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	<title>Global Voices em Português &#187; Literatura</title>
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	<description>O mundo está falando. Você está ouvindo?</description>
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		<title>Egito: Romance Gráfico &#8220;Metro&#8221; Oficialmente Banido</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/25/egito-romance-grafico-metro-oficialmente-banido/</link>
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		<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 13:15:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Casaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cyber-Ativismo]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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		<description><![CDATA[O romance gráfico adulto Metro, de Magdy El Shafee's foi banido no Egito seguindo uma ordem judicial. Blogueiros e usuários do Facebook reagiram ao fato, o qual dizem ser outro golpe à liberdade de expressão.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/marwa-rakha/">Marwa Rakha</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/diegocasaes/'>Diego Casaes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/11/24/egypts-first-adult-graphic-novel-officially-banned/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p><img class="alignleft size-full wp-image-5088" title="Metro-Cover" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/11/Metro-Cover.jpg" alt="Metro-Cover" width="177" height="182" />Em Abril de 2008, a liberdade de expressão e criatividade foram atingidas intimamente no Egito com o confisco do romance gráfico para adultos <a href="http://www.wordswithoutborders.org/?lab=ShaffeeMetro">Metro</a>, criada por <a href="http://www.magdycomics.com/">Madgy El Shafee</a>. Desde então o autor e seu editor estão <a href="http://globalvoicesonline.org/2009/04/02/egypts-first-adult-graphic-novel-on-trial/">em julgamento</a> e enquanto todos estavam ocupados com a <a href="http://globalvoicesonline.org/2009/11/15/egypt-vs-algeria-the-twitter-match/">guerra futebolística</a> entre Egito e Algéria, a corte oficialmente baniu o romance.</p>
<p>O blog grupal <em>Bikya Masr</em> vê o veredito como &#8220;<a href="http://bikyamasr.com/?p=5979">Mais um golpe à liberdade de expressão no Egito, já que os romancistas gráficos não recebem amor do tribunal</a>&#8220;.</p>
<blockquote><p>It was supposed to signal a new era in Egyptian novels. The country’s first graphic novel, Metro, was supposed to be a show of free speech and artistic merit. Instead, it has become the hallmark of what rights groups say is the Egyptian government’s continued censorship of what its citizens can write. On Sunday, a Cairo misdemeanors court fined author Magdy el-Shafei and publisher Mohamed Sharkawi 5000 Egyptian pounds ($900) and demanded the confiscation of the novel after accusing them of writing and distributing a novel, which included statements and phrases considered “offensive to public morals.”</p></blockquote>
<div class="translation">Presumia-se que esse romance assinalaria uma nova era nas novelas egípcias. O primeiro romance gráfico do país, Metro, deveria ser uma demonstração de liberdade de expressão e mérito artístico. Em vez disso, ele se tornou a marca registrada do que grupos de direitos humanos dizem ser a censura contínua do governo egípcio a respeito do que os seus cidadãos podem escrever. No domingo, uma corte de contravenções do Cairo multou o autor Magdy-Shafei e o editor Mohamed Sharkawi em £ 5000 egípcias (R$ 1.500,00) e exigiu o confisco da novela, depois de acusá-los de escrever e distribuir um romance que incluiu declarações e frases consideradas &#8220;ofensivas à moral pública&#8221;.</div>
<p><a href="http://www.facebook.com/profile.php?id=517526799&amp;ref=ts"><em>Sarah Carr</em></a> está furioso; as pessoas ficaram tão absorvidas pela <a href="http://globalvoicesonline.org/2009/11/15/egypt-vs-algeria-the-twitter-match/">guerra futebolística</a> entre Egito e Algéria que esqueceram todas as outras coisas:</p>
<p><img title="Metro 1" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/11/Metro-1.jpg" alt="Metro 1" width="521" height="112" /></p>
<div class="translation">O primeiro romance gráfico do Egito foi oficialmente banido hoje. Madgy L Shafee e Sharqawi multados em 5.000 libras egípcias. Entretanto, já que o juiz não era algeriano acho que ninguém dá a mínima.</div>
<p><a href="http://www.facebook.com/Shahinaz.abdelsalam?ref=ts"><em>Shahinaz Abdel Salam</em></a> está desapontada.</p>
<p><img title="Metro 2" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/11/Metro-2.jpg" alt="Metro 2" width="528" height="232" /></p>
<div class="translation">Hoje um veredito foi emitido no caso &#8220;Metro&#8221;, a primeira revista em quadrinhos no Egito que criticava o regime; o veredito foi de banir o livro e uma penalidade de 5.000 libras egípcias para o autor Magdi El Shaeii e o editor Mohamed El Sharkawai.<br />
-<br />
A liberdade de expressão e compreensão está sendo atacada. O que isso significará para outras publicações no futuro?</div>
<p>O autor <a href="http://www.facebook.com/profile.php?id=678971331">Magdy El Shafee</a> se nega a desistir e promete apelar:</p>
<p><img title="Metro 3" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/11/Metro-3.jpg" alt="Metro 3" width="523" height="51" /></p>
<div class="translation">Tudo bem! Perdemos o primeiro tempo&#8230; sem problemas! Não vamos perder o segundo!</div>
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		<title>México: Contando Segredos no Twitter</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/08/15/mexico-contando-segredos-no-twitter/</link>
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		<pubDate>Sat, 15 Aug 2009 17:17:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Casaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Arte & Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<description><![CDATA[Rafa Saavedra é um conhecedor da cultura alternativa de Tijuana, no México. Em uma entrevista, ele nos conta sobre seu mais recente projeto que combina Twitter e o ato de contar segredos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/issa-villarreal/">Issa Villarreal</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/diegocasaes/'>Diego Casaes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/08/11/mexico-telling-secrets-on-twitter/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p><a href="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/rafa-262x300.jpg"><img class="alignright" title="Rafa Saavedro" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/rafa-262x300.jpg" alt="" width="166" height="190" /></a>Rafa Saavedra, escritor e conhecedor da cultura alternativa da cidade fronteiriça de Tijuana, no México, transformou cada um de seus canais eletrônicos de comunicação em espaços literários lúdicos. Por um lado, ele publica pequenas histórias e projetos em seu blog, <a href="http://crossfadernetwork.wordpress.com/"><em>Crossfader Network [es]</em>,</a> (e suas transmutações); por outro, como o usuário compulsivo <a href="http://www.twitter.com/rafadro">@rafadro</a>, ele usa o Twitter como fonte de criação. Seu último trabalho literário-eletrônico, &#8220;Soweird&#8221; [Tãoestranho, em Português], combina micro-ficção, segredos e o Twitter.</p>
<p>“<em>Crossfader Network </em>é minha casa, um lugar onde eu reuno meus pensamentos, imagino mundos melhores e ofereço avanços do que eu faço&#8221;, diz Rafa em uma entrevista por email; &#8220;Twitter é meu apartamento de solteiro: uma eterna festa com amigos e seguidores, uma fonte de informações (quase) imediatas, um laboratório confuso e criativo, uma ironia sólida, sinceridade genuína em 140 caracteres&#8221;.</p>
<p>Em julho deste ano ele <a href="http://twitter.com/rafadro/status/2212608608">pediu a mais de 200 de seus seguidores no Twitter</a> [es] para contribuir com seu maior segredo (ou até mesmo um pequeno segredo, como admitiu momentos depois) para assim criar um texto contado por múltiplas vozes. Com mais de 40 segredos recebidos pelo Twitter ele criou o <a href="http://crossfadernetwork.wordpress.com/2009/07/26/nuevo-relato-soweird/">&#8220;Soweird&#8221;</a>, onde a ficção e a verdade contaram 22 momentos íntimos de sexo, pudor e crime. A história final, disponível em seu blog, será publicada na revista literária mexicana <a href="http://elperro.com.mx/">El Perro</a> [es].</p>
<p>Na seção de &#8220;Soweird&#8221; dedicada ao tópico &#8216;Família&#39;, encontramos o seguinte segredo:</p>
<blockquote><p>11. Mauritz engañó a su novia con la mujer de su mejor amigo. Al tronar éstos, la chica se casó con su hermano. Ahora no puede explicarle a su novia porque no pueden asistir a las reuniones familiares sin temor a causar una desgracia cuasi bíblica.</p></blockquote>
<div class="translation">11. Mauritz traiu sua namorada com a namorada de seu melhor amigo. Quando eles se separaram, ela se casou com seu irmão. Agora ele não consegue explicar à namorada o porque de não participarem de reuniões de família sem medo de provocar uma tragédia de proporções bíblicas.</div>
<p>Na seção de crimes encontramos este outro segredo:</p>
<blockquote><p>17. Elwin empezó chingándose en cómics el cheque que su padre le mandaba para pagar la universidad privada a la que nunca asistió. Luego, tomó y gastó una cantidad considerable de dinero de su primer trabajo; argumentó que lo asaltaron. En otra ocasión necesitaba un trámite rápido en una dependencia municipal y pidió en la empresa una cantidad excesiva para sobornar al burócrata en turno (gastó la mitad en cervezas).</p></blockquote>
<div class="translation">17. Elwin começou a gastar em revistas em quadrinhos os cheques que seu pai lhe mandara para pagar a universidade particular na qual nunca estudou. Então, ele pediu e gastou uma quantia considerável de dinheiro de seu primeiro trabalho; argumentou que o assaltaram. Em outra ocasião, ele precisava realizar um procedimento rápido em um departamento municipal e pediu à sua empresa uma quantia excessiva de dinheiro para subornar o oficial que trabalhava no local (ele gastou a metade do dinheiro em cerveja).</div>
<p>A visão de Saavedra sobre o serviço de <em>microblogging</em> vai além do que contar detalhes triviais: &#8220;No Twitter, as pessoas frequentemente confessam coisas tão absurdas, grotescas e vergonhosas. Vamos lá, há até uma <em>hashtag</em> para <a href="http://twitter.com/search?q=%23yoconfieso">#yoconfieso</a> (&#8221;Eu confesso&#8221;). Então, ao invés de extrair um segredo de meus arquivos pessoais, eu decidi que seria muito interessante trabalhar com os segredos dos outros. Eu estava interessado em saber o quão longe eles iriam, o quanto seria diferente a imagem que eu tenho dos usuários do Twitter e a imagem que eles apresentam para seus seguidores. Voyeurismo de escritor 2.0.&#8221;</p>
<p>Apesar de ele não poder revelar os verdadeiros nomes dos seus seguidores, Saavedra caracteriza os usuários que se aliaram a ele neste projeto: &#8220;Há alguns estrangeiros, a faixa etária é de 19-40 anos. Como se pode ler no texto, há oito seções que dividem os segredos (Sexo, Pudor, Ex-Apaixonados, Família, Crime, Prazeres Culposos, Tentação e Ex-Amigos). Os segredos dos usuários do Twitter se relacionam mais com a família, sexo, pudor e tentação. Alguns segredos foram muito chocantes.&#8221;</p>
<p>&#8220;Soweird&#8221; não é a primeira empreitada entre Twitter e literatura que Saavedra realizou. Em 2007, ele foi encarregado do projeto colaborativo Microtxts, que reuniu 238 microficções através do usuário <a href="http://twitter.com/microtxts">@microtxts</a>, e que foi publicado (como seleções) nas publicações mexicanas <a href="http://www.revistareplicante.com/">Replicante [es]</a> e Balbuceo: &#8220;Eu convidei amigos escritores, jornalistas, estudantes de Comunicação e pessoas que julguei serem interessante na criação de micro-textos anônimos e em fascículos. O princípio básico dessa oficina foi &#8216;Escrevendo e compartilhando&#39;. No início, eles não conseguiam entender por completo a dinâmica do Twitter nem o processo de escrita e anonimato. Posteriormente, alcançamos 100 participantes.&#8221;</p>
<p>“Até agora eu não conseguia entender minha vida sem Internet, sem redes sociais, sem conteúdo gerado por ambos&#8221; ele explica, &#8220;Mas ao mesmo tempo, eu posso desligar o computador e viver minha vida sem medos. Vidas online, mídia eletrônica e seus usos são uma fronteira que podemos cruzar com e sem restrições. O mesmo acontece com minha vida em Tijuana&#8221;.</p>
<p>Em sua despedida, Saavedra compartilhou uma &#8220;verdade&#8221; sobre si mesmo em 140 caracteres (ou menos):</p>
<blockquote><p>“Nunca he querido ser otro que no fuera yo; sin embargo, cambio tan a menudo que a veces me cuesta trabajo reconocerme: Sí, una contradicción”.</p></blockquote>
<div class="translation">“Eu nunca quis me tornar alguém que não fosse eu mesmo; entretanto, eu mudo tão frequentemente que às vezes não consigo me reconhecer: sim, uma contradição&#8221;.</div>
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		<title>Alex Castro: Um blogueiro liberal, libertário e libertino</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/08/07/alex-castro-um-blogueiro-liberal-libertario-e-libertino/</link>
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		<pubDate>Fri, 07 Aug 2009 13:34:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paula Góes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nessa entrevista, Alex Castro fala sobre blogs, as prisões que acorrentam a alma humana, como ele se livrou   para abraçar uma vida mais libertária e, claro do Mulher de Um Homem Só, seu romance popular em e-book agora lançado em papel.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/paulagoes/">Paula Góes</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/paulagoes/'>Paula Góes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/08/07/alex-castro-a-liberal-libertarian-and-libertine-brazilian-blogger/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p><a href="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/1041855_6e71e07381.jpg"><img class="alignright size-thumbnail wp-image-3804" title="1041855_6e71e07381" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/1041855_6e71e07381-75x75.jpg" alt="1041855_6e71e07381" width="75" height="75" /></a>Por trás de um dos blogs mas populares do Brasil, o <a href="http://www.interney.net/blogs/lll/">Liberal Libertário Libertino</a>, há um romancista independente, um acadêmico apaixonado e um livre pensador. Nesse papo às vésperas do lançamento da primeira edição não virtual de seu primeiro romance, projeto que só pôde ser lançado com o <a href="http://www.interney.net/blogs/lll/2009/06/29/ajude_a_viabilizar_a_edicao_de_mulher_de/">patrocínio de um exército de leitores de seu blog</a> – os mecenas da blogosfera – Alex Castro fala de blogs, das prisões que acorretam o ser humano de como se livrou delas para abraçar a sua vida libertária, e, claro, de seu primero romance, agora lançado fora da rede, Mulher de Um Homem só – já muito bem conhecido por seus leitores que o baixaram mais de 30 mil vezes durante o período que esteve disponível para download gratuito.</p>
<p><strong>Quem é Alex Castro?</strong></p>
<p>Alex Castro é um grandecíssimo mentiroso, como todos os autores de ficção. Não confie em nada do que ele diz.</p>
<div id="attachment_3810" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.flickr.com/people/cruzalmeida/"><img class="size-medium wp-image-3810" title="304688616_b309c5a95f" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/304688616_b309c5a95f-300x199.jpg" alt="Alex Castro, em foto de Roberto Rivera: robertorivera.com/portfolio.htm " width="300" height="199" /></a><p class="wp-caption-text">Em auto-definção no flickr, Alex Castro se diz (originalmente em inglês): Hedonista, novelista, ateísta, pedólatra. Destro, divorciado, maduro, viajado. Livre pensador, escritor, professor,  pro-ativo. Foto: Roberto Rivera: robertorivera.com/portfolio.htm </p></div>
<p><strong>O Liberal, Libertáro, Libertino está online desde 2003 e é hoje um dos mais populares blogs do Brasil. Como você entrou na blogosfera?</strong></p>
<p>Vários e vários motivos. O mais engraçado é que, quando abri o LLL, eu nunca tinha lido um blog, nem sabia o que era. Minha amiga Isabel (a quem &#8220;Mulher de um Homem Só&#8221; está dedicado) é que ficou me pentelhando, dizendo que era a melhor ferramenta possível para um artista expor seu trabalho - e estava certa. Mais ainda, eu estava escrevendo uma série de textos chamados As Prisões, sobre as diversas prisões que acorrentam o homem, como heterossexualidade, monogamia, verdade, religião, vergonha, ambição, obediência, etc, e achei que seria legal ver quais seriam as relações das pessoas a eles. E, realmente, As Prisões tiveram, e ainda têm, uma repercussão muito legal. Além disso, eu tinha acabado de reencontrar uma antiga amiga de escola, Andreia, que tinha se tornado dominadora profissional na Austrália e vivia um casamento aberto, e levava uma vida parecida com a minha, mais libertária e mais libertina, e eu achei que alguns daqueles valores que eu e a Andreia tínhamos descoberto e praticávamos mereciam ser articulados, tinham que ser vividos em público. Na verdade, ela me fez sentir envergonhado por meu pudor público perante a vida. Então, o blog também foi um meio de discutir publicamente questões muito importantes e vitais pra mim até hoje, como amor livre, poliamor, ciúmes, monogamia, relacionamentos abertos, etc. E assim entrei na blogosfera.</p>
<p><strong>O LLL gira em torno <a href="http://www.sobresites.com/alexcastro/prisoes.htm">dessas prisões que acorrentam a humanidade</a> – medo, vergonha, religião, patriotismo, felicidade, monogamia, heterossexualidade, dentre outras. Como você conseguiu se livrar delas?</strong></p>
<p>Basta querer. Controle de si é tudo na vida. Quase nada na vida a gente controla mas eu mesmo, como eu reajo aos estímulos do mundo, como me coloco diante deles, isso depende de mim, sim. E, assim, aos poucos, um dia de cada vez, eu fui me tornando menos tímido, menos travado, menos humilde, menos envergonhado, menos bundão, menos preocupado com a opinião dos outros, menos medroso, menos consumista, menos careta, essas coisas. Mas é um processo consciente. Todas as forças do mundo nos empurram pra conformar com o rebanho. Então, &#8220;ser você mesmo&#8221; não é algo que venha naturalmente a ninguém, é uma luta diária. Você tem que se perguntar: &#8220;hoje, eu fui a pessoa que eu quero ser?&#8221;</p>
<div id="attachment_3808" class="wp-caption alignleft" style="width: 211px"><a href="http://www.flickr.com/photos/cruzalmeida/278760187/in/set-358864/"><img class="size-medium wp-image-3808" title="278760187_ad8e05797e" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/278760187_ad8e05797e-201x300.jpg" alt="Fumando, em companhia do cachorro Oliver" width="201" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Fumando, companhia do cachorro Oliver</p></div>
<blockquote><p>[O LLL é] um blog sobre rebeldia, contemplação e sacanagem, regado a muita literatura e humor.</p></blockquote>
<p><strong>Mas você disse para não acreditar em nada do que você diz então fica a dúvida: o Alex Castro hedonista, na prática, é um personagem?</strong></p>
<p>Tenho uma pergunta melhor: e daí? Metade das coisas que eu disse nessa entrevista é mentira. Mas qual metade? Ou talvez isso que eu disse agora seja mentira e só falei sempre a verdade. Mas e daí? A verdade é que existe um livro chamado &#8220;Mulher de Um Homem Só&#8221; e ele é bom ou ruim independente de ter sido escrito por um homem ou por uma mulher, por um carioca ou um goiano, por um branco ou por um negro, por um adolescente ou por um velho. A mensagem das Prisões é válida ou não independente de eu ter esses valores ou não, de eu acreditar neles ou não. Vai ver eu escrevi tudo ironicamente, mas isso não impede alguém de levar o texto ao pé da letra e mudar sua vida. O texto é real, entende? Só isso importa. Eu, minhas mentiras, minhas verdades, minhas intenções, somos todos irrelevantes. Talvez a Prisão mais importante a ser vencida seja a Prisão Verdade, essa nossa necessidade quase infantil de questionar a veracidade de tudo o tempo todo. Eu sou um escritor de ficção: meu trabalho é justamente implodir a verdade. A ficção é uma mentira que, se bem dita, nos leva a verdades maiores do que a maioria das verdades que andam por aí bradando sua veracidade aos quatro ventos.</p>
<p><strong>E qual a reação de seus leitores a essa vida &#8220;mais libertária e mais libertina&#8221;, considerando que foge completamente dos padrões aceitáveis no Brasil, um país ainda tão sexista? Há até uma campanha, </strong><strong>&#8220;Eu Odeio o LLL&#8221;</strong><strong>, com o seu aval.</strong></p>
<p><img class="size-full wp-image-3814 alignleft" title="odeio-1" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/odeio-1.gif" alt="odeio-1" width="120" height="60" />A campanha &#8220;Eu Odeio o LLL&#8221; não tem apenas o meu aval. Eu a criei e a promovi. Oras, não há porque só as pessoas que gostam de mim terem banner me linkando. Quem me odeia também tem direito de me promover! Mas, obviamente, foi uma campanha humorística, pra brincar com aquele tipo de leitor que, justamente, diz que me odeia e discorda de tudo, mas lê e comenta obsessivamente todo dia. Esses leitores me divertem muito, mas são uma minoria, ainda bem. Logo enchem o saco e vão embora, porque eu não dou corda.</p>
<p>Via de regra, a mensagem das Prisões acaba tocando mais dois grupos de pessoas: em primeiro lugar, adolescentes ou pós-adolescentes de ambos os sexos que estão em processo de tentar se tornar adultos, livres e independentes. Uma amiga brinca que passo boa parte do meu tempo no MSN, como Sócrates na ágora, tentando corromper &#8220;meus jovens&#8221;. E, em segundo lugar, mulheres que estão naquela famosa crise dos sete anos, que subitamente se descobrem em casamentos mornos e insatisfatórios, e que de repente querem ser livres e realizar seu potencial. Esses dois grupos representam uma parcela desproporcionalmente enorme dos leitores que me procuram, então imagino que a mensagem das Prisões é relevante para quem está nessas situações.</p>
<div id="attachment_3807" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.flickr.com/photos/cruzalmeida/304688610/in/set-358864/"><img class="size-medium wp-image-3807" title="304688610_5288cfd5be" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/304688610_5288cfd5be-300x199.jpg" alt="Alex Castro, em foto de Roberto Rivera: robertorivera.com/portfolio.htm " width="300" height="199" /></a><p class="wp-caption-text">Alex Castro, em foto de Roberto Rivera: robertorivera.com/portfolio.htm </p></div>
<p><strong>Mudando para a literatura na rede, há bons blogs literários no Brasil? O que passa pelo seu seu blogroll?</strong></p>
<p>Olha, eu confesso que nunca fui fã de blogs e, faz muito tempo, desencanei totalmente deles. Hoje, leio pouquíssimos blogs, e quase que só os de amigos próximos, pra saber como eles estão. Alguns bons escritores contemporâneos têm blogs, mas o blog é sempre uma coisa diferente da ficção. Até porque é difícil colocar ficção em blog. Então o blog acaba funcionando como uma ferramenta para o autor polir seu texto e construir um círculo de leitores para quem possa, depois, vender ou dar seu livro. Sinceramente, eu acho bem possível que existam bons blogs literários no Brasil. Mas eu, por deficiência minha, não conheço.</p>
<p><strong>Você</strong><strong> fo</strong><strong>i</strong><strong> um dos pioneiros em experiência de e-books pagos no Bras</strong><strong>i</strong><strong>l. Em que grau, na sua opinião, a internet ajuda autores e artistas independentes em geral?</strong></p>
<p>A internet é fundamental, por permitir ao artista um contato direto com seu público, um contato que antes dependia de diversos mediadores: gravadoras, editoras, jornais, etc. Está surgindo um novo paradigma na arte que funciona mais ou menos assim: você distribui a sua arte de graça, para construir um público, e depois vende pra eles produtos diferenciados, raros, assinados, exclusivos, etc, do seu trabalho. De certo modo, estou fazendo isso com &#8220;Mulher de Um Homem Só&#8221;, que foi baixado gratuitamente mais de 30 mil vezes e foi vendido em edição limitada, numerada, na qual os leitores que pagaram mais ganharam os menores números. O exemplar número 001 foi para uma leitora da Turquia que pagou R$200 por ele.</p>
