html" target="_blank">15 segundos</a>. Na maioria das vezes o agressor é o parceiro, um familiar ou uma pessoa próxima. Desde pequenas, meninas sofrem com violência e discriminação. Organizações em defesa dos direitos da mulher lutam para eliminar as brechas e anacronismos nas leis, porém as mudanças precisam reverberar na sociedade, na maneira como a mulher é vista.</p></blockquote>
<p>E continua:</p>
<blockquote><p>É por liberdade que as Irmãs Mirabal lutaram, é por liberdade que lutamos a cada dia. Liberdade de ser a mulher que eu quiser, a mulher politizada ou não, a mulher que tem filhos ou não, a mulher que faz um aborto ou não, a mulher depilada ou não, a mulher que faz sexo com quem quiser ou não, mas acima de tudo a mulher que deve ser respeitada e que de maneira alguma pode sofrer nenhum tipo de violência, seja ela física ou psicológica, apenas por ser mulher. Nada justifica a violência contra ninguém.</p></blockquote>
<div id="attachment_5114" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://www.flickr.com/photos/gabibutcher/4131270773/in/pool-luluzinhacamp"><img class="size-full wp-image-5114 " title="4131270773_6fde455b83" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/11/4131270773_6fde455b83.jpg" alt="Foto por Gabi Butcher©, usada sob uma licença Creative Commons." width="400" height="266" /></a><p class="wp-caption-text">Foto por Gabi Butcher©, usada sob uma licença Creative Commons.</p></div>
<p>O debate da violência contra a mulher é um tema quente no Brasil. Recentemente, uma série de eventos envolvendo uma estudante da Universidade Bandeirantes, no estado de São Paulo, provocou <a href="http://blogsearch.google.com/blogsearch?hl=pt-BR&amp;ie=UTF-8&amp;q=geisy+arruda&amp;btnG=Pesquisar+blogs&amp;lr=">muitos posts</a> sobre o preconceito da sociedade contra o corpo feminino. Na ocasião, a estudante de turismo Geisy Arruda usou um vestido rosa curto na sala de aula. Sua história, porém, tange muito mais do que a escolha de uma mulher de 20 anos sobre sua roupa: ela acabou chamando a atenção de muitos estudantes que consideraram o vestido ofensivo. Centenas deles começaram a ridicularizar e xingar a moça, bem como ameaçaram atacá-la naquele dia.</p>
<p>Geisy Arruda acabou por ser expulsa da Universidade sob o argumento de que o seu &#8220;comportamento provocativo&#8221; não era compatível com as regras da escola, mas depois que a mídia internacional achou o caso rentável e Geisy se tornou uma celebridade na TV e na internet, a universidade reconheceu sua volta como estudante. Até agora, os estudantes que causaram a manifestação não foram punidos. Denise Arcoverde no <a href="http://sindromedeestocolmo.com/"><em>Síndrome de Estocolmo</em></a> mencionou o caso em seu blog. Em uma ocasião especial, <a href="http://sindromedeestocolmo.com/archives/2009/11/universidade_para_em_catarse_moralista_e_monstruosa_por_causa_de_uma_minissaia.html/">ela escreveu</a>:</p>
<blockquote><p><a onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/www.youtube.com');" href="http://www.youtube.com/watch?v=KGxQ8XtXpaQ" target="_blank">Nesse outro vídeo</a>, a imagem da moça saindo escoltada pela polícia.  Fiquei tão passada com a história que me deu uma taquicardia, de raiva. Eu já vi muito machismo, muita cretinice, mas nada com essa violência. Foi um estupro emocional, que não deve ficar por isso mesmo.</p>
<p>Como discutimos no Twitter, a faculdade paulista UNIBAN não é culpada pela atitude canalha dos estudantes, mas é <strong>responsável</strong> por não ter controlado a situação e ainda deixar a menina ser humilhada ao sair, escoltada pela polícia. Se fosse minha filha, processaria e exigiria milhões de indenização por danos morais.</p></blockquote>
<div id="attachment_5115" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://www.flickr.com/photos/gabibutcher/4132032566/in/pool-luluzinhacamp"><img class="size-full wp-image-5115 " title="4132032566_5b23bafc74" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/11/4132032566_5b23bafc74.jpg" alt="Foto por Gabi Butcher©, usada sob uma licença Creative Commons." width="400" height="266" /></a><p class="wp-caption-text">Foto por Gabi Butcher©, usada sob uma licença Creative Commons.</p></div>
<p>O blog <a href="http://corpos-em-revolta.blogspot.com/"><em>Corpos em Revolta</em></a> descreve os diferentes tipos de violência sofridos pelas mulheres e <a href="http://corpos-em-revolta.blogspot.com/2009/11/participe-do-ato-pelo-dia-internacional.html">pede aos leitores para tomar parte nesta luta</a>:</p>
<blockquote><p>Acreditando que a idéia de feminilidade e o ideal de beleza são conceitos socialmente construídos e ferramentas de controle, o Coletivo Antissexista Corpos em Revolta mostra seu repúdio, nesse dia Internacional da Eliminação da Violência Contra a Mulher, a todas as formas de misoginia, machismo, sexismo, homofobia, e racismo, que vitimizam e inferiorizam as mulheres.</p></blockquote>
<p>E eles acrescentam informações sobre uma manifestação programada para 29 de novembro para celebrar essa luta:</p>
<blockquote><p>Não acreditamos em padrões de feminilidade nem aceitamos padrões estéticos! Somos a favor da diversidade de corpos e de personalidades, da subversão dos valores sexistas que controlam nossas relações! Propomos uma sociedade onde não haja distinções de gênero, cor, etnia, sexualidade ou qualquer outra forma de inequidade sustentada pela sociedade de mercado!</p>
<p>Para marcar essa data, o Corpos em Revolta fará um ato simbólico no Parque Redenção no domingo, dia 29 de novembro, às 15 horas. Traga sua revolta e participe!</p></blockquote>
<p>Por fim, lemos <a href="http://unisinos.br/blog/ihu/2009/11/25/dia-internacional-de-combate-a-violencia-contra-a-mulher/">a seguinte mensagem</a> no blog do <a href="http://unisinos.br/blog/ihu/"><em>Instituto Humanitas Unisinos</em></a>:</p>
<blockquote><p>Mulheres vem sofrendo a violência dos homens presentes em suas vidas (companheiros, pais, irmãos, filhos) há alguns séculos, e cotidianamente, muitas vezes em silêncio e culpadas por acontecer, ou muitas vezes sem saber reconhecer como uma violência e especialmente contra elas, por serem mulheres. Só recentemente e nos últimos anos, a agressividade social e individual contra nós está sendo nomeada e combatida, com o avanço dos movimentos sociais, feministas e de mulheres, muita coisa avançou no sentido de reconhecer como uma forma específica de privação dos direitos ao exercício da cidadania.</p></blockquote>
<div id="attachment_5116" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://www.flickr.com/photos/gabibutcher/4131016373/in/pool-luluzinhacamp/"><img class="size-full wp-image-5116 " title="4131016373_9b3e4bcd7b" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/11/4131016373_9b3e4bcd7b.jpg" alt="Foto por Gabi Butcher©, no Luluzinha Camp usada sob uma licença Creative Commons." width="400" height="266" /></a><p class="wp-caption-text">Foto por Gabi Butcher©, no Luluzinha Camp usada sob uma licença Creative Commons.</p></div>
<p>As fotos que ilustram este texto são de uma reunião LuluzinhaCamp em São Paulo no dia 22 de novembro. Veja a <a href="http://www.flickr.com/photos/gabibutcher/sets/72157622859971452/">galeria completa de retratos de pensamento positivo</a> por Gabi Butcher, do blog <a href="http://diapositivo.wordpress.com/">Diapositivo Fotografia</a>. E <a href="http://www.flickr.com/photos/gabibutcher/4131146178/in/set-72157622859971452/">feliz 2010</a>!</p>
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		<title>Brasil: A perda de um ativista digital pioneiro</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/20/brasil-a-perda-de-um-ativista-digital-pioneiro/</link>
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		<pubDate>Fri, 20 Nov 2009 22:47:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Casaes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Brasil está de luto hoje: o país perdeu um de seus pioneiros do ativismo digital. Esta é a homenagem do Global Voices ao Daniel Pádua. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/diego-casaes/">Diego Casaes</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/diegocasaes/'>Diego Casaes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/11/20/brazil-the-loss-of-a-pioneer-digital-activist/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="attachment_107480" class="wp-caption aligncenter" style="width: 365px"><img class="size-full wp-image-107480  " title="DSC02980-462x259" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/11/DSC02980-462x2591.jpg" alt="Daniel Pádua were a well-known digital activist in Brazil. Photo by Cátia Kitahara from Wordpress-BR." width="355" height="199" /><p class="wp-caption-text">Daniel Pádua foi um ativista digital bastante conhecido no Brasil. Foto trazida por Cátia Kitahara no Wordpress-BR.</p></div>
<p>O Brasil perdeu hoje um de seus ativistas digitais pioneiros. <a href="http://imaginarios.net/dpadua/">Daniel Pádua</a> (também conhecido como <a href="http://twitter.com/dpadua">@dpadua</a> no Twitter) havia sido recentemente diagnosticado com câncer e perdeu a batalha na manhã de hoje, em Brasília. Sempre presente em eventos de software de código aberto e cultura livre no Brasil, Daniel Pádua era referência para blogueiros em assuntos de ciberativismo e liberdade de expressão na Internet brasileira.</p>
<p>No blog <em><a href="http://www.wordpress-br.com">Wordpress-Br</a></em>, Cátia Kitahara <a href="http://www.wordpress-br.com/novidades/geral/homenagem-ao-amigo-daniel-padua">escreveu</a>:</p>
<blockquote><p>Hoje perdemos um amigo queridíssimo, aqui da comunidade, o Daniel Pádua. Sentiremos muito sua falta, não só pelo grande talento e inteligência que ele possuia, mas principalmente pelo seu caráter. Queremos manifestar nosso carinho para sua família e amigos.</p></blockquote>
<p>Enquanto a notícia se espalhava pela web, usuários do Twitter que conheciam seu trabalho e comprometimento <a href="http://search.twitter.com/search?q=%40dpadua">o homenagearam</a> dizendo um último adeus:</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-107492" title="emerluis honors dpadua" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/11/emer.PNG" alt="emerluis honors dpadua" width="521" height="58" /></p>
<p>Esta é a homenagem do Global Voices para o Daniel Pádua. Descanse em paz.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Blogueiros: Caribé, um idealista incurável e ciberativista no Brasil</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/15/blogueiros-caribe-um-idealista-incuravel-e-ciberativista-no-brasil/</link>
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		<pubDate>Sun, 15 Nov 2009 22:00:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Casaes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Global Voices entrevistou João Carlos Caribé, um dos blogueiros ciberativistas mais influentes do Brasil e responsável pela mais bem-sucedida campanha no que tange a luta contra a censura na Internet brasileira: o movimento Mega Não.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/diego-casaes/">Diego Casaes</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/diegocasaes/'>Diego Casaes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/11/15/blogger-profiles-caribe-an-incurable-idealist-and-cyberactivist-in-brazil/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>O Global Voices Online é <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2009/06/11/brasil-dialogos-amplificados-na-luta-contra-o-projeto-azeredo/">bastante ativo</a> quando se trata da cobertura das ameaças à liberdade de expressão no Brasil. Dentre <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/23/brasil-decisoes-judiciais-ameaca-crescente-a-liberdade-online/">tais ameaças</a>, o <a href="http://globalvoicesonline.org/2006/11/11/holding-the-line-for-internet-freedoms-in-brazilian-cyberspace/">Projeto de Lei de Crimes Digitais</a> [en], conhecido como Lei Azeredo e as <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2009/09/23/brasil-a-internet-livre-entrou-mesmo-no-cenario-eleitoral/">discussões sobre a Reforma da Lei Eleitoral</a> são considerados pela blogosfera como modos de se restringir os direitos dos cidadãos comuns na web. Neste post, encontraremos-nos com um dos blogueiros ciberativistas mais influentes do Brasil e responsável pela mais bem-sucedida campanha na Internet no que tange a luta contra a censura na Internet brasileira: o movimento <a href="http://meganao.wordpress.com/">Mega Não</a>.</p>
<p><em>João Carlos Caribé</em>, conhecido popularmente por <em>Caribé</em> apenas, é um <a href="http://entropia.blog.br/">ativista nato</a>. Em suas próprias palavras, ele diz: &#8220;O ativismo é algo que está no meu DNA, sou um idealista incurável, quanto mais a gente pesquisa, mais aprende e mais  fica  inconformado; muitas vezes a ignorância é uma dádiva&#8221;.</p>
<p style="text-align: center;">
<div id="attachment_4483" class="wp-caption aligncenter" style="width: 374px"><img class="size-large wp-image-4483 " title="CaribeGVoices" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/09/CaribeGVoices-1024x1005.jpg" alt="Caribe and the national flag colors in the background. Logo stands for the #meganao movement and is accredited to @marioamaya." width="364" height="359" /><p class="wp-caption-text">Caribé e as cores da bandeira nacional. O logo representa o movimento Mega Não e foi criado por Mario Amaya.</p></div>
<p>Desde pequeno sonhava em ser um super heroi e proteger os fracos e oprimidos, este ideal infantil cresceu e amadureceu. Hoje ele vem se manifestando de diversas formas, seja pela luta para liberdade na internet, seja pelo voluntariado educacional, ou pela crítica implacável [nas mídias sociais]; e completa ser impossível ficar parado frente a tanta coisa. Irreverente, no seu perfil do Twitter nos deparamos com a seguinte mensagem:</p>
<blockquote><p><strong>Bio</strong> Procura no Google! Eu falo palavrão, sacanagem e xingo politicos, siga por conta e risco.</p></blockquote>
<p><strong>Quem é o @caribe?</strong></p>
<p>O cientista que habita em mim, leva-me a desconstruir mentalmente sólidas estruturas sociais, econômicas e culturais para simular sua obsolescência em busca de uma resposta: O que vem depois? Hoje sou Publicitário, já fui DJ, trabalhei em Engenharia, Análise de Sistemas, e O&amp;M; sempre gostei de um desafio novo. Sou um idealista incurável!</p>
<p><strong> Há quanto tempo utiliza blogs e de quantos participa?</strong></p>
<p>Apesar de atuar na Internet desde 1996, só vim a criar um blog no final de 2002, chamava-se <em><a href="http://ex-gordo.blogspot.com/">Ex-Gordo</a></em>, em 2005 criei o meu blog pessoal, o <em><a href="http://entropia.blog.br/">Entropia!</a></em>. No início de  2006 criei o blog coletivo <em><a href="http://ppgmkt.blogspot.com/">Propaganda &amp; Marketing</a></em> e somente no final de 2006 criei outro blog coletivo, o <em><a href="http://xocensura.wordpress.com/">Xô Censura</a></em> quanto tomei conhecimento do AI5digital, o projeto do Azeredo; podemos dizer que aí dei inicio a minha participação no Ciberativismo Brasileiro. Em 2007, eu criei o coletivo <em><a href="http://perspectiva.ning.com">Perspectiva</a></em> que é o networking do bem, e mais adiante um blog coletivo, o <em><a href="http://blogcidadao.wordpress.com/">Blog Cidadão</a></em>. Em agosto de 2008 criei o coletivo <em><a href="http://ciberativismo.ning.com">Ciberativismo na rede Ning</a></em>. No início deste ano fui convidado pelo <em>Sérgio Amadeu</em> (que também assina o movimento Mega Não) a participar do<em> <a href="http://www.trezentos.blog.br/">Trezentos</a></em> e por fim, e por enquanto, criei o blog <em><a href="http://meganao.wordpress.com/">Mega Não</a></em>, que tem o objetivo de ser um meta-manifesto que tem superado as minhas expectativas.</p>
<p>Entre 1996 e 2002 eu estava envolvido com outros projetos também na web.  Em 1996 eu criei um site pessoal, em que publicava variedades sobre gerenciamento  e tecnologia, no ano seguinte criei o <em><a href="http://www.flash-brasil.com.br/">Flash Brasil</a></em>, uma comunidade que girava em torno do Flash da Macromedia. Estava criando sem querer um modelo de negócios que nos levou a ficar entre os Top 5  revendedores  que chamou a atenção da Vice Presidência de Marketing da Macromedia que passou a citar o Flash Brasil como <em>case</em> de sucesso e culminou com um convite para dar uma palestra em 2001 em Nova Iorque para mais de cem líderes de comunidades do mundo inteiro. Aliás, 2001 foi um ano do tipo &#8220;céu e inferno&#8221; pois no final do ano o processo de estouro da bolha da Internet estava bem avançado e já havia afetado seriamente meu negócio. Contudo, o Flash Brasil ainda tem um número de acessos bastante significativo, com mais de 500 mil visitas por mês.</p>
<p><strong> Como você se transformou em um ciberativista? E quais os ativismos fora da rede? (pergunta de <em><a href="http://twitter.com/maria_fro">Conceição Oliveira</a></em> via Twitter)</strong></p>
<p>Eu acho que não foi uma transformação, foi uma evolução natural, o ativismo é algo que está no meu DNA, sou um idealista incurável, quanto mais a gente pesquisa, mais aprende e mais  fica  inconformado; muitas vezes a ignorância é uma dádiva. Comecei a fazer algo de concreto quando me dediquei ao voluntariado. Atualmente estou sem tempo para continuar praticando o voluntariado, mas sinto falta, pois é gratificante demais; é uma terapia e um tremendo remédio para depressão.</p>
<p>Em 2006, tomei conhecimento do AI5Digital pelo <a href="http://www.internetlegal.com.br/sobre/omar/"><em>Omar Kaminski</em></a> - advogado conceituado no Brasil no que se refere o Direito e as Novas Tecnologias - na Comunidade Cibercultura no Orkut, o projeto tramitava no Senado e iria ser votado no dia oito de novembro de 2006. Entrei de cabeça. Fiz o que chamamos de <em>protest-o-matic</em>, que era um formulário que qualquer um poderia preencher e enviar uma mensagem a todos os Senadores. Mais de 3000 emails foram enviados em menos de 24 horas, e o projeto não foi votado, os Senadores decidiram tramitá-lo por outras comissões.</p>
<p style="text-align: center;">
<p>Daí para frente fui literalmente me educando politicamente, estudando, aprendendo, e comecei a perceber claramente as estratégias políticas; passei a enxergar um mundo que antes não conhecia, aliás um mundo que antes eu não concebia. Neste meio tempo fui conhecendo outros ciberativistas, pude constatar que a Internet é mesmo um mundo de pontas, fui vivenciando todas aquelas teorias fantásticas como a Inteligência Coletiva, o <em>Crowdsourcing</em>, Manifesto <em>Cluetrain</em>, dentre outras.</p>
<p>Praticamente não tenho feito ativismos fora da rede, eu entendo que o ciberativismo, que os críticos chamam de ativismo de sofá, é muito mais poderoso, rápido e eficiente, ele só precisa se completar nas pontas em ativismo presencial para que os &#8216;analógicos&#39; possam entendê-los. Fora os ativismos anarquistas dos tempos de faculdade, os únicos atos públicos que participei foram o do Rio de Janeiro e via Skype no do Rio Grande do Sul.</p>
<p style="text-align: center;">
<div id="attachment_4626" class="wp-caption aligncenter" style="width: 440px"><img class="size-full wp-image-4626  " title="3679362609_fca0019753_b" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/3679362609_fca0019753_b.jpg" alt="Caribé discursa sobre o Movimento Mega Não e a censura na Internet durante um Ato Público no Rio de Janeiro. Omar Kaminski pode ser visto à sua esquerda. À sua direita o Deputado Federal Jorge Bittar e o Deputado Estadual Alessandro Molon." width="430" height="323" /><p class="wp-caption-text">Caribé discursa sobre o Movimento Mega Não e a censura na Internet durante um Ato Público no Rio de Janeiro. Henrique Antoun pode ser visto à sua esquerda. À sua direita o Deputado Federal Jorge Bittar e o Deputado Estadual Alessandro Molon.</p></div>
<p><strong> Fale-me sobre o Mega Não por favor. Como surgiu a ideia por trás do movimento?</strong></p>
<div id="attachment_4501" class="wp-caption alignright" style="width: 220px"><img class="size-medium wp-image-4501 " title="Simbolo_Olho_2009" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/09/Simbolo_Olho_2009-300x300.gif" alt="Símbolo do MegaNão, por Mario Amaya." width="210" height="210" /><p class="wp-caption-text">Símbolo do Mega Não, por Mario Amaya.</p></div>
<p>O Mega Não é o típico caso onde mirei no coelho e acertei no elefante. A tramitação do AI5 digital estava ganhando força na câmara dos deputados, e sentimos a necessidade urgente de fazer algo mais abrangente, mais mega, daí tive a ideia de criar o Mega Não. A proposta inicial era uma sequência de eventos isolados <em>online</em> e <em>offline</em> que direcionariam pessoas e espectadores para o Mega Não. Compartilhei o projeto com o <em><a href="http://twitter.com/dpadua">Daniel Pádua</a></em> que deu diversas idéias interessantes, e o projeto ficou espetacular. No entanto, sua execução exigia dedicação. Em seguida surgiu a ideia do ato público em São Paulo, e decidimos que este seria o <em>grand finale</em>. O tempo agora era nosso inimigo, com a pressa criei o blog, que não tem nada haver com o que imaginamos, a não ser o nome. Neste processo tivemos uma grande colaboração do <em><a href="http://twitter.com/aarles">Antonio Arles</a> </em>e da <em><a href="http://twitter.com/myris">Myris Silva</a></em>.</p>
<p>&#8220;Mega Não&#8221; foi um nome perfeito, e rapidamente se tornou sinônimo do ciberativismo contra o AI5 Digital. A ideia de transformá-lo em um meta-manifesto foi o ponto crucial para também torná-lo uma fonte de informações sobre o ativismo. O movimento foi construído às pressas por todos os colaboradores e acabou ficando muito bom. Ele foi rapidamente disseminado nas mídias sociais e hoje é um blog razoavelmente visitado e fartamente citado e linkado<strong> </strong>em outros blogs.<strong> </strong></p>
<p><strong>&#8211;</strong></p>
<p><em>Desenvolvido por vários ativistas brasileiros juntamente com João Carlos Caribé, o movimento já alcançou até mesmo a EFF - <a href="http://www.eff.org/">Electronic Frontier Foundation</a> [en], organização que luta pelos direitos dos usuários na Internet, com um <a href="http://www.eff.org/deeplinks/2009/07/lula-and-cybercrime">post</a> [en] sobre a declaração do presidente Luís Inácio Lula da Silva <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2009/07/05/brasil-o-presidente-lula-e-nerd/">durante o 10° FISL em Porto Alegre</a> sobre o projeto de lei Azeredo e sua repercussão na política brasileira.<br />
</em></p>
<p><em><a href="http://www.eff.org/deeplinks/2009/07/lula-and-cybercrime"></a></em></p>
<p><strong> Visto que você é bastante participativo no ciberativismo brasileiro, de onde você tira tanta disposição para lutar pela liberdade da rede? (pergunta de <em><a href="http://twitter.com/aarles">Antônio Arles</a></em> via Twitter)</strong></p>
<div id="attachment_4610" class="wp-caption alignright" style="width: 220px"><img class="size-medium wp-image-4610" title="3223581767_7d2547b1e1_o" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/3223581767_7d2547b1e1_o-300x283.jpg" alt="3223581767_7d2547b1e1_o" width="210" height="198" /><p class="wp-caption-text">&quot;Pirata Caribenho&quot;. Foto por @_thebest_</p></div>
<p><strong> </strong>O meu idealismo incurável é uma das razões, a outra posso dizer que é a paixão pela causa, nasci e cresci sob a égide da censura e hoje temos um pouco mais de liberdade. A Internet hoje deu voz ao cidadão comum. Qualquer um pode produzir qualquer coisa na Internet, pois ela acabou com a economia da escassês, democratizou o conhecimento, permite que as pessoas se relacionem por afinidade, por ideologia, e também está eliminando os atravessadores.</p>
<p>Como diz no <em><a href="http://entropia.blog.br/2009/08/16/manifesto-da-cultura-livre/">Manifesto da Cultura Livre</a></em>, a Internet é uma janela de oportunidade para que a sociedade promova uma grande e bela revolução sob todos os aspectos, caminhamos para um socio-capitalismo, um sistema baseado na fartura e no compartilhamento, e isto assusta o <em>establishment</em>.</p>
<p>Existe uma guerra velada contra este bem social, uma guerra dos grandes oligopólios, dos governos corruptos e repressores, dos bancos, da indústria de intermediação cultural, da mídia tradicional e manipuladora, e de outros interessados em manter tudo como está. A minha luta, minha motivação apaixonada é por manter todos os benefícios que a Internet proporcionou à sociedade e ampliá-los.</p>
<p><strong> Como você avalia a blogosfera brasileira?</strong></p>
<div id="attachment_4623" class="wp-caption alignright" style="width: 299px"><img class="size-medium wp-image-4623 " title="A Bio do Caribé no Twitter diz: &quot;Procura no Google! Eu falo palavrão, sacanagem e xingo politicos, siga por conta e risco.&quot;" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/futuro-internet-31-300x221.jpg" alt="futuro-internet 31" width="289" height="213" /><p class="wp-caption-text">A bio do Caribé no Twitter diz: &quot;Procura no Google! Eu falo palavrão, sacanagem e xingo politicos, siga por conta e risco.&quot;</p></div>
<p>Blogosfera brasileira é uma definição complexa. Para a maioria dos veículos de comunicação e agências de publicidade, a blogosfera nacional se resume à uma duzia de blogs com grande volume de acesso. Para mim é um emaranhado de produção intelectual dos <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Prosumer"><em>prosumers</em></a>, e como não poderia deixar de ser, um emaranhado heterogêneo.</p>
<p>No nosso ciberativismo contra o AI5 Digital tivemos uma árdua tarefa em descobrir as motivações dos blogs para engajarem na causa. Acreditava que poucos iriam aderir, uma destas ideias foi a blogagem coletiva, e me surpreendi com mais de 180 posts em blogs totalmente diferentes. Até mesmo blog &#8220;mimimi&#8221; engajou, o que me fez mudar meu ponto de vista, passei a respeitar e procurar entender qualquer manifestação e motivação dos blogueiros, até mesmo os &#8220;mimimis&#8221;</p>
<p><strong>Quais as mudanças reais que podem se consolidar através do ciberativismo?</strong></p>
<p>Muitas ja estão consolidando, muitas evidentes e claras e outras mais sutis. Por exemplo podemos começar com a crescente politização da sociedade conectada, como eu falei em um <a href="http://www.trezentos.blog.br/?p=1453">post</a> no <a href="http://www.trezentos.blog.br/"><em>Trezentos</em></a>:</p>
<blockquote><p>[..] Estamos pensando e agindo coletivamente, estamos nos “alfabetizando politicamente”, estamos reconhecendo nossos direitos, aprendendo a valorizar o próximo e, estamos aprendendo, como diz Dalai Lama que: uma enorme jornada começa com um pequeno passo. Podemos não perceber isto agora, mas nunca mais seremos os mesmos, estamos reconstruindo a história da democracia no Brasil, somos os agentes de mudança, dificilmente seremos enganados novamente, somos os revolucionários digitais, estamos fazendo a revolução mediada por computador, a revolução da era da participação [&#8230;]</p></blockquote>
<p>Além desta ampla &#8220;alfabetização política&#8221;, as mudanças reais estão acontecendo, em nosso ciberativismo contra o AI5 Digital, conseguimos convencer milhares de céticos de que o projeto de lei era lobo em pele de cordeiro, que não iria resolver o problema dos cibercrimes e que tornaria a Internet um ambiente inóspito. Praticamente nenhum veículo da mídia brasileira publicou uma matéria consistente sobre o ativismo contra o AI5 digital, ato que em si já demonstra uma clara manipulação, já que publica matérias sobre cibercrimes quase que diariamente, além das vezes em que faz <em>merchandising</em> a favor do AI5 digital em suas novelas.</p>
<p>Mesmo sem esta cobertura da imprensa tradicional, atingimos em torno de 15 milhões de brasileiros e centenas de milhares de estrangeiros. Com nosso ciberativismo pavimentamos uma plataforma para que os parlamentares simpáticos a causa tivessem como defender nossos interesses no parlamento. Nossa petição online com mais de 150 mil assinaturas se transformou no ícone do ciberativismo contra o AI5 digital. Acredito que nosso movimento acelerou o processo de adoção de mídias sociais pelos parlamentares, e agora estamos assistindo ao remix da &#8220;<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Roupa_Nova_do_Rei">Roupa nova do Rei</a>&#8221; no Senado, onde a total ignorância dos parlamentares em termos de Internet os coloca numa exposição ridícula, deixando-os totalmente nus perante a sociedade conectada.</p>
<p>Arrisco dizer que fizemos muito mais do que alterar a tramitação e conteúdo de um projeto de lei que afeta a Internet. Colaboramos para este espetáculo de &#8220;nudismo&#8221; do parlamento que vai encaminhar para o &#8220;expurgo&#8221; dos dinossauros políticos, que serão substituídos por políticos muito mais arrojados e realmente comprometidos com a sociedade e com o melhor futuro para a nossa nação. Os dinossauros políticos perceberam isto, por esta razão tentam medidas inócuas de censura a Internet nas próximas eleições. Mas não adianta mais, a janela da oportunidade já foi aberta, e agora não há mais como fechá-la.</p>
