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	<title>Global Voices em Português &#187; Photos</title>
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	<description>O mundo está falando. Você está ouvindo?</description>
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		<title>Índia: Puja Durga: A visita de uma filha</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/10/28/india-puja-durga-a-visita-de-uma-filha/</link>
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		<pubDate>Wed, 28 Oct 2009 23:52:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cilene Dutra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte & Cultura]]></category>
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		<description><![CDATA[O Puja Durga é um festival anual que celebra a adoração à deusa hindu Durga. Os Bengalis acreditam que ela é a filha de Bengal e que durante cinco dias ela visita a casa de seus pais em companhia de seus quatro filhos e dois amigos queridos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/aparna-ray/">Aparna Ray</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/cilenedutra/'>Cilene Dutra</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/09/29/india-durga-puja-a-daughter-comes-visiting/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="single">
<p>Uma lenda conta que o poderoso demônio <a href="http://maavaishnodevi.org/legend3.asp">Mahisasura </a>costumava aplacar os deuses por meio de penas severas. Quando os deuses favorecidos ofereciam-no uma recompensa, ele pedia a imortalidade. Como seu pedido era negado, ele pensou em uma estratégia engenhosa e pediu aos deuses que  pudesse ser vencido apenas por uma mulher em batalha, pois achava que nenhuma mulher teria sua destreza física. Dessa forma, seria praticamente um imortal. Mal recebeu seus poderes, Mahisasura começou a causar estragos nos céus e na terra.</p>
<p>Derrotados nas batalhas, os deuses combinaram suas energias divinas e criaram <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Shakti">Shakti </a>(a energia feminina primordial, cósmica), uma deusa de variadas manifestações, uma delas era <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Durga">Durga</a>. Armada pelos deuses, Durga dirigiu-se à batalha montada em um leão. Seguiu-se uma longa e violenta batalha na qual Mahisasura foi finalmente derrotado.  Por isso, a Deusa Durga é celebrada como &#8216;Mahisasura - mardini&#39;, (aquela que derrotou Mahisasura). Ela é a Deusa Mãe, a força suprema que vence todos os males.</p>
<div id="attachment_4855" class="wp-caption aligncenter" style="width: 235px"><img class="size-full wp-image-4855" title="Durgapuja09-033-225x300" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/Durgapuja09-033-225x300.jpg" alt="Deusa Durga derrota Mahisasura. Foto de Aparna Ray" width="225" height="300" /><p class="wp-caption-text">Deusa Durga derrota Mahisasura. Foto de Aparna Ray</p></div>
<p>Inicialmente, esse festival hindu na Índia era celebrado na primavera. Hoje, porém, as celebrações outonais superam de longe o <a href="http://www.gita.ddns.com.br/hinduismo/puja.php">Puja</a> (celebração) original de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Devi">Devi</a> (deusa/sinônimo de Shakti). A celebração outonal, segundo o épico <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Ramayana">Ramayana</a>, iniciou-se quando Ram prestou homenagem à Deusa antes de entrar na batalha com o demônio rei Ravana a fim de salvar sua esposa Sita, que Ravana havia seqüestrado. Como essa invocação da Deusa estava fora de época, o puja da Deusa Durga conduzido por Ram também é chamado de &#8216;akalbodhan&#39; (adoração fora de época).</p>
<p>Seguindo o exemplo de Ram, a celebração à Durga atualmente ocorre em qualquer estado da Índia entre 5 (puja à Durga) e 10 dias (Navaratri - em que 9 formas de Shakti são veneradas).</p>
<p>Enquanto o conto básico do ritual à Durga permanece o mesmo, os <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bengalis">Bengalis</a> têm uma abordagem levemente personalizada dos pujas (ou &#8216;pujo&#39;, pronúncia Bengali). Acredita-se que Durga é a filha de Bengal e durante esses 5 dias, ela visita a casa de seus parentes com suas 4 crianças (<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ganexa">Ganesha</a>, <a href="http://hinduism.about.com/od/hindugoddesses/p/lakshmi.htm">Lakshmi</a>, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Sarasvati">Saraswati </a>e <a href="http://hinduism.about.com/od/godsgoddesses/p/kartikeya.htm">Kartikeya</a>) e dois amigos próximos. Curiosamente, seu marido, Shiva, não costuma acompanhá-la nessa viagem. Ele fica para trás, deixando sua esposa e filhos visitarem a Terra e aproveitarem todos os mimos oferecidos por seus parentes Bengalis.</p>
<div id="attachment_4856" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-4856" title="Durgapuja09-0651-300x225" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/Durgapuja09-0651-300x225.jpg" alt="Imagem de Durga no santuário de Kolkata do Sul. Foto de Aparna Ray." width="300" height="225" /><p class="wp-caption-text">Imagem de Durga no santuário de Kolkata do Sul. Foto de Aparna Ray.</p></div>
<p><em>Kolkata Musing </em>[en] nos conta <a href="http://www.kolkatamusing.com/2009/09/creativity-cornerstone-of-kolkatas.html">por que ele acha</a> que o puja de sua cidade para a Deusa Durga  pode ser considerado &#8216;único&#39;.</p>
<blockquote><p><em>What is unique to Kolkata’s Durga Puja is the quest for creativity, the insatiable urge to create something new. And it is for this reason that I will always feel that Kolkata’s Durga Puja can perhaps never be paralleled.</em></p></blockquote>
<div class="translation">O que torna o puja da deusa Durga em Kolkata único é a busca pela criatividade, a urgência insaciável de criar algo novo. E por essa razão acredito que a celebração à Durga em Kolkata talvez nunca tenha paralelos.</div>
<p>A cada ano, a criatividade torna-se mais evidente no design e decoração do santuário do protima (imagem) nos temas de celebração a Durga. Há também numerosos prêmios entregues aos pujas inovadores, criativos, ecológicos (um critério relativamente novo nos parâmetros de avaliação) e até àqueles que levam em conta a segurança da população.</p>
<p><em>Saurabh Dhanuka </em><a href="http://saurabhdhanuka.wordpress.com/2009/09/17/i-live-in-calcutta-and-i-am-proud-of-it/">escreve </a>em seu blog [en]:</p>
<blockquote><p><em>[…] the Durga Puja is an essence of all the passions of a Bengali, his culture, love, emotions, warmth of being together, the ultimate joy of celebration. They feel great pleasure in competing with each other on pandal making.</em></p></blockquote>
<div class="translation">[&#8230;] a celebração de Durga resume em si todas as paixões de um Bengali: sua cultura, seu amor, suas emoções, o calor da união, a felicidade máxima da celebração. É aprazível para eles competir entre si mesmo na confecção do melhor santuário.</div>
<p>Aqui estão alguns temas do Pujo desse ano:</p>
<div><strong>O tema do Nepal</strong> - Apreciado pelo Painel de Turismo e o Cônsul-Geral do Nepal, <a href="http://beacononline.wordpress.com/2009/09/24/kolkata-durga-puja-nepalese-style/">esse puja de Kolkata do Sul</a> refletiu a arte Nepalesa e a arquitetura em toda sua glória, desde o <a href="http://dictionary.reference.com/browse/pandal">santuário</a> -  uma réplica do Templo de  Yakshewar Mahadev em Baktapur - até a imagem de Durga inspirada na deidade nepalesa de quatro cabeças, Taleju Bhavani.</div>
<div>
<div id="attachment_4857" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.flickr.com/photos/album2007/3962267848/"><img class="size-full wp-image-4857 " title="3962267848_2a87d0eef7-300x225" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/3962267848_2a87d0eef7-300x225.jpg" alt="Imagem de Durga inspirada na deidade nepalesa Taleju Bhavani. Originalmente postado por Anil, no Flickr. Usada sob licença Creative Commons" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Imagem de Durga inspirada na deidade nepalesa Taleju Bhavani. Originalmente postado por Anil, no Flickr. Usada sob licença Creative Commons</p></div>
<p><strong>O tema do Egito</strong>- Hieróglifos, imagens, esculturas, arte e arquitetura egípcias também apareceram nesse puja, como mostra a imagem a seguir:</div>
<div id="attachment_4858" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-4858" title="Durgapuja09b-043-300x225" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/Durgapuja09b-043-300x225.jpg" alt="Tema egípcio no pedestal de Kolkata do sul. Foto de Aparna Ray" width="300" height="225" /><p class="wp-caption-text">Tema egípcio no pedestal de Kolkata do sul. Foto de Aparna Ray</p></div>
<div id="attachment_4859" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-4859" title="Durgapuja09b-037-300x225" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/Durgapuja09b-037-300x225.jpg" alt="Decoração de santuário - tema egípcio. Foto de Aparna Ray" width="300" height="225" /><p class="wp-caption-text">Decoração de santuário - tema egípcio. Foto de Aparna Ray</p></div>
<p><strong>Mudanças Climáticas/Meio Ambiente como temas de puja</strong> - Foi comovente ver que nesse ano muitos organizadores de pujas usaram as questões ambientais e climáticas como tema. Exploraram essas questões com formas de arte inovadoras e criativas , a fim de que os visitantes ficassem mais conscientes sobre o meio ambiente. Um exemplo:</p>
<div id="attachment_4860" class="wp-caption aligncenter" style="width: 235px"><img class="size-full wp-image-4860" title="Durgapuja09-076-225x300" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/Durgapuja09-076-225x300.jpg" alt="Um painel fora de um dos santuários fazia apelo sobre o aquecimento global e a necessidade de reciclar." width="225" height="300" /><p class="wp-caption-text">Um painel fora de um dos santuários fazia apelo sobre o aquecimento global e a necessidade de reciclar.</p></div>
<p>No santuário, pacotes de papel pintados à mão davam o exemplo substituindo materiais de decoração tradicionais.</p>
<div id="attachment_4861" class="wp-caption aligncenter" style="width: 235px"><img class="size-full wp-image-4861" title="Durgapuja09-071-225x300" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/Durgapuja09-071-225x300.jpg" alt="Pinturas em pacotes de papel. Foto de Aparna Ray" width="225" height="300" /><p class="wp-caption-text">Pinturas em pacotes de papel. Foto de Aparna Ray</p></div>
<p>E havia vários outros pujas espalhados pela cidade e pelo estado. Além dos santuários e imagens, havia luzes decorativas à noite que davam brilho à cidade. Milhares de pessoas saíram de suas casas para celebrar os dias e noites com comidas, bebidas e visitas a santuários.</p>
<div id="attachment_4862" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-4862" title="Durgapuja09-040-300x225" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/Durgapuja09-040-300x225.jpg" alt="E claro, muitas luzes carregavam uma mensagem fosse de natureza social ou ambiental." width="300" height="225" /><p class="wp-caption-text">Luzes decorativas por portal do santuário. Foto por Aparna Ray.</p></div>
<p>E claro, muitas luzes carregavam uma mensagem de natureza social ou ambiental:</p>
<div id="attachment_4863" class="wp-caption aligncenter" style="width: 235px"><img class="size-full wp-image-4863" title="Durgapuja09-057-225x300" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/Durgapuja09-057-225x300.jpg" alt="Salve a Vida na Terra - Plante uma Árvore. Foto de Aparna Ray" width="225" height="300" /><p class="wp-caption-text">Salve a Vida na Terra - Plante uma Árvore. Foto de Aparna Ray</p></div>
<div>Os 5 dias de festividades terminaram com o Dashami, o dia da imersão. Esse é o dia em que a Deusa retorna a seu lar marital nos Himalaias. Mas não antes de as mulheres casadas oferecerem a ela e sua família uma calorosa despedida com presentes, doces e muito <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sindoor">sindoor</a> para uma vida conjugal longa e feliz .</div>
<div>
<div id="attachment_4864" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-4864" title="Durgapuja09b-051-300x225" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/Durgapuja09b-051-300x225.jpg" alt="Despedidas até que venha o próximo ano. Foto de Aparna Ray" width="300" height="225" /><p class="wp-caption-text">Despedidas até que venha o próximo ano. Foto de Aparna Ray</p></div>
</div>
<div>Segue-se o &#39;sindoor khela&#39; (cerimônia de sindoor), um ritual em que as mulheres casadas mancham as testas umas das outras com o pó vermelho e compartilham doces e risos. (Tradicionalmente, o sindoor na testa é a marca da mulher Hindu casada.)</div>
<div>
<div id="attachment_4865" class="wp-caption aligncenter" style="width: 250px"><a href="http://www.flickr.com/photos/avikb/3962352573/in/set-72157622451071562/"><img class="size-full wp-image-4865 " title="3962352573_59161ef62a_m1" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/3962352573_59161ef62a_m1.jpg" alt="Sindoor Khela. Foto de Avik@firstdays. Reproduzido com permissão." width="240" height="161" /></a><p class="wp-caption-text">Sindoor Khela. Foto de Avik@firstdays. Reproduzido com permissão.</p></div>
<p>Finalmente, todas as imagens são levadas aos lagos e rios para a imersão. O santuário é desmontado e a vida segue como de costume. Enquanto isso, os Bengalis esperam pelo próximo ano. Depois da imersão, é tempo de reencontrar amigos, família, parentes e todos os mais próximos e queridos, já que acontece o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Vijayadashami">Vijaya Dashami, uma celebração que coincide com Dussehra, a vitória de Ram sobre Ravana</a> [en].</p>
<p>A celebração à Durga não só é <a href="http://www.flickr.com/photos/sumanpaul/88702375/">celebrada</a> <a href="http://picasaweb.google.co.in/atanudey/DurgaPuja2009Mumbai#">por</a> <a href="http://www.flickr.com/photos/ribhudey/1766721613/">todo</a> <a href="http://www.flickr.com/photos/ab_aditya/1707440143/">o país</a>, como é <a href="http://www.bangalinet.com/probasheipujo.htm">também pelos Bengalis por todo mundo</a>.<a href="http://rezwanul.blogspot.com/2009/09/shuvo-bijoya.html"> Aqui estão algumas fotos</a> de nosso editor sul-asiático Rezwan de pujas em Dhaka, Bangladesh. <em>Dithi</em> <a href="http://deezden.blogspot.com/2009/09/durga-puja-geneva.html">também postou algumas fotos</a> do evento em Genebra. Em Zurique, as <a href="http://www.sindhtoday.net/news/1/54805.htm">festividades à Durga</a> uniram a comunidade Bengali, como ocorre pelos últimos seis anos. Estou certa de que muitos de vocês leitores ficarão sabendo de um puja à Durga celebrado em sua parte do mundo, pois onde quer que haja Bengalis, a celebração à Durga não estará muito distante.</p>
<p>Você pode ver mais fotos do puja à Durga 2009 <a href="http://durgapuja.thefourdy.com/gallery/year/2009/">aqui</a>. Para vocês leitores que gostariam de saber mais sobre o puja à Durga, <a href="http://www.durga-puja.org/">este site</a> oferece informações interessantes.</div>
</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow: hidden; position: absolute; left: -10000px; top: 4202px; width: 1px; height: 1px;">Os 5 dias de festividades terminaram com o Dashami, o dia da imersão. Esse é o dia em que a Deusa retorna a seu lar marital nos Himalaias. Mas não antes de as mulheres casadas oferecerem a ela e sua família uma calorosa despedida com presentes, doces e muito sindoor para uma vida conjugal longa e feliz .</div>
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		<title>Bolívia: A Batalha sobre o Parque Machia</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/10/15/bolivia-a-batalha-sobre-o-parque-machia/</link>
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		<pubDate>Thu, 15 Oct 2009 23:39:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cilene Dutra</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Parque Machia é conhecido por muitos viajantes estrangeiros que visitam com freqüência o refúgio animal próximo a Villa Tunari nos trópicos de Cochabamba no centro da Bolívia. Entretanto, o projeto de construção de uma estrada está ameaçando sua existência.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/eduardo-avila/">Eduardo Avila</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/cilenedutra/'>Cilene Dutra</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/10/13/bolivia-the-battle-over-machia-park/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>O Parque Machia é conhecido por muitos viajantes estrangeiros que visitam com freqüência o refúgio animal próximo a Villa Tunari nos trópicos de Cochabamba no centro da Bolívia. Alguns desses viajantes permanecem por mais tempo como voluntários da organização <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Inti_Wara_Yassi">Inti Wara Yassi</a></em> [en], onde reabilitam macacos que outrora foram bichos de estimação, e protegem outros animais selvagens presentes no parque.</p>
<p>Entretanto, alguns desses voluntários estão liderando a responsabilidade de proteger o Parque Machia, uma vez que há um projeto de estrada recente que atravessa o meio do parque. A nova estrada está sendo construída pelo município local para facilitar o transporte de colheita para os plantadores de coca. O conflito continua entre a organização e as autoridades locais, com críticas ao plano dizendo que <a href="http://www.intiwarayassi.org/articles/volunteer_animal_refuge/ciwy_noticias.html#136">o projeto não conduziu a pesquisa necessária de Impacto Ambiental e que não foram feitos preparativos para acomodar os animais deslocados.</a></p>
<p style="text-align: center;">
<div id="attachment_4678" class="wp-caption aligncenter" style="width: 276px"><a href="http://www.flickr.com/photos/thekjkev/3718252096/"><img class="size-full wp-image-4678 " title="Parque Machia " src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/monkeys.jpg" alt=" Foto de Macaco no Parque Machia por thekjkev e sob a licença Creative Commons. " width="266" height="400" /></a><p class="wp-caption-text"> Foto de Macaco no Parque Machia por thekjkev e sob a licença Creative Commons. </p></div>
<p>Alguns voluntários têm protestado diretamente pelo blog <em>Inti Wara Yassi</em>, <a href="http://www.intiwarayassi.org/articles/volunteer_animal_refuge/ciwy_noticias.html#136">descrevendo quais áreas estariam em risco:</a></p>
<blockquote><p>The monkey park, where several species of monkey are cared for and fed – capuchins, spider monkeys, squirrel monkeys.<br />
Areas where tortoices, agoutis, coatis are kept.<br />
The spider monkey park.<br />
The enclosures for three of our felines – Leoncio, Gato and Luna<br />
The “mirador” area, where abused and mistreated capuchin monkeys are rehabilitated.<br />
The enclosure for the endangered Spectacled Bear.<br />
Many of the trails which are used for walking the cats.</p>
<p>This is why we have concluded that no consideration has been made for the well being of the animals, not to mention the fact that Parque Machia is considered an area of National Heritage, meaning no damage to the biological, genetic and ecological diversity should be allowed.</p></blockquote>
<div class="translation">O parque do macaco, onde diversas espécies de macacos são cuidadas e alimentadas: capuchinhos, macacos-aranha, macacos esquilo.<br />
Áreas onde tartarugas, cotias e quatis são mantidos.<br />
O parque do macaco-aranha.O cercado de três de nossos felinos: Leôncio, Gato e Luna.<br />
A área do &#8216;mirador&#39;, onde são reabilitados capuchinhos que foram abusados e maltratados.<br />
O cercado para o ameaçado urso-de-óculos.<br />
Muitas das trilhas usadas por gatos andarilhos.</p>
<p>Por essa razão concluímos que não levaram em consideração o bem-estar dos animais, sem mencionar que o Parque Machia é considerado área de Herança Nacional, o que significa que nenhum prejuízo à diversidade biológica, genética e ecológica deve ser permitida.</p></div>
<p>O blog <em>The Democracy Center</em> destaca que alguns <a href="http://democracyctr.org/blog/2009/09/cocalero-expansions-draw-conflict.html">voluntários empregaram</a> [en] uma &#8220;típica tática de protesto boliviana - a barricada - para tentar impedir a construção de uma nova auto-estrada através do parque.&#8221;</p>
<p>Gustavo Cardoso do blog <em>Observancia </em>[es]<em> </em>dá créditos ao <em>Inti Wara Yassi</em> por ajudar a preservar a natureza nessa área, <a href="http://observancia.blogspot.com/2009/09/destruyen-parque-machia-en-el-chapare.html">o que gerou benefícios diretos à municipalidade local, a mesma entidade que está construindo a nova estrada.</a></p>
<blockquote><p>Paradójicamente, en esta etapa donde la comunidad internacional, busca la conservación de áreas al máximo, todavía hay quienes conciben a ultranza que el desarrollo pasa por “dominar la naturaleza” tal cual se fraguaba en el siglo XIX, y que nos llevó a un estado de cosas que lamentamos hoy en día.</p></blockquote>
<div class="translation">Paradoxalmente, nesta etapa em que a comunidade internacional busca ao máximo a conservação de áreas, ainda há quem creia piamente que o desenvolvimento requere &#8220;dominar a natureza&#8221; tal como era forjado no século XIX, e que nos levou a um estado que lamentamos hoje em dia.</div>
<div style="width: 410px;">
<div id="attachment_4679" class="wp-caption alignnone" style="width: 410px"><a href="http://www.flickr.com/photos/nebarnix/3946207025/"><img class="size-full wp-image-4679 " title="mirador" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/mirador.jpg" alt="Villa Tunari observada do Parque Machia, por Nebarnix. Uso sob licença Creative Commons." width="400" height="267" /></a><p class="wp-caption-text">Villa Tunari observada do Parque Machia, por Nebarnix. Uso sob licença Creative Commons.</p></div>
</div>
<p>O blog <em><a href="http://www.boliviabella.com/">Bolivia Bella</a> </em>[en]<em> </em>informa que a conservacionista <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jane_Goodall">Jane Goodall</a> está agendada para visitar o parque e que poderia chamar a atenção da comunidade internacional para o caso. <a href="http://www.boliviabella.com/save-machia.html">Ela também resume os motivos pelos quais o parque deveria permanecer intocado:</a></p>
<blockquote><p>In any case, I AM against the building of THIS road. It&#39;s not right. It&#39;s a national park and nature preserve. It&#39;s very name indicates it has been set aside to AVOID its destruction. For me, that&#39;s enough reason to not agree with it. Period.</p>
<p>The sad thing is, I visited Villa Tunari several times and I saw first hand how Inti Wara Yassi volunteers cared for and loved the animals back to health. I was told most of the animals rescued and received at Machía were taken from their original habitats and sold to urban dwellers who, after realizing how large they grow, how dangerous they can be, how much care and food they need, or how long they actually live, abandon them or simply lock them up in cages for the rest of their lives, or worse, abuse them.</p>
<p>Many of the animals have been severely abused and will not be able to live on their own in the wild – ever. Others may be re-inserted but this is a very long and gradual process. You can’t just move animals to a new place. It requires a lot of logistics and they many never be able to adapt to a new situation. In the case of some of these animals haven&#39;t they been put through enough already as it is!</p></blockquote>
<div class="translation">De qualquer forma, eu SOU contra a construção DESSA estrada. Não está certo isso. É um parque nacional e área de preservação. O próprio nome indica que foi poupado para EVITAR sua destruição. Para mim, isso já justifica porque eu não concordo com isso. Ponto.</p>
<p>O triste é que visitei Villa Tunari diversas vezes e pude ver em primeira mão como os voluntários do Inti Wara Yassi cuidavam e amavam os animais até que ficassem saudáveis. Disseram-me que a maioria dos animais resgatados e recebidos no Machía foram retirados de seu <em>habitat</em> original e vendidos a residentes urbanos que após perceberem quão grandes e  perigosos eles podiam ficar, quanto cuidado e comida era necessário ou quanto tempo eles realmente viviam, abandoram-nos ou simplesmente os trancaram em jaulas para o resto de suas vidas, ou pior, maltrataram esses animais.</p>
<p>Muitos dos animais foram severamente maltratados e nunca mais poderão viver por si sós na natureza selvagem. Outros podem ser reinseridos mas é um processo longo e gradual. Não se pode simplesmente mudar os animais para um novo lugar. Isso requer muita logística e muitos nunca poderão se adaptar a uma nova situação. E alguns desses animais já  suportaram mudanças demais!</p></div>
]]></content:encoded>
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		<title>Afeganistão: Eleições em imagens</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/08/30/afeganistao-eleicoes-em-imagens/</link>
