Está vendo todos esses idiomas acima? Nós traduzimos os artigos do Global Voices para tornar a mídia cidadã acessível para várias partes do mundo.

Saiba mais sobre Tradução do projeto Língua  »

Notícias from África

República Centro-Africana: construir a paz sustentável

Quando a ONU lançou a sua missão de manutenção da paz com a chegada de 1.500 soldados à República Centro-Africana (RCA), alguns observadores perguntaram-se porque demorou tanto tempo, tendo em conta a dimensão das baixas. Les Cercles Nationaux de Réflexion sur la Jeunesse (CNRJ) é uma ONG em Bangui, na RCA, que em parceria com a Universidade de Bangui, se esforça por construir as bases para uma paz sustentável no país. Aqui está um vídeo que ilustra o trabalho em curso:

Madagáscar: e se 75% das cidades fossem privadas de electricidade de propósito?

A Night in Madagascar when electricity is out  by Augustin- CC-BY-2.0

Uma noite em Madagáscar sem electricidade, por Augustin- CC-BY-2.0

Há cerca de 105 cidades em toda a Madagáscar. Destas, o ministro da Energia Fienena Richard anunciou recentemente que 80 estão actualmente sem energia eléctrica porque a JIRAMA, empresa pública responsável pelo fornecimento de electricidade a todo o país, está a ficar sem combustível. Como resultado, a JIRAMA tem de escolher as cidades que vão receber electricidade. O que representa cerca de 75% de todas as cidades do país, uma proporção que seria impensável na maioria dos países do mundo. A empresa também tem de lidar com a ameaça de uma greve geral dos trabalhadores que exigem mais medidas de segurança para lidar com a fúria dos clientes. Um dos clientes insatisfeitos foi o próprio Presidente malgaxe, que ameaçou processar a empresa depois de uma avaria eléctrica em sua casa. O blogger Andriamihaja, de Tulear, no sul de Madagáscar, escreveu uma humorística carta aberta à empresa, descrevendo como seria a vida sem electricidade na sua cidade.

A verdade sobre o Ebola

The Ebola Truth [A verdade sobre o Ebola] é uma página no Facebook cujo objetivo é documentar a situação do vírus Ebola no continente africano.

Pobreza e exploração de crianças em Angola retratadas em livro

O jovem escritor e jornalista angolano Fernando Guelengue lança o seu primeiro livro na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no Brasil. Intitulada “Pobreza – o epicentro da exploração das crianças em Angola”, a obra aborda a problemática da situação da criança em Angola, analisando vários casos de exploração de menores.

Em entrevista à Deutsche Welle (DW), também disponível em audio, o autor afirma:

“O epicentro da exploração de menores em Angola é a pobreza (…) E a par da própria pobreza temos a falta de oportunidades de trabalho, o baixo rendimento financeiro dos pais e o analfabetismo”.

Segundo o autor, não foi possível encontrar apoios para a edição do livro em Angola, onde continua sem editora. A obra encontra-se à venda online, no site da Editora Biblioteca24horas.

Níger: 12 mortos e 27.000 desalojados por causa das cheias

Flooding in Niamey in Niger - Public Domain

Inundações em Niamey, Níger – Domínio Público

As chuvas fortes e inundações no Níger mataram 12 pessoas e deixaram milhares [fr] sem casa. Em Niamey e nas regiões circundantes, os rios subiram e destruíram milhares de habitações. A degradação dos solos e o cultivo de terras marginais na região aumentam o risco de fenómenos extremos se converterem em desastres naturais. Algumas soluções de preparação para as inundações foram implementadas [en] pelas autoridades nacionais:

ANADIA Níger tem como objectivo desenvolver metodologias e ferramentas para avaliação do risco de inundação, apoiar o planeamento nos diferentes níveis de tomada de decisão, aumentar a resiliência das comunidades locais e desenvolver uma maior capacidade de previsão e resposta. Neste contexto, o desenvolvimento de uma base de dados das inundações irá contribuir para um processo de decisão mais eficaz.