<p><strong> Como você imagina a Internet brasileira daqui a 10 anos?</strong></p>
<div id="attachment_4618" class="wp-caption alignleft" style="width: 196px"><a href="http://www.flickr.com/photos/ayfugita/3229315885/"><img class="size-full wp-image-4618  " title="João Carlos Caribé no Campus Party 2008" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/3229315885_6be0588136.jpg" alt="João Carlos Caribé no Campus Party 2008. Foto por Alexandre Fugita." width="186" height="330" /></a><p class="wp-caption-text">João Carlos Caribé no Campus Party 2008. Foto por Alexandre Fugita.</p></div>
<p>É um belo exercício de imaginação. Não dá para fazer uma projeção só, temos de estabelecer cenários, vou criar dois: Um se a liberdade na web prevalecer e outro se o vigilantismo se estabelecer.</p>
<p>Em termos gerais, acredito que em 10 anos não teremos mais a Internet que conhecemos, o acesso será gratuito e de qualquer dispositivo, redes interconectadas aumentarão a densidade e capilaridade da Internet. Viveremos dentro dela, nosso carro, nossa geladeira, fogões, sapatos, privadas, luminárias, eletrodomésticos, tudo estará conectado. Carregaremos dados em nosso corpo que poderão ser acessados através de qualquer superfície provida de uma interface de virtualização, assim por exemplo uma tábua de carne poderá servir como computador, ou o parabrisa do seu carro.</p>
<p>Com tudo integrado assim saberemos que tipo de manutenção nosso carro necessita, antes mesmo que o problema ocorra, assim como poderemos consultar a geladeira de qualquer lugar para saber se tem queijos e vinhos em quantidade suficiente para receber os amigos que vão chegar para o jantar. Se não tiver, sem problemas a geladeira manda a lista para o supermercado mais barato e você só precisará autorizar a compra.</p>
<p>Mecanismos <em>open source</em> de segurança garantirão que esta transação entre os dispositivos e você sejam seguras e invioláveis. Quem apostou na web semântica, a &#8220;singularidade&#8221;  da Internet terá perdido a aposta. A <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Web_sem%C3%A2ntica">web semântica</a>, onde <em>scripts</em> iriam conectar e até produzir conteúdo a partir de conteúdos existentes se mostrou mecanizada demais, existirá mas não será excludente. O processo criativo e o tom humano da Internet continuará pleno, pessoas querem falar com pessoas, lembra o antigo <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Cluetrain_Manifesto"><em>Manifesto Cluetrain</em></a> [en].</p>
<p>No entanto, se o vigilantismo se estabelecer, será nas pontas da web; E como a Internet é um mundo de pontas, vai entender este controle como um defeito e irá roteá-lo, auxiliado por pessoas que criarão a reação. Assim uma luta inócua do vigilantismo contra a sociedade conectada se dará sempre com um vencendor anunciado: a sociedade conectada. Acho pouco provável que o vigilantismo se estabeleça, países que estão reagindo com pouca intensidade à tentativa de controle da Internet irão perceber que &#8220;dormiram no ponto&#8221; e reagirão com mais intensidade. Assim como na China o controle é impossível, no resto do mundo também será.</p>
<p>Desta forma a sociedade conectada elegerá seus representantes com mais critério, desmontará estruturas que se beneficiam do controle, e teremos passado por um pesadelo da história. Um pesadelo onde as corporações, a mídia golpista e políticos corruptos e/ou comprometidos com este poder tentavam manter a sociedade alienada e sob controle. Aos poucos o <em>establishment</em> se tornará uma utopia e teremos conseguido um mundo melhor.</p>
<p><strong>O que você diria para convencer uma pessoa que não acredita no &#8220;poder&#8221; dos blogs?</strong></p>
<p>Acho mais adequado falar do poder da sociedade conectada. Tem gente que ainda acredita que o computador é uma máquina alienante, que afeta os relacionamentos sociais e que &#8220;<em>viola</em> criancinhas&#8221;. As pessoas podem ser livres para acreditar no que elas quiserem, tem muita gente que acredita nas &#8220;boas intenções&#8221; do AI5 digital, em Papai Noel, Coelho da Pascoa e até mesmo no Neo-liberalismo. Lidar com estes sistemas de crenças envolve não só em mostrar uma outra opção como também desmontar as crenças e valores de quem se deseja convencer. Quanto mais conservador for este interlocutor, mais dificil será esta tarefa.</p>
<p>Veja que até hoje o Senador Eduardo Azeredo fala que as críticas ao AI5 digital são bobagem, que é fruto de uma interpretação equivocada. Ele parece acreditar ainda em um sistema intelectual vertical, e parece não fazer a menor ideia do que seja a Inteligência Coletiva, ou sistema intelectual horizontal e distribuído. Como poderei convencer uma pessoa assim do poder da sociedade conectada? Acho que já convencemos, ele é que ainda não se deu conta, e nem vai perceber, ou será que irá perceber isto nas próximas eleições?</p>
<p>&#8211;</p>
<p>Sendo uma influente figura no ciberativismo brasileiro, Caribé inspira muitos blogueiros novatos no Brasil. Na medida em que vários projetos de leis, decisões judiciais e leis que tentam censurar a Internet se tornam cada vez mais frequentes na nação, pessoas como ele são mais que bem-vindas. Estas pessoas são necessárias para manter o espírito da democracia na Internet como um direito humano, não apenas uma falácia financiada por políticos controversos e meios de comunicação enganadores.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>América Latina: O rápido aumento da desertificação</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/09/america-latina-o-rapido-aumento-da-desertificacao/</link>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 13:57:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Casaes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A desertificação está silenciosamente, mas rapidamente, espalhando-se por todo o mundo e a América Latina não escapa de seus efeitos devastadores.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/belen-bogado/">Belen Bogado</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/diegocasaes/'>Diego Casaes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/11/04/latin-america-the-rapid-spread-of-desertification/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>O termo &#8220;desertificação&#8221; soa parecido com &#8220;deserto&#8221;, mas há uma diferença fundamental entre ambos: enquanto os desertos são algumas das formações maravilhosas da natureza, a desertificação é um processo de degradação das terras após terem sido afetadas pelas mudanças climáticas, por atividades humanas e forças naturais até eventualmente se tornarem desertos.</p>
<div id="attachment_4975" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><img class="size-full wp-image-4975" title="desertification" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/11/desertification.jpg" alt="Foto por Macnolete e usada sob uma licença Creative Commons." width="400" height="258" /><p class="wp-caption-text">Foto por Macnolete e usada sob uma licença Creative Commons.</p></div>
<p>Apesar da influência das mudanças climáticas na desertificação ainda não ser completamente compreendida, de acordo com o <em>GreenFacts</em> [en], sabe-se que <a href="http://www.greenfacts.org/en/desertification/index.htm">altas temperaturas resultantes do aumento do nível de dióxido de carbono podem ter um impacto negativo através da crescente perda d&#39;água do solo e da redução de chuvas em terras áridas</a>. Ao mesmo tempo, a desertificação contribui para as mudanças climáticas na medida em que libera na atmosfera o carbono mantido na vegetação de terras áridas e no solo.</p>
<p>A desertificação está causando danos em todos os lugares. Neste exato momento, está destruindo colheitas, aumentando o preço dos alimentos que ainda restam, e em algumas áreas, animais estão morrendo. Pessoas também estão sendo levadas de suas casas, como o blogueiro Miguel Angel Alvarado de El Salvador <a href="http://www.ecoportal.net/content/view/full/61308/">explica com a situação da residência presidencial precisar ter sido movida por causa da desertificação</a> [es]:</p>
<blockquote><p>El traslado de casa presidencial, del Barrio san Jacinto al local en donde estaba el Ministerio de Relaciones exteriores, según informes extrajudiciales, obedece a la prevención del ejecutivo ante un posible hundimiento del suelo generado por cárcavas en este sector.</p></blockquote>
<div class="translation">De acordo com documentos não-judiciais, a relocação da residência presidencial do bairro de San Jacinto para a área onde o Ministério de Relações Internacionais estava situado foi uma medida preventiva do setor executivo para evitar um possível desmoronamento do chão como consequência dos sulcos que se formaram na terra.</div>
<p>O continente mais afetado é a África, e isto pode ser visto especialmente no Quênia, onde a parte mais suscetível aos efeitos da desertificação são jovens garotas. Quando o reservatório de água se esgota no orfanato de Dago Dala Hera, ao oeste do Quênia, mães voluntárias e crianças têm de retirar água suja de um rio próximo ao local para cozinhar e beber. <a href="http://us.oneworld.net/article/367320-africa-famine-deepens-drought-worst-decades">&#8220;Ir ao rio sozinhas tarde da noite tornam as garotas mais vulneráveis a homens que podem abusá-las sexualmente,&#8221;</a> [en] disse Edwin Odoyo, cuja mãe Pamela fundou o orfanato.</p>
<p>Apesar da desertificação ter seu maior impacto na África, as condições ambientais da América Latina também estão sob transformações significativas, como discutido recentemente em Buenos Aires, Argentina, na Nona Sessão da Conferência da Convenção das Nações Unidas para Combater a Desertificação. O perito italiano Massimo Candelori, representante da Convenção para Combater a Desertificação <a href="http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=esp&amp;idnews=3422">disse em uma entrevista para a Tierramerica</a> que a situação na América Latina é preocupante, considerando-se que não há informações suficientes sobre o escopo da desertificação na região. &#8220;Não temos dados atuais. Uma das metas discutidas durante a nona sessão foi a de obter indicadores que nos permitam compreender melhor a situação&#8230; os últimos dados que temos datam de 10 anos atrás&#8221; disse Candelori.</p>
<p>Em países da América Latina onde a agricultura e criação de gado são alguns dos maiores setores da economia, a desertificação pode ser um predador silencioso, entretanto terrível. Pelo menos <a href="http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=eng&amp;idnews=3207">25% do território regional</a> já está em degradação e a população está cada vez mais se preocupando com este assunto, como se vê em diversos blogs.</p>
<p><em>Eco Briefings</em>, um blog brasileiro, aponta que a <a href="http://ecobriefings.com/2009/10/05/desertificao/">população na região nordeste está testemunhando uma expansão alarmante da desertificação</a>:</p>
<blockquote><p>Mais um alerta está ligado. Temos pouco tempo para corrigir as coisas. (…)</p>
<p>No Brasil a desertificação tem avançado na caatinga, e zonas do polígono da seca no Nordeste e Norte de Minas Gerais, e também em Estados que antes não tinham áreas secas ou desertificadas como o Rio Grande do Sul. O Rio Amazonas viveu já uma grande seca a pouco tempo, grande com mortandade de peixes.</p></blockquote>
<p>A Argentina também possui diversas áreas afetadas. Na região de Valles Aridos, ao nordeste, onde a maior atividade econômica é a criação de ovelhas, estipula-se que <a href="http://www.inta.gov.ar/salta/info/documentos/Desertificaci%C3%B3n.pdf">durante os últimos 100 anos pelo menos 180 mil pessoas emigraram [es] (formado .pdf)</a>. O sul do país também não escapou da desertificação. O blogueiro Ailen Romero comenta no blog <em>Geoperspectivas</em> [es] <a href="http://geoperspectivas.blogspot.com/2009/06/dia-mundial-de-la-desertificacion-2009.html">que na região da Patagônia as ações do governo para combater a desertificação não são suficientes</a>:</p>
<blockquote><p>En la Patagonia, la amplitud del problema es de tal magnitud que ha comenzado a adquirir estado público. Pocos ignoran el tema, pero pocos tienen la posibilidad de actuar de alguna forma o con el conocimiento para hacerlo. El problema de la desertificación en el caso de la Patagonia supera a los planes que se han elaborado para combatirlo. Es por eso que no deben ahorrarse esfuerzos, ni limitar la imaginación de soluciones alternativas.”Si la geografía es la manifestación de la sociedad en el espacio físico, un espacio físico deteriorado refleja una sociedad deteriorada” afirman del Valle y Coronato(investigadores del Centro Nacional Patagónico)</p></blockquote>
<div class="translation">Na Patagônia, a magnitude do problema é tão ampla ao ponto de o público em geral perceber a situação. Poucas pessoas ignoram o problema e somente algumas têm a chance ou o conhecimento para tomar ações a respeito. O problema da desertificação na Patagônia supera os planos que foram elaborados para combatê-lo. É por isso que os esforços não podem ser tímidos, nem se deve limitar a imaginação para se pensar em soluções alternativas. &#8220;Se a geografia é a manifestação da sociedade no espaço físico, um espaço físico deteriorado é a reflexão de uma sociedade deteriorada&#8221;, afirmam Valle e Coronato (pesquisadores do Centro Nacional da Patagônia).</div>
<p>No Chile, onde <a href="http://www.conaf.cl/?seccion_id=8ad00d8dd61d22aa152575a1e5c08e58&amp;unidad=0&amp;PHPSESSID=db19e79870c9e01418e62b8576a26daf">62% do território nacional já é afetado pela desertificação</a> [es], o blogueiro Alfredo Erlwein expressou preocupação no blog <em>El Ciudadano</em> a respeito do <a href="http://www.elciudadano.cl/2009/03/26/desertificacion-y-sequia-el-gran-problema-ambiental-de-chile-y-el-mundo/">pouco conhecimento dos cidadãos sobre este problema</a> [es].</p>
<blockquote><p>Efectivamente la desertificación es el problema ambiental más grave de Chile y muy poco conocido. Existen grandes zonas, como en la costa de la octava región, donde la erosión severa supera el 50% de la superficie: esto es que literalmente más de la mitad de los suelos se ha perdido por completo. En esas zonas se encuentran cárcavas de más de 50 metros de profundidad. Una tasa normal de formación de suelo puede ser de 0.2 cm por año, lo que evidencia la gravedad del asunto.</p></blockquote>
<div class="translation">De fato, a desertificação é o maior, embora menos conhecido, problema ambiental no Chile. Há enormes áreas, como as da costa da Região Oito, onde a erosão severa excede 50% da superfície: isto significa que mais da metade da terra foi perdida, literalmente. Nestas áreas há sulcos com mais de 50 metros de profundidade. A escala normal de formação da terra é de cerca de 0,2 centímetros por ano, o que comprova a gravidade da questão.</div>
<p>De acordo com o perito italiano Candelori, <a href="http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=eng&amp;idnews=3207">usar o solo no mercado de carbono ajudará a combater a desertificação</a>; isso pode ser decidido durante a conferência de Copenhague. A contagem regressiva para Copenhague começou, e o mundo espera por isso.</p>
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		<title>Vídeo: Vencedores de concurso da ONU se tornam Embaixadores Cidadãos</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Oct 2009 04:20:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Casaes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Trazemos neste post os 5 vencedores do Concurso da ONU, em que os participantes enviaram um vídeo afirmando o que diriam aos líderes mundiais se tivessem a oportunidade. Os 5 video-bloggers puderam mandar seu recado em pessoa na celebração do Dia da ONU em Nova Iorque.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/juliana-rincon-parra/">Juliana Rincón Parra</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/diegocasaes/'>Diego Casaes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/10/28/video-winners-of-un-contest-became-citizen-mbassadors/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="single">
<p>Trazemos neste post os 5 vencedores do Concurso da ONU, em que os participantes enviaram um vídeo afirmando o que diriam aos líderes mundiais se tivessem a oportunidade. Os 5 video-bloggers puderam mandar seu recado em pessoa na celebração do Dia da ONU em Nova Iorque.</p>
<p><a href="http://globalvoicesonline.org/2009/09/25/video-contest-citizen-embassadors-for-the-64th-un-day/">Em um post anterior</a> [en] anunciamos o concurso para Embaixador Cidadão da ONU, em que os video-bloggers teriam de gravar o que diriam aos Líderes Mundiais se tivessem a chance, a fim de ganhar a oportunidade de falar diretamente com o Secretário-Geral Ban Ki Moon no Dia da ONU, em 23 de outubro. Os vencedores foram selecionados e também notificados através do YouTube. Aqui está o <a href="http://www.youtube.com/watch?v=2z7vvvQrtAM">vídeo anunciando os escolhidos</a> no Canal das Nações Unidas:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="261" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/2z7vvvQrtAM&amp;hl=es&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="261" src="http://www.youtube.com/v/2z7vvvQrtAM&amp;hl=es&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Emily Troutman dos Estados Unidos, <a href="http://globalvoicesonline.org/2009/09/12/video-caring-about-congo/">a qual recentemente referenciamos</a> [en] em relação ao seu vídeo Congo Matters (O Congo é Importante), foi uma das vencedoras. Em seu <a href="http://www.youtube.com/watch?v=Zo3gydiUy64">vídeo-resposta à ONU</a>, ela fala sobre como os Líderes Mundiais deveriam se lembrar de que são responsáveis por mais de 6 bilhões de vidas de outros seres humanos, uma pessoa de cada vez:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="261" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/Zo3gydiUy64&amp;hl=es&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="261" src="http://www.youtube.com/v/Zo3gydiUy64&amp;hl=es&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=Fx9n1yVD2eE">Jeremy Walker do Canada</a> foi mais um outro vencedor, e pediu que a ONU provasse que ainda pode ajudar a resolver os problemas mundiais; para dar mais uma vez esperança àqueles que ainda querem acreditar que pode haver mudança:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="261" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/Fx9n1yVD2eE&amp;hl=es&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="261" src="http://www.youtube.com/v/Fx9n1yVD2eE&amp;hl=es&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=RR_toVxuuco">Breno Coelho do Brazil</a> enviou um vídeo respondendo o que precisa ser feito para fazer deste mundo um lugar melhor e mais seguro em que várias pessoas oferecem suas soluções: mais amor, menos cobiça, menos ódio:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="261" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/RR_toVxuuco&amp;hl=es&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="261" src="http://www.youtube.com/v/RR_toVxuuco&amp;hl=es&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=Xj532Q-iVmo">Maricarmen Ortega do Mexico</a> também incluiu as vozes de várias pessoas em seu vídeo, mas desta vez em vários idiomas:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="261" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/Xj532Q-iVmo&amp;hl=es&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="261" src="http://www.youtube.com/v/Xj532Q-iVmo&amp;hl=es&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=IUCR_f4E1l0">Kirsty Matthews do Canada</a> fez uma pequena mensagem, direta ao ponto: o que é preciso é igualdade, sustentabilidade e justiça para todos:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="261" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/IUCR_f4E1l0&amp;hl=es&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="261" src="http://www.youtube.com/v/IUCR_f4E1l0&amp;hl=es&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>A TV das Nações Unidos publicou um vídeo mostrando os 5 Embaixadores Cidadãos em Nova Iorque no Dia da ONU:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/PnIqALtOq6g&amp;hl=es&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/PnIqALtOq6g&amp;hl=es&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Parabéns a todos!!</p></div>
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		<title>Brasil: Entre a Democracia e a Dúvida</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/10/29/brasil-entre-a-democracia-e-a-duvida/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/10/29/brasil-entre-a-democracia-e-a-duvida/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 29 Oct 2009 18:16:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Casaes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Brasil aguarda sua primeira Conferência Nacional de Comunicação que sinalizará um grande passo inicial na democratização do sistema comunicacional do país.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/marta-cooper/">Marta Cooper</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/diegocasaes/'>Diego Casaes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/10/23/brazil-between-democracy-and-doubt/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="single">
<p>Desde o Fórum Mundial Social em Belém, em Janeiro deste ano, quando os meios de comunicação alternativos clamaram por informação progressiva e com pluralidade, iniciativas independentes online têm florescido no Brasil. Lado a lado com outros meios de comunicação já estabilizados, o <a href="http://www.midiaindependente.org/">Centro de Mídia Independente</a> possui coletivos com base nas maiores cidades brasileiras, a Web 2.0 hospeda incontáveis blogs, <a href="http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/parceiros.asp.">sites de notícias alternativos</a>, fóruns, interfaces, e o <a href="http://www.trezentos.blog.br/">ciberativismo</a> está tomando forma.</p>
<p>Estes exemplos estão se fortalecendo com encontros municipais e estaduais com a sociedade civil, organizações e acadêmicos em preparação para a primeira Conferência Nacional de Comunicação do Brasil, em dezembro. Intitulada &#8220;Comunicação: meios para a construção de direito e de cidadania na era digital&#8221;, a conferência sinaliza um grande passo na democratização do sistema de comunicação brasileiro.</p>
<p>Mas, apesar dos setores alternativos mostrarem tendências democráticas, a mídia brasileira é bastante conhecida por sua alta <a href="http://www.opendemocracy.net/media-globalmediaownership/article_64.jsp">concentração</a> [en] nas mãos de menos de dez famílias. Não sendo novidade, portanto, aqueles que lutam pela democratização da mídia têm numerosas propostas, incluindo o fortalecimento do serviço público de televisão e radiodifusão, afinando a ilusória estrutura de regulamentação, e expandindo o programa de inclusão digital do ex-Ministro da Cultura Gilberto Gil e investindo mais em setores e comunidades alternativas.</p>
<p style="text-align: center;"><img title="conferencia_comunicacao2-300x220" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/conferencia_comunicacao2-300x220.jpg" alt="conferencia_comunicacao2-300x220" width="300" height="220" /></p>
<p>A blogosfera permanece dividida sobre qual proposta é mais importante. Vários blogs feministas, por exemplo, recordam que o regulamento, monitoração, e revisão da lei de imprensa são fundamentais. Estes itens podem também denotar responsabilidade no que tante o controle social, o qual, para a blogueira <em><a href="http://terribili.blogspot.com/2009/05/tal-de-lei-de-imprensa-por-uma.html">Alessandra Terribili</a></em>,</p>
<blockquote><p>É garantir que eles não podem dizer o que querem, reforçar esteriótipos, legitimar preconceitos, seduzir pelo consumo, informar pela metade, esconder uma parte… não podem fazer isso impunemente.</p></blockquote>
<p>Mas para o site de ciberativismo <a href="http://www.trezentos.blog.br/?p=3025"><em>Trezentos</em></a>, a inclusão digital permanece algo de suma importância. Suas propostas vão além da expansão de banda larga e infraestrutura de conectividade pelo país e também enfatizam os <em>direitos digitais</em> dos cidadãos:</p>
<blockquote><p>“Todos os brasileiros têm o direito ao acesso à Internet sem distinção de renda, classe, credo, raça, cor, opção sexual, sem discriminação física ou cultural […] Todo cidadão tem direito de acessar informações públicas em sites da Internet sem discriminação de sistema operacional, navegador ou plataforma computacional utilizada. Toda pessoa tem o direito a escrever em blogs e participar de redes sociais com seu nome, com codinome ou anonimamente.”</p></blockquote>
<p>O quão longe tais propostas possam vir a se tornar efetivas, dado as eleições presidenciais em 2010, é discutível. Além disso, a comunicação não é amplamente reconhecida como um direito humano, e veículos alternativos raramente se mobilizam coletivamente. A gradativa inclusão digital do Brasil de 34% com acesso a Internet, sendo 5% apenas se beneficiando de banda larga, também se opõe como um rígido contraste aos 98% da população que assistem à TV. Por mais contra-hegemônica que seja a luta para a democratização da comunicação, essa luta é, no final das contas, ofuscada pela mídia de massa monopolista.</p>
<p>Embora a conferência possa ver mais envolvimento público na criação de políticas e um papel mais ativo e conjunto por parte dos representantes de mídias alternativas e atores da <a href="http://www.intervozes.org.br/">sociedade civil</a>, tanto a mídia brasileira quanto a democracia em si são frágeis e em processo de amadurecimento. Mas é essencial que ambas se fortaleçam juntas. Para o blogueiro <a href="http://pablojus.blogspot.com/2009/10/midia-brasileira-esta-cega-e-servico.html"><em>Pablo Pedroso</em></a>:</p>
<blockquote><p>“Parte do esforço para a profunda transformação socioeconômica do Brasil, passa pela democratização dos meios de comunicação.”</p></blockquote>
<p>Portanto, a Conferência é somente o primeiro passo para um longo &#8220;trabalho de formiguinha&#8221; que o Brasil enfrenta em seu desenvolvimento democrático. Teremos de simplesmente esperar e ver o quanto tecnologias convergentes resultam em interesses convergentes.</p></div>
]]></content:encoded>
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		<title>Posts em Português no Blog Action Day 2009</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/10/16/posts-em-portugues-no-blog-action-day-2009/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/10/16/posts-em-portugues-no-blog-action-day-2009/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 16 Oct 2009 13:23:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Casaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Brazil]]></category>
		<category><![CDATA[Cyber-Ativismo]]></category>
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		<description><![CDATA[Blogueiros lusófonos de vários países se juntaram aos blogueiros mundiais no Blog Action Day 2009 para alcançar sua audiência e sensibilizá-la sobre as mudanças climáticas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/diego-casaes/">Diego Casaes</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/diegocasaes/'>Diego Casaes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/10/16/post-in-portuguese-on-blog-action-day-09/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p><a href="http://www.blogactionday.org"><img class="alignright" style="border: 0pt none;" src="http://www.blogactionday.org/imgs/badges/bad-180-150.jpg" border="0" alt="" width="180" height="150" /></a>Ontem foi o <a href="http://www.blogactionday.org/">Blog Action Day</a> [en], o evento anual em que blogueiros <a href="http://globalvoicesonline.org/2009/10/15/reading-the-world-on-blog-action-day/">de todo o mundo se reúnem</a> [en] para sensibilizar as pessoas sobre uma causa. O tópico desse ano são as mudanças climáticas, especialmente planejado dado a realização da <a href="http://en.cop15.dk/">Conferência Climática da ONU</a> [en] em dezembro deste ano na cidade de Copenhague. Blogueiros lusófonos estavam ansiosos por semanas para o evento e agora publicaram diversos posts contribuindo para a causa.</p>
