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	<title>Global Voices em Português &#187; Indígenas</title>
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	<description>O mundo está falando. Você está ouvindo?</description>
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		<title>Camboja: Polêmico projeto de iluminação do Angkor Wat</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/06/14/camboja-polemico-projeto-de-iluminacao-do-angkor-wat/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/06/14/camboja-polemico-projeto-de-iluminacao-do-angkor-wat/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 14 Jun 2009 21:49:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Maestre</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte & Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Cambodia]]></category>
		<category><![CDATA[East Asia]]></category>
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		<category><![CDATA[História]]></category>
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		<description><![CDATA[Para divulgar passeios "sob a luz da noite" e virar a queda de 20% no número de visitantes, o governo cambojano instalou iluminação artificial no templo Angkor Wat, de 11 séculos de existência. Este projeto sofre a oposição de alguns conservacionistas do patrimônio e cidadãos cambojanos preocupados. O Angkor Wat é o ponto turístico mais popular no Camboja e é reconhecido como Patrimônio Mundial.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/mong/">Mong Palatino</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/carlosmaestre/'>Carlos Maestre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/06/14/cambodia-controversial-angkor-wat-lighting-project/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Para divulgar <a href="http://khmernews.net/2009/05/angkor-lights-stir-controversy/">passeios &#8220;sob a luz da noite&#8221;</a> [en] e virar a queda de 20% no número de visitantes, o governo cambojano instalou iluminação artificial no templo Angkor Wat, de 11 séculos de existência. Este projeto sofre a oposição de alguns conservacionistas do patrimônio e cidadãos cambojanos preocupados. O Angkor Wat é o ponto turístico mais popular no Camboja e é reconhecido como Patrimônio Mundial.</p>
<p>Especialistas em conservação do patrimônio descrevem as lâmpadas instaladas como <a href="http://www.southeastasianarchaeology.com/2009/05/29/heritage-advocate-appeal-cambodian-pm-angkor-wat-lights/">&#8220;desconfortáveis&#8221;</a> [en]. Desde 2006, mais de <a href="http://detailsaresketchy.wordpress.com/2009/05/26/angkor-by-night/">$12 milhões</a> [de dólares, en] foram gastos na iluminação do templo. Ela faz parte do grande projeto de transformar o Angkor Wat em um <a href="http://sophanse.blogspot.com/2009/06/lighting-project-part-of-broader-push.html">complexo para palcos de entretenimento</a> [en].</p>
<p>O governo defende a decoração com luzes argumentando que tem o apoio da <a href="http://realcambodia.blogspot.com/2009/06/new-lighting-to-be-installed-at-angkor.html">UNESCO</a> [en]. Autoridades acrescentaram também que apenas tecnologia <a href="http://www.southeastasianarchaeology.com/2009/06/05/cambodian-officials-refute-damage-by-light-fixtures-angkor-revenues-down-20/">de luz proveniente da energia solar</a> [en] foi usada no projeto.</p>
<p>O público ficou perplexo quando descobriu que buracos foram feitos no templo para a instalação de lâmpadas elétricas. A informação foi <a href="http://cambodiamirror.wordpress.com/2009/05/25/holes-are-drilled-into-the-angkor-wat-temple-to-attach-electric-bulbs-who-is-wrong-the-sou-ching-company-the-tuy-nasy-company-or-the-apsara-authority-monday-25-5-2009/">negada</a> [en] pelo governo e pela executora do projeto:</p>
<blockquote><p>“The working team explained that they have a technique to set up electric bulbs which causes no harm to the temple. They install bulbs by using cork stoppers put into already existing holes, and they set up lights only where it is possibly, and also at the lower layers of the stone. The working team claims that the heat of the bulbs is weak and does not affect the temple.”</p></blockquote>
<div class="translation">&#8220;A equipe que está trabalhando nisso explicou que tem uma técnica para posicionar as lâmpadas sem causar danos ao templo. Eles instalam as lâmpadas usando rolhas em buracos já existentes e colocam as luzes somente onde é possível, e também nas camadas mais baixas das pedras. A equipe alega que o calor das lâmpadas é fraco e não afeta o templo.&#8221;</div>
<p>A polêmica tornou-se mais intensa quando a pessoa que denunciou a iluminação do Angkor Wat foi <a href="http://ki-media.blogspot.com/2009/06/nobody-is-allowed-to-criticize-hun-sens.html">processada</a> [en] por um advogado do governo sob a alegação de divulgar informações falsas. O acusado fugiu para a França para evitar ser processado.</p>
<div id="attachment_80031" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px;"><a href="http://www.flickr.com/photos/dragonwoman/31029519/"><img class="size-medium wp-image-80031" title="angkor" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/06/angkor-300x214.jpg" alt="Templo Angkor Wat. Da página de DragonWoman no Flickr" width="300" height="214" /></a></p>
<p class="wp-caption-text">Templo Angkor Wat. Da página de DragonWoman no Flickr</p>
</div>
<p>Abaixo estão algumas reações da blogosfera cambojana. Vindo de <em><a href="http://sokheounpang.wordpress.com/2009/06/10/angkor-wat-light-or-lie/">The Son of the Empire</a></em> [O Filho do Império, en]:</p>