<div id="attachment_3803" class="wp-caption alignright" style="width: 176px"><img class="size-full wp-image-3803" title="3754570057_441dfe5ba7" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/3754570057_441dfe5ba7.jpg" alt="Marcador de livro para os mecenas da blogosfera" width="166" height="500" /><p class="wp-caption-text">Marcador de livro exclusivo para os mecenas da blogosfera que compraram o livro antes do lançamento.</p></div>
<p><strong>Como surgiu essa idéia dos mecenas da blogosfera para transformar o Mulher de um Homem Só virtual em edição em papel?</strong></p>
<p>&#8220;Mulher de Um Homem Só&#8221; ficou disponível para download gratuito por 4 anos, entre 2002 e 2006, quando foi baixado 30 mil vezes. Depois disso, contratei uma agente literária para tentar vender o livro para editoras, mas ela não conseguiu nada. Nesse meio tempo, lancei vários ebooks - sabe como é, tem custo zero - e fui vendendo, mas todo mundo vinha perguntar: &#8220;ah, nao tem de papel? odeio ler na tela!&#8221; etc. O problema é que, sem uma editora, imprimir em papel custa caro, tenho que pagar a edição do meu próprio bolso e fazer tudo sozinho. E pensei, hmm, se os leitores querem tanto livros de papel, por que então não pagam por eles? Vou colocar o livro em pré-venda, quando arrecadar o suficiente pra impressão, imprimo; senão, devolvo o dinheiro de todo mundo. E foi um sucesso. &#8220;Mulher de Um Homem Só&#8221; vendeu 150 exemplares na pré-venda e o valor arrecadado daria para custear uma edição de 700 exemplares.</p>
<p><strong>Quais as vantagens e desvantagens de publicar na internet, em vez de seguir os caminhos tradicionais?</strong></p>
<p>Para mim, as vantagens foram ganhar mais dinheiro do que ganharia publicando livro como o novato patinho feio de uma editora tradicional e também um maior contato com o meu público. A grande desvantagem de não estar no caminho tradicional é a falta de visibilidade e prestígio. Eu escrevo literatura e tenho um blog, mas sou chamado de &#8220;blogueiro&#8221;. O cara que tem um livro publicado pela Rocco (mesmo que ninguém tenha lido) e tem um blog, é um escritor - que, por um acaso, tem um blog. Mas isso já está mudando.</p>
<p><strong>Esse contato maior com os leitores muda de alguma forma a forma como você escreve, ou até o enredo de suas histórias, uma vez que você passa também a conhecer mais o público e a saber o que ele quer, ou você mantêm, nesse caso, uma distância para produzir exatamente o que acha que deve, sem influências do consumidor de sua obra?</strong></p>
<p>Muda. Mas não do jeito que você perguntou. Não existe muito isso de dar o que o povo quer. Não sou balconista, que pergunta ao cliente o que ele quer, vai e entrega. Na literatura, o cliente quase nunca tem razão. O espírito da literatura é o da complexidade. Um bom livro te leva a lugares que você não queria ir, te ensina coisas que você não queria saber, mostra que o mundo, as pessoas, as coisas, são mais complexos do que você imaginava. No momento em que um autor de ficção se propõe a dar os que os leitores querem, ele abdicou de uma das prerrogativas básicas da arte.</p>
<p>Aliás, talvez seja esse um dos tão buscados limites entre literatura-dita-arte e a chamada literatura de entretenimento: na segunda, você busca entreter e dar ao leitor o que ele quer. Na primeira, não. Obviamente, na literatura, você pode perfeitamente dar ao leitor o que ele quer, mas esse não pode ser um dos critérios fundamentais da criação da arte. Em tempo: não estou estabelecendo nenhuma relação de hierarquia entre ambas. Qualquer livro policial de Nero Wolfe é melhor do que 90% da literatura-dita-arte. Resta o fato de que ambos tipos de literatura tem um objetivo e uma relação com seu leitor bem diferentes.</p>
<p>E, respondendo a pergunta, sim, o contato com os leitores muda tudo, mas por outro motivo. Porque o autor escreve sempre com um leitor ideal em mente, e buscando criar um efeito nele. O contato com o leitor permite medir se você está atingindo seus objetivos e ajustá-los de acordo. Os exemplos são inúmeros. Uma vez, uma leitora me disse que uma cena de um conto fazia com que ela voltasse a uma época mais simples, mais idílica, que se sentisse como se estivesse dentro do Almoço da Relva, de Manet, fazendo um bucólico piquenique num bosque à beira no Sena em pleno século XIX&#8230; E eu agradeci a opinião, e naturalmente a leitora não estava nem um pouco errada, cada leitura é válida, mas reescrevi a cena, coloquei um celular desligado em sua bolsa e uma asa delta passando no céu, justamente para cortar esse efeito, que não era o que eu buscava. Mas, veja, a internet não tem nada a ver com isso. Esse tipo de coisa acontece desde que existe literatura.</p>
<p><strong>Como você tem base nos Estados Unidos no momento, enquanto , qual é a sua visão sobre as diferenças entre os mercados editoriais brasileiros e estadunidenses? (pergunta de <a href="http://twitter.com/emanuelcampos">@emanuelcampos</a>, via twitter)</strong></p>
<p>Nem sei. Eu vivo nos Estados Unidos de maneira muito estranha. Estou lá fisicamente, mas dentro da bolha universitária, que é como se fosse outro mundo. Estudo e dou aulas no Departamento de Espanhol e Português. Boa parte dos meus colegas, todos os meus alunos, quase todos do meu círculo social não apenas falam português fluentemente como têm um forte interesse pelo Brasil. Minha pesquisa é sobre Brasil. Minhas leituras, minha ficção, meu blog, minha producão acadêmica eu escrevo em português. Minha namorada, minha família, meus leitores, estão no Brasil. Eu publico no Brasil. Ou seja, todo meu olhar é voltado pro Brasil. Não acompanho, estudo, observo o mercado americano.</p>
<p><strong>Há planos de tradução para esse, ou outros de seus livros?</strong></p>
<p>Um casal de tradutores, ele brasileiro e ela argentina, se ofereceu para traduzir &#8220;Mulher de Um Homem Só&#8221; ao espanhol. Pretendo pegar essa versão e bater perna um pouco com ela. Tenho alguns contatos nos meios editorais cubanos e adoraria ser lido por lá. E também já existe todo um mercado literário em língua espanhola nos Estados Unidos que posso procurar - e que eu não conheço! Uma versão em espanhol, a segunda língua ocidental mais falada, já abriria inúmeras possibilidades. Aliás, o brasileiro do casal é justamente o Emanuel que sugeriu a pergunta acima.</p>
<p><strong>E qual o trecho que mais gosta de Mulher de um Homem Só?</strong></p>
<p>Não sei se é o que eu mais gosto, mas acho que é um trecho bem representativo.</p>
<p>&#8220;Eu não desconfiei porque nem todos esses almoços serviam pra despontar o vício de Murilo que Júlia tinha. Eu, que me achava sua clínica de reabilitação, era na verdade sua fornecedora clandestina: ela vinha me ver e fungava cada carreirinha de Murilo que pudesse encontrar. E eu fazia o mesmo, porque um gambá cheira o outro e eu também não sou lá muito diversa. Ela me sugava o presente, e eu, o passado. Júlia sabia tudo sobre o Murilo, cresceram juntos, nunca não se conheceram. Um era a constante da vida do outro. Júlia era tão constante que me fazia sentir a variável e isso me deixava tonta, eu precisava ir ao banheiro depois: eu imaginava Júlia, amanhã, fazendo a mesma coisa com a segunda esposa dele, indo visitar, contando histórias do passado e sugando o futuro. E eu pensava: o juramento foi comigo, a mulher dele sou eu.&#8221;</p>
<p><strong></strong></p>
<div id="attachment_3792" class="wp-caption aligncenter" style="width: 446px"><strong><strong><img class="size-full wp-image-3792" title="MulherDeUmHomemSó" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/3785123242_19e48a0719.jpg" alt="Lançamento no Rio" width="436" height="324" /></strong></strong><p class="wp-caption-text">Amigos, no lançamento no Rio, alguns dos quais mecenas</p></div>
<p><strong></strong></p>
<p><img class="size-full wp-image-3802 alignleft" title="3714026540_8a67eed970_m" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/3714026540_8a67eed970_m.jpg" alt="3714026540_8a67eed970_m" width="146" height="196" /> <strong>Autógrafos: </strong></p>
<p>Depois do lançamento no Mulher de Um Homem Só em São Paulo, no final de semana passado, o livro será lançado nesse sábado, 7 de agosto, no Rio de Janeiro. <a href="http://www.flickr.com/photos/cruzalmeida/3754417953/">Veja o convite aqui</a>. Para comprar o Mulher de Um Homem Só, <a href="http://liberallibertariolibertino.blogspot.com/2009/06/pre-venda-de-mulher-de-um-homem-so.html">acesse esse link</a>. Para ver outros livros do de Alex Castro, lançados com o apoio do selo independente <a href="http://www.osviralata.com.br/">OsViralata</a>, <a href="http://www.osviralata.com.br/alexcastro/index.html">clique aqui.</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Animação e Arte Digital Emergem da África</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/07/24/animacao-e-arte-digital-emergem-da-africa/</link>
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		<pubDate>Fri, 24 Jul 2009 13:20:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Nemer Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte & Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Kenya]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Nigeria]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>

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		<description><![CDATA["Digital" se tornou uma das palavras mais comentadas não só no Quênia, mas na África, onde a maioria das coisas ainda é analógica. Entretanto, Arte Digital é um termo muito novo até para os mais experientes aficionados por arte. A tecnologia Digital transformou atividades tradicionais como pintura, desenho e escultura, enquanto novas formas, como a net arte, instalação de arte digital, e realidade virtual, tem sido reconhecidas como práticas artísticas. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/njeri-wangari/">Njeri Wangari</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/luiznemer/'>Luiz Nemer Neto</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/07/17/out-of-africa-emerges-digital-art-and-animation/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>“Digital” ultimamente se tornou uma das palavras mais comentadas, não só no Quênia, mas na África, onde a maioria das coisas ainda é analógica. Entretanto, a Arte Digital é um termo realmente muito novo para os mais experientes aficionados por arte.</p>
<p><img class="alignleft" style="margin: 10px;" title="Digital Art" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/07/digitalart_cover_sm-259x300.jpg" alt="" width="259" height="300" /><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Arte_digital">Arte Digital</a> se refere comumente à arte criada no computador de forma digital. Numa definição mais ampla, “arte digital” é um termo aplicado a arte contemporânea que usa os métodos de produção em massa ou mídia digital. A tecnologia digital tem transformado atividades tradicionais como pintura, desenho e escultura, enquanto as novas formas, como net arte, instalação de arte digital, e realidade virtual têm sido práticas artísticas reconhecidas.</p>
<p><a href="http://eacollective.wordpress.com/" target="_blank">East Africa’s Collective</a> (Coletivo da África Oriental) é um feed criado no wordpress, um projeto paralelo da designer Barbara Muriungi, nascida no Quênia, atualmente morando em Boston, MA.</p>
<p>Isso é o que ela afirma sobre a ideia por trás da EA Collective:</p>
<blockquote><p>As an African living abroad I fan my passion for art, music and bits of fashion by staying culturally astute on happenings in and out of the African continent.</p></blockquote>
<div class="translation">Como uma africana morando fora, cultivo minha paixão pela arte, música e moda ao ficar culturalmente ligada nos acontecimentos dentro e fora do continente africano.</div>
<p>A EA Collective existe para procurar um bom conteúdo de designers locais humorísticos.</p>
<p>Um dos destaques interessantes do blog é sobre <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Tingatinga" target="_blank">Tinga Tinga</a> – African Folk Tales (Contos Folclóricos Africanos) que estão prestes a encontrar uma audiência maior através da animação, um projeto de artistas no Quênia e Tanzânia.</p>
<p><a href="http://www.africandigitalart.com/" target="_blank">African Digital Art</a> (Arte Digital Africana) é uma plataforma online desenvolvida para artistas, entusiastas e profissionais do meio digital para buscarem inspiração, bem como mostrarem sua arte e se conectarem com outros artistas.</p>
<p>O blog foi criado e desenvolvido por <a href="http://www.jepchumba.com/" target="_blank">Jepchumba</a>, uma artista digital queniana que vive em Chicago, Illionis. Jepchumba confessa que ela sonha em digital no blog pessoal dela. Sua impressionante coleção de arte digital é encantadora, para não dizer mais.</p>
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 209px"><img title="Tears" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/07/tears-333x500-199x300.jpg" alt="Tears - por Jepchumba" width="199" height="300" /><p class="wp-caption-text">Tears - por Jepchumba</p></div>
<p>African Digital Art é o melhor site para qualquer um que goste de arte digital. Ele tem apresentado os trabalhos de Wangechi Mutu, Jim Chuchu, Kenneth Shofela Coker entre muitos outros excelentes artistas digitais emergentes.</p>
<p><a href="http://www.jimchuchu.com/" target="_blank">Jimmi Chuchu</a> é um fotógrafo extraordinário, produtor de filmes e o terceiro membro da Just a Band. Ele ainda hesita em considerar a fotografia como sua profissão como confessou ao African Digital Art - mas para confirmar isso basta visualizar os trabalhos disponíveis em seu website, que também redireciona para o seu blog pessoal.</p>
<p>Apesar das amostras em seu website, galerias de fotos, vídeos musicais, projetos recentes e contatos, deve-se ir ao seu blog para notícias e outros links sobre ele. Lá se obtêm mais detalhes pessoais sobre o que ele atualmente está trabalhando, o que acabou de finalizar e quais são seus futuros projetos.</p>
<p>Alguns dos vídeos apresentados no blog podem ser repetidos do blog da banda, mas ele também dá ideias de seus projetos solo, como edição de clipes.</p>
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img style="margin: 0px; border: 0px initial initial;" title="An Animation from Kenneth Cokers blog" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/07/coker_blogtag-300x290.jpg" alt="Uma animação do blog de Kenneth Coker" width="300" height="290" /><p class="wp-caption-text">Uma animação do blog de Kenneth Coker</p></div>
<p><a href="http://www.kennethcoker.com/" target="_blank">Kenneth Coker</a> é nigeriano de nascença, mas atualmente reside em Memphis. Atualmente ele está em busca de um emprego como artista/animador de personagens em um estúdio de animação ou vídeo game. O<a href="http://www.kennethcoker.com/" target="_blank"> seu blog</a> leva as pessoas a um mundo liderado pela arte digital africana.</p>
<p>Em uma entrevista para a African Digital Arts, Coker fala sobre o seu amor pela animação, que o inspirou a se aventurar na Digital Art, bem como o fato de ser um africano tem influenciado o tipo de animações que ele faz. Leia a entrevista<a href="http://www.africandigitalart.com/category/featured-artists/" target="_blank"> aqui</a>.</p>
<p>A <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Anima%C3%A7%C3%A3o">Wikipédia descreve Animação</a> como uma rápida exibição de sequências de imagens de trabalhos de arte ou posições de modelos em 2D ou 3D a fim de criar uma ilusão de movimento. É uma ilusão ótica de movimento devido ao fenômeno de persistência da visão, e pode ser criada e demonstrada em uma série de formas. O método mais comum de apresentar uma animação é como um filme ou programa de vídeo, embora várias outras formas de apresentação também existam.</p>
<p><a href="http://blog.just-a-band.com/" target="_blank">Just a Bandwidth</a> (Apenas uma Banda) ou simplesmente Just a Band é uma banda queniana ‘experimental’ de house/funk/disco cuja carreira foi lançada com o álbum de estreia, Scratch To Reveal, em 2008. Sua música tem explorado vários direções musicais como, mas não se limita ao jazz, hip-hop, disco e eletrônica. O <a href="http://blog.just-a-band.com/" target="_blank">blog deles</a> funciona desde março de 2008. O primeiro post foi:</p>
<blockquote><p><strong>Greetings, Earthlings!</strong></p>
<p>Hello everyone,</p>
<p>Welcome to our little space on the Net. We’ll use this particular section to keep you updated with what’s going on in our little world, and we’ll probably use this space to rant about random things.</p>
<p>Bear with us.</p>
<p>We’re always happy to hear from all of you, so feel free to send us a […]</p></blockquote>
<div class="translation">Saudações, Terráqueos!</p>
<p>Olá a todos,</p>
<p>Bem-vindos ao nosso pequeno espaço na internet. Nós usaremos essa seção em particular para lhes manter atualizados sobre o que está acontecendo com o nosso pequeno mundo, e nós iremos provavelmente usar esse espaço para discutir sobre coisas aleatórias.</p>
<p>Tenham paciência conosco.</p>
<p>Ficamos sempre felizes por ouvir todos vocês, então se sintam livres para nos mandar um [&#8230;]</p></div>
<p>E esse é o meio que eles têm usado para todo vídeo, evento, informação ou discussões novas – o blog. Recentemente eles postaram o primeiro single do segundo álbum “82”, que está para sair, para os fãs poderem provar. Todos os vídeos deles podem ser encontrados na <a href="http://www.youtube.com/justabandwidth" target="_blank">página do Youtube da banda</a>.</p>
<p>Dê uma olhada no álbum<br />
<object width="425" height="344" data="http://www.youtube.com/v/Q3FIpWxUqXA&amp;color1=0xb1b1b1&amp;color2=0xcfcfcf&amp;hl=en&amp;feature=player_embedded&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/Q3FIpWxUqXA&amp;color1=0xb1b1b1&amp;color2=0xcfcfcf&amp;hl=en&amp;feature=player_embedded&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object></p>
<p>O que vão encontrar de muito especial sobre os vídeos produzidos pela Just a Band é o uso de animações. <span>Isso fez com que eles se destacassem </span>de outros vídeos, e suas próprias animações terem recebido bastante audiência nas estações locais de TV, assim como nas páginas do Youtube.</p>
<p><a href="http://www.africanpainters.blogspot.com/" target="_blank">African Painters</a> (Pintores Africanos), por outro lado, é um blog que hospeda coleções de arte de uma série de pintores africanos e revisões de livros de fotografia sobre a África. Ele começou em 2006. Assim é como eles descrevem o blog:</p>
<blockquote><p>Here is a blog about contemporary art on and off the continent of Africa. To push forward the concept of African cultural development I have created this blog but more importantly than that it&#39;s a place where we can blow-off steam and discuss the impossible task of defining a continent.</p></blockquote>
<div class="translation">Aqui está um blog sobre arte contemporânea de dentro e de fora do continente da África. Para avançar o conceito de desenvolvimento cultural africano, eu criei esse blog, mas mais importante que isso, ele é um local onde nós podemos desabafar e discutir a difícil tarefa de definir um continente.</div>
<p>Para mostrar as coleções de arte por artista incorporaram o <em>Slide</em>, uma aplicação que permite passar por imagens diferentes sem deixar o blog e também um um recurso em que se pode rever as imagens e até avaliá-las individualmente.</p>
<p>O blog ainda possui uma lista de outros sites de arte contemporânea e faz uma leitura interessante para qualquer pessoa interessada em saber mais sobre Arte Africana.</p>
<p>Com todos esses artistas digitais africanos emergentes, é inegável que a tecnologia está redefinindo a Arte Africana de uma forma que nós nunca imaginamos ser possível.</p>
<div class="contributors"><a href="http://globalvoicesonline.org/author/diego-casaes/">Diego Casaes</a> colaborou com a tradução desse artigo</div>
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		<title>Cazaquistão: Bagunça Real</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/05/15/cazaquistao-bagunca-real/</link>
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		<pubDate>Fri, 15 May 2009 03:19:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Duende</dc:creator>
				<category><![CDATA[Central Asia & Caucasus]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
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		<category><![CDATA[Lei]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<description><![CDATA[Rakhat Aliev, o ex-genro do presidente do Cazaquistão, ex-embaixador cazaque na Áustria e ex-oligarca, sentenciado a 40 anos de prisão por sequestro, liderança de uma organização mafiosa e tentativa de golpe de estado, continua tentando criar uma imagem de "democrata" vazando informações desabonadoras sobre altos oficiais do governo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/adam-kesher/">Adil Nurmakov</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/daniel-duende/'>Daniel Duende</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/05/14/kazakhstan-turmoil-royale/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Rakhat Aliev, o ex-genro do presidente do Cazaquistão, ex-embaixador cazaque na Áustria e ex-oligarca, sentenciado a 40 anos de prisão por sequestro, liderança de uma organização mafiosa e tentativa de golpe de estado, continua tentando criar uma imagem de &#8220;democrata&#8221; vazando informações desabonadoras sobre altos oficiais do governo.</p>
<p>Seu livro &#8220;The Godfather-in-Law&#8221; (&#8221;O Poderoso Sogrão&#8221;, em uma tradução livre do trocadilho de &#8220;Godfather&#8221;, padrinho ou líder mafioso, e &#8220;Father-in-Law&#8221;, sogro, pai da cônjuge) foi publicado no início desta semana. Sua primeira edição foi publicada na Alemanha, em língua alemã. <a href="http://rakhataliev.livejournal.com/33155.html">Como o próprio Aliev disse</a>, [ru]</p>
<blockquote><p>Europe still has little knowledge of what is happening in Kazakhstan. This fact allows EU politicians to put a blind eye on repressions and righs violations.</p></blockquote>
<div class="translation">&#8220;A Europa ainda tem pouco conhecimento do que está acontecendono Cazaquistão. Este fato permite que os políticos europeus continuem fazendo vista grossa para a repressão e para as violações de direitos.&#8221;</div>
<p>Há alguns comentários a este post publicados no blog. Alguns deles estão felizes com a publicação.<em> <a href="http://heil-jonny.livejournal.com/">heil-jonny</a></em> diz que ele certamente irá comprar o livro, enquanto <em><a href="http://mimi7777777.livejournal.com/">mimi7777777</a></em> oferece seus serviços de tradução.</p>
<p><em><a href="http://yeresim.livejournal.com/">yeresim</a></em> mostra ceticismo [ru]:</p>
<blockquote><p>I could have regarded this book differently, if the author were a consistent fighter against the regime. But you - you have become what you are thanks to your fother-in-law. And now you try to present yourself as a democrat, using discrediting materials against this man. Are you so naive to think that the Kazakh people will be happy to see you again, ever? I don&#39;t think so. And this is your traged.</p></blockquote>
<div class="translation">&#8220;Eu poderia olhar este livro com outros olhos, se seu autor fosse um lutador consistente contra o regime. Mas você &#8212; você se tornou o que você é graças ao seu sogro. E agora você tenta se apresentar como um democrata, usando materiais desabonadores contra este homem. Você é tão inocente a ponto de achar que o povo cazaque vai ficar feliz em vê-lo novamente algum dia? Eu acho que não. Esta é a sua tragédia.&#8221;</div>
<p><em><a href="http://thousand-pa.livejournal.com/">thousand_pa</a></em> tenta esclarecer [ru]:</p>
<blockquote><p>Does this book tell the reader how a man on public service managed to get large enterprises in private property, to own Nurbank [commercial bank], media and advertising holdings, shreholdings in a number of Kazakhstani and foreign companies?</p></blockquote>