<p>Os blogueiros brasileiros em <a href="http://essetalmeioambiente.wordpress.com/"><em>Esse Tal de Meio Ambiente</em></a>, <em><a href="http://malmg.blogspot.com/">Minas Ambiente</a></em> e <em><a href="http://coisasdesp.blogspot.com/">Coisas de Sampa</a></em>, por exemplo, criaram um post-padrão para aquelas pessoas que não teriam tempo para criar seus próprios artigos para o Blog Action Day, mas que querem levar a seus leitores uma mensagem relevante. <a href="http://essetalmeioambiente.wordpress.com/2009/10/13/blog-action-day-um-dia-sem-sacola-plastica/">Eles também lançaram a campanha</a> &#8220;Um dia sem sacola plástica&#8221;:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;">Você imagina o que acontece com as sacolas plásticas que pegamos nos supermercados para acondicionar nossas compras, quando as jogamos no lixo?</p>
<p style="text-align: left;">Algumas vão direto para aterros sanitários, onde levam mais de 300 anos para decompor. Outras, jogadas nas ruas, entopem bueiros e provocam enchentes nas áreas urbanas. Outra parte, ainda, é ingerida por milhares de espécies animais – em terra ou no mar – provocando-lhes asfixia e morte. As estimativas são de que, todos os anos, a ingestão de plásticos causa a morte de cerca de um milhão de aves marinhas, cem mil mamíferos e inumeráveis peixes.</p>
<p style="text-align: left;">Dia 15 de Outubro é o <em>Blog Action Day,</em> dia em que blogueiros de todo o mundo se juntam para mobilizar a sociedade em prol de uma causa. [..] nessa data um desafio é proposto: <strong>um dia sem sacola plástica.</strong> E aí? Vai ficar aí parado? Junte-se a nós. Mobilize. Faça parte desta ação.</p>
</blockquote>
<div id="attachment_101414" style="width: 415px;">
<div id="attachment_4690" class="wp-caption alignnone" style="width: 460px"><a href="http://www.flickr.com/photos/leoffreitas/1469376131/"><img class="size-full wp-image-4690 " title="1469376131_bef3a92e48" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/1469376131_bef3a92e48.jpg" alt="Queimadas na Amazônia. Foto por leoffreitas no Flickr. " width="450" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Queimadas na Amazônia. Foto por leoffreitas no Flickr. </p></div>
</div>
<p>A blogueira Aninha em <a href="http://odivadeeinstein.wordpress.com/"><em>O Divã de Einstein</em></a><em> </em>fundamentou seu post do Blog Action Day (<a href="http://search.twitter.com/search?q=BAD09">#BAD09</a>) no livro de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Burrhus_Frederic_Skinner">B F Skinner</a> <em>&#8220;O que há de errado com o coditiano no Ocidente?&#8221;</em>, descrevendo casos em que as pessoas não reagem às discussões sobre as mudanças climáticas porque não querem, e não necessariamente sofrerão o impacto do aquecimento global.</p>
<p>Ela <a href="http://odivadeeinstein.wordpress.com/2009/10/15/%E2%80%9Co-que-esta-errado-com-a-vida-cotidiana%E2%80%9D/">completa</a>:</p>
<blockquote><p>A solução está muito mais nas mãos dos que têm poder para mudar as regras do reforçamento do que na “vontade”, “consciência” ou “informação” dos indivíduos em particular, porque a situação requer uma mudança drástica e rápida dos comportamentos de muitas pessoas – ou melhor de TODAS as pessoas – ao mesmo tempo. Não temos tempo para esperar que o ambiente remodele os comportamentos, porque quando estiver quente pra dedéu, e todo mundo começar a se preocupar em fazer coisas que não aumentem ainda mais a temperatura, a coisa não terá mais como ser revertida. E é por isso que é tão importante pressionar os caras que têm o poder de mudar o ambiente imediato das pessoas: sobretaxando o uso de combustíveis fósseis, fazendo leis que diminuam a emissão de poluentes que aumentam o efeito estufa, investindo em produção de combustíveis alternativos e na mudança da matriz energética, educando a população para a diminuição do consumo, etc e talz.</p>
<p>É por isso que eu digo: Obama!! Já ganhou o Nobel, agora se mexe, meu filho!!!</p></blockquote>
<p>Por outro lado, os blogueiros em <a href="http://homensmodernos.wordpress.com/2009/10/15/blog-action-day-mudancas-climaticas/"><em>Homens Modernos</em></a> enfatizam que, embora a maior responsabilidade em relação ao Meio Ambiente esteja com os governantes, os cidadãos comuns <a href="http://homensmodernos.wordpress.com/2009/10/15/blog-action-day-mudancas-climaticas/">também podem fazer uma diferença</a>:</p>
<blockquote><p>Não preciso nem dizer que <a href="http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/meio_ambiente_brasil/clima/mudancas_climaticas/">mudança climática </a>não é somente uma lenda urbana mas sim uma realidade em progresso que pode (ou não) vir a ter consequências desastrosas pra nós se ficarmos sentados de braços e pernas cruzados sem nada fazer pra reverter ou amenizar o quadro. Sim, claro que uma fatia grande deste fazer cabe aos governos do mundo, mas isso não quer dizer que não possamos dar uma bela “contribuída” nessa. E nem que esta contribuição não vá fazer lá muita diferença, porque vai. Afinal as escolhas que a gente faz todo dia tem peso e com certeza vão refletir no futuro do planeta, para o bem ou para o mal do próprio. Portanto, pondere as suas <em>and take the green way as much as you can</em>.</p></blockquote>
<div style="width: 387px;">
<div id="attachment_4691" class="wp-caption alignnone" style="width: 387px"><a href="http://www.flickr.com/photos/starrynight1/3907365035/"><img class="size-full wp-image-4691" title="3907365035_c4f85dea1b" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/3907365035_c4f85dea1b.jpg" alt="Torre de Belém em Portugal rodeada por lixo. Foto por starrynight1 no Flickr." width="377" height="500" /></a><p class="wp-caption-text">Torre de Belém em Portugal rodeada por lixo. Foto por starrynight1 no Flickr.</p></div>
</div>
<p>O blogueiro e jornalista Wander Veroni do <a href="http://cafecomnoticias.blogspot.com/"><em>Café com Notícias</em></a> traz à discussão o papel do jornalismo no que tange as mudanças climáticas. Ele <a href="http://cafecomnoticias.blogspot.com/2009/10/blog-action-day-2009-previsao-do-tempo.html">diz que</a> atualmente a previsão do tempo e reportagens correlatas recebem mais atenção do que antes:</p>
<blockquote><p>Até bem pouco tempo, a previsão do tempo era tratada como uma editoria “menor” em boa parte dos noticiários. Coisa de menos de cinco anos atrás. Era muito comum apenas se noticiar a previsão do tempo do dia - ou no máximo do dia seguinte. Se acontecesse algo de mais importante no montante de notícias do dia, a previsão do tempo era a primeira a cair e não entrava no ar.</p>
<p>Hoje, vemos uma situação completamente diferente. Muitos veículos mantêm jornalistas apenas para cobrir fatos relativos ao tempo e temperatura no pais e no mundo. Além de render pauta constantemente, a editoria ouve especialistas e traduz termos técnicos importantes para que o público entenda o porque dos fenômenos meteorológicos interferirem no seu dia-dia.</p></blockquote>
<p>A blogueira  Daiane Santana do<em> <a href="http://vivoverde.com.br/">Vivo Verde</a></em> fez uma seleção de <a href="http://vivoverde.com.br/?p=1237">15 posts relacionados com as mudanças climáticas que foram discutidos em seu blog</a>. Ela está entre os blogueiros ambientalistas mais populares do Brasil. Como ela diz:</p>
<blockquote><p>Hoje é um dia bem especial para a blogosfera e principalmente para nós, blogueiros ambientais, que tratam dos assuntos voltados ao meio ambiente com o coração aberto para nossos leitores.</p></blockquote>
<p>Daiane também publicou um post no blog coletivo<em> <a href="http://www.nerdssomosnozes.com/">Nerds Somos Nozes</a></em> em que trouxe à tona a discussão acerca do lixo tóxico e seu impacto na sociedade. Ela apontou formas de como cada cidadão pode contribuir nessa luta:</p>
<blockquote><p>Quando  empresas de telefonia promovem campanhas de devolução/coleta de baterias , não pense você que  com esta ação a empresa está gerando apenas lucro para ela, lembre-se que o seu ato de depositar aquela bateria inutilizada e até a carcaça de seu celular que “você considerou” como lixo, poderá ter um destino qualificado e deixará de ser um fator de perigo para você e sua família.</p></blockquote>
<p>De Portugal, a blogueira Marta do blog  <a href="http://milvisoes.blogspot.com/"><em>Mil Visões</em></a> listou algumas dicas que o cidadão comum pode seguir para manter um estilo de vida mais amigável ao Meio Ambiente, <a href="http://milvisoes.blogspot.com/2009/10/blog-action-day-alteracoes-climaticas.html">completando</a>:</p>
<blockquote><p>Apontada como uma das grandes causas para as alterações climáticas, as emissões de gases poluentes para a atmosfera têm deixado os “Deuses loucos”! E a nós também. É por isso urgente todos intervirmos para que os nossos filhos, netos, bisnetos e por aí fora, possam usufruir de um planeta mais limpo e seguro.<br />
Se já se pode considerar lugar comum dizer-se que já se faz isto ou aquilo para combater estes fenómenos, muitos há que ainda acham que reciclar um pacote de leite não irá fazer a menor diferença. Mas faz, e muito! É a tal história do “grão a grão enche a galinha o papo”.</p></blockquote>
<p>Finalmente, Elisio Leonardo do blog <a href="http://infomoz.net/"><em>Informática Moçambique</em></a> publicou sua colaboração ao Blog Action Day. Ele <a href="http://infomoz.net/lang/en/blog-action-day-lets-heal-the-world/">diz</a>:</p>
<blockquote><p>É momento de pensarmos no futuro e mudarmos o nosso modo de vida, para fazer-mos da terra um lugar melhor. Michael Jackson disse isso no seu “Heal the World”,  e é exactamente o que o <a onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://www.blogactionday.org/');" rel="nofollow" href="http://www.blogactionday.org/" target="_blank">Blog Action Day</a> está a tentar mostrar.</p></blockquote>
<p>Muitos blogueiros de todas as partes do planeta têm contribuído para o Blog Action Day. Você pode seguir as atualizações a partir <a href="http://www.blogactionday.org/en/blogs">deste link</a> [en].</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/10/16/posts-em-portugues-no-blog-action-day-2009/feed/</wfw:commentRss>
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		</item>
		<item>
		<title>Brasil: A crise em Honduras alcança a embaixada brasileira</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/10/03/brasil-a-crise-de-honduras-alcanca-a-embaixada-brasileira/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/10/03/brasil-a-crise-de-honduras-alcanca-a-embaixada-brasileira/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 03 Oct 2009 23:50:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roger Franchini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Brazil]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[Governança]]></category>
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		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

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		<description><![CDATA[A crise de Honduras alcançou a Embaixada do Brasil em Tegucigalpa. Além dos jornais e TVs, os blogueiros brasileiros foram levados a discutir sobre política internacional na América do Sul.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/roger-franchini/">Roger Franchini</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/rogerfranchini/'>Roger Franchini</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/10/03/brazil-bloggers-on-international-politics-triggered-by-the-honduran-crisis/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Há muita <a href="http://globalvoicesonline.org/specialcoverage/honduras-political-crisis-2009/">discussão sobre o direito constitucional de depor o presidente de Honduras Manuel Zelaya </a>. A crise em si já virou manchete em vários países, e muitos blogueiros latino-americanos, entre eles os brasileiros, estão contribuindo para o debate sobre os eventos.</p>
<p>O Brasil envolveu-se em uma inusitada posição diplomática. Mesmo que até o momento não se tenham provas de sua participação efetiva para a origem da crise em Honduras, fato que é não se tem notícias de evento semelhante na história do direito internacional. A crise alcançou a Embaixada do Brasil em Tegucigalpa e motivou os blogueiros brasileiros a discutirem política internacional na América Latina e o papel do Brasil no decorrer destes eventos.</p>
<p style="text-align: center;">
<div id="attachment_4581" class="wp-caption aligncenter" style="width: 430px"><a href="http://twitpic.com/jrtoa"><img class="size-full wp-image-4581 " title="33210874" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/33210874.jpg" alt="Zelaya na Embaixada do Brasil. Imagem por @kattracho no Twitpic." width="420" height="306" /></a><p class="wp-caption-text">Zelaya na Embaixada do Brasil. Imagem por @kattracho no Twitpic.</p></div>
<p>Cesar Fonseca, do blog <em><a title="http://independenciasulamericana.com.br/" href="http://independenciasulamericana.com.br/">Indepêndencia Sul Americana</a></em>, descreve os eventos em Honduras como motivo de vergonha entre os países latinos, por pretender o poder com violência, amparado por forças militares e <a title="http://independenciasulamericana.com.br/?p=4306" href="http://independenciasulamericana.com.br/?p=4306">ao vazio da legislação</a>:</p>
<blockquote><p>Roberto Micheletti, presidente do Legislativo de Honduras, o Carlos Lacerda golpista hondurenho, errou o<em> time </em>histórico, ao aliar-se aos militares, para detonar governo constitucional de José Manuel Zelaya, que propôs referendo constitucional para respaldar nova Constituinte, que, entre outras determinações, suprimiria limite para mandatos presidenciais, como ocorre nas democracias européias.</p></blockquote>
<p>Para Bruno Kazuhiro, do blog <em><a title="http://perspectivapolitica.com.br/" href="http://perspectivapolitica.com.br/">Perspectiva Política</a></em>, se Zelaya errou ao macular os termos da constituição do país, <a title="http://perspectivapolitica.com.br/2009/06/29/entendendo-todo-o-momento-instavel-de-honduras-zelaya-e-micheletti/" href="http://perspectivapolitica.com.br/2009/06/29/entendendo-todo-o-momento-instavel-de-honduras-zelaya-e-micheletti/">erraram também</a> o congresso, as forças armadas e o judiciário, que o expulsaram do país sem o devido julgamento:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">O que o exército hondurenho fez foi muito errado no modo, mas não, na essência. Não deveria ter sido o exército a retirar Zelaya do poder, porém, aceita a renúncia deste pelo Congresso e nomeado o novo Presidente, Manuel Zelaya deveria sim, no fim das contas, deixar o governo. Melhor que tivesse sido voluntariamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Para os que me disserem que o povo hondurenho desejava mais um mandato do grupo de Zelaya, pergunto:</p>
<p style="text-align: justify;">Por que então Zelaya não indicou sucessor e respeitou a lei?</p>
</blockquote>
<div id="attachment_4585" class="wp-caption alignright" style="width: 250px"><a href="http://twitpic.com/jfy6q"><img class="size-medium wp-image-4585 " title="Imagem por @jeneffermelo no TwitPic" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/32656850-300x161.jpg" alt="Imagem por @jeneffermelo no TwitPic" width="240" height="129" /></a><p class="wp-caption-text">Imagem por @jeneffermelo no TwitPic</p></div>
<p>Em 22 de setembro, Zelaya conseguiu entrar clandestinamente em Honduras e alcançou a embaixada brasileira na cidade de Tegucigalpa, conseguindo abrigo, para si e outros 63 correligionários nas dependências do órgão de representação estrangeira. Imediatamente, o governo hondurense efetuou cerco ao prédio, restringiu o acesso ao local e impôs toque de recolher aos cidadãos. Houve corte de luz, energia elétrica e telefone ao prédio da missão diplomática brasileira.</p>
<p>A polêmica surge no fato de que Zelaya não pretende solicitar o asilo ao governo brasileiro, de acordo com sua <a title="http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1313949-5602,00-ZELAYA+DIZ+QUE+PEDIU+PROTECAO+AO+BRASIL+E+NAO+PRETENDE+PEDIR+ASILO+POLITICO.html" href="http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1313949-5602,00-ZELAYA+DIZ+QUE+PEDIU+PROTECAO+AO+BRASIL+E+NAO+PRETENDE+PEDIR+ASILO+POLITICO.html">entrevista à TV Globo</a>, e que sua estada na embaixada é uma forma de proteção e resistência para buscar apoio político. Com essa intenção, coloca o Brasil em delicada posição, pois o país abrigou perseguido político que não pretende asilo, mas angariar forças para o enfrentamento de quem o destituiu.</p>
<p>O blog <em><a href="http://movimentoordemvigilia.blogspot.com/">Movimento Ordem Vigília Contra a Corrupção</a></em> acredita que a entrada de Zelaya na embaixada brasileira foi diretamente patrocinada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chavez, e <a title="http://movimentoordemvigilia.blogspot.com/2009/09/foi-chavez-quem-decidiu-fazer-da.html" href="http://movimentoordemvigilia.blogspot.com/2009/09/foi-chavez-quem-decidiu-fazer-da.html">demonstra incoerências que apontam para algumas supostas mentiras</a> ditas pelos personagens principais:</p>
<blockquote><p>A diplomacia terceiro-mundista tupiniquim inovou, em matéria de Direito Internacional, criando a figura do perseguido que pretende ENTRAR e não SAIR. Costuma-se conceder asilo para aquele que tenta sair do país, perseguido pelo seu governo, e Zelaya, ao contrário, entrou no país com uma súcia de 60 simpatizantes, o que desfigura a individualidade do asilo. Pior: Zelaya está usando o prédio diplomático como “bunker” da guerrilha para conclamar seus desordeiros e convulsionar as forças de ordem do país.</p></blockquote>
<p>Chavez, aliás, é uma figura recorrente nas tentativas de Zelaya à Honduras. Ele próprio <a title="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/09/090923_chavez_zelaya_viagem_cj_np.shtml" href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/09/090923_chavez_zelaya_viagem_cj_np.shtml">confessou à rede BBC</a> que sabia da volta de Zelaya à Honduras, e que ajudou o presidente deposto ao despistar as autoridades. Mas nem todos os blogueiros aceitam a tese de influência chavizta no movimento. Para Leandro Fortes, do blog <em><a title="http://brasiliaeuvi.wordpress.com/" href="http://brasiliaeuvi.wordpress.com/">Brasília, eu vi</a></em>, essa teoria é a bola da vez da imprensa América Latina, e o ponto fraco da grande mídia. Ele acredita que os recentes movimentos de esquerda são tratados de modo superficial e pasteurizada, <a title="http://brasiliaeuvi.wordpress.com/2009/09/26/sem-olhos-em-tegucigalpa/" href="http://brasiliaeuvi.wordpress.com/2009/09/26/sem-olhos-em-tegucigalpa/">ignorando suas nuances regionais</a>:</p>
<div>
<blockquote><p>O jornalismo está abandonando, aos poucos, por motivos inconfessáveis, a valorização das personagens como elemento de narrativa. Emblemático é o caso de Honduras, um catalisador profundo das intenções de setores da imprensa cada vez mais perfilados em bloco sobre um ensaiado viés chavista (a nova panacéia editorial do continente) aplicado ao noticiário toda vez que um movimento de esquerda se insinua sobre velhos latifúndios – físicos e imateriais. Para tal, recorre-se cada vez mais a malabarismos de linguagem para se referir ao golpe militar que derrubou o presidente constitucionalmente eleito Manuel Zelaya.</p>
<p>Por conta disso, o governo golpista passou a ser chamado, aqui e acolá, de “governo de fato”, uma solução patética encontrada por alguns veículos para se referir a uma administração firmada na fraude eleitoral e na usurpação pura e simples de poder. Há, ainda, quem se refira à quadrilha de Roberto Micheleti como “governo interino”, o que só pode ser piada.</p></blockquote>
</div>
<div id="attachment_4532" class="wp-caption alignright" style="width: 280px"><a href="http://www.flickr.com/photos/vredeseilanden/3947309844/"><img class="size-full wp-image-4532  " title="protest-brazil-embassy" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/09/protest-brazil-embassy.jpg" alt="Protesto em frente à embaixada do Brasil em Honduras. Foto por vredeseilanden no Flickr." width="270" height="203" /></a><p class="wp-caption-text">Protesto em frente à embaixada do Brasil em Honduras. Foto por vredeseilanden no Flickr.</p></div>
<p>Cogitou-se a possibilidade da participação do governo brasileiro em promover a volta de Zelaya, até agora não confirmada, e veementemente negada por Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores, conforme constou em entrevista ao jornal O <a title="http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,amorim-nega-que-brasil-tenha-dado-asilo-a-zelaya,438683,0.htm" href="http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,amorim-nega-que-brasil-tenha-dado-asilo-a-zelaya,438683,0.htm">Estado de São Paulo</a>. Segundo Amorim, o Brasil só aceitou a entrada de Zelaya em suas dependências em respeito às regras internacionais de asilo político. Formalmente, o governo brasileiro defende a volta pacífica de Zelaya à presidência da república e a realizações das eleições. <em>Luis Nassif</em>, em seu <a title="http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/" href="http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/">blog homônimo</a>, notou apreensão nos comentários do Ministro ao ser entrevistado pela rede CNN, enfatizando que a mudança de paradigmas na posição política mundial obriga o Brasil a <a title="http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/09/23/a-entrevista-de-amorim-na-cnn/" href="http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/09/23/a-entrevista-de-amorim-na-cnn/">uma postura mais segura:</a></p>
<blockquote><p>Mesmo que seja verdade (como disse Amorim) que o Brasil foi pego e surpresa no episódio (pedido de abrigo de Zelaya) um país que deseja se firmar como <em>global player</em> tem que estar preparado, não só para “surpresas” dsse tipo, como para assumir, sem hesitação ou insegurança, sua condição de protagonista, particularmente nas questões de politica continental. Para o bem ou para o mal.</p>
<p>Bom, espero que pelo menos a insegurança demonstrada por Amorim, (inegável na minha percepção) sirva de aprendizado.</p></blockquote>
<p>Gabriel Purcelli, do blog <em><a title="http://desabafopais.blogspot.com/2009/09/zelaya-e-aposta-ousada-de-lula.html" href="http://desabafopais.blogspot.com/2009/09/zelaya-e-aposta-ousada-de-lula.html">Desabafo Brasil</a></em>, sustenta que a conduta do governo brasileiro reafirma sua posição de líder regional. A guarida do chamado “presidente constitucional” Zelaya , face aos desmandos do “presidente de fato”, Micheletti, é medida que, indiretamente, preenche a queda de influência estadunidense na América Latina:</p>
<p><em> </em></p>
<blockquote><p>A jogada brasileira, na qual já estão publicamente envolvidos o chanceler Celso Amorim e o próprio presidente Lula, e para a qual estão utilizando a caixa de ressonância da Assembléia Geral da ONU, em Nova York, deve ser vista à luz da inquietação provocada em Brasília pela remobilização da IV Frota dos Estados Unidos no Atlântico Sul e a presença desse país em bases militares colombianas. Convencidos de que esses movimentos se destinam a contrabalançar sua força como potência emergente, os brasileiros não deixarão passar a oportunidade de se projetar, reafirmando-a.</p></blockquote>
<p><em><a href="http://tsavkko.blogspot.com/">Raphael Garcia Tsavkko</a></em> segue a mesma linha de raciocínio e aponta fatos interessantes em relação a participação do Brasil na resolução deste conflito. Ele <a href="http://tsavkko.blogspot.com/2009/09/os-especialistas-do-atraso-e-nova.html">argumenta</a>:</p>
<blockquote><p>O Brasil não sai prejudicado, na verdade foi forçado - a contragosto talvez - a mostrar porque é ou quer ser o líder da América Latina. Não mais o papo de que é mas ações concretas. Resolvendo ou ajudando a resolver o conflito no país o Brasil sai fortalecido como nunca, sai com mais força para pleitear a vaga permanente no Conselho de Segurança - que conta já com o apoio entusiasmado de Sarkozy - e sai fortalecido no cenário internacional.</p></blockquote>
<p>Em 25 de setembro foi confirmada o ataque à missão diplomática com gases tóxicos, provocando tensão entre as pessoas que ali estavam, o que foi duramente <a title="http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u629609.shtml" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u629609.shtml">criticada pelo Conselho de Segurança da ONU</a>.</p>
<p>As restrições impostas à embaixada brasileira suscitam discussões, ressalvando o caráter soberano do país dentro dos limites do prédio. Apesar de muitos acreditarem que a representação diplomática de um país é território estrangeiro, o professor de Direito <em><a title="http://tuliovianna.wordpress.com/2009/09/24/embaixada-nao-e-territorio-estrangeiro/" href="http://tuliovianna.wordpress.com/2009/09/24/embaixada-nao-e-territorio-estrangeiro/">Túlio Vianna</a></em> ressalva que, apesar de não considerado tecnicamente como tal, o ataque a uma embaixada deve ser repudiada da mesma forma:</p>
<blockquote><p>A teoria atualmente dominante para legitimar as imunidades da Missão Diplomática é a “teoria do interesse da função”. Ainda segundo Celso Mello, estes privilégios e imunidades podem ser classificados em: inviolabilidade, imunidade de jurisidição civil e criminal e isenção fiscal (v2., nº511). Nas suas palavras:</p>
<p><em>“A inviolabilidade significa que nestes locais o Estado acreditado não pode exercer nenhum ato de coação (ex: ser invadido pela polícia), a não ser que haja o consentimento do chefe da Missão. Do mesmo modo, não pode ser efetuada uma citação dentro da Missão.”</em></p>
<p>Se os golpistas hondurenhos invadirem a embaixada brasileira em Honduras para capturar Zelaya, não estarão invadindo o território brasileiro, mas violando uma imunidade diplomática.</p>
<p>Pode ser tão grave quanto, mas não é a mesma coisa.</p></blockquote>
<p>O governo brasileiro afirma buscar uma solução pacífica para o impasse surgido na volta de Manuel Zelaya à Honduras. Mesmo porque a saída belicolosa é inviável, diante da gravíssima medida de envio de forças militares ao território de país estrangeiro. Ainda assim, os blogueiros continuam a discutir sobre o papel do Brasil na crise de Honduras.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Brasil: Inclusão sócio-digital por meio da Revolução das Lan Houses</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/09/29/brasil-inclusao-socio-digital-por-meio-da-revolucao-das-lan-houses/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/09/29/brasil-inclusao-socio-digital-por-meio-da-revolucao-das-lan-houses/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 29 Sep 2009 13:57:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paula Góes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Brazil]]></category>
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		<description><![CDATA[As mais pobres e mais excluídas populações do Brasil estão cada vez mais acessando a internet por meio de LAN - Local Area Networks. Mas será que a inclusão digital promovida pelas lan houses em todo o país afetam o desenvolvimento humano no país?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/paulagoes/">Paula Góes</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/paulagoes/'>Paula Góes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/09/28/brazil-socio-digital-inclusion-through-the-lan-house-revolution/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div>
<dl id="attachment_59160">
<dt><a href="http://www.flickr.com/photos/brunofernandes/198542622/"><img title="lan house in Brazil" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/198542622_ab105a61ab.jpg" alt="Bruno Fernandes, from Patos de Minas, Brazil. Photo available under a Creative Commons license." width="500" height="375" /></a> </dt>
<dd>Bruno Fernandes, de Patos de Minas, Brasil. Foto disponibilizada com uma licença da Creative Commons.</dd>
</dl>
</div>
<blockquote><p>Acredito que vocês devam está habituados em ver os pais  levarem e buscarem seus filhos em lan houses. Esta é uma locadora que  fica aqui na minha cidade, veja só a quantidade de bicicletas. Tinha  mais ainda do outro lado.</p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/brunofernandes/">Bruno Fer</a><a href="http://www.flickr.com/photos/brunofernandes/">nandes</a>, na legenda da foto acima</p></blockquote>
<p>A foto acima ilustra bem a &#8220;Revolução das Lan Houses&#8221; que acontece nesse exato momento no Brasil. Em todo o país, a maioria dos brasileiros hoje acessa a internet  por meio de Local Area Networks (LAN), uma tendência que no início era vista apenas nas vizinhanças mais abastadas do Brasil e que agora se transormou em fenômeno em comunidades mais carentes, onde computadores e conexão  banda larga são artigos fora do alcance da população. De acordo com Ronaldo Lemos, diretor do <a href="http://www.direitorio.fgv.br/cts/index.html">Centro de Tecnologia e Sociedade</a> da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV) no Rio de Janeiro,  &#8220;as lan-houses são locais de grande socialização, e têm ocupado um lugar importante nas favelas&#8221;. Seu artigo <a href="http://publius.cc/lan_houses_new_wave_digital_inclusion_brazil/091509">LAN Houses: A new wave of digital inclusion in Brazil</a> [Lan Houses: Uma nova onda de inclusão digital no Brasil, en] foi recentemente apresentado na <a href="http://cyber.law.harvard.edu/events/2009/09/idrc">Conferência da Universidade de Harvard</a><a href="http://cyber.law.harvard.edu/events/2009/09/idrc">: Comunicação e Desenvolvimento Humano</a> [en].</p>