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		<pubDate>Sun, 30 Aug 2009 21:32:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paula Góes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Afghanistan]]></category>
		<category><![CDATA[Central Asia & Caucasus]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Photos]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

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		<description><![CDATA[Nas segundas eleições presidenciais da história do Afeganistão, fotográfos mostram em imagens a forte presença militar e o entusiasmo dos eleitores.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/hamid-tehrani/">Hamid Tehrani</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/paulagoes/'>Paula Góes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/08/30/afghanistan-voting-day-in-photos/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Milhões de afegãos votaram na quinta-feira, 20 de agosto, na segunda eleição presidencial de toda a história do país. Segundo a <a href="http://www.google.com/hostednews/ap/article/ALeqM5hvWEqwq3CrRvaQCmt21MfoYhjZJQD9ACIGH80">Associated Press</a> [en], os resultados não serão anunciados até o final de setembro, após a investigação das alegações de fraude.</p>
<p>Vários blogueiros <a href="http://globalvoicesonline.org/2009/08/21/afghanistan-voting-day/">compartilharam</a> [en] seus sentimentos, experiências, preocupações e esperanças no dia da eleição. Blogueiros fotógrafos também imortalizaram o dia ao publicar imagens retratando a forte presença do esquema de segurança, o entusiasmo e a preocupação dos eleitores (todas as fotos foram republicadas aqui com permissão dos autores).</p>
<p><em>Fardin Waezi</em> do <em>Thruafghaneyes</em> <a href="http://thruafghaneyes.blogspot.com/2009/08/if-need-any-kind-of-photograph-about.html">publicou</a> várias fotos mostrando homens e mulheres votando em Cabul:</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-93371" title="afghan0" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/afghan0.jpg" alt="afghan0" width="233" height="350" /></p>
<p>… e um soldado do exército:</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-93372" title="afghan01" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/afghan01.jpg" alt="afghan01" width="350" height="233" /></p>
<p>As fotos de <em>HeratZemin</em> <a href="http://heratzamin.blogspot.com/2009/08/blog-post_935.html">demonstram</a> a forte presença militar:</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-93374" title="afghan02" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/afghan02.jpg" alt="afghan02" width="360" height="203" /></p>
<p>E o entusiasmo dos eleitores:</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-93375" title="afghan03" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/afghan03.jpg" alt="afghan03" width="400" height="225" /></p>
<p>Mostafa Kia <a href="http://kabul-istan.blogspot.com/2009/08/blog-post_3255.html">mostra</a> em <em>Motvaled Mizan</em> que um dedo tingido pode ter sido rapidamente limpo em pelo menos uma seção eleitoral.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-93378" title="Picture_121" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/Picture_1211.JPG" alt="Picture_121" width="320" height="214" /></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Brasil: Despejo violento em São Paulo causa revoltas</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/08/29/brazil-despejo-violento-em-sao-paulo-causa-revolta/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/08/29/brazil-despejo-violento-em-sao-paulo-causa-revolta/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 29 Aug 2009 09:06:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paula Góes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Governança]]></category>
		<category><![CDATA[Photos]]></category>
		<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

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		<description><![CDATA[Na última segunda-feira, 240 policiais despejaram 800 famílias do assentamento Olga Benário em São Paulo. Blogueiros e foto-jornalistas relatam a violência, desespero e falta de justiça social.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/janet-gunter/">Janet Gunter</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/paulagoes/'>Paula Góes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/08/28/brazil-outrage-at-violent-sao-paulo-eviction/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Na última segunda-feira, na sequência de uma ordem judicial, 240 policiais desalojaram 800 famílias do assentamento Olga Benário, em uma área conhecida como Capão Redondo, na zona sul de São Paulo. A propriedade estava sem uso há 20 anos e havia sido ocupada há dois por centenas de famílias, muitas do movimento Frente de Luta por Moradia. A empresa de transportes Viação Campo Limpo, proprietária do imóvel, conseguiu obter uma ordem de despejo de um juiz, <a href="http://oglobo.globo.com/cidades/sp/mat/2009/08/26/defensoria-diz-que-terreno-que-era-ocupado-por-800-familias-em-sp-estava-sem-uso-ha-20-anos-767325124.asp">apesar de estar devendo impostos</a>, e mesmo com a <a href="http://oglobo.globo.com/cidades/sp/mat/2009/08/26/defensoria-diz-que-terreno-que-era-ocupado-por-800-familias-em-sp-estava-sem-uso-ha-20-anos-767325124.asp">Defensoria Pública do Estado tentando proteger os moradores</a>. A operação de reintegração de posse terminou com casas e automóveis queimados, e centenas de famílias na rua, na lama.</p>
<h5 id="attachment_93118" style="width: 410px;"><a href="http://ferrez.blogspot.com/2009/08/capao-redondo-24-de-agosto-de-2009.html"><img title="ferrez4" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/ferrez4.JPG" alt="Photo: Ferréz, used with permission" width="400" height="300" /></a>Foto: Ferréz, usada com permissão</h5>
<div dir="ltr">Imagens do despejo violento, no qual as &#8220;tropas de choque&#8221; da polícia usaram balas de borracha e gás lacrimogêneo, foram transmitidas ao vivo nas principais emissoras de TV brasileiras e amplamente utilizadas pela mídia impressa, provocando reações na blogosfera e no Twitter. <em>Ferrez</em>, que mora ao lado da ocupação, <a href="http://ferrez.blogspot.com/2009/08/capao-redondo-24-de-agosto-de-2009.html">blogou sobre sua revolta</a> depois de presenciar alguns dos despejos, e descreveu com detalhes o cenário desolador e o desespero dessas famílias:</div>
<blockquote>
<div>Hoje o helicóptero voltou de madrugada, dezenas de famílias ficaram com suas coisas durante a noite, beirando o córrego amontoram as coisas e ficaram no sereno, uma mulher me perguntou se depois a mídia ou os polícia ia levar eles pra algum lugar, eu engoli seco e não consegui responder, ela entendeu, pois o silêncio também é uma resposta.</div>
<div>Não tiveram pra onde ir, ninguém veio buscar. entre uma conversa e outra, um vacilão falando que tinha muito oportinista na favela, muito cara que pegou casa sem precisar, pois já tinha seu barraco, logo foi calado pela multidão que beirava o córrego, com gritos um tiozinho chegou e falou que ninguém tava brincando de ter lucro ali não, que ninguém tava fingindo que precisava morar, que ele havia perdido tudo pro trator.</div>
</blockquote>
<h5 id="attachment_93119" style="width: 410px;"><a href="http://ferrez.blogspot.com/2009/08/capao-redondo-24-de-agosto-de-2009.html"><img title="ferrez2" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/ferrez2.JPG" alt="Photo: Ferréz, used with permission" width="400" height="300" /></a>Foto: Ferréz, usada com permissão</h5>
<p>A maior parte das opiniões no twitter demonstraram compaixão com as famílias despejadas, como <a href="http://twitter.com/fefoguimaraes/statuses/3549445955">@fefoguimaraes, que tuitou que a reintegração de posse no Capão Redondo afrontou dignidade human</a> e perguntou para onde as famílias seriam levadas.</p>
<p><em>Raquel Rolnik</em>, que é relatora especial da Organização das Nações Unidas para o direito à moradia adequada e mora em São Paulo, <a href="http://raquelrolnik.wordpress.com/2009/08/24/familias-do-acampamento-olga-benario-sao-despejadas-com-violencia/">escreveu em seu blog</a>:</p>
<blockquote><p><a href="http://www.estadao.com.br/interatividade/Multimidia/ShowGaleria.action?idGaleria=2110" target="_blank">As imagens do despejo</a> mostram a urgência de tratarmos a questão de moradia de forma definitiva. São mães com crianças de colo, idosos e trabalhadores que não terão alternativa para onde ir e podem acabar na rua.<br />
É preciso oferecer soluções definitivas de moradia. Isto é obrigação da Prefeitura, do Estado, do poder público, tanto para as famílias que têm renda quanto para as que não tem. Não podemos ficar empurrando o problema de um lado para o outro da cidade.</p></blockquote>
<div><a href="http://www.estadao.com.br/interatividade/Multimidia/ShowGaleria.action?idGaleria=2110"></a></div>
<h5 id="attachment_93117" style="width: 410px;"><a href="http://ferrez.blogspot.com/2009/08/capao-redondo-24-de-agosto-de-2009.html"><img title="ferrez5" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/ferrez5.JPG" alt="Photo: Ferréz, used with permission" width="400" height="300" /></a>Foto: Ferréz, usada com permissão</h5>
<p><em>Panóptico </em><a href="http://panoptico.wordpress.com/2009/08/25/governo-do-estado-tripudia-sobre-desabrigados-a-gente-faz-e-faz-bem-feito/">criticou o estado de São Paulo</a> e sua nova propaganda recentemente publicada na imprensa, apenas um dia depois do despejo, de seu programa de habitação popular cujo slogan é <em> </em>“No Estado de São Paulo é assim: A gente faz. E faz bem feito”:</p>
<blockquote><p>Mas num ponto a propaganda é bem verdadeira. Como todos nós vimos ontem, a tropa de choque e os tratores sempre funcionam: <em>“No Estado de São Paulo é assim: A gente faz. E faz bem feito”</em></p>
<p>Se o governo seguir sua “política de habitação popular”, como observado na desapropriação do prédio do INSS, depois da expulsão das famílias de suas casas, virão as ordens para que a polícia toque o povo da rua. É o governo de SP sempre inovando: desaloja o desalojado.</p></blockquote>
<p>Alguns discordaram, dizendo que a propriedade privada deve ser respeitada acima de qualquer coisa, <a href="http://panoptico.wordpress.com/2009/08/25/governo-do-estado-tripudia-sobre-desabrigados-a-gente-faz-e-faz-bem-feito/">como disse <em>Xico </em>em comentário no post do Panóptico</a> [pt]:</p>
<blockquote><p>Pra começo de conversa, não deveriam ter ocupado uma área particular, ociosa ou não. Além disso, a prefeitura ofereceu abrigo às famílias, que se recusaram a aceitar. Finalmente, oferecer uma política habitacional NÃO significa fornecer suporte à invasão de propriedade privada.</p>
<p>Não estou dizendo que essas famílias mereçam morar na rua. Estou dizendo que elas estão indo pelo caminho errado. Parte da responsabilidade é, sim, do governo, mas a responsabilidade pessoal pesa muito nessas horas. Não se pode esperar que o governo apóie esse tipo de atitude fornecendo infra-estrutura a pessoas que não têm o direito de estar ali pra começo de conversa.</p></blockquote>
<h5 id="attachment_93124" style="width: 410px;"><a href="http://ferrez.blogspot.com/2009/08/capao-redondo-24-de-agosto-de-2009.html"><img title="ferrez3" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/ferrez3.JPG" alt="Photo by Ferréz, used with permission" width="400" height="300" /></a>Foto: Ferréz, usada com permissão</h5>
<p><em>Little Star Shining</em> não concorda com o ponto de vista acima, afirmando que <a href="http://littleraca.blogspot.com/2009/08/na-ultima-segunda-feira-240809-dia.html">não tem palavras para descrever</a> a retirada, brutal, violenta, absurda dessas famílias dessa àrea:</p>
<blockquote><p>Cabe então refletimos, afinal o que é uma àrea ocupada (ou “invadida” como pronuncia pejorativamente nossa brilhante mídia)???<br />
Vamos lá…<br />
Uma àrea para ser ocupada tem que ser primeiramente uma àrea inativa, sem uso… ou seja, não tem ninguém morando, nenhum imóvel, nem fábrica, plantação, nada! A premissa é que ela não esteja em nenhuma forma de uso, afinal não dá pra ocupar uma casa de alguém está morando, por exemplo, apenas casas abandonadas, concordam?? Com a àrea é a mesma coisa… ela está lá imensa, abandonada e sem uso. Até que um grupo de pessoas, geralmente organizadas em movimentos de sem-tetos ou sem-terra, resolvem ocupar aquela àrea e dra uso à ela. […]</p>
<p>Agora a indignação é você ainda crer que o governo, justiça, polícia ou seja qual for a instituição Estatal reguladora de poder, visa atender o povo!!!! Oraaaa… não caia nessa!</p></blockquote>
<p>Veja mais <a href="http://www.flickr.com/photos/vidassemteto/sets/72157622016457473/">fotos estarrecedoras do despejo</a> no àlbum do fotojornalista freelance Anderson Barbosa no Flickr.</p>
<div>
<h5 id="attachment_93126" style="width: 410px;"><a href="http://ferrez.blogspot.com/2009/08/capao-redondo-24-de-agosto-de-2009.html"><img title="ferrez6" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/ferrez6.JPG" alt="Photo by Ferrez, used with permission." width="400" height="300" /></a>Foto: Ferréz, usada com permissão</h5>
</div>
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		<item>
		<title>Brasil: Lutando contra a escravidão dos dias de hoje</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/08/04/brasil-lutando-contra-a-escravatura-dos-dias-de-hoje/</link>
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		<pubDate>Tue, 04 Aug 2009 19:54:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Deborah Goldemberg</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Brazil]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
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		<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

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		<description><![CDATA[O trabalho escravo é um velho e conhecido problema nos estados do norte e nordeste do Brasil. Mas em São Paulo, o trabalho escravo seria uma anomalia? A blogosfera discute e conclui: há muito o que ser revelado. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/deborah-goldemberg/">Deborah Goldemberg</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/deborah-icamiaba/'>Deborah Goldemberg</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/08/04/brazil-fighting-contemporary-slavery/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="attachment_88391" class="wp-caption alignright" style="width: 206px;"><a href="http://www.flickr.com/photos/28488531@N08/3536401084/in/set-72157618168573569/"><img class="size-medium wp-image-88391" title="Sugarcane cutter Brasil" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/07/3536401084_8871a4c8631-196x300.jpg" alt="Cortador de cana em Brasil. Photo by " width="196" height="300" /></a></p>
<p class="wp-caption-text">Cortador de cana. Foto de Ricardo Funari, usada com permissão.</p>
</div>
<p>Que o trabalho escravo é um resquício da escravidão no Brasil, particularmente nos Estados do Norte e Nordeste do país, já se sabe. Tendo sido o último país no mundo a decretar a abolição, em 1888, nas regiões mais isoladas onde os tentáculos da justiça têm dificuldade de chegar, a escravidão temporária por dívida e o trabalho sob coação vêm acontecendo e sendo combatidos regularmente pelo Governo.</p>
<p>No entanto, sempre que ocorre um incidente deste fenomeno no Estado de São Paulo, particularmente na megalópole paulistana, a notícia ganha as capas dos principais jornais brasileiros. Foi o que aconteceu na semana passada, quando fiscais do trabalho de São Paulo, acompanhados de procuradores do trabalho, libertaram 20 pessoas da escravidão (dos quais, dois jovens com 17 anos) em Mogi Guaçu (SP). O <a href="http://colunistas.ig.com.br/sakamoto/2009/07/27/escola-vira-alojamento-de-escravos-em-sao-paulo/">blog do Sakamoto</a>, parceiro do premiado <a href="http://www.reporterbrasil.com.br ">site Repórter Brasil</a>, especializado na temática de trabalho escravo, noticiou o ocorrido, chamado a atenção para a ironia de encontrarem adolescentes escravos justo dentro de uma escola abandonada.</p>
<blockquote><p>OK, isso já aconteceu outras centenas de vezes no Brasil, infelizmente. O absurdo da vez foi que o empregador alojou o pessoal em uma escola pública desativada, com fiação elétrica exposta e esgoto correndo a céu aberto. Mesmo depositando o pessoal nessas condições, disse que cobraria aluguel pela hospedagem.</p>
<p>A prefeitura havia feito um contrato com Pimenta para que ele usasse a casa dos fundos da escola em troca de manutenção do local. A escola Fazenda Graminha foi cedida pelo Estado para o município há nove anos. Agora, o contrato será cancelado e a prefeitura estuda entrar com um processo contra o empregador. O prédio foi lacrado e a secretaria fará um estudo sobre a possibilidade de reativar a escola. Incrível! Discute-se a “possibilidade”…</p></blockquote>
<div id="attachment_88364" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px;"><a href="http://www.flickr.com/photos/28488531@N08/3542029863/in/set-72157618168573569/"><img class="size-medium wp-image-88364" title="Indigenous sugarcane cutters Brazil " src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/07/3542029863_36a3d14e8f-300x195.jpg" alt="Sugarcane cutters having lunch in the middle of the plantation, under a scalding sun. Meals served with no tableware, no protection against sun or rain. Photo: Ricardo Funari" width="300" height="195" /></a></p>
<p class="wp-caption-text">Cortadores de cana almoçando no meio do canavial, sob um sol escaldante. As refeições são servidas sem talheres, proteção contra os elementos. Foto: Ricardo Funari</p>
</div>
<p>A incidência do trabalho escravo em São Paulo evoca a questão já posta pelo jornalista independente e intelectual paraense <a href="http://www.lucioflaviopinto.com.br/ ">Lucio Flávio Costa </a>no passado: <a href="http://www.acessa.com/gramsci/?id=820&amp;page=visualizar">O trabalho escravo é uma anomalia amazônica? </a></p>
<blockquote><p>Desde 2003, 192 pessoas foram autuadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego por submeter seus empregados a regime de trabalho análogo à escravidão. Mais de dois terços dessas empresas (147) atuam na Amazônia Legal. O campeão nacional do trabalho escravo é o Pará, com quase um quarto de todas as atuações, 52. As duas colocações seguintes nesse nefando ranking são ocupadas por Estados amazônicos: Tocantins (43) e Maranhão (32).</p>
<p>O que leva à concentração dos casos de exploração de mão-de-obra não é uma anomalia amazônica, mas o fato de a região constituir a área de expansão da fronteira econômica do Brasil. Há o pressuposto tácito (ou tático) de que o pioneiro não traz necessariamente consigo a contemporaneidade.</p></blockquote>
<p>O que Lúcio Flávio Pinto quer dizer é que apesar da incidência do trabalho escravo ser maior na fronteira, pelas condições favoráveis (além das geográficas, conforme diz Lúcio Flávio Pinto: a ausência da contemporaneidade, da justiça, da educação etc.), ela é perpetrada por agentes econômicos, fazendeiros e empresários, de todas as partes do Brasil, sempre pactuados com atores locais. Ou seja, é “a ocasião que faz o ladrão” e em diversos contextos favoráveis para a exploração da mão-de-obra, a herança escravagista brasileira se manifesta. Fora da fronteira, outros fatores contribuem para a ocorrência do fenômeno, tal como: a gestão municipal indiferente, pouca fiscalização, sindicatos inatuantes, trabalhadores imigrantes, vulneráveis e desinformados.</p>
<div id="attachment_88363" class="wp-caption alignright" style="width: 208px;"><a href="http://www.flickr.com/photos/28488531@N08/3542031027/in/set-72157618168573569/"><img class="size-medium wp-image-88363" title="Sugarcane cutters Brazil" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/07/3542031027_8b9e478032-1-198x300.jpg" alt="Sugarcane cutters in the lodgement: no potable water, no beds, no electrical light, no kitchen facilities or restrooms. Photo by" width="198" height="300" /></a></p>
<p class="wp-caption-text">Cortadores de cana no alojamento: sem água potável, camas, luz elétrica, cozinha ou banheiro. Foto: Ricardo Funari.</p>
</div>
<p>O caso de Mogi-Guaçu não é isolado e os blogueiros brasileiros vêm regularmente reportando a incidência de trabalho escravo em São Paulo, tanto na área rural quanto na área urbana. Este ano, o <a href="http://anjoseguerreiros.blogspot.com/2009/07/policia-flagra-trabalho-escravo-e.html ">blog Anjos e Guerreiros</a> citou matéria sobre um flagrante de trabalho escravo e exploração de mão-de-obra infantil em uma fazenda que produz limão em Cabreúva, a 70 quilômetros da capital paulista.</p>
<blockquote><p>Uma denúncia levou a polícia até a fazenda. Um lavrador estava na propriedade há quatro meses e conta que não recebeu nenhum pagamento. Os responsáveis pela contratação devem responder por exploração de trabalho infantil.<br />
- Às vezes o povo dá um pouco de comida. Tem vez que nós não comemos, não almoçamos e nem jantamos.<br />
Os funcionários contaram para os policiais que havia crianças trabalhando na colheita de limão. O Conselho Tutelar foi chamado e flagrou seis menores trabalhando no local. Um deles, um menino de 12 anos.</p>
<p>- Não tem luvas nem tinha equipamento, nem água. Eu ganho R$ 2 reais - diz o menino.<br />
Uma adolescente conta que os patrões pediram para todos fugirem assim que ficaram sabendo que a polícia ia chegar.<br />
- Nós dissemos que não fugiríamos - afirmou.</p></blockquote>
<p>Na cidade de São Paulo, em plena área urbana, a incidência de trabalho escravo tem outras características para as quais o <a href="http://verdefato.blogspot.com/2009/06/trabalho-escravo-urbano-bolivianos.html ">blog Verdefato</a> chama a atenção:</p>
<blockquote><p>O trabalho escravo urbano é menor se comparado ao do meio rural. A Polícia Federal, as Delegacias Regionais do Trabalho, o Ministério Público do Trabalho e o Ministério Público Federal já agem sobre o problema. Vale lembrar que a escravidão urbana é de outra natureza, com características próprias&#8230; O principal caso de escravidão urbana no Brasil é a dos imigrantes ilegais latino-americanos - com maior incidência para os bolivianos - nas oficinas de costura da região metropolitana de São Paulo. A solução passa pela regularização da situação desses imigrantes e a descriminalização de seu trabalho no Brasil.</p></blockquote>
<div id="attachment_88550" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px;"><a href="http://www.flickr.com/photos/28488531@N08/3542686688/in/set-72157618168573569/"><img class="size-medium wp-image-88550" title="Contemporary slavery, Amazon rainforest, Brazil. Tuerê farm; State: Pará. " src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/07/3542686688_8808ba583c-300x200.jpg" alt="Hooded Informant who succeeded in escaping from the estate ( in the background ) take the Brazilian Federal Police to the place where workers are kept imprisoned. Photo: Ricardo Funari" width="300" height="200" /></a></p>
<p class="wp-caption-text">Um informante encapuzado que conseguiu escapar da fazenda (ao fundo) leva a Polícia Federal a um local onde os trabalhadores são mantidos presos. Foto: Ricardo Funari</p>
</div>
<p>O blog também relata a uma situação de uma imigrante boliviana, <a href="http://globalvoicesonline.org/2009/07/18/brazil-amnesty-for-illegal-immigrants-sparks-hope-and-controversy/">uma dentre tantos estrangeiros ilegais no Brasil</a> trabalhando nessas condições:</p>
<blockquote><p>Sentada há mais de 16 horas diante da máquina de costura, a mãe de Ramón tem pressa. Maria Diaz costura uma peça de roupa atrás da outra, intensamente. Ela tem uma agenda para cumprir. Só pára quando precisa comer ou ir ao banheiro. A mãe do pequeno Ramón é uma mulher exausta.</p>
<p>Desde que chegou ao Brasil, em 2003, trabalha do amanhecer até tarde da noite. Não tem carteira assinada, equipamento de proteção, assistência médica. Ela não existe nos registros de imigração. Oficialmente, o governo brasileiro não sabe de sua presença. Tampouco sua saída da Bolívia, em 2003, foi registrada pelo governo daquele país. Maria foi trazida para São Paulo por intermediários conhecidos como &#8220;coiotes&#8221;, que ganham dinheiro contrabandeando gente de um país para outro. Em São Paulo, pelo menos 100 mil bolivianos estão nessa situação.</p></blockquote>
<div id="attachment_88365" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px;"><a href="http://www.flickr.com/photos/28488531@N08/3535359233/in/set-72157618168573569/"><img class="size-medium wp-image-88365" title="Modern Slavery in Amazon - Issuing work permit document" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/07/3535359233_7dd72258b1-300x199.jpg" alt="Man found imprisoned inside estate shaving for being photographed and having the photograph pasted into the first work permit he had ever had in his live. Photo by " width="300" height="199" /></a></p>
<p class="wp-caption-text">Um homem encontrado preso em uma fazendo faz a barba para ser fotografado para a primeira carteira de trabalho que já teve na vda. Foto: Ricardo Funari.</p>
</div>