<blockquote><p>Can this equipped light attract more tourists to Angkor Wat and Cambodia as a whole while a leader of a country is incompetent to lead a country with transparency, security, stability, human right respect, and yet committing corruption and dependent on alm and submitting to neigboring countries?</p>
<p>Personally, the light decoration is untolerable and I think those who allow this project to be carried out is considered as a traitor and are untolerable.</p>
<p>Those people must think about the long term and should have done their best to preserve this most wonderful work of our greatest ancestors who have built this marvelous heritage for the world, for us and has become the soul, the spirit, and the pride of our people and nation.</p></blockquote>
<div class="translation">Pode esta iluminação atrair mais turistas ao Angkor Wat - e ao Camboja como um todo - enquanto o líder de um país é incompetente para liderar um país com transparência, segurança, estabilidade, respeito aos direitos humanos, e ainda cometer corrupção e ser dependente e submeter-se a todos os países vizinhos?</p>
<p>Pessoalmente, a decoração com luzes é intolerável e penso naqueles que permitem tal projeto ser executado como em traidores e são intoleráveis.</p>
<p>Essas pessoas devem pensar no longo prazo e deveriam ter feito o possível para preservar este maravilhoso trabalho de nossos grandes ancestrais que construíram este maravilhoso patrimônio para o mundo, para nós e se tornou a alma, o espírito e o orgulho de nossas pessoas e nações.</p></div>
<p><em>Real Cambodia</em> <a href="http://realcambodia.blogspot.com/2009/06/would-you-be-more-likely-to-visit.html">aprecia</a> [en] o esforço em melhorar a imagem do Angkor Wat:</p>
<blockquote><p>I kind of like the idea of seeing Angkor Wat at night. I imagine some of the statues, carvings, and shadows would be pretty amazing, particularly after happy hour. And hopefully they&#39;d use really environmentally-friendly lighting, like LED lights, in a smart and innovative way, creating lots of trippy, dramatic angles. But I&#39;d also hope they left most of the park undisturbed, all the better to retain its unique position at the nexus of natural and supernatural.</p></blockquote>
<div class="translation">Eu meio que gosto da idéia de ver o Angkor Wat à noite. Imagino algumas das estátuas, das inscrições e as sombras seriam algo incrível, principalmente depois do happy hour. E, esperançosamente, eles usaram luzes que não causam danos ao ambiente, como LEDs, de forma inteligente e inovadora, criando ângulos dramáticos e descolados. Mas também espero que eles tenham deixado a maior parte do parque intocada, tudo de melhor para manter sua posição entre o natural e o sobrenatural.</div>
<p><em>The Southeast Asian Archaeology Newsblog</em> adverte que o número crescente de turistas no Angkor Wat é <a href="http://www.southeastasianarchaeology.com/2009/06/08/angkor-lights-good-tourism-bad-conservation/">ruim para os negócios</a> [en]:</p>
<blockquote><p>The move may serve to boost falling tourism numbers, but does nothing to address what heritage specialists have been saying for years - that the effects of increased traffic to Angkor is ultimately bad for business.</p></blockquote>
<div class="translation">A iniciativa pode servir para levantar o decadente número de turistas, mas não faz nada para ajudar no que especialistas do patrimônio dizem há anos - que os efeitos do aumento de visitantes no Angkor fazem mal para os negócios.</div>
<p>Um comentarista anônimo <a href="http://ki-media.blogspot.com/2009/06/critic-of-temple-lighting-writes-hun.html">renega</a> [en] o projeto de iluminação:</p>
<blockquote><p>Even from a plain, regular guy like me, I could see that the lighting was absolutely inappropriate for a sacred monument any where in the whole world, let alone a magnificent heritage like Angkor Wat. Who ever came up with that idea should be fired from his job!!!! No sense of fine aesthetic, whatsoever!!!</p></blockquote>
<div class="translation">Mesmo um cara normal, como eu, pode ver que a iluminação é totalmente inapropriada para um monumento sagrado em qualquer lugar do mundo, sem falar de um patrimônio magnífico como o Angkor Wat. Quem teve a idéia deveria ser despedido de seu emprego!!!! Não tem noção de estética, ou seja lá do que for!!!</div>
<p>O <a href="http://ki-media.blogspot.com/2009/06/mr-heng-samrin-agreed-with-mr-son.html">vice primeiro ministro</a> [en] será convocado pelo parlamento para responder perguntas a respeito do polêmico projeto.</p>
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		<title>Bolívia: Ditos populares na língua Aymara</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/24/bolivia-ditos-populares-na-lingua-aymara/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/24/bolivia-ditos-populares-na-lingua-aymara/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2009 14:19:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Maestre</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Bolivia]]></category>
		<category><![CDATA[Indígenas]]></category>
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		<description><![CDATA[Publicado originalmente porEduardo Avila  &#183; Traduzido por Carlos Maestre &#183;  Veja o post original 
Nancy Condori de El Chairo[es] dá exemplos de ditos populares na língua Aymara [es, aymara].