<p><strong>Internet para todos?</strong></p>
<p>Há hoje no país mais de 90 mil lan houses, responsáveis por 50% dos  acessos à internet. Uma <a href="http://www.cetic.br/usuarios/tic/2008-total-brasil/rel-int-04.htm">pesquisa</a> publicada em 2008 pelo <a href="http://www.cgi.br/" target="_blank">Comitê Gestor da Internet no Brasil</a> (CGI.br) mostrou que 48% de todos os usuários que acessam a internet no Brasil o fazem em centros públicos de acesso pago, como lan houses. Quando se trata de pessoas das classes mais pobres, D e E, esse número salta para 79% -  um aumento de 60% em relação aos 48.08% de usuários em 2006.</p>
<p>Outra  <a href="http://info.abril.com.br/aberto/infonews/012009/20012009-41.shl">pesquisa</a> conduzida no início do ano pela TV Cultura em 27 lan houses espalhadas pela cidade de  São Paulo e contando com 376 entrevistas com usuários e propriétarios  revelou que cresce a presença de usuários das classes C e D. A amostra  indicou também que para 17% dos usuários, as lan houses são a única  forma de acesso à internet, a mesma proporção dos que têm acesso também  em casa (normalmente usuários que precisam acessar a internet quando  estão fora), 15% no trabalho e 12% na escola. Jogar videogames  é a atividade  principal para 42% dos entrevistados, mas uma proporção igual acessa  portais de cultura, notícia e entretenimento. Redes sociais,  especialmente o Orkut, e bate-papo online também são muito populares.  Além disso, as lan houses também são usadas para pesquisas diversas,  trabalhos escolares e busca de emprego.</p>
<p>Mas de que forma a inclusão digital promovida por lan houses em todo o país afeta o desenvolvimento humano no Brasil?</p>
<p><a href="http://blog-contexto-ufs.blogspot.com/2008/12/lan-house-uma-forma-de-melhorar-de-vida.html">Jeimy Remir</a>,  que entrevistou proprietários e usuários de lan houses, diz que elas melhoram a vida dos dois grupos, e têm mudado a cara  do país, principalmente nas áreas periféricas das grandes cidades.  De acordo com ele, a inclusão digital promovida pelas lan houses de fato afeta o desenvolvimento humano no Brasill:</p>
<blockquote><p>Fruto de criatividade e empreendedorismo, a construção  de uma lan house tem mudado a vida de seus proprietários. Geralmente  acopladas à casa de quem administra, as lan houses apresentam-se em  ambientes estilizados, muitas vezes estruturados nas garagens de  residências, com iluminação e decoração diferenciadas. [&#8230;] Outra  característica das lan houses é servir como espaços para encontro de  jovens, intencionados em fazer amizades, interagir e paquerar. Com as  ferramentas atuais da Comunicação, como msn, orkut e bate-papo, a  utilização desses espaços para semelhantes fins tem sido mais intensa e  confirma tais ambientes como um reflexo social. [&#8230;] Por isso, as lan  houses afirmam seu poder por servirem para a inclusão digital, dando  acesso à internet para pessoas de baixa renda, e confirmam com  singularidade suas inclinações: fonte de renda para quem administra e  ponto de encontro para jovens.</p></blockquote>
<div>
<dl id="attachment_59165">
<dt><a href="http://www.flickr.com/photos/yasodara/2098609789/"><img title="2098609789_4d1f88010a-1" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/2098609789_4d1f88010a-1.jpg" alt="Photo by &lt;a title=" /></a> </dt>
<dd>Foto de <a href="http://www.flickr.com/photos/yasodara/">Yasodara</a> disponibilizada com uma licença da Creative Commons.</dd>
</dl>
</div>
<blockquote><p>Lan house, até aqui?</p>
<p>Lan House em Pirenópolis. Fica em frente ao Banco do Brasil.</p>
<p>Ah, o pogresso.</p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/yasodara/">Yasodara</a>, na legenda da foto acima, tirada em 2007. <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Piren%C3%B3polis">Pirenópolis</a> é uma pequena cidade de Goiás com apenas pouco mais de 20 mil habitantes.</p></blockquote>
<p><strong>Lutando contra preconceitos  e encarando obstáculos </strong></p>
<p>No entanto,  apesar da inclusão social que promovem, as lan houses são  vítimas de preconceito no Brasil. Uma notícia publicada em um grande portal na  internet que chamou recentemente a atenção foi o chamado à polícia por  parte de um proprietário de uma lan house para prender um cliente que  havia levado um pacote de fotos pornográficas de crianças de 6 a 8 anos para  distribuí-las pela rede. Segundo usuários, a forma como a notícia foi  divulgada pela imprensa deu a entender que lan houses são pontos de  encontro para pedófilos:</p>
<blockquote><p>O título da notícia que está sendo veiculada na internet ,e que com quase toda a certeza será veiculada pelos jornais, é <strong><em>Suposto pedófilo é preso em lan house com fotos de crianças</em></strong>, como você podem ver neste <a href="http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3645667-EI5030,00-Suposto+pedofilo+e+preso+em+lan+house+com+fotos+de+criancas.html">link do Terra</a> e neste outro de uma procura pelo tema no <a href="http://news.google.com.br/news?as_q=ped%C3%B3filo+lan+house&amp;svnum=10&amp;as_scoring=r&amp;um=1&amp;ned=pt-BR_br&amp;hl=pt-BR&amp;btnG=Pesquisa+Google&amp;as_epq=&amp;as_oq=&amp;as_eq=&amp;as_drrb=q&amp;as_qdr=&amp;as_mind=18&amp;as_minm=2&amp;as_maxd=20&amp;as_maxm=3&amp;as_nsrc=&amp;as_nloc=&amp;as_occt=any&amp;aq=f">Google News</a>. Quem fica com a fama, quem fica mal na foto é a Lan House. Antro de desmandos e desvirtuamento de caminho para adolescentes.</p>
<p>Não é este o <a href="http://batismodigital.blogspot.com/">quadro</a>.  As lan houses sofrem os mesmos riscos que qualquer outro setor da  economia enfrenta. Lans Houses, cybers cafés, telecentros e o que for,  têm um papel fudamental no processo de inclusão à infraestrutura da era  do conhecimento, da inclusão digital à inovação, como eles demonstram  nesta <a href="http://www.slideshare.net/rafaelmauricio/estatsticas-sobre-as-lan-houses-no-brasil#stats-bottom">apresentação</a> estatística do mercado brasileiro.</p></blockquote>
<p><a href="http://fiqueinteligente.com.br/o-preconceito-contra-lan-houses.html ">André Rubens</a> percebeu que esse preconceito é generalizado em todo o país ao  participar de uma reunião em dezembro passado com outros donos e  presidentes de associações de lan houses brasileiras. Segundo ele, foi  possível perceber que &#8220;parece que as pessoas acham que Lan House é algo  que prejudica a saúde e o bem estar do indivíduo&#8221;. Ele explica como  essa situação já foi pior, com o aumento rápido e considerável dessa  novidade no ramo dos negócios até então desconhecida:</p>
<blockquote><p>Tudo isso virou uma grande bomba, até que começaram a  aparecer novos dados que mostram que somos responsáveis pela inclusão  digital no país e que jogos eletrônicos fazem BEM SIM para a formação  da criança e do adolescente INCLUSIVE aqueles considerados violentos e  principalmente as pessoas que nos atacavam receberam seu contrata  ataque devido e hoje nos respeitam! Nossa briga continua, argumentando  com as autoridades, rebatendo comentários estúpidos e fazendo novos  projetos vamos conquistar simpatia da sociedade e seremos reconhecidos  com grande importância na inclusão sócio-digital.</p></blockquote>
<div>
<dl id="attachment_59181">
<dt><a href="http://www.flickr.com/photos/cassimano/3087298458/"><img title="3087298458_2cc6e1dfbe" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/3087298458_2cc6e1dfbe.jpg" alt="Av. Paulista - São Paulo - Brasil. Photo by cassimano used under a Creative Commons license." width="500" height="334" /></a> </dt>
<dd>Av. Paulista - São Paulo - Brasil. Foto de cassimano disponibilizada com uma licença da Creative Commons.</dd>
</dl>
</div>
<p><span style="font-size: small;">Essa  reunião, que teve como objetivo entender e ajudar a solucionar os  principais problemas enfrentados pelas lan houses no Brasil, contou com <a href="http://blog.mozilla.com/brasil/2009/02/02/projeto-lan-house-de-sua-opiniao/">o apoio do projeto Mozilla</a>, que disponibilizou um <a href="https://wiki.mozilla.org/Community:LanHouse">wiki</a> para documentar a discussão e motivar que o debate continue de forma colaborativa, aberto a todos: </span></p>
<blockquote><p>Diversas questões foram tratadas, tais como a questão da  informalidade, as propostas de regulamentação para o setor, os  principais problemas técnicos enfrentados, sugestões de customização do  Firefox e as restrições ao uso de jogos. (&#8230;) A primeira fase do  Projeto Lan House consistiu exatamente em identificar quais eram os  problemas enfrentados e mapear as opções de como ajudar. Agora,  gostaríamos de saber a sua opinião sobre o que a Mozilla pode fazer  para ajudar as lan houses a levar inclusão digital para o Brasil de  maneira mais abrangente e melhor.</p></blockquote>
<p><strong>Controle estatal e difícil regulamentação </strong></p>
<p>Em entrevista no blog de <a href="http://ceilasantos.blogspot.com/2008/05/os-desafios-das-lan-house-no-brasil.html">Ceila Santos</a>, o diretor da <a href="http://www.abcid.com.br/index.html">ABCID (Associação Brasileira de Centros de Inclusão Digital</a> Rafael Maurício da Costa conta como novas e mais severas regulamentações podem forçar muitas lan houses a fechar as portas:</p>
<blockquote><p>Associou-se intensamente que lan house equivale à evasão  escolar. E deduziu-se que para combater a evasão escolar, basta  combater as lan houses. Como conseqüência disto produziu-se uma série  de leis pelo País que dificultam de sobremaneira a instalação formal do  negócio. O que acontece é que há uma demanda vertiginosamente crescente  pelo acesso à tecnologia, e ela produz a oferta que vemos, dessa forma,  como não há amparo na atuação legal a informalidade é majoritária. O  interessante é que é justamente nessa informalidade que predominam  todas as más praticas que a legislação pretende combater e como  conseqüência infeliz o aumento do número de pessoas formais que  encontram cada vez mais “cláusulas de barreira” à operação legal.</p></blockquote>
<p>Já existe regulamentações bem rígidas para  lan houses, e essas variam de acordo com o estado na qual se localizam. Em São Paulo, por exemplo, cada lan house deve manter uma database dos nomes e endereços dos usuários. No Paraná, um projeto de lei propõe que  <a href="http://0001coisas.blogspot.com/2009/06/lei-exigira-que-lan-house-filme.html">todas as pessoas assessando  computadores a partir de uma lan house sejam filmadas</a> e que os proprietários mantenham todas as gravações por dois anos. No estado do Amazonas, usuários menores de idade precisam de uma autorização por escrito de seus responsáveis para acessar um computador de lan houses. Um projeto de lei considera a  <a href="http://portalamazonia.globo.com/pscript/noticias/noticias.php?idN=93127">solicitação de identidade para todos os usuários</a>. <a href="http://kazuya-kun.com/2009/01/sobre-as-leis-de-regulamentao-de-lan.html">Luiz Rodrigo Silva de Souza</a>, um blogueiro de 14 anos que às vezes frequenta lan houses, comenta sobre a ineficácia dessas leis - talvez por estarem longe da realidade:</p>
<blockquote><p>Já deve ser a décima lei que fazem tentando regulamentar lan houses. Regulamentar não, proibir permitindo. Já tentaram <a href="http://forum.vscyber.com/viewtopic.php?f=41&amp;t=15647&amp;view=previous">proibir lan houses num raio de 1 km de escolas</a>, <a href="http://portalamazonia.globo.com/noticias.php?idN=58344&amp;idLingua=1">proibir as crianças de usar os computadores por mais de três horas seguidas e competições com prêmio em dinheiro</a>, e funcionou? (&#8230;)</p></blockquote>
<blockquote><p>O ideal é a criança estar na escola, não na lan house,  mas tirá-las de lá não é somente criar uma lei, se fosse assim, por que  também não cria uma lei que proíba crise econômica, cigarro e miguxês?  Está mas do que claro que estas medidas não vão tirar as crianças da  exploração e prostituição infantil, o máximo que vão conseguir é falir  as lan houses. Manter uma lan house legalizada em Manaus é inviável com  os <a href="http://kazuya-kun.com/2008/10/maldita-excluso-digital.html">custos de uma conexão banda larga por aqui</a>,  e com essas leis querem responsabilizá-las por um problema cujos  principais culpados são os responsáveis e a própria sociedade.</p></blockquote>
<div>
<dl id="attachment_98395" style="width: 410px;">
<dt><a href="http://baratasblog.blogspot.com/2008/12/melhor-lan-house-do-muundo.html"><img title="lan_house_humor" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/09/lan_house_humor.jpg" alt="In this upcoming lan house, the spelling has been adapted to 'lan rause' to help with the pronunciation in Portuguese" width="400" height="255" /></a> </dt>
<dd>Nessa lan house a ser inaugurada, a redação foi adaptada &#8220;lan  rause&#8221; para ajudar a pronúncia em português. Foto: Barata Blog</dd>
</dl>
</div>
<blockquote><p>Como podemos perceber, essa super &#8220;lan rause&#8221; ainda está passando  por reformas em seu prédio para que seja possível abrigar adequadamente  a grande multidão ansiosa para acessar internet de <span style="font-weight: bold;">1 Giga</span>!! Um espanto!! E ainda dizem que o Brasil é um país atrasado&#8230;</p>
<p><a href="http://baratasblog.blogspot.com/2008/12/melhor-lan-house-do-muundo.html">Barata Blog</a>, na legenda da foto acima</p></blockquote>
<p><strong>Inclusão social por meio de inclusão digital</strong></p>
<p>Existem mais de  90 mil lan houses no Brasil, ao mesmo tempo que o país conta com apenas <a href="http://globalvoicesonline.org/2009/09/23/harvard-forum-markets-mobiles-and-the-ability-to-make-culture/"> 2 mil cinemas e  2.600 livraria</a><a href="http://globalvoicesonline.org/2009/09/23/harvard-forum-markets-mobiles-and-the-ability-to-make-culture/">s</a> [en]. Será que elas podem vir a ser um lugar não apenas limitado aos videogames ou atualização do orkut, ou até <a href="http://publius.cc/lan_houses_new_wave_digital_inclusion_brazil/091509">cidadania e serviços a cidadãos online</a> [en]? A pedagoga Rita Guarezi diz que as Lan Houses já desempenham um <a href="http://imasters.uol.com.br/artigo/14286/elearning/lan_house_como_alternativa_de_inclusao_educacional/">papel crucial na difusão da Educação à Distância</a>:</p>
<blockquote><p>Espalhadas pelo Brasil inteiro, as lan houses ganham  expressão ainda mais relevante nas regiões mais carentes, norte e  nordeste, onde são registrados os maiores índices de evasão escolar do  país. [&#8230;] Dentro desta realidade de crescimento constante de usuários  da internet e das lan houses, a Educação à Distância pela Internet  (e-learning) vai se firmando como um instrumento de auxílio no combate  à evasão escolar entre jovens, oferecendo as mais variadas opções para  quem quer complementar seus estudos, reciclar e aprimorar  conhecimentos. [&#8230;] Por tudo isso, podemos visualizar a lan house como  um espaço também de estudo. Acreditamos que a EAD pela Internet no  Brasil está intimamente ligada ao futuro das lan houses e suas novas  nuances. E as perspectivas são extremamente promissoras.</p></blockquote>
<p>E podem também vir a ser um espaço para cultura. A escritora <a href="http://simonecampos.blogspot.com/2009/09/o-ismar-tirelli-fez-essa-entrevista.html">Simone Campos</a> tem um projeto: aproveitar a popularidade das Lan Houses para  tornar o Brasil um país de leitores. Um de seus futuros projetos é uma  ficção interativa, usando a linguagem do videogame, que é bem mais  familiar para novas gerações que do que a do livro, para fazer  literatura:</p>
<blockquote><p>A lan house é o novo rendez-vous. Eu simplesmente tenho  que aproveitar isso. Pretendo plantar um vírus que transforme a lan  house em biblioteca.</p></blockquote>
<p><a href="http://gilgiardelli.wordpress.com/2009/01/18/corujao/ ">Gil Giardelli</a> vislumbra uma revolução:</p>
<blockquote><p>Nas periferias das megalópoles, o cool são as sessões de  lan house corujão R$ 6,00 passa a noite lá e pela manhã tem um belo  café!</p>
<p>Os garotos se socializam, os pais ficam tranquilos, os educadores se  preocupam e os terapeutas certamente terao mais pacientes em um futuro  próximo!</p>
<p>50% dos conectados no Brasil, estão nas lan houses! Como será esta  revolucao? Garotos antenados? Garotos solitários? Garotos com a  educação diferenciada? Economia e educação coletiva elevada ao cubo? Um  nova humanidade?</p></blockquote>
<div id="attachment_98617"><a href="http://pralerblog.blogspot.com/2009/04/lan-house-como-ponto-de-encontro-ponto.html"><img title="05_iluca_lanhouse" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/09/05_iluca_lanhouse1.jpg" alt="'Lã Rause', in an even more Brazilian spelling. Photo from PraLer Blog." width="400" height="323" /></a></p>
<p>&#8220;Lã Rause&#8221;, escrito de uma forma ainda mais abrasileirada. Foto (ou montagem) do Blog PraLer.</p></div>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Brasil: A internet livre entrou mesmo no cenário eleitoral?</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/09/23/brasil-a-internet-livre-entrou-mesmo-no-cenario-eleitoral/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/09/23/brasil-a-internet-livre-entrou-mesmo-no-cenario-eleitoral/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 23 Sep 2009 21:14:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roger Franchini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Brazil]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
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		<description><![CDATA[Com a nova reforma eleitoral, o internauta solitário foi legalmente obrigado a se comportar como um empresário do setor das comunicações, impedido de analisar a postura de candidatos e o andamento das eleições, perdendo o direito à liberdade de expressão.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em> &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/rogerfranchini/'>Roger Franchini</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/09/23/brazil-has-a-free-internet-really-appeared-on-the-electoral-scene/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Depois de muita discussão, a <a title="Câmara dos Deputados" href="http://www2.camara.gov.br/">Câmara dos Deputados</a> e o <a href="http://www.senado.gov.br/sf/">Senado Federal</a> aprovaram neste mês o projeto de reforma da <a title="PL 5498/2009 na íntegra" href="http://www.camara.gov.br/sileg/integras/668202.pdf" target="&gt;5.498/2009&lt;/a&gt;, que altera diversos artigos da &lt;a title=">Lei 9.096/95</a> (lei eleitoral) e da Lei <a title="Lei 9.504/1997 na íntegra" href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9504compilado.htm">9.504/1997</a> (regulamentação das eleições), impondo novas regras para a campanha eleitoral de 2010, a maior do país, conhecida como &#8220;eleições gerais&#8221;, nas quais serão escolhidos o presidente da república, governadores de estados, parlamentares estaduais e federais.</p>
<p>Com a reforma, as regras que até então proibiam completamente a campanha eleitoral na internet mudaram - e algumas aberrações, sobretudo no tocante a blogs, foram postas em prática: agora, sites pessoais e de órgãos da mídia terão o mesmo tratamento jurídico, seguindo as mesmas regras de conduta e punição aplicadas a veículos tradicionais. Para que tenha vigência, será necessária a aprovação do presidente Lula, o que deverá ocorrer até o dia 2 de outubro.</p>
<p>Os partidos realizarão as campanhas de seus candidatos a partir de 5 de julho até a data da eleição, 3 de outubro de 2010. É durante esse período que atua a lei, regulamentando os meios de propaganda eleitoral, bem como as manifestações do eleitor por meio da internet. A Câmara federal, que se autointitula &#8220;A casa do povo&#8221;, divulgou por meio de seu <a title="Agência Câmara - ref. eleitoral" href="http://www2.camara.gov.br/internet/homeagencia/materias.html?pk=140134&amp;pesq=reforma">site oficial de notícias</a>, em letras garrafais que <em>&#8220;Câmara libera internet nas campanhas eleitorais&#8221;,</em> como se a utilização da web fosse uma dádiva concedida aos cidadãos pelos parlamentares. <a href="http://www.senado.gov.br/agencia/verNoticia.aspx?codNoticia=95443&amp;codAplicativo=2&amp;parametros=">Da mesma forma fez o Senado.</a></p>
<p>O <a title="Relatório CCJ e CCT na íntegra" href="http://www.estadao.com.br/especiais/2009/08/nac_plc141relatorio_final.pdf">relatório conjunto</a> da Comissão Justiça e Cidadania e da Comissão de Ciência Tecnologia e Inovação da câmara corroborou o entendimento do autor do projeto, <a title="Pag. pessoal do dep. Henrique Alves" href="http://www2.camara.gov.br/internet/proposicoes">o deputado federal Henrique Eduardo Alves</a>, e não vê objeções em igualar as manifestações de usuários independentes na internet, com as propagandas eleitorais no rádio, TV e mídia impressa.</p>
<p>Infelizmente, o parlamento nacional perdeu uma excelente oportunidade de demonstrar ser o respaldo da sociedade brasiliera, mas optou em corresponder apenas interesses eleitoreiros, em detrimento da ampla liberdade de expressão. Sobre esse aspecto, <em>Raphael Tsavkko</em> criticou duramente no blog <a title="http://www.trezentos.blog.br/" href="http://www.trezentos.blog.br/"><em>Trezentos</em></a> a falta de sensibilidade do parlamento brasileiro, aproximando a reforma eleitoral das leis impostas  ao povo pelo regime militar dos anos 70. <a href="http://www.trezentos.blog.br/?p=2909">Ele comenta</a>, destacando a contradição de que enquanto blogueiros não poderão se manifestar anonimamente, aqueles que doam dinheiro para campanhas eleitorais presevaram o direito de não revelarem suas identidades:</p>
<blockquote><p><em>Eles brigam, nós, o povo, perdemos.</em></p>
<p><em>A tentativa de colar a idéia desta censura à uma suposta moralização é inútil, soa ofensiva quando os políticos corruptos e com ficha suja continuarão a concorrer em total liberdade. Existe liberdade para a bandalha, para o roubo, mas não para a livre expressão! Nós, palhaços, ops, eleitores, para piorar, sequer podemos sabem quem financia nossos candidatos! A piada da doação oculta permanece. OS parlamentares tem medo de dizer a verdade, de mostrar de onde vem o dinheiro de suas campanhas e pra quem irão, efetivamente legislar. Para nós é que não é, disto já sabemos!</em></p></blockquote>
<p>O mesmo blog sugere o envio de e-mails em cadeia aos deputados responsáveis pela reforma, declarando a insatisfação com a medida restritiva de direito, listando para tanto seus endereços eletrônicos.</p>
<p>Por outro lado, as matérias surgidas na imprensa sobre a aprovação do projeto na última semana comprovaram que a sociedade não se lembra da característica ditatorial da Lei 9.504/1997, diploma legal que já havia equiparado internet e mídia convencional na mesma panela. Para refrescar a memória, esse marco da negativa das garantias individuais do brasileiro proíbe <em>&#8220;difundir opinião favorável ou contrária a candidato, partido, coligação, a seus órgãos representantes&#8221; </em>(Art. 45, inciso III)<em> </em>pela internet, sob pena de multa<strong><span style="color: #ff0000;"> </span></strong>de até R$ 100.000,00.</p>
<p>O projeto atual além de não não afastar a equiparação de blogs pessoais e páginas de usuários comuns à veículos de informação de massa, inclui outras restrições, como o debate e entrevistas com candidatos. Caso cometa esse crime, o internauta poderá sofrer sanções penais e multas que variam entre R$ 5.000,00 e R$ 30.000,00. Na interpretação dos deputados, todo mundo que se manifesta sobre algum candidato é um perigo iminente, devendo ser severamente vigiado. Além disso, se criticar um candidato, o blogueiro deve dar direito de resposta, o que causou estranheza a muitos internautas, dentre os quais Rogério Martins, do blog <a href="http://marginalconservador.blogspot.com/2009/09/censura-apresenta-suas-armas-sites.html"><em>Marginal Conservador</em></a>:</p>
<blockquote><p><em>A Câmara manteve a liberdade de blogs, redes sociais, sites e programas de mensagens instantâneas (até o msn </em><em>neguinho quer vigiar!), mas com ressalvas. Ressalvas um tanto inusitadas: o direito democrático de cada blogueiro em expressar sua opinião por um ou outro candidato está liberado, mas caberá o direito de resposta e a proibição do anonimato em artigos e reportagens.</em> [&#8230;] <em>Direito de resposta para blogs?!?! Ora, os blogs estão entre os meios mais democráticos da internet, pois o &#8220;direito de resposta&#8221; já é algo inerente a eles, na ideia dos comentários que qualquer leitor pode fazer após a leitura das postagens. É isso que torna a internet 2.0 única. Aqui, o leitor também tem vez: cada post tem espaço para comentários, elogios, críticas, &#8220;direitos de resposta&#8221; etc. E há também a flexibilidade: podemos sempre &#8220;corrigir&#8221; textos já escritos, acrecentando algo ou cortando eventuais tropeços.</em></p></blockquote>
<p>O medo dos parlamentares de perderem o controle sobre a livre manifestação do cidadão está expresso no artigo 57-D, inciso I, do projeto, que <strong>proíbe a realização de matérias que envolvam </strong>pesquisas eleitorais sobre a campanha e o candidato, que destacamos:</p>
<p>Art. 57-D - <em>É vedado aos provedores de conteúdo e de serviços multimídia</em>, <em>bem como às empresas de comunicação social na internet</em>, <em>nos conteúdos disponibilizados nas páginas eletrônicas:</em></p>
<p><em>I - transmitir, ainda que sob a forma de entrevista jornalística, imagens de realização de pesquisa ou qualquer outro tipo de consulta popular de natureza eleitoral em que seja possível identificar o entrevistado ou em que haja manipulação de dados;</em></p>
<p>Em outras palavras, <strong>além de serem proibidos de comentar sobre qualquer candidato, nenhum meio de comunicação online, incluindo blogs, poderá citar</strong> resultados de pesquisas, ainda que com conteúdo crítico ou jornalístico. No artigo que o internauta escrever não poderão constar o nome dos candidatos, seus partidos, coligações, imagens, vídeos ou outros meios que o identifique. Para Arturios Maximus, do blog <em><a title="http://www.visaopanoramica.com/" href="http://www.visaopanoramica.com/" target="_blank">Visão Panorâmica</a></em>, a conduta dos deputados revela o <a title="http://www.visaopanoramica.com/2009/09/04/a-sombra-a-escurido-e-o-medo-da-transparncia/" href="http://www.visaopanoramica.com/2009/09/04/a-sombra-a-escurido-e-o-medo-da-transparncia/">receio de terem suas vidas devastadas</a> com a verdade pessoal do internauta:</p>
<blockquote><p><em>A fantasia de honradez de hombridade e de progressividade longamente cultivada diante das lentes da televisão e dos gravadores de jornalistas subservientes e tolhidos por empresas dependentes de publicidade e de financiamentos públicos; de repente se torna a carantonha feia e asquerosa, corroída pela corrupção e por toda sorte de vícios e ilicitudes cometidos ao longo de décadas de dissimulação estudada, tolerada e incentivada. Do dia para a noite o “nobre senador” ou o “nobre deputado” vê sua verdadeira imagem de escroque oportunista exposta aos quatro ventos para quem quiser ver; bem ali, ao alcance de um simples clique do mouse.</em></p></blockquote>
<p>O  deputado federal <a title="Pág. dep. Flávio Dino" href="http://www2.camara.gov.br/deputados/index.html/loadFrame2.html">Flávio Dino</a>, co-autor do polêmico projeto, em entrevista para o jornal <a title="http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,especialistas-criticam-restricao-de-cobertura-eleitoral-na-web,428665,0.htm" href="http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,especialistas-criticam-restricao-de-cobertura-eleitoral-na-web,428665,0.htm">O Estado de São Paulo</a>, dá uma aula de retórica vazia, reconhecendo a igualdade entre internet, rádio e TV, mas ao mesmo tempo negando que tenha reconhecido, pois:</p>
<blockquote><p><em>&#8220;<strong>A internet não é igual a rádio e televisão, mas é também rádio, é também televisão</strong>. É também equivalente a jornal e a revista. Então, o regime jurídico tem que ser também misto, tem que ser também híbrido. A equiparação absoluta que nós fizemos foi apenas em relação aos debates. Ou seja, se é feito um debate em um portal comercial e em uma rede comercial de TV há que se observar as mesmas regras que são democráticas. São as regras de garantir voz para todos&#8221;.</em></p></blockquote>
<p>Marcelo Träsel, em seu <a title="http://trasel.com.br/blog/?p=237" href="http://trasel.com.br/blog/?p=237">blog</a> homônimo, faz uma análise dos problemas em se equiparar mídias tradicionalmente vinculadas ao mercado e os internautas inviduais, salientando que a natureza privada da internet não permite o mesmo modo de tratamento que canais de televisão, rádio e imprensa convencional:</p>