<p>Ainda em São Paulo, um artigo do sociólogo e vereador Floriano Pesaro citado no <a href="http://coisasdesp.blogspot.com/2009/07/nao-ao-trabalho-infantil.html">blog Coisas de São Paulo</a>, discute o caso das crianças de rua que são obrigadas pelos pais a trabalharem. Trata-se de um caso misto de duas infrações: o trabalho infantil e análogo à escravidão:</p>
<blockquote><p>O trabalho infantil nas ruas, no comércio e até dentro de casa resiste no Brasil urbano e rural. Manifesta-se em suas piores formas, com práticas análogas ao trabalho escravo: exploração sexual comercial, venda e tráfico de crianças para trabalho ou exploração sexual, uso de crianças no comércio de drogas. Estas práticas envolvem atividades criminosas que são ilícitas e que levam crianças e adolescentes à morte. Na cidade de São Paulo, de acordo com pesquisa da FIPE, de 2007, são pouco mais de mil crianças em trabalho infantil somente nas ruas.</p></blockquote>
<p>Ao escrever esse artigo para o Global Voices Online, fiquei pensando se disseminar tão más notícias para o mundo inteiro não prejudica a imagem do Brasil no exterior, mas um blog muito interessante, do <a href="http://edsonrodrigues.wordpress.com/2009/03/27/trabalho-escravo-uma-triste-realidade-no-brasil/">Edson Rodrigues</a>, me ajudou a refletir sobre o assunto. Ele traz uma lista de 15 Verdades e Mentiras sobre o trabalho escravo no Brasil e numa delas discute se a divulgação internacional do trabalho escravo traz prejuízos ao país:</p>
<blockquote><p>12) Mentira: A divulgação internacional prejudica o comércio exterior e vai trazer prejuízo ao país.<br />
Verdade: Isso é uma falácia. Não erradicar o trabalho escravo é que prejudica a imagem do Brasil no exterior. As ameaças de restrições comerciais serão levadas a cabo se o país não fizer nada para resolver o problema. Que usamos trabalho escravo, isso é público e notório&#8230;A agricultura é fundamental para o desenvolvimento do país. Por isso mesmo, ele deve estar na linha de frente do combate ao trabalho escravo, identificando e isolando os empresários que agem criminalmente. Dessa forma, impede-se que uma atividade econômica inteira venha a ser prejudicada pelo comportamento de alguns poucos.</p></blockquote>
<div id="attachment_88362" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px;"><a href="http://www.flickr.com/photos/28488531@N08/3535380017/in/set-72157618168573569/"><img class="size-medium wp-image-88362" title="Modern Slavery in Amazon - Issuing work permit document in the forest" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/07/3535380017_a328cec61d-300x193.jpg" alt="Modern Slavery in Amazon - Issuing work permit document in the forest. Photo by Ricardo Funari, used with permission." width="300" height="193" /></a></p>
<p class="wp-caption-text">Emissão de documentos trabalhistas na floresta. Foto: Ricardo Funari.</p>
</div>
<p>Faço dele as minhas palavras e concluo este artigo certa de que o trabalho escravo é um resquício generalizado da escravidão no Brasil e que anomalia é não combater este fenômeno sempre de frente.</p>
<p>—</p>
<p>As fotos que ilustram esse artigo foram gentilmente cedidas pelo fotógrafo baseado no Rio de Janeiro <em><a href="http://www.flickr.com/photos/28488531@N08/">Ricardo Funari</a></em>, que trabalha criando e documentando a injustiça social no Brasil. Segundo o que conheceu por meio de seu trabalho, “em geral, o trabalhador é reduzido à condição de escravo na sua forma mais aguda, com a mercantilização do trabalho braçal. Atraído por falsas propostas de boa remuneração feitas pelo &#8220;gato&#8221;- o empreiteiro de mão-de-obra - o lavrador deixa a família, a maioria das vêzes indo para outro estado, na esperança de um futuro que o livre da miséria. As despesas e alimentação são pagas pelo &#8220;gato&#8221;que, ao final de viagem o entrega a um fazendeiro. Está dado o primeiro golpe: antes mesmo de começar a trabalhar, o peão já tem uma dívida com o &#8220;gato&#8221;, não importa que tenha viajado milhares de quilômetros em velhos ônibus, quebrados, sujos e desconfortáveis, e sobrivivido a pão e refrigerantes. O próximo passo é tornar esta dívida impagável. Para isso, são cobrados do trabalhador as ferramentas do trabalho, o abrigo em galpões imundos e em condições de higiene subumanas, além dos mantimentos comprados a preços exorbitantes nos armazéns que funcionam dentro das fazendas. É o chamado &#8220;sistema barracão&#8221;, pelo qual a dívida se transforma em um instrumento eficaz, no sentido de reduzir os trabalhadores à situação de escravos.” Seu album de fotos, <a href="http://www.flickr.com/photos/28488531@N08/sets/72157618168573569/">Contemporary Slavery in Brazil</a>, pode ser visto no Flickr.</p>
<div id="attachment_88371" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px;"><a href="http://www.flickr.com/photos/28488531@N08/3536197068/in/set-72157618168573569/"><img class="size-medium wp-image-88371" title="Modern slavery in Amazon - freedom and payment" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/07/3536197068_125232e972-300x199.jpg" alt="Toothless worker receives payment respecting entirely the legislation in Brazil and break into laughter. Photo by Ricardo Funari." width="300" height="199" /></a></p>
<p class="wp-caption-text">Um trabalhador desdentado cai na risada ao receber pagamento de acordo com a lei. Foto: Ricardo Funari.</p>
</div>
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		<item>
		<title>Brasil: O dia em que o campus da USP virou campo de batalha</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/06/25/brasil-o-dia-em-que-o-campus-da-usp-virou-campo-de-batalha/</link>
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		<pubDate>Thu, 25 Jun 2009 10:35:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paula Góes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um protesto pacífico contra a ocupação da polícia na maior universidade brasileira acabou em um confronto violento entre manifestantes e polícia. A blogosfera discute.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/paulagoes/">Paula Góes</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/paulagoes/'>Paula Góes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/06/20/brazil-the-countrys-largest-university-becomes-a-battlefield/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><blockquote><p>Quando chegamos na altura do gramado, havia uma multidão de centenas de pessoas, a maioria estudantes correndo e a tropa de choque avançando e lançando bombas de concusão (falsamente chamadas de &#8220;efeito moral&#8221; porque soltam estilhaços e machucam bastante) e de gás lacrimogêneo. A multidão subiu correndo até o prédio da História/ Geografia, onde a assembléia havia sido interrompida e começou a chover bombas no estacionamento e entrada do prédio (mais ou menos em frente à lanchonete e entrada das rampas). Sentimos um cheiro forte de gás lacrimogêneo e dezenas de nossos colegas começaram a passar mal devido aos efeitos do gás – lembro da professora Graziela, do professor Thomás, do professor Alessandro Soares, do professor Cogiolla, do professor Jorge Machado e da professora Lizete todos com os olhos inchados e vermelhos e tontos pelo efeito do gás. A multidão de cerca de 400 ou 500 pessoas ficou acuada neste edifício cercada pela polícia e 4 helicópteros. O clima era de pânico. Durante cerca de uma hora, pelo menos, se ouviu a explosão de bombas e o cheiro de gás invadia o prédio.</p></blockquote>
<p>O texto acima é um trecho do testemunho do Prof. Dr. Pablo Ortellado, publicado no blog <a href="http://letrasemgreve.blogspot.com/2009/06/relato-do-prof-pablo-ortellado-each-usp.html">Letras em Greve</a>, sobre a manifestação pacífica no campus da Universidade de São Paulo (USP) que terminou em confronto violento na terça-feira, 09 de junho. Vários manifestantes foram feridos e alguns presos. Outro professor, <em><a href="http://marculus.net/">Marcos Ferreira Santos</a></em>, publica a foto abaixo e o seu relato:</p>
<div id="attachment_79563" class="wp-caption aligncenter" style="width: 378px"><a rel="attachment wp-att-79563" href="http://pt.globalvoicesonline.org/?attachment_id=79563"><img class="size-full wp-image-79563" title="marcosfe_gas_jun_2009" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/06/marcosfe_gas_jun_2009.jpg" alt="Professor Marcos Ferreira foi para nos jornais" width="368" height="329" /></a><p class="wp-caption-text">Professor Marcos Ferreira, no momento que foi atingido por gás lacrimogênio</p></div>
<blockquote><p>Esta é a maneira de &#8220;dialogar&#8221; da PM e da Reitoria.<br />
Na tentativa de conversar com o comandante da unidade de choque, o despreparo, má formação e autoritarismo de PMs na ação, levaram a me agredir com gás de pimenta, de maneira gratuita, violenta e sem nenhuma necessidade. Atingiram também minha esposa, Solange Francisco, funcionária. Ao falar com o comandante, Ten Cel Longo, me desrespeitou e ao me identificar como professor da USP, ameaçou me &#8220;prender&#8221;, com a mesma prepotência que somente havia visto com o Cel. Erasmo Dias, na invasão da PUC em 1977, quando eu era ainda estudante secundarista. O comando da PM no local também é despreparado. Depois com os professores Lisete Arelaro, Chico Miraglia e outros, tentamos novamente conversar para evitar o confronto, mas a resposta foi com bombas de gás lacrimogênio.<br />
O mesmo despreparo, má formação e autoritarismo da Reitora Suely Vilela, demonstrando sua incompetência em gerir conflitos na USP.</p></blockquote>
<p>O vídeo abaixo, editado por um grupo de editores independente, mostra o início pacífico da manifestação e o final não tão pacífico assim:</p>
<p><object width="425" height="344" data="http://www.youtube.com/v/umPd5Sz9tjQ&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/umPd5Sz9tjQ&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object></p>
<p><em><a href="http://www.edu-factory.org/edu15/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=171:scientific-community-teargassed-in-brazil-&amp;catid=34:struggles&amp;Itemid=53"><em>Pablo Ortellado</em></a></em> traz mais informações sobre os antecedentes da situação em uma carta assinada por um grupo de professores em busca do apoio da comunidade acadêmica e científica internacional:</p>
<blockquote><p>Conflicts started after a one month strike of university workers whose employment status is being disputed due to a legal controversy over university autonomy to hire its workers without approval of state representatives. Over one thousand workers might loose their jobs. Workers started a strike on May 5 demanding the preservation of their jobs and other labor demands. On May 27, workers started to block the entrance of four university buildings because, according to them, university management was threatening workers who were using their legal right to strike. On June 1, administration called the military police to intervene. On June 4 professors joined the strike protesting police occupation of campus. on June 5, professors had a two hours meeting with management asking for a non-military solution to the labor conflict. However, common sense did not prevail and military police attacked a peaceful demonstration of students and workers yesterday (June 9). 120 professors were discussing the crisis when the meeting was interrupted by news of a police attack. A few minutes later teargas and concussion bombs exploded inside the building. Several of our colleagues and students were hurt. The academic community is shocked.</p></blockquote>
<div class="translation">Os conflitos começaram após um mês de greve dos funcionários da universidade cujos vínculos empregatícios com a universidade estão sendo contestados devido a uma disputa jurídica sobre a autonomia da universidade para contratar funcionários sem a sua aprovação dos representantes estaduais. Mais de mil funcionários poderão perder o emprego. Os funcionários iniciaram uma greve em 5 de maio, exigindo a preservação de seus empregos dentre outras exigências trabalhistas. Em 27 de maio, os funcionários começaram a bloquear a entrada de quatro prédios universitários, porque, segundo eles, a reitoria estava ameaçando os trabalhadores que estavam fazendo uso do direito de greve. Em 1º de junho, a reitoria chamou a polícia militar para intervir. Em 4 de junho, os professores aderiram à greve, em protesto contra a ocupação do campus pela polícia. Em 5 de junho, os professores tiveram uma reunião de duas horas com a reitoria, solicitando uma solução para o conflito trabalhista que não envolvesse a polícia. No entanto, o senso comum não prevaleceu e a polícia militar atacou uma manifestação pacífica de estudantes e funcionários ontem (9 de junho). 120 professores estavam discutindo a crise quando a sessão foi interrompida pela notícia do ataque da polícia. Alguns minutos mais tarde, gás lacrimogéneo e bombas de efeito moral explodiam no interior do edifício. Vários de nossos colegas e alunos saíram machucados. A comunidade acadêmica está chocada.</div>
<p>Naquela terça, a tropa de choque entrou em confronto com estudantes, funcionários e professores durante uma manifestação que tinha como objetivo exatamente exigir a saída dos policiais do campus. O evento foi bem documentado e <a href="http://www.gpopai.org/greve2009/index.php?title=P%C3%A1gina_principal">muitos relatos podem ser encontrados online</a>. <em><a href="http://passapalavra.info/?p=5786">Roque</a></em>, estudante da USP, registra o seu relato pessoal e lembra o passado de repressão que a USP já foi palco:</p>
<blockquote><p>Segundo informações do Sindicato dos Trabalhadores da USP, o Sintusp, a última vez em que houve uma intervenção policial no campus da Cidade Universitária foi em 1979, há exatamente 30 anos atrás, nos tenebrosos tempos da ditadura militar, e contando com um efetivo de 10 ou 15 policiais desarmados.</p></blockquote>
<p>Há trinta anos, a comunidade da USP havia ido às ruas para levantar pela primeira vez a palavra de ordem de “Abaixo a Ditadura Militar!”. Três décadas depois, a polícia militar volta ao campus da USP porque reitora Suely Vilela conseguiu na Justiça a reintegração de posse dos prédios que haviam sido ocupados por funcionários. Com a entrada da polícia na cidade universitária, professores e alunos aderiram à greve em protesto. <em><a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/06/serra_nao_pode_ser_presidente_notas_sobre_a_barbarie_na_usp.php">Idelber Avelar</a></em> também afirma que a entrada da polícia na equação causa trauma e a revolta que apenas prejudicam qualquer tentativa de negociação. Ele acha que o governo de São Paulo deveria ser responsabilizado pelos acontecimentos:</p>
<blockquote><p>Os erros, excessos ou táticas reprováveis do movimento universitário são uma coisa. O envio do batalhão de choque da Polícia Militar, o espancamento de estudantes e o uso dos cassetetes e das bombas de gás lacrimogêneo são crimes, são acontecimentos de dimensão completamente distinta. São responsabilidade direta da Polícia subordinada ao governador. Ele tem obrigação de responder por ela. São atrocidades perpetradas pelo poder público.</p></blockquote>
<div id="attachment_80995" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px;"><a href="http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2009/06/448626.shtml"><img class="size-medium wp-image-80995" title="448637" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/06/448637-300x200.jpg" alt="Photo from CMI Brasil's website" width="300" height="200" /></a></p>
<p class="wp-caption-text">Foto: CMI Brasil</p>
</div>
<p>De acordo com a versão da Polícia Militar, o confronto começou quando um grupo de cinco ou seis estudantes provocou policiais motociclistas. <em><a href="http://www.verbeat.org/blogs/aleph/2009/06/preservacao-da-integridade-fisica.html">Pablo Pamplona</a></em> responde sarcasticamente às alegações do coronel Cláudio Longo, comandante da operação, durante uma entrevista à rádio:</p>
<blockquote><p>Segundo o coronel, estudantes PEGARAM os policiais de suas motocicletas (que os pobres coitados não tiveram tempo de fugir ou se proteger, afinal todo seu equipamento não era páreo para os livro e mochilas <a href="http://hariprado.wordpress.com/2009/06/09/debelado-foco-guerrilheiro-na-usp/" target="_blank">mortais</a> dos <span style="text-decoration: line-through;">estudantes</span> terroristas) e os fizeram de REFÉNS.</p>
<p>Tá.</p>
<p>Esse mesmo senhor coronel, durante a mesma entrevista, discute com uma garota que lhe aparece aos gritos argumentando algo sobre os absurdos cometidos pela PM. Ele ameaça prendê-la. Ela quer saber a razão. <a href="http://incendioacidental.blogspot.com/2008/05/ditadura-no-acabou-camarada.html" target="_blank">Desacato</a> à autoridade, ele diz.</p>
<p>O repórter finaliza falando que ainda há tensão no local, com &#8220;estudantes que <em>agridem</em> policiais e policiais queeee&#8230; <em>retiram</em> estudantes&#8221;.</p>
<p>Onde quero chegar: está claro que as razões apresentadas pelos representantes da polícia são falsas. Não preciso explicar isso. As grandes mídias (ou seja, aquelas nas quais você não consegue expor a sua voz) dão sempre atenção especial às versões dos policiais. Tanto que na manifestação, os repórteres seguiram atrás do próprio batalhão da polícia, como a segunda fila de combate em um campo de guerra. Eles não querem as versões dos manifestantes, não lhes interessa. E essa mídia é a maior formadora de opinião da população. Façamos as contas.</p></blockquote>
<div id="attachment_80985" class="wp-caption aligncenter" style="width: 209px;"><a href="http://www.adusp.org.br/galeria/index.php?album=fotos%2F20090609&amp;image=IMG_2093.jpg"><img class="size-medium wp-image-80985" title="Police_Vs_Flowers" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/06/img_2093_595-199x300.jpg" alt="An armed police officer steps on flowers offered by students. From the USP's Teachers Union photo gallery" width="199" height="300" /></a></p>
<p class="wp-caption-text">Foto: ADUSP</p>
</div>
<p>Para muitos, a posição da imprensa é de aliada do governo e da reitoria, que acusam os manifestantes de pertenceram a uma minoria. Acompanhando o desenrolar dos acontecimentos pela TV e blogando ao vivo, <em><a href="http://tsavkko.blogspot.com/2009/06/usp-invadida-policia-marginal-invade.html">Raphael Garcia</a></em> faz uma análise da cobertura dos eventos na imprensa, que segundo ele apoiou 100% os policiais:</p>
<blockquote><p>1. Confronto entre Polícia e estudantes: Que confronto? Os estudantes protestavam pacificamente e foram atacados e em momento algum reagiram!</p>
<p>2. Provocação dos estudantes: Que provocação? O próprio repórter da rede afirmou que estavam distribuindo flores e haviam bloqueado uma rua! Bloquear uma rua em um protesto legítimo é suficiente para apanhar da PM?</p>
<p>E para fechar ainda falam &#8220;vejam como eram poucos policiais contra centenas de estudantes!&#8221; Só esqueceram de avisar que os estudantes estavam &#8220;armados&#8221; com rosas e a polícia com armas e balas!</p>
<p>Simplesmente um absurdo esta imprensa marrom, vendida, golpista!</p></blockquote>
<p><em><a href="http://breviario.org/relances/2009/06/10/de-como-a-universidade-de-sao-paulo-se-converte-em-palco-de-desmandos/">Vinicius Justo</a></em> faz um retrospecto dos acontecimentos e conclui:</p>
<blockquote><p>Se enganam aqueles que dizem que foi algo “justo”. Não pode ser justo uma força da polícia perseguir pessoas por 500 metros adentro da universidade. Não pode ser justo todos os policiais presentes estarem sem a devida identificação. Não pode ser justo o comandante da polícia dizer que interviu porque policiais “tinham sido feito reféns”. Com quem este homem está brincando? É assim que ele pretende se sair da acusação de força desproporcional? É assim que pedem para que confiemos na polícia?</p>
<p>Não é mais possível permanecer neutro, como eu disse acima. É preciso mostrar que não se pode tratar deste modo pessoas que protestam pacificamente contra um governo que impõe decisões, abstém-se do diálogo e pretende garantir o monopólio da razão. Havia os manifestantes que buscavam confronto direto com a polícia? Claro que havia. Estes são uma minoria. E não devem servir de base para fazer centenas de pessoas de bem passarem momentos de medo. Os vídeos estão na internet.</p></blockquote>
<div id="attachment_80988" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px;"><a href="http://www.adusp.org.br/galeria/index.php?album=fotos%2F20090609&amp;image=AA1_3116.jpg"><img class="size-medium wp-image-80988" title="aa1_3116_595-1" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/06/aa1_3116_595-1-300x199.jpg" alt="Photo from the USP's Teachers Union gallery" width="300" height="199" /></a></p>
<p class="wp-caption-text">Foto: ADUSP</p>
</div>
<p>O post acima deixa claro que nem todo mundo na comunidade da USP achou errada a intervenção policial. <em><a href="http://stoa.usp.br/calsaverini/weblog/51705.html">Rafael Sola</a></em> acha que já estava na hora de alguns dos atos de grevistas serem combatidos, como a invasões de prédios da universidade que marcou o início do confronto:</p>
<blockquote><p>Quem acompanha de perto vê barricadas, cerceamento da liberdade, patrulhamento ideológico que chega até o limite da agressão física e de ameaças de sequestro. É preciso ir bem perto para ver como uma parte podre desse movimento grevista age de forma mafiosa e criminosa. Eu tenho amigos que sofreram ameaças de morte por protestarem contra os piquetes. Uma garota foi agredida na História por querer passar pelas barricadas e usar as salas de aula.</p></blockquote>
<p><a href="http://stoa.usp.br/catiapietros/weblog/51818.html"><em>Catia P</em>.</a> relata agressões por parte de estudantes que apoiavam a greve àqueles que foram às aulas. A turma de tradução dela, impedida de estudar, lança o seguinte manifesto:</p>
<blockquote><p>Ninguém queria ver esse tipo de coisa dentro do campus. O recurso à ilegalidade por parte desse pessoal é de longa data: fechamento de portões, barricadas, violência e destruição do patrimônio público, invasões de prédios, são coisas que já fazem parte do cotidiano da USP já faz muito tempo. A ação pela recuperação da legalidade foi muito protelada, por medo de que a sociedade interpretasse mal imagino.</p>
<p>Nós sabemos que ao optar por fazer a prova estávamos, inevitavelmente, nos posicionando contra esta greve, mas não tínhamos sido avisados que a mobilização em favor de uma determinada ideologia é compulsória. Preferimos acreditar na autonomia da escolha do indivíduo. Nós lamentamos a truculência da polícia com os estudantes e nos posicionamos, também, contra isso. Porém, não admitimos que o nosso direito de escolha seja desrespeitado. Quando se tira o direito de escolha de alguém, tira-se sua alma. E não aceitamos que ninguém, nem mesmo os estudantes da Universidade de São Paulo, faça isso conosco.</p></blockquote>
<div id="attachment_81000" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px;"><a href="http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2009/06/448626.shtml"><img class="size-medium wp-image-81000" title="448630" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/06/448630-300x200.jpg" alt="Photo: CMI Brasil" width="300" height="200" /></a></p>
<p class="wp-caption-text">Foto: CMI Brasil</p>
</div>
<p>Já para <em><a href="http://inside-a-girls-mind.blogspot.com/2009/06/normal-0-21-microsoftinternetexplorer4.html">Mariana</a></em>, mesmo que não se concorde com as táticas dos grevistas ou estudantes, há de se concordar que cada um tem o direito de pensar, se expressar e lutar pelo que se acha justo e importante - sem apanhar:</p>
<blockquote><p>Mas apoiar tal ato ditadorial? Achar que vale tudo para preservar a “ordem”? Que é válido utilizar sprays de pimenta e bombas de efeito moral como instrumentos políticos?</p>
<p>É cuspir em cima de toda forma de liberdade que existe - ou que deveria existir. Não é &#8220;apenas&#8221; um crime, não é só porque faz todos aqueles que um dia já lutaram e/ou morreram pelo direito de se manifestar se revirarem nos caixões - ou cemitérios clandestinos.</p>
<p>É você, ser humano (?), achar que tudo bem um outro ser humano APANHAR e ser PERSEGUIDO porque ele defende algo com o qual você não concorda e de alguma forma fez com que você se sentisse prejudicado. APANHAR e ser PERSEGUIDO. Daí pra ser assassinado/torturado porque discorda é um passo. Pequeno, eu diria.</p>
<p>Que mundo é esse, gente? Que tipo de pessoas são essas?</p></blockquote>
<p>Estudantes, funcionários e professores têm se reunido em assembléias gerais para discutir novas acções e outras manifestações, e a greve continua. Algumas outras manifestações tanto, pró e contra a greve, também terminaram em violência na semana passada. A Universidade de São Paulo é uma das maiores instituições de ensino superior na América Latina, oferecendo 600 cursos para 75.000 alunos.</p>
<p><a href="http://tudo-em-cima.blogspot.com/2009/06/realidade-paralela-invasao-da-usp-pela.html"> </a></p>