<div class="translation">&#8220;Será que este livro explica para o leitor como um servidor público conseguiu obter grandes companhias como propriedade privada, tornando-se dono do Nurbak [um banco comercial], de empresas de mídia e propaganda e [obtendo] ações de várias empresas cazaques e estrangeiras?&#8221;</div>
<p>Além disso, uma checagem dos usuários que deixam comentários positivos no blogue de Aliev mostra que a maior parte deles são contas falsas com nenhuma publicação em seus blogues e apenas alguns poucos comentários em seus históricos pessoais.<br />
<em><br />
Também publicado no <a href="http://kazakhstan.neweurasia.net/2009/05/14/the-godfather-in-law/">neweurasia</a>.</em></p>
<p><em>N. do T.: <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/21/cazaquistao-livejournal-bloqueado/">Este artigo</a> do Global Voices faz uma ligação entre o bloqueio do LiveJournal no Cazaquistão, no ano passado, e o blogue de Aliev, usado para divulgar os &#8220;materiais desabonadores sobre altos funcionários do governo&#8221; mencionados neste artigo.<br />
</em></p>
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		<title>Brasil: Escritores e poetas indígenas na blogosfera</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/14/trilogia-indigena-2-escritores-e-poetas-indigenas-na-blogosfera/</link>
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		<pubDate>Tue, 14 Apr 2009 19:36:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Deborah Goldemberg</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Arte & Cultura]]></category>
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		<description><![CDATA[Literatura e poesia são os assuntos principais deste segundo artigo da trilogia que lança alguma luz sobre a blogosfera indígena brasileira. O assunto é controverso, com muitas pessoas afirmando que a idéia de uma literatura indígena é importada das tradições ocidentais. Contudo, há índios no Brasil que se auto-donominam poetas, escritores -- e blogueiros.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/deborah-goldemberg/">Deborah Icamiaba</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/deborah-icamiaba/'>Deborah Goldemberg</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/04/14/brazil-indian-writers-and-poets-on-the-blogsphere/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Há dentre os índios blogueiros do Brasil um grupo especial de escritora e poetas indígenas. Apesar de alguns antropólogos e lingüistas desacreditarem da noção de literatura indígena, traçando a origem deste conceito à cultura ocidental, particularmente a partir de Aristóteles, alguns índios brasileiros de origem ameríndia, apesar de também mestiça, se auto-declara como escritores da literatura indígena. Não só isso, mas estão publicando livros, tendo suas obras traduzidas para diversas línguas e blogando muito!</p>
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 210px"><img src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/04/daniel_munduruku1.jpg" alt="Foto de Daniel Munduruku" width="200" /><p class="wp-caption-text">Foto de Daniel Munduruku</p></div>
<p>O maior expoente desde movimento de literatura indígena é <a href="http://danielmunduruku.blogspot.com">Daniel Munduruku</a>, escritor indígena originário da Amazônia e residente em São Paulo, com mais de 30 livros publicados e diretor do <a href="www.inbrapi.org.br">Inbrapi</a>, entidade criada em 2001 com o objetivo de defender os conhecimentos tradicionais indígenas da biopirataria e exploração por terceiros. Daniel tem um <a href="http://www.danielmunduruku.com.br/">website</a> bilíngüe dedicado ao seu trabalho literário, na maior parte infanto-juvenil, mas no seu blog ele aproveita para chamar atenção para notícias importantes para os povos indígenas e apoiar causas que o inspiram. Por exemplo, neste Dia Internacional da Mulher, Daniel fez uma <a href="http://danielmunduruku.blogspot.com/2009/03/dia-internacional-da-mulher.html">bela declamação em prosa</a> para as companheiras:</p>
<blockquote><p>Penso compulsivamente nas mulheres. Não se trata de um olhar desejoso, mas corajoso.<br />
Corajoso porque, confesso, morro de inveja delas: da coragem, da obstinação, da intuição, do olhar sempre distante e sempre presente; da fortaleza e da fraqueza que revelam.<br />
Sei que poderão pensar que isso é humano, presente em homens e mulheres. Eu discordo. Conheço o masculino, convivo com ele em mim e sei que por mais esforço que faça percebo um lobo faminto, sem escrúpulos e sem medida.<br />
Acho que o homem masculino devia ouvir mais as mulheres. É claro eu alguns dirão que elas falam demais. Isso também é justo e certo, mas talvez falem muito por terem sido ouvidas tão pouco em passado recente e terem, por isso, que gritar para se fazerem ouvidas. Por isso tenho a impressão que nós homens, precisamos exercitar o sagrado direito de fazer silêncio, ouvir, ouvir e ouvir.<br />
Outros oponentes dessa teoria dirão que, assim, viraremos mulheres. Rebato o argumento dizendo: é disso que estou falando!<br />
Ao menos hoje temos que calar para deixar nossa intuição falar. E minha intuição diz que preciso sentir a dor do outro pra compreendê- lo em sua dimensão humana.<br />
Hoje quero ficar assim, miudinho, pequenininho, quietinho só para ver a magnitude do ser - mulher falar coisas que preciso ouvir.</p></blockquote>
<p>Falando em mulheres, o movimento da literatura indígena é magnificamente bem representado por Eliane Potiguara, escritora, professora e ativista indígena que em 2005 foi indicada para o Prêmio Nobel da Paz (Projeto Mil Mulheres do Mundo). Eliane, cuja origem é paraibana mas vive no Rio de Janeiro, tem um <a href="http://www.elianepotiguara.org.br/">website</a> próprio, aonde divulga sua obra literária, mas também mantém o <a href="http://blog.elianepotiguara.org.br/">blog</a> como parte de seu trabalho na rede <a href="http://www.grumin.org.br/">GRUMIN de Mulheres Indígenas</a>, da qual é fundadora e coordenadora. O blog é um instrumento de comunicação para as mulheres indígenas e traz um misto de literatura, oportunidades e chama atenção para episódios relevantes da luta das mulheres indígenas.</p>
<p>Recentemente, Eliane postou um <a href="http://blog.elianepotiguara.org.br/2008/12/03/vitoria-regia-aflorada-uma-flifloresta-em-flor-nos-proximos-tempos/">belo texto sobre a literatura dos excluídos</a> que expôs em um evento:</p>
<blockquote><p>A literatura dos excluídos ainda é uma pele de Boto que foi destruído ao longo dos séculos e que está esquecido e abandonado no fundo dos rios a precisar renascer_ ardentemente_ com a força da alma da natureza e humana. Mas essa natureza está envolta nas amarras dos séculos de dor, do obscurantismo, dos grandes enigmas e contradições da própria existência, do divino e do amor. A literatura ainda é um segmento cultural e político que não consegue chegar na totalidade das camadas menos privilegiadas social e economicamente do Brasil e do mundo.</p>
<p>Esse Boto Literário precisa ser salpicado com as lágrimas emocionadas da Natureza, muitas desvairadas lágrimas. Aí sim, essas feridas do mundo­_ que as mulheres indígenas as eternizaram com seus beijos de cura, bálsamos históricos, histórias não contadas e adormecidas no fundo do rio ou dos oceanos, essas sim, _ serão eternamente curadas, assim como o Boto literário.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 223px;"><img title="Eliane Potiguara" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/04/livro-eliane.jpg" alt="O mais recente livro de Eliane Potiguara" width="213" height="307" /></p>
<p class="wp-caption-text">O mais recente livro publicado por Eliane Potiguara</p>
</div>
</blockquote>
<p>Outro escritor indígena muito atuante é <a href="http://oliviojekupe.blogspot.com/">Olivio Jekupe </a>que tem uma trajetória de vida incrível, tendo superado diversos obstáculos para conseguir cursar filosofia e firmar-se como escritor que hoje é, com diversos livros publicados e traduções para o italiano. Olivio traz fortemente a questão de sua origem mestiça, o que é a realidade de muitos índios brasileiros:</p>
<blockquote><p>O mestiço é o mais discriminado nesse país, pois tanto eu quanto muitos no Brasil sofrem. Sei que sou mestiço e não tenho culpa de ser, e a miscigenação existe desde a chegada dos portugueses, não sou o primeiro índio não puro e não serei o último. Mesmo não sendo índio puro, quero dizer que tenho orgulho de ser o que sou e não podemos ter vergonha, meso que a sociedade nos discriminem.</p></blockquote>
<p>No seu blog, Olívio traz matérias sobre sua literatura indígena, por exemplo, a interessante <a href="http://oliviojekupe.blogspot.com/2009/01/o-saci-indio.html">história da origem indigena do Saci</a>, personagem do <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/11/01/assombracoes-e-lendas-brasileiras-na-lusosfera-parte-3/">folclore brasileiro</a> consagrado por Monteiro Lobato como um negro perneta, e informa que o verdadeiro Saci tem duas pernas!</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 462px"><a href="http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Saci_perere.jpg"><img src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/04/saci_perere.jpg" alt="Imagem do Saci Pererê de Monteiro Lobato. Imagem de André Koehne sob licença do Creative Commons" width="452" height="1234" /></a><p class="wp-caption-text">Imagem do Saci Pererê de Monteiro Lobato. Imagem de André Koehne sob licença do Creative Commons</p></div>
<blockquote><p>Não sei se já ouviram falar que o Saci na verdade é um personagem indígena e que tem duas pernas, é provável que não ouviram ainda, pois eu fui o primeiro que escreveu dois livros que fala sobre esse personagem, tenho dois livros com o título - Ajuda do Saci, da Editora DCL, e o outro que se chama - O Saci Verdadeiro, da Editora UEL. Nos meus livros eu tento mostrar que o personagem tem duas pernas e é um índio, diferente da visão de Monteiro Lobato.<br />
E sei que já tem documentários sobre esse tema, e muitas matérias que falei para jornalistas, e até teses de mestrado sobre o tema, como fez a escritora Graça Graúna onde ela fala do meu livro, O Saci Verdadeiro.<br />
É importante que todos possam conhecer esse personagem onde tento mostrar o que nas Aldeias Guarani é comum ouvir sobre ele.<br />
Sei que um dia minhas histórias serão tão conhecida que serei convidado para dar palestras em vários cantos do Brasil, de Norte a Sul do Brasil.</p></blockquote>
<p>Olívio menciona <a href="http://ggrauna.blogspot.com/ ">Graça Graúna </a>que é outra escritora indígena, poetisa, da região Nordeste do Brasil, de origem do Rio Grande do Norte mas residente em Pernambuco, tão ativa na vida quanto na blogsfera. Seu blog é premiado, muito visitado e traz um misto de notícias sobre literatura indígena e maravilhosos trechos de sua poesia. Dentre tantas, colhi uma <a href="http://ggrauna.blogspot.com/2009/03/tempo-de-poesia.html">poesia</a> para vocês saborearem, que é também flor:</p>
<blockquote><p>aos poetas Carlos e Sônia Brandão</p>
<p>&#8230; que Ñanderu* acolha<br />
as pedras da nossa canção.<br />
Que seja pedra enquanto leveza<br />
o sinal: sem poesia os tempos não existirão<br />
Graça Graúna, Nordeste do Brasil, 12 de março de 2009.</p>
<p>* Ñanderu em guarani, significa Nosso Pai; o Grande Espírito, o Criador.</p></blockquote>
<p>Para quem quiser conhecer mais sobre literatura indígena, vale visitar o <a href="http://escritoresindigenas.blogspot.com/">blog do NEARIN</a>, Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas do <a href="http://www.rodadehistoriasindigenas.com.br/parcerias_inbrapi.htm">INBRAPI</a>. O blog é organizado com o objetivo de oferecer um espaço para o debate de idéias em torno da literatura e arte indígena. Traz uma diversidade de notícias sobre o tema, relatando eventos ocorridos em várias partes do país e também uma lista de autores e livros de literatura indígena. Para quem estiver em São Paulo neste dia 19 de Abril, Dia do Índio, vale a pena conferir o I Sarau das Poéticas Indígenas, na Casa das Rosas, Av. Paulista, 37, a partir de 15 hs.</p>
<p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;">
<p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/04/convite20virtual_indios1.jpg"><img class="size-full wp-image-2655 aligncenter" title="convite20virtual_indios1" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/04/convite20virtual_indios1.jpg" alt="convite20virtual_indios1" width="483" height="288" /></a></p>
<h5 style="text-align: center;">Convite para o I Sarau das Poéticas Indígenas.</h5>
<p>Ao final deste fascinante tour à volta da blogosfera indígena brasileira, vale perguntar: Resta alguma dúvida a respeito da existência de uma literatura indígena legítima no Brasil?</p>
<p>No primeiro artigo desta série, <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/14/brasil-cultura-poesia-e-direitos-indigenas-na-blogosfera/">nós introduzimos a blogosfera indígena brasileira</a>. No próximo, vocês irão descobrir como os povos indígenas brasileiros vem usando a blogosfera para lutar por seus direitos.</p>
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		<title>Desafio do Livro Global Voices - Conheça o mundo com leitura!</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/03/27/desafio-do-livro-global-voices-conheca-o-mundo-com-leitura/</link>
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		<pubDate>Fri, 27 Mar 2009 15:48:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Maestre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O dia 23 de abril é o Dia Internacional do Livro, instituído pela UNESCO – e só por que a equipe do Global Voices adora blogar, isso não significa que esquecemos das outras formas da palavra escrita! Na verdade, como achamos que ler literatura é um jeito tão divertido de aprender sobre outras culturas, fizemos um divertido desafio para todos os colaboradores e leitores do Global Voices, e também para os blogueiros de todos os lugares.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/ayesha-saldanha/">Ayesha Saldanha</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/carlosmaestre/'>Carlos Maestre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/03/26/global-voices-book-challenge-read-your-way-around-the-world/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="single" class="entry">
<p><img class="alignnone size-full wp-image-64566" title="Global Voices Book Challenge" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/gv-book-challenge-banner-450x147.gif" alt="Global Voices Book Challenge" width="450" height="147" /></p>
<p>O dia 23 de abril é o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/World_Book_and_Copyright_Day">Dia Internacional do Livro</a> [en], instituído pela UNESCO – e só por que a equipe do Global Voices adora blogar, isso não significa que esquecemos das outras formas da palavra escrita! Na verdade, como achamos que ler literatura é um jeito tão divertido de aprender sobre outras culturas, fizemos um divertido desafio para todos os colaboradores e leitores do Global Voices, e também para os blogueiros de todos os lugares.</p>
<div class="notes"><strong>O Desafio do Livro Global Voices é como descrito a seguir:</strong></p>
<div class="translation"><strong>1) </strong>Leia durante o próximo mês um livro de de um país cuja da literatura você nunca leu  nada antes<strong>.</strong><br />
<strong>2)</strong> Escreva uma publicação para seu blog sobre ele durante a semana do dia 23 de abril.</div>
</div>
<p>Se você gostaria de saber o que deveria ler do Vietnã, da Bolívia, de Moçambique ou da Nova Zelândia, ou de qualquer outro país, apenas pergunte nos comentários abaixo! Certamente alguém deixará sugestões.</p>
<p>E se você tiver qualquer recomendação para alguma leitura obrigatória do seu país, por favor, também deixe um comentário.</p>
<p>Assim que tiver lido o livro (e escrito a publicação!), nos deixe sabendo - adoramos descobrir o quê você aprendeu em sua expedição literária.</p>
<p>Sinta-se livre para usar as imagens de acima e abaixo para espalhar a notícia do <strong>Desafio do Livro Global Voices</strong>!</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-64559" title="Global Voices Book Challenge" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/gv-book-challenge-square-75.gif" alt="Global Voices Book Challenge" width="75" height="75" /> <img class="alignnone size-full wp-image-64576" title="Global Voices Book Challenge" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/gv-book-challenge-square-263.gif" alt="Global Voices Book Challenge" width="263" height="263" /></div>
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		</item>
		<item>
		<title>Angola: Celebrando o mês da mulher angolana com poesia</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/03/17/angola-celebrando-o-mes-da-mulher-angolana-com-poesia/</link>
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		<pubDate>Tue, 17 Mar 2009 09:48:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>claraonofre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Março é um mês de celebração em dobro para as mulheres angolanas: além de ser o mês do Dia Internacional das Mulheres, o Dia da Mulher Angolana é celebrado em 2 de março em homenagem a quatro mulheres que lutaram pela independêncua de Angola. Os blogueiros celebram a data publicando poemas e homenageando aquela mulher que sofre, ama e luta de sorriso aberto e garra no olhar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/clara-onofre/">Clara Onofre</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/claraonofre/'>claraonofre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/03/17/angola-celebrating-angolan-womens-day-with-poetry/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Estamos no mês de Março. Mês de cariz feminino e <a href="http://globalvoicesonline.org/specialcoverage/international-womens-day-2009/">dedicado às mulheres deste mundo</a> [en]. Mas também dedicado à mulher angolana. Aquela que sofre, ama e luta de sorriso aberto e garra no olhar. Mês das <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/11/02/angola-zungueiras-enfrentam-vida-dura-com-dignidade-e-coragem/">mulheres zungueiras</a> que carregam a mercadoria na cabeça e os filhos às costas. Mês da mulher empresária que desbrava caminho nesta sociedade machista e implacável. Março - mulher. Da esposa <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2009/01/18/angola-aumento-da-violencia-domestica-ou-da-conscientizacao/">espancada por um marido</a> sem alma. Março. Mês dedicado a estas mulheres e a todas as outras que fazem de Angola um país mais forte e mais caloroso.</p>
<p>Celebra-se o Dia da Mulher Angolana a 2 de Março, devido à coragem de quatro mulheres que lutaram pela independência de Angola (Deolinda Rodrigues, Irene Cohen, Engrácia dos Santos e Lucrécia Paim) e que supostamente foram capturadas numa emboscada armada pela FNLA (Frente Nacional de Libertação de Angola), no norte de Angola. Foram presas e mortas, mas os nomes destas mulheres continuam presentes na memória dos angolanos.</p>
<p>Como seria de prever, os blogues angolanos não deixaram passar esta data em branco. No blogue  <em><a href="http://condedeangola.blogs.sapo.pt/2243.html">Conde de Angola</a></em> o autor faz um retrato fiel da mulher angolana e dá início à sua prosa com um bonito poema de Décio Mateus Bettencourt:</p>
<blockquote><p>“O miúdo nas costas, faminto</p>
<p>O sol queimando</p>
<p>O sol assando</p>
<p>O miúdo nas costas, faminto de alimento</p>
<p>As moscas acariciando-o</p>
<p>E o lixo distraindo-o!</p>
<p>A zungueira zunga, cansada</p>
<p>Na cabeça, o negócio e o sustento</p>
<p>E nos pés empoeirados</p>
<p>O cansaço dos quilómetros galgados</p>
<p>O cansaço da distância percorrida</p>
<p>A zungueira zunga, o miúdo nas costas faminto!”</p>
<p>Este pequeno excerto do poema de Bettencourt retrata o “espírito guerreiro” das mulheres angolanas, também conhecidas por zungueiras. Começo assim o texto desta semana, dedicado a todas as mulheres de Angola, que no passado dia 2 de Março receberam homenagem com a comemoração do Dia da Mulher Angolana… e bem que elas o merecem, são umas autênticas leoas, especialmente as mulheres do pré-guerra. Gordas, magras, altas, baixas, convencem pela conversa transformando um perfume da Avon num perfume Channel. Em média têm sete filhos cada uma, há quem diga que este fenómeno se deva ao facto de só cerca de 6% usarem métodos contraceptivos, o certo é que a programação da TPA (Televisão Pública de Angola) também não ajuda a que este número baixe e por outro lado temos o ego masculino que pode ser rejeitado socialmente senão procriar. Enfim, é tudo a ajudar.</p>
<p>Longe estão os tempos em que o ganha-pão era responsabilidade só dos homens. Agora a sobrevivência passa a ser uma questão de igualdade, mas onde a mulher carrega tudo: carrega a criança às costas, muitas vezes carrega uma às costas e outra dentro da barriga, carrega as robustas cargas para a venda do dia, carrega o sol na cabeça quando sai e retorna com ele, carrega a ingratidão do marido com os copos, carrega as lamentações das crianças, carrega, carrega, carrega…”</p></blockquote>
<p><a href="http://spindola.blogspot.com/2007/03/dia-internacional-da-mulher.html">António Spíndola</a> expôs a sua opinião sobre este dia, realçando a importância e a luta travada pelas mulheres angolanas:</p>
<blockquote><p>“Em Angola as mulheres pretendem chamar a atenção para o seu papel e a sua dignidade, bem como levar a sociedade a ter uma consciência social do valor da pessoa, a perceber o seu papel e contestar e rever preconceitos e limitações que têm sido impostos à mulher. Como mães, esposas, filhas, ou simplesmente como mulheres, elas têm lutado pela sua emancipação, combatendo o analfabetismo e os actos de violência no género e na família. Elas estão, sobretudo, firmemente inseridas no processo de reconciliação e reconstrução nacional”.</p></blockquote>
<p>E para terminarmos este texto dedicado à mulher angolana, eis um poema retirado do blogue <a href="http://patriciaguinevere.blogspot.com/2009/03/apenas-um-dia-internacional-da-mulher.html"><em>Universal</em></a>:</p>
<blockquote><p>“Aguardo sempre a infinita espera da demora<br />
Como na magia das margens do meu céu<br />
desespera um anjo</p>
<p>Nunca esquecerei o meu gesto de ternura<br />
Sempre dedicado ao meu filho<br />
no longínquo abandonado<br />
Por promessas que nunca serão cumpridas</p>
<p>Nunca esquecerei as esperas<br />
das minhas incontáveis bichas</p>
<p>Filas humanas para conseguir o essencial<br />
de todos os dias<br />
Séculos e séculos desesperados<br />
para me afirmar como mulher</p>
<p>Com dignidade de escrava<br />
habituei-me a suportar<br />
Os desprezos que sobre mim tem lançado<br />
E nesta condição humana provocada<br />
Renasce-me a negra existência<br />
e medito, reafirmo:</p>
<p>Sou negra como o sol castanho<br />
amarelecido das tardes<br />
Como o luar das noites, naturais<br />
Manchada das alvas amarelas do anual<br />
malmequer</p>
<p>Porque sou bela, como o amanhecer<br />
de todos os dias<br />
Sou negra, digna descendente<br />
da nobreza africana”</p></blockquote>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/ccarriconde/41780054/"><img class="alignnone size-full wp-image-2347" title="euridicedeangola" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/euridicedeangola.jpg" alt="euridicedeangola" width="499" height="370" /></a><br />
Foto de uma angolana chamada Eurídica, tirada pela usuária do Flickr <a href="http://www.flickr.com/photos/ccarriconde/">ccarriconde</a> publicadas no Global Voices com permissão da autora.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Marrocos: Autora Marroquina-Americana Lança Primeiro Romance</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/03/06/marrocos-autora-marroquina-americana-lanca-primeiro-romance/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/03/06/marrocos-autora-marroquina-americana-lanca-primeiro-romance/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 06 Mar 2009 02:39:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elisa Thiago</dc:creator>
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		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=2017</guid>