<blockquote><p><em>O maior problema é a comparação da Internet com rádio e televisão, completamente falaciosa. As regras para propaganda e jornalismo em rádio e televisão são mais restritivas por se tratarem de concessões públicas. A Internet não exige uma concessão para que qualquer pessoa ou instituição possa se manifestar, portanto não pode seguir as mesmas regras de rádio e televisão. Nas redes de computadores, os candidatos podem ocupar espaços livremente, sem depender da chancela de um jornalista ou empresário de comunicação. Assim, as possibilidades de manipulação por parte do poder econômico são muito menores — embora existam.</em></p></blockquote>
<p>O deserviço oferecido pelo legislativo à imprensa e a WEB 2.0 alcança proporções impensáveis para um século XXI livre de amarras ditatoriais. O internauta solitário foi legalmente obrigado a se comportar como um empresário do setor das comunicações, impedido de analisar a postura de candidatos e o andamento das eleições, cerceando-lhe o direito constitucionalmente garantido de expressar-se. Mais uma pá de terra sobre o frágil Estado Democrático de Direito brasileiro.</p>
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		<title>Brasil: Blogueiros discutem o racismo no país</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/09/16/brasil-blogueiros-discutem-o-racismo-no-pais/</link>
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		<pubDate>Wed, 16 Sep 2009 22:21:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Casaes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Seguindo as discussões trazidas semanas atrás com a história de um homem negro acusado de roubar seu próprio carro, Diego Casaes evidencia outros casos e as opiniões de blogueiros sobre discriminação racial.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/diego-casaes/">Diego Casaes</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/diegocasaes/'>Diego Casaes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/09/16/bloggers-on-why-racism-still-exist-in-brazil/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Há duas semanas, o Global Voices contou <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2009/09/01/brasil-negros-podem-dirigir-carros-de-luxo/">a história de Januário Alves de Santana</a>, um homem negro que foi espancado por seguranças de uma das maiores lojas de departamento internacionais no Brasil. Ele esperava por sua família no estacionamento do supermercado quando foi acusado de tentar roubar seu próprio carro, sob o argumento de que, por ser negro, ele não teria condições de possuir um carro de luxo.</p>
<p>O fato reacendeu o sempre polêmico e caloroso debate sobre o racismo no Brasil (siga <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2007/11/18/brasil-dia-da-consciencia-negra-e-o-debate-sobre-racismo/">este link</a> para um post anterior do Global Voices sobre esse assunto) e inspirou muitos posts em blogs, a maioria dos quais repudiando o pensamento da classe média de que o racismo não existe no país, e que os problemas das classes sociais são a verdadeira razão para casos como os de Januário.</p>
<p>Em 11 de setembro, estudantes e funcionários da Universidade de São Paulo, onde Januário Alves de Santana trabalha, reuniram-se para discutir como o racismo está presente no cotidiano. A mesa redonda &#8220;Racismo, Violência e Globalização&#8221; denunciou: &#8220;Carrefour agride negro brasileiro: eis o ano da França no Brasil&#8221;. O blog <em>Pão e Rosas</em> <a href="http://nucleopaoerosas.blogspot.com/2009/09/grande-debate-na-usp-diz-nao-ao-racismo.html">nos traz</a> fotos do evento e comentários:</p>
<blockquote><p>Todas as falas enfatizaram que o caso não é isolado, mas expressa sim como o racismo ainda é uma marca profunda da sociedade em que vivemos. Nós do Pão e Rosas nos colocamos de pé, ao lado de Januário e todos os negros e negras que sofrem com o racismo e a violência policial. Do mesmo modo, nos colocamos ao lado dos moradores das favelas que têm se manifestado contra a repressão da polícia , como em Heliópolis na semana passada. A realidade impõe que nos levantemos!</p></blockquote>
<div class="mceTemp mceIEcenter">
<dl id="attachment_95948" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px;">
<dt><img title="O discurso de Januário durante o debate na USP." src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/09/janu%C3%A1rio-usp.jpg" alt="Januário's speech in the meeting at USP" width="300" height="400" /> O discurso de Januário durante o debate na USP.</dt>
</dl>
</div>
<p><em><a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2009/08/07/alex-castro-um-blogueiro-liberal-libertario-e-libertino/">Alex Castro</a></em>, do blog <em><a href="http://www.interney.net/blogs/lll/">Liberal, Libertário e Libertino</a></em>, <a href="http://www.interney.net/blogs/lll/2009/09/06/o_problema_do_brasil_e_a_falta_de_confli/">fala sobre</a> a questão do racismo meticulosamente e aponta um fato alarmante no que tange a historicidade racial do Brasil ao dizer que o problema é, na verdade, que a sociedade é vazia de conflitos raciais:</p>
<blockquote><p>No Brasil, nunca houve leis racistas proibindo negros de ingressarem em restaurantes, hotéis, tribunais porque a própria estrutura socioeconômica perversa já era garantia mais do que suficiente de que negros somente entrariam nesses ambientes pra varrer o chão e servir café. O Brasil é tão arraigadamente racista que nunca nem precisou de leis racistas para manter seus negros em posição totalmente inferiorizada.</p></blockquote>
<p>Seu post também foi divulgado no blog da Rachel Glickhouse, o <em><a href="http://riogringa.typepad.com/my_weblog/">Adventures of a Gringa</a></em> [en], e <a href="http://riogringa.typepad.com/my_weblog/2009/09/guest-post-racial-conflict-in-brazil-or-rather-the-lack-thereof.html#more">alguns leitores responderam às suas indagações</a>. Por exemplo, <em>Roger Penguino</em> <a href="http://riogringa.typepad.com/my_weblog/2009/09/guest-post-racial-conflict-in-brazil-or-rather-the-lack-thereof.html?cid=6a00e008ca9cc688340120a55c2f64970b#comment-6a00e008ca9cc688340120a55c2f64970b">comentou</a>:</p>
<blockquote><p>Para aqueles que sempre pensaram que no Brasil não ocorre problemas raciais, aqui encontra-se um ponto de partida para nova reflexão sobre a realidade. Sempre ouvi de amigos Americanos que no Brasil “everyone just gets along” e sempre foi difícil explicar a complexa e sistemática institucionalização do racismo brasileiro. Muitos ao olharam para população brasileira dizem ver uma mistura racial maior que de outros grandes países, mas claro que deixam de perceber os milhares que lutam contra si mesmos porque nesta mistura aprenderam a odiar sua própria condição.</p></blockquote>
<p>Em junho deste ano, Lucrécia Paco, uma das maiores atrizes de Moçambique, que atuava em uma peça na cidade de São Paulo, sofreu racismo quando acidentalmente empurrou uma mulher branca na fila de uma agência de câmbio em um shopping. Leonardo Sakamoto do <em><a href="http://colunistas.ig.com.br/sakamoto/2009/06/21/entao-e-verdade-no-brasil-e-duro-ser-negro/">Blog do Sakamoto</a></em> e o blog <em><a href="http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/lucrecia-nunca-fui-tao-discriminada/">Viomundo</a></em> republicaram e comentaram a <a href="http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI78162-15228,00-ENTAO+E+VERDADE+NO+BRASIL+E+DURO+SER+NEGRO.html">notícia trazida a público pela Revista Época</a>.</p>
<p>Na ocasião, a mulher apontou Lucrécia como uma potencial assaltante, e gritou pela polícia da imigração. Lucrécia reagiu, e gritou para a mulher dizendo que muitos brasileiros vão morar em Moçambique, mas em vez de serem maltratados são recebidos de braços abertos. A jornalista <em>Eliane Brum</em>, que entrevistou Lucrécia Paco, relatou:</p>
<blockquote><p>Lucrécia não consegue esquecer. “Não pude dormir à noite, fiquei muito mal”, diz. “Comecei a ficar paranoica, a ver sinais de discriminação no restaurante, em todo o lugar que ia. E eu não quero isso pra mim.” Em seus 39 anos de vida dura, num país que foi colônia portuguesa até 1975 e, depois, devastado por 20 anos de guerra civil, Lucrécia nunca tinha passado por nada assim. “Eu nunca fui discriminada dessa maneira”, diz. “Dá uma dor na gente. ”</p></blockquote>
<p><em>Glória Cabo</em>, uma leitora do <em>Blog do Sakamoto</em> comentou a entrevista. Ela <a href="http://colunistas.ig.com.br/sakamoto/2009/06/21/entao-e-verdade-no-brasil-e-duro-ser-negro/#comment-50305">contou</a> seu próprio testemunho de família sobre o porquê dos brasileiros cultivarem o racismo:</p>
<blockquote><p>No Brasil não só é difícil ser negro, como também: nordestino, pobre, tatuado, gay, punk, feio. Nem as loiras escapam… Mas, de onde vem esse preconceito? E como acabar com ele? A origem do problema, no meu ponto de vista está nas nossas próprias origens. Somos descendentes de europeus preconceituosos, retrógrados e antiquados. Eu como filha de europeus, convivi com racismo explicito de meus pais, com comentários absurdos de que meu pai não queria ter um “negrinho” o chamando de avô. Eu mesma, confesso, que já tive pensamentos racistas. Mas, com a maturidade, analisei meus preconceitos e descobri que não eram meus, e sim uma herança pobre e sem sentido herdada de pais preconceituosos. Buscar a origem do racismo, analisar que diferenças são normais e necessárias, isso faria toda a diferença.</p></blockquote>
<p><em>Pedro Turambar </em>do blog <a href="http://www.ocrepusculo.com/"><em>O Crepúsculo</em></a> cita outro caso presenciado por ele mesmo enquanto fazia compras no Carrefour e que considera racismo. A funcionária da loja pediu a uma mulher negra que confirmasse que ela era a dona do cartão de crédito do qual usara para pagar por suas compras. Pedro sugeriu que a funcionária somente pediu a confirmação por causa da quantidade das compras que a mulher fez. A mulher negra era, na verdade, empregada doméstica, e sua empregadora, uma senhora branca que estava distante no momento, veio em direção à funcionária gritando &#8220;Isso é preconceito! Isso é discriminação racial!&#8221;. Ele <a href="http://www.ocrepusculo.com/2009/07/30/descriminacao-racial-no-carrefour/">diz</a>:</p>
<blockquote><p>O trabalho dela é perguntar e pedir a identidade. […]. DESDE QUE ELA FAÇA ISSO COM TODO MUNDO. Mas tanto você quanto eu, sabe que isso não acontece e não foi por isso que a moça pediu para a empregada provar que era titular do cartão</p></blockquote>
<p>E completa:</p>
<blockquote><p>Eu iria pagar a conta com o cartão de crédito do meu irmão e tinha certeza que o caixa não iria me perguntar se eu era o titular do cartão. Dito e feito. Paguei com um cartão de uma conta da qual não sou titular, mas como sou branco, gordinho, fofinho bonitinho, jamais pensariam que eu roubei o cartão para comprar meia dúzia de produtos de limpeza.</p>
<p>O melhor foi o medo que eu coloquei no caixa que me atendeu. Ele ironicamente e sarcasticamente comentava o fato, e quando o cara do casal de trás disse brincando “Eu não to pagando com meu cartão não em! e se você falar que não é meu eu subo aqui em cima e fico louco”, o caixa morreu de rir. Até que eu disse que o cartão que eu acabara de pagar não era meu. Disse isso rindo também, por isso ele achou que era brincadeira, até que eu fechei a cara e repeti “O cartão não é meu. Mesmo. Eu não me chamo Daniel.” Ele olhou para mim e viu que eu falava sério. Engoliu o riso e claramente ficou com medo. Eu apenas disse “A mulher tá certa. Certíssima em dizer que foi preconceito, porque foi.”, me despedi do casal – que olhava para mim com uma cara de júbilo – peguei as compras e fui embora.</p></blockquote>
<p>Finalmente, um comentário no post do <em>Alex Castro</em> é digno de nota. A leitora <em>Te</em> <a href="http://www.interney.net/blogs/lll/2009/09/06/o_problema_do_brasil_e_a_falta_de_confli/#c457372">claramente diz</a>:</p>
<blockquote><p>É mesmo, no Brasil faz falta uma Rosa Parks. […]</p></blockquote>
<p>A campanha <a href="http://www.dialogoscontraoracismo.org.br/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=16&amp;Itemid=34">Onde você guarda seu racismo?</a> apresenta vários depoimentos reais de racismo no Brasil. Foi produzida como uma campanha pública contra o racismo por <em><a href="http://www.dialogoscontraoracismo.org.br/">Diálogos contra o Racismo (pela igualdade racial)</a></em>, um grupo de mais de 40 organizações da sociedade civil dedicados à erradicação da pobreza e desigualdade e para estimular debates em escolas, bairros, escritórios, clubes e famílias sobre as relações raciais e como modificá-las.<br />
<iframe src="http://dotsub.com/media/b776ed76-5830-4359-a4f5-8e7290935609/e/m/por_br" frameborder="0" width="420" height="347"></iframe></p>
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		<title>Brasil: negros podem dirigir carros de luxo?</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Sep 2009 14:20:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Casaes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um homem negro é agredido no estacionamento de um supermercado em São Paulo, e os seguranças o acusam de planejar roubar seu próprio carro; isso motivou debates entre blogueiros sobre o mito da democracia racial no Brasil.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/diego-casaes/">Diego Casaes</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/diegocasaes/'>Diego Casaes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/09/01/brazil-can-black-people-drive-luxury-cars/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Nas últimas semanas de agosto, a discussão sobre o racismo e preconceito na sociedade brasileira foi trazida à tona por um evento que causou um sentimento de revolta por todo o país. Januário Alves de Santana, um homem negro de 39 anos foi espancado pelos seguranças de uma das maiores lojas de departamento no Brasil enquanto esperava por sua esposa e seus filhos no estacionamento. Ele foi acusado de tentar <a href="http://www.afropress.com/noticiasLer.asp?id=1965">roubar seu próprio carro</a>. Os seguranças alegaram que, sendo Januário um homem negro, ele não teria condições de possuir um Ford EcoSport.</p>
<div>
<dl id="attachment_93321" style="width: 409px;">
<dt>
<div id="attachment_4133" class="wp-caption aligncenter" style="width: 409px"><img class="size-full wp-image-4133 " title="&quot;Proibido para negros&quot; Por Juarez Silva Jr." src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/carro-ecosport-ford.gif" alt="Picture by Juarez Silva Jr." width="399" height="293" /><p class="wp-caption-text">&quot;Proibido para negros&quot; Por Juarez Silva Jr.</p></div>
</dt>
</dl>
</div>
<p>Rachel Glickhouse, em <a href="http://riogringa.typepad.com/my_weblog/"><em>Adventures of a Gringa</em></a> [Aventuras de uma Gringa, en], descreve precisamente o decorrer dos eventos do dia 07 de agosto como contado por Januário. Ela <a href="http://riogringa.typepad.com/my_weblog/2009/08/the-price-to-pay.html">diz</a>:</p>
<blockquote><p>Standing outside of the car, he noticed more suspicious men approaching him. Then one&#8211;who was actually a security guard&#8211;approached him and took out a gun. He attacked Januário without identifying himself, and Januário didn&#39;t know if it was a mugger or a cop. While they struggled, passersby called for help, and Januário thought he was saved. Several security guards from Carrefour approached, and he explained that it was a misunderstanding&#8211;he was not in fact trying to steal the motorcycle nearby. The security guards grabbed him and took him inside to a small room to &#8220;work out&#8221; what had happened. &#8220;So,&#8221; they said, &#8220;you stole an EcoSport and were trying to take a motorcycle, too?&#8221;</p>
<p>The five security guards then proceeded to beat Januário senseless, in what the original report called &#8220;a torture session,&#8221; hitting, punching, headbutting, and pistol-whipping him, knocking out his teeth and leaving him bleeding heavily. Januário says he tried to explain that the car was his, and that his baby daughter was inside while his family was shopping. His attackers ignored him. &#8220;Shut up, n*****. If you don&#39;t shut up, I&#39;ll break every bone in your body,&#8221; one of them yelled. They laughed when he insisted it was his car. The beating lasted around twenty minutes, before the police arrived.</p></blockquote>
<div class="translation">Esperando fora do carro, ele avistou mais homens suspeitos se aproximando. Então um dos homens - que na verdade eram seguranças - aproximaram-se dele e tiraram uma arma. Ele atacou Januário sem se identificar, e Januário não sabia se o tal homem era um ladrão ou um policial. Enquanto brigavam, pessoas que passavam por ali pediram ajuda, e Januário achou que ele estava salvo. Vários seguranças do Carrefour se aproximaram, e ele explicou o mal-entendido - que ele não tentou roubar a motocicleta próxima a ele. Os seguranças o agarraram e o levaram a uma pequena sala para &#8220;resolver&#8221; o que tinha acontecido. &#8220;Então&#8221;, eles disseram, &#8220;você roubou um EcoSport e tentou roubar uma motocicleta também?&#8221;</p>
<p>Os cinco seguranças então continuaram a golpear o Januário  sem sentido, o que o relatório original chamou de &#8220;sessão e tortura,&#8221; batendo, socando, cabeceando, e dando coronhadas nele, acertando seus dentes e o deixando sangrando bastante. Januário  disse que tentou explicar que o carro era seu, e que sua filha estava dentro do carro enquanto sua família fazia as compras. Os agressores o ignoraram. &#8220;Cale a boca, pr***. Se focê não calar a boca, vou quebrar todos os ossos do seu corpo,&#8221; um deles disse. Eles riram quando Januário insistiu que o carro era dele. O espancamento durou em torno de 20 minutos, antes da polícia chegar.</p></div>
<p>E continua a explicar, ao dizer que &#8220;a tortura ainda não tinha acabado&#8221;, até mesmo após a chegada da polícia:</p>
<blockquote><p>One of the military policemen, by the name of Pina, didn&#39;t buy Januário&#39;s &#8220;story.&#8221; &#8220;You look like you&#39;ve been in jail a couple of times. Come on, fess up, it&#39;s ok,&#8221; the police officer said. Another police officer didn&#39;t believe he was a security guard, and started quizzing him about security rules. Finally, the police went to Januário&#39;s car and confirmed it did in fact belong to him and his wife. His family was there, shocked to see him bleeding with cracked teeth, and his daughter was still asleep in the car.</p></blockquote>
<div class="translation">Um dos oficiais de polícia, conhecido como Pina, não acreditou na &#8220;história&#8221; do Januário. &#8220;Você deve ter duas passagens na cadeia. Vamos lá, confessa, ta?&#8221; o oficial disse. Um outro policial não acreditou que Januário era de fato segurança, e começou a questioná-lo sobre regras e segurança. Finalmente, os policiais foram até o carro de Januário e conformaram que, de fato, o carro pertence a ele e sua esposa. Sua família estava lá, chocada ao vê-lo sangrando com os dendes quebrados, e sua filha continuava dormindo no carro.</div>
<p>A polícia deixou Januário sem oferecer ajuda ou chamar uma ambulância. Ao ser levado ao hospital por sua família, Januário foi tratado por choques e lacerações. Desde então, ele já perdeu 8 kg, sofre de insônia, não pôde voltar ao trabalho, e, na última quinta-feira, foi operado para corrigir uma fratura óssea na face. A família registrou queixa com a polícia da região, e de acordo com a versão policial, seu espancamento foi consequência de um &#8220;tumulto&#8221; e &#8220;briga entre alguns clientes&#8221;. O Carrefour emitiu uma nota lamentando o mal-acontecido e dizendo que <a href="http://www.carrefour.com.br/Default.aspx?url=http%3A//www.carrefour.com.br/web/br/imprensa/noticias.aspx%3FID%3D835">vai cooperar com as investigações</a>. Januário planeja processar ambos, tanto o supermercado quando o Estado de São Paulo, e vender o carro que ainda paga as prestações de R$789, divididas em 72 vezes.</p>
<p>Na medida em que o caso obteve grande repercussão por todo o país, a maioria das pessoas simpatizou com Januário. O blog <em><a href="http://inblogs.com.br/censurado/">Censurado</a></em> aponta <a href="http://inblogs.com.br/censurado/outros/carrefour-o-mercado-do-racismo-intolerancia-e-assassinato">muitos outros casos</a> de preconceito contra negros cometidos pela segurança dessa mesma loja de departamentos, e ironicamente pergunta aos seus leitores:</p>
<blockquote><p>Queria um conselho dos meus leitores. Se um dia eu precisar comprar, sei lá, um shampoo no Carrefour, devo levar um amigo branco junto comigo?</p></blockquote>
<p><a href="http://mariafro.wordpress.com/"><em>Maria Frô</em></a> replicou a <a href="http://www.afropress.com/noticiasLer.asp?ID=1965">notícia original do AfroPress</a> em seu blog, adicionando um título diferente à notícia que parafraseia o livro &#8220;Não Somos Racistas&#8221; do jornalista Ali Kamel. O <a href="http://mariafro.wordpress.com/2009/08/16/e-nao-somos-racistas-segundo-o-kamel-so-quase-assassinos/">título do post é</a>:</p>
<blockquote><p>É, segundo Kamel, não somos racistas. Só quase assassinos.</p></blockquote>
<p>O blog <em><a href="http://nucleopaoerosas.blogspot.com/">Pão e Rosas</a></em> repudiou <a href="http://nucleopaoerosas.blogspot.com/2009/08/racismo-no-carrefour-nossas-vozes-nao_28.html">veementemente</a> o caso contestando o mito da democracia racial brasileira:</p>
<blockquote><p>Enquanto os discursos de intelectuais, políticos burgueses e dos meios de comunicação afirmam veemente “Não somos racistas”, vem à tona um caso escandaloso de como o racismo se reproduz nas formas mais violentas e repugnantes. Todo a falácia da democracia racial cai por terra frente a casos como este – e poderíamos listar tantos outros que ganharam repercussão e depois foram esquecidos, na maioria das vezes marcados pela impunidade.</p></blockquote>
<p>Juarez Silva Jr., do <em><a href="http://blogdojuarez.amazonida.com/wp/?p=267">Blog do Juarez</a></em>, segue essa linha de pensamento e também contesta o mito de que o Brasil das misturas culturais seja uma democracia racial pacífica:</p>
<blockquote><p>é verdade… , quando o negro sai do seu “esteriótipo  e ‘lugar’ social ” ele “paga o preço”, afinal se ele não tivesse um carro bacana, talvez nada disso tivesse acontecido não é mesmo ???? , cansado de ter problemas por sua situação social não condizer com o “esperado” pela sociedade, a vítima já pensa em vender o “carro problemático”  [&#8230;]<br />
Deus me livre de por as rodas do meu vistoso Adventure no estacionamento dessa rede…, BOICOTE JÁ.</p></blockquote>
<p style="text-align: center;">
<div id="attachment_4131" class="wp-caption aligncenter" style="width: 442px"><a href="http://twitpic.com/ewpts"><img class="size-full wp-image-4131 " title="Manifestação contra o racismo no estacionamento do Carrefour. Foto por @berlitz no Twitpic" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/25041088.jpg" alt="&quot;Racist Carrefour&quot;, a demonstration against racism on the cars' windows in the Carrefour's parking. Photo by @berlitz on Twitpic" width="432" height="288" /></a><p class="wp-caption-text">Manifestação contra o racismo no estacionamento do Carrefour. Foto por @berlitz no Twitpic</p></div>
<p>No <em><a href="http://www.geledes.org.br/">Geledés Instituto da Mulher Negra</a></em>, muitas pessoas <a href="http://www.geledes.org.br/sos-racismo/homem-negro-espancado-suspeito-de-roubar-o-proprio-carro.html">lamentaram essa notícia</a> e encheram a caixa de comentários com ideias de revolta. Por exemplo, Ayraon diz:</p>
<blockquote><p>Só no Brasil se acha que o racismo é velado. Velado nada! Só não vê quem não quer, ou seja, o povo brasileiro iludido por uma visão deturpada de si mesmo. &#8220;Somos mestiços!&#8221; diz um, &#8220;Não existe preto ou branco&#8221; diz outro na hora que esse preto inexistente diz sofrer racismo. Lá fora, quem conhece o Brasil, não consegue entender como esse país pode, por tanto tempo, esconder seu racismo doente. Aqui dentro, vivemos na insanidade coletiva: brancos acham que racismo não existe, que tá na cabeça dos pretos (que, segundo alguns pretos e brancos, não existem), negros dizem que o racismo brasileiro é &#8220;velado&#8221;; e muitos aceitam essa situação (alguns até dizendo nunca terem sofrido racismo, mesmo sendo alvo dele todo o dia). A história do bahiano me deixa triste , por que ela v ai se repetir, e se repetir, e se repetir sem que façamos nada. Ou iremos fazer algo?</p></blockquote>
<p>Respondendo à pergunta acima, as mobilizações<em> já começaram</em>. Houve uma manifestação em 22 de agosto e, de acordo com o Instituto Geledés, um <a href="http://www.geledes.org.br/destaques/racismo-nao-compre-onde-te-discriminam.html">protesto maior</a> contra o supermercado acontecerá em 5 de setembro.</p>
<p>A questão racial é muito complexa para países que já foram colônias de Estados desenvolvidos e assombrados pela escravidão; muito  preconceito permanece em suas sociedades contemporâneas. O Brasil é um lugar marcado pela escravidão violenta de negros africanos que durou mais de 300 anos e que foi, de certo modo, um braço do quadro econômico durante a era colonial. O racismo sempre esteve ligado à relações sociais no país. Os negros hoje herdaram este estigma social e sofrem racismo em vários aspectos do cotidiano. Mas isso é assunto para ser trabalhado mais detalhadamente em outro post.</p>
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		<title>Brasil: Fotos de um despejo revoltante</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/08/26/brasil-fotos-de-um-despejo-revoltante/</link>
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		<pubDate>Wed, 26 Aug 2009 19:17:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paula Góes</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Brazil]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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		<description><![CDATA[Publicado originalmente porPaula Góes  &#183; Traduzido por Paula Góes &#183;  
O Fotógrafo freelancer Anderson Barbosa tirou fotos arrepiantes do despejo de 800 famílias do assentamento Olga Benário, em São Paulo, em virtude de uma ordem judicial. A propriedade havia sido ocupada há dois anos por centenas de famílias que assistiram ao incêndio e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/paulagoes/">Paula Góes</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/paulagoes/'>Paula Góes</a> &middot; </em> 
<br /><p>O Fotógrafo freelancer <a href="http://www.flickr.com/photos/vidassemteto/sets/72157622016457473/">Anderson Barbosa tirou fotos arrepiantes do despejo</a> de 800 famílias do assentamento Olga Benário, em São Paulo, em virtude de uma ordem judicial. A propriedade havia sido ocupada há dois anos por centenas de famílias que assistiram ao incêndio e demolição de suas casas na última segunda-feira.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Brasil: Estudantes detidos por manifestarem no Senado</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Aug 2009 13:46:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Casaes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estudantes são detidos por manifestarem contra o presidente do Senado José Sarney e sofreram várias ameaças. Ouvimos as vozes da blogosfera sobre como a democracia brasileira está lentamente se acabando.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/diego-casaes/">Diego Casaes</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/diegocasaes/'>Diego Casaes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/08/25/brazil-students-held-for-demonstrating-in-the-senate/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="single">
<p>Democracia e liberdade de expressão estão lentamente sendo postos de lado no Brasil na medida em que sabemos de situações em que blogs são censurados e pessoas são detidas por manifestarem contra a corrupção. Em 19 de agosto, estudantes manifestando contra o presidente do Senado José Sarney foram detidos, mantidos por três horas em uma sala dentro do Senado e submetidos a várias acusações e ameaças. Neste vídeo, feito por Christiane Couto, uma das estudantes presas, manifestantes são vistos no Senado e os seguranças começam a agir contra eles:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/Wxh75vKppBo&amp;color1=0xd6d6d6&amp;color2=0xf0f0f0&amp;hl=en&amp;feature=player_embedded&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/Wxh75vKppBo&amp;color1=0xd6d6d6&amp;color2=0xf0f0f0&amp;hl=en&amp;feature=player_embedded&amp;fs=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<div>Os estudantes também reinvidicam terem sido ameaçados de serem demitidos e quase terem seus documentos detidos também. Vários senadores simpatizaram com a causa - assim como a deputada <a href="http://twitter.com/JaneteCapi">Janete Capiberibe</a> que insistiu em permanecer na sala junto com os manifestantes - e convenceram a segurança que eles deveriam ser libertados.<em><a href="http://www.andredutra.com/"></a></em></div>