<div id="attachment_79793" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px;"><a href="http://tudo-em-cima.blogspot.com/2009/06/realidade-paralela-invasao-da-usp-pela.html"><img class="size-full wp-image-79793" title="3" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/06/3.jpg" alt="- They are armed with rules and notebooks! &lt;br&gt; We'd better ask more forces! &lt;br&gt; Photo from Tudo de Bom blog" width="400" height="300" /></a></p>
<p class="wp-caption-text">Cartum do Tudo de Bom blog</p>
</div>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Irã: Manifestação Silenciosa do Verde em fotos</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/06/19/ira-manifestacao-silenciosa-do-verde-em-fotos/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/06/19/ira-manifestacao-silenciosa-do-verde-em-fotos/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 19 Jun 2009 19:18:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Maestre</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cyber-Ativismo]]></category>
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		<description><![CDATA[Manifestantes de todo o Irã continuam suas demonstrações contra o resultado da eleição presidencial de 12 de junho, que declarou vitorioso Mahmoud Ahmadinejad. Apoiadores do adversário de Ahmadinejad, Mir Hussein Mousavi, e muitos iranianos que profetizam “mudança” continuam a usar a cor verde como símbolo de seu movimento. Mousavi e Mehdi Karoubi, os outros candidatos reformistas, pediram ao povo para que mantivesse a calma e protestasse pacificamente. Enquanto a TV estatal iraniana não exibe imagens das manifestações, a mídia cidadã iraniana está repleta de fotos fascinantes.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/hamid-tehrani/">Hamid Tehrani</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/carlosmaestre/'>Carlos Maestre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/06/18/iran-green-silent-protest-movement-in-photos/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="single" class="entry">
<p>Manifestantes de todo o Irã continuam suas demonstrações contra o resultado <a href="http://globalvoicesonline.org/specialcoverage/iranian-election-2009/">da eleição presidencial de 12 de junho</a> [en], que declarou vitorioso <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2009/05/13/ira-apoiadores-de-ahmadinejad-lancam-campanha-popular-online/">Mahmoud Ahmadinejad</a>. Apoiadores do adversário de Ahmadinejad, <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2009/05/08/ira-movimento-de-1000-blogueiros-apoia-candidatura-mousavi-para-presidencia/">Mir Hussein Mousavi</a>, e muitos iranianos que profetizam &#8220;mudança&#8221; continuam a usar a cor verde como símbolo de seu movimento. Mousavi e <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2009/05/20/ira-apoiadores-de-karroubi-tem-o-facebook-como-maior-arma-na-campanha-eleitoral/">Mehdi Karoubi</a>, os outros candidatos reformistas, pediram ao povo para que mantivesse a calma e protestasse pacificamente. Enquanto a TV estatal iraniana não exibe imagens das manifestações, a mídia cidadã iraniana está repleta de fotos fascinantes.  <em>Hamed Saber</em> <a href="http://elections.7rooz.com/link/707/">publicou</a> várias fotos da manifestação que aconteceu na quarta-feira na Praça Hafte tir, em Teerã. Estas fotos revelam a natureza dos protestos iranianos:</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Silêncio Verde ou Protesto Silencioso</strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-80699" title="hmd_61244" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/06/hmd_61244.jpg" alt="hmd_61244" width="266" height="400" /> <strong></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Não é hora de descansar</strong></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-80700" title="hmd_58811" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/06/hmd_58811.jpg" alt="hmd_58811" width="266" height="400" /> <strong></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Criatividade</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong></strong> <img class="aligncenter size-full wp-image-80701" title="hmd_60441" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/06/hmd_60441.jpg" alt="hmd_60441" width="266" height="400" /> <strong></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Grande Massa</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong></strong> <img class="aligncenter size-full wp-image-80705" title="hmd_60641" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/06/hmd_60641.jpg" alt="hmd_60641" width="576" height="384" /> <strong></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Che encontra Mousavi</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong></strong> <img class="aligncenter size-full wp-image-80723" title="ham5" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/06/ham5.jpg" alt="ham5" width="333" height="500" /> <em></em></p>
<p style="text-align: left;"><em>Kosoof</em> também <a href="http://www.flickr.com/photos/kosoof">publicou</a> as fotos da manifestação em Teerã, quando Mir Hussein Mousavi e Mehdi karoubi estavam presentes:</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Movimento de massa</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong></strong> <img class="aligncenter size-full wp-image-80709" title="kosof1" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/06/kosof1.jpg" alt="kosof1" width="640" height="426" /> <strong></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Mir Hussein Mousavi entre as pessoas</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong></strong> <img class="aligncenter size-full wp-image-80710" title="kosof2" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/06/kosof2.jpg" alt="kosof2" width="640" height="468" /> <strong></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Mehdi Karoubi saúda a multidão</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong></strong> <img class="aligncenter size-full wp-image-80711" title="kos2" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/06/kos2.jpg" alt="kos2" width="640" height="473" /></p>
<p style="text-align: left;">Na quinta-feira, Mousavi <a href="http://carpediem.atnima.com/">discursou</a> [en] na praça Imam Khomeni, em Teerã. Sua mulher, Zahra Rahnavard, estava com ele e aparece na foto a seguir.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-80749" title="mos1" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/06/mos1.jpg" alt="mos1" width="500" height="375" /></p>
</div>
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		<title>Eleição Iraniana em Fotos</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/06/14/eleicao-iraniana-em-fotos/</link>
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		<pubDate>Sun, 14 Jun 2009 22:20:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Maestre</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cyber-Ativismo]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições]]></category>
		<category><![CDATA[Farsi]]></category>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

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		<description><![CDATA[A eleição presidencial iraniana aconteceu no dia 12 de junho. Apenas quatro homens, de mais de 400 homens e mulheres auto-registrados, receberam a aprovação oficial pelo Conselho dos Guardiães para candidatura. Os olhos atentos dos fotógrafos-blogueiros capturaram momentos e cenas nas ruas do Irã onde as pessoas divulgaram seus candidatos favoritos e seus pedidos políticas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/hamid-tehrani/">Hamid Tehrani</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/carlosmaestre/'>Carlos Maestre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/06/09/iranian-election-in-photos/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>A <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A7%C3%B5es_presidenciais_no_Ir%C3%A3_em_2009">eleição presidencial iraniana</a> [en] aconteceu no dia 12 de junho. Apenas quatro homens, de mais de 400 homens e mulheres auto-registrados, receberam a aprovação oficial pelo <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Conselho_dos_Guardi%C3%A3es">Conselho dos Guardiães</a> para candidatura. Os olhos atentos dos fotógrafos-blogueiros capturaram momentos e cenas nas ruas do Irã onde as pessoas divulgaram seus candidatos favoritos e seus pedidos políticos.</p>
<p><em>Maryam Majd</em> <a href="http://femschool.info/english/spip.php?article301">publicou</a> muitas fotos no site <em>Feminist School</em> [Escola Feminista] a respeito da “presença independente das mulheres no espaço eleitoral&#8221;.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-78901" title="electionwmoen" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/06/electionwmoen.jpg" alt="electionwmoen" width="482" height="321" /></p>
<p>No site <em>Feminist School</em> lemos que &#8220;Tajrish sq. Emamzadeh Saleh (um local sagrado no norte de Teerã) e o memorável Tajrish Bazaar foram sedes para voluntários da &#8220;Coalizão do Movimento das Mulheres&#8221;. Eles solicitaram com entusiasmo a presença independente das mulheres no espaço eleitoral da cidade. Seu slogan foi: &#8220;Nós votamos pelos Direitos das Mulheres&#8221;. O desejo delas é fazer com que as autoridades iranianas coloquem um fim nas leis discriminatórias contra as mulheres.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-78902" title="womenelection2" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/06/womenelection2.jpg" alt="womenelection2" width="482" height="321" /></p>
<p>Saba Vasefi também capturou a ação do movimento no <a href="http://femschool.info/spip.php?article2619"><em>Feminist School</em></a>.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-78909" title="electionw3" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/06/electionw3.jpg" alt="electionw3" width="454" height="605" /></p>
<p>Em <em>Zoherpix Photo blog</em> nós <a href="http://www.photoblog.com/zohrepix">vemos</a> como as pessoas que dão apoio a <a href="http://globalvoicesonline.org/2009/05/11/iran-ahmadinejads-supporters-launch-online-grassroots-campaign/">Mahmoud Ahmadinejad</a> e <a href="http://globalvoicesonline.org/2009/05/06/iran-movement-of-1000-bloggers-supports-mousavi-for-presidency/">Mir Hussein Mousavi</a> marcam as fotos de seus candidatos favoritos:<br />
<img class="aligncenter size-full wp-image-78903" title="electiona" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/06/electiona.jpg" alt="electiona" width="500" height="333" /></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-78904" title="electionm" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/06/electionm.jpg" alt="electionm" width="500" height="333" /></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Egito: O Festival Anual de El Korba Mostra a Verdadeira Beleza da Cidade</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/05/20/egito-o-festival-anual-de-el-korba-mostra-a-verdadeira-beleza-da-cidade/</link>
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		<pubDate>Wed, 20 May 2009 19:35:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Duende</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte & Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Egypt]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Middle East & North Africa]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
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		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

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		<description><![CDATA[El Korba, um dos distritos mais antigos do Cairo, celebrou seu quinto festival da paz na sexta-feira. Muitos residentes de Heliópolis e Cairo, vindos de diferentes distritos, esperam ansiosamente por este evento anual, onde eles podem se divertir e mergulhar na beleza do sempre movimentado distrito heliopolitano -- que é fechado para o trânsito de carros no dia. Entretenimento e atividades culturais são a ordem do dia, quando a paz e a diversidade se encontram em um só lugar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/nermeen-edress/">Nermeen Endrees</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/daniel-duende/'>Daniel Duende</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/05/19/egypt-el-korba-annual-festival-allows-citys-true-beauty-to-shine/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p><img class="alignleft" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/05/korba-post-2.jpg" alt="" hspace="5" width="130" height="97" />Vamos falar de energias positivas. Na sexta-feira passada, dia 15 de maio, o distrito de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Heliopolis_(Cairo_Suburb)">El Korba</a> [en], um dos mais antigos do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cairo">Cairo</a>, celebrou o seu quinto festival da paz. Muitos residentes de Heliópolis e do Cairo esperam ansiosamente por este evento anual, no qual podem se divertir e mergulhar na beleza do sempre movimentado distrito heliopolitano &#8212; que é fechado para o trânsito de carros no dia.</p>
<p>Entretenimento e atividades culturais são a ordem do dia, quando a paz e a diversidade se encontram em um só lugar.</p>
<p>Em sua blogada sobre o festival, <a href="http://fattractive.wordpress.com/2009/05/15/korba-peace-festival/"><em>Fattractive</em></a><em> </em>[en] diz:</p>
<blockquote><p>Korba is one of the oldest districts in Heliopolis. All these gorgeous old buildings. Sadly, it’s become extremely crowded and annoying, but on one day every year, it becomes a pedestrian street, and it’s true beauty shines through</p></blockquote>
<div class="translation">
<p>&#8220;Korba é um dos distritos mais antigos de Heliópolis, repleto de lindos prédios antigos. Infelizmente, acabou se tornando exageradamente movimentado e desagradável, mas em um dia de cada ano, ele se transforma em uma rua para pedestres, e a sua verdadeira beleza consegue brilhar.&#8221;</p></div>
<p><img class="aligncenter" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/05/korba-overview.jpg" alt="" width="448" height="299" /></p>
<p>E ela continua:</p>
<blockquote><p>All the cafes set their tables outside, bands entertain us up on a stage, kids draw on the street with chalks, and companies fall all over themselves to market their products in the most innovative ways. Entertainment is varied: the traditional tanoura/ oriental dances, and then guitar/ jazz bands. It got way crowded at night, but still very fun</p></blockquote>
<div class="translation">&#8220;Todos os cafés colocam suas mesas do lado de fora, bandas tocam para nós nos palcos, crianças desenham nas ruas com giz, e as empresas fazem todos os malabarismos para vender seus produtos das formas mais criativas. As diversões são variadas: as tradicionais danças tanoura/orientais, e então bandas de jazz ou de rock/blues. Ao anoitecer o lugar fica muito cheio, mas ainda muito divertido.&#8221;</div>
<p>Depois do evento as pessoas voltam para suas casas com excelentes fotos e ótimas lembranças, e os partilham no <a href="http://www.facebook.com/photo_search.php?oid=76368579665&amp;view=all#/photo.php?pid=420808&amp;op=2&amp;o=all&amp;view=all&amp;subj=76368579665&amp;aid=-1&amp;oid=76368579665&amp;id=509754643">grupo do evento no Facebook</a> [en].</p>
<p>O grupo descreve o dia da seguinte forma:</p>
<blockquote><p>For Heliopolis residents and admirers and guests from across Cairo, this is the day we celebrate peace in Cairo&#39;s oldest and vintage quarter “korba Heliopolis”.</p></blockquote>
<div class="translation">&#8220;Para os residentes e admiradores de Heliopolis, e para os visitantes de todos os cantos de Cairo, este é um dia para celebrar a paz no mais antigo e bucólico bairro do Cairo, &#8216;Korba Heliopolis&#39;.&#8221;</div>
<p>E aqui vão algumas fotos do festival:</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/05/korba-folk.jpg" alt="" width="453" height="604" /></p>
<p><img class="aligncenter" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/05/korba-respect.jpg" alt="" width="453" /></p>
<p><strong>Creditos das fotos:</strong> fotos 1 e 2 por <a href="http://globalvoicesonline.org/author/nermeen-edress/"><em>Nermeen Edrees</em></a>.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Myanmar: Ventos Súbitos causam estragos em Mandalay</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/05/12/myanmar-ventos-subitos-causam-estragos-em-mandalay/</link>
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		<pubDate>Tue, 12 May 2009 22:51:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Duende</dc:creator>
				<category><![CDATA[Burmese]]></category>
		<category><![CDATA[East Asia]]></category>
		<category><![CDATA[Governança]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Myanmar (Burma)]]></category>
		<category><![CDATA[Photos]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=3026</guid>
		<description><![CDATA[No dia 6 de maio, ventos fortes e súbitos incidiram sobre Mandalay, a terceira maior cidade de Myanmar. Tan, uma de nossas colaboradoras da região, traduziu uma blogada escrita por um blogueiro burmês que testemunhou o estrago causado pelo estranho vento.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/tan/">Tan</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/daniel-duende/'>Daniel Duende</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/05/08/myanmar-rogue-wind-blasted-through-mandalay-city/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p><em><a href="http://blog.mghla.com/2009/05/mandalay-news.html">MgHla</a></em> [my] escreveu que no dia 6 de maio de 2009 um vento súbito varreu a cidade de Mandalay, a terceira maior de Myanmar.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><img title="Foto1" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/05/mandalay.jpg" alt="Foto extraída do blogue de MgHla" width="300" height="225" /><p class="wp-caption-text">Foto extraída do blogue de MgHla</p></div>
<p>Ele disse:</p>
<blockquote><p>“After I attended a seminar, I came back to the office around 4pm. On the way, I saw that there was a whirlwind of wind, and there were a lot of dust.  Not soon after I had reached the office, around 4:30pm, the wind became stronger, and it also started to rain. Probably because the wind was too strong, the rain was not coming down from above, but going side-ways. It was very noisy also. Thankfully, it only lasted about 30 minutes. If it had gone on for about 3 or 4 hours, it would have been like being in Nargis cyclone. When I came back from work, I saw the billboard on the corner of 80th St. &amp; 35th St. on the ground. I heard that the backside of a car was also crushed under the billboard, but when I passed near there, the car was not there anymore. A signboard advertising engine oil became wrinkled at the corners. Small billboards on 35th St. railroad overpass also either fell or broke. It is time for the Municipal to check the integrity of the billboards. They should scrutinize the permits being handed out to erect billboards over our heads….”</p></blockquote>
<div class="translation">&#8220;Depois de participar de um seminário, eu voltei para meu escritório por volta das 4 da tarde. No caminho, eu vi que havia um redemoinho de vento, que levantava muita poeira. Pouco depois que eu cheguei ao escritório, por volta das 4 e meia da tarde, o vento ficou mais forte, e também começou a chover. Talvez por conta da força do vento, a chuva não estava vindo de cima, mas sim lateralmente. Fazia muito barulho também. Por sorte, isso só durou uns 30 minutos. Se tivesse durado umas 3 ou 4 horas, teria sido como o ciclone Nargis. Quando eu estava voltando para casa, eu vi que a placa publicitária (&#8221;billboard&#8221;) que ficava na esquina da Rua 80 com a Rua 35 estava [tombada] no chão. Eu fiquei sabendo que a parte traseira de um carro foi também esmagada pela placa publicitária, mas quando eu passei por lá, o carro não estava mais por lá. Uma placa que fazia propaganda de óleo automotivo ficou amassada nas bordas. Algumas placas publicitárias menores na passagem de nível da ferrovia sobre a Rua 35 também caíram ou ficaram destruídas. Já está na hora do [governo] municipal verificar a integridade das placas publicitárias. Eles deveriam ter mais controle sobre as permissões para construção dessas placas publicitárias que ficam penduradas sobre nossas cabeças&#8230;&#8221;</div>
<p><em>A citação acima é uma tradução feita pelo autor do artigo. A citação original foi escrita em língua burmesa.</em></p>
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		<title>Marrocos: Cuidando dos Animais</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/05/06/marrocos-cuidando-dos-animais/</link>
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		<pubDate>Wed, 06 May 2009 22:29:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Duende</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O American Fondouk é um hospital para animais em Fez, no Marrocos, que foi fundado em 1920 e é financiado pela Massachusetts Society for the Prevention of Cruelty to Animals (MSPCA - Sociedade de Massachusetts para Prevenção contra Crueldade com Animais). O Hospital, que provê cuidados para animais de grande e pequeno porte, emprega principalmente veterinários e funcionários marroquinos, contudo, o American Fondouk ganhou recentemente visibilidade na blogosfera por conta dos esforços blogueiros de um veterinário visitante, o Dr. Dan Biros de Boston. Dr. Biros, que é especialista em oftalmologia animal, está escrevendo uma crônica de seu trabalho no Fondouk em seu blog oficial.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/jillian-york/">Jillian C. York</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/daniel-duende/'>Daniel Duende</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/05/05/morocco-taking-care-of-animals/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>O <a href="http://mspca.convio.net/site/PageServer?pagename=fondouk_home">American Fondouk</a> [en] é um hospital para animais em Fez, no <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Marrocos">Marrocos</a>, que foi fundado em 1920 e é financiado pela <a href="http://www.mspca.org/">Massachusetts Society for the Prevention of Cruelty to Animals</a> [en] (MSPCA - Sociedade de Massachusetts para Prevenção contra Crueldade com Animais). O Hospital, que provê cuidados para animais de grande e pequeno porte, emprega principalmente veterinários e funcionários marroquinos, contudo, o American Fondouk ganhou recentemente visibilidade na blogosfera por conta dos esforços blogueiros de um veterinário visitante, o Dr. Dan Biros de Boston. Dr. Biros, que é especialista em oftalmologia animal, está escrevendo uma crônica de seu trabalho no Fondouk em seu <a href="http://www.mspca.org/site/PageServer?pagename=fondoukblog">blog oficial</a> [en]. Em um post recente, ele <a href="http://www.mspca.org/site/News2?page=NewsArticle&amp;id=14321&amp;security=2001&amp;news_iv_ctrl=-1">fala sobre</a> [en] questões de cuidados com animais no Marrocos.</p>
<blockquote><p>It is not clear to me precisely how much knowledge Moroccan pet owners have about taking good care of their pets. The human animal bond is universal, but there are distinct cultural differences regarding how appropriate pet care should be administered. Issues of animal cruelty abound everywhere and it was for this reason that the American Fondouk was founded more than 80 years ago. I am convinced that the Fondouk’s staff members continuously help the local population understand what it takes to provide adequate care for an animal at every opportunity. This is not an easy task. They work by example. It is very reassuring to see this each day I am here.</p></blockquote>
<div class="translation">&#8220;Não é muito claro para mim precisamente quanto conhecimento os proprietários de animais marroquinos tem sobre como tomar conta de seus animais. A ligação entre humanos e animais é universal, mas há diferenças culturais distintas (sic) sobre como os cuidados animais apropriados devem ser administrados. Problemas com crueldade contra animais acontecem em todos os lugares, e foi por esta razão que o American Fondouk foi fundado a mais de 80 anos atrás. Eu estou convencido de que os membros da equipe do Fondouk ajudam continuamente a população local a entender o que é necessário para se prover cuidados adeqados para um animal em todas as situações. Esta não é uma tarefa fácil. Eles trabalham dando exemplos. É muito reconfortante ver isso cada dia que estou aqui.&#8221;</div>
<p>Na última noite da estada do Dr. Biros em Marrocos, ele <a href="http://www.mspca.org/site/News2?page=NewsArticle&amp;id=14351&amp;security=2001&amp;news_iv_ctrl=-1">escreveu</a> [en]:</p>
<blockquote><p>To me, paradise is not the utter fulfillment of one’s desires and the absolute elimination of every bad thing; rather it is the act of giving and receiving, exchanging our gifts to one another no matter how great or small. Paradise is ensuring that we are an active participant, to the best of our ability, in this sometimes crazy world and consciously soaking it all in along the way. No matter how one defines paradise, I feel that part of the definition is the wish for paradise to endure.</p></blockquote>