 

Forças da paz envolvidas no desaparecimento de 11 rebeldes na República Centro Africana

Peter Bouckaert [en], director das urgências da Human Rights Watch, relata que as forças de manutenção da paz da União Africana estiveram envolvidas na prisão de pelo menos 11 rebeldes anti-balaka a 24 de Março. Os rebeldes detidos não são vistos desde a sua prisão [en]:

Desde 24 de Março que não há notícias acerca das pessoas que foram presas. Os familiares dirigiram-se à base principal da MISCA (Missão Internacional de Apoio à República Centro-Africana) em Bangui, Camp M’poko, e a todas as esquadras de polícia em Bangui, mas não encontraram os seus entes queridos, que receiam terem sido executados pelos soldados da MISCA, a menos que estes os estejam a manter em local não revelado. Três testemunhas distintas afirmaram que soldados da MISCA prenderam no mínimo mais sete pessoas ao longo da rua principal, provavelmente porque usavam amuletos tradicionais gris-gris associados às milícias anti-balaka. Os seus nomes não são conhecidos, pois não são de Boali.

 

Caraíbas juntam-se à luta na Nigéria: #BringBackOurGirls

Se os nossos filhos estivessem desaparecidos, gostaríamos que o mundo parasse para nos ajudar a encontrá-las. Nós… pedimos que… pense por que é que tão frequentemente os corpos das mulheres se transformam em campos de batalha, sobre os quais guerras são travadas. Este problema não diz respeito apenas a uma pequena cidade da Nigéria, mas sim a todas as jovens em toda a parte.

Tillah Willah [en] enviou uma carta a Goodluck Jonathan [presidente da Nigéria], pedindo-lhe que trate “do desaparecimento das 234 meninas em idade escolar em Chibok, Borno… com um pouco mais de urgência.”

Nigéria: Campanha #Bringourgirlsback exige libertação de meninas raptadas

 


Poster da campanha. 234 meninas com idades entre os 16 e os 18 anos foram raptadas há quase 2 semanas na Nigéria:  #bringourgirlsback.  Fonte: Página do Facebook #‎bringourgirlsback‬ – Domínio Público

Em meados de Abril, mais de 200 meninas em idade escolar foram raptadas [en] numa escola secundária, em Chibok, na Nigéria, pelo Boko Haram, um grupo terrorista com base na região norte do país. Pelo menos 57 das meninas conseguiram escapar, mas ainda há muitas outras nas mãos dos sequestradores. A 30 de Abril, mulheres nigerianas organizaram manifestações em várias cidades do país para exigir que o governo intensifique os esforços para resgatar as meninas. O site de notícias Sahara Reporters publicou uma cobertura fotográfica [en] em Kaduna, Nigéria. Bloggers nigerianos também criaram uma página no Facebook com a hashtag #bringourgirlsback [en], pedindo para se espalhar a indignação na internet contra esta acção criminosa dos rebeldes extremistas.

Comentários e imagens da conferência Highway Africa 2014

Highway Africa 2014 teve lugar de 7 a 8 de Setembro de 2014, na Universidade de Rhodes, em Grahamstown, África do Sul. “Redes Sociais – das periféricas às mais difundidas” foi o tema da conferência. Você pode encontrar imagens e comentários sobre a conferência aqui.

Com apoio de fãs, Azagaia consegue fundos para operar tumor na Índia

Imagem de agradecimento do Azagaia: foto retirada da página Ajuda o Mano Azagaia.