<div><em><a href="http://www.andredutra.com/">André Dutra</a></em>, um dos manifestantes detidos, contextualiza a situação. Ele <a href="http://www.andredutra.com/2009/08/14/senado-federal-censura-ameaca-e-prisao-de-estudantes/">bloga</a>:</div>
<p><em><a href="http://www.andredutra.com/"></a></em></p>
<blockquote><p>Dentro do Senado, iniciamos nossa manifestação pacífica e logo fomos atacados pela truculenta segurança do Senado. Leões de chácara, resquício da ditadura, protegidos de Sarney. Foram em cima de nossos cartazes, torceram nossos pulsos, deram golpes sutis, acertaram mulheres, inclusive. Rasgaram tudo, mas não tiveram coragem de rasgar minha Constituição. Guardarei esse exemplar para sempre, memória de que ainda há um mínimo de respeito em meu país.</p></blockquote>
<p>O caso tem sido bastante popular na blogosfera brasileira e entre usuários de Twitter, uma vez que as mobilizações contra José Sarney crescem a cada mês. A situação atraiu a atenção de blogueiros celebridades, como o<em> <a href="http://marcelotas.blog.uol.com.br/">Marcelo TAS</a></em>, um nome conhecido na blogosfera brasileira e apresentador do programa <a href="http://www.band.com.br/cqc/">CQC (Custe O Que Custar)</a>, voltado ao jornalismo de humor. Ele <a href="http://marcelotas.blog.uol.com.br/arch2009-08-01_2009-08-15.html#2009_08-14_01_07_57-5886357-0">expressa</a> seus pensamentos sobre o caso:</p>
<blockquote><p>Afinal existe ou não liberdade de expressão no país? […] Este blog apóia a liberdade de expressão e acredita que essa gentalha só aprende na base da pressão. Fora Sarney, reforma política já e vamos preparar os corações e mentes para varrer esses vermes nas Eleições 2010!</p></blockquote>
<div id="attachment_92660" style="width: 442px;">
<div id="attachment_4060" class="wp-caption alignnone" style="width: 442px"><img class="size-full wp-image-4060 " title="forasarney_15ago" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/forasarney_15ago.jpg" alt="Um cartaz para o &quot;Fora Sarney! mostra algumas manifestações agendadas por todo o Brasil. fonte: Blog do Marcelo Tas" width="432" height="600" /><p class="wp-caption-text">Um cartaz para o &quot;Fora Sarney! mostra algumas manifestações agendadas por todo o Brasil. Fonte: Blog do Marcelo Tas</p></div>
</div>
<p>O blog da <em><a href="http://www.lucianacapiberibe.com/2009/08/16/perseguicao-politica-jornal-ligado-a-sarney-no-amapa-afirma-que-policia-do-senado-estaria-investigando-participacao-da-deputada-janete-em-ato-fora-sarney/">Luciana Capiberibe</a></em> publica um artigo sobre o modo com o qual a mídia local tratou o assunto. De acordo com A Gazeta, um jornal do Amapá, a polícia do Senado estaria supostamente investigando a participação da deputada Janete Capiberibe na organização do protesto, acusando-a de pagar R$ 40 aos estudantes para participarem da manifestação. A blogueira publica fotos das manchetes do jornal e adiciona uma legenda:</p>
<blockquote><p>Jornal A Gazeta, ligado a Sarney no Amapá, faz acusações infundadas</p></blockquote>
<p><em>Francis Pessoa</em> comentou no post do blog da Luciana Capiberibe acima, <a href="http://www.lucianacapiberibe.com/2009/08/16/perseguicao-politica-jornal-ligado-a-sarney-no-amapa-afirma-que-policia-do-senado-estaria-investigando-participacao-da-deputada-janete-em-ato-fora-sarney/#comment-5325">complementando</a>:</p>
<p><em> </em></p>
<blockquote><p>[…] Interessante como a “IMPRENSA” amapaense funciona. Algum tempo atrás, uns que nesse jornal está, faziam parte do outro jornaléco diário. Hoje eles estão do outro lado e dizem que este (jornaléco) é o melhor, o mais importante, o mais lido periódico do Amapá. Mentem. O jornaléco é doado para reciclagem na lixeira pública.<br />
Torço para que cada brasileiro tenha em casa um computador e INTERNET. Quando esse dia chegar, muito desses jornalécos pilantras irão sair de circulação e o cidadão terá acesso (democreticamente)as informações verdadeiras. E vocês, pilantras da “IMPRENSA” não terão mais vez…<br />
[…]<br />
Só faltava essa!!! Dirigentes do jornaléco, vocês pensam que somos idiótas? Estamos acompanhando tudo pela INTERNET, SITE’s, BLOG’s, TWITTER e por jornalista sérios de Belém do Pará, Brasília, São Paulo e outros. Mas o fim de vocês está próximo, não perdem por esperar…</p></blockquote>
<p>Manifestações pacíficas por justiça e liberdade de expressão e contra a corrupção no governo estão sendo considerados crimes no Brasil contemporâneo. <em><a href="http://tsavkko.blogspot.com/">Tsavkko - The Angry Brazilian</a></em> cita muitos casos relacionados em todo o país, e <a href="http://tsavkko.blogspot.com/2009/08/inocente-manipulacao-midiatica-e.html">ainda diz</a>:</p>
<blockquote><p>O que se vê é um processo - aparentemente irreversível - de criminalização e perseguição aos Movimentos Sociais, além de uma truculência absurda contra as liberdades do povo, contra o direito de protestar, reclamar e se manifestar. Abusos são constamentente cometidos pelas “forças de segurança”, privadas ou estatais, e nada nunca é feito.</p>
<p>A ditadura acabou quando mesmo?</p></blockquote>
<div id="attachment_91765" style="width: 334px; text-align: center;"><a href="http://www.twitpic.com/efobd"></a></div>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 334px"><a href="http://www.twitpic.com/efobd"><img class=" " title="André Dutra segurando um cartaz do &quot;Fora Sarney!&quot;" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/24245977.jpg" alt="André Dutra is seing holding a &quot;Get out Sarney!&quot; flyer." width="324" height="486" /></a><p class="wp-caption-text">André Dutra segurando um cartaz do &quot;Fora Sarney!&quot;</p></div>
<p style="text-align: center;">
</div>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Brasil: Sobre o significado de “minoria com complexo de maioria”</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/08/23/brasil-sobre-o-significado-de-minoria-com-complexo-de-maioria/</link>
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		<pubDate>Sun, 23 Aug 2009 21:10:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Deborah Goldemberg</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Brazil]]></category>
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		<category><![CDATA[Feature]]></category>
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		<description><![CDATA[Ao analisarmos a frase dita pelo senador Renan Calheiros no âmbito de sua discussão com o senador Tasso Jereissanti, vemos que sua popularidade se deve ao modo com o qual ela reforça a divergência duradoura entre o estado de São Paulo e o restante do Brasil. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/deborah-goldemberg/">Deborah Goldemberg</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/deborah-icamiaba/'>Deborah Goldemberg</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/08/23/brazil-on-the-meaning-of-minorities-with-a-majority-complex/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="attachment_3957" class="wp-caption alignright" style="width: 189px"><a href="http://humoralacarte.blogspot.com/2009/08/blog-post_07.html"><img class="size-medium wp-image-3957" title="Charge por Paulo Barbosa." src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/pbarbosa-255x300.jpg" alt="pbarbosa" width="179" height="210" /></a><p class="wp-caption-text">Charge por Paulo Barbosa.</p></div>
<p>Os políticos brasileiros, mesmo desacreditados como são, de vez em quando soltam frases fantásticas que, se não os redimem de suas negligências políticas e abusos de poder, fazem história ao instigar a população e ajudar o povo brasileiro a entender a si mesmo e como que, por conseqüência, esses cidadãos conseguiram chegar aos mais altos postos políticos do país.</p>
<p>Foi assim no caso do ex-Governador de São Paulo Cláudio Lembo (então membro do extinto PFL, Partido da Frente Liberal) que, em 2006, após os <a href="http://globalvoicesonline.org/2006/05/15/brazilian-gangs-wage-war-on-police/">ataques da facção criminosa PCC à cidade de São Paulo</a> [en], diagnosticou a violência no Estado de São Paulo como sendo culpa da “elite branca.” Ele, branco e rico, fez um <em>mea-culpa</em> acusatório: &#8220;Nós temos uma burguesia muito má, uma minoria branca muito perversa. A bolsa da burguesia vai ter que ser aberta para poder sustentar a miséria social brasileira no sentido de haver mais empregos, mais educação, mais solidariedade, mais diálogo e reciprocidade de situações.&#8221;</p>
<p>Na época, Fabio Marton em <em><a href="http://nottupy.blogspot.com/2009/04/alguem-se-lembra-de-claudio-lembo.html">Not Tupy</a></em> registrou o<em> status</em> adquirido por Cláudio Lembo com essa declaraçãoirônica:</p>
<blockquote><p>Eis o exemplo acabado de um homem que não revela cedo a que veio ao mundo. Lembo perseverou e esperou até os 72 anos, quando teve a oportunidade de dar sua contribuição definitiva, a que certamente o marcará na posteridade, pela qual o Brasil e os brasileiros com ele ficarão em dívida.</p></blockquote>
<div id="attachment_3960" class="wp-caption alignleft" style="width: 224px"><img class="size-medium wp-image-3960" title="Foto por Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/SENADOatphoto.2009-08-06-214x300.jpg" alt="Foto por Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr" width="214" height="300" /><p class="wp-caption-text">Foto por Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr</p></div>
<p>Na semana passada, foi a vez do senador Renan Calheiros (que em 2007 teve de renunciar à Presidência do Senado em meio a acusações da ex-amante e mãe de sua filha bastarda que, logo depois da crise, posou para a revista masculina Playboy) se perpetuar na história com uma frase marcante que tornou a crise política entorno das denúncias de corrupção contra o Presidente do Senado José Sarney mais emocionante do que a novela das oito. Em discussão com o senador Tasso Jereissati, várias acusações foram proferidas, e algumas refletem o nível do Senado brasileiro atualmente.</p>
<p>O blogueiro <a href="http://leandroprudencio.blogspot.com/2009/08/agora-vai-o-que-recebemos-do-senado-que.html"><em>Leandro Prudêncio</em></a> fez uma seleção da transcrição disponibilizada no Estadão Oline, versão para a web de um dos jornais que mais circulam no país, que contextualiza a &#8220;pérola&#8221; de Renan:</p>
<blockquote><p>Renan Calheiros: “A respeito da manifestação do senador Tasso Jereissati. Essas crises acontecem por isso, porque é a minoria com complexo de maioria&#8230;”</p>
<p>Tasso Jereissati: Que me desculpe senador Renan. Senador Renan, não aponte esse dedo sujo pra cima de mim! Não aponte esse dedo sujo pra cima de mim! Estou cansado de suas ameaças”</p>
<p>Renan:“Esse dedo sujo infelizmente é o de Vossa Excelência. São os dedos dos jatinhos que o Senado pagou”</p>
<p>Tasso: “Pelo menos era com meu dinheiro. O jato é meu, não é dos seus empreiteiros.</p>
<p>Renan: “O dinheiro é seu?”</p>
<p>Tasso: “É meu, é meu, é meu, é meu! Eu tenho pra falar, tá?</p>
<p>(Fora do microfone) Renan: Coronel…</p>
<p>Tasso: Eu, coronel? Cangaceiro, cangaceiro de terceira categoria…”.</p>
<p>Renan: “O senhor é coronel!” – Baixa o microfone e diz: “Seu merda” (relato dos senadores próximos a Renan)</p>
<p>Renan: “Você é minoria com complexo de maioria. Me respeite”</p></blockquote>
<p>Confira a cena no YouTube:<br />
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/yaWRmxdk5ak&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/yaWRmxdk5ak&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>“Minoria com complexo de maioria” foi a frase que ressoou pelos escritórios e bares de todo o país, assim como pela blogosfera, tornando-se um ditado popular instantâneo; mas o que exatamente a frase significa e porquê fez tanto sucesso? No contexto estrito em que foi dita, seu significado foi o de menosprezar a oposição do PSDB, visto que Renan, sendo um dos líderes do rolo compressor governista (PT e aliados) apóia a permanência de José Sarney - considerado um dos últimos “coronéis” na Presidência do Senado. O Global Voices já <a href="http://globalvoicesonline.org/2009/07/11/brazil-digital-mob-demands-the-senate-presidents-resignation/">discutiu</a> [en] manifestações contra o presidente do Senado José Sarney.</p>
<p>Os blogueiros que interpretaram a frase neste sentido restrito, a debateram de forma bastante crítica. No blog <em><a href="http://oqueestamosfazendo.blogspot.com/2009/08/minoria-com-complexo-de-maioria.html">O Que Estamos Fazendo?</a></em> foi dito:</p>
<blockquote><p>O que gerou a manifestação de Renan? A divergência. E olha que a oposição no Brasil é quase inexistente. Se sofre de algum complexo, é de inferioridade. Vive escondida, com medo de cumprir seu papel de&#8230;  oposição, como fazia o PT quando era minoria&#8230;</p>
<p>Então, se mesmo com uma oposição omissa o senador Calheiros disse o que disse, qual é o seu desejo? Se divergir, se exercer o papel de oposição significa ter &#8220;complexo de maioria&#8221;, o que deseja Calheiros?</p>
<p>Algumas hipóteses:</p>
<p>- Deseja que os congressistas da &#8220;minoria&#8221; recebam seus salários, mas não apareçam no congresso para encher o saco. Que fiquem em suas casas, em verdadeiras licenças remuneradas, como um bom funcionário fantasma nomeado por ato secreto;</p>
<p>- Deseja que os congressistas da &#8220;minoria&#8221; mudem de lado e migrem para a &#8220;maioria&#8221;, dando uma banana para seus eleitores tão logo assumam seus cargos;</p>
<p>- Deseja que os políticos da &#8220;minoria&#8221; sejam declarados inelegíveis, uma vez que somente a &#8220;maioria&#8221; deve possuir representação política na democracia de Renan.</p></blockquote>
<p>O blogueiro <em><a href="http://plunkplakzum.blogspot.com/2009/08/minoria-de-dentro-do-senado-pode-ser.html">PlunkPlakZum</a></em> levantou a mesma questão,  destacando os desafios do amadurecimento da democracia brasileira:</p>
<blockquote><p>Contudo, é fundamental considerar que o pensamento democrático brasileiro pode, por caminhos próprios, por vida própria, nem sempre estar em tudo representado pela maioria. Isso porque as relações político-partidárias necessariamente não representam por si só as idéias, ideologias e posições do povo. Tanto é que há até divergência entre partidos ou grupos de partidos. Também por isso é que se busca apoio político. Existe, sim, uma minoria que, por casualidade, pode representar a maioria sem voz que espera, do lado de fora do Senado, as deliberações dos senadores.</p>
<p>Portanto, antes de enxotar essa minoria de dentro do Senado como se fosse cão pequeno, examine-se se ela não faz coro com a vontade de uma maioria atenta que, do lado de fora do Senado, são brasileiros de voz e vez, ao menos em época de eleição.</p></blockquote>
<p>No entanto, foi no seu sentido mais amplo que a frase de Renan Calheiros ressoou fortemente e foi isso que muitos blogueiros captaram.</p>
<p>Um artigo escrito pelo jornalista agora independente, mas que antes trabalhou para boa parte dos canais de comunicação brasileiros, teve particular êxito, tendo sido replicado em vários outros blogs, inclusive em um blog dedicado à Ministra da Casa Civil: Dilma Roussef. <em><a href="http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=15712">Paulo Henrique Amorim</a></em> buscou responder à pergunta: Porque o PSDB, segundo Renan Calheiros, é “a minoria com complexo de maioria” da seguinte forma:</p>
<blockquote><p>Porque os tucanos – em que o peso de São Paulo é predominante – pensam que são melhores que os outros.</p>
<p>Porque os tucanos – e subsidiariamente sua linha auxiliar, os Demos – são mais ricos.</p>
<p>E terceiro, porque os Demo-tucanos controlam o PiG (*).</p>
<p>Isso deu a eles a sensação de maioria, especialmente porque o Presidente da República foi um metalúrgico – e é nordestino!</p>
<p>A percepção de que controlar o PiG (*) resolvia o problema começa a se esfacelar.<br />
E não só porque a Internet e os blogs adquiriram a relevância que tem no Brasil.<br />
Em boa parte por causa da falencia do PiG (*). Mas, também, porque houve uma super-utilização do poder do PiG (*).</p>
<p>Pig: Partido da Imprensa Golpista.</p></blockquote>
<p>Ou seja, similarmente à frase de Cláudio Lembo, a frase de Renan agradou porque ela ironizou a “elite branca paulistana” e atribuiu a ela a culpa por todos os males do país (Amorim chega a se referir aos tucanos como os “demos”), priorizando o seu domínio dos meios de comunicação do país etc.</p>
<p>Esta é uma questão brasileira de longo prazo que foi recentemente bem colocada pelo blog <em><a href="http://buenomuybueno.blogspot.com/2009/06/eu-nem-mais-me-lembro-de-onde-copiei.html">Bueno Muy Bueno</a></em>, quando Fernando Henrique Cardoso, carioca, ex-presidente da República e cacique do PSDB, declarou que São Paulo estava sub-representado em Brasília:</p>
<blockquote><p>Divergência número 2: São Paulo não está sub-representado em nada.<br />
São Paulo está sobre-representado na Federação.<br />
E é por isso que deveria haver uma re-pactuação da Federação brasileira.<br />
Os presidentes da República saem de São Paulo.<br />
Os Ministros da Fazenda saem de São Paulo.<br />
Os Ministros da Indústria saem de São Paulo.<br />
Os tributos são feitos de forma a aprofundar a hegemonia de São Paulo.<br />
Os Ministros da Agricultura saem de São Paulo.<br />
O Ministro da Educação é de São Paulo.<br />
O Ministro da Defesa é gaúcho, mas seus parceiros políticos estratégicos? José Serra e Fernando Henrique Cardoso ? São de São Paulo.<br />
Dos três únicos jornais brasileiros, dois são de São Paulo&#8230;Em São Paulo estão todas as revistas semanais de informação.<br />
O Ibope é medido só em São Paulo e as redes de televisão trabalham para São Paulo.<br />
Os dois principais partidos do país ? PSDB e PT ? são de São Paulo.<br />
As lutas internas do PT e do PSDB conduzem a política brasileira.<br />
O candidato do PSDB à presidência da República é de São Paulo: José Serra,na verdade, já eleito de ante-mão, como se sabe.<br />
A elite branca do grande governador Cláudio Lembo é de São Paulo.<br />
A elite branca de São Paulo, se pudesse, faria como os amigos do Berlusconi do Norte da Itália e mandava o resto do Brasil, do Rio (inclusive) para cima, para a África.<br />
Em São Paulo fica o templo da elite branca, a Daslu.<br />
O movimento Cansei é uma obra-prima da criatividade paulista.<br />
O jornalismo esportivo brasileiro só trata do Corinthians.</p></blockquote>
<p>Esse ressentimento é curioso, porque apesar do Estado de São Paulo ter o maior PIB e população do Brasil, além de sediar a metrópole mais multiétnica e transbrasileira do país, o histórico de presidentes paulistas é bastante limitada. Além de o Presidente Lula, que está no poder faz quase oito anos, ser Pernambucano, desde o início das eleições diretas no Brasil, incluindo o período de oitos anos em que Fernando Henrique Cardoso, carioca, esteve no poder, todos os outros presidentes eram de outros estados: Tancredo Neves era mineiro, José Sarney que é Maranhense,  Itamar Franco, mineiro, Fernando Collor de Mello, que é Alagoano, Itamar Franco, mineiro. Ou seja, é no mínimo bastante diversa a presença na Presidência. O Senado Brasileiro, tem representação igual para cada Estado.</p>
<p>Além disso, é curioso que a “questão paulista” tenha surgido a partir da discussão entre Renan e Tasso, porque tanto o alagoano Renan Calheiros, quando o Cearense Tasso Jereissati, apesar de ser do PSBD, são nordestinos. Será o seu fenótipo (branco e gorducho) e estilo de vestir (ternos bem-cortados) que o fazem parecer um paulista?</p>
<p>O blog <em><a href="http://pererecadavizinha.blogspot.com/2009/08/divagacoes-inevitaveis.html">Perereca da Vizinha</a></em> parece interpretar os eventos por esse lado:</p>
<blockquote><p>Nem quando está fora do poder, consegue descer do salto, para buscar, enfim, aquilo que lhe faz mais falta: o apoio da sociedade civil organizada.</p>
<p>O autismo de que padece o partido o impede de ver que as casas parlamentares são, apenas, uma frente de batalha. Aquela em que se pode, é verdade, andar enfatiotado.</p>
<p>Nas baixadas, nas periferias repletas de lama e poeira, onde inexiste o mínimo para a sobrevivência digna de um cidadão.</p>
<p>Falta aos preparadíssimos técnicos e intelectuais tucanos a necessária humildade para ir ao encontro do povo onde o povo está.</p></blockquote>
<p>Ao analisamos o linguajar da briga entre Renan e Tasso, percebemos que a briga foi cunhada em termos essencialmente nordestinos, em algum momento Renan acusando Tasso de ser um “coronel de merda” e Tasso rebatendo que seu acusador fosse “um cangaceiro de terceira categoria.”</p>
<p>Claramente, para ambos, um ideal de vida seria ser UM GRANDE CORONEL, a antítese do que ambos acusaram um ao outro de ser. Talvez, ambos sonhassem ser como aquele que precipitou essa briga toda, que é José Sarney, o notório dono do Estado da Maranhão, apesar de haver blogs como o <em><a href="http://avelhadebaixodacama.blogspot.com/2009/08/movimento-todos-contra-sarney-todos.html">A Velha Debaixo da Cama</a></em> dedicados à desconstrução desse fato:</p>
<blockquote><p>Como tenho dito aqui, os maranhenses estão carecas de saber do que eles são capazes, afinal, eles se dizem donos do Maranhão, não é? Mas o povo não aceita mais esse título, pelo menos os que conheço e escuto.</p></blockquote>
<p>O “ser minoria” na concepção do Senador Renan Calheiros, ao que parece, mais do que “ser paulista” foi usado como sinônimo de alguém que quer pensar um Senado e um Brasil além das falcatruas e negociatas que ainda caracterizam o Senado Brasileiro no momento atual. A pretensão de ser “melhor do que os outros” incomoda porque para Renan Calheiros, representante de uma tradição de corruptos que se safaram de punição por ter os colegas de “rabo preso”, o bom seria todo mundo permanecer igual, ou seja, junto com a maioria corrupta.</p>
<div id="attachment_3964" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://sandramara10.wordpress.com/2009/08/11/minoria-com-complexo-de-maioria/"><img class="size-full wp-image-3964" title="Pizza em Brasília?" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/pizza-em-brasila1.jpg" alt="Pizza em Brasília, por Sandra Carvalho" width="450" height="327" /></a><p class="wp-caption-text">Pizza em Brasília? Por Sandra Carvalho</p></div>
<p>É sabido que todos os preconceitos, seja de classe, de fenótipo ou de nacionalidade, estão sempre a serviço de interesses mais profundos. O preconceito empolga alguns porque ele simplifica e generaliza as questões em pauta, o que é mais fácil do que analisar detalhadamente uma situação e desvendar os interesses que eles encobrem. Talvez, se o eleitor brasileiro aprendesse a votar com a cabeça e não com a emoção, muitas vezes contaminada pelo preconceito, não teríamos hoje um Senado decadente e uma classe política tão desacreditada.</p>
<div class="notes" style="text-align: justify;">Este artigo é uma versão extendida do <a href="http://globalvoicesonline.org/2009/08/23/brazil-on-the-meaning-of-minorities-with-a-majority-complex/">original</a>, e direcionada especificamente para o Global Voices em Português.</div>
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		<title>Brasil: Processos levam popular blog político a fechar</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/08/17/brasil-processos-levam-popular-blog-politico-a-fechar/</link>
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		<pubDate>Mon, 17 Aug 2009 13:17:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paula Góes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A Nova Corja, um dos mais populares blogs de política da blogosfera brasileira, fechou após 3 processos em 5 anos. Blogueiros temem que esse tenha sido o prego no caixão da independência, investigação e questionamento em blogs.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/paulagoes/">Paula Góes</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/paulagoes/'>Paula Góes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/08/16/brazil-lawsuits-force-popular-political-blog-to-close-down/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="single" class="entry">
<p><a href="http://www.novacorja.org/"><em>A Nova Corja</em></a>,  um dos símbolos de jornalismo independente e investigativo da blogosfera brasileira, <a href="http://www.novacorja.org/?p=5411">publicou seu post de despedida</a>. Em 6 de agosto, Rodrigo Alvares, o último do grupo a continuar tocando o blog, anunciou sua decisão de fechar o A Nova Corja por causa de compromissos profissionais e falta de tempo para continuar postando o tanto quanto gostaria.</p>
<p>No decorrer dos últimos cinco anos em que esteve online, <em>A Nova Corja</em> se destacou por causa da cobertura de escândalos que assolam o governo do Rio Grande do Sul, denúncias estas que agora levam o Ministério Público Federal daquele estado a investigar a governadora <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Yeda_Crusius">Yeda Crusius</a> por improbidade administrativa. O Nova Corja era também conhecido pelo seu senso de humor ácido e pela sua <a href="http://laviejabruja.blogspot.com/2009/08/nem-assim-tao-nova.html">oposição aberta ao  PT</a>, embora ao mesmo tempo o blog fosse também acusado por seus muitos inimigos de apoiar o mesmo partido.</p>
<p>O <a href="http://www.novacorja.org/?p=5411">último post</a> conta, até o momento da publicação desse artigo, com quase 300 comentários. De acordo com Rodrigo Alvares, os arquivos do blog continuarão online como um testemunho de sua luta contra a corrupção:</p>
<blockquote><p>Espero que o <strong>A Nova Corja</strong> permaneça como registro da demência que assola não só o governo Yeda, mas a política gaúcha e brasileira. As eleições do ano que vem serão as mais importantes desde 1989, e boa parte da bandalha praticada por eles ultimamente está nos arquivos do blog.</p>
<p>ABRA$$O</p></blockquote>
<div id="attachment_91053" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px;"><a href="http://cristianozanella.blogspot.com/2009/08/tchau-nova-corja.html"><img class="size-medium wp-image-91053" title="A+NOVA+CORJA!" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/A+NOVA+CORJA-300x290.jpg" alt="Design by Cristiano Zanella" width="300" height="290" /></a></p>
<p class="wp-caption-text">Design Leandro Demori. Fonte: blog do Cristiano Zanella</p>
</div>
<p><a href="http://www.trezentos.blog.br/?p=2587">Lúcia Freitas</a> lembra que o Nova Corja foi o único blog brasileiro <a href="http://www.whitebandaction.org/g20voice">a ser convidado para a Cúpula do G-20</a> em Londres no último mês de abril. Ela se mostra bastante preocupada com a pouca repercussão que a notícia parece ter causado na blogosfera, já que apenas alguns posts em blogs e no Twitter podem ser encontrados online:</p>
<blockquote><p>Não houve proteção da comunidade, blogagem coletiva, indignação. Passou batido.</p>
<p>Bad, bad bloggers</p>
<p>Um mergulho no silêncio de jornalismo bem-feito, claro, contundente. Derrubado por uma sequência de processos na justiça que dão dores de cabeça incuráveis a cidadãos no exercício do seu direito à livre expressão.</p>
<p>Este tipo de silêncio é péssimo para todos nós.</p>
<p>Eu, como blogueira E jornalista, fico com vergonha, vergonha, vergonha. Primeiro de mim, por não ter lido os feeds por dois dias e não ter visto tamanho absurdo. Segundo de meus vizinhos de rede, que se reúnem tão facilmente para o #lingerieday, mas não se preocupam nem por um instante com as questões mais profundas que nos cercam e atingem.</p></blockquote>
<p>Enquanto a maior parte da blogosfera permanece em silêncio ou nem soube do fechamento do A Nova Corja, um blogueiro celebra a notícia: <em><a href="http://polibiobraga.blogspot.com/2009/08/editor-manda-dois-blogs-petistas-para-o.html">Polibio Braga</a></em>, um dos incomodados a processar os autores do blog, ficou contente por ter ajudado a acabar com mais um blog, tendo feito o mesmo há alguns anos, ao processar o <a href="http://tomandonacuia.blogspot.com/"><em>Tomando na Cuia</em></a> (agora disponível em novo endereço). Dessa segunda vez, no entanto, o Nova Corja <a href="http://www.novacorja.org/?p=4409">ganhou o caso</a> e o processo foi indeferido por inépcia. Ainda assim, <em><a href="http://polibiobraga.blogspot.com/2009/08/editor-manda-dois-blogs-petistas-para-o.html">Polibio Braga</a></em> comemora:</p>
<blockquote><p>A remessa dos dois blogs para o aterro sanitário virtual da Web, é uma homenagem do editor a todos os jornalistas caluniados por grupos iguais de delinqüentes políticos petistas. Além da família comum, os editores dos dois blogs escondiam-se sob pseudônimos e alojamentos em provedores fora do país que acolhem todo gênero de bandidos.</p></blockquote>