<div class="translation">&#8220;Para mim, o paraíso não é a realização de todos os desejos de uma pessoa e a absoluta eliminação de todas as coisas ruins; e sim o ato de dar e receber, partilhar nossas dádivas uns com os outros não importa quão grandes ou pequenas elas sejam. O paraíso é assegurar-se de que nós somos uma parte ativa, no melhor de nossas habilidades, neste mundo por vezes tão louco, e estar conscienciosmente mergulhado nele durante todo o caminho. Não interessa como uma pessoa define o paraíso, eu sinto que uma parte da definição é o desejo de que o paraíso dure.&#8221;</div>
<p>Finalmente, Dr. Biros escreveu sobre suas experiências em sua última noite em Fez:</p>
<blockquote><p>Alicia and I were invited by a Berber family for dinner and company tonight. A man who sells carpets, a complete stranger we met only the day before in the medina, had us over for chicken couscous, tea and conversation. His wife and two teenage daughters were there and the oldest daughter made henna designs on Alicia’s hands and arms. Henna is a beautiful ornate art of India and Arabia that goes back centuries. We talked of family and work, and shared the meal from a single large bowl as is traditional in Morocco, each of us using our own spoon.</p>
<p>The apartment was modest but had everything one needs, a kitchen, family room and sleeping quarters. It also provided a fine view of the medina from the rooftop, where you felt a bit like a bee in a large honeycomb. As we looked out at the labyrinth of the city we realized how very welcome we are here and at the very same time how very far away from home we found ourselves. How often would something like this happen in Boston? The whole evening was mesmerizing and as dizzying as it was comforting. This is paradise.</p>
<p>Until we write again,<br />
M’a ssalama (peace and goodbye)</p>
<p>Dr. Biros</p></blockquote>
<div class="translation">&#8220;Alicia e eu fomos convidados por uma família bérbere para jantar e os fazer companhia hoje a noite. Um homem que vende tapetes, um completo estranho que conhecemos ontem na medina, nos convidou para comer cuscuz de frango, tomar chá e conversar. Sua esposa e suas duas filhas adolescentes estavam lá, e sua filha mais velha fez desenhos de henna nas mãos e braços de Alicia. A henna é uma bela arte ornamental indiana e árabe que data de séculos atrás. Nós falamos sobre família e trabalho, e partilhamos nossa refeição de uma única grande bacia como é tradicional no Marrocos, cada um de nós usando sua própria colher.</p>
<p>O apartamento era modesto mas tinha tudo que se pode precisar, uma cozinha, uma sala de estar para a família e quartos de dormir. E tinha também uma bela vista da medina de cima do telhado, onde você se sentia um pouco como uma abelha em uma colméia gigante. Enquanto olhávamos para os labirintos da cidade nós percebemos o quão bem vindos nós somos aqui e ao mesmo o tempo quão longe de casa estávamos. Quão frequentemente uma coisa como aquelas aconteceria em Boston? A noite inteira foi fascinante, ao mesmo tempo estonteante e confortante. Isto é o paraíso.</p>
<p>Até escrevermos novamente,<br />
M&#39;a ssalama (paz e adeus)</p>
<p>Dr. Biros&#8221;</p></div>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img title="Mural" src="http://farm4.static.flickr.com/3304/3447463899_a0f9f1e3b4.jpg" alt="Um mural no American Fondouk" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">Um mural no American Fondouk</p></div>
<p>A blogueira por trás do <em>Près do Puits</em> também escreveu recentemente sobre o Fondouk, onde ela levou seus gatos para serem vacinados. A blogueira <a href="http://presdupuitsinmorocco.blogspot.com/2009/05/american-fondouk-in-fez-animal-hospital.html">disse</a> [en]:</p>
<blockquote><p>In Fez, there is an amazing, almost magical, place. This is the American Fondouk, an animal hospital founded in the 1920s by Sidney Haines Coleman, who cared about the health of the working animals of Morocco. Almost a century later, the Fondouk - which means hotel in Arabic - still treats for free thousands of animals every year. Lots of working animals - mares and donkeys -, but also cats and dogs (though I guess they didn’t treat many of those in the 1920s).</p></blockquote>
<div class="translation">&#8220;Em Fez, há um lugar maravilhoso, quase mágico. É o American Fondouk, um hospital para animais fundado em 1920 por Sidney Haines Coleman, que se importava com a saúde dos animais de trabalho do Marrocos. Quase um século depois, o Fondouk &#8212; que significa hotel em arábico &#8212; ainda trata gratuitamente de milhares de animais todos os anos. Muitos animais de trabalho &#8212; éguas e jumentos &#8212; mas também gatos e cães (embora eu ache que eles não tratavam de muitos desses em 1920).</div>
<p>Ela também publicou uma série de fotos do Fondouk e seus pacientes:</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 385px"><img title="Paciente" src="http://farm4.static.flickr.com/3567/3447466237_d275158997.jpg" alt="Um paciente do American Fondouk" width="375" height="500" /><p class="wp-caption-text">Um paciente do American Fondouk</p></div>
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		<title>Brasil: Cultura, poesia e direitos indígenas na blogosfera</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/14/brasil-cultura-poesia-e-direitos-indigenas-na-blogosfera/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/14/brasil-cultura-poesia-e-direitos-indigenas-na-blogosfera/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2009 05:53:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Duende</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Brasil possui um dos mais impressionantes mosaicos de povos indígenas do mundo, e esta riqueza cultural está começando a aparecer na blogosfera brasileira. Por esta razão, o GVO está dedicando uma trilogia de artigos para cobrir os vários aspectos da blogagem indígena no país, começando com esta introdução à blogosfera indígena.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/deborah-goldemberg/">Deborah Icamiaba</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/daniel-duende/'>Daniel Duende</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/04/05/brazil-poetry-rights-and-culture-on-the-indian-blogosphere/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>O Brasil possui um dos mais impressionantes mosaicos de povos indígenas do mundo, e esta riqueza cultural está começando a aparecer na blogosfera brasileira.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 458px"><a href="http://www.flickr.com/photos/zengzung/3221806540/in/set-72157612919863548/"><img src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/04/3221806540_b66cc90632_o2.jpg" alt="Foto por Tatiana_Reis na área de inclusão digital do Campus Party 2009" width="448" height="436" /></a><p class="wp-caption-text">Foto por Tatiana_Reis na área de inclusão digital do Campus Party 2009</p></div>
<p>A mais de 500 anos atrás, antes da colonização européia, o Brasil era inteiramente habitado por uma grande diversidade de grupos indígenas, estimados pela <a href="http://www.funai.gov.br/">FUNAI</a> em contarem entre 1 e 10 milhões de indivíduos. A denominação &#8220;índio&#8221; foi dada aos habitantes nativos do lugar por conta de um equívoco dos colonizadores, que acreditavam ter chegado á Índia. Hoje, há por volta de 460.000 índios no Brasil, pertencentes a por volta de 225 diferentes grupos étnicos, vivendo em áreas protegidas, e mais algo entre 100 e 190 mil índios vivendo em áreas rurais ou urbanas. Eles constituem aproximadamente 0.25% da população brasileira e falam por volta de 200 línguas diferentes, embora muitos deles sejam bilíngues. Além destes, há ainda por volta de 63 grupos indígenas que nunca fizeram contato com o mundo exterior e são considerados &#8220;povos isolados&#8221; (FUNAI, 2009).</p>
<p>Embora a maioria das áreas indígenas sejam localizadas em áreas rurais remotas e não tenham acesso fácil a meios de comunicação como o telefone e a internet, a ascensão de associações regionais indígenas fortes como a <a href="http://www.coiab.com.br/">COIAB</a>, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, e de redes de nível nacional como a <a href="http://www.redepovosdafloresta.org.br/">Rede dos Povos das Florestas,</a> encabeçada pelo líder indígena Ailton Krenak, encorajou grupos e indivíduos indígenas a blogar para o mundo. Algumas vezes eles contam com uma pequena ajuda de amigos, apoiadores da causa indígena, para cruzar o abismo tecnológico.</p>
<p><strong>Dois dos mais famosos líderes indígenas do Brasil estão blogando.</strong></p>
<p>Desde 2008, Marcos Terena, do Estado do Mato Grosso do Sul, que descreve a si mesmo como um guerreiro do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Terenas">Povo Terena</a>, vem usando sua escrita, seu pensamento e suas habilidades de comunicação como armas para defender seu povo e as causas indígenas no século 21. Em <a href="http://www.marcosterena.blogspot.com/">seu blogue</a>, Terena comenta sobre eventos nacionais e chama nossa atençao para eventos que são relevantes para a causa indígena.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 410px"><a href="http://www.agenciabrasil.gov.br/media/imagens/2006/07/26/2003VC003.jpg/view"><img src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/marcos_terena-1024x724.jpg" alt="Foto de Valter Campanato de Marcos Terena na Conferência Regional das Américas. Creative Commons." width="400" /></a><p class="wp-caption-text">Foto de Valter Campanato de Marcos Terena na Conferência Regional das Américas. Creative Commons.</p></div>
<p>Recentemente, Terena publicou uma <a href="http://marcosterena.blogspot.com/2009/02/o-canibal-e-o-cha-de-boldo.html">crônica</a> sobre um suposto episódio onde uma pessoa branca (ou &#8220;homem branco&#8221;, como as tribos geralmente chamam os não-índios) teria sido devorada por índios do Norte Brasileiro, relatado pela imprensa nacional:</p>
<blockquote><p>Nos ultimos tempos, o colonizador acostumado a trabalhar com a imagem do mito, do herói e de tantas simbologias, criou a lenda de dificil comprovação, de que um padre de nome Sardinha teria sido devorado pelos Tupinambas… E agora, com os irmãos Kulina.<br />
Como diria o velho sábio Jeca Tatu, tem arguma coisa errada nesse causo ou essa história tá mal contada.<br />
Como a piola sempre arrebenta do lado mais fraco, então nós daqui do sul, do centro oeste e de outras regiões acostumados com churrascos, farofa, beiju, mandioca, banana e até mesmo guaraná, ficamos pensando:qual o significado dessa história de comer o homem branco? vale a pena? Saborear com gosto ou com raiva?<br />
Porque… engolir sapo em nome da civilização moderna, nós indigenas já fizemos isso varias vezes. E não é mole, não!!!!<br />
Pensem nisso Canibais, reflitam e lembrem-se: contra má digestão, chá de boldo!!!!</p></blockquote>
<p>Ailton Krenak, outro importante líder do povo Krenak do estado de Minas Gerais, conta com o apoio de um colega chamado Hanny para publicar em <a href="http://ailtonkrenak.blogspot.com/">seu blogue</a> todos os artigos jornalísticos publicados sobre ele desde 2007. Os tópicos são principalmente eventos políticos e culturais. O blogue trouxe recentemente imagens da participação de Ailton em um festival indígena devotado para a água, que aconteceu no festival FestiVelhas, e onde ele falou sobre a preservação ambiental na cultura indígena:</p>
<blockquote><p>Ainda reunidos em círculos ou em duas filas, os presentes cantavam, dançavam e ouviam as explicações de Ailton. “É preciso entrar em sintonia com a natureza e ouvir o que as águas tem as nos dizer”, diz ele sobre a relação que os homens devem manter com ambiente.</p></blockquote>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 410px"><img src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/pen-drive-1-020-768x1024.jpg" alt="Foto: Dois jovens índios nadando no rio, por Deborah Icamiaba" width="400" /><p class="wp-caption-text">Foto: Dois jovens índios nadando no rio, por Deborah Icamiaba</p></div>
<p><strong>Há iniciativas coletivas interessantes protagonizadas por índios jovens acontecendo na blogosfera</strong></p>
<p>A Associação AJI, <a href="http://ajindo.blogspot.com/">Ação de Jovens Indígenas</a>, reúne índios das etnicidades Kaiowá, Terena e Nandeva localizados em Dourados, no Estado do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mato_Grosso_do_Sul">Mato Grosso do Sul</a>. Eles realizam uma série de atividades direcionadas à integração das comunidades, incluindo um jornal local que informa local e externamente sobre o dia a dia e os desafios enfrentados pelos povos indígenas. Desde 2006 eles também estão blogando. Embora eles vez ou outra façam referências a artigos de agências de notícias, muitos de seus artigos são escritos por jovens indígenas locais.</p>
<p>Um interessante exemplo disso foi a forma como eles coletaram opiniões de índios locais sobre as acusações feitas por homens brancos da região de que &#8220;os índios recebiam vários benefícios, mas não pagavam impostos ou taxas&#8221;, como podemos ver <a href="http://ajindo.blogspot.com/2009/03/um-outro-ponto-de-vista.html">neste post</a>:</p>
<blockquote><p>O índio kaiowá Euzébio Garcia, morador da aldeia Bororó, fazia economia há algum tempo para comprar uma moto. Com o acerto do pagamento da usina, ele conseguiu completar e fez a compra em dezembro de 2008. Euzébio investiu R$ 3 mil à vista. Esse é apenas um exemplo de como os indígenas da Reserva de Dourados têm aplicado seu dinheiro. Os salários dos trabalhadores das usinas e da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), os benefícios e os programas sociais geram renda para os índios e se convertem em lucro para o comércio de Dourados. A população indígena contribui e muito com a economia da cidade de Dourados.</p></blockquote>
<p>Os índios <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Patax%C3%B3s">Pataxó</a> que vivem no Sul do Estado da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bahia">Bahia</a> criaram um <a href="http://reservapataxojaqueira.blogspot.com/">blog</a> dedicado ao Projeto Social de Ecoturismo chamado Reserva da Jaqueira:</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 410px"><img src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/img_1799-1024x768.jpg" alt="foto: Índio Pataxó conduzindo turistas nos arredores da Reserva da Jaqueira, por Deborah Icamiaba" width="400" /><p class="wp-caption-text">foto: Índio Pataxó conduzindo turistas nos arredores da Reserva da Jaqueira, por Deborah Icamiaba</p></div>
<p>Desde 2008, o blogue vem sendo movimentado por Aricema Pataxó, uma jovem índia Pataxó que está estudando jornalismo na Universidade Federal da Bahia. Embora o blogue tenha como principal objetivo disseminar o projeto para seus visitantes, ele traz também interessantes imagens e explicações sobre a cultura Pataxó, como por exemplo neste <a href="http://reservapataxojaqueira.blogspot.com/2008/06/pintura-corporal.html">post</a> sobre a importância da pintura corporal:</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 410px"><img src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/img_1788-768x1024.jpg" alt="foto: Índio Pataxó se pintando, na Reserva Jaqueira, por Deborah Icamiaba" width="400" /><p class="wp-caption-text">foto: Índio Pataxó se pintando, na Reserva Jaqueira, por Deborah Icamiaba</p></div>
<blockquote><p>A pintura corporal é um bem cultural de grande valor para nós Pataxó. Ela representa parte de nossa história, sentimentos do cotidiano e os bens sagrados. Usamos a pintura corporal em festas tradicionais na Aldeia como em ritos de casamento, nascimento, comemorações, dança, luta, sedução, luto, proteção, etc. Temos pintura para o rosto, braço, costas e até mesmo para as pernas. Usamos pinturas específicas para homens e mulheres casados e solteiros. As pinturas têm diversidade de tamanho e significados.</p></blockquote>
<p>O blog <em><a href="http://karipuna.blogspot.com/">Criança do Futuro: Wakopunska Karipuna</a></em> vem sendo mantido desde 2007 por uma pessoa com um perfil muito interessante, na busca de tentar ajudar na compreensão de como são os índios brasileiros hoje:</p>
<blockquote><p>Sou um mestiço brasileiro. Pareço branco, mas não sou caucasiano. Tenho sangue karipuna, dos karipunas do Rio Jamary, hoje quase extintos nos sertões do Guaporé. O resto de minha origem (portugueses do Ceará, holandeses do Sergipe, espanhóis do Pantanal, alemães do Paraná e italianos do Rio Grande do Sul) pouco me explica. Sou brasileiro dos quatro costados e, mais que isso, um hominídeo do continente Amarakka. Estrangeiro em minha própria terra, quero poder falar a língua universal da Paz, e ter como repousar minha cabeça: por isso escrevo nessa areia e nessa arena virtual.</p></blockquote>
<p>Seu blogue oferece alguns relatos fascinantes de alguém que vive na fronteira entre o Brasil (no Estado do Acre) e o Peru (Cuzco) e que realmente conhece a realidade da vida indígena no Amazonas. Em <a href="http://karipuna.blogspot.com/2009/03/antropofagia-kulina-e-alcoolismo.html">um post recente</a>, ele fala do problema do alcoolismo entre os índios de sua região:</p>
<blockquote><p>Quando estive certa ocasião por ser nomeado chefe de posto indígena da Fundação Nacional do Índio, em 1993, um dos antigos funcionários da Funai em Rio Branco já me advertia que para uma boa convivência com os índios eu devia fazer vista grossa para o problema do alcoolismo, ou estaria me expondo a criar inimizades entre os lideranças ou até mesmo a ser vitimado por algum deles. Essa incapacidade da Funai em lidar com o assunto se extende também às organizações que se dedicam a apoiar as populações indígenas, as quais se engajaram a partir dos anos 70 na luta pela demarcação de terras e na formação de lideranças e entretanto jamais se esforçaram por tratar essa espinhosa questão que representa um grave problema de saúde…Alcoolismo e aculturação andam de mãos dadas na Amazônia, e tanto é a aculturação que leva ao alcoolismo quanto o alcoolismo que conduz à aculturação, isso deve ser deixado bem claro.</p></blockquote>
<p>Por fim, nós também encontramos na rede algumas interessantes iniciativas blogueiras de linguistas e antropólogos que escrevem sobre as tribos com as quais trabalharam.</p>
<p>No blogue <em><a href="http://maxakali.blogspot.com/">Maxacali</a></em>, o estudante de linguística Charles Bicalho manteve um registro entre 2006 e 2007 de imagens e aspectos interessantes da cultura Maxacali, como por exemplo sua trajetória histórica:</p>
<blockquote><p>Os Maxakali surpreendem por ainda preservarem língua, religião, costumes e outros aspectos tradicionais de sua cultura como nenhum outro grupo. Pouco mais de mil pessoas, sendo a maioria da população de crianças, falam a língua maxakali, do tronco lingüístico macro-gê, família maxakali. Vivem em reserva no Vale do Mucuri, Nordeste do Estado. Povo tradicionalmente seminômade, caçador e coletor, é comum alguns grupos de poucos indivíduos abandonarem a reserva para longas peregrinações, muitas vezes chegando até Governador Valadares, distante mais de 300 km. Seus ancestrais costumavam vagar por uma extensa área que abrange, além do Nordeste de Minas, o Sul da Bahia e o Norte do Espírito Santo. Após o contato com o colonizador europeu e a conseqüente diminuição de seu território, acabaram, enfim, confinados em reserva.</p></blockquote>
<p>Bicalho também publico algumas incríveis traduções para o português de alguns cânticos tradicionais da ritualística Maxakali e explora algumas questões sobre a poesia indígena, que será o tema do outro artigo desta trilogia. Abaixo, um exemplo:</p>
<blockquote><p>O texto a seguir é um yãmîy maxakali, canto ritual do tatu. O autor é Damazinho Maxakali, aluno do Curso de Formação de Professores Indígenas de MG.</p>
<p>KOXUT<br />
Koxut hãmkox hu kopa moyõn<br />
Koxut yã hãmkox kopa tokpep<br />
Koxut ãpnîy yîta yãy hi hu xit hã yãy hi<br />
Koxut tute komîy mahã xi kohot xi puxõõy<br />
Koxut yã hãmtup tu yãy hi xi ãpnîy hã<br />
Puxi. Ûkux.<br />
Ûgãxet ax Namãyiy Maxakani.</p>
<p>O TATU<br />
O tatu dorme dentro do buraco<br />
O tatu dá cria dentro do buraco<br />
O tatu sai à noite pra andar e pra comer<br />
O tatu come batata, mandioca e minhoca<br />
O tatu anda de dia e de noite<br />
Chega. Acabou.<br />
Meu nome é Damazinho Maxakali.</p></blockquote>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 410px"><img src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/pen-drive-1-004-1024x768.jpg" alt="Foto: Uma mulher índia trabalhando, por Deborah Icamiaba" width="400" /><p class="wp-caption-text">Foto: Uma mulher índia trabalhando, por Deborah Icamiaba</p></div>
<p>Para uma listagem cuidadosa de todos os blogues e sites indígenas do Brasil, visite o <a href="http://sitesindigenas.blogspot.com/">blogue</a> criado por Glaucia Paschoal com o intento específico de disseminar estas fontes para o propósito de servirem como fontes de pesquisa ou simples aquisição de conhecimento sobre os povos indígenas. Sua busca é fortalecer os meios pelos quais as comunidades indígenas expressam sua cultura e seus movimentos políticos na Internet.</p>
<p>No próximo artigo desta série, você encontrará os escritores e poetas indígenas que usam seus blogues para se expressarem. E no último artigo você verá como os índios brasileiros estão blogando em busca de seus direitos.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Global: Desligando as luzes por um mundo mais sustentável</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/06/global-desligando-as-luzes-por-um-mundo-mais-sustentavel/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/06/global-desligando-as-luzes-por-um-mundo-mais-sustentavel/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 06 Apr 2009 20:39:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paula Góes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Australia]]></category>
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		<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
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		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

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		<description><![CDATA[No sábado 29 de março, muitas pessoas ao redor do mundo apagaram as luzes entre 20h30 e 21h30 em seus horários locais, em um ato simbólico para mostrar que se preocupam com o meio-ambiente. Veja como a Hora do Planeta foi retratada por aqueles que participaram do movimento.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/paulagoes/">Paula Góes</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/paulagoes/'>Paula Góes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/04/04/global-switching-off-the-lights-for-a-sustainable-world/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>O mais famoso cartão postal do Brasil, a estátua do Cristo Redentor no topo do Corcovado, teve as luzes apagadas para abençoar um Rio de Janeiro mais escuro que o normal no sábado 29 de março. Cerca de outras cem cidades brasileiras também apagaram as luzes das 20h30 às 21h30 durante a <a href="http://www.wwf.org.br/informacoes/horadoplaneta/">Hora do Planeta</a>. Essa foi a primeira vez que o país participou do movimento global em apoio a um mundo mais sustentável.</p>
<p><a href="http://www.divshare.com/download/6951622-3c2"><img class="aligncenter size-full wp-image-65150" title="6951622-3c2" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/6951622-3c2.jpg" alt="6951622-3c2" width="448" height="297" /></a></p>
<h5 style="text-align: center;"><strong><strong><strong><strong>Foto de</strong></strong></strong></strong> <a href="http://www.divshare.com/download/6951622-3c2">Americo Verme/WWS Brazil</a></h5>
<p>Assim como <a href="http://globalvoicesonline.org/2009/04/03/brunei-joins-earth-hour-for-the-first-time/">Brunei</a> e muitos outros países, o Brasil apagou as luzes pela primeira vez, e as reações na blogosfera foram de otimistas e apoiadoras a críticas e cínicas. Guilherme Nascimento Valadares, do blog <a href="http://papodehomem.com.br/dissecando-a-hora-do-planeta/"><em>Papo de Homem</em></a>, dedicou-se ao monitoramento de reações no Twitter e contou mais de 8.000 postagens relacionadas aos marcadores do evento entre 20h45 do sábado 29 até 6h do domingo 30. Ele conclui:</p>
<blockquote><p>Fato peculiar. O mais críticos eram justamente os mais conectados, jovens, hypes, espertos. Me corrijam se estiver errado, mas tenho uma forte impressão de que o retrato da juventude produtiva brasileira de hoje - estou falando da turma que saiu da faculdade e já faz o seu $$$ - é um tremendo bundão, cético, hedonista, indolente, inseguro, maria-vai-com-as-outras.</p></blockquote>
<p>Dentre aqueles que desligaram as luzes ao redor do mundo, muitos <a href="http://www.flickr.com/photos/earthhour_global/">usuários Flickr tiraram fotos</a> para passar o tempo. Veja abaixo uma seleção de fotos disponibilizadas com licença do Creative Commons do Brasil, Índia, Malásia, Austrália, Cingapura e Chile:</p>