		<description><![CDATA[Ao longo dos últimos anos, desde que seu primeiro livro, uma coleção de contos entrelaçados entitulados <em>Hope and Other Dangerous Pursuits</em> [Esperança e Outras Atividades Perigosas], havia sido publicado, Laila Lalami surge como um dos autores mais conhecidos do Marrocos. Como poucos trabalhos de escritores marroquinos são traduzidos para o inglês, e ainda menos trabalhos de mulheres escritoras, os livros de Lalami - escritos em inglês - preenchem um vazio que existe na ligação entre a literatura marroquina e o ocidente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/jillian-york/">Jillian York</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/elisathiago/'>Elisa Thiago</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/03/04/morocco-moroccan-american-author-releases-first-novel/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Ao longo dos últimos anos, desde que seu primeiro livro, uma coleção de contos entrelaçados entitulados <em>Hope and Other Dangerous Pursuits</em> [Esperança e Outras Atividades Perigosas], havia sido publicado, Laila Lalami surge como um dos autores mais conhecidos do Marrocos. Como poucos trabalhos de escritores marroquinos são traduzidos para o inglês, e ainda menos trabalhos de mulheres escritoras, os livros de Lalami - escritos em inglês - preenchem um vazio que existe na ligação entre a literatura marroquina e o ocidente.</p>
<p>Lalami é também uma blogueira que é frequentemente citada pelo Global Voices. Numa postagem recente, <a href="http://lailalalami.com/2009/secret-son-2/">deu voz a sua empolgação</a> [En] pela publicação de seu novo livro, <em>Secret Son</em> [Filho Secreto], e compartilhou uma imagem da capa:</p>
<blockquote><p>As the publishing date for Secret Son comes closer, I find myself struggling to keep up with everything that is happening in the background: tour events, promotional trailer, advance reviews, foreign editions, and so on. Here, for instance, is the final cover for the novel, with bigger fonts and a more streamlined look:</p></blockquote>
<div class="translation">À medida que a data de lançamento do Secret Son se aproxima, faço um esforço para me manter atualizada com tudo que está acontecendo nos bastidores: viagens para divulgação, trailer promocional, resenhas pré-lançamento, edições estrangeiras, e assim por diante. Aqui está, por exemplo, a capa final para o romance, com letras maiores e uma aparência mais enxuta:</p>
<p><img src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/secretson-193x300.jpg" alt="book cover" /></div>
<p><em>the a la menthe</em>, um blogueiro americano cujo foco principal é o Marrocos, também fez menção à publicação do livro de Lalami e <a href="http://www.williamsonday.com/morocco/archives/2009/03/debut-of-laila.html">compartilhou este trailer sobre o livro: </a>[En]</p>
<p><object width="425" height="344" data="http://www.youtube.com/v/7NqUDzYKg7M&amp;rel=0&amp;color1=0xb1b1b1&amp;color2=0xcfcfcf&amp;hl=en&amp;feature=player_embedded&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/7NqUDzYKg7M&amp;rel=0&amp;color1=0xb1b1b1&amp;color2=0xcfcfcf&amp;hl=en&amp;feature=player_embedded&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object></p>
<p>O livro estará disponível no mercado norte-americano a partir de 21 de abril de 2009.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Costa Rica: criatividade através da coletividade</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/02/28/costa-rica-criatividade-atraves-da-coletividade/</link>
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		<pubDate>Sat, 28 Feb 2009 04:23:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Maestre</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Arte & Cultura]]></category>
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		<description><![CDATA[Como uma receita deliciosa, os talentos artísticos, musicais e visuais são colocados juntos como ingredientes em uma tendência criativa e funcional: coletividade. Através de Costa Rica, muitos grupos criativos e coletivos estão usando a mídia social para exibir seu trabalho e conectar entusiastas com idéias semelhantes. Estes são alguns exemplos da coletividade nos campos do cinema, da música, e das artes visuais.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/jenny-cascante/">Jenny Cascante</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/carlosmaestre/'>Carlos Maestre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/02/23/costa-rica-creativity-through-collectivity/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div class="entry">
<p style="text-align: justify;">Como numa receita deliciosa, os talentos artísticos, musicais e visuais são colocados juntos como ingredientes em uma tendência criativa e funcional: coletividade. Através de Costa Rica, muitos grupos criativos e coletivos estão usando a mídia social para exibir seu trabalho e se conectar a entusiastas com idéias semelhantes. Estes são alguns exemplos da coletividade nos campos do cinema, da música, e das artes visuais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Produções Cinematográficas<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Produções cinematográficas experimentais estão sendo exibidas constantemente por projetos de jovens e futuros cineastas. <a href="http://www.bisonteproducciones.com/">Bisonte Producciones [es]</a> compartilha muitos de seus trabalhos em seu <a href="http://www.youtube.com/user/markisbisonte">canal do YouTube</a>.  Como declara em seu site, o cultivar de uma missão se tornou importante para participantes do coletivo:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Experimentar de una manera creativa y profesional a travez de la utilización de diferentes herramientas del lenguaje audiovisual, propuestas que representen e identifiquen nuestra realidad socio cultural; y a su vez incentivar la creación de espacios para difusión, discusión y reflexión del cine en Costa Rica</p>
</blockquote>
<div class="translation" style="text-align: justify;">Experimentar de uma maneira criativa e profissional através da utilização de diferentes ferramentas da linguagem audiovisual, propostas que representem e identifiquem nossa realidade sóciocultural; e, por sua vez, incentivar a criação de espaços para a difusão, discussão e reflexão do cinema em Costa Rica.</div>
<p style="text-align: justify;">Outra comunidade que está desabrochando é <em>Chop Chop Producciones [es]</em>. Suas metas são determinadas e desenvolvidas pela participação dos membros. Como expressam em seu <a href="http://chopchop-producciones.blogspot.com/">blog</a>:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Somos un taller audiovisual, una escuela donde experimentar es un medio y se produce para aprender.</p>
</blockquote>
<div class="translation" style="text-align: justify;">Somos uma oficina audiovisual, uma escola onde experimentar é um meio e se produz para aprender.</div>
<p style="text-align: justify;">Chop Chop pode ser encontrada em seu <a href="http://www.youtube.com/user/ChopChopProducciones">canal do YouTube</a> e pode ser seguida no<a href="http://twitter.com/chop_chop"> Twitter</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fotografia e Literatura</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://colectivonomada.com/">Colectivo Nómada [es]</a> junta imagens e palavras para que uma complemente a outra. É formado por comunicadores visuais e literários que aspiram explorar a amplitude da fotografia como uma ferramenta de expressão. Uma descrição do coletivo pode ser encontrada <a href="http://colectivonomada.com/nomada">em seu site [es]</a> e contém informação sobre como os membros do coletivo vêem sua missão e seus objetivos:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">¿Qué es Nómada?</p>
<p style="text-align: justify;">Nómada es un colectivo integrado por Fotógrafos, se origina de la necesidad de crear historias que traspasaran el ámbito común de la fotografía. Desarrollando un vínculo entre la obra de autor y la fotografía con contenido social.</p>
</blockquote>
<div class="translation" style="text-align: justify;">O que é Nómada [Nômade]?</p>
<p>Nómada é um coletivo integrado por Fotógrafos, origina-se da necessidade de criar histórias que transpassem o âmbito comum da fotografia. Desenvolvendo um vínculo entre a obra do autor e a fotografia com conteúdo social.</p></div>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px; text-align: justify;"><a href="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/02/nomad3.jpg"><img class="size-full wp-image-57696" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/02/nomad3.jpg" alt="Foto por Adrián Arias e usada com permissão" width="400" height="267" /></a></p>
<p class="wp-caption-text">Foto por Adrián Arias e usada com permissão</p>
</div>
<p style="text-align: justify;">Além de <a href="http://colectivonomada.com/blog">seu blog [es]</a>, cujas narrativas descritivas curtas acompanham algumas das fotos, Nómada gerencia <a href="http://colectivonomada.com/fotoensayo">uma seção de conto fotográfico[es]</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Música e Arte</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Produções musicais eletroacústicas são o foco de <a href="http://www.oscilador.org/"><em>Oscilador [es]</em></a>, cujo objetivo é provocar reações no público. O site inclui uma <a href="http://www.oscilador.org/quienes-somos/">descrição sobre o que trata o coletivo [es]</a>:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Oscilador tiene como objetivo la integración de una comunidad electroacústica en torno a la producción electroacústica en Costa Rica. Trata de ser incluyente más que dirigir su atención a un género específico de música creada a partir de la tecnología.</p>
</blockquote>
<div class="translation" style="text-align: justify;">Oscilador tem como objetivo a integração de uma comunidade eletroacústica em torno da produção eletroacústica em Costa Rica. Trata de ser inclusiva, mais do que dirigir sua atenção a um gênero específico da música criada a partir da tecnologia.</div>
<p style="text-align: justify;">Outro coletivo musical é <em><a href="http://noisnois.com/">NoisNois [es]</a></em>, que trabalha com a união das expressões audiovisuais com outras artes criativas. Como declarado <a href="http://noisnois.com/english/">em seu site</a>, este coletivo busca a participação e a propagação das colaborações interdisciplinares. A idéia principal por trás do NoisNois, além de servir como plataforma de difusão e distribuição do trabalho artístico coletivo, é interagir com outros interessados em seu trabalho. Eles compartilham informações pelo <a href="http://twitter.com/noisnois">Twitter</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quadrinhos e Humor</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Pessoas com habilidade em desenho gráfico<em> [design gráfico, graphic design]</em>, especialmente cartunistas e artistas de quadrinhos, também participam em coletivos para compartilha interesses em comum e o seus trabalhos. Um bom exemplo disso é o <em>Colectivo de Comics [es]</em>, cujos membros buscam constantemente métodos de melhorar e de interagir com outros pelo uso da arte. Alguns de seus trabalhos podem ser vistos no <a href="http://colectivodecomics.com/">site [es]</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Os coletivos costa-riquenhos estão crescendo e encorajando todo tipo de artistas a se agruparem e a combinar seus talentos individuais em grupos completamente novos e atrativos. Trabalhando juntos em projetos, os resultados são tão interessantes quanto diversificados.</p>
</div>
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		<item>
		<title>Ucrânia: &#8220;Nacionalistas Ucranianos Russófonos&#8221;</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/02/28/ucrania-nacionalistas-ucranianos-russofonos/</link>
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		<pubDate>Sat, 28 Feb 2009 04:14:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Duende</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte & Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Eastern & Central Europe]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
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		<category><![CDATA[Ukrainian]]></category>
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		<description><![CDATA[Neste post, que gerou mais de cem comentários e que está agora listado como o 4º item mais popular no Yandex Blogs, o usuário do LiveJounal <i>alek-ya</i> explica o que é um "nacionalista ucraniano russófono".
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/neeka/">Veronica Khokhlova</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/daniel-duende/'>Daniel Duende</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/02/24/ukraine-russophone-ukrainian-nationalists/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p><a href="http://alek-ya.livejournal.com/1280824.html">Neste post</a> [Ru], que gerou mais de cem comentários e que está agora listado como o 4º item mais popular no Yandex Blogs, o usuário do LiveJounal <em>alek-ya</em> explica o que é um &#8220;nacionalista ucraniano russófono&#8221;:</p>
<blockquote><p>Hard to believe that it is possible, but such people do exist. I&#39;m one of them, I may say.</p>
<p>[…]</p>
<p>* These are the people who often spend their whole lives speaking Russian, but who think of themselves as Ukrainians and consider Ukraine their Motherland.</p>
<p>* We effortlessly switch from one language to another in conversation: we have friends in all parts of the country.</p>
<p>* When we are abroad and someone asks, “<em>Are you from Russia?</em>” we respond, “<em>No! I&#39;m from Ukraine.</em>“</p>
<p>* To another question: “<em>What is your native language</em>?” we reply: “<em>I&#39;m bilingual: Ukrainian and Russian.</em>“</p>
<p>* After watching a movie, we try hard to recall what language it was in, Russian or Ukrainian.</p>
<p>* Our keyboards have three [character set options]: Ї [UKR], Ы [RUS], S [ENG].</p>
<p>* We are happy to have our children attend Ukrainian[-language] kindergartens and schools.</p>
<p>* Aggressive attempts by some of our […] officials to impose Ukrainian language frightens us first of all because it may scare people away from Ukrainian.</p>
<p>* For us, [<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Taras_Shevchenko">Taras Shevchenko</a>], [<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Ivan_Franko">Ivan Franko</a>], [<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Les_Kurbas">Les&#39; Kurbas</a>] (the list is endless) are [as important] as [<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Mikhail_Lermontov">Mikhail Lermontov</a>], [<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Alexander_Pushkin">Aleksandr Pushkin</a>], [<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Mikhail_Bulgakov">Mikhail Bulgakov</a>].</p>
<p>[…]</p></blockquote>
<div class="translation">&#8220;É difícil acreditar que isto seja possível, mas tais pessoas existem. Eu poderia dizer que sou uma delas.</p>
<p>[&#8230;]</p>
<p>* Estas são as pessoas que passam suas vidas inteiras falando russo, mas que pensam em si mesmos como ucranianos e consideram a Ucrânia como sua terra mãe.</p>
<p>* Nós passamos de uma língua para a outra sem nenhum esforço dentro de uma conversa: nós temos amigos em todos os lugares do país.</p>
<p>* Quando estamos viajando e alguém nos pergunta, &#8220;Você é da Russia?&#8221; nós respondemos, &#8220;Não! Eu sou da Ucrânia.&#8221;</p>
<p>* Quando nos perguntam: &#8220;Qual é a sua língua nativa?&#8221; nós respondemos: &#8220;Eu sou bilíngue: falo ucraniano e russo.&#8221;</p>
<p>* Depois de assistir a um filme, nós temos que fazer um esforço para nos lembrarmos em que língua era falado, russo ou ucraniano.</p>
<p>* Nossos teclados tem três [opções de tipo de caractere]: Ї [Ucraniano], Ы [Russo], S [Inglês].</p>
<p>* Nós gostamos que nossas crianças frequentem jardins de infância e escolas falantes [da língua] ucraniana.</p>
<p>* Tentativas agressivas por parte de alguns de nossos [&#8230;] agentes governamentais para impor a língua ucraniana nos assustam, antes de mais nada, pois podem muito bem fazer com que as pessoas evitem a língua ucraniana.</p>
<p>*Para nós, [Taras Shevchenko], [Ivan Franko], [Les&#39; Kurbas] (a lista é interminável) são [tão importantes] quanto [Mikhail Lermontov], [Aleksandr Pushkin], [Mikhail Bulgakov].</p>
<p>[&#8230;]&#8221;</p></div>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Best Blogs Brasil: Campeões eleitos pelo júri, publico e hackers</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/02/01/campeoes-eleitos-por-votos-do-juri-publico-e-dos-hackers/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/02/01/campeoes-eleitos-por-votos-do-juri-publico-e-dos-hackers/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 01 Feb 2009 16:46:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiana Biondo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Arte & Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Brazil]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Entretenimento]]></category>
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		<category><![CDATA[Na Blogosfera]]></category>
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		<category><![CDATA[Software & Ferramentas]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=1548</guid>
		<description><![CDATA[Quem ganhou o prêmio do Best Blogs Brazil 2008? Especialistas e público foram às urnas e os vencedores foram anunciados no Campus Party na semana passada. A competição, que não ofereceu prêmio em dinheiro mas apenas prestígio, foi levada muito a sério pelos competidores, um deles disposto até a trapacear para ganhar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/thiana-biondo/">Thiana Biondo</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/thiana-biondo/'>Thiana Biondo</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/01/31/champion-by-judge-public-and-hackers/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="single" class="entry">
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-56184" title="3101070460_5fe615908f" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/01/3101070460_5fe615908f.jpg" alt="" /></p>
<p>Manifestando opiniões, lutando por liberdade de imprensa e tecnologia ou espalhando criatividade e qualidade em textos, sabemos que nem todos os blogs no mundo fazem isso, mas que estas qualidades se aplicam para muitos na blogoesfera brasileira. Porém, como sabermos qual blog merece uma visita? Bom, sempre temos os nossos favoritos, mas por que não aumentar suas fontes, olhando os melhores blogs de 2008?</p>
<p>Pelo segundo ano consecutivo, as votações foram abertas no site <a href="http://www.bestblogsbrazil.com/2008/">Blogs Brazil 2008</a> de dezembro do ano passado a janeiro desse ano, terminando no <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2009/01/25/brasil-uma-ronda-em-imagens-pelo-campus-party-2009/">Campus Party Brazil</a>, no dia 23. Ela foi separada em dois tipos, escolhas do júri e do público, com os finalistas divididos em 30 diferentes categorias. O júri foi formado por especialistas que estavam dando palestras e participando em discussões sobre blogs durante o Campus Party. Por outro lado, <a href="http://www.bestblogsbrazil.com/2008/node/67">mais de 30 mil pessoas participaram da votação pública</a> [pt]:</p>
<blockquote><p>“Acabou a votação aberta ao público. Foram mais de 78 mil votos, dados por 34 mil pessoas que se inscreveram para participar e contribuir com o Best Blogs Brazil.”</p></blockquote>
<p><a href="http://marcelotas.blog.uol.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-56203" title="tas" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/01/taz2.tiff" alt="" width="460" height="256" /></a></p>
<p>Nem sempre o mesmo blog foi escolhido por ambos júri e público. Segundo o painel de especialistas, o melhor blog de 2008 foi o <a href="http://marcelotas.blog.uol.com.br/"><em>Blog do Tas</em></a>, enquanto na opinião do público <a href="http://www.brogui.com/"><em>Brogui</em></a> mereceu o top prêmio. Com mais de mil leitores registrados e quase 4 mil atualizações, Brogui foi um bravo adversário para levar a melhor sobre <em>Blog do Taz</em>, escrito pelo famoso e bem-sucedido jornalista, Marcelo Tas. Sendo quase tão informativo quanto Blog do Tas, <em>Brogui</em> é mais divertido, tem um design melhor e também supera Tas em interatividade com outros blogs. <em>Brogui</em> venceu com 1,621 votos contra 1,515 conquistados pelo terceiro colocado <em>Blog do Tas</em>.</p>
<p><a href="http://www.brogui.com/"><img class="aligncenter size-full wp-image-56204" title="brogui2" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/01/brogui2.tiff" alt="" width="435" height="287" /></a></p>
<p>Como na disputa da categoria principal, os votos do público e do júri divergiram na categoria de blogs de esportes. <a href="http://blogdojuca.blog.uol.com.br/"><em>Blog do Juca</em></a>, por Juca Kfouri, um dos melhores jornalistas de esportes do Brasil, foi premiado com o primeiro lugar pelos jurados, mas mereceu apenas o quarto lugar de acordo com a opinião do público. O blog recebeu apenas 360 votos contra 1,467 registrados para <a href="http://www.3vv.com.br/3vv/default.aspx"><em>Terceira Via Verdao</em></a>, um blog claramente relacionado com o clube brasileiro de futebol, Palmeiras. O conteúdo dele, portanto, deve ser mais interessante para os fãs do próprio clube.</p>
<p>Mudando para os melhores blogs de arte e cultura, o foco de <a href="http://livroseafins.com/"><em>Livros &amp; Afins</em></a> sobre um único segmento especifico da cultura, livros, foi suficiente para ele ser o vencedor popular, ao mesmo tempo em que <a href="http://www.amalgama.blog.br/"><em>Amalgama</em></a>, quinto lugar pelo voto público, levou o troféu dos especialistas para casa. Feito por acadêmicos e pessoas que não apenas amam a arte, mas entendem sobre o assunto, o blog é aberto para qualquer um que gostaria de anotar algumas idéias sobre cinema, literatura e música.</p>
<p>Apenas em seis categorias os mesmos blogs foram escolhidos como melhores pelo público e júri, em unanimidade: o prêmio de Ciências foi para um blog sobre Biologia, <a href="http://lablogatorios.com.br/brontossauros/"><em>Brontossauros em meu jardim</em></a>; já <a href="http://dinheirama.com/"><em>Dinheirama</em></a> ganhou na área de Negócios e Finanças; os planos de casamento da blogueira do <em><a href="http://planejandomeucasamento.com.br/">Planejando meu Casamento</a></em> venceu como melhor blog de Vida Cotidiana; e o prêmio de Propaganda e Comunicação  foi para <em><a href="http://www.brainstorm9.com.br/">Brainstorm #9</a></em>, um blog para quem quer saber sobe mídia; como melhor Design, o prêmio foi para <a href="http://www.sedentario.org/"><em>Sedentario e Hiperativo</em></a> e fechando lista, <a href="http://kibeloco.com.br/kibeloco/"><em>Kibe Loco</em></a> foi escolhido como o melhor na categoria Humor.</p>
<p><a href="http://lablogatorios.com.br/brontossauros/"><img class="aligncenter size-full wp-image-56201" title="brotossauros2" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/01/brotossauros2.jpg" alt="" /></a></p>
<p><strong>Ser ou não ser justo  - Eis a questão </strong></p>
<p>Os blogs foram indicados por qualquer pessoa que tivesse um e-mail válido e concordasse em se inscrever no site. No entanto, como a internet não e um lugar livre de trapaça, os organizadores ficaram enlouquecidos por blogs que quiseram vencer a qualquer custo, <a href="http://bestblogsbrazil.com/2008/node/64">mesmo tirando vantagem desleal</a>. No penúltimo dia da votação, os organizadores postaram o seguinte:</p>
<blockquote><p>“Longe de ser um mar de tranquilidade, o Best Blogs Brazil foi como um tsunami nos últimos dias. Decisões foram tomadas, sempre em busca de ter uma eleição justa, imparcial e verdadeira, para sabermos quais são, de fato, os maiores blogs do Brasil.</p>
<p>Um fato intrigou muitos durante este tempo: como um blog anoitecia com x votos e quando era no outro dia de repente aparecia com centenas? Alguma coisa estranha existia, mas como provar? Não havia ainda uma resposta. (…)</p>