Imagem de agradecimento do Azagaia: foto retirada da página Ajuda o Mano Azagaia.

campanha para angariação de fundos para operação de um tumor no cérebro do rapper moçambicano Edson da Luz, mais conhecido por Azagaia, alcançou o valor necessário em menos de dez dias. O anúncio foi feito recentemente por meio da página Ajuda o Mano Azagaia:

É com enorme emoção que anunciamos que a campanha de angariação de fundos Ajuda o Mano Azagaia passou da meta definida!
A partir deste momento a campanha está encerrada.
Total recebido: 791,546.63 Meticais!
É impossível expressarmos plenamente em palavras a emoção e gratidão que sentimos!
Este resultado é fruto da contribuição de centenas de pessoas em Moçambique e outras partes do mundo em menos de 2 semanas!
MUITO, MUITO OBRIGADO a todos! Por cada Metical, por cada palavra encorajadora, por cada pequeno gesto de apoio! Somos grandes porque estamos todos juntos!
Esta página vai continuar aberta e será actualizada até ao final do tratamento a que o Edson será submetido.
CUBALIWA!!!*

*Cubaliwa significa renascimento na língua Masena, falada nas províncias Manica e Sofala, na região central de Moçambique, e é também o nome de um dos discos de Azagaia.

Alex Magno Massingue comentou na mesma publicação:

Deus sempre ampara os seus filhos e nunca deixa na mão a todos que se sacrificam em prol do bem comum. Força e que continues o incomparável e implacável crítico social

Sheila Tarmamade disse por sua vez:

Mereces Azagaia….quando temos o coração repleto de coisas boas Deus sempre nos protege…REZAREMOS POR TI AZAGAIA

Mensagens de apoio sucederam também no twitter:

Como bloggers foram parar à prisão por escreverem sobre direitos humanos na Etiópia

Melody Sundberg analisa a liberdade de expressão na Etiópia após os bloggers etíopes detidos passarem 100 dias na prisão:

A Etiópia, com uma população de quase 94 milhões de habitantes, é o segundo país mais populoso de África. No entanto, de acordo com declarações de Endalkhachew Chala em entrevista ao Global Voices, não tem um jornal diário independente nem media independente. Havia necessidade de uma voz alternativa e, por conseguinte, os bloggers da Zone 9 começaram a blogar e a usar as redes sociais para escrever sobre temas relacionados com os direitos humanos. O nome do grupo, Zone 9, refere-se às zonas da conhecida prisão etíope Kality, onde presos políticos e jornalistas estão a ser detidos. A prisão tem oito zonas, mas a nona “zona” refere-se ao resto da Etiópia. Mesmo estando fora dos muros da prisão – nunca se é verdadeiramente livre; qualquer pessoa de livre pensamento pode ser presa. Os bloggers quiseram ser a voz desta nona zona.

Na entrevista, Endalkachew diz que o grupo tinha campanhas de respeito da constituição, para acabar com a censura e de direito à manifestação. O grupo também visitou prisioneiros políticos, como os jornalistas Eskinder Nega e Reeyot Alemu. Quiseram chamar a atenção pública, usando as redes sociais.

O trabalho heróico diário de cientistas na luta contra o Ébola na Libéria

Durante a actual crise da febre hemorrágica ébola (FHE), muitas são as reportagens acerca de pacientes, pessoal médico, vacinas e consequências da doença nos países afectados. Porém, raros são os relatos acerca do trabalho diário dos técnicos de laboratório e daqueles que tratam das suas necessidades diárias. Num artigo publicado no site buzzfeed.com intitulado Os heróis desconhecidos da crise do Ébola na Libéria, Jina Moore conta a história destas pessoas fulcrais na luta contra o vírus do Ébola na Libéria:

Catherine Jeejuah começa tão cedo os seus dias que nem sabe que horas são. Mas isso é irrelevante. Ela levanta-se quando ainda está escuro, acende o fogo e coze arroz e verduras para os seus dois filhos. Por volta das 6h30 da manhã, quando a claridade começa a entrar pelas janelas, ela sai de casa e dirige-se a uma escola nas proximidades.

Ali, ela faz tudo novamente, mas numa escala maior. Jeejuah, de 30 anos, e outras duas mulheres, todas voluntárias, cozinham para 12 das mais importantes, mas invisíveis, pessoas na Libéria no momento.

As doze refeições destinam-se à equipa de técnicos que testa o sangue de doentes com suspeita de Ébola. Eles visitam os doentes nas suas casas e nos sobrecarregados centros de tratamento e inserem agulhas em veias de pessoas fisicamente imprevisíveis e altamente contagiosas. De seguida, levam de volta as amostras de sangue para o único laboratório médico da Libéria, que fica a mais de uma hora da capital, Monróvia.