<p><a href="http://saopaulourgente.blogspot.com/2009/03/hora-do-planeta-no-centro-paulistano.html"><img class="aligncenter size-full wp-image-65151" title="3393393277_dda7b4949e" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/3393393277_dda7b4949e.jpg" alt="3393393277_dda7b4949e" width="430" height="287" /></a></p>
<h5 style="text-align: center;"><strong><strong><strong><strong>Foto de</strong></strong></strong></strong> <a href="http://www.flickr.com/photos/alexbolt/">Alexandre E Silva&#39;s</a> - Brasil</h5>
<blockquote><p>“Transmitindo a Hora do Planeta ao vivo pelo Ustream.”</p></blockquote>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/earthhour_global/3393791445/"><img class="aligncenter size-full wp-image-66386" title="3393791445_7552075b13" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/04/3393791445_7552075b13.jpg" alt="3393791445_7552075b13" width="500" height="356" /></a></p>
<h5 style="text-align: center;">Hora do Planeta em Bangalore, Índia - Foto de <a href="http://www.flickr.com/photos/earthhour_global/3393791445/">Earth Hour Global</a>.</h5>
<p>Para um blogueiro local na Índia, que lembrou que o país enfrenta diariamente uma falta de energia crônica, atender à Hora do Planeta é uma bobagem. <a href="http://kishorekumar62.wordpress.com/2009/03/28/a-symbol-of-foolishness/">View of My World</a> [en] diz:</p>
<blockquote><p>Bangalore, and large parts of India, have been observing earth hour / earth day / earth night for many many years now. Even this morning there was no power supply to my home between 9 AM - 11 AM.</p></blockquote>
<div class="translation">Bangalore, e uma boa parte da Índia, tem participado da hora do planeta / dia do planeta / noite do planeta por muitos anos. Ainda na manhã de hoje não havia energia elétrica em minha casa entre 9h e 11h da manhã.</div>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/danipontes/3393294153/"><img class="aligncenter size-full wp-image-65152" title="3393294153_642a764c6c" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/3393294153_642a764c6c.jpg" alt="3393294153_642a764c6c" width="440" height="330" /></a></p>
<h5 style="text-align: center;"><strong><strong><strong><strong>Foto de</strong></strong></strong></strong> <a href="http://www.flickr.com/photos/danipontes/3393294153/">Dani Pontes</a>, Brasil</h5>
<blockquote><p>“Nós participamos!!<br />
E aproveitamos pra namorar a luz de velas!! rs”</p></blockquote>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/hellochild/3393913016/"><br />
</a></p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/lucianojoaquim/3392817669/"><img class="aligncenter size-full wp-image-65153" title="3392817669_9908bb91a4" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/3392817669_9908bb91a4.jpg" alt="3392817669_9908bb91a4" width="424" height="318" /></a></p>
<h5 style="text-align: center;"><strong><strong><strong><strong>Foto de</strong></strong></strong></strong> <a href="http://www.flickr.com/photos/lucianojoaquim/3392817669/">Luciano Joaquim</a>, Brasil<a href="http://www.flickr.com/photos/lucianojoaquim/3392817669/"><br />
</a></h5>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/cw_ye/3394914218/"><img class="aligncenter size-full wp-image-66387" title="3394914218_8e7293aa17" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/04/3394914218_8e7293aa17.jpg" alt="3394914218_8e7293aa17" width="432" height="324" /></a></p>
<h5 style="text-align: center;">Dê uma chance à terra…<strong><strong><strong><strong> Foto de</strong></strong></strong></strong><a href="http://www.flickr.com/photos/cw_ye/"> CW Ye</a>,  Malásia</h5>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/maxymiliano/3396708164/"><img class="aligncenter size-full wp-image-66388" title="3396708164_1ae14ddd63" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/04/3396708164_1ae14ddd63.jpg" alt="3396708164_1ae14ddd63" width="500" height="333" /></a></p>
<h5 style="text-align: center;"><strong><strong><strong><strong>Foto de</strong></strong></strong></strong> <a title="Link to Max y Miliano's photostream" rel="dc:creator cc:attributionURL" href="http://www.flickr.com/photos/maxymiliano/"><strong>Max y Miliano</strong></a>, Chile</h5>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/mondayne/3410280101/"><img class="aligncenter size-full wp-image-66401" title="3410280101_c5841fde97" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/04/3410280101_c5841fde97.jpg" alt="3410280101_c5841fde97" width="500" height="333" /></a></p>
<h5 style="text-align: center;"><strong><strong><strong><strong>Foto de</strong></strong></strong></strong> <a href="http://www.flickr.com/photos/mondayne/">Mondayne</a>. Sydney, Australia.</h5>
<blockquote><p>Earth Hour was both disappointing and pointless in Sydney. They didn&#39;t even turn the lights off on the Opera House or Bridge really… just a few lights were shut down. I can&#39;t imagine they really saved that much power.</p></blockquote>
<div class="translation">A hora do planeta foi tanto  decepcionante      quanto supérfluo em Sidney. Nem na Opera House ou Bridge as luzes foram desligadas…  apenas algumas luzes foram apagadas. Não acredito que tenham economizado muita energia.</div>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/hsien-ku/3406157063/"><img class="aligncenter size-full wp-image-66402" title="3406157063_b99c59121e" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/04/3406157063_b99c59121e.jpg" alt="3406157063_b99c59121e" width="500" height="352" /></a></p>
<h5 style="text-align: center;"><strong><strong>Auto-retrato de de</strong></strong> <a title="Link to Hsien-Ku's photostream" rel="dc:creator cc:attributionURL" href="http://www.flickr.com/photos/hsien-ku/"><strong>Hsien-Ku</strong></a><strong>, Austrália.</strong></h5>
<p><strong><a href="http://www.flickr.com/photos/nathanhayag/3403226377/"><img class="aligncenter size-full wp-image-66403" title="3403226377_f12480b0c6" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/04/3403226377_f12480b0c6.jpg" alt="3403226377_f12480b0c6" width="500" height="323" /></a></strong></p>
<h5 style="text-align: center;"><strong>Foto de <a href="http://www.flickr.com/photos/nathanhayag/">Nathan Hayag,</a> Cingapura</strong></h5>
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		<title>Camboja: Evidências no Tribunal do Khmer Rouge</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/02/camboja-evidencias-no-tribunal-do-khmer-rouge/</link>
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		<pubDate>Thu, 02 Apr 2009 22:38:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Duende</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cambodia]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[East Asia]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Lei]]></category>
		<category><![CDATA[Photos]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

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		<description><![CDATA[Ex-rebeldes do Khmer Rouge duvidam que haja evidências suficientes para condenar os cinco líderes do movimento que aguardam julgamento no Tribunal do Khmer Rouge. Uma vez que os eventos se desenrolaram a 30 anos atrás, encontrar evidências e testemunhas pode ser muito difícil.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/chhunny-chhean/">Chhunny Chhean</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/daniel-duende/'>Daniel Duende</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/03/31/cambodia-evidence-at-the-khmer-rouge-tribunal/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p><a href="http://www.voanews.com/khmer/2009-03-26-voa1.cfm">VOA Khmer</a> [En] entrevistou ex-rebeldes do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Khmer_Vermelho">Khmer Rouge</a> que duvidam que haja evidências suficientes para condenar os cinco líderes do movimento que esperam julgamento no <a href="http://globalvoicesonline.org/2009/03/31/cambodia-trial-begins-for-khmer-rouge-leader/">Tribunal do Khmer Rouge</a> [En]. Sok Pheap, um general de exército que desertou do Khmer Rouge em 1996, desafia,</p>
<blockquote><p>I didn’t know [who the killers were]; I was the soldier in the forest, and when I came back home also my relatives had gone missing, killed, and most of villagers had died.</p></blockquote>
<div class="translation">&#8220;Eu não sei [quem são os assassinos]; Eu era o soldado na floresta, e qando eu voltei para casa meus parentes também haviam desaparecido, ou sido assassinados, e a maioria dos [moradores] das vilas haviam morrido.&#8221;</div>
<p>Outro ex-membro do Khmer Rouge, Meas Mouth, afirma que:</p>
<blockquote><p>For instance, the skull bones that have been displayed: the court must know which skull belonged to a person killed by the Vietnamese, which belonged to a person killed by B-52 bombers, or any of the Khmers who did not die by the Khmer Rouge.</p></blockquote>
<div class="translation">&#8220;Por exemplo, os crânios que foram apresentados: a corte precisa saber qual crânio pertenceu a uma pessoa morta pelos vietnamitas, qual pertenceu a uma pessoa morta pelos bombardeiros B-52, ou a qualquer dos Khmers qe não morreram pelas mãos do Khmer Rouge.&#8221;</div>
<p>Um advogado do <a href="http://www.cdpcambodia.org/default.asp">Projeto Defensores Cambojanos</a> [En] concordou que uma vez que os eventos ocorreram a 30 anos atrás, será difícil encontrar evidências e testemunhas.</p>
<p>Contudo, Yok Chhang do <a href="http://www.dccam.org/">Centro de Documentação do Camboja</a> [En] afirmou que existem centenas de milhares de documentos para ligar os acusados a crimes de guerra.</p>
<p>Em adição às evidências documentais, testemunhos de sobreviventes estão sendo coletados, até mesmo em <a href="http://www.presstelegram.com/news/ci_12016405">Long Beach, Califórnia</a> [En], onde muitos cambojanos foram viver depois do genocídio.</p>
<p>As vítimas e seus parentes tem o direito de abrir processos através da Unidades [de atendimento] a Vítimas das Câmaras Extraordinárias das Cortes do Camboja. Instruções sobre como abrir um processo são encontradas <a href="http://www.eccc.gov.kh/english/victims_unit.aspx">aqui</a> [En].</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 310px"><a href="http://www.flickr.com/photos/yarra64/3390059182/"><img src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/tuol-sleng-faces-300x200.jpg" alt="Foto capturando os rostos da prisão de Tuol Sleng, por Yarra64, licenciada através do Creative Commons." width="300" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Foto capturando os rostos da prisão de Tuol Sleng, por Yarra64, licenciada através do Creative Commons.</p></div>
]]></content:encoded>
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		<title>Brasil: Uma reserva natural privada - É possível?</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/03/28/brasil-uma-reserva-natural-privada-e-possivel/</link>
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		<pubDate>Sat, 28 Mar 2009 16:21:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maria Arruda</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Brazil]]></category>
		<category><![CDATA[Criança]]></category>
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		<description><![CDATA[A sociedade está exigindo ações "verdes" e a política do Brasil que motiva os proprietários de terras a participarem do Sistema Nacional de Unidades de Conservação está tendo um grande impacto na sociedade. Sob o programa conhecido como RPPN, os proprietários de terras recebem também investimentos e créditos. O uso da terra é restrito à pesquisa, à educação ambiental e ao ecoturismo. Os blogs são uma das ferramentas usadas para relatar experiências e documentar o trabalho que está sendo desenvolvido para manter o Brasil "verde".]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/danilo-goncalves/">Danilo Gonçalves</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/mariaarruda/'>Maria Arruda</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/03/24/brazil-a-private-nature-reserve-is-it-possible/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Cada cidadão é responsável pelo meio ambiente. Para difundir essa mensagem, o governo brasileiro está incentivando todos os componentes da sociedade a agirem de forma mais &#8220;verde&#8221;, restringindo os parâmetros de poluição e investindo em negócios ecológicos. Entre essas iniciativas há a criação das novas unidades de conservação, onde proprietários privados e companhias podem associar-se ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).  Além disso, entre os tipos de unidades de conservação há a Reserva de Propriedade Privada Nacional (RPPN), uma reserva natural com um arrendamento perpétuo: uma vez que uma área recebe o status de RPPN no Cartório de Registro de Imóveis, não pode ser mais desapropriada. Para uma área poder haver esse status, porém, tem que estar dentro de um desses parâmetros:</p>
<ul>
<li>Possuir uma biodiversidade essencial;</li>
<li>Possuir uma paisagem importante;</li>
<li>Possuir certas características que justifiquem esse status (como possuir espécies em risco de extinção ou uma comunidade ecológica bastante danificada).</li>
</ul>
<p>Existem algumas áreas com cerca de <a href="http://www.brazilmax.com/news3.cfm/tborigem/fe_ecology/id/1"><span style="color: #003399;">meio milhão de hectares que pertencem à propriedade privada</span></a> [En] e são protegidas por leis federais e estaduais no Brasil. Por um lado, essa iniciativa limita o uso da terra. Não são mais permitidas práticas de exploração e as áreas devem ser recuperadas e mantidas com investimento privado. Por outro lado, o governo investe no programa de RPPN fazendo com que o específico financiamento seja acessível aos proprietários individuais. Embora as práticas de exploração sejam proibidas, novas atividades são encorajadas, dentre elas as viagens turísticas, projetos científicos, atividades culturais e educacionais, e o ecoturismo. Além disso, há uma pequena redução nos impostos e os proprietários têm acesso privilegiado ao crédito rural e podem solicitar um apoio financeiro por parte das ONGs e dos fundos ambientais.</p>
<p>As RPPNs estão causando um grande impacto na sociedade. Uma paisagem naturalmente preservada pode ajudar a compreender as questões ecológicas, como a importância do equilíbrio do meio ambiente. Muitos blogueiros estão relatando suas experiências ao observarem o crescimento desse tipo de reserva, como Fernanda de Souza Pimentel, no blog <a href="http://pitaquinhos.blogspot.com/2008/11/rppn-rio-das-lontras-vai-escola.html"><em><span style="color: #003399;">Pitaquinhos da Fernanda</span></em></a>, onde descreve a visita do seu pai ambientalista à sua escola em novembro passado:</p>
<blockquote><p>“Hoje na escola onde eu estudo, a Escola de Educação Básica Nossa Senhora (Angelina, SC), aconteceu a 1ª amostra pedagógica do colégio.<br />
Meu pai foi convidado para palestrar sobre a RPPN Rio das Lontras e o seu trabalho pela causa ambiental. Alunos e professores foram convidados a assistir essa aula na sala temática do mundo animal, ensinando aos alunos o quanto o meio ambiente necessita de cuidados.”</p></blockquote>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-60117 aligncenter" title="papaipalestrando5" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/papaipalestrando5.jpg" alt="papaipalestrando5" width="299" height="400" /></p>
<h5 style="text-align: center;"><strong>Professores ambientalistas ensinando a estudantes sobre a importância de um meio ambiente equilibrado.</strong></h5>
<p>Desde 2002, sua família é proprietária de um lote de terreno em <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Santa_Catarina"><span style="color: #003399;">Santa Catarina</span></a>,  o qual virou a RPPN Rio das Lontras, em 2005. A reserva tem <a href="http://rppnriodaslontras.blogspot.com/"><span style="color: #003399;">o seu próprio blog</span></a> e um <a href="http://picasaweb.google.com.br/rppnriodaslontras/FaunaRPPNRioDasLontras#"><span style="color: #003399;">álbum fotográfico sobre a fauna</span></a> mantidos pelos pais de Fernanda, Chris e Fernando, para documentar o trabalho que eles fazem. Em seu último artigo eles descrevem o trabalho que estão desenvolvendo sobre a catalogação de espécies de pássaros encontrados na área, alguns deles em perigo de extinção. Graças ao trabalho deles <a href="http://www.xeno-canto.org/browse.php?query=loc%3Alontras"><span style="color: #003399;">é possível ouví-los</span></a> [En] cantar. No blog eles explicam <a href="http://rppnriodaslontras.blogspot.com/2009/02/plano-de-manejo-rppn-rio-das-lontras.html"><span style="color: #003399;">como o trabalho está se desenvolvendo </span></a>:</p>
<blockquote>
<h5 style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-60118" title="base4" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/base4.jpg" alt="base4" width="400" height="300" /><strong>Uma casa simples em Rio das Lontras</strong></h5>
<p>“A singela casinha que alugamos como base para abrigar outra equipe de pesquisadores tem ao fundo uma vista parcial da RPPN Rio das Lontras. … Aqui um aparelho de GPS e um medidor de temperatura e umidade aguardam na janela a hora de ir a campo;… O levantamento visual e auditivo foi o método utilizado em campo para a elaboração da lista de espécies da RPPN Rio das Lontras. Foram registradas 127 espécies na RPPN e em seu entorno imediato.</p></blockquote>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.antpitta.com/images/photos/hummers/gallery_hummers1.htm"><img class="size-full wp-image-62370 aligncenter" title="saw-billed-hermit-folhaseca" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/saw-billed-hermit-folhaseca.jpg" alt="saw-billed-hermit-folhaseca" width="436" height="326" /></a></p>
<h5 style="text-align: center;">Foto de um <a href="http://www.antpitta.com/images/photos/hummers/gallery_hummers1.htm"><span style="color: #003399;">Beija-Flor Rajado</span></a> (<em>Ramphodon naevius</em>), uma das várias espécies que vivem na RPPN Rio das Lontras. Foto de <a href="http://www.antpitta.com/"><span style="color: #003399;">Nick Athanas</span></a>, sob permissão de uso.</h5>
<p style="text-align: center;"><a href="http://geisertrivelato.blogspot.com/"><img class="size-full wp-image-60785 aligncenter" title="Tie do Mato Habia rubica " src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/habiarubica.jpg" alt="Tie do Mato Habia rubica " width="439" height="288" /></a></p>
<h5 style="text-align: center;">Tiê do Mato (<em>Habia rubica</em>), outra espécie que também pode ser encontrada na RPPN Rio das Lontras. Foto de <a href="http://geisertrivelato.blogspot.com/2007/09/fotos-jacutinga-mg_11.html"><span style="color: #003399;">Geiser Trivelato</span></a>, sob permissão de uso.</h5>
<p>A professoa Thaiza Montine levou sua escola em uma excursão para <em>Banana Menina</em>, uma reserva dedicada à pesquisa e à educação, como prêmio por uma competição. No <a href="http://crispassinato.wordpress.com/2008/06/20/visita-a-reserva-ambiental-de-educacao-e-pesquisa-banana-menina/"><span style="color: #003399;">post citado abaixo</span></a>, ela publica fotos e descreve o seu entusiasmo:</p>
<blockquote><p>“Um passeio maravilhoooooso e extremamente produtivo, uma vez que, além da visita ao lugar também fomos agraciados com o Programa “Povos do Cerrado”, e tivemos várias palestras e aulas ministradas no meio da mata, envolvendo Meio Ambiente, Arqueologia, História de Goiás, Biologia e Gastronomia. Uma maravilha, realmente, de premiação!”</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://crispassinato.wordpress.com/2008/06/20/visita-a-reserva-ambiental-de-educacao-e-pesquisa-banana-menina/"><img class="size-medium wp-image-60784 aligncenter" title="Auditório da mata" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/auditorio-da-mata-300x199.jpg" alt="Auditório da mata" width="300" height="199" /></a></p>
<h5 style="text-align: center;"><strong>Auditório da mata</strong></h5>
</blockquote>
<p>As RPPNs estão desenvolvendo atividades fantásticas de educação para as pessoas que vivem perto das reservas. Essas iniciativas privadas estão abrindo uma janela para as questões ambientais, ajudando os estudantes a entenderem melhor e a visualizarem a importância da natureza. As RPPNs brasileiras - consideradas únicas entre os projetos internacionais - têm demonstrado que o meio ambiente e a humanidade podem viver em perfeita harmonia.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/03/28/brasil-uma-reserva-natural-privada-e-possivel/feed/</wfw:commentRss>
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		</item>
		<item>
		<title>Brasil: Vitória dos índios no caso da reserva Raposa Serra do Sol</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/03/20/brasil-vitoria-dos-indios-no-caso-da-reserva-raposa-serra-do-sol/</link>
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		<pubDate>Fri, 20 Mar 2009 16:28:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paula Góes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Agricultura]]></category>
		<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Brazil]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
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		<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
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		<description><![CDATA[Cinco tribos indígenas brasileiras venceram uma batalha de 30 anos para recuperar integralmente suas terras ancestrais de 1,7 milhões de hectares em Roraima, na fronteira com a Venezuela e a Guiana. No dia 19 de março, o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a homologação contínua da terra indígena Raposa Serra do Sol, que manterá o tamanho e bordas intactas como definidas pela demarcação.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/paulagoes/">Paula Góes</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/paulagoes/'>Paula Góes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/03/19/brazil-controversial-demarcation-of-indigenous-land-confirmed/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="single" class="entry">
<p>Cinco tribos indígenas brasileiras venceram uma batalha de 30 anos para recuperar integralmente suas terras ancestrais de 1,7 milhões de hectares em Roraima, na fronteira com a Venezuela e a Guiana. No dia 19 de março, o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a homologação contínua da terra indígena <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Raposa_Serra_do_Sol">Raposa Serra do Sol</a>, que manterá o tamanho e bordas intactas como definidas pela demarcação.</p>
<p>O julgamento começou a ser votado em agosto de  2008, mas  foi interrompido em duas ocasiões no ano passado. Em dezembro, um dos 11 ministros do Supremo, Marco Aurélio Mello, pediu vistas do precesso após 8 juízes já terem votado em favor da demarcação atual. A votação teve reinício em 18 de março, mas apesar de faltaram apenas os votos de três ministros, o tribunal não chegou a uma decisão no mesmo dia, como se esperava.</p>
<p><a href="http://www.agenciabrasil.gov.br/media/imagens/2009/03/18/1201AC2769.jpg/view"><img class="aligncenter size-full wp-image-62623" title="1201ac2769image_media_horizontal" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/1201ac2769image_media_horizontal.jpg" alt="1201ac2769image_media_horizontal" width="566" height="404" /></a></p>
<h5 style="text-align: center;">Índios presentes na sessão no Supremo Tribunal Federal em Brasília. Foto: <a href="http://www.agenciabrasil.gov.br/">Antonio Cruz/ABr</a> usada sob licença do Creative Commons</h5>
<p>Marco Aurélio Mello foi o primeiro ministro a se pronunciar na quarta, fazendo a leitura de um relatório de 120 páginas no decorrer de seis horas. Ele confirmou seu posicionamento contrário aos indígenas e disse que o processo de demarcação da reserva Raposa Serra do Sol conta com vícios e que por isso deveria ser invalidado,  argumentando ainda que a manutenção da reserva da forma como ela é hoje coloca a soberania nacional em risco. O ministro sugeriu que a demarcação fosse  refeita.</p>
<p><em><a href="http://merciogomes.blogspot.com/2009/03/ministro-marco-aurelio-vota-contra-rss.html">Mércio Gomes</a></em> lamenta o voto dele:</p>
<blockquote><p>Foi péssimo. Trata-se de um longo e caudaloso pronunciamento em que o ministro considera processo viciado pela falta de diversas ações, depoimentos, deslocamento da parte passiva, etc. O voto parcial do ministro Marco Aurélio requer que todo o processo seja “sanado”, o que exigiria uma série de providências que adiaria para as calendas gregas a decisão sobre o processo.</p></blockquote>
<p>Alguns blogueiros, por outro lado, parabenizaram Marco Aurélio de Melo por ter sido o primeiro ministro a votar contra a demarcação. Dentre eles, <em><a href="http://mesquita.blog.br/ministro-marco-aurelio-do-stf-vota-pela-anulacao-da-demarcacao-da-reserva-raposa-serra-do-sol">José Leite Mesquita</a></em> achou que o juiz tomou uma decisão muito lúcida:</p>