<p>Enfim, consegui finalmente descobrir como isso aconteceu. Simplesmente eram criadas várias contas de email para que o blog ganhasse votos. E descobri o IP desses votos.</p></blockquote>
<p>A discussão foi aberta a todos da comunidade formada em torno da eleição, e organizadores e publico chegaram a uma <a href="http://bestblogsbrazil.com/2008/node/64"> decisão</a> juntos:</p>
<blockquote><p>“Decisão tomada. A votação permanece como está. Avaliando todos os comentários abaixo, vemos o quão é difícil analisar a situação. Mas se a grande parte concorda que se as regras não previam isso e se a tecnologia permite que isso aconteça, então os votos são validados. Porém, algo tinha que ser feito. Alguns IPs que enviaram uma quantidade absurda de votos, foram bloqueados. Que vença o melhor”.</p></blockquote>
<p><a href="http://www.sedentario.org/"><img class="aligncenter size-full wp-image-56202" title="sedentario2" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/01/sedentario2.tiff" alt="" width="442" height="287" /></a></p>
<p>Para ver a lista completa e saber mais sobre os outros vencedores, visite <a href="http://www.bestblogsbrazil.com/2008/">Best Blogs Brazil 2008</a>. Para ver fotos da cerimônia de premiação, <a href="http://www.flickr.com/photos/boombust/sets/72157612933478795/">veja arquivos de fotos de Wagner Fontoura no Flickr</a>. Como ate agora não há notícias sobre a edição do próximo ano, ficamos na expectativa que aconteça novamente e que dessa vez os trapaceiros sejam, de uma forma ou de outra, completamente derrotados.</p>
</div>
]]></content:encoded>
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		<title>Brasil: Real competição entre e-books e livros de papel?</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/01/24/brasil-real-competicao-entre-e-books-e-livros-de-papel/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/01/24/brasil-real-competicao-entre-e-books-e-livros-de-papel/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 24 Jan 2009 19:29:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Deborah Goldemberg</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A blogosfera brasileira está cheia de literatura, disponível em sites e blogues coletivos, blogues pessoais de autores e iniciativas governamentais. O autor brasileiro mais vendido no mundo, Paulo Coelho, está certo ao dizer que a distribuição de e-books na verdade fortalece as vendas de livros convencionais - pelo menos em tempos em que o leitor ainda prefere a leitura no papel.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/deborah-goldemberg/">Deborah Icamiaba</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/deborah-icamiaba/'>Deborah Goldemberg</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/01/24/brazil-a-true-competition-between-e-books-and-paper-books/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Há um grande debate sobre se a ascensão do livro digital, o e-book, significará o fim do livro de papel. Os entusiastas da nova tecnologia (e os defensores das árvores) defendem a substituição de um pelo outro, enquanto os mais nostálgicos argumentam que o livro é a invenção perfeita, pois em qualquer lugar, em meio a um blecaute ou em alto mar, o livro pode ser lido. Mas será que há mesmo uma competição entre esses dois suportes de letras?</p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-1533" title="paulocoelho" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/01/paulocoelho.jpg" alt="Paulo Coelho\'s books – Free download" width="201" height="359" />O escritor brasileiro que mais vende livros de papel no mundo, Paulo Coelho, é um <a href="http://piratecoelho.wordpress.com/2008/10/17/coelho-gives-3-free-books-in-his-blog/">grande defensor do livro digital</a> [en]. Segundo ele, a distribuição gratuita de livros digitais ajuda o escritor a vender livros, pois o leitor começa a ler o texto no computador e logo que engata na história resolve comprá-lo, preferindo ainda a leitura em papel. Gostem ou não dele, o fato é que dicas de venda de Paulo Coelho devem ser seriamente ouvidas!</p>
<p>Além dos títulos disponíveis no <a href="http://www.paulocoelho.com/">site oficial do escritor</a>, aonde há títulos seus disponíveis em oito idiomas, há também o <a href="http://piratecoelho.wordpress.com/">blog alternativo</a> [en] que surpreende, pois ali encontra-se títulos do escritor até em idiomas onde ainda não existe uma tradução oficial, como em <a href="http://piratecoelho.wordpress.com/2008/04/24/by-the-river-piedra-i-sat-down-and-wept-in-serbian/">sérvio</a> [en]! O blogueiro Pirate Coelho <a href="http://piratecoelho.wordpress.com/about/">se justifica</a> [en]:</p>
<blockquote><p>“There is nothing wrong with that, if you can catch what I mean. I just googled his books and show you here what you can find about him. Plus, he likes what I’m doing. If you don’t believe me, just check yourself —&gt; <a href="http://www.paulocoelho.com/engl/dow.shtml" target="_blank">Look at his free download page with my old link!</a>”</p></blockquote>
<div class="translation">“Não há nada de errado com isso, se é que você me entende. Eu apenas dou uma googlada nos livros dele e mostro aqui onde você pode buscar mais informações sobre ele. Além de que, ele gosta do que estou fazendo. Se não acredita em mim, veja com seus próprios olhos —&gt; <a href="http://www.paulocoelho.com/engl/dow.shtml" target="_blank">Veja a página de download gratuito dele com meu antigo link!</a>” [en]</div>
<p>Será que a distribuição gratuita de livros digitais, ou trechos deles, funciona da mesma forma para outros escritores brasileiros? Haveria para eles alguma competição entre o livro digital e o livro de papel? Mergulhando no universo do livro digital brasileiro, o que percebe-se é que muitos escritores estão disponibilizando suas obras na internet como meio disseminar seu trabalho. Há sites e blogs criados somente com este objetivo.</p>
<p>O <a href="http://www.overmundo.com.br/">Overmundo</a> é um sítio colaborativo criado para difundir a produção cultural brasileira que não recebe a cobertura devida da grande mídia. Além de manter um banco de cultura que abriga as obras diversas, inclusive e-books, o Overmundo utiliza-se do recurso do <a href="http://www.overmundo.com.br/overblog/">Overblog</a>, que é um blog de discussão sobre a nova produção cultural exposta no sítio.</p>
<p>A poeta gaúcha Me Morte foi uma das que disponibilizou seu livro digital de poesias <a href="http://www.overmundo.com.br/banco/poemetos-1">Poemetos no Overblog</a> e obteve grande número de visitas. Um de seus fãs, chamado Dan Lima, deixou o seguinte comentário:</p>
<blockquote><p>“Me,<br />
Baixei seu livro e li vários dos seus delírios (você se diz gótica, mas aseus textos absolutamente contemporâneos). Uma linguagem moderna., abusada, mulher se afirmando, vociferando, poemas de fino trato&#8230;. vou lê-los depois com calma &#8220;meu gozo é literário, libertário&#8221;, É isso que seus poemas aprovocam: gozo e fruição dos sentidos e das palavras&#8230;e muito bonito, esteticamente. Parabéns!”</p></blockquote>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-55829" title="cronopios2" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/01/cronopios2.jpg" alt="" /></p>
<p>Outra iniciativa de disseminação coletiva é o <a href="http://www.cronopios.com.br/">Portal de Literatura e Arte Cronópios.</a> O Portal, que é misto de livraria e espaço cultural, disponibiliza textos digitais online e usa e abusa do recurso do blogue, pois cada texto disponível online ganha um e-blogue que passa a ser mantido e moderado pelo próprio autor. Apesar dos e-blogues não terem muitos comentários, ao que parece há mais escritores dispostos a publicar gratuitamente online do que leitores dispostos a lerem online, o e-blogue criado a partir do texto <a href=" http://www.cronopios.com.br/blogdotexto/blog.asp?id=3715">Brasiliada de Nicolas Behr</a> gera reações dos leitores:</p>
<blockquote><p>“Berh jotakalizou braxília com sua letra lâmina afiada em esmeril de algodão. Com certeza, JK construiu Bras´pilia e os candangos ficaram olhando&#8230;”</p></blockquote>
<p>Além dessas iniciativas coletivas, há muitos escritores blogueiros que independentemente disponibilizam seus textos ou trechos deles online para seus leitores. Alguns poetas brasileiros de renome estão fazendo isso, como o poeta <a href="http://fredbar.sites.uol.com.br/">Frederico Barbosa</a>. Ele disponibiliza livros inteiros seus online, inclusive traduzidos para diversas línguas, assim como instala no blog links para a compra das versões impressas. Com carreira consolidada, ele parece não ver contradição entre a publicação digital e em papel, seu interesse principal parecendo ser que sua poesia chegue ao leitor, da forma que ele preferir.</p>
<p>Cláudio Daniel, também poeta de renome, ao anunciar o lançamento da segunda edição seu livro de poesia Yumê, disponibiliza <a href="http://cantarapeledelontra.blogspot.com/2009/01/lanamento-de-yum.html">online poemas</a> como chamariz:</p>
<blockquote><p>“Caros, no dia 25 de janeiro, domingo, a partir das 16h, na Casa das Rosas, acontecerá o lançamento da segunda edição de meu livro Yumê (&#8230;) Quem estiver vivo até lá, apareça&#8230; confiram abaixo um dos poemas de Yumê.</p>
<p>O UM IGUAL A ZERO</p>
<p>em<br />
londres<br />
(no metrô) — primícias<br />
de agosto —<br />
(alguém) lendo Schopenhauer<br />
uma moça com cabelos verdes<br />
e os bicos (dos seios) cor-de-rosa<br />
o (azul-prata-seda)<br />
luxuosíssimo traje marroquino<br />
e a lâmina — argêntea —<br />
do assassino”</p></blockquote>
<p>Mesmo para escritores iniciantes como Deborah Icamiaba (euzinha!), disponibilizar textos em meio digital tem feito sentido. Em seu <a href="http://ressurgenciaicamiaba.blogspot.com/">blog literário</a>, aonde ela posta regularmente seus contos, crônicas e poesias, há quatro títulos longos disponíveis como e-book em PDF: o livro de contos Dentro de Nós, as novellas Ressurgência Icamiaba e Alquimia do Centro-Oeste e o livro de poesia Pré-proezia [algo de poesia, prosa e proeza. Cada um deles teve seu próprio e-lançamento e, após isso, foram expostos numa “estante virtual” ao lado direito do blog com a seguinte mensagem:</p>
<blockquote><p>“Para obter este ou qualquer e-livro em PDF, deixe um post no blog.”</p></blockquote>
<p><img class="alignright size-full wp-image-55833" title="img_1408c" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/01/img_1408c.jpg" alt="" />Apesar de seu blog receber centenas de visitas por mês, não são muitos os visitantes que pedem os livros digitais disponibilizados para Deborah Icamiaba. O lançamento de maior sucesso foi o do <a href="http://ressurgenciaicamiaba.blogspot.com/2008/09/lanamento-livro-de-contos.html">Livro de Contos: Dentro de Nós</a>, no qual ela recebeu 13 posts com pedidos. Isso nos leva a crer que leitores de blog nem sempre interessam-se por uma literatura mais longa e densa.</p>
<p>Disponibilizar os textos online não atrapalhou Deborah na hora de publicar em papel seus livros. No final de 2008, duas editoras interessaram-se por publicar em papel os seus livros já disponíveis em meio digital.</p>
<p>Por último, vale mencionar que o Governo Brasileiro criou em 2004 um sítio aonde disponibiliza e-books de todos <a href="http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.jsp">os grandes autores clássicos da língua portuguesa</a>, como Machado de Assis e Fernando Pessoa, que são amplamente vendidos nas bancas de jornais brasileiras, em edições populares de papel.</p>
<p>Os escritores brasileiros, editoras e governo estão apostando fortemente na disseminação de seus textos literários pela internet, vendo que há mais complementaridade do que competição entre os meios digital e papel - ao menos nesses tempos em que o leitor ainda prefere a leitura em livros de papel.</p>
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		<title>Índia: Poetas e Terror em Mumbai</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/07/india-poetas-e-terror-em-mumbai/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/07/india-poetas-e-terror-em-mumbai/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 07 Dec 2008 14:43:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elisa Thiago</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte & Cultura]]></category>
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		<description><![CDATA[Nada expressa melhor o coração do que um poema. Às vezes a composição complexa de um poema simplifica as questões complexas da vida, às vezes, ajuda você a compreender o seu entorno. Os poetas da Índia estão entristecidos pelos terríveis ataques que ocorreram recentemente em Mumbai. Você descobrirá que eles fazem perguntas em seus poemas e às vezes eles até as respondem para nós. Aqui estão alguns poucos fragmentos de suas manifestações.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/javits-rajendran/">Javits Rajendran</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/elisathiago/'>Elisa Thiago</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/12/01/india-poets-on-mumbai-terror/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Este <em>post</em> faz parte de uma <a href="http://globalvoicesonline.org/specialcoverage/mumbai-india-blasts-2008/">cobertura especial do Global Voices</a> [En] sobre os terríveis ataques em Mumbai, Índia, de 26 de novembro de 2008.</p>
<p>Nada expressa melhor o coração do que um poema. Às vezes a composição complexa de um poema simplifica as questões complexas da vida, às vezes, ajuda você a compreender o seu entorno. Os poetas da Índia estão entristecidos pelos terríveis ataques que ocorreram recentemente em Mumbai. Você descobrirá que eles fazem perguntas em seus poemas e às vezes eles até as respondem para nós. Aqui estão alguns poucos fragmentos de suas manifestações.</p>
<p><img src="http://farm1.static.flickr.com/22/30317275_553dce02b6.jpg?v=0" alt="flying pidgeons over bycicle and people on square in Mumbai" /></p>
<p>Glory: Imagem feita por usuário da Flickr, <a href="http://flickr.com/photos/50mm/">50mm</a>, usada sob uma  <a href="http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/deed.en">Creative Commons License</a> [En]</p>
<p>Uma menina de 12 anos, de Bangalore, atiça sua imaginação. Logo após a divulgação das notícias trágicas sobre a morte dos reféns de Nariman House, <em>Lavanya</em> trancou-se em seu quarto por cerca de 15 minutos e mais tarde entregou a seu pai Anand Krishna um poema intitulado <a href="http://anandkrishna.wordpress.com/2008/11/29/my-12-year-olds-reaction-to-the-terror-attack-in-mumbai/">‘The city that never slept, slept’</a> [En] [A cidade que nunca dormia, dormiu, em Inglês].</p>
<blockquote><p>[…]More lives are lost,<br />
More battles fought.<br />
The war was raging on,<br />
The guns just fire everywhere,<br />
Victory goes to no one.<br />
The terrorists may be killed,<br />
But the void of the lost loved one is never filled.<br />
The roads are empty, there is no sound.<br />
Mumbai, the city that never slept,<br />
Slept long, deep and sound.[.]</p></blockquote>
<div class="translation">[&#8230;]Mais vidas perdidas,<br />
Mais batalhas findas.<br />
A guerra continuava raivosa,<br />
Os rifles abrindo fogo para todos os lados,<br />
A vitória a ninguém pertence.<br />
Os terroristas podem vir a ser mortos,<br />
Mas o vazio deixado pelo amado que se foi nunca será preenchido.<br />
As estradas estão vazias, não há qualquer som.<br />
Mumbai, a cidade que nunca dormia,<br />
Dormiu longa, profunda e solidamente.</div>
<p><em>Vivek Sharma</em> em <em>Desicritics</em> fez uso de metáforas retiradas de épicos Indianos para descrever o terror de Mumbai em seu poema, <a href="http://desicritics.org/2008/11/28/083224.php">“Mumbai burns”</a> [En] [Mumbai arde em fogo, em Inglês]:</p>
<blockquote><p>[.]Did you see the sobbing reporter describe how the Taj of Mumbai burns?<br />
How many will Asuras (devils) cause to die before O Vishnu as avataar returns?</p>
<p>The fanatic bullet hunts gazelles everywhere that nostalgia mourns.<br />
Where is the machine crafted that chokes our unfinished yearns? […]</p></blockquote>
<div class="translation">[.]Você viu o repórter em prantos descrever como arde em fogo o Taj de Mumbai?<br />
A quantos os Asuras (demônios) levarão à morte antes que Vishnu, como avatar, retorne?</p>
<p>A munição fanática caça as gazelas por toda parte onde a nostalgia guarda o luto.<br />
Onde se fabrica a máquina que afoga nossas saudades inacabadas? [&#8230;]</p>
</div>
<p><em>Teal</em> intitula seu poema <a href="http://tealspace.wordpress.com/2008/11/30/a-battle-without-a-cause/">‘Battle without a cause’</a> [En] [Batalha sem uma causa, em Inglês] em <em>~ Spero ergo sum ~</em>. Tudo que ela deseja, no final das contas, é a paz. Mas suas indagações, sem fim, são nebulosas:</p>
<blockquote><p>[…]Has the power at center gone completely callous</p>
<p>focused on nothing, but creating chaos, raucous?</p>
<p>How many more to die, how many more to lose</p>
<p>Until they get the backbone to act, and set loose</p>
<p>The act of retribution, against these evil minions</p>
<p>Who, despite education and well bringing, act heinous</p>
<p>How dare you take away something that god has given?</p>
<p>How can you walk on, like nothing ever happened?[…]</p></blockquote>
<div class="translation">[&#8230;]Tornou-se, o poder no centro, tão completamente insensível<br />
focado em nada, mas criando caos, áspero?<br />
Quantos mais a morrer, quantos mais a perder<br />
Até que consigam que a espinha dorsal entre em ação e ponha em liberdade<br />
O ato de retribuição, contra esses serviçais diabólicos<br />
Que, apesar da educação e da boa criação, agem de forma atroz<br />
Como você se atreve a levar embora algo que foi dado por deus?<br />
Como pode continuar a caminhada como se nada houvesse acontecido? [&#8230;]</div>
<p><em>Sandhya Ramachandran</em> não consegue mais sorrir em paz. Não consegue encontrar um lugar onde possa ir e se esconder do terror em seu poema, <a href="http://dryadsongs.blogspot.com/2008/11/why-can-we-smile-in-peace.html">“Why can’t I smile in peace?”</a> [En] [Por que não posso sorrir em paz?, em Inglês]</p>
<blockquote><p>[…]I seem to have no streets<br />
to run and play and fall!<br />
There is no place to cycle<br />
no place to hide and crawl</p>
<p>I am a little kid of seven<br />
with her book and toys and doll<br />
Why can&#39;t I smile in peace<br />
It is my world too, after all![.]</p></blockquote>
<div class="translation">[&#8230;] Parece não haver ruas para mim<br />
onde possa correr e brincar e cair!<br />
Não há lugar onde andar de bicicleta<br />
nenhum lugar onde possa me esconder e engatinhar</p>
<p>Sou uma criança pequena de sete anos<br />
com seu livro e brinquedos e boneca<br />
Por que não posso sorrir em paz<br />
É meu mundo também, afinal de contas! [.]</p>
</div>
<p><em>Ashq</em>, um engenheiro de 28 anos de idade de Rajasthan deseja saber quando tudo isto irá terminar. Ele intitula seu poema em Hindi, <a href="http://ashq.wordpress.com/2008/11/27/aakhir-kab-tak/">“Aakhir kab tak?”</a> [H &amp; En](Untill when?) [Até quando?, em Inglês].</p>
<blockquote><p>ये सपने नहीं जानते ,<br />
किसी हिन्दू को न मुस्लमान को ,<br />
न ये जानतें है हिंदुस्तान को , न पाकिस्तान को ,<br />
फिर क्यों उन्हें ही चुकाना पड़ता है हर बार इस क़र्ज़ को ,<br />
क्यों भूल जाते है वो ‘कायर’ मानवता के अपने फ़र्ज़ को ,<br />
क्यों आतंक को हमेशा जेहाद कहा जाता है ,<br />
क्यों धरम को इस तरह नंगा नचाया जाता है I</p></blockquote>
<blockquote><p>They don’t care about dreams<br />
If you are Hindu or Muslim<br />
Nor do they care<br />
If India or Pakistan<br />
Why then do they always pay the debt?<br />
Why do those cowards (terrorists) forget their duty towards humanity?<br />
And name terror as jihad<br />
(Where) Karma is made to dance naked</p></blockquote>
<div class="translation">Eles não ligam para sonhos<br />
Se você é Hindu ou Muçulmano<br />
Nem se importam<br />
Se é Índia ou Paquistão<br />
Por que então são sempre eles que pagam as contas?<br />
Por que aqueles covardes (terroristas) se esquecem de seus deveres para com a humanidade?<br />
E nomeiam o terror como guerra santa (jihad)<br />
(Onde) Karma é posta a dançar nua</div>
<p><em>Shreya Tiwari</em> de Mumbai convida todos os Indianos a se unir e dar as mãos contra o terror em seu <a href="http://shreya78.rediffiland.com/blogs/2008/11/27/Mumbai-Blasts.html">Untitled Hindi poem</a> [H &amp; En] [poema em Hindi, Sem Título, em Inglês].</p>
<blockquote><p>आगे आओ मिलकर हाथ मिलायेंगे ,<br />
भारत को फिर से आजाद कराएँगे ।<br />
समझो बस इस  धरती को अपनी माता ,<br />
समझो सबको अपना ही भाई - भ्राता ।<br />
नही ज़रूरत मुझको तख्तो  ताजों की ,<br />
नही ज़रूरत स्वागत की और बाजों की ।<br />
मुझे ज़रूरत सबकी देश सुरक्षा  में ,<br />
मै मांगू बलिदान देश की रक्षा में ।<br />
बोलो क्या मै ऐसे ही चिल्लाऊंगा  ,<br />
दो ज़बाब क्या ऐसे ही मै गाऊंगा ।<br />
इंतज़ार है मुझको देश के पुत्तर का  ,<br />
इंतज़ार है मुझको सबके उत्तर का ।</p></blockquote>
<blockquote><p>Come ahead and we’ll join our hands.<br />
Try to free our country from terror<br />
This land is our mother<br />
And every Indian is our brother<br />
I don’t need any crowns neither do I want to rule<br />
I don’t need you to welcome me<br />
We need to unite to protect this country<br />
I need your blood for this nation<br />
Tell me would I remain screaming?<br />
Tell me would I remain sing like this?<br />
I am waiting for this country’s child<br />
And I am waiting for your replies.</p></blockquote>
<div class="translation">Dê um passo à frente e daremos nossas mãos.<br />
Tentar libertar nosso país do terror<br />
Esta terra é nossa mãe<br />
E todo Indiano é nosso irmão<br />
Não preciso de quaisquer coroas e nem quero eu governar<br />
Não preciso que você me dê as boas vindas<br />
Precisamos nos unir para proteger este país<br />
Preciso de seu sangue para esta nação<br />
Diga-me, ficaria aqui gritando?<br />
Diga-me, ficaria aqui cantando assim?<br />
Estou esperando pela criança deste país<br />
E estou esperando por suas respostas.</div>
<p>Se você deseja partilhar um poema favor adicioná-lo na seção dos comentários.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Conversando com a blogueira literária guianense Charmaine Valere</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/11/04/conversando-com-a-blogueira-literaria-guianense-charmaine-valere/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/11/04/conversando-com-a-blogueira-literaria-guianense-charmaine-valere/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 04 Nov 2008 19:19:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>dominguezvaleska</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Arte & Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Diáspora]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Guyana]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

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		<description><![CDATA[A guianense Charmaine Valere vive nos Estados Unidos há mais de vinte anos, mas permanece profundamente envolvida com sua terra natal e os debates culturais do país através do seu blogue, Signifyin' Guyana.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/nicholas-laughlin/">Nicholas Laughlin</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/dominguezvaleska/'>dominguezvaleska</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/10/24/talking-to-guyanese-litblogger-charmaine-valere/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p><img class="alignnone size-full wp-image-51769" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/10/charmaine-valere.jpg" alt="Guyanese litblogger Charmaine Valere" /></p>
<p><em><span style="x-small;">A blogueira literária Charmaine Valere, do Signifyin&#39; Guyana. - Foto da </span></em><em><span style="x-small;">blogueira, usada com permissão.</span></em></p>