<p>Por causa de seu trabalho investigativo, muitas vezes dando furos na imprensa convencional, o Nova Corja sofreu três processos em seus cinco anos de existência, e alguns dos blogueiros e suas famílias chegaram a ser ameaçados. De acordo com <em><a href="http://trasel.com.br/blog/?p=263">Marcelo Träsel</a></em>, um dos ex-colaboradores do blog, a grande motivação por trás do fechamento do A Nova Corja foi o desânimo causado pelo conjunto de processos, mas não necessariamente porque os blogueiros têm medo de suas consequências:</p>
<blockquote><p>O problema é que eles custam dinheiro, mesmo quando o juiz decide a seu favor, e, principalmente, tomam muito tempo. Todos os membros atuais e antigos da Corja têm empregos e famílias para cuidar. O jornalismo político era algo como uma prestação de serviços à sociedade, um voluntariado. Quando os poderosos foram perturbados e resolveram se aproveitar do Judiciário para tentar calar a Corja, porém, a sociedade mostrou-se incapaz de ajudar. O tempo livre antes dedicado ao jornalismo passou a ser dedicado a defender-se da litigância de má-fé. Algumas famílias até mesmo sofreram ameaças.</p></blockquote>
<p><em><a href="http://trasel.com.br/blog/?p=263">Träsel</a></em>, que chama a notícia de um prego no caixão da democracia, segue falando da necessidade de se criar no Brasil uma organização semelhante à <a onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://www.eff.org/');" href="http://www.eff.org/" target="_blank">Electronic Frontier Foundation</a> [en], grupo que defende a liberdade online de cidadãos americanos:</p>
<blockquote><p>Algumas lições importantes podem ser tiradas desse caso. Primeiro, percebe-se que o bom jornalismo ainda faz diferença. A luz do dia incomoda aos poderosos e, no contexto da comunicação em rede mediada por computador, está ao alcance de qualquer cidadão expor os fatos ao sol. É o que chamo de webjornalismo cidadão, uma prática cada vez mais incensada como panacéia para os problemas do jornalismo. Pois bem, esse caso mostra os limites do webjornalismo cidadão.</p>
<p>Expostos ao sol, os políticos e sua entourage costumam sentir-se acuados e apelam ao Judiciário para tentar calar seus inimigos. Não precisam nem mesmo vencer um processo: os trâmites legais em si mesmos já têm um enorme poder disruptivo sobre o trabalho de pessoas que não vivem para a política e precisam se dedicar à vida real. Repórteres funcionários de empresas de comunicação podem contar com o setor jurídico para defendê-los nestes processos e seguir com sua rotina produtiva. Também não precisam pagar os custos judiciais. Repórteres amadores ou sem apoio institucional, por outro lado, são alvos fáceis para a intimidação jurídica.</p></blockquote>
<p><em><a href="http://cinemaeoutrasartes.blogspot.com/2009/08/ameaca-aos-blogs.html">Maurício Caleiro</a></em> complementa, dizendo que poderosos que há décadas usufruem do silêncio cúmplice da grande imprensa estão por traz do fechamento de blogs. Ele faz um chamamento para ação:</p>
<blockquote><p>Portanto, se nada for for feito para garantir ao menos a certeza de defesa jurídica, a blogosfera política independente e crítica – que, diante dessas circunstâncias, tende a encolher – vai repetir o que acontece no universo do grande capital que tanto critica: blogueiros que são suportados por portais ou que, devido a alta audiência e longevidade na rede, já constituiram suas próprias redes informais de proteção jurídicas, tendem a sobreviver; a massa de neófitos e de independentes que lutam para conquistar um espaço ficará jogada aos tubarões da litigância. Portanto, é preciso reagir. E já.</p></blockquote>
<p>Para obter mais informações sobre recentes ataques à liberdade de expressão no Brasil, leia os artigos do  Global Voices a seguir:</p>
<p><a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2009/07/17/brasil-processos-tentam-calar-jornalista-premiado/">Brasil: Processos tentam calar jornalista premiado</a></p>
<p><a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/23/brasil-decisoes-judiciais-ameaca-crescente-a-liberdade-online/">Brasil: Decisões judiciais, ameaça crescente à liberdade online</a></div>
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		<title>Brasil: O Fórum da Cultura Digital Brasileira e a blogosfera</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/08/14/brasil-o-forum-da-cultura-digital-brasileira-e-a-blogosfera/</link>
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		<pubDate>Fri, 14 Aug 2009 16:11:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Casaes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O ciberespaço é cada vez mais habitado por instituições governamentais de muitos países. No Brasil, o Fórum da Cultura Digital Brasileira foi lançado e, até o momento, obteve reações positivas da blogosfera.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/diego-casaes/">Diego Casaes</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/diegocasaes/'>Diego Casaes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/08/14/brazils-forum-for-digital-culture-reaches-out-to-the-blogosphere/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="single" class="entry">
<p>O ciberespaço é cada vez mais habitado por instituições governamentais de muitos países. Seja por causa de eleições, como durante a campanha do Presidente Obama em 2008, ou para lutar por processos eleitorais justos como recentemente <a href="http://globalvoicesonline.org/specialcoverage/iranian-election-2009/">aconteceu no Irã</a> [en], onde o Twitter foi usado na campanha de Mousavi, durante as eleições e nas subsequentes manifestações.</p>
<p>Apesar do fato de que a corrida presidencial de 2010 já está aquecendo a Internet brasileira, na medida em que os futuros candidados começam a blogar e usar o Twitter para se promoverem online, o governo atual acabou de dar o primeiro passo para se tornar digital. Em 31 de junho, o Ministério da Cultura e a Rede Nacional de Educação e Pesquisa oficialmente lançaram o Fórum da Cultural Digital Brasileira. O projeto consiste em uma Rede Social que visa encorajar os internautas brasileiros a colaborarem na criação de uma nova forma de se fazer políticas públicas.</p>
<div id="attachment_90405" class="wp-caption aligncenter" style="width: 364px"><img class="size-full wp-image-90405" title="culturadigitalbr" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/culturadigitalbr.png" alt="culturadigitalbr" width="354" height="91" /><p class="wp-caption-text">O banner do Fórum da Cultura Digital Brasileira</p></div>
<p>Essa iniciativa foi muito bem aceita pelos blogueiros e usuários do Twitter que pensam ter o governo finalmente realizado um esforço para alcançar as pessoas e incluí-las na criação de políticas públicas através da Internet, uma ferramenta de comunicação direta e sem burocracia. A rede foi inicialmente limitada a 300 usuários, mas após seu lançamento foi aberta a qualquer pessoa que se interesse pelo #culturadigitalbr, como tem sido referenciado no Twitter.</p>
<p><a href="http://www.ladybugbrazil.com/">Lady Bug Brasil</a> foi convidada para o evento de lançamento. Ela <a href="http://www.ladybugbrazil.com/2009/07/29/forum-de-cultura-digital-brasileira/">comentou em seu blog</a>:</p>
<blockquote><p>Em tempos de luta, censura e políticas públicas que precisam de retoques, é um alívio saber que há esperança e iniciativas democráticas que abrem espaço para as muitas vozes que habitam a rede.</p></blockquote>
<p><em>Gilberto Jr</em> do blog <em><a href="http://startupi.com.br/">startupi</a> </em>também foi convidado para a abertura do Fórum, e postou  as <a href="http://startupi.com.br/2009/culturadigitalbr-governo-lanca-rede-social-para-cidadao-sugerir-politica-publica/">suas considerações</a>:</p>
<blockquote><p>Já é altamente louvável o “simples” fato de o governo federal iniciar um movimento de abrir discussões com a comunidade, usando a web como base para estimular e mapear conversações num tipo de democracia digital (não apenas da informática, mas do Brasil).</p></blockquote>
<p>O projeto apresenta algumas características de outras redes sociais conhecidas, como o sistema de comentários entre usuários do Facebook e a oportunidade de agregar discussões em tópicos e comunidades como acontece em outros fóruns ou até mesmo no Orkut. Diariamente novos usuários se registram na rede e muitos tópicos de discussão já foram criados. Outro ponto interessante sobre o evento de lançamento foi o fato de muitos blogueiros terem sido convidados para a conferência de imprensa, compartilhando o espaço com a mídia de massa.</p>
<div id="attachment_90407" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://www.flickr.com/photos/pontodeak/3775652711/"><img class="size-full wp-image-90407   " title="Foto por André Deak, no Flickr." src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/culturadigitalbr2.jpg" alt="Bloggers in the Q&amp;A session with the Minister of Culture. Photo by Flickr user Andre Deak" width="400" height="262" /></a><p class="wp-caption-text">Blogueiros da sessão de Perguntas e Respostas  com o Ministro da Cultura Juca Ferreira. Foto por André Deak, no Flickr.</p></div>
<p><em>Filipe Saraiva</em> do blog <em><a href="http://liberdadenafronteira.blogspot.com/">Liberdade na Fronteira</a></em> reflete sobre este caso. Ele parabeniza a atitude do governo <a href="http://liberdadenafronteira.blogspot.com/2009/07/forum-da-cultura-digital-brasileira.html">e diz</a>:</p>
<blockquote><p>Penso ser uma iniciativa bastante louvável por parte do governo. Em tempos de repressão ao compartilhamento na rede, vistos nos recentes casos do julgamento do The Pirate Bay ou no Projeto de Lei Azeredo, fomentar um espaço de discussão pública sobre um tema ainda bastante controverso mostra disposição e abertura para novas práticas e idéias que surgem no ciberespaço.</p></blockquote>
<p><a href="http://twitter.com/raquelcamargo">@raquelcamargo</a> evidenciou, através do Twitter,  um possível problema no Fórum. Ela <a href="http://twitter.com/raquelcamargo/statuses/3113094277">afirma</a>:</p>
<blockquote><p>As discussões no Fórum da Cultura Digital acabam rápido, sempre com poucas mensagens.</p></blockquote>
<p>O Fórum tem 5 eixos de discussão até o momento. O objetivo é construir diretrizes para o acesso, produção, difusão, preservação e livre circulação da cultura em cada uma dessas dimensões. <a href="http://www.culturadigital.br/o-forum/eixos/">Os eixos são divididos em</a>:</p>
<blockquote><p>1. Memória Digital (acervo, história e futuro);</p>
<p>2. Economia da Cultura Digital (compartilhamento, interesse público e mercado);</p>
<p>3. Infra-estrutura para a Cultura Digital (infovia, acesso e inclusão);</p>
<p>4. Arte Digital (linguagem, democratização e remix);</p>
<p>5. Comunicação Digital (língua, mídia e convergência).</p></blockquote>
<p>E evidenciam ainda, <a href="http://www.culturadigital.br/o-forum/eixos/">na mesma página</a>:</p>
<blockquote><p>Caso você queira discutir um tema que não caiba em nenhuma dessas áreas, crie seu grupo, convide quem mais possa se interessar por ele e toque a conversa. Este é um espaço radicalmente aberto às suas idéias e opiniões. Dependendo da dimensão que ela tomar, o coletivo pode decidir por transformá-la em eixo oficial do Fórum. Questões relevantes como o acesso ao conhecimento científico, a educação e a diversidade são transversais e, sem dúvida, são objeto desta conversa.</p></blockquote>
<div id="attachment_90409" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://www.flickr.com/photos/pontodeak/3776460030/"><img class="size-full wp-image-90409 " title="O responsável pela conta do Ministério da Cultura no Twitter é fotografado cobrindo o evento ao vivo. Foto por André Deak, no Flickr." src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/tweeting-the-event.jpg" alt="The responsible for the Ministry of Culture's twitter account is shot live-tweeting the event. Photo by Flickr user André Deak" width="400" height="266" /></a><p class="wp-caption-text">O responsável pela conta do Ministério da Cultura no Twitter é fotografado cobrindo o evento ao vivo. Foto por André Deak, no Flickr.</p></div>
<p>Os blogueiros pensam ser tal iniciativa algo bastante positivo e que passo à passo o governo brasileiro está mudando sua concepção de como a Internet (e os internautas) pode contribuir para o modo atual de se fazer políticas públicas. De certa forma, parace que não somente o Brasil, mas muitos outros países estão usando as redes sociais como ferramenta para manter contato com seus cidadãos.</p></div>
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		</item>
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		<title>Alex Castro: Um blogueiro liberal, libertário e libertino</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/08/07/alex-castro-um-blogueiro-liberal-libertario-e-libertino/</link>
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		<pubDate>Fri, 07 Aug 2009 13:34:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paula Góes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nessa entrevista, Alex Castro fala sobre blogs, as prisões que acorrentam a alma humana, como ele se livrou   para abraçar uma vida mais libertária e, claro do Mulher de Um Homem Só, seu romance popular em e-book agora lançado em papel.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/paulagoes/">Paula Góes</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/paulagoes/'>Paula Góes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/08/07/alex-castro-a-liberal-libertarian-and-libertine-brazilian-blogger/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p><a href="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/1041855_6e71e07381.jpg"><img class="alignright size-thumbnail wp-image-3804" title="1041855_6e71e07381" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/1041855_6e71e07381-75x75.jpg" alt="1041855_6e71e07381" width="75" height="75" /></a>Por trás de um dos blogs mas populares do Brasil, o <a href="http://www.interney.net/blogs/lll/">Liberal Libertário Libertino</a>, há um romancista independente, um acadêmico apaixonado e um livre pensador. Nesse papo às vésperas do lançamento da primeira edição não virtual de seu primeiro romance, projeto que só pôde ser lançado com o <a href="http://www.interney.net/blogs/lll/2009/06/29/ajude_a_viabilizar_a_edicao_de_mulher_de/">patrocínio de um exército de leitores de seu blog</a> – os mecenas da blogosfera – Alex Castro fala de blogs, das prisões que acorretam o ser humano de como se livrou delas para abraçar a sua vida libertária, e, claro, de seu primero romance, agora lançado fora da rede, Mulher de Um Homem só – já muito bem conhecido por seus leitores que o baixaram mais de 30 mil vezes durante o período que esteve disponível para download gratuito.</p>
<p><strong>Quem é Alex Castro?</strong></p>
<p>Alex Castro é um grandecíssimo mentiroso, como todos os autores de ficção. Não confie em nada do que ele diz.</p>
<div id="attachment_3810" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.flickr.com/people/cruzalmeida/"><img class="size-medium wp-image-3810" title="304688616_b309c5a95f" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/304688616_b309c5a95f-300x199.jpg" alt="Alex Castro, em foto de Roberto Rivera: robertorivera.com/portfolio.htm " width="300" height="199" /></a><p class="wp-caption-text">Em auto-definção no flickr, Alex Castro se diz (originalmente em inglês): Hedonista, novelista, ateísta, pedólatra. Destro, divorciado, maduro, viajado. Livre pensador, escritor, professor,  pro-ativo. Foto: Roberto Rivera: robertorivera.com/portfolio.htm </p></div>
<p><strong>O Liberal, Libertáro, Libertino está online desde 2003 e é hoje um dos mais populares blogs do Brasil. Como você entrou na blogosfera?</strong></p>
<p>Vários e vários motivos. O mais engraçado é que, quando abri o LLL, eu nunca tinha lido um blog, nem sabia o que era. Minha amiga Isabel (a quem &#8220;Mulher de um Homem Só&#8221; está dedicado) é que ficou me pentelhando, dizendo que era a melhor ferramenta possível para um artista expor seu trabalho - e estava certa. Mais ainda, eu estava escrevendo uma série de textos chamados As Prisões, sobre as diversas prisões que acorrentam o homem, como heterossexualidade, monogamia, verdade, religião, vergonha, ambição, obediência, etc, e achei que seria legal ver quais seriam as relações das pessoas a eles. E, realmente, As Prisões tiveram, e ainda têm, uma repercussão muito legal. Além disso, eu tinha acabado de reencontrar uma antiga amiga de escola, Andreia, que tinha se tornado dominadora profissional na Austrália e vivia um casamento aberto, e levava uma vida parecida com a minha, mais libertária e mais libertina, e eu achei que alguns daqueles valores que eu e a Andreia tínhamos descoberto e praticávamos mereciam ser articulados, tinham que ser vividos em público. Na verdade, ela me fez sentir envergonhado por meu pudor público perante a vida. Então, o blog também foi um meio de discutir publicamente questões muito importantes e vitais pra mim até hoje, como amor livre, poliamor, ciúmes, monogamia, relacionamentos abertos, etc. E assim entrei na blogosfera.</p>
<p><strong>O LLL gira em torno <a href="http://www.sobresites.com/alexcastro/prisoes.htm">dessas prisões que acorrentam a humanidade</a> – medo, vergonha, religião, patriotismo, felicidade, monogamia, heterossexualidade, dentre outras. Como você conseguiu se livrar delas?</strong></p>
<p>Basta querer. Controle de si é tudo na vida. Quase nada na vida a gente controla mas eu mesmo, como eu reajo aos estímulos do mundo, como me coloco diante deles, isso depende de mim, sim. E, assim, aos poucos, um dia de cada vez, eu fui me tornando menos tímido, menos travado, menos humilde, menos envergonhado, menos bundão, menos preocupado com a opinião dos outros, menos medroso, menos consumista, menos careta, essas coisas. Mas é um processo consciente. Todas as forças do mundo nos empurram pra conformar com o rebanho. Então, &#8220;ser você mesmo&#8221; não é algo que venha naturalmente a ninguém, é uma luta diária. Você tem que se perguntar: &#8220;hoje, eu fui a pessoa que eu quero ser?&#8221;</p>
<div id="attachment_3808" class="wp-caption alignleft" style="width: 211px"><a href="http://www.flickr.com/photos/cruzalmeida/278760187/in/set-358864/"><img class="size-medium wp-image-3808" title="278760187_ad8e05797e" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/278760187_ad8e05797e-201x300.jpg" alt="Fumando, em companhia do cachorro Oliver" width="201" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Fumando, companhia do cachorro Oliver</p></div>
<blockquote><p>[O LLL é] um blog sobre rebeldia, contemplação e sacanagem, regado a muita literatura e humor.</p></blockquote>
<p><strong>Mas você disse para não acreditar em nada do que você diz então fica a dúvida: o Alex Castro hedonista, na prática, é um personagem?</strong></p>
<p>Tenho uma pergunta melhor: e daí? Metade das coisas que eu disse nessa entrevista é mentira. Mas qual metade? Ou talvez isso que eu disse agora seja mentira e só falei sempre a verdade. Mas e daí? A verdade é que existe um livro chamado &#8220;Mulher de Um Homem Só&#8221; e ele é bom ou ruim independente de ter sido escrito por um homem ou por uma mulher, por um carioca ou um goiano, por um branco ou por um negro, por um adolescente ou por um velho. A mensagem das Prisões é válida ou não independente de eu ter esses valores ou não, de eu acreditar neles ou não. Vai ver eu escrevi tudo ironicamente, mas isso não impede alguém de levar o texto ao pé da letra e mudar sua vida. O texto é real, entende? Só isso importa. Eu, minhas mentiras, minhas verdades, minhas intenções, somos todos irrelevantes. Talvez a Prisão mais importante a ser vencida seja a Prisão Verdade, essa nossa necessidade quase infantil de questionar a veracidade de tudo o tempo todo. Eu sou um escritor de ficção: meu trabalho é justamente implodir a verdade. A ficção é uma mentira que, se bem dita, nos leva a verdades maiores do que a maioria das verdades que andam por aí bradando sua veracidade aos quatro ventos.</p>
<p><strong>E qual a reação de seus leitores a essa vida &#8220;mais libertária e mais libertina&#8221;, considerando que foge completamente dos padrões aceitáveis no Brasil, um país ainda tão sexista? Há até uma campanha, </strong><strong>&#8220;Eu Odeio o LLL&#8221;</strong><strong>, com o seu aval.</strong></p>
<p><img class="size-full wp-image-3814 alignleft" title="odeio-1" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/odeio-1.gif" alt="odeio-1" width="120" height="60" />A campanha &#8220;Eu Odeio o LLL&#8221; não tem apenas o meu aval. Eu a criei e a promovi. Oras, não há porque só as pessoas que gostam de mim terem banner me linkando. Quem me odeia também tem direito de me promover! Mas, obviamente, foi uma campanha humorística, pra brincar com aquele tipo de leitor que, justamente, diz que me odeia e discorda de tudo, mas lê e comenta obsessivamente todo dia. Esses leitores me divertem muito, mas são uma minoria, ainda bem. Logo enchem o saco e vão embora, porque eu não dou corda.</p>
<p>Via de regra, a mensagem das Prisões acaba tocando mais dois grupos de pessoas: em primeiro lugar, adolescentes ou pós-adolescentes de ambos os sexos que estão em processo de tentar se tornar adultos, livres e independentes. Uma amiga brinca que passo boa parte do meu tempo no MSN, como Sócrates na ágora, tentando corromper &#8220;meus jovens&#8221;. E, em segundo lugar, mulheres que estão naquela famosa crise dos sete anos, que subitamente se descobrem em casamentos mornos e insatisfatórios, e que de repente querem ser livres e realizar seu potencial. Esses dois grupos representam uma parcela desproporcionalmente enorme dos leitores que me procuram, então imagino que a mensagem das Prisões é relevante para quem está nessas situações.</p>
<div id="attachment_3807" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.flickr.com/photos/cruzalmeida/304688610/in/set-358864/"><img class="size-medium wp-image-3807" title="304688610_5288cfd5be" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/304688610_5288cfd5be-300x199.jpg" alt="Alex Castro, em foto de Roberto Rivera: robertorivera.com/portfolio.htm " width="300" height="199" /></a><p class="wp-caption-text">Alex Castro, em foto de Roberto Rivera: robertorivera.com/portfolio.htm </p></div>
<p><strong>Mudando para a literatura na rede, há bons blogs literários no Brasil? O que passa pelo seu seu blogroll?</strong></p>
<p>Olha, eu confesso que nunca fui fã de blogs e, faz muito tempo, desencanei totalmente deles. Hoje, leio pouquíssimos blogs, e quase que só os de amigos próximos, pra saber como eles estão. Alguns bons escritores contemporâneos têm blogs, mas o blog é sempre uma coisa diferente da ficção. Até porque é difícil colocar ficção em blog. Então o blog acaba funcionando como uma ferramenta para o autor polir seu texto e construir um círculo de leitores para quem possa, depois, vender ou dar seu livro. Sinceramente, eu acho bem possível que existam bons blogs literários no Brasil. Mas eu, por deficiência minha, não conheço.</p>
<p><strong>Você</strong><strong> fo</strong><strong>i</strong><strong> um dos pioneiros em experiência de e-books pagos no Bras</strong><strong>i</strong><strong>l. Em que grau, na sua opinião, a internet ajuda autores e artistas independentes em geral?</strong></p>
<p>A internet é fundamental, por permitir ao artista um contato direto com seu público, um contato que antes dependia de diversos mediadores: gravadoras, editoras, jornais, etc. Está surgindo um novo paradigma na arte que funciona mais ou menos assim: você distribui a sua arte de graça, para construir um público, e depois vende pra eles produtos diferenciados, raros, assinados, exclusivos, etc, do seu trabalho. De certo modo, estou fazendo isso com &#8220;Mulher de Um Homem Só&#8221;, que foi baixado gratuitamente mais de 30 mil vezes e foi vendido em edição limitada, numerada, na qual os leitores que pagaram mais ganharam os menores números. O exemplar número 001 foi para uma leitora da Turquia que pagou R$200 por ele.</p>
<div id="attachment_3803" class="wp-caption alignright" style="width: 176px"><img class="size-full wp-image-3803" title="3754570057_441dfe5ba7" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/3754570057_441dfe5ba7.jpg" alt="Marcador de livro para os mecenas da blogosfera" width="166" height="500" /><p class="wp-caption-text">Marcador de livro exclusivo para os mecenas da blogosfera que compraram o livro antes do lançamento.</p></div>
<p><strong>Como surgiu essa idéia dos mecenas da blogosfera para transformar o Mulher de um Homem Só virtual em edição em papel?</strong></p>
<p>&#8220;Mulher de Um Homem Só&#8221; ficou disponível para download gratuito por 4 anos, entre 2002 e 2006, quando foi baixado 30 mil vezes. Depois disso, contratei uma agente literária para tentar vender o livro para editoras, mas ela não conseguiu nada. Nesse meio tempo, lancei vários ebooks - sabe como é, tem custo zero - e fui vendendo, mas todo mundo vinha perguntar: &#8220;ah, nao tem de papel? odeio ler na tela!&#8221; etc. O problema é que, sem uma editora, imprimir em papel custa caro, tenho que pagar a edição do meu próprio bolso e fazer tudo sozinho. E pensei, hmm, se os leitores querem tanto livros de papel, por que então não pagam por eles? Vou colocar o livro em pré-venda, quando arrecadar o suficiente pra impressão, imprimo; senão, devolvo o dinheiro de todo mundo. E foi um sucesso. &#8220;Mulher de Um Homem Só&#8221; vendeu 150 exemplares na pré-venda e o valor arrecadado daria para custear uma edição de 700 exemplares.</p>
<p><strong>Quais as vantagens e desvantagens de publicar na internet, em vez de seguir os caminhos tradicionais?</strong></p>
<p>Para mim, as vantagens foram ganhar mais dinheiro do que ganharia publicando livro como o novato patinho feio de uma editora tradicional e também um maior contato com o meu público. A grande desvantagem de não estar no caminho tradicional é a falta de visibilidade e prestígio. Eu escrevo literatura e tenho um blog, mas sou chamado de &#8220;blogueiro&#8221;. O cara que tem um livro publicado pela Rocco (mesmo que ninguém tenha lido) e tem um blog, é um escritor - que, por um acaso, tem um blog. Mas isso já está mudando.</p>
<p><strong>Esse contato maior com os leitores muda de alguma forma a forma como você escreve, ou até o enredo de suas histórias, uma vez que você passa também a conhecer mais o público e a saber o que ele quer, ou você mantêm, nesse caso, uma distância para produzir exatamente o que acha que deve, sem influências do consumidor de sua obra?</strong></p>
<p>Muda. Mas não do jeito que você perguntou. Não existe muito isso de dar o que o povo quer. Não sou balconista, que pergunta ao cliente o que ele quer, vai e entrega. Na literatura, o cliente quase nunca tem razão. O espírito da literatura é o da complexidade. Um bom livro te leva a lugares que você não queria ir, te ensina coisas que você não queria saber, mostra que o mundo, as pessoas, as coisas, são mais complexos do que você imaginava. No momento em que um autor de ficção se propõe a dar os que os leitores querem, ele abdicou de uma das prerrogativas básicas da arte.</p>
<p>Aliás, talvez seja esse um dos tão buscados limites entre literatura-dita-arte e a chamada literatura de entretenimento: na segunda, você busca entreter e dar ao leitor o que ele quer. Na primeira, não. Obviamente, na literatura, você pode perfeitamente dar ao leitor o que ele quer, mas esse não pode ser um dos critérios fundamentais da criação da arte. Em tempo: não estou estabelecendo nenhuma relação de hierarquia entre ambas. Qualquer livro policial de Nero Wolfe é melhor do que 90% da literatura-dita-arte. Resta o fato de que ambos tipos de literatura tem um objetivo e uma relação com seu leitor bem diferentes.</p>
<p>E, respondendo a pergunta, sim, o contato com os leitores muda tudo, mas por outro motivo. Porque o autor escreve sempre com um leitor ideal em mente, e buscando criar um efeito nele. O contato com o leitor permite medir se você está atingindo seus objetivos e ajustá-los de acordo. Os exemplos são inúmeros. Uma vez, uma leitora me disse que uma cena de um conto fazia com que ela voltasse a uma época mais simples, mais idílica, que se sentisse como se estivesse dentro do Almoço da Relva, de Manet, fazendo um bucólico piquenique num bosque à beira no Sena em pleno século XIX&#8230; E eu agradeci a opinião, e naturalmente a leitora não estava nem um pouco errada, cada leitura é válida, mas reescrevi a cena, coloquei um celular desligado em sua bolsa e uma asa delta passando no céu, justamente para cortar esse efeito, que não era o que eu buscava. Mas, veja, a internet não tem nada a ver com isso. Esse tipo de coisa acontece desde que existe literatura.</p>
<p><strong>Como você tem base nos Estados Unidos no momento, enquanto , qual é a sua visão sobre as diferenças entre os mercados editoriais brasileiros e estadunidenses? (pergunta de <a href="http://twitter.com/emanuelcampos">@emanuelcampos</a>, via twitter)</strong></p>