<blockquote><p>O voto do ministro será resgatado pela história quando o Brasil deixar de ser um Estado Federativo, e tiver se transformado, conforme estará sacramentado pela maioria de votos favoráveis, num Estado de Nações, por conta do surrealismo que manterá a demarcação contínua das terras indígenas na Reserva Raposa Serra do Sol.</p>
<p>Assistimos espantados, e temerosos, pouco mais de 200 mil indivíduos, alguns já aculturados, ter a posse permanente de 13% do território brasileiro.</p>
<p>A Constituição é clara: a terra é da união. Os índios tem a posse permanente.</p></blockquote>
<p><a href="http://www.agenciabrasil.gov.br/media/imagens/2009/03/18/1200AC2744.jpg/view"><img class="aligncenter size-full wp-image-62627" title="1200ac2744image_media_horizontal" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/1200ac2744image_media_horizontal.jpg" alt="1200ac2744image_media_horizontal" width="566" height="404" /></a></p>
<h5 style="text-align: center;">Do lado de fora do  Supremo Tribunal Federal em Brasília. Foto: <a href="http://www.agenciabrasil.gov.br/">Antonio Cruz/ABr</a> usada sob licença do Creative Commons</h5>
<p>Já era início de noite na quarta-feira quando   Marco Aurélio Mello terminou seu longo discurso e apenas mais um ministro teve tempo de votar. Celso de Mello não precisou de muito tempo para decidir a favor dos povos indígenas. O voto final, do presidente do presidente do Supremo Gilmar Mendes, foi adiado para quinta de tarde. Assistindo a transmissão ao vivo online disponibilizada pelo <a href="http://pib.socioambiental.org/twitter.php">Povos Indígenas</a>, pessoas de todo o país postaram comentários. Depois de quase duas horas, <a href="http://twitter.com/povosindigenas/status/1355998836">@povosindigenas</a><a href="http://twitter.com/povosindigenas/status/1355998836"> anunciou no Twitter</a>:</p>
<blockquote><p>#raposa Placar 10X1 a favor da demarcação contínua….</p></blockquote>
<p><a href="http://www.agenciabrasil.gov.br/media/imagens/2009/03/18/1201AC2815.jpg/view"><img class="aligncenter size-full wp-image-62640" title="1201ac2815image_media_vertical" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/1201ac2815image_media_vertical.jpg" alt="1201ac2815image_media_vertical" width="384" height="538" /></a></p>
<h5 style="text-align: center;">Na sessão no Supremo Tribunal Federal em Brasília. Foto: <a href="http://www.agenciabrasil.gov.br/">Antonio Cruz/ABr</a> usada sob licença do Creative Commons</h5>
<p>Mais de 3 mil índios se juntaram para assistir o julgamento histórico em  Brasília, em Boa Vista ou na Reserva Raposa Serra do Sol. Por causa da existência de <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/08/10/brazil-disputa-de-terras-indigenas-e-eminencia-de-guerra-civil/">atritos  entre as tribos e fazendeiros,</a> a polícia federal estava a postos no território para conter eventuais conflitos após a decisão.</p>
<p><em><a href="http://www.luizvalerio.com.br/2009/03/18/raposa-serra-do-sol-200-indios-aguardam-resultado-no-surumu/">Luiz Valerio Silva</a> </em>está fazendo a cobertura da sessão na comunidade Surumú, onde cerca de  200 pessoas aguardam a decisão do STF. Ele conta que tudo está em paz por lá:</p>
<blockquote><p>Os índios favoráveis à homologação contínua da reserva índigena Raposa Serra do Sol dançam a parixara e a arerúnia desde as primeiras horas da manhã. Eles estão certos da vitória. Creem que a demarcação pernamecerá em área contínua. (…)</p>
<p>A vila Surumú comporta neste momento, entre moradores e indígenas que vieram de fora para comemorar o resultado do julgamento, algo em torno de 400 pessoas. Ao todo, cinquenta famílias moram na vila. A estimativa é que cerca de 200 índios foram trazido para cá pelo Conselho Indígena de Roraima (CIR). Antes, falava-se em cerca de 3.000 mil índios. (…)</p>
<p>Entre os que esperam com ansiedade pela voto dos três ministros do STF que ainda falta se manifestar sobre o assunto, já há preparativos para uma intensa noite de forró em comemoração à confirmação da demarcação contínua da reserva. Sob um sol de mais de 40 graus, índios se movimentam nas ruas empoeiradas do Surrumu, aguardando a decisão.</p></blockquote>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-62641" title="1201ac2736image_media_horizontal" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/1201ac2736image_media_horizontal.jpg" alt="1201ac2736image_media_horizontal" width="566" height="404" /></p>
<h5 style="text-align: center;">Do lado de fora do Supremo Tribunal Federal em Brasília. Foto: <a href="http://www.agenciabrasil.gov.br/">Antonio Cruz/ABr</a> usada sob licença do Creative Commons</h5>
<p>Após concluírem o julgamento sobre a validade da demarcação da reserva, os juízes discutiram o cancelamento dos títulos de propriedade, condições e prazos para que os fazendeiros restantes deixem a reserva, além das  18 restrições que índios que habitam a reserva precisam obedecer. A maior parte dos criadores de gado e fazendeiros já tinha recebido compensação do governo e deixado o território, mas um pequeno grupo de rizicultores resistiu. Esses produtores, muitos dos quais ocupam a terra há mais de duas décadas e contavam com o apoio de poderosos políticos, devem agora deixar a terra imediatamente (com prazo final em maio) ou serão expulsos pela polícia.</p>
<p><a href="http://www.agenciabrasil.gov.br/media/imagens/2009/03/19/0815VC2271a.jpg/view"><img class="aligncenter size-full wp-image-62970" title="0815vc2271aimage_media_horizontal" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/0815vc2271aimage_media_horizontal.jpg" alt="0815vc2271aimage_media_horizontal" width="516" height="386" /></a></p>
<h5 style="text-align: center;">Na reserva  Raposa Serra do Sol, um grupo de índios assiste à sessão pela TV. Foto: <a href="http://www.agenciabrasil.gov.br/">Valter Campanato/ABr</a> publicada sob licença do Creative Commons License.</h5>
<p>Estima-se que cerca de 18 mil índios das tripos Macuxi, Wapixana, Ingaricó, Taurepangs e Patamona moram na área conhecida como Serra Raposa do Sol, uma reserva criada pelo governo brasileiro em  2005.</p></div>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Brasil: Sobre a condenação do Vaticano no caso de aborto da menina estuprada</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/03/13/brasil-sobre-a-condenacao-do-vaticano-no-caso-de-aborto-da-menina-estuprada/</link>
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		<pubDate>Fri, 13 Mar 2009 03:58:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Maestre</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brazil]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Criança]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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		<description><![CDATA[Uma menina de 9 anos estuprada continuamente e engravidada pelo padrasto teve garantido o direito de abortar legalmente no Brasil. Depois da cirurgia, a Igreja Católica excomungou a mãe, o médico e a equipe responsável pela operação. O assunto despertou um grande debate no Brasil: até onde vai o papel da igreja na sociedade?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/carlos-dutra/">Carlos Dutra</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/carlosmaestre/'>Carlos Maestre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/03/12/brazil-on-the-vaticans-condemnation-of-raped-childs-abortion/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div class="wp-caption alignright" style="width: 209px"><a href="http://www.flickr.com/photos/severo/224097803/"></a><a href="http://www.flickr.com/photos/severo/224097803/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-61165" title="224097803_9b6268cbaf" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/224097803_9b6268cbaf-199x300.jpg" alt="224097803_9b6268cbaf" width="199" height="300" /></a><br />
<p class="wp-caption-text">Olinda and Recife&#39;s archbishop, dom José Cardoso Sobrinho, by Alexandre Severo, published under a Creative Commons license</p></div>
<p>Na última semana de fevereiro, uma menina de apenas 36 quilos, 1,33 metro, e 9 anos de classe média-baixa, na cidade de Alagoinha, no Pernambuco, reclamou de fortes dores na barriga. Acompanha por sua mãe até uma unidade de saúde, constatou-se a gravidez de gêmeos na 15ª semana de gestação. Então confessou à mãe que ela e a irmã mais velha, de 14 anos, eram violentadas pelo padrasto há pelo menos 3 anos. O padrasto será indiciado por estupro e está detido no presídio público de Pesqueira, no Pernambuco, onde deve permanecer até o fim do inquérito.</p>
<p>Depois de muita oposição da Igreja Católica e do acompanhamento de psicólogos, o aborto foi realizado, previsto na legislação brasileira em casos de estupro (até a 20ª semana de gestação) e quando houver risco de morte para a mãe. Este caso se encaixava em ambas as características.</p>
<p>Mas, em seguida, um debate social envolvendo a Igreja Católica e o poder Judiciário veio a tona no Brasil: <a href="http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1032874-5602,00-COMISSAO+VATICANA+CONSIDERA+JUSTA+EXCOMUNHAO+DE+MEDICOS+BRASILEIROS.html">amparado pelo Vaticano</a>, o arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, excomungoua mãe, o médico e a equipe de médica responsável pelo procedimento cirúrgico. A menina foi poupada, já que a lei da Igreja Católica diz que menores estão livres da excomunhão. Contudo,<a href="http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1031860-5598,00.html"> não excomungou o padrasto</a>, chegando a dizer no jornal <em>O Globo</em> (7/3/09) que o “crime de estupro é menos grave” que o de aborto e que &#8220;os gêmeos eram pessoas inocentes&#8221;.</p>
<p>A notícia que reacendeu no Brasil o tema do aborto, pôs em evidência a interferência da Igreja Católica sob decisões pessoais e judiciais de um Estado laico, movimentou a blogosfera lusófona. Sebastião Nunes, em seu blog <a href="http://iabasse.blogspot.com/"><em>Pedra de Responsa</em></a>, se manifesta:</p>
<blockquote><p>É impressionante a hipocrisia envolvida neste julgamento inquisitorial feito pala Igreja Católica. Uma criança violentada em seu corpo e seus direitos, desde os 6 anos de idade, com risco elevado de morrer pela continuação da gestação, tem, conforme a estúpida decisão destes cardeais, que aceitar a beleza do <em>milagre da vida</em> e morrer, se necessário for, pois esta foi a vontade de Deus.</p>
<p>E depois a Igreja Católica não entende porque o povo abandona as suas fileiras. Conforme o julgamento da Igreja foi a vontade de Deus que fez o padrasto da criança estuprá-la covardemente. Triste Deus este.</p></blockquote>
<p>Em tom de ironia, Lelê Teles, no blog <a href="http://fastosenefastos.blogspot.com/2009/03/quero-ser-excomungado-por-dom-jose.html">Technosapiens</a>, diz que o Brasil é o país da piada pronta, lamentando que o clérigo tenha punido a frágil vítima justo no dia Internacional da Mulher:</p>
<blockquote><p>O mais indignante é que no dia internacional da mulher, um senhorzinho religioso aparece para mostrar que o mundo dele ainda é machista, e que machistas deveriam ser o estado e a ciência.</p>
<p>O bispo queria que a menina seguisse grávida de outra menina porque ele diz que defende o direito à vida. Mas como a menina de nove anos de idade corria risco de morte se continuasse com a gestação, logo, subentende-se que o bispo defendia a vida do&#8230; estuprador.</p></blockquote>
<p>Vitor Lessa tem em seu blog uma publicação chamada <a href="http://vitorlessa.blogspot.com/2009/03/ignorancia.html">Ignorância</a>, na qual indaga se a Igreja Católica sabe que vivemos em um estado laico, se ela sabe que nem todos pertencem a essa instituição e aponta outros pontos de vista questionáveis &#39;sugeridos&#39; pelo Vaticano.</p>
<blockquote><p>[&#8230;] ele [o cardeal] está afirmando que devemos voltar a idade média quando o Estado e a Igreja se confundiam e o clero ditava as regras supostamente estabelecidas por Deus. Quando milhões de pessoas foram queimadas em nome de Deus, quando a igreja dizia que os homens deviam servir a seu senhor feudal porque Deus assim desejava e muitos outros fatos. Em momento nenhum ele pensou que o Brasil não é constituido somente de católicos, que o Brasil é um país laico (sem religião definida) e que os seus habitantes elegeram pessoas que fizeram uma constituição legítima para reger o país e sua população. Em momento nenhum o bispo lembrou que não está na idade média e que, acima da instituição a qual ele pertence, existe um Estado que deve atender às necessidades de todos os seus cidadãos. Afinal, todos são iguais perante a lei e pagam impostos para sustentar a nação. Não pensem que essa é uma atitude isolada de um bispo, é uma postura sustentada pela Igreja católica. A igreja católica não somente é contra o aborto em casos de estupro, mas também contra a lei que protege os homossexuais, que pagam impostos e são juridicamente iguais ao bispo. Portanto, se a igreja aceita que parcelas oprimidas (como as mulheres que são agredidas por seus maridos) sejam protegidas por lei, por que outra parcela como a dos homossexuais não podem ser progida? Afinal, são ou não são todos iguais? A igreja católica também proibe o uso de camisinha ou qualquer método anticoncepcional.</p></blockquote>
<p>Daniel Braga, em seu blog <a href="http://mausoleudogargula.blogspot.com/2009/03/cegueira-religiosa.html">Mausoléu do Gárgula</a>, fala sobre o assunto com o título de Cegueira Religiosa. Nesta publicação, o blogueiro faz uma série de questionamentos que tratam não apenas das condições físicas da menina continuar com a gravidez, mas também das condições financeiras e sustentáveis de ter dois filhos aos 9 anos:</p>
<blockquote><p>Acredito que uma das piores coisas já inventadas pelo homem é a cegueira religiosa. Observem bem que não estou falando da religião em si, pois esta é realmente importante ao homem, mas sim de dogmas absurdos que acabam causando a cegueira religiosa.<br />
[&#8230;]<br />
Surgem algumas perguntas e não vou de forma alguma respondê-las, deixando a todos a tarefa de refletir sobre as possíveis respostas:</p>
<ul>
<li>Será que esta menina conseguirá prosseguir com esta gravidez sem que seu corpo seja mais maltratado do que já está? Poderia esta gravidez ter um risco elevado levando então a morte das crianças, todas as três?</li>
<li>Como uma criança poderá criar estas duas crianças?</li>
<li>Qual o dano social futuro desta família?</li>
<li>Como estará a mente desta pobre criança que deveria estar brincando com bonecas mas que foi o alvo dos abusos de um estuprador?</li>
<li>Como será a estrutura familiar que esta menina vive?</li>
<li>Como ficaria esta mesma estrutura familiar depois do nacimento destes bebês?</li>
<li>Qual deveria ser o papel da religião neste caso? Um papel punitivo ou confortante?</li>
<li>Sendo punida, direta ou indiretamente, pelos representantes religiosos, como esta criança se sentirá agora? Será que ela somatizará os problemas jogando em si mesma a responsabilidade do hediondo fato?</li>
</ul>
</blockquote>
<p>Até o presidente Lula se manifestou, dizendo que é católico e pessoalmente contra a legalização do aborto, mas que como chefe de estado apóia a prática em casos como este (e como uma questão de saúde pública). Além disso, também <a href="http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL1032159-5601,00-LULA+CRITICA+EXCOMUNHAO+E+DEFENDE+MEDICINA+EM+ABORTO+DE+MENINA.html">criticou a postura Católica</a><a></a>:</p>
<blockquote><p>[&#8230;] a medicina fez o que tinha que ser feito, salvar a vida de uma menina de 9 anos. [&#8230;] Como cristão e como católico, lamento profundamente que um bispo da Igreja católica tenha um comportamento, eu diria, conservador como esse.&#8221;</p></blockquote>
<p>O advogado da Igreja Católica disse que entraria com uma denúncia por homicídio contra mãe da menina, com base nos artigos 1º e 5º da Constituição Federal, que asseguram a inviolabilidade do direito à vida. Ele disse que &#8220;além de considerar nossas convicções religiosas, nossa denúncia está atrelada à Constituição&#8221;. Mas, o <a href="http://www.mp.pe.gov.br/index.pl/20090403_mulher">Ministério Público de Pernambuco se pronunciou</a> a respeito do caso:</p>
<blockquote><p>O Ministério Público de Pernambuco, através da promotora Jeanne Bezerra, está acompanhando junto à Secretaria Executiva da Mulher e à ONG Curumim o caso da garota de nove anos grávida em decorrência de estupro em Alagoinha. De acordo com as informações repassadas à promotora pelo órgão e pela entidade, a garota está recebendo o acompanhamento médico, psicológico e social assegurados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Até agora, não foi necessária a atuação judicial do MPPE. Como a legislação brasileira PERMITE o aborto em vítimas de estupro até a 20ª semana de gestão (entendimento do STJ), o procedimento pode ser realizado de acordo com avaliação médica, INDEPENDE de autorização judicial e, portanto, de parecer do Ministério Público.</p></blockquote>
<p>A maioria das reações na blogosfera brasileira criticaram a atitude da Igreja Católica, mas um pequeno grupo de blogueiros apoiou a decisão do arcebispo brasileiro de excomungar todos os envolvidos no aborto. Entre eles, <a href="http://januacoeli.wordpress.com/2009/03/06/carta-aberta-apoio-a-dom-jose/">Jorge Ferraz</a>, desde Pernambuco, escreveu em uma carta aberta para dom José Cardoso Sobrinho e recebeu mais de 100 comentários, tanto a favor quanto contra a decisão da igreja. E em outro blog, numa carta aberta anterior, <a href="http://www.veritatis.com.br/article/5638/carta-aberta-a-dom-jose-cardoso-sobrinho">Maite Tosta</a>, quem também é mãe, disse que a decisão da Igreja não poderia estar mais correta:</p>
<blockquote><p>Nesse momento, em que essa menina precisava de apoio, de ajuda, de atendimento médico, psicológico e porque não, espiritual, vozes se levantaram para apontar uma saída “mais fácil”, que querem fazer crer que era a única razoável…</p>
<p>Logicamente, a situação da menina preocupa. Mas e os gêmeos? Não merecem nosso cuidado? Nossa preocupação? A vida humana não-nascida é tão vida quanto a nascida, e merece o mesmo cuidado. Por serem frutos de uma relação violenta, que não deveria ter sido consumada, não são humanos? Quer dizer que um feto é gente quando é desejado, e é coisa quando não o é?</p>
<p>O que é mais fácil para os envolvidos? Dar assistência, cuidar, acompanhar? Ou “eliminar o problema”? Mas… pergunto, mais fácil para quem? Afinal, essa menina vai crescer, não sem marcas deixadas por esse episódio. Apesar de todas as pessoas ao seu redor lhe dizerem que foi melhor assim, que seu corpo não comportava, que era gravidez de risco, que eram crianças frutos de violência e ela não precisava conviver com elas, que a lei não pune… ela sempre terá na sua consciência que consentiu na morte dos próprios filhos… essa é uma memória que não se apaga nunca, e que tem um gosto amargo.</p></blockquote>
<p>Infelizmente, o caso não foi o primeiro e,  provavelmente, não será o último. No dia 6 de março, <a href="http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1031557-5598,00-PAI+ADOTIVO+DE+GRAVIDA+DE+ANOS+E+DENUNCIADO+POR+ESTUPRO.html">outro padrasto foi denunciado por estupro</a>, desta vez no Rio Grande do Sul. A menina, de 11 anos e grávida de sete meses, está internada em Tenente Portela (RS) e a gestação é considerada de risco. O inquérito está em andamento em ambos os casos.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Brasil: Introdução à Internet no Batismo Digital</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/03/08/brasil-introducao-a-internet-no-batismo-digital/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/03/08/brasil-introducao-a-internet-no-batismo-digital/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 08 Mar 2009 22:49:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paula Góes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Batismo Digital trouxe inclusão digital a Belo Horizonte nesse sábado, ensinando informações básicas sobre como usar um computador para aqueles que nunca tinham tido a chance ou apresentando ferramentas mais avançadas para usuários mais experientes. Veja fotos e vídeos do dia agitado na capital mineira.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/paulagoes/">Paula Góes</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/paulagoes/'>Paula Góes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/03/08/brazil-introducing-the-web-a-digital-baptism/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="single" class="entry">
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-60432" title="batismo" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/batismo.jpg" alt="batismo" width="439" height="211" /><br />
Um “Batismo Digital” trouxe a inclusão digital a Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. O evento desse sábado, organizado por meio de uma parceria entre o <a href="http://www.teia.mg.gov.br/">Governo</a>, o Ministério Público e a <a href="http://almig.com.br/">Associação de Lan House</a> locais, teve como objetivo promover a inclusão digital e incentivar o empreendimento online. Essa foi a primeira vez que o Batismo Digital aconteceu em Belo Horizonte, embora o evento já aconteça esporadicamente em São Paulo e no Rio de Janeiro desde 2005.</p>
<p>Sob uma grande tenda em uma das praças da capital mineira, 50 computadores conectados à internet e 100 facilitadores ajudaram, durante todo o dia, as pessoas que compareceram a escalar os degraus do mundo online. Foram dois os tipos principais de oficina: o Batismo Digital 1.0, para aqueles que nunca tiveram a oportunidade de operar um computador aprender o básico e sufar na internet pela primeira vez, e o Batismo Digital 2.0, para usuários mais experientes que querem mergulhar mais fundo na rede e conhecer novas ferramentas. <a href="http://twitter.com/fabiosan/status/1293062006">Fábio Santos</a> relata no Twitter:</p>
<blockquote><p><a href="http://twitter.com/fabiosan/status/1293062006"><img class="aligncenter size-full wp-image-60481" title="fabiosan" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/fabiosan.jpg" alt="fabiosan" width="371" height="190" /></a></p></blockquote>
<p>O usuário do Twitter @fabiosan também nos conta a história de uma senhora de 67 anos que nunca tinha usado um computador e decidiu participar do Batismo Digital para aprender novas formas de se comunicar com suas duas irmãs já conectadas, que moram em outro estado:</p>
<blockquote><p><img class="aligncenter size-full wp-image-60491" title="fabiosan1" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/fabiosan1.jpg" alt="fabiosan1" width="367" height="191" /></p></blockquote>
<p><a href="http://batismodigital.blogspot.com/2009/03/aconteceu-no-batismo_07.html">Essa postagem</a> do blogue do evento constrasta os recém &#8220;batisados&#8221; por idade. A primeira imagem é do usuário do Flickr <a title="Link to pvilla's photostream" href="http://www.flickr.com/photos/pvilla/">pvilla</a>:</p>
<blockquote><p><a href="http://www.flickr.com/photos/pvilla/3335221293/"><img class="aligncenter size-full wp-image-60436" title="dsc02575" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/dsc02575.jpg" alt="dsc02575" width="320" height="240" /></a></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-60433" title="100_2580-1" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/100_2580-1.jpg" alt="100_2580-1" width="320" height="240" />Todas as idades passam por aqui!</p></blockquote>
<p><a href="http://batismodigital.blogspot.com/2009/03/aconteceu-no-batismo_9385.html">Essa outra entrada</a> apresenta os mais novos usuários do Twitter de Belo Horizonte:</p>
<blockquote><p><img class="aligncenter size-full wp-image-60444" title="100_2576-1" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/100_2576-1.jpg" alt="100_2576-1" width="320" height="240" /><br />
<img class="aligncenter size-full wp-image-60445" title="100_2575" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/100_2575.jpg" alt="100_2575" width="320" height="240" /></p>
<p>Com auxílio do Rosalves, os novos agentes aprenderam a usar o Twitter!</p></blockquote>
<p>Abaixo, um vídeo publicado no YouTube por <a class="hLink fn n contributor" onmousedown="urchinTracker('/Events/VideoWatch/ChannelNameLink');" href="http://www.youtube.com/user/equipeteiamg">equipeteiamg</a>. Mais vídeos podem ser acessados através do <a href="http://live.blogblogs.com.br/stream/bdigital?service=youtube">agregador</a> do evento.</p>
<p><object width="425" height="344" data="http://www.youtube.com/v/0nez8Jpz6Mo&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;rel=0" type="application/x-shockwave-flash"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/0nez8Jpz6Mo&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object></p>
<p>O Batismo Digital foi <a href="http://live.blogblogs.com.br/stream/bdigital">blogado ao vivo</a> e <a href="http://live.blogblogs.com.br/stream/bdigital">transmitido de várias formas</a> por meio de um site que coletou todas as reações no Twitter, Flickr, YouTube e blogues, dentre outros, que tivessem a tag #bdigitalmg.</div>