<p>C.D. Valere – Charmaine, para os amigos - nasceu na <a href="http://globalvoicesonline.org/-/world/americas/guyana/">Guiana </a>e mora nos Estados Unidos há 22 anos. Hoje vive em Nova Jersey e ensina literatura no <a href="http://www.bloomfield.edu/">Bloomfield College</a>. Em novembro de 1997, lançou o seu blogue <a href="http://signifyinguyana.typepad.com/signifyin_guyana/"><em>Signifyin&#39; Guyana</em> </a>- &#8220;dedicado às palavras e opiniões dos escritores guianenses&#8221;. Neste último ano, <a href="http://signifyinguyana.typepad.com/signifyin_guyana/"><em>Signifyin’ Guyana</em> </a>tem se tornado um dos blogues literários mais substanciais do Caribe, apresentando posts com comentários da própria Charmaine sobre livros guianenses e caribenhos em geral, além de cobrir ocasionalmente aspectos da atualidade do país e ligar-se a discussões literárias em outros pontos da blogosfera caribenha. Recentemente, entrevistei Charmaine por e-mail. A seguir, uma versão editada da nossa conversa.</p>
<p><strong>Nicholas Laughlin</strong>: A primeira questão é óbvia: por que você começou a blogar? Qual era o seu objetivo inicial?</p>
<p><strong>Charmaine Valere</strong>: Tudo começou (falando sério!) com uma grande, grande saudade de casa. Simples assim. Ano passado cheguei à idade de (resmungos ininteligíveis&#8230;), e simplesmente quis retornar à Guiana. Então fui, e descobri que não havia a menor possibilidade - nem de longe! - de voltar a viver lá (risadas). Em muitos aspectos, me senti uma estranha. Quando retornei aos Estados Unidos (ainda mais triste do que estava quando saí), decidi ler escritores guianenses para preencher uma parte do vazio que sentia. Mas fiquei desapontada com a escassez e a irregularidade das informações disponíveis online sobre eles e suas obras.</p>
<p>Então tive essa idéia louca de começar uma espécie de missão solitária, e escrever a respeito de todos os escritores e livros guianenses que caíssem nas minhas mãos. E a idéia do blogue nasceu, apesar de na época eu estar pensando numa newsletter, ou algo do gênero.</p>
<p><strong>NL</strong>: Quais eram os blogues caribenhos que você lia regularmente antes de começar o Signifyin&#39; Guyana? Eles influenciaram sua decisão de se tornar uma blogueira?</p>
<p><strong>CV</strong>: Eu nem sabia o que era um blogue até dois ou três anos atrás, quando comecei a buscar informações atualizadas online sobre <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Guyanese_general_election,_2006">os resultados das últimas eleições presidenciais na Guiana</a>. Cada busca que eu fazia me mostrava alguns blogues guianenses, e não consegui mais parar de ler, especialmente aqueles que eram atualizados com regularidade. Fiquei impressionada com o conceito de um espaço de baixa manutenção, onde eu poderia escrever regularmente. Mas foram blogues como o <a href="http://antilles.blogspot.com/">seu </a>e o de <a href="http://sapodilla.blogspot.com/">Guyana Gyal </a>que acabaram me convencendo a iniciar o meu.</p>
<p><strong>NL</strong>: Offline, você é professora de literatura e erudita. Você é também uma escritora que cria?</p>
<p><strong>CV</strong>: Cuidado com essa facilidade de aplicar o termo &#8220;erudito&#8221; por aí, meu amigo (risadas).</p>
<p>Não, não sou uma criadora da escrita (grande risada). No entanto, se você observar os meus posts com atenção, verá traços de uma candidata à criadora. Mas o mundo da criação está a salvo, por enquanto. Não tenho nada em andamento.</p>
<p><strong>NL</strong>: Você acha que os escritores caribenhos (e outros profissionais da criação) estão aproveitando suficientemente as ferramentas online, como os blogues? Que aspectos da vida e da cultura caribenhas gostaria de ver mais bem representados na Rede Mundial de Computadores? Que escritores gostaria de ver blogando?</p>
<p><strong>CV</strong>: Há muitos escritores caribenhos que não têm presença na Rede, e ponto! Acho isso chocante na era em que estamos, quando tanta gente utiliza a Rede como primeiro recurso para obter a maioria das informações que deseja. É inacreditável que eles queiram um público leitor, quando nem mesmo colocam na Rede seu perfil como escritores.  Blogar, então, nem se fala.</p>
<p>Eu gostaria de ver TODOS os aspectos da vida e da cultura caribenhas mais bem representados na Rede. Atualmente, as melhores informações que você consegue sobre o Caribe (e com certeza você já sabe disso) são sobre as férias na região. Sem medo de estar repetindo <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Derek_Walcott">Derek Walcott</a>, parece que é só para isso que o Caribe serve.</p>
<p>E você deveria ver a expressão de desconfiança no rosto de alguns dos meus colegas quando lhes digo que estou usando três livros de autores caribenhos no meu curso, mas que nenhum deles é de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Puerto_Rico_literature">Porto Rico</a>, ou da <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Literature_of_the_Dominican_Republic">República Dominicana</a>, ou <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Edwidge_danticat">Danticat</a>. É claro que adoro a literatura do Caribe de língua espanhola, e Danticat é uma das minhas escritoras favoritas. Mas estou um pouco cansada do monopólio que eles recebem quando se trata da literatura caribenha.</p>
<p>Na verdade, não consigo dizer que escritores gostaria de ver blogando, mas sem dúvida gostaria de ver um maior número deles interagindo com seus leitores na Rede.</p>
<p><strong>NL</strong>: O que aconteceu de mais inesperado com o desenvolvimento do seu trabalho em Signifyin&#39; Guyana?</p>
<p><strong>CV</strong>: A rapidez com que esse trabalho foi percebido. E a rapidez com que pude entrar em contato com os escritores que procurei alcançar, inicialmente. Aliás, eu já parei de fazer isso, mas eles ainda conseguem me encontrar. Esses escritores podem não ter muita presença na internet, mas certamente usam com regularidade os mecanismos de busca para achar informações sobre si mesmos. E isso me faz questionar, novamente, por que não há mais desses autores com uma presença ativa na Rede.</p>
<p><strong>NL</strong>: <a href="http://signifyinguyana.typepad.com/signifyin_guyana/2007/11/wat-de-ass-does.html">Num de seus posts iniciais</a>, você explicou a um leitor o que &#8220;signifyin&#8221; queria dizer. Poderia repetir essa informação para os leitores de GV?</p>
<p><strong>CV</strong>: &#8220;Signifyin&#39;&#8221; descreve a minha meta de dar visibilidade aos escritores guianenses, assim como um espaço significativo e de qualidade na Rede. O termo (<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Signifying">um empréstimo que tomei da gíria dos negros americanos</a>) também descreve o método que uso para lhes dar esse espaço, o que muitas vezes consiste em interpretar suas palavras e sugerir (em alguns casos) novas formas de compreender sua obra (além das críticas/interpretações que já existem sobre ela).</p>
<p><strong>NL</strong>: A blogosfera guianense é conhecida pelas trocas de palavras duras, sem reservas - o que algumas vezes parece desnecessário para as pessoas que não fazem parte dela. Na sua opinião, por que isso acontece? Você já foi alvo de críticas que considerou impróprias?</p>
<p><strong>CV</strong>: Os blogueiros guianenses que conheci (assim como alguns dos seus amigos que comentam nos blogues) são um grupo de pessoas inteligentes, de temperamento apaixonado, na maioria rapazes que não agüentam mais a corrupção na Guiana, e sua raiva e frustração encontram nos blogues uma válvula de escape. Quando usam isso uns contra os outros, parece mesmo desnecessariamente violento, mas acredito que muitas dessas manifestações sejam uma forma de desabafo. Eles xingam e brigam, e resistem mais um dia para continuar a xingar e brigar.</p>
<p>E é verdade que alguns meses atrás comecei uma briga com outro blogueiro por causa do termo <a href="http://signifyinguyana.typepad.com/signifyin_guyana/2007/11/on-afro-guyanes.html">&#8220;afro-guianense&#8221;</a>, mas agora acho que meu ataque foi maldoso e indevido. Já me desculpei com o blogueiro, porém não sei se não terei a mesma reação se for chamada de &#8220;afro&#8221; outra vez.</p>
<p>Mas acredito sinceramente que os blogueiros guianenses sejam donos de um forte espírito de fraternidade, no qual tenho tido a felicidade de ser incluída de vez em quando.</p>
<p><strong>NL</strong>: O seu blogue a ajuda a sentir-se mais conectada com as questões cotidianas da Guiana?</p>
<p><strong>CV</strong>: Eu me sinto obrigada a acompanhar os assuntos do dia-a-dia do país, já que tenho a audácia de me declarar uma blogueira guianense (apesar de, você sabe, eu cortar meu <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Roti">roti</a> com curry usando garfo e faca&#8230;).</p>
<p>Por isso, todo dia leio os jornais da Guiana online, e também os blogues. Dependo muito dos meus amigos blogueiros guianenses para conversar sobre o que está acontecendo por lá.</p>
<p>E sim, sem sombra de dúvida, blogar tem me ajudado a diminuir as saudades de um lar que, na realidade, não tenho mais ali. Blogando eu criei uma nova maneira de pertencer à Guiana que combina perfeitamente com a pessoa que sou.</p>
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		<title>Assombrações e lendas brasileiras na lusosfera. Parte 3</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/11/01/assombracoes-e-lendas-brasileiras-na-lusosfera-parte-3/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/11/01/assombracoes-e-lendas-brasileiras-na-lusosfera-parte-3/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 01 Nov 2008 04:10:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Duende</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Arte & Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Brazil]]></category>
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		<description><![CDATA[Para fechar com chave de ouro esta série sobre os mitos, lendas e assombrações brasileiros aos olhos da lusosfera, não poderíamos estar falando de outra entidade que não o brasileiríssimo <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Saci">Sací Pererê</a>. Depois de conhecer seres míticos como a <em>Cuca</em>, o <em>Boitatá</em> e o <em>Curupira</em> no <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/16/assombracoes-e-lendas-brasileiras-na-lusosfera-parte-1/">primeiro artigo</a> desta série, e ler intrigantes narrativas sobre o <em>Cabeça de Cuia</em> e o <em>Caboclo D'Água</em>, entre outros, no <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/24/assombracoes-e-lendas-brasileiras-na-lusosfera-parte-2/">segundo artigo</a> da série, agora vamos nos debruçar sobre a mais famosa das entidades míticas brasileiras, que chegou a ser contemplado por leis que transformam o dia 31 de outubro no <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_do_Saci">Dia do Saci</a>.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/danielduende/">Daniel Duende</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/daniel-duende/'>Daniel Duende</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/11/01/brazilian-myths-and-haunts-on-the-lusosphere-part-3/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Para fechar com chave de ouro esta série sobre os mitos, lendas e assombrações brasileiros aos olhos da lusosfera, não poderíamos estar falando de outra entidade que não o brasileiríssimo <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Saci">Sací Pererê</a>. Depois de conhecer seres míticos como a <em>Cuca</em>, o <em>Boitatá</em> e o <em>Curupira</em> no <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/16/assombracoes-e-lendas-brasileiras-na-lusosfera-parte-1/">primeiro artigo</a> desta série, e ler intrigantes narrativas sobre o <em>Cabeça de Cuia</em> e o <em>Caboclo D&#39;Água</em>, entre outros, no <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/24/assombracoes-e-lendas-brasileiras-na-lusosfera-parte-2/">segundo artigo</a> da série, agora vamos nos debruçar sobre a mais famosa das entidades míticas brasileiras, que chegou a ser contemplado por leis que transformam o dia 31 de outubro no <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_do_Saci">Dia do Saci</a>.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://www.sosaci.org/galeria/vicente.jpg" alt="" /></p>
<p>Mas quem ou o quê é o Saci Pererê? Essa entidade esperta, especialista em confundir e enganar &#8212; por diversão ou por maldade &#8212; conseguiu confundir até mesmo a blogosfera. Muitas são as origens e descrições distintas encontradas. Para não contribuir com a confusão, o que só ajudaria os planos do Sací, vamos citar apenas duas delas.</p>
<p>O site <em>Ifolclore</em> dá <a href="http://www.ifolclore.com.br/lendas/gerais/g_saci2.htm">várias descrições do Sací Pererê</a>. Entre elas, esta é uma das mais esclarecedoras:</p>
<blockquote><p>&#8220;O Saci é uma entidade muito popular no folclore Brasileiro. No fim do século XVIII já se falava dele entre os negros, mestiços e <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tupi-Guarani">Tupis-guarani</a>, de onde se origina seu nome. Em muitas regiões do Brasil, o Saci é considerado um ser muito brincalhão, que esconde objetos da casa, assusta animais, assovia no ouvido das pessoas, desarruma cozinhas; enquanto que em outros lugares ele é visto como uma figura maléfica. É um negrinho de uma perna só que fuma um cachimbo e usa na cabeça uma carapuça vermelha que lhe dá poderes mágicos, entre eles, o de aparecer e desaparecer onde desejar. Tem uma mão furada e gosta de jogar objetos pequenos para o alto e deixa-los atravessa-la para pegar com a outra. Ele costuma assustar viajantes ou caçadores solitários que se aventuram por lugares ermos nos sertões ou matas, com um arrepiante assovio no ouvido, para em seguida aparecer numa nuvem de fumaça pedindo fogo para seu cachimbo. Ele gosta de esconder brinquedos de crianças, soltar animais dos currais, derramar sal que encontra nas cozinhas, e em noites de lua, monta um cavalo e sai campo afora em desembalada carreira fazendo grande alvoroço. Diz a crença popular que dentro dos redemoinhos de vento - fenômeno onde uma coluna de vento rodopia levantando areia e restos de vegetação e sai varrendo tudo que encontra a sua frente - existe um Saci.&#8221;</p></blockquote>
<p><img class="aligncenter" src="http://www.sosaci.org/galeria/Ceu2.jpg" alt="" /></p>
<p>A <em>Enciclopédia Mestiça</em> <a href="http://www.geocities.com/fusaoracial/saci.htm">chama a atenção</a> para as diversas origens possíveis do Sací, e o relaciona com outros seres encantados e mitos do Brasil e do mundo:</p>
<blockquote><p>&#8220;A representação clássica do Saci Pererê é a de um negro pequenino, de uma perna só, com uma toca vermelha na cabeça e um pito na boca. É dado a ele um temperamento irrequieto e está sempre fazendo traquinagens. Não se deve, porém, dizer que seja mau, antes que seja imprevisível e um tanto inconseqüente. Não há consenso sobre sua origem, se indígena ou negra; conforme a região foi sendo representado em diferentes nuances. É visto como um ser mestiço por alguns. Em 1917, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Monteiro_Lobato">Monteiro Lobato</a> organizou uma pesquisa entre leitores do Estadinho, publicação vespertina do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Estado_de_S._Paulo">O Estado de São Paulo</a>. No ano seguinte publico o livro Inquérito. Para Monteiro Lobato, o saci é fruto de influências indígenas, negras e portuguesas. Seu mito desenvolveu-se mais fortemente nas áreas sertanejas do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o_Sudeste">Sudeste</a>. Ele seria mais encontrado em locais com plantas. Pode ser um versão de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ex%C3%BA">Exu</a>, o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Orix%C3%A1">orixá</a> que como ele possui um caráter de desorganizador-reorganizador e um comportamento imprevisível. Desde as primeiras missões jesuíticas, Exu é associado ao Diabo, da religião cristã. O Saci pode estar também ligado ao mito português do Matintaperera, ou Matintaperê,<br />
[&#8230;]<br />
No Amazonas houve o mito de uma entidade também com o nome de Matintapera, de duas pernas e sem carapuça, cujo poder vem de um colar; corresponderia ao Cambaí, em guarani, e ao Iaci, em tupi. Os negros o teriam associado a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ossaim">Ossaim</a>, filho de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Iemanja">Iemanjá</a> e <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Oxala">Oxalá</a>, que possui uma única perna e cuida das plantas. Entre os países da bacia do Prata, houve o Iaci Iaterê, um ser de cabelos de fogo. No folclore haitiano há o Quibungo, de origem <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Banto">banto</a>, um menino que sai à noite para perseguir pessoas. Outra personagem africana é o Gunocô, que protege as matas. Na Europa, havia também o mito dos <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fada">duendes</a>, pequenos seres campestres. Em 2003, foi fundada em São Luiz do Paraitinga, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Paulo">São Paulo</a>, a Sociedade dos Observadores do Saci - Sosaci, que conseguiu aprovar, na capital paulista, o dia 31 de outubro como o dia do Saci.&#8221;</p></blockquote>
<p>Por falar na <a href="http://sosaci.org/">Sociedade dos Observadores de Sací</a>, o site da organização reúne <a href="http://sosaci.org/historias.html">vários artigos interessantes</a>, em português, para quem quiser saber mais sobre o Sací.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://www.sosaci.org/galeria/eder.jpg" alt="" /></p>
<p>Uma das perguntas mais frequentes a respeito dos Sacis é por quê ele tem só uma perna. Entre as muitas respostas que encontrei, <a href="http://casossobrenaturais.blogspot.com/2007/05/dando-seqncia-sesso-folclore-do-blag.html">a resposta dada</a> por <em>Tio Cráudio</em> no lendário blogue <em><a href="http://casossobrenaturais.blogspot.com/">Casos Sobrenaturais</a></em> é a mais direta e esclarecedora:</p>
<blockquote><p>&#8220;[&#8230;] Com a chegada dos escravos negros trazidos pelos invasores portugueses, a lenda do saci miscigenou com o choque cultural. Passou a ser negro e perdeu uma perna.<br />
[&#8230;]<br />
Essa mudança não foi por acaso e tem um sentido mórbido. Era comum os escravos fugidos serem recapturados e torturados. Alguns chegavam a ser multilados.</p>
<p>Uma das formas de vingança que os negros escravos usavam era a psicológica. As escravas usadas como babás , para sacanear com os portugueses, costumavam contar histórias e cantigas de ninar cujo tema tinha como objetivo abaixar a estima e criar o medo nas crianças .</p>
<p>Na lenda do Saci especificamente, o mesmo se tornava o vingador dos escravos, fazendo tudo o que eles queriam mas não podiam fazer.&#8221;</p></blockquote>
<p><img class="aligncenter" src="http://www.sosaci.org/galeria/Voltolino2.jpg" alt="" /></p>
<p>Seja um protetor das florestas ou uma espécie de demônio, ou apenas uma entidade infantil brincalhona, é importante saber como lidar com os Sacis. Uns dizem que se deve ter muito cuidado com suas brincadeiras, e evitar andar pelos lugares que ele frequenta. Outros afirmam que o melhor jeito é capturá-lo antes que faça algum mal. Para os que pensam assim, <em>Tio Cráudio</em>, grande estudioso do conhecimento arcano, traz <a href="http://casossobrenaturais.blogspot.com/2007/05/dando-seqncia-sesso-folclore-do-blag.html">no mesmo post</a> uma receita de como aprisionar os sacís:</p>
<blockquote><p>&#8220;[&#8230;] O fato de ter uma perna só não é problema por que ele se movimenta através de redemoinhos de vento.</p>
<p>Boa parte de seus poderes estão no contato com o famoso gorro vermelho (herança da cultura européia). Com ele o Saci pode ficar invisível e se locomover.<br />
[&#8230;]<br />
Você precisa estar armado com uma peneira, uma garrafa, uma rolha, um rosário [&#8230;]</p>
<p>Assim que vir o redemoinho, jogue rapidamente a peneira em cima. Isso por si só já imobiliza o bicho.</p>
<p>Agora é fácil. Pegue o rosário e envolva a peneira. Com isso você vai poder abrir sem que ele fuja. ( A visão católica era que o Saci é um demônio. Assim ele deve temer os símbolos cristãos)</p>
<p>Próximo passo. Coloque a garrafa no centro. O bicho vai estar tão doido por causa do rosário que vai tentar se esconder lá dentro. Espere uns cinco minutos. Acho que é tempo suficiente.</p>
<p>Em seguida tampe a garrafa com a rolha e pronto!!!&#8221;</p></blockquote>
<p>E como o Sací é esperto, já está quase conseguindo até se tornar símbolo da Seleção Brasileira de Futebol, como nos conta <em>Paulo Bicarato</em> <a href="http://www.alfarrabio.org/index.php?itemid=2844">em seu <em>Alfarrábio</em></a>. Paulo nos conta também que tem gente que não gostou da idéia. Mas já era de se esperar que um ser misterioso e brincalhão como o Sací fosse encontrar resistência em seus planos para se tornar mundialmente famoso.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://www.sosaci.org/galeria/Ohi2.jpg" alt="" /></p>
<p>O Sací Pererê, mesmo sendo um dos mitos mais famosos e importantes do Brasil, é também muito misterioso, e há sobre ele mais desinformação do que conhecimento &#8212; bem do jeito que ele gosta. A Sociedade dos Observadores de Sací solicita que as pessoas enviem seus relatos de encontros com sacís, ou qualquer informação que descubram sobre estes seres, na tentativa de enxergar através das brincadeiras pregadas por este mito. Como sempre, seguimos observando os mitos da blogosfera, e voltaremos a relatar caso eles descubram alguma coisa.</p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p><strong>Mais lendas e assombrações:</strong></p>
<p>Este post é parte de uma série do Global Voices Online sobre fantasmas, assombrações, mitos e lendas, que coincide com o Halloween, o Dia de Todos os Santos, e os feriados macabros desta época. Visite nossa <a href="http://globalvoicesonline.org/specialcoverage/ghosts-gouls-myths-and-legends/">página de cobertura especial</a> [En].</p>
<p><em>Todas as imagens usadas neste artigo <a href="http://www.sosaci.org/galeria/galeria.htm">estão disponíveis</a> na <a href="http://www.sosaci.org/">página da Sosaci</a>, e foram usadas por gentil permissão do Sací.</em></p>
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		<title>Angola: Sobre a sereia Kianda e outros seres míticos</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/29/angola-sobre-a-sereia-kianda-e-outros-seres-miticos/</link>
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		<pubDate>Wed, 29 Oct 2008 00:00:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>claraonofre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Angola comporta em si vários contos, lendas e personagens míticas. Como lufadas de ar fresco, alimentam o imaginário de pequenos e graúdos e conferem riqueza à história e cultura angolanas. Conheça a sereia Kianda e lendas de animais: crocodilos, bambis, cágados - todos fazem a imaginação do povo alçar vôo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/clara-onofre/">Clara Onofre</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/claraonofre/'>claraonofre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/10/28/angola-on-the-mermaid-kianda-and-other-mythical-beings/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Angola comporta em si vários contos, lendas e personagens míticas. Como lufadas de ar fresco, alimentam o imaginário de pequenos e graúdos e conferem riqueza à história e cultura angolanas.</p>
<p>A Kianda por exemplo, é uma personagem muito amada. Deusa das águas, é tradicionalmente venerada através de oferendas. Pepetela, um dos expoentes máximos da literatura em Angola, tem inclusive um livro intitulado “O silêncio da Kianda”.</p>
<p><a href="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/10/oferendas_para_a_kianda.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1420" title="oferendas_para_a_kianda" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/10/oferendas_para_a_kianda.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>&#8220;Oferendas para a Kianda&#8221;, do artista angolano Jorge Gumbe, ilustração presente em muitos blogs angolanos</strong></p>
<p><em>Denudado</em>, autor do blog <a href="http://amateriadotempo.blogspot.com/2006/03/kianda.html">A Matéria do Tempo</a> conta-nos um pouco sobre o fascínio por esta sereia:</p>