Dois jornalistas detidos por suspeita de difamação a um ministro de Madagáscar

Dois jornalistas do jornal Madagascar Matin foram detidos e levados para a prisão de Antanimora, em Antananarivo, capital de Madagáscar. Na manhã de 23 de julho de 2014, ambos foram convocados à Brigada de Fiadanana para uma audiência. Solo Rajaonson, outro jornalista local, publicou a seguinte atualização [mg] no Facebook:

About the latest news regarding freedom of press in Madagascar: our colleagues, the Publication Manager of the newspaper Madagascar Matin, Jean Luc Rahaga and his Editor-In-Chief, Didier Ramanoelina are placed under arrest at the penitentiary of Antanimora in Antananarivo, Madagascar. This is the result of a complaint of defamation from  Rivo Rakotovao, the Minister of Transport and Industry. So much for breaking away from our recent dark past, I guess

Sobre as notícias mais recentes a respeito da liberdade de imprensa em Madagáscar: nossos colegas, o diretor do jornal Madagascar Matin, Jean Luc Rahaga, e seu editor-chefe, Didier Ramanoeilina, foram detidos na penitenciária de Antanimora em Antananarive, Madagascar. Este é o resultado de uma queixa de difamação vinda do Ministro do Transporte e da Indústria, Rivo Rakatoavo. Tamanho esforço para romper com o nosso recente passado obscuro, eu suponho.

Quando Maya Angelou viveu no Egipto e em Gana

Sean Jacobs escreve acerca [en] de Maya Angelou, escritora e poetisa norte-americana, que morreu aos 86 anos, no dia 28 de Maio de 2014:

Em 1961, Maya Angelou, que já trabalhava em prol dos direitos civis, e o seu parceiro na altura Vusumzi Make, um activista exilado oriundo da África do Sul (foi um dos principais membros do Congresso Pan-Africano), mudaram-se para o Cairo, Egipto, onde ela encontrou trabalho num pequeno jornal radical. Um ano depois, Angelou e Make separaram-se e ela mudou-se com o filho para o Gana. Uma vez lá, juntaram-se a uma pequena comunidade de expatriados afro-americanos, da qual também faziam parte o estudioso e activista W. E. B. Du Bois, o escritor William Gardner Smith, o advogado Pauli Murray, o jornalista Julian Mayfield e o sociólogo St. Clair Drake. Angelou continuou o seu trabalho como jornalista, tendo igualmente trabalhado como administradora na Universidade de Gana. Angelou impressionou tanto os seus anfitriões que estes honraram-na com um selo postal. Foi também durante esta época que Malcolm X visitou Gana, um encontro que a motivou a voltar aos EUA em 1965, para ajudar Malcolm X a criar a sua Organização para a Unidade Afro-Americana. Pouco depois do seu regresso, Malcolm X foi assassinado.

Quem beneficia com o tráfico de mulheres de Madagáscar para o Médio Oriente?

Aaron Ross relata na sua investigação a partir do centro do tráfico humano [en] de mulheres jovens de Madagáscar para países do Médio Oriente [en]:

Para alguns empresários empreendedores, o colapso era anunciado como a oportunidade de uma vida. As chamadas agências de recrutamento surgiram em Antananarivo e noutras cidades em todo o Madagáscar, prometendo uma boa vida nos “Eldorados” do Médio Oriente, onde os salários mensais rondam normalmente os US $200. As agências lucrariam mais de US $2,000 por cada transacção bem sucedida [..] À medida que a economia de Madagáscar entrava numa espiral decrescente, o número de emigrantes continuava a crescer. Alguns foram clandestinamente para o Líbano com a conivência de funcionários do governo. Contudo, ultimamente, o Kuwait e a Arábia Saudita têm sido os destinos mais populares.

Ross também detalha no seu relatório as consequências das sanções económicas após o golpe de Estado. O assunto também foi discutido por observadores nacionais aqui [en].