]]></content:encoded>
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		<title>Brasil: Protesto em repúdio ao uso de ditabranda pela Folha</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/03/08/brasil-protesto-em-repudio-ao-uso-de-ditabranda-pela-folha/</link>
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		<pubDate>Sun, 08 Mar 2009 16:21:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paula Góes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A blogosfera brasileira reage energeticamente contra o editorial da Folha de São Paulo que chamou o período da ditadura militar brasileira de "brando". Uma petição contra o uso do neologismo ditabranda pelo jornal juntou mais de 7.500 assinaturas no curso de uma semana, e nesse sábado um protesto organizado por blogueiros – e blogado ao vivo – levou centenas à porta da Folha.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/paulagoes/">Paula Góes</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/paulagoes/'>Paula Góes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/03/07/brazil-uproar-over-newpapers-editorial-on-mild-dictatorship/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="single" class="entry">
<p>No dia 17 de fevereiro, a Folha de São Paulo fez uma avaliação da vitória de Hugo Chávez no referendo que permite re-eleições por tempo indeterminado na Venezuela em um <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1702200901.htm">editorial chamado “Limites a Chávez”</a>. No artigo, a Folha colocou Hugo Chávez, Alberto Fujimori e os ditadores militares da América do Sul nos anos 60/70 no mesmo saco. O jornal, em seguida, chamou a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ditadura_militar_no_Brasil_(1964-1985)">ditadura militar brasileira</a> de ditabranda, sugerindo que o período que se seguiu ao golpe de estado de 1964 foi ameno. O <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1702200901.htm">editorial diz</a>:</p>
<blockquote><p>“(…) Mas, se as chamadas ‘ditabrandas&#39; - caso do Brasil entre 1964 e 1985 - partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça -, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso. O líder eleito mina as instituições e os controles democráticos por dentro, paulatinamente”.</p></blockquote>
<p>Houve um grande número de reações na blogosfera em repúdio a esse editorial, uma <a href="http://www.ipetitions.com/petition/solidariedadeabenevidesecomparat/signatures-1.html">petição</a> juntou mais de 7.500 assinaturas em uma semana, e nesse sábado o evento foi para o mundo offline. Blogueiros de São Paulo e de outras partes do país, <a href="http://twitter.com/maria_fro/status/1292514025">sendo que alguns viajaram 20 horas de ônibus</a> para chegar lá, fizeram uma manifestação na frente da sede do jornal. O evento foi organizado no decorrer de uma semana, por meio do propaganda boca a boca. Durante as 3 horas de protesto, os manifestantes puderam blogar ao vivo diretamente do local, graças a <a href="http://twitter.com/gutocarvalho/status/1292784345">uma rede wi-fi com <span class="status-body"><span class="entry-content">infra-estrutura com base no </span></span>linux e software livre</a>. Quando o horário de início da manifestação aproximava-se, <a href="http://twitter.com/gutocarvalho/status/1292556150">Guto Carvalho anunciou</a> no Twitter:</p>
<blockquote><p><img class="aligncenter size-full wp-image-60216" title="gutocarvalho" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/gutocarvalho.jpg" alt="gutocarvalho" width="390" height="186" /></p></blockquote>
<p><a href="http://ditabranda.nasretinas.com.br/">Acesse o agregador ao vivo</a> para ver todas as reações. Um dos blogues participantes, o <a href="http://outraeconomiacontece.wordpress.com/2009/03/07/movimento-dos-sem-midia-ja-esta-em-frente-a-folha-de-sao-paulo-ja-levantou-uma-rede-wirelles-e-comecara-a-blogar-e-twittar-de-la-economia-solidaria-rspost-345/">Economia Solidária</a> observa a força da blogosfera:</p>
<blockquote><p>Alguns dias atrás o google pouco acusava se pesquisado “ditabranda”, hoje já são 172.000 resultados.</p></blockquote>
<p>Essa foi a primeira foto, tirada por <a class="nav" href="http://twitpic.com/photos/gutocarvalho">gutocarvalho</a> e publicada via <a href="http://twitpic.com/1wijq">TwitPic</a>. O <a href="http://twitter.com/joildo/status/1292763176">@joildo</a> retuita e comenta:</p>
<blockquote><p><img class="aligncenter size-full wp-image-60247" title="1wijq-0352af991ba219b723ca1a8cd1400a6149b2823f2" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/1wijq-0352af991ba219b723ca1a8cd1400a6149b2823f2.jpg" alt="1wijq-0352af991ba219b723ca1a8cd1400a6149b2823f2" width="388" height="291" /></p>
<p>“A materialização de um protesto organizado a partir da internet”</p></blockquote>
<p><a href="http://twitpic.com/1wjp7"><img class="aligncenter size-full wp-image-60254" title="1wjp7-5de7d2c155b809390297620eab05fc2849b28e172" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/1wjp7-5de7d2c155b809390297620eab05fc2849b28e172.jpg" alt="1wjp7-5de7d2c155b809390297620eab05fc2849b28e172" width="351" height="264" /></a></p>
<h5 style="text-align: center;"><strong>Cartazes com nomes e datas em que as pessoas foram assassinadas. Foto de <a class="nav" href="http://twitpic.com/photos/gutocarvalho">gutocarvalho</a></strong></h5>
<p><a href="http://twitpic.com/1wikb"><img class="aligncenter size-full wp-image-60258" title="31966672" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/31966672.jpg" alt="31966672" width="450" height="337" /></a></p>
<h5 style="text-align: center;"><strong>A base digital improvisada em uma lanchonete. Foto de <a class="nav" href="http://twitpic.com/photos/gutocarvalho">gutocarvalho</a></strong></h5>
<p><strong>A blogosfera fala – e o papo não é nada brando</strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p><a href="http://edu.guim.blog.uol.com.br/arch2009-03-01_2009-03-07.html#2009_03-05_11_28_10-3429108-0">Eduardo Guimarães</a>, um dos organizadores do protesto e a mente blogueira por trás da ONG Movimento dos Sem Mídia, postou vários artigos sobre o uso do neologismo. Em um deles, ele diz que as reações dos leitores nas outras postagens fizeram com que ele se desse conta de que não foi o único a sentir um arrepio na espinha ao ler o editorial da Folha. Ele pergunta se o editorial teria sido fruto de “Saudosismo ou projeto”:</p>
<blockquote><p>Todos nos arrepiamos porque faz sentido, ainda que inconscientemente, entender que, quando todas as opções para retomar o poder pelas vias democráticas faltam, esses que já engendraram ditaduras, defenderam-nas e com elas colaboraram, não custa muito para terem novas idéias do tipo.</p>
<p>Quando se fala em imprensa golpista, muitos entendem que é porque ela tentou derrubar Lula com o escândalo do mensalão, mas não é. A razão é bem outra. A razão é a de que essa imprensa já derrubou vários presidentes no decorrer da história, alguns tendo sido “derrubados” naquele sentido que os traficantes de drogas costumam dar ao abate de seus desafetos.</p></blockquote>
<p><a href="http://mariafro.blogspot.com/2009/03/ato-em-repudio-ditabranda-dia-0703-as.html">Muitos blogueiros publicaram a imagem abaixo</a>, uma charge desenhada por <a href="http://tales-of-iraq-war.blogspot.com/">Latuff</a> especialmente para o protesto mostrando <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Herzog">Vladimir Herzog</a> morto, bebendo caipirinha. Herzog, um acadêmico e jornalista judeu, foi <a href="http://1.bp.blogspot.com/_TFeFx0AbtK0/SV8DE1BkQrI/AAAAAAAAAug/B9XgdgLVXMM/s400/herzog.jpg">torturado até a morte</a> pelo aparato repressivo do estado em 1975. Naquela época, os militares já estavam no poder há mais de dez anos. <a href="http://www.zeno.com.br/index.php?itemid=4773">Pinto</a> diz:</p>
<blockquote><p><img class="aligncenter size-full wp-image-60220" title="20090304-vladimir-herzog" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/20090304-vladimir-herzog.jpg" alt="20090304-vladimir-herzog" width="400" height="638" /></p>
<p>Fixo-me na <a href="http://www.zeno.com.br/media/12/20090304-vladimir-herzog.jpg">imagem</a>. Um jornal dos que o subvencionam e já se disse “o das Diretas” logrou este impensável: subverteu um ícone dos Anos de Chumbo e o tornou objeto de escracho não contra quem o produziu, mas contra quem deveria combatê-lo antes de qualquer coisa. Compreenda-me bem. Não me incomoda o escracho em si. À memória do Vlado dano pior fizeram os milicos. Tento aceitar, embora seja difícil, que justo um jornal tenha sido a força-motriz dessa guinada semântica.</p></blockquote>
<p><a href="http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2009/03/ditabranda-folha-passa-recibo-de-que.html">Celso Lungaretti</a> notou que a Folha não deu a devida atenção a todas as mensagens reclamando do editorial na seção de cartas do leitor. Na primeira semana, o jornal teria dado espaço proporcional às cartas que recebeu, das quais 13% foram relacionadas ao caso “ditabranda”. Mas isso não durou até a semana seguinte:</p>
<blockquote><p>Já na semana de 22 a 28 de fevereiro, a proporção de mensagens sobre a “ditabranda” até cresceu, para 20%. O que diminuiu foi o interesse da Folha em destacar uma discussão que se tornava cada vez mais indigesta para ela.</p>
<p>Portanto, dentre as 69 notas que saíram no Painel do Leitor, míseras quatro (5,8%) abordavam o assunto que, para o público do jornal, era o mais importante do período, à frente até do “Governo Lula” e da “crise econômica”, sobre os quais apenas 6,4% e 5,3% dos leitores, respectivamente, sentiram-se compelidos a escrever à Folha.</p></blockquote>
<p>O número total de reclamações durante o período de dez dias após o 17 de fevereiro foi de 174 cartas. Apesar de não ser parte do trabalho do ombudsman analisar as opiniões publicadas nos editoriais do jornal, Carlos Eduardo Lins da Silva também <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ombudsma/om2202200902.htm">achou que a resposta da Folha foi inaceitável</a> já na primeira semana:</p>
<blockquote><p>Um editorial com referência  ao regime militar brasileiro  provocou cartas publicadas no  &#8220;Painel do Leitor&#8221;. Resposta da  Redação a duas delas na sexta  foge do padrão de cordialidade  que julgo essencial o jornal  manter com seus leitores.</p></blockquote>
<p>A Folha perdeu pelo menos um leitor. A atitude do jornal fez <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/03/ato_publico_contra_a_folha_de_sao_paulo_dia_0703_as_10_h.php">Idelber Avelar</a> tomar a decisão de cancelar a assinatura que tinha no serviço online do grupo, o UOL. Ele também confirmou a sua tese de que os funcionários da grande imprensa não têm a menor idéia sobre a importância de seus leitores, que agora podem participar e ter uma voz. Agora que a internet é a plataforma principal para protestos, “eles seguem colocando a culpa da febre no termômetro”. Ele comenta:</p>
<blockquote><p>Todas as fontes confirmam que o impacto do episódio fez com que se batessem muitas cabeças na redação da Folha de São Paulo. Sem saber muito bem como lidar com a grande repercussão, sem ter a dignidade de se desculpar, desprovido da transparência de repensar a sua colaboração com a ditadura, o jornal embarcou numa sequência de emendas que pioraram muito um já péssimo soneto. Publicaram umas poucas linhas de Benevides e de Comparato, sem resposta injuriosa mas sem retratação. Escalaram um colunista, Fernando Barros e Silva, para “discordar” do editorial num texto cuja ênfase maior era uma bizarra comparação entre a metáfora usada por Comparato – de que o jornal deveria se desculpar ajoelhado em praça pública – e os métodos da Revolução Cultural chinesa (haja liberdades com as metáforas alheias!). O coroamento foi um post de Marcelo Coelho que afirmava que “há pelo menos 30 anos, a Folha reprova o autoritarismo”, omitindo a simples matemática de que em 1979 a Folha já tinha 15 anos de leais serviços prestados à ditadura militar.</p></blockquote>
<p><strong>Sugestão de leitura</strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil,_Nunca_Mais">Brasil: Nunca Mais</a> - Livro que documenta as torturas que ocorriam no Brasil na época da ditadura militar, 1964-1979, preparado secretamente pela Arquidiocese de São Paulo.</p>
<p>No Global Voices: <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2007/09/09/brasil-luz-nos-dias-de-escuridao-da-ditadura/">Brasil: Luz nos dias de escuridão da ditadura</a></p>
<p><strong>Atualização: 08/03/2009</strong></p>
<p>Na sua edição de domingo, a <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0803200907.htm">Folha pediu desculpas</a> finalmente. Eles também <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0803200906.htm">cobriram o protesto</a>. Mas para <a href="http://blogdomello.blogspot.com/2009/03/folha-reconhe-erro-ditabranda.html">Antônio Melo</a>, ainda não é o suficiente:</p>
<blockquote><p>A pressão fez a Folha recuar. Hoje o jornal publica nota em que o diretor de Redação e herdeiro do jornal, Otavio Frias Filho, reconhece que foi um erro chamar a ditadura brasileira de ditabranda. Menos mal. No entanto, Otavinho, como é conhecido, insiste em atropelar a realidade ao fazer interpretação literal de uma carta do professor Fábio Konder Comparato, e, pior, volta a ofender o professor e a professora Maria Victória Benevides, chamando-os de “democratas de fachada”. Com isso ele consegue corrigir-se no essencial, mas, como um legítimo neocon, cai atirando. Sua expectativa com a nota é tentar transformar o mea culpa a que se viu obrigado de uma “quase derrota” em uma “quase vitória”. Erra novamente.</p></blockquote>
</div>
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		<title>Fotos do carnaval brasileiro, a maior festa do planeta</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Feb 2009 17:34:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paula Góes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Barack Obama, Fidel Castro e o jornalista iraquiano que jogou um sapato em George Bush foram apenas alguns dos personagens vistos nas ruas de cidades brasileiras durante o carnaval deste ano. Veja uma seleção das melhores fotos publicadas sob licenças do Creative Commons.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://www.globalvoicesonline.org/author/paulagoes/">Paula Góes</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/paulagoes/'>Paula Góes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/02/28/the-greatest-street-party-on-earth-the-brazilian-carnival/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="single" class="entry">
<p>Há exatamente uma semana, os brasileiros acordavam para desfrutar do mais celebrado festival anual do país: o carnaval, também conhecido como a maior extravagância do planeta, levando milhões de pessoas às ruas de muitas cidades Brasil afora. O carnaval é um dos muitos costumes importados da Europa que encontraram no Brasil sabor, cor e fama próprios.</p>
<p>Independente da crise econômica mundial – ou das crises diárias do próprio país – o carnaval aconteceu como de costume. Os números do turismo interno e internacional estiveram acima das expectativas e maiores do que no ano passado, seguindo uma tendência de crescimento anual. A expectativa era de que 719 mil turistas estrangeiros visitassem o Rio de Janeiro (no ano passado foram 705 mil). E com a alta do dólar, muitos brasileiros que normalmente aproveitariam o feriado para viajar para o exterior, resolveram passar o carnaval em casa, ou viajando pelo país.</p>
<p>Durante o carnaval, as pessoas se fantasiam, caem na folia ou aproveitam o feriadão para recarregar as baterias. O país literalmente pára durante as celebrações, e muitos dizem que o ano novo só começa mesmo depois do carnaval. Goste ou não da festa, é impossível não dar boas risadas com a criatividade do povo ao elaborar as fantasias, que contam sempre com uma boa dose de irreverência, muito senso de humor e um bom olho para os últimos acontecimentos do Brasil e do mundo. Veja aqui uma seleção de algumas das melhores fotos publicadas sob licenças do Creative Commons no Flickr.<br />
<strong></strong></p>
<p><strong>Abertura, Sábado de carnaval, 21<br />
</strong></p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/ff_fotografia/3299520856/"><img class="aligncenter size-full wp-image-58664" title="3299520856_07b4c526b8-11" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/02/3299520856_07b4c526b8-11.jpg" alt="3299520856_07b4c526b8-11" width="460" height="204" /></a></p>
<p>Não cabe nem mais uma agulha! No Recife, o carnaval começa oficialmente com o desfile do <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Galo_da_Madrugada">Galo da Madrugada</a>, maior bloco carnavalesco do Brasil e que entrou para o Livro dos Recordes Guinness como o maior desfile de carnaval do mundo. Foto de <a title="Link to Felipe Ferreira (FF)'s photostream" href="http://www.flickr.com/photos/ff_fotografia/">Felipe Ferreira (FF)</a>.</p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/carlosoliveirareis/3307282405/"><img class="aligncenter size-full wp-image-58674" title="3307282405_c2eb5e6e89" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/02/3307282405_c2eb5e6e89.jpg" alt="3307282405_c2eb5e6e89" width="333" height="500" /></a></p>
<p>O homem camisinha em Recife, em foto de <a title="Link to carlosoliveirareis' photostream" href="http://www.flickr.com/photos/carlosoliveirareis/">carlosoliveirareis</a>. Durante o carnaval, as autoridades distribuem milhões de preservativos, mas ainda assim um boom de nascimento de bebês acontece nove meses depois.</p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/carlosoliveirareis/3308105760/"><img class="aligncenter size-full wp-image-58786" title="3308105760_d980da3e13-1" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/02/3308105760_d980da3e13-1.jpg" alt="3308105760_d980da3e13-1" width="333" height="500" /></a></p>
<p>Outra fantasia intricada: uma engomadeira desce as ruas do Recife, em foto de <a title="Link to carlosoliveirareis' photostream" href="http://www.flickr.com/photos/carlosoliveirareis/">carlosoliveirareis</a>.</p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/andrecherri/3314614478/"><img class="aligncenter size-full wp-image-58687" title="3314614478_87486bc712" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/02/3314614478_87486bc712.jpg" alt="3314614478_87486bc712" width="500" height="332" /></a></p>
<p>Foliões no sambódromo de São Paulo. Foto de <a title="Link to André Cherri's photostream" href="http://www.flickr.com/photos/andrecherri/">André Cherri</a>.</p>
<p><strong>Domingo, dia 22</strong></p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/soldon/3304009988/"><img class="aligncenter size-full wp-image-58662" title="3304009988_2da7b61bf8" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/02/3304009988_2da7b61bf8.jpg" alt="3304009988_2da7b61bf8" width="500" height="375" /></a></p>
<p><a title="Link to Rodrigo Soldon's photostream" href="http://www.flickr.com/photos/soldon/">Rodrigo Soldon</a> consegue uma foto da Mona Lisa, curtindo o carnaval de rua do Rio.</p>
<p><a href="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/02/3299903775_22ae942984-1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-58660" title="3299903775_22ae942984-1" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/02/3299903775_22ae942984-1.jpg" alt="3299903775_22ae942984-1" width="500" height="375" /></a></p>
<p>Cordão do Boitatá, Rio de Janeiro. Foto de <a title="Link to Luciano Joaquim's photostream" href="http://www.flickr.com/photos/lucianojoaquim/">Luciano Joaquim</a></p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/urbefotos/3303037834/"><img class="aligncenter size-full wp-image-58667" title="3303037834_efb31ab9d4" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/02/3303037834_efb31ab9d4.jpg" alt="3303037834_efb31ab9d4" width="375" height="500" /></a></p>
<p>Para aqules que não conseguem ficar muito tempo longe das redes sociais, eis a fantasia de Orkut. Rio de Janeiro. Foto de <a title="Link to URBefotos' photostream" href="http://www.flickr.com/photos/urbefotos/">URBefotos</a>.</p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/prefeituradeolinda/3301128112/in/set-72157613909331956/"><img class="aligncenter size-full wp-image-58776" title="3301128112_d2c64b8b0c" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/02/3301128112_d2c64b8b0c.jpg" alt="3301128112_d2c64b8b0c" width="337" height="500" /></a></p>
<p>Fidel Castro também visitou Olinda nesse carnaval. Foto de <a href="http://www.flickr.com/photos/prefeituradeolinda/">Ádria de Souza/Pref.Olinda</a>. Dentre outros políticos, <a href="http://www.flickr.com/photos/23739733@N03/3285071730/">Barack Obama também foi visto em várias partes do país</a>, mas infelizmente os papparrazzi não disponibilizaram imagens com licença do Creative Commons.<a href="http://www.flickr.com/photos/prefeituradeolinda/"><br />
</a></p>
<p><strong>Segunda, dia 23 </strong></p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/prefeituradeolinda/3304374004/in/set-72157613909331956/"><img class="aligncenter size-full wp-image-58670" title="3304374004_753b1b4ecb" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/02/3304374004_753b1b4ecb.jpg" alt="3304374004_753b1b4ecb" width="500" height="337" /></a></p>
<p>O trio jornalista iraquiano, Bush e o sapato voador se diverte em Olinda. Você conhece a <a href="http://globalvoicesonline.org/2008/12/16/george-bush-and-iraq-shoedenfreude/">notícia</a>. Foto de <a href="http://www.flickr.com/photos/prefeituradeolinda/">Ádria de Souza/Pref.Olinda</a></p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/dubiella/3303886739/"><img class="aligncenter size-full wp-image-58661" title="3303886739_47a405af19" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/02/3303886739_47a405af19.jpg" alt="3303886739_47a405af19" width="333" height="500" /></a></p>
<p>Um beijo da atriz Paola Oliveira, rainha da bateria da escola de samba Grande Rio, uma das 30 escolas concorrendo ao título de campeã do carnaval. Foto de <a title="Link to dubiella's photostream" href="http://www.flickr.com/photos/dubiella/">dubiella.</a></p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/aneaguirre/3314113285/"><img class="aligncenter size-full wp-image-58778" title="3314113285_a70de045d2" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/02/3314113285_a70de045d2.jpg" alt="3314113285_a70de045d2" width="500" height="375" /></a></p>
<p>E a escola campeã no Rio de Janeiro foi a Salgueiro. Foto de  <a title="Link to ane aguirre's photostream" href="http://www.flickr.com/photos/aneaguirre/">ane aguirre</a>.</p>
<p><strong>Terça-feira gorda, 24</strong></p>
<p><strong><a href="http://www.flickr.com/photos/prefeituradeolinda/3308825403/"><img class="aligncenter size-full wp-image-58684" title="3308825403_016a870a0a" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/02/3308825403_016a870a0a.jpg" alt="3308825403_016a870a0a" width="500" height="337" /></a></strong></p>
<p>Veneza? Não, Olinda! Foto de <a href="http://www.flickr.com/photos/prefeituradeolinda/">Ádria de Souza/Pref.Olinda</a></p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/caniche/3310684177/"><img class="aligncenter size-full wp-image-58780" title="3310684177_386f38ec03" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/02/3310684177_386f38ec03.jpg" alt="3310684177_386f38ec03" width="500" height="334" /></a></p>
<p>Pulando sem parar em São Paulo. Foto de <a title="Link to Cristiano Caniche's photostream" href="http://www.flickr.com/photos/caniche/">Cristiano Caniche</a>.</p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/anapinta/3311802094/"><img class="aligncenter size-full wp-image-58659" title="carnival_morning_rio" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/02/3311802094_a0fce59ce7-1.jpg" alt="carnival_morning_rio" width="467" height="350" /></a>No Brasil não existe o dia da panqueca, o último dia do carnaval é marcado pela melancolia - madrugada, Rio de Janeiro. Foto de <a title="Link to Ana Pinta's photostream" href="http://www.flickr.com/photos/anapinta/">Ana Pinta</a>, a qual um dos comentários descreveu como “uma cena bem carioca”.</p>
<p><strong>Quarta-feira de cinzas, 25</strong></p>
<p><strong><a href="http://www.flickr.com/photos/prefeituradeolinda/3309823178/"><img class="aligncenter size-full wp-image-58789" title="3309823178_0945aff385" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/02/3309823178_0945aff385.jpg" alt="3309823178_0945aff385" width="453" height="305" /></a></strong><a href="http://www.flickr.com/photos/prefeituradeolinda/3309819890/"><br />
</a></p>
<p>Começa a contagem regressiva para o próximo ano. Foto de <a href="http://www.flickr.com/photos/prefeituradeolinda/">Ádria de Souza/Pref.Olinda.</a></p>
<p>O carnaval desse ano chegou ao fim, e embora a celebração ainda continue por outra semana extra-oficial, com as festas da ressaca do carnaval, 2009 já pode começar.</p></div>
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