<blockquote><p>“Durante a convivência que tive em Angola com pessoas pertencentes às classes populares, foram-me contadas diversas lendas e contos tradicionais daquele país. Além de uma outra fábula com animais, a maior parte das narrativas que ouvi, envolveu a figura mítica da sereia. As gentes do povo em Angola acreditam convictamente na existência de sereias, que dizem ser dotadas de poderes sobrenaturais. Em quimbundo (uma das línguas nacionais) as sereias são chamadas ianda, no singular de Kianda. Cada meio aquático tem uma sereia, isto é, cada rio, cada lagoa, cada charco tem a sua kianda que toma o nome do rio, lagou ou cacimba. De certa forma, ela é a encarnação do próprio meio aquático.”</p></blockquote>
<p>No seu blog, o autor conta uma das várias histórias que ouviu sobre a Kianda:</p>
<blockquote><p>“As histórias de sereias que mais ouvi frequentemente relatavam o aparecimento de uma sereia a um homem pobre, a quem ela revelava a existência de um tesouro. Subitamente enriquecido, o homem passava a comportar-se de modo egoísta, gastando toda a riqueza em seu proveito pessoal e não em benefício da comunidade. Como castigo, a sereia acabava por fazer desaparecer o tesouro, ficando o homem na mais completa miséria. Por vezes o castigo era mais duro e o homem ficava para sempre encantado no fundo do rio ou da lagoa. Há histórias de sereias em que é toda a aldeia que se comporta de modo egoísta ou avarento, sendo neste caso o castigo aplicado a toda a comunidade, que fica então encantada no fundo do lago ou do rio. Há angolanos que juram mesmo, pelo “sangue de Cristo”, que ouviram o som de mulheres a pilar, de cães a ladrar ou de galos a cantar vindo de uma aldeia condenada a viver para sempre no fundo da lagoa ou do rio”.</p></blockquote>
<p>A juntar-se à Kianda temos ainda a história do Jacaré Bangão. Existem várias versões sobre a história que envolve esta personagem, mas a mais aceite pela população é a seguinte: reza a lenda que na cidade de Caxito, capital da província do Bengo, certo Jacaré decidiu pagar o imposto ao chefe do posto, responsável por assegurar esta obrigação fiscal. Segundo consta, o tal chefe era um indíviduo implacável para com os habitantes daquela região e o Jacaré vendo a sua atitude decidiu ele próprio pagar o imposto a fim de travar a impetuosidade daquele chefe. Ao ver o grande Jacaré sair das águas do rio Dande a fim de cumprir a sua missão, o cobrador de impostos ficou aterrorizado e abandonou os maus modos com que tratava a população. O autor do blog <em><a href="http://oolhardotempo.blogs.sapo.pt/571.html">Olhar do Tempo</a></em> conta uma outra versão:</p>
<blockquote><p>“Pelo que me contaram, no tempo colonial eram todos obrigados a pagar impostos, assim a população do Caxito, reuniu todo o dinheiro dos impostos, colocando-o em seguida dentro da boca do jacaré e enviando-o ao governador para este receber os seus impsotos. Vendo tal situação o governador nem quis o dinheiro, nem exigiu mais impostos a essa população. Se é verdade ou não, boato ou lenda, sinceramente não sei, só acho que também devíamos ter jacarés em Portugal”.</p></blockquote>
<p><em><a href="http://pedromoraiscardoso.wordpress.com/2007/05/13/o-leao-e-forte-como-a-amizade/">Pedro Cardoso</a></em> conta no seu blog <em>Coisas D&#39;Angola</em> um conto de foclore kimbundo, chamado o “Leão é forte como uma amizade”:</p>
<blockquote><p>“Dois amigos costumavam encontrar-se todos os dias, numa das conversas um deles comentou; - Os leões estão a aparecer nas redondezas. Tem cuidado com a tua casa, para evitares um desgosto.</p>
<p>- O Leão não poderá entrar. Tenho espingarda e lança.</p>
<p>- Enganas-te, porque não pode lutar com o Leão.</p>
<p>- Tenho a certeza que posso.</p>
<p>Ambos riram e continuaram a conversar até que por fim se separaram.</p>
<p>Passou-se um mês desde quando o rapaz tinha avisado o amigo, arranjou um meio de se transformar em Leão e resolveu atacar o camarada rugindo ferozmente.</p>
<p>Arranhou-lhe a porta de casa e encontrou o amigo a dormir. Levantou-o, bateu-lhe e desfez tudo aquilo que encontrou. Deixando o amigo em má situação, retirou-se e voltou à forma de homem.</p>
<p>No outro dia, foi visitar o amigo que atacara e este disse-lhe;</p>
<p>- Pobre de mim! O Leão veio aqui e destruiu tudo!</p>
<p>- Porque não fizes-te fogo ou lhe metes-te a lança?</p>
<p>- Meu amigo o Leão é forte como a amizade!”</p></blockquote>
<p>E em jeito de remate, aqui fica mais conto popular que envolve o cágado e o bambi. O texto foi retirado do blog <em><a href="http://confrariadecagados.blogspot.com/2008/03/um-desafio-em-corrida-entre-o-cgado-e-o.html">confrariadecágados</a></em>:</p>
<blockquote><p>“Certo dia, o cágado e o bambi discutiam sobre qual dos dois seria o melhor corredor. Então, o cágado propôs um desafio ao antigo amigo bambi: fariam uma corrida, marcando o seu itinerário desde o ponto de partida até ao ponto de chegada. Começariam juntos e veriam quem era capaz de chegar primeiro. O bambi, após aceitar o desafio foi dormir. O cágado, ao contrário, foi ter com seus iguais, os demais cágados. Combinou com eles que cada um se colocaria em um ponto do trajeto a espera do bambi. No outro dia, o bambi atrasou-se, mas o cágado já estava a sua espera. Na largada, o bambi saiu em vantagem, correndo em desabalada carreira. Em determinado ponto da estrada, parou e olhou para trás a fim de ver se enxergava o companheiro. Porém, um dos cágados que o aguardavam na estrada passou a sua frente, dizendo que, enquanto ele olhava para trás, ele, o cágado já havia passado havia muito tempo. Isso se repetiu várias vezes durante o trajeto, até que, extenuado, o bambi reconheceu que o cágado corria mais que ele, ao que este respondeu: — Amigo, já sou velho, tenho a escola toda!”</p></blockquote>
<p><strong><br />
Mais lendas e assombrações:</strong></p>
<p>Esse artigo é parte da série do Global Voices sobre mitos, assombrações, fantasmas e lendas, que coincide com o Dia das Bruxas, Dia dos Mortos e outros feriados medonhos. Veja a nossa página de <a href="http://globalvoicesonline.org/specialcoverage/ghosts-gouls-myths-and-legends/">cobertura especial</a>.</p>
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		<title>Assombrações e lendas brasileiras na lusosfera. Parte 2</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/24/assombracoes-e-lendas-brasileiras-na-lusosfera-parte-2/</link>
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		<pubDate>Fri, 24 Oct 2008 04:48:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Duende</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/16/assombracoes-e-lendas-brasileiras-na-lusosfera-parte-1/">primeiro artigo desta série</a>, vasculhamos a internet brasileira em busca de websites que nos contassem histórias sobre assombrações e seres encatados do folclore brasileiro. Agora, neste segundo artigo da série vamos ouvir as histórias e lendas contadas por blogueiros. Eles não nos contar sobre o <em>Cabeça de Cuia</em> e sobre o <em>Caboclo D'Água</em>, e sobre a bela e triste lenda da <em>Vitória Régia</em>. Vão nos dizer mais detalhes sobre a misteriosa <em>Loira do Banheiro</em> e vão nos segredar sobre <em>o Boto</em>, que sai do rio para seduzir as moças e abandoná-las para carregar e criar seus filhos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/danielduende/">Daniel Duende</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/daniel-duende/'>Daniel Duende</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/10/23/brazilian-myths-and-haunts-on-the-lusosphere-part-2/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>No <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/16/assombracoes-e-lendas-brasileiras-na-lusosfera-parte-1/">primeiro artigo desta série</a>, vasculhamos a internet brasileira em busca de websites que nos contassem histórias sobre assombrações e seres encatados do folclore brasileiro. Agora, neste segundo artigo da série vamos ouvir as histórias e lendas contadas por blogueiros. Eles vão nos contar sobre o <em>Cabeça de Cuia</em> e sobre o <em>Caboclo D&#39;Água</em>, e sobre a bela e triste lenda da <em>Vitória Régia</em>. Vão nos dizer mais detalhes sobre a misteriosa <em>Loira do Banheiro</em> e vão nos segredar sobre <em>o Boto</em>, que sai do rio para seduzir as moças e abandoná-las para carregar e criar seus filhos.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://farm1.static.flickr.com/169/412494726_5b20b385aa.jpg" alt="Alma Vagando, by DPadua" /><br />
<em><a href="http://www.flickr.com/photos/imaginarios/412494726/in/photostream/">Alma Vagando</a>, por <a href="http://www.flickr.com/photos/imaginarios/">DPadua</a> no Flickr. Usado sob licença <a href="http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/deed.en">Creative Commons</a>.</em></p>
<p>Como prometemos no artigo anterior, vamos nos aprofundar mais na história da misteriosa <em>Loira do Banheiro</em>. E é ninguém menos do que Cláudio, também conhecido com <em>Tio Cráudio</em>, o antigo zelador do blogue <a href="http://casossobrenaturais.blogspot.com/">Casos Sobrenaturais</a>, quem nos conta sobre os detalhes a respeito <a href="http://casossobrenaturais.blogspot.com/2005/12/figurinhas-conhecidas-loira-do.html">da terrível morte que transformou uma vaidosa jovem em uma cruel assombração</a>.</p>
<blockquote><p>&#8220;Conta-se que , havia uma garota loira (para variar) muito vaidosa que sempre filava aula para ficar no banheiro da escola se admirando no espelho.Ela era sempre protegida pelo zelador ,que encobria suas fugas.Este,mantinha um desejo platônico pela garota que aumentava exponencialmente durante o passar dos anos.<br />
Um belo dia o zelador resolveu esperar a loira na saida do banheiro e declarou os seus sentimentos.Ela, sem pestanejar, caiu na gargalhada e mostrou todo seu desprezo pelo rapaz de forma humilhante.Ele, tomado por um misto de ódio e decepção, a arremessou dentro do banheiro e a espancou violentamente, abafando seus gritos com as mãos.<br />
Após o ato inconsequente , o zelador fugiu do colégio e nunca mais voltou.Dizem que ela ,antes de morrer, conseguiu se levantar e ver seu rosto deformado pelos edemas e cortes no espelho,soltando um grito de pavor que fez todo o colégio se arrepiar.<br />
Varias pessoas se dirigiram ao banheiro em busca do que havia acontecido mas nada encontraram.Não havia ninguém alí.<br />
Como a garota sumiu, a polícia associou o desaparecimento com a fuga do zelador e o prendeu.Ele acabou confessando a agressão mas não soube dizer onde o corpo estava.&#8221;</p></blockquote>
<p><em>Tio Cráudio</em> jura que a história é tão verdadeira quanto os lendários bolos de cenoura preparados por sua mítica mãe. Mas, como dissemos antes, tudo a respeito da <em>Loira do Banheiro</em> é profundamente misterioso.</p>
<p>No <a href="http://lord85.multiply.com/">Ulysse&#39;s Site</a>, o usuário <em>lord85</em> do Multiply <a href="http://lord85.multiply.com/journal/item/101/MITOS_E_LENDAS_DO_FOLCLORE_BRASILEIRO.">nos fala</a> sobre vários mitos e lendas populares brasileiros. Entre outros, ele nos traz a história do <em>Cabeça de Cuia</em> e a lenda do <em>Caboclo D&#39;Água</em>, e reconta a bela e triste lenda indígena da <em>Vitória Régia</em>:</p>
<blockquote><p><strong>Cabeça de Cuia</strong></p>
<p><img class="alignright" src="http://www.regipara.com/reduz.asp?path=E:%5Cvhosts%5Cregipara.com%5Chttpdocs%5Cgeral%5Cimg%5Ccuia.jpg&amp;Width=150" alt="" hspace="5" />Durante as cheias, sempre à noite e mais freqüentemente às sextas-feiras, costuma aparecer nas águas dos rios Poti e Parnaíba, um monstro. Trata-se de um sujeito alto, magro, com longos cabelos caídos pela testa e cheios de lodo, a que chamam cabeça de cuia.</p>
<p>Dizem que, há muitos anos, em uma pequena aldeia do vilarejo denominado Poti Velho vivia uma pequena família, cujo arrimo era um jovem pescador, a que alguns dão o nome de Crispim. Certo dia, o rapaz retornou da pesca muito aborrecido. À hora da refeição, composta de carne de vaca, pegou um enorme pedaço de osso e, a fim de tirar o tutano, bateu com ele na cabeça da velha mãe. A pobre senhora, indignada e enfurecida, rogou-lhe uma praga, amaldiçoando-o. O filho, com o coração tomado de remorso, pôs-se a correr como um louco e atirou-se às águas do rio Poti, desaparecendo.</p>
<p>Desde esse dia, o cabeça de cuia nada errante pelas águas dos dois rios, surgindo ora aqui, ora ali, na época das enchentes e nas noites de sexta-feira. Aparece de repente e agarra banhistas desavisados, principalmente crianças, arrastando-os para o fundo das águas. De sete em sete anos, devora uma moça chamada Maria. Após apoderar-se de sete Marias, seu encanto estará quebrado e ele retornará ao seu estado natural. Contam que sua mãe permanecerá viva até que o filho esteja livre de sua sina.</p>
<p>É o principal mito do estado do Piauí. A Prefeitura de Teresina instituiu, em 2003, o Dia do Cabeça de Cuia, a ser comemorado na última sexta-feira do mês de abril</p></blockquote>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.regipara.com/reduz.asp?path=E:%5Cvhosts%5Cregipara.com%5Chttpdocs%5Cgeral%5Cimg%5Ccaboclo.jpg&amp;Width=250" alt="Caboclo Dágua" /><br />
<em>Caboclo D&#39;Água, conforme <a href="http://lord85.multiply.com/journal/item/101/MITOS_E_LENDAS_DO_FOLCLORE_BRASILEIRO.">ilustração no Ulysse&#39;s Site</a>.</em></p>
<blockquote><p><strong>Caboclo D&#39;Água</strong></p>
<p>O caboclo-dágua, também chamado negro-dágua e bicho-dágua, é um dos mitos aquáticos mais populares na região do vale do rio São Francisco. Ninguém sabe de onde surgiu. Vive nas barrancas e alagadiços. Segundo as descrições mais comuns, é baixo, troncudo, musculoso, muito forte, tem a pele cor de bronze e um só olho no meio da testa. Apesar de seu tipo físico, movimenta-se de forma muito rápida e ágil. Às vezes sai do rio e caminha pela terra, geralmente para praticar alguma vingança ou fazer algum favor, mas nunca se afasta muito das margens. Para muitos, é um só e possui poderes para estar em vários lugares ao mesmo tempo.</p>
<p>Dizem que possui o temperamento enfezado e não nutre grandes simpatias para com os pescadores e remeiros. Agarra o fundo das canoas e barcos, balançando-os até os virar ou encalhando-os. Seu corpo é à prova de balas. Para evitar encontrá-lo, deve-se fincar uma faca no fundo da embarcação. Porém, se for bem tratado, o caboclo torna-se benfazejo, ajudando nas pescarias e evitando enchentes. Para agradá-lo, basta oferecer-lhe fumo.</p></blockquote>
<blockquote><p><strong>Vitória Régia</strong></p>
<p><img class="alignright" src="http://farm2.static.flickr.com/1054/1415028507_3b206a812d_m.jpg" alt="" /> Numa Tribo de índios que vivia às margens do Grande Rio. Nos igarapés silenciosos as jovens índias cantavam e sonhavam.As índias ficavam por muitas horas olhando a Lua ( Jaci como a chamavam a Deusa), a beleza das estrelas. Um dia, Neca-Neca, uma bela jovem índia , subiu numa árvore mais alta para ver se tocava na lua. Não conseguiu. Impacientes as índias, noutro dia, foram as montanhas distantes para tocarem com as mãos a lua e as estrelas. Nada, quando lá chegaram a lua estava tão distante que voltaram tristonhas para suas malocas, e na rede todas ficaram deitadas muito tristes. Ficaram tristes, porque, caso tocassem a lua ou as estrelas, tornar-se iam uma delas com toda a sua beleza.<br />
Numa outra noite, Neca-neca, deixou sua rede, muito tristonha, desiludida porque não conseguira tocar a lua. Era uma noite de lua cheia. Lá estava a lua grande bela, refletida nas águas. Ela então resolveu pedir a Lua para Tocá-la,e resolveu atirar-se no Rio para tentar tocá-la (o Reflexo da Lua no Rio) e desapareceu. A lua (Iaci) ficou com muita pena e resolveu imortalizá-la na terra pois era impossível para ela levá-la para seu reino espiritual e transformá-la numa estrela ,então transformou-a numa flor, a vitória-régia.</p></blockquote>
<p>A <a href="http://www.flickr.com/photos/celsoabreu/1415028507/">foto da Vitória Régia</a> usada na citação acima é de autoria de <a href="http://www.flickr.com/photos/celsoabreu/"><em>CelsoAbreu</em></a>, e foi publicada de acordo com sua <a href="http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/deed.en">licença Creative Commons</a>.</p>
<p>Em seu blogue <a href="http://thelisbongiraffe.typepad.com/diario_de_lisboa/"><em>Diário de Lisboa</em></a>, uma blogueira luso-brasileira que se identifica apenas como uma &#8220;<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Nereida">nereida</a> guerreira das palavras&#8221; <a href="http://thelisbongiraffe.typepad.com/diario_de_lisboa/2006/10/mitos_e_lendas__1.html">nos conta a história do Boto</a>, o animal aquático que vira gente nas noites de festa para seduzir as moças que vivem na beira do rio:</p>
<blockquote><p><strong>O Boto</strong></p>
<p>&#8220;Personagem de grande importância na mitologia amazônica, principalmente no Pará. Segundo a lenda, o Boto Rosa deixa as águas do Rio Amazonas e transforma-se em um rapaz cuja beleza, fala meiga e sedutora, magnetismo do olhar atraem irresistivelmente todas as mulheres.</p>
<p>Contam que em noites de festa, ele se transforma em um rapaz alto, claro, forte,bonito e sempre se apresenta muito bem vestido, sempre de branco, sem nunca remover o chapéu que usa para ocultar o orifício para respiração no alto da cabeça. O boto bebe, dança, seduz as moças interioranas que comparecem as festas de beira de rio. Antes da alvorada, pula na água e volta à sua condição primitiva. Porém acabando o encanto, na hora que tem de transformar-se em boto, seus acessórios voltam a ser habitantes das águas: a espada é um poraquê, o chapéu é uma arraia e assim por diante.</p>
<p>A lenda serve de aviso às moças para tomarem cuidado com flertes que recebiam de belos rapazes em bailes ou festas. Por detrás deles poderia estar a figura do Boto, um conquistador de corações, que pode engravidá-las e abandoná-las.&#8221;</p></blockquote>
<p>Estas são apenas algumas, muito poucas, das histórias e lendas contadas e recontadas dentro e fora da blogosfera lusófona. No próximo artigo, o último desta série, vamos nos concentrar na busca ao <em>Saci Pererê</em> &#8212; talvez o mais famoso e misterioso ser da mitologia brasileira. Vamos seguir seu rastro de blogue em blogue, descobrir quem ele é e como encontrá-lo, e com sorte descobrir como evitar suas brincadeiras. Não perca.</p>
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		<title>Assombrações e lendas brasileiras na lusosfera. Parte 1</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Oct 2008 22:28:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Duende</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Neste primeiro de três artigos onde sentaremos à beira da fogueira virtual e ouviremos as histórias de assombrações e encantos do imaginário brasileiro contadas pela lusosfera, vamos nos debruçar sobre as histórias contadas em sites sobre cultura e folclore brasileiros. Eles vão nos contar sobre a Cuca e o Negrinho do Pastoreio, sobre o Boitatá e o Curupira, e alguns outros seres que povoam as noites e os sonhos e pesadelos brasileiros. Em meio a estes tantos sites, encontramos também um grupo de artistas do sul que resolveram dar uma nova roupagem a um mito popular brasileiro bastante conhecido.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/danielduende/">Daniel Duende</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/daniel-duende/'>Daniel Duende</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/10/15/brazilian-myths-and-haunts-1/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Agora que você já conheceu, e se arrepiou, com algumas lendas, mitos e assombrações latino-americanas selecionadas por <a href="http://globalvoicesonline.org/author/juliana-rincon-parra/">Juliana Rincón</a> em seus dois artigos (<a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/07/america-latina-historias-fantasmas-demonios-e-assombracoes/">parte 1</a>, <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/16/america-latina-mais-historias-fantasmas-demonios-e-assombracoes/">parte 2</a>) sobre o tema para o Global Voices, é hora de mergulhar no <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Folclore_brasileiro">universo imaginário popular</a> do imenso Brasil.</p>
<p>Neste primeiro de três artigos onde sentaremos à beira da fogueira virtual e ouviremos as histórias de assombrações e encantos do imaginário brasileiro contadas pela lusosfera, vamos nos debruçar sobre as histórias contadas em sites sobre cultura e folclore brasileiros.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://farm3.static.flickr.com/2282/2507381118_7ba23701ac.jpg?v=0" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><em><a href="http://www.flickr.com/photos/iurifernandes/2507381118/">Sombra Nocturna</a>, por <a href="http://www.flickr.com/photos/iurifernandes/">O Pirata</a> no Flickr. Publicado sob licença <a href="http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/deed.en">Creative Commons BY 2.0 Licence</a></em></p>
<p>Um dos melhores sites sobre lendas e folclore do Brasil é o <a href="http://www.jangadabrasil.com.br/">Jangada Brasil</a>, uma reconhecida revista sobre cultura brasileira. Nele se encontra uma pequena porém excelente <a href="http://www.jangadabrasil.com.br/revista/galeria/index.asp">biblioteca de mitos e lendas</a>, parada certa para qualquer falante do português que esteja em busca de material sobre mitos e lendas brasileiras. E é o Jangada Brasil que vai começar com as histórias desta noite, nos contando sobre o <a href="http://www.jangadabrasil.com.br/revista/galeria/ca83010f.asp">Negrinho do Pastoreio</a>, a temível <a href="http://www.jangadabrasil.com.br/revista/galeria/ca70009f.asp">Cuca</a> e sobre a assombração mais urbana da <a href="http://www.jangadabrasil.com.br/revista/galeria/ca79006f.asp">Loira do Banheiro</a>:</p>
<blockquote><p><strong>Negrinho do Pastoreio</strong></p>
<p>Escravo, órfão, o menino pertencia a um fazendeiro rico, cruel e arrogante. Maltratado por todos, principalmente pelos filhos do senhor, sofreu inúmeros castigos e barbaridades. Ao perder a tropilha de cavalos de seu amo, foi surrado sem piedade. Seu corpo moribundo foi, então, jogado à boca de um enorme formigueiro, para que as formigas o devorassem. No dia seguinte, o fazendeiro, atormentado, correu ao local e não mais encontrou o supliciado. Em vez disso, viu Nossa Senhora e o Negrinho, seu afilhado, são e feliz, montado em um cavalo baio, pastoreando uma tropilha de cavalos invisíveis.</p>
<p>O Negrinho do Pastoreio é mito de origem <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ga%C3%BAcho">gaúcha</a>, com fundamentos católicos e europeus, divulgado com finalidades morais. A compensação e redenção divinas  aos sofrimentos terrenos. A tradição popular concedeu-lhe poderes sobrenaturais, canonizando-o. Possui inúmeros devotos. Afilhado da Virgem, encontra objetos perdidos, bastando prometer-lhe um toco de vela que será dado à madrinha. Em algumas versões, oferece-se também, um naco de fumo para o menino.</p></blockquote>
<blockquote><p><strong>A Cuca</strong></p>
<p>A cuca é um <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pap%C3%A3o">papão</a>, um ente fantástico que mete medo às crianças causando pavor. Sua aparência varia de lugar para lugar, mas a maioria das pessoas diz que ela tem a forma de uma velha, bem velha e enrugada, corcunda,  cabeleira branca, toda desgrenhada, com aspecto assustador. Ela só aparece à noite, sempre procurando por aquelas crianças que fazem pirraça e não querem ir dormir cedo. Então, a cuca as coloca num saco, levando-as embora para não se sabe onde e faz com elas não se sabe bem o que, mas, com toda certeza, trata-se de algo muito terrível.</p>
<p>Ela também é chamada de coca ou coco e assombra crianças de Portugal, Espanha, alguns países africanos e tribos indígenas brasileiras. Em alguns lugares ela é um velho, em outros, se parece com um jacaré ou uma coruja.</p>
<p>Existem muitas canções e versos sobre a cuca. <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_da_C%C3%A2mara_Cascudo">Luís da Câmara Cascudo</a>, em Geografia dos mitos do Brasil, indica a seguinte cantiga, comum no Nordeste brasileira:</p>
<p><em>Dorme, neném<br />
Se não a cuca vem<br />
Papai foi pra roça<br />
Mamãe logo vem</em></p></blockquote>
<blockquote><p><strong>A loira do banheiro</strong></p>
<p>Ela vive nos banheiros das escolas. Possui farta cabeleira loira, é muito pálida, tem os olhos fundos e as narinas tapadas por algodão, a fim de que o sangue não escorra. Causa pânico entre os estudantes.</p>