<p>Nem sei. Eu vivo nos Estados Unidos de maneira muito estranha. Estou lá fisicamente, mas dentro da bolha universitária, que é como se fosse outro mundo. Estudo e dou aulas no Departamento de Espanhol e Português. Boa parte dos meus colegas, todos os meus alunos, quase todos do meu círculo social não apenas falam português fluentemente como têm um forte interesse pelo Brasil. Minha pesquisa é sobre Brasil. Minhas leituras, minha ficção, meu blog, minha producão acadêmica eu escrevo em português. Minha namorada, minha família, meus leitores, estão no Brasil. Eu publico no Brasil. Ou seja, todo meu olhar é voltado pro Brasil. Não acompanho, estudo, observo o mercado americano.</p>
<p><strong>Há planos de tradução para esse, ou outros de seus livros?</strong></p>
<p>Um casal de tradutores, ele brasileiro e ela argentina, se ofereceu para traduzir &#8220;Mulher de Um Homem Só&#8221; ao espanhol. Pretendo pegar essa versão e bater perna um pouco com ela. Tenho alguns contatos nos meios editorais cubanos e adoraria ser lido por lá. E também já existe todo um mercado literário em língua espanhola nos Estados Unidos que posso procurar - e que eu não conheço! Uma versão em espanhol, a segunda língua ocidental mais falada, já abriria inúmeras possibilidades. Aliás, o brasileiro do casal é justamente o Emanuel que sugeriu a pergunta acima.</p>
<p><strong>E qual o trecho que mais gosta de Mulher de um Homem Só?</strong></p>
<p>Não sei se é o que eu mais gosto, mas acho que é um trecho bem representativo.</p>
<p>&#8220;Eu não desconfiei porque nem todos esses almoços serviam pra despontar o vício de Murilo que Júlia tinha. Eu, que me achava sua clínica de reabilitação, era na verdade sua fornecedora clandestina: ela vinha me ver e fungava cada carreirinha de Murilo que pudesse encontrar. E eu fazia o mesmo, porque um gambá cheira o outro e eu também não sou lá muito diversa. Ela me sugava o presente, e eu, o passado. Júlia sabia tudo sobre o Murilo, cresceram juntos, nunca não se conheceram. Um era a constante da vida do outro. Júlia era tão constante que me fazia sentir a variável e isso me deixava tonta, eu precisava ir ao banheiro depois: eu imaginava Júlia, amanhã, fazendo a mesma coisa com a segunda esposa dele, indo visitar, contando histórias do passado e sugando o futuro. E eu pensava: o juramento foi comigo, a mulher dele sou eu.&#8221;</p>
<p><strong></strong></p>
<div id="attachment_3792" class="wp-caption aligncenter" style="width: 446px"><strong><strong><img class="size-full wp-image-3792" title="MulherDeUmHomemSó" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/3785123242_19e48a0719.jpg" alt="Lançamento no Rio" width="436" height="324" /></strong></strong><p class="wp-caption-text">Amigos, no lançamento no Rio, alguns dos quais mecenas</p></div>
<p><strong></strong></p>
<p><img class="size-full wp-image-3802 alignleft" title="3714026540_8a67eed970_m" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/3714026540_8a67eed970_m.jpg" alt="3714026540_8a67eed970_m" width="146" height="196" /> <strong>Autógrafos: </strong></p>
<p>Depois do lançamento no Mulher de Um Homem Só em São Paulo, no final de semana passado, o livro será lançado nesse sábado, 7 de agosto, no Rio de Janeiro. <a href="http://www.flickr.com/photos/cruzalmeida/3754417953/">Veja o convite aqui</a>. Para comprar o Mulher de Um Homem Só, <a href="http://liberallibertariolibertino.blogspot.com/2009/06/pre-venda-de-mulher-de-um-homem-so.html">acesse esse link</a>. Para ver outros livros do de Alex Castro, lançados com o apoio do selo independente <a href="http://www.osviralata.com.br/">OsViralata</a>, <a href="http://www.osviralata.com.br/alexcastro/index.html">clique aqui.</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Brasil: Lutando contra a escravidão dos dias de hoje</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/08/04/brasil-lutando-contra-a-escravatura-dos-dias-de-hoje/</link>
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		<pubDate>Tue, 04 Aug 2009 19:54:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Deborah Goldemberg</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
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		<category><![CDATA[Trabalho]]></category>
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		<description><![CDATA[O trabalho escravo é um velho e conhecido problema nos estados do norte e nordeste do Brasil. Mas em São Paulo, o trabalho escravo seria uma anomalia? A blogosfera discute e conclui: há muito o que ser revelado. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/deborah-goldemberg/">Deborah Goldemberg</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/deborah-icamiaba/'>Deborah Goldemberg</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/08/04/brazil-fighting-contemporary-slavery/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="attachment_88391" class="wp-caption alignright" style="width: 206px;"><a href="http://www.flickr.com/photos/28488531@N08/3536401084/in/set-72157618168573569/"><img class="size-medium wp-image-88391" title="Sugarcane cutter Brasil" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/07/3536401084_8871a4c8631-196x300.jpg" alt="Cortador de cana em Brasil. Photo by " width="196" height="300" /></a></p>
<p class="wp-caption-text">Cortador de cana. Foto de Ricardo Funari, usada com permissão.</p>
</div>
<p>Que o trabalho escravo é um resquício da escravidão no Brasil, particularmente nos Estados do Norte e Nordeste do país, já se sabe. Tendo sido o último país no mundo a decretar a abolição, em 1888, nas regiões mais isoladas onde os tentáculos da justiça têm dificuldade de chegar, a escravidão temporária por dívida e o trabalho sob coação vêm acontecendo e sendo combatidos regularmente pelo Governo.</p>
<p>No entanto, sempre que ocorre um incidente deste fenomeno no Estado de São Paulo, particularmente na megalópole paulistana, a notícia ganha as capas dos principais jornais brasileiros. Foi o que aconteceu na semana passada, quando fiscais do trabalho de São Paulo, acompanhados de procuradores do trabalho, libertaram 20 pessoas da escravidão (dos quais, dois jovens com 17 anos) em Mogi Guaçu (SP). O <a href="http://colunistas.ig.com.br/sakamoto/2009/07/27/escola-vira-alojamento-de-escravos-em-sao-paulo/">blog do Sakamoto</a>, parceiro do premiado <a href="http://www.reporterbrasil.com.br ">site Repórter Brasil</a>, especializado na temática de trabalho escravo, noticiou o ocorrido, chamado a atenção para a ironia de encontrarem adolescentes escravos justo dentro de uma escola abandonada.</p>
<blockquote><p>OK, isso já aconteceu outras centenas de vezes no Brasil, infelizmente. O absurdo da vez foi que o empregador alojou o pessoal em uma escola pública desativada, com fiação elétrica exposta e esgoto correndo a céu aberto. Mesmo depositando o pessoal nessas condições, disse que cobraria aluguel pela hospedagem.</p>
<p>A prefeitura havia feito um contrato com Pimenta para que ele usasse a casa dos fundos da escola em troca de manutenção do local. A escola Fazenda Graminha foi cedida pelo Estado para o município há nove anos. Agora, o contrato será cancelado e a prefeitura estuda entrar com um processo contra o empregador. O prédio foi lacrado e a secretaria fará um estudo sobre a possibilidade de reativar a escola. Incrível! Discute-se a “possibilidade”…</p></blockquote>
<div id="attachment_88364" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px;"><a href="http://www.flickr.com/photos/28488531@N08/3542029863/in/set-72157618168573569/"><img class="size-medium wp-image-88364" title="Indigenous sugarcane cutters Brazil " src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/07/3542029863_36a3d14e8f-300x195.jpg" alt="Sugarcane cutters having lunch in the middle of the plantation, under a scalding sun. Meals served with no tableware, no protection against sun or rain. Photo: Ricardo Funari" width="300" height="195" /></a></p>
<p class="wp-caption-text">Cortadores de cana almoçando no meio do canavial, sob um sol escaldante. As refeições são servidas sem talheres, proteção contra os elementos. Foto: Ricardo Funari</p>
</div>
<p>A incidência do trabalho escravo em São Paulo evoca a questão já posta pelo jornalista independente e intelectual paraense <a href="http://www.lucioflaviopinto.com.br/ ">Lucio Flávio Costa </a>no passado: <a href="http://www.acessa.com/gramsci/?id=820&amp;page=visualizar">O trabalho escravo é uma anomalia amazônica? </a></p>
<blockquote><p>Desde 2003, 192 pessoas foram autuadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego por submeter seus empregados a regime de trabalho análogo à escravidão. Mais de dois terços dessas empresas (147) atuam na Amazônia Legal. O campeão nacional do trabalho escravo é o Pará, com quase um quarto de todas as atuações, 52. As duas colocações seguintes nesse nefando ranking são ocupadas por Estados amazônicos: Tocantins (43) e Maranhão (32).</p>
<p>O que leva à concentração dos casos de exploração de mão-de-obra não é uma anomalia amazônica, mas o fato de a região constituir a área de expansão da fronteira econômica do Brasil. Há o pressuposto tácito (ou tático) de que o pioneiro não traz necessariamente consigo a contemporaneidade.</p></blockquote>
<p>O que Lúcio Flávio Pinto quer dizer é que apesar da incidência do trabalho escravo ser maior na fronteira, pelas condições favoráveis (além das geográficas, conforme diz Lúcio Flávio Pinto: a ausência da contemporaneidade, da justiça, da educação etc.), ela é perpetrada por agentes econômicos, fazendeiros e empresários, de todas as partes do Brasil, sempre pactuados com atores locais. Ou seja, é “a ocasião que faz o ladrão” e em diversos contextos favoráveis para a exploração da mão-de-obra, a herança escravagista brasileira se manifesta. Fora da fronteira, outros fatores contribuem para a ocorrência do fenômeno, tal como: a gestão municipal indiferente, pouca fiscalização, sindicatos inatuantes, trabalhadores imigrantes, vulneráveis e desinformados.</p>
<div id="attachment_88363" class="wp-caption alignright" style="width: 208px;"><a href="http://www.flickr.com/photos/28488531@N08/3542031027/in/set-72157618168573569/"><img class="size-medium wp-image-88363" title="Sugarcane cutters Brazil" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/07/3542031027_8b9e478032-1-198x300.jpg" alt="Sugarcane cutters in the lodgement: no potable water, no beds, no electrical light, no kitchen facilities or restrooms. Photo by" width="198" height="300" /></a></p>
<p class="wp-caption-text">Cortadores de cana no alojamento: sem água potável, camas, luz elétrica, cozinha ou banheiro. Foto: Ricardo Funari.</p>
</div>
<p>O caso de Mogi-Guaçu não é isolado e os blogueiros brasileiros vêm regularmente reportando a incidência de trabalho escravo em São Paulo, tanto na área rural quanto na área urbana. Este ano, o <a href="http://anjoseguerreiros.blogspot.com/2009/07/policia-flagra-trabalho-escravo-e.html ">blog Anjos e Guerreiros</a> citou matéria sobre um flagrante de trabalho escravo e exploração de mão-de-obra infantil em uma fazenda que produz limão em Cabreúva, a 70 quilômetros da capital paulista.</p>
<blockquote><p>Uma denúncia levou a polícia até a fazenda. Um lavrador estava na propriedade há quatro meses e conta que não recebeu nenhum pagamento. Os responsáveis pela contratação devem responder por exploração de trabalho infantil.<br />
- Às vezes o povo dá um pouco de comida. Tem vez que nós não comemos, não almoçamos e nem jantamos.<br />
Os funcionários contaram para os policiais que havia crianças trabalhando na colheita de limão. O Conselho Tutelar foi chamado e flagrou seis menores trabalhando no local. Um deles, um menino de 12 anos.</p>
<p>- Não tem luvas nem tinha equipamento, nem água. Eu ganho R$ 2 reais - diz o menino.<br />
Uma adolescente conta que os patrões pediram para todos fugirem assim que ficaram sabendo que a polícia ia chegar.<br />
- Nós dissemos que não fugiríamos - afirmou.</p></blockquote>
<p>Na cidade de São Paulo, em plena área urbana, a incidência de trabalho escravo tem outras características para as quais o <a href="http://verdefato.blogspot.com/2009/06/trabalho-escravo-urbano-bolivianos.html ">blog Verdefato</a> chama a atenção:</p>
<blockquote><p>O trabalho escravo urbano é menor se comparado ao do meio rural. A Polícia Federal, as Delegacias Regionais do Trabalho, o Ministério Público do Trabalho e o Ministério Público Federal já agem sobre o problema. Vale lembrar que a escravidão urbana é de outra natureza, com características próprias&#8230; O principal caso de escravidão urbana no Brasil é a dos imigrantes ilegais latino-americanos - com maior incidência para os bolivianos - nas oficinas de costura da região metropolitana de São Paulo. A solução passa pela regularização da situação desses imigrantes e a descriminalização de seu trabalho no Brasil.</p></blockquote>
<div id="attachment_88550" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px;"><a href="http://www.flickr.com/photos/28488531@N08/3542686688/in/set-72157618168573569/"><img class="size-medium wp-image-88550" title="Contemporary slavery, Amazon rainforest, Brazil. Tuerê farm; State: Pará. " src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/07/3542686688_8808ba583c-300x200.jpg" alt="Hooded Informant who succeeded in escaping from the estate ( in the background ) take the Brazilian Federal Police to the place where workers are kept imprisoned. Photo: Ricardo Funari" width="300" height="200" /></a></p>
<p class="wp-caption-text">Um informante encapuzado que conseguiu escapar da fazenda (ao fundo) leva a Polícia Federal a um local onde os trabalhadores são mantidos presos. Foto: Ricardo Funari</p>
</div>
<p>O blog também relata a uma situação de uma imigrante boliviana, <a href="http://globalvoicesonline.org/2009/07/18/brazil-amnesty-for-illegal-immigrants-sparks-hope-and-controversy/">uma dentre tantos estrangeiros ilegais no Brasil</a> trabalhando nessas condições:</p>
<blockquote><p>Sentada há mais de 16 horas diante da máquina de costura, a mãe de Ramón tem pressa. Maria Diaz costura uma peça de roupa atrás da outra, intensamente. Ela tem uma agenda para cumprir. Só pára quando precisa comer ou ir ao banheiro. A mãe do pequeno Ramón é uma mulher exausta.</p>
<p>Desde que chegou ao Brasil, em 2003, trabalha do amanhecer até tarde da noite. Não tem carteira assinada, equipamento de proteção, assistência médica. Ela não existe nos registros de imigração. Oficialmente, o governo brasileiro não sabe de sua presença. Tampouco sua saída da Bolívia, em 2003, foi registrada pelo governo daquele país. Maria foi trazida para São Paulo por intermediários conhecidos como &#8220;coiotes&#8221;, que ganham dinheiro contrabandeando gente de um país para outro. Em São Paulo, pelo menos 100 mil bolivianos estão nessa situação.</p></blockquote>
<div id="attachment_88365" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px;"><a href="http://www.flickr.com/photos/28488531@N08/3535359233/in/set-72157618168573569/"><img class="size-medium wp-image-88365" title="Modern Slavery in Amazon - Issuing work permit document" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/07/3535359233_7dd72258b1-300x199.jpg" alt="Man found imprisoned inside estate shaving for being photographed and having the photograph pasted into the first work permit he had ever had in his live. Photo by " width="300" height="199" /></a></p>
<p class="wp-caption-text">Um homem encontrado preso em uma fazendo faz a barba para ser fotografado para a primeira carteira de trabalho que já teve na vda. Foto: Ricardo Funari.</p>
</div>
<p>Ainda em São Paulo, um artigo do sociólogo e vereador Floriano Pesaro citado no <a href="http://coisasdesp.blogspot.com/2009/07/nao-ao-trabalho-infantil.html">blog Coisas de São Paulo</a>, discute o caso das crianças de rua que são obrigadas pelos pais a trabalharem. Trata-se de um caso misto de duas infrações: o trabalho infantil e análogo à escravidão:</p>
<blockquote><p>O trabalho infantil nas ruas, no comércio e até dentro de casa resiste no Brasil urbano e rural. Manifesta-se em suas piores formas, com práticas análogas ao trabalho escravo: exploração sexual comercial, venda e tráfico de crianças para trabalho ou exploração sexual, uso de crianças no comércio de drogas. Estas práticas envolvem atividades criminosas que são ilícitas e que levam crianças e adolescentes à morte. Na cidade de São Paulo, de acordo com pesquisa da FIPE, de 2007, são pouco mais de mil crianças em trabalho infantil somente nas ruas.</p></blockquote>
<p>Ao escrever esse artigo para o Global Voices Online, fiquei pensando se disseminar tão más notícias para o mundo inteiro não prejudica a imagem do Brasil no exterior, mas um blog muito interessante, do <a href="http://edsonrodrigues.wordpress.com/2009/03/27/trabalho-escravo-uma-triste-realidade-no-brasil/">Edson Rodrigues</a>, me ajudou a refletir sobre o assunto. Ele traz uma lista de 15 Verdades e Mentiras sobre o trabalho escravo no Brasil e numa delas discute se a divulgação internacional do trabalho escravo traz prejuízos ao país:</p>
<blockquote><p>12) Mentira: A divulgação internacional prejudica o comércio exterior e vai trazer prejuízo ao país.<br />
Verdade: Isso é uma falácia. Não erradicar o trabalho escravo é que prejudica a imagem do Brasil no exterior. As ameaças de restrições comerciais serão levadas a cabo se o país não fizer nada para resolver o problema. Que usamos trabalho escravo, isso é público e notório&#8230;A agricultura é fundamental para o desenvolvimento do país. Por isso mesmo, ele deve estar na linha de frente do combate ao trabalho escravo, identificando e isolando os empresários que agem criminalmente. Dessa forma, impede-se que uma atividade econômica inteira venha a ser prejudicada pelo comportamento de alguns poucos.</p></blockquote>
<div id="attachment_88362" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px;"><a href="http://www.flickr.com/photos/28488531@N08/3535380017/in/set-72157618168573569/"><img class="size-medium wp-image-88362" title="Modern Slavery in Amazon - Issuing work permit document in the forest" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/07/3535380017_a328cec61d-300x193.jpg" alt="Modern Slavery in Amazon - Issuing work permit document in the forest. Photo by Ricardo Funari, used with permission." width="300" height="193" /></a></p>
<p class="wp-caption-text">Emissão de documentos trabalhistas na floresta. Foto: Ricardo Funari.</p>
</div>
<p>Faço dele as minhas palavras e concluo este artigo certa de que o trabalho escravo é um resquício generalizado da escravidão no Brasil e que anomalia é não combater este fenômeno sempre de frente.</p>
<p>—</p>
<p>As fotos que ilustram esse artigo foram gentilmente cedidas pelo fotógrafo baseado no Rio de Janeiro <em><a href="http://www.flickr.com/photos/28488531@N08/">Ricardo Funari</a></em>, que trabalha criando e documentando a injustiça social no Brasil. Segundo o que conheceu por meio de seu trabalho, “em geral, o trabalhador é reduzido à condição de escravo na sua forma mais aguda, com a mercantilização do trabalho braçal. Atraído por falsas propostas de boa remuneração feitas pelo &#8220;gato&#8221;- o empreiteiro de mão-de-obra - o lavrador deixa a família, a maioria das vêzes indo para outro estado, na esperança de um futuro que o livre da miséria. As despesas e alimentação são pagas pelo &#8220;gato&#8221;que, ao final de viagem o entrega a um fazendeiro. Está dado o primeiro golpe: antes mesmo de começar a trabalhar, o peão já tem uma dívida com o &#8220;gato&#8221;, não importa que tenha viajado milhares de quilômetros em velhos ônibus, quebrados, sujos e desconfortáveis, e sobrivivido a pão e refrigerantes. O próximo passo é tornar esta dívida impagável. Para isso, são cobrados do trabalhador as ferramentas do trabalho, o abrigo em galpões imundos e em condições de higiene subumanas, além dos mantimentos comprados a preços exorbitantes nos armazéns que funcionam dentro das fazendas. É o chamado &#8220;sistema barracão&#8221;, pelo qual a dívida se transforma em um instrumento eficaz, no sentido de reduzir os trabalhadores à situação de escravos.” Seu album de fotos, <a href="http://www.flickr.com/photos/28488531@N08/sets/72157618168573569/">Contemporary Slavery in Brazil</a>, pode ser visto no Flickr.</p>
<div id="attachment_88371" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px;"><a href="http://www.flickr.com/photos/28488531@N08/3536197068/in/set-72157618168573569/"><img class="size-medium wp-image-88371" title="Modern slavery in Amazon - freedom and payment" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/07/3536197068_125232e972-300x199.jpg" alt="Toothless worker receives payment respecting entirely the legislation in Brazil and break into laughter. Photo by Ricardo Funari." width="300" height="199" /></a></p>
<p class="wp-caption-text">Um trabalhador desdentado cai na risada ao receber pagamento de acordo com a lei. Foto: Ricardo Funari.</p>
</div>
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		<title>Brasil: Lutando por mais reciclagem com o Manifesto do Lixo Eletrônico</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Jul 2009 20:04:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Casaes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No Brasil, um projeto de lei sobre a eliminação de resídios sólidos foi modificando e exclui o lixo eletrônico da pauta. Como primeiro passo para questionar essa mudança, o Manifesto do Lixo Eletrônico foi criado a fim de reunir os internautas e dar suporte a uma maior reciclagem de bens eletrônicos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/diego-casaes/">Diego Casaes</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/diegocasaes/'>Diego Casaes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/07/30/brazil-fighting-for-more-recycling-with-the-electronic-waste-manifesto/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="attachment_87934" class="wp-caption alignright" style="width: 216px"><a href="http://www.flickr.com/photos/mbraz/3218136294/"><img class="size-full wp-image-87934" title="Electronic Wastes" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/07/lixoeletronico2.jpg" alt="Photo by marcbraz on Flickr" width="206" height="155" /></a><p class="wp-caption-text">Photo by marcbraz on Flickr</p></div>
<p>Administrar o lixo mundial é uma tarefa difícil para muitos países, sejam eles desenvolvidos ou em desenvolvimento. No Brasil, apenas 10% de todas as cidades possuem um plano estratégico adequado para lidar com o lixo reciclável, <a href="http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/andre-trigueiro/2009/07/19/MAIS-UM-DIAGNOSTICO-SOMBRIO-SOBRE-O-FUTURO-DO-PLANETA.htm">de acordo</a> com <em><a href="http://www.mundosustentavel.com.br/andre.asp">André Trigueiro</a></em>, um jornalista, professor e comentarista da Rádio CBN.</p>
<p>Nas últimas semanas, a Política Nacional de Resíduos Sólidos - proposta pela Câmara dos Deputados do Brasil - emergiu uma discussão entre os blogueiros brasileiros principalmente por causa de uma</p>
<p>mudança no artigo 33, que regulamenta a logística reversa e reciclagem obrigatória de lixo extraordinário, não mais considerando equipamentos eletrônicos como elegíveis à política. Muitos acreditam ser essa decisão resultado de pressão pela indústria de reciclagem, dado os altos custos para a reciclagem de lixo eletrônico.</p>
<p>Reagindo à adaptação do Projeto de Lei, o Coletivo Lixo Eletrônico criou o <a href="http://lixoeletronico.org/manifesto">Manifesto do Lixo Eletrônico</a> para compartilhar idéias sobre o que a inclusão de lixo eletrônico nesta política nacional de controle de resíduos significaria para a população brasileira e seu estilo de vida atual. Segue um extrato do Manifesto:</p>
<blockquote><p>No Brasil, temos uma oportunidade hoje que está sendo desperdiçada. Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei da Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PL 203/91). É imperativo que a Política Nacional de Resíduos Sólidos contemple os equipamentos eletro-eletrônicos e que estes sejam enquadrados como produtos especiais de logística reversa e reciclagem obrigatória. Os eletro-eletrônicos estarão cada vez mais presentes na nossa vida, trazendo benefícios na mesma velocidade em que produzem mais lixo com o qual ainda não lidamos corretamente. Regulamentar sua destinação é condição urgente e necessária para que possamos continuar a nos beneficiar dos avanços da tecnologia de maneira sustentável, sem pagar um alto preço ambiental e à saúde de nossa população.</p></blockquote>
<p>Durante uma <a href="http://blog.primeiramao.com.br/index.php/2009/07/24/um-destino-nobre-para-o-lixo-tecnolgico/">entrevista</a> ao blog Primeira Mão, <em>Felipe Andueza</em>, parte do grupo que idealizou o Manifesto, dá a seguinte resposta ao ser indagado sobre como o Brasil lida com o lixo eletrônico atualmente:</p>
<blockquote><p>Na esfera federal, há somente a Lei de Crimes Ambientais, que institui a responsabilidade até a deposição adequada de todos os produtos potencialmente contaminantes por seus fabricantes e algumas Resoluções CONAMA sobre pilhas e baterias. [&#8230;] Boa parte deve parar no lixo doméstico, principalmente o que não pode ser doado, reaproveitado e etc. Estima-se que mais ou menos 1% do lixo eletrônico produzido no Brasil seja reciclado, somente.</p></blockquote>
<p>Na medida em que as exigências sustentáveis para a reciclagem aumentam rapidamente, as mudanças no projeto de lei em questão direcionam o Brasil para um caminho oposto ao de crescimento populacional e econômico do país. É importante destacar também que, para muitas pessoas, a logística reversa dos eletrônicos consistiria em uma maneira interessante de auxiliar projetos de inclusão digitial, tirando vantagem dos aparelhos que ainda estão em boas condições de uso.</p>
<p>Para buscar auxílio ao manifesto, uma <a href="http://www.petitiononline.com/ewaste1/">petição online</a> foi criada e paulatinamente ganha suporte através da internet brasileira. É necessário divulgá-la mais rapidamente, pois o projeto de lei pode ser aceito com um artigo não amigável ecologicamente, já que a mídia convencional não divulgou o assunto ainda.</p>
<div id="attachment_87938" class="wp-caption alignnone" style="width: 341px"><a href="http://www.flickr.com/photos/cbnsp/3571051275/"><img class="size-full wp-image-87938" title="Electronic Wastes at a Street" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/07/lixoeletronico1.jpg" alt="lixoeletronico1" width="331" height="249" /></a><p class="wp-caption-text">Photo by Flickr user Galeria de Milton Jung CBNSP</p></div>
<p>Em um comentário no blog do Manifesto do Lixo Eletrônico, <em>Walfrido Assunção</em> relembra um tempo em que, de maneira similar, pneus eram deixados em ambientes naturais, como nos rios, sem a devida atenção da parte dos ambientalistas e da população; <a href="http://lixoeletronico.org/manifesto#comment-354">pontuando</a> de maneira interessante, ele diz:</p>
<blockquote><p>[&#8230;] Quem de nós não tem no porão, na garagem ou numa prateleira qualquer um televisor ou computador obsoleto “esquecido”? Quem de nós não tem um (ou vários) telefone celular obsoleto em uma gaveta qualquer? Esses eletro-eletrônicos hoje que são “parte da paisagem ou da decoração”, no futuro não muito distante se tornarão também num preocupante passivo.</p></blockquote>
<p><em>Karine Estevam</em> também refletiu sobre o post do Manifesto, e <a href="http://lixoeletronico.org/manifesto#comment-381">argumenta</a>:</p>
<p><em></em></p>
<blockquote><p>Achei maravilhosa esta iniciativa de fazer o Manifesto, afinal precisamos participar incisivamente do processo de formação das Politas Publicas Ambientais.<br />
O lixo é uma questão muito seria e extramamente relevante, principalmente este tipo de lixo já que não se tem ideia do período de decomposição e por isso deve-se buscar alternativas para o seu descarte.<br />
Vou assinar com todo prazer!</p></blockquote>
<p>Celedo diz o que pensa da situação com um ponto de vista bastante incisivo, <a href="http://lixoeletronico.org/manifesto#comment-344">destacando</a>:</p>
<blockquote><p>O mundo está uma verdadeira imundície!<br />
O lixo diário e por vezes lixo por segundo (nova medida de lixo/tempo) é produzido pelo consumismo exacerbado da humanidade&#8230; espero que não sejamos omissos neste caso de importância mundial!</p></blockquote>
<p>Conclui-se então que pensar em maneiras de gerenciar os resíduos da indústria de eletrônicos é parte de uma proposta para criar um estilo de vida sustentável e propor um sistema de reciclagem de bens eletrônicos. Ambos, ciberativismo e participação online, evidenciam as necessidades da população que atualmente são minadas pelos interesses econômicos das indústrias.</p>
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