<p>Dizem que era uma aluna que gostava de cabular as aulas, escondendo-se no banheiro. Um dia, caiu, bateu com a cabeça e morreu. Agora, seu fantasma vaga à espera de companhia, assombrando todos aqueles que fazem o mesmo que ela costumava fazer. Em outras versões, é uma professora que se apaixonou por um aluno. Terminou assassinada, a facadas, pelo marido traído. Tem o rosto e o corpo ensangüentados, as roupas em frangalhos.</p>
<p>Loura ou loira do banheiro, menina do algodão, big loura. Lenda urbana contemporânea que ocorre, com modificações, em todas as regiões do Brasil. Algumas vezes é uma mulher feita, outras vezes, uma menina. Os locais de sua aparição podem variar: escolas, centros comerciais, hospitais. Entre os caminhoneiros, surge nos banheiros de estrada, de costas, linda, corpo perfeito, belas pernas. Porém, ao se voltar para sua vítima, com o rosto sangrento, causa o horror.</p>
<p>Acredita-se, também, que seja possível invocá-la. Para isto, basta apertar a descarga por três vezes seguidas ou chutar, com força, o vaso sanitário. Então, ela aparecerá, pronta para atacar a primeira pessoa que entrar no banheiro.</p></blockquote>
<p>Algumas pessoas discordam que a Loira do Banheiro seja a mesma assombração que a Big Loura. Alguns até dizem que não há uma assombração chamada Big Loura no Brasil. Uma amiga minha, que é uma grande estudiosa das lendas urbanas da Loira do Banheiro, disse-me que há várias outras formas de invocar esta assombração. Algumas delas envolvem sangue, ou xingamentos ditos em frente a um espelho, e em alguns casos a Loira do Banheiro viria para pegar aquele que a invocou. Outras versões desta lenda dizem que este assombração encontrou seu fim depois de ser estuprada enquanto matava aula dentro do banheiro. Estes fatos são todos profundamente misteriosos, e nós vamos nos debruçar mais profundamente sobre eles na segunda parte desta série.</p>
<p>No site <a href="http://www.perfeitauniao.org/">PerfeitaUnião.org</a> encontramos <a href="http://www.perfeitauniao.org/oficina/2000/lendas_e_mitos_do_brasil.htm">material sobre muitos mitos brasileiros</a>, como o <em>Boitatá</em>, versão brasileira do <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Will_o_wisp">Will o&#39; Wisp</a> [En] britânico e da <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/07/america-latina-historias-fantasmas-demonios-e-assombracoes/">Luz do Mal</a> latino-americana, a lenda do <em>Curupira</em>, os mitos da <em>Iara Mãe-d&#39;Água</em> e do <em>Uratau</em>, pássaro cujo canto assusta os <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Caboclo">caboclos</a> e encanta os índios Tupi-Guarani:</p>
<blockquote><p><strong>Boitatá</strong></p>
<p>Esta é uma versão brasileira do mito explicativo do fogo-fátuo ou santelmo, existente em quase todas as culturas. Na Alemanha, ele é a Irrlicht (a luz louca), que é carregada por minúsculos e invisíveis anões. Na Inglaterra é o Jack with a lantern que, em forma de fantasma, guiava os viajantes pelos charcos e banhados; na França é o Sinistro Moine des marais (monge dos banhados), com as mesmas finalidades de guias de pântanos; em Portugal são as alminhas, as almas dos meninos pagãos ou a alma penada que deixou dinheiro enterrado não se podendo salvar enquanto este ficar infrutífero.</p>
<p>No Brasil é um mito dos mais antigos e de origem quase que totalmente indígena. Seria uma cobra-de-fogo que vagava pelos campos, protegendo-os contra aqueles que os incendeiam. Às vezes transformava-se em grosso madeiro em brasas que fazia morrer, por combustão, aquele que queima inutilmente os campos. O boitatá foi citado por Padre Anchieta em carta de São Vicente de 31 de maio de 1560. O padre traduziu o nome por &#8220;cousa de fogo, o qiue é todo fogo&#8221;. Mbai, coisa e tatá, fogo, davam a versão exata: um fogo vivo que se desloca, largando um rastro luminoso. Como há outra palavra tupi parecida, mboi, cobra; chegou-se a mboi-tatá, a cobra de fogo. Também é conhecido como uma serpente de fogo, que reside na água, ou uma cobra grande que mata os animais, comendo-lhe os olhos; por isso fica cheia de luz de todos esses olhos. Touro ou boi que solta fogo pela boca. Espírito de gente ruim, que vaga pela terra, tocando fogo nos campos ou saindo que nem um rojão ou tocha de fogo, em variantes diversas. É conhecido por diversos nomes em diferentes regiões do Brasil.</p>
<p>No Norte e Nordeste é chamado de batatão, no Centro-Sul de boitatá, bitatá, batatá e baitatá. Já em Minas Gerais também é conhecido como batatal, e ainda como biatatá, na Bahia. Prudentemente, Anchieta dizia: &#8220;O que seja isto, ainda não se sabe com certeza&#8221;.</p></blockquote>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://fc61.deviantart.com/fs10/f/2006/326/6/a/Curupira__Saci_and_others_by_Ferigato.jpg" alt="\'Curupira, Saci and others\', by ~ferigato user at DeviantART" /></p>
<p style="text-align: center;"><em><a href="http://ferigato.deviantart.com/art/Curupira-Saci-and-others-43472109">Curupira, Saci and others</a>, pelo usuário <a href="http://ferigato.deviantart.com/">~ferigato</a> no DeviantART</em><em>. Publicado sob licença <a href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/">Creative Commons BY-NC-ND-3.0 License</a></em></p>
<blockquote><p><strong>Curupira</strong></p>
<p>A primeira assombração indígena a ser adotada pelos europeus foi o curupira. Anchieta se refere a ele em carta de 30 de maio de 1560, escrita de São Vicente, São Paulo: &#8220;É coisa sabida e pela boca de todos corre que há certos demônios a quem os brasis chamam de Corupiras, que acometem aos índios muitas vezes, no mato, dão-lhes de açoites, machucam e matam. São testemunhas disso alguns de nossos irmãos que viram, algumas vezes, os mortos por eles. Por isso, costumam os índios deixarem em certos caminhos, que por ásperas brenhas vai ter ao interior das terras, no cume da mais alta montanha, quando por cá passam, penas de aves, abanadores, fechas e outras coisas semelhantes, como uma espécie de oblação, rogando fervorosamente aos curupiras que não lhes façam mal&#8221;. É um dos poucos casos de oferenda propiciatória que se verifica entre os índios brasileiros. A criação de mito semelhante se verifica em quase todas as culturas antigas.</p>
<p>O curupira é descrito como um indiozinho ágil, de pés voltados para trás, cabelos vermelhos ou cabeça raspada, protetor das árvores e da caça, senhor dos animais que habitam a floresta. Antes das grandes tempestades, percorre a mata percutindo o tronco das árvores para assegurar a sua resistência. Personifica o rumor da floresta e as incertezas de quem se aventura mata adentro. Quando quer pode ser bondoso. Mas, em geral, ele voltava-se contras os caçadores em defesa dos animais.</p>
<p>Seu assobio estridente é motivo para o caçador se apavorar e perder-se na mata. Nota-se que não é um gênio bom. É enganador e assassino. Seus pés virados iludem os perseguidores por deixar rastros falsos no chão. Pode, contudo, ajudar a alguns caçadores em troca de comida, dado-lhes armas e transmitindo-lhes segredos que, se revelados, são punidos com a morte.</p></blockquote>
<blockquote><p><strong>Iara, a Mãe-d&#39;água</strong></p>
<p>Alguns mitos brasileiros misturaram-se a lendas européias. Como exemplo começamos com uma estória que viajantes portugueses encontravam por aqui. Eles ouviam falar de um fantasma marinho, afogador de índios, que espantava pescadores e lavadeiras, era o &#8220;ipupiara&#8221;, um monstro meio homem, meio peixe, que para se divertir, saía das águas para matar. Tempos mais tarde o ipupiara tornou-se a &#8220;uiara&#8221;, uma versão portuguesa da sereia. Depois uiara virou &#8220;iara&#8221; que &#8220;significa senhora das águas&#8221;, também conhecida como mãe-d&#39;água. Depois de várias transformações a lenda conta que a mãe-d&#39;água é uma bela mulher de longos cabelos loiros e olhos verdes, que vive em um palácio no fundo das águas, para onde atrai os jovens com quem deseja casar.</p></blockquote>
<blockquote><p><strong>Uratau</strong></p>
<p>O uratau é um pássaro solitário e de hábitos noturnos que dificilmente se deixa ver. Pousado na ponta de um galho seco, fitando a lua e estremecendo a calada da noite, emite seu canto tenebroso assemelhado a um lamento humano. Por este motivo, o povo também o chama de &#8220;mãe-da-lua&#8221;. Seu grito talvez seja o mais assustador de todos, entre as aves. &#8220;Meu filho foi, foi, foi&#8230;&#8221; - interpreta o povo. Por causa de seu grito, o uratau é muitas vezes associado a maus presságios, mas segundo a mitologia tupi-guarani, é uma ave benfazeja.</p>
<p>Segundo a lenda, uma moça guarani chamada Nheambiú, apaixonou-se profundamente por um bravo guerreiro tupi chamado Cuimbaé, que caíra prisioneiro dos guaranis. Nheambiú pediu a seus pais que consentissem o casamento com Cuimbaé. Todos os insistentes pedidos foram negados, com a alegação que os tupis eram inimigos mortais da nação guarani. Não podendo mais suportar o sofrimento, Nheambiú saiu da taba. O cacique mobilizou seus guerreiros na procura da filha e, após uma longa busca, a jovem índia foi encontrada no coração da floresta, paralisada e muda, tal qual uma estátua de pedra, sem dar nenhum tipo de sinal de vida. O feiticeiro da tribo alegou que Nheambiú perdera a fala para sempre, a não ser que uma grande dor a fizesse voltar a ser o que era antes. Então a jovem recebeu todos os tipos de notícias tristes, a morte de seus pais e amigos, mas ela não dava nenhum sinal, até que o pajé falou &#8220;Cuimbaé acaba de ser morto&#8221;. No mesmo momento a moça, lamentando repetidas vezes, tomou vida e desapareceu dentro da mata. Todos que ali estavam transformaram-se em árvores secas, enquanto que Nheambiú tomou a forma de um uratau e ficou voando, noite após noite, pelos galhos daquelas árvores amigas, chorando a perda de seu grande amor.</p></blockquote>
<p>Falando sites de cultura brasileira, o reconhecidíssimo site colaborativo de cultura brasileira <a href="http://www.overmundo.com.br/">Overmundo</a>, ganhador do <a href="http://www.aec.at/en/archives/prix_archive/prix_projekt.asp?iProjectID=14230&amp;iCategoryID=12420">Golden Nica de Comunidades Digitais do ano de 2007</a> [En], também possui uma grande quantidade de artigos interessantes sobre mitos e lendas do Brasil. Mas um dos que mais me chamou a atenção foi o trabalho de um grupo de ilustradores e roteiristas do sul do Brasil que realizou uma novela gráfica que mescla ilustração, fotografia, colagem, prosa e poesia para dar <a href="http://www.overmundo.com.br/overblog/novela-grafica-rele-lenda-do-negrinho-do-pastoreio">um novo tratamento à lenda do Negrinho do Pastoreio</a>:</p>
<blockquote><p>Fazemos uma releitura da lenda do <strong>Negrinho do Pastoreio</strong>, mais conhecida pela versão do escritor regionalista <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Sim%C3%B5es_Lopes_Neto" target="_blank"><strong>João Simões Lopes Neto</strong></a>, publicado no livro <strong>“Lendas do Sul”</strong>, em 1913. A esta trama inicial costuramos elementos da religiosidade afro-brasileira, lendas africanas e pencas de referências das histórias em quadrinhos.</p>
<p>Uma curiosidade: o livro <strong><a href="http://www.gutenberg.org/etext/2837" target="_blank">Lendas do Sul</a></strong> foi a primeira obra literária em português publicada pelo <strong><a href="http://www.gutenberg.org/" target="_blank">Projeto Gutenberg</a></strong>, instituto que distribui gratuitamente livros e e-books na internet.</p></blockquote>
<p>Segundo os próprios autores do post, que também são autores da novela gráfica, o projeto já mudou um bocado nos últimos tempos e pode ser acompanhado no <a href="http://outropastoreio.blogspot.com/">blogue</a> e no <a href="http://pastoreio.org/">site do projeto</a>.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://hifolio.com/media/25/07.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><em><a href="http://hifolio.com/media/25/07.jpg">“Um Outro Pastoreio” página 7</a>, publicado <a href="http://pastoreio.org/previa/">no website da novela gráfica</a>.</em></p>
<p>A quantidade de histórias populares, mitos, lendas e assombrações do imaginário popular brasileiro &#8212; seja ele das periferias urbanas ou das vastas regiões rurais &#8212; é tão grande e diverso quanto o país que o acalanta. Estes entes míticos, e aqueles que se seguirão nos próximos dois artigos, são apenas alguns dos muitos que povoam o imaginário brasileiro, e que também habitam os sites, blogues e grupos de discussão da internet brasileira. Se para alguns os tempos modernos representam a morte da imaginação popular, para outros a internet proporcionou um novo espaço para o cultivo e a difusão destes imaginários, mesmo que deslocados de seu lugar de nascimento e morada. Nós do Global Voices seguimos observando as andanças destes seres pela lusosfera brasileira, mas mantemos as luzes acesas por via das dúvidas&#8230;</p>
<p><em>O thumbnail deste post é baseado na imagem <a href="http://flickr.com/photos/visionshare/2876774355/in/set-72157607193277158/">img_8055-1_edited-1-cropped</a> de <a href="http://flickr.com/photos/visionshare/">visionshare</a> no Flickr. A imagem foi usada de acordo com sua licença <a href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc/2.0/deed.en">Creative Commons BY-NC 2.0 US License</a>.</em></p>
<p><strong>Atualização:</strong><br />
Se você gostou deste artigo, não deixe de ler os outros dois artigos da série <em>Assombrações e lendas brasileiras na lusosfera</em>. <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/24/assombracoes-e-lendas-brasileiras-na-lusosfera-parte-2/">Aqui</a> você confere a segunda parte, e <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/11/01/assombracoes-e-lendas-brasileiras-na-lusosfera-parte-3/">aqui</a> você encontra a terceira e última parte da série.</p>
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		<title>América Latina: Mais histórias, fantasmas, demônios e assombrações</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/16/america-latina-mais-historias-fantasmas-demonios-e-assombracoes/</link>
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		<pubDate>Thu, 16 Oct 2008 21:35:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Duende</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Arte & Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Ecuador]]></category>
		<category><![CDATA[Entretenimento]]></category>
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		<description><![CDATA[Nesta segunda parte da série Mitos, Tradições e Lendas da América Latina, nós vamos conhecer as Almas venezuelanas e seus negócios não terminados, a Sayona e o Assobiador, e mitos equatorianos como o mito de fundação de Guayas e Kil, Padre Almeida, o Padre Sem Cabeça, os gagones (algo parecido com os familiares das bruxas) e o mito da Catedral de Cantuña.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/juliana-rincon-parra/">Juliana Rincón Parra</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/daniel-duende/'>Daniel Duende</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/10/11/latin-america-more-lore-ghosts-demons-and-frights/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Nesta segunda parte da série Mitos, Tradições e Lendas da América Latina, nós vamos conhecer as Almas venezuelanas e seus negócios não terminados, a Sayona e o Assobiador, e mitos equatorianos como o mito de fundação de Guayas e Kil, Padre Almeida, o Padre Sem Cabeça, os gagones (algo parecido com os familiares das bruxas) e o mito da Catedral de Cantuña. Você pode ler a parte 1 da série <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/07/america-latina-historias-fantasmas-demonios-e-assombracoes/">aqui</a>.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/10/337797347_409a072b45_m.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-51312" title="Starry Night by Noahg." src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/10/337797347_409a072b45_m.jpg" alt="starry night" /></a><br />
<small><a href="http://www.flickr.com/photos/noahbulgaria/337797347/">Starry Night</a> por <a href="http://www.flickr.com/photos/noahbulgaria/">Noahg.</a></small></p>
<p>Os mitos e tradições da Venezuela parecem ser voltados a ensinar às pessoas a importância de manter suas promessas, sejam elas os votos de casamento ou as promessas feitas aos mortos. Sobre o primeiro tipo de promessas quebradas, o mito da Sayona e do Silbón (Assobiador) são similares. No primeiro caso, a Sayona é uma assombração que aparece para homens infiéis para assustá-los, e com na esperança de certificar-se que eles nunca mais tentem ser infiéis. A lenda diz que ela pensou que seu marido estivesse dormindo com sua mãe, e matou os dois. Sua mãe, em seu último suspiro, a amaldiçoou a errar eternamente pelo mundo, e nunca conhecer a paz. O blogue <a href="http://pensamientocritico.wordpress.com/2007/02/25/la-sayonaleyenda-venezolana/">Pensamiento Critico </a>[Es] publica um dos &#8220;testemunhos em primeira mão&#8221; de como a aparição da Sayona endireitou os caminhos de homens perdidos.</p>
<p>Uma outra assombração, o Silbón ou Assobiador, como nos conta Ricardo em seu blogue <a href="http://fantasmasyaparecidos.blogspot.com/2007/02/el-silbn.html">Fantasmas e Aparições da Venezuela</a> [Es], tem a ver com um homem que, de acordo com certas versões do mito, acreditou que sei pai tivesse abusado de sua esposa, e decidiu matar o pai. Seu avô puniu então o neto pelo terrível assassínio amarrando-o em uma árvore e o chicoteando impiedosamente, para depois passar pimenta ardida em suas feridas e, por fim, soltando cachorros para perseguí-lo. O Assobiador, como o nome indica, faz um ruído de assobio quando se aproxima, mas quanto mais perto ele está, mais fraco é o som. Se você o escuta muito alto, como se estivesse muito perto, é porque na verdade ele está muito longe. Outra forma de saber se o Assobiador está por perto é pelo barulho de ossos batendo que o acompanha a todo lugar, produzido pelos ossos de seu pai, que ele carrega no saco que leva nas costas. Diz-se que se o Silbón parar na casa de alguém para contar os ossos em seu saco, e ninguém ouví-lo, alguém naquela casa irá morrer no dia seguinte mesmo.</p>
<p>Um outro mito relacionado a promessas quebradas tem a ver com o fantasma Pica-Pica. Aparentemente, um fazendeiro perdeu uma mula no campo, e enquanto a procurava, encontrou o cadáver não enterrado de um soldado sob uma árvore. Ele pediu a ajuda do soldado para encontrar a mula, prometendo em retorno dar a ele um enterro crisão. A mula apareceu, mas o fazendeiro não cumpriu o seu lado da negociação, e então ficou muito doente. Ele contou a seus filhos sobre as promessas quebradas, mas mesmo depois que eles foram e enterraram o soldado, seu pai, o fazendeiro, ainda morreu. Esta lenda é contada por <a href="http://kbulla.blogspot.com/2005/08/fantasmas-de-sombra-y-luna.html">Kbulla em seu blogue</a> [Es].</p>
<p>Do Equador, <a href="http://leyendasdelecuador.blogspot.com/2006/04/cantua.html">Steven, Álvaro, Andrés e Alexis escrevem no blogue Leyendas del Ecuador</a> [Es] sobre as duas versões da Lenda Indígena de Cantuña. Na versão falsa, ele teria feito um pacto com o diabo para terminar de construir a catedral a tempo, e depois conseguiu evitar de vender a sua alma ao impedir que o último tijolo fosse colocado, &#8220;finalizando&#8221; a obra. A versão &#8220;verdadeira&#8221; menciona que Cantuña era um nativo que foi adotado por colonos espanhóis, e quando estes passavam por um apuro econômico, Cantuña prometeu que se algumas mudanças fossem feitas na estrutura da casa, ele iria resolver seus problemas. E assim aconteceu, e havia sempre dinheiro disponível, em grandes quantidades, e então os padres começaram a se perguntar de onde vinha aquela fortuna. Cantuña disse a eles que havia feito um pacto com o diabo para continuar conseguindo dinheiro, mas na verdade, ele estava comandando uma operação de derretimento, onde ele derreria barras de ouro e estatuetas incas para transformá-los em moedas.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/10/677786684_ca7686fedb_m.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-51313" title="Noche de Luna Llena by *L*u*z*a*" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/10/677786684_ca7686fedb_m.jpg" alt="Full Moon night" /></a><br />
<small><a href="http://www.flickr.com/photos/luchilu/677786684/">Noche de Luna Llena</a> por <a href="http://www.flickr.com/photos/luchilu/">*L*u*z*a*</a></small></p>
<p><a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Leyenda_de_Guayas_y_Quil">A Lenda de Guayas e Quil (ou Kil)</a> [Es] conta como a cidade de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Guayaquil">Guayaquil</a> obteve seu nome: conta a lenda que um líder indígena prisioneiro, chamado Guayas, descobriu que os espanhóis desejavam tomar a sua bela esposa, Kil. Ele disse então aos espanhóis que poderia dar a eles muitas riquezas se eles deixassem sua esposa em paz e os garantisse a liberdade. Ele então levou os espanhóis ao topo de uma montanha e pediu a eles por um bastão longo para mover uma pedra. Quando lhe deram uma lança, ele trepassou com ela o coração de sua esposa e depois se impalou na mesma lança, dizendo aos espanhóis que ele estava tomando dois tesouros, o Rio, cheio do sangue de seus irmãos, e sua esposa, para acompanhá-lo até a terra do Sol.</p>
<p>O blogueiro <a href="http://ladrillazos.blogspot.com/2006/08/monumentos-la-mentira.html">Dunn</a> [Es] tem algo a dizer sobre esse mito, e sobre as estátuas que foram erigidas em seu nome. Ele diz que a palavra Guayaquil vem da língua Huancavilca e significa &#8220;Nossa Grande Casa&#8221;, e que não faz sentido continuar perpetuando uma lenda em vez de se fazer monumentos aos verdadeiros heróis, como a Nação Indígina nativa como um todo.</p>
<p>O Padre Sem Cabeça e o Padre Almeida tem origens similares. De acordo com o blog de <a href="http://mama-puma.blogspot.com/2008/04/leyenda-de-cuenca.html">Mama-puma </a>[Es], o Padre Sem Cabeça apareceu em um bairro popular de San Roque, e era de fato nada mais do que um padre normal que, por ter que se esgueirar até a casa de suas amantes, levantava sua batina acima da cabeça para que as pessoas se assustassem e corressem, e não o reconhecessem.</p>
<p>Já o <a href="http://www.cuco.com.ar/ecuador1.htm">Padre Almeida</a> [Es], dizem ter sido um monge que decidiu que uma vida de contemplação não era bem a sua praia, e que escapava do monastério subindo no Cristo crucificado atrás do altar e se esgueirando através das janelas do clerestório. Sempre que ele voltava, já muito bêbado, ele ouvia e via Cristo movendo seus lábios e perguntando &#8220;Até quando, Padre Almeida?&#8221;. A isso, o monge respondia &#8220;Até a próxima vez&#8221;. Finalmente, em uma de suas saídas, o monge viu uma procissão funerária, e quando ele perguntou aos monges que cercavam o caixão quem havia morrido, eles todos responderam &#8220;Padre Almeida&#8221;. Ao perceber que eram na verdade esqueletos os monges que carregavam o caixão, ele correu todo o caminho até o monastério, e nunca mais voltou a pecar.</p>
<p>O último mito, que fala sobre os Gagones, é um pouco mais estranho do que os anteriores. Dizem que os Gagones são a forma que o espírito de uma pessoa toma se estiver em pecado. Eles saem à noite para encontrar seus pares, e começam a fazer amor freneticamente, acariciando e se entrelaçando uns com os outros, mas os seus donos não podem vê-los. Aqueles que enxergam os gagones podem saber o estado de pecado em que se encontram os donos das almas: se os gagones estão presos um ao outro como cães, isso significa que seus donos estão em uma relação adúltera. Os gagones aparecem para aqueles que estão pecando com um membro da família ou parente, e se um gagon é apanhado e uma cruz feita de cinzas é pintada em sua testa, então você pode achar o dono daquele gagon, pois ele também terá uma cruz de cinzas em sua testa. Se você é puro de coração, você pode facilmente pegar um gagon e mantê-lo até o nascer do sol, e então você o deixa ir e o segue enquanto ele corre para se reencontrar com seu dono. Isso foi encontrado no blogue <a href="http://yapa-digital.blogspot.com/">Yapa Digital</a> [Es].</p>
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