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/eduardo-avila/">Eduardo Avila</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/carlosmaestre/'>Carlos Maestre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/04/24/bolivia-popular-sayings-in-aymara-language/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Nancy Condori de <em>El Chairo[es]</em> dá exemplos de <a href="http://elchairo.blogspot.com/2009/04/mensajes-aymaras-aymar-arjawinaka.html">ditos populares na língua Aymara</a> [es, aymara].</p>
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		<title>Colômbia: Mutirão humanitário recupera corpos de indígenas Awá</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/20/colombia-mutirao-humanitario-recupera-corpos-de-indigenas-awa/</link>
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		<pubDate>Mon, 20 Apr 2009 22:59:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Maestre</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colombia]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra & Conflito]]></category>
		<category><![CDATA[Humanitário]]></category>
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		<description><![CDATA[Um grupo com 470 indígenas colombianos participou de uma minga humanitária, que é uma missão coletiva por uma meta em comum, para recuperar os corpos de membros das comunidades indígenas Awá assassinados eplas FARC, que os acusaram de cooperar com o exército. O blog da Organização Nacional Indígena da Colômbia (ONIC) manteve atualizações regulares durante o progresso da minga, assim como a situação que levou à ação.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/julian-ortega/">Julián Ortega Martínez</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/carlosmaestre/'>Carlos Maestre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/04/08/colombia-humanitarian-minga-recovers-bodies-of-awa-indigenous/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="single" class="entry">
<p>No dia 23 de março de 2009, um grupo com 470 indígenas colombianos, a maioria das regiões Central e Sudoeste, <a href="http://www.onic.org.co/actualidad.shtml?x=35828">partiram</a> [es] de <a href="http://barbacoas-narino.gov.co/apc-aa-files/36613333633238316561376165636435/Comollegar.JPG">El Diviso</a> [es], uma cidade pequena (<em>corregimiento</em>) pertencente ao <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Barbacoas">município Barbacoas</a> [es] no departamento de Nariño. Era a &#8216;<em>minga</em> humanitária&#39; [mutirão típico em países da hispano-américa], uma missão que os indígenas levaram a cabo para <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2009/03/27/colombia-buscando-os-corpos-de-indigenas-assassinados/">resgatar os corpos</a> de seus companheiros da tribo Awá, <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/13/colombia-a-comunidade-indigena-awa-no-meio-da-guerrilha/">assassinados em fevereiro</a> pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) (que por sua vez <a href="http://anncol.eu/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=1835&amp;Itemid=9">admitiram</a> ter matado 8 indígenas, acusando-os de cooperar com o exército). Uma semana mais tarde, no dia 2 de abril, o grupo com cerca de 700 pessoas (incluindo alguns jornalistas da mídia doméstica, da alternativa e especialmente da estrangeira, o senador indígena Jesús Piñacué, e dois oficiais do Ministério Público [Defensoría del Pueblo]; e aproximadamente outras 300 que aderiram à marcha pelo percurso) voltaram a El Diviso, onde realizaram uma conferência pública. A <em>minga</em> conseguiu recuperar 8 corpos, entre eles, 5 do massacre de fevereiro.</p>
<h3>A jornada</h3>
<p>A Organização Nacional Indígena da Colômbia (ONIC), responsável por organizar a <em>minga</em> em parceria com a Unidade Indígena do Povoado Awá (UNIPA), publicou diariamente artigos sobre o mutirão em seu blog. No dia 25 de março, <a href="http://www.onic.org.co/actualidad.shtml?x=35831">ela publicou</a> [es] um relatório sobre a Assembléia Extraordinária das Autoridades Indígenas, realizada no final de semana anterior da <em>minga</em>, cuja discussão foi como [os Awá] acabaram ficando no meio do conflito armado interno colombiano:</p>
<blockquote><p>En esta región del país donde habitan cerca de 15.000 indígenas Awá la disputa por el control territorial por parte de los actores armados legales e ilegales y algunas estructuras del narcotráfico en medio de las comunidades indígenas ha puesto en riesgo la integridad física, cultural y territorial de los indígena[s]. Para la Asamblea [Extraordinaria de Autoridades Indígenas] esta disputa: “ha vulnerado nuestros derechos y nuestra autonomía, desconociéndonos como sujetos políticos y de derechos y nos consideran como estorbos tanto para el régimen de derecha como de izquierda por el hecho de defender nuestra madre tierra, nuestra autonomía y cosmovisión propia, por nuestra posición integral, amplia, clara, transparente en la insistencia por defender la vida”.</p></blockquote>
<div class="translation">Nesta região do país onde habitam cerca de 15.000 indígenas Awá, a disputa pelo controle territorial por parte do atores armados, legais e ilegais, e algumas estruturas do narcotráfico, no meio das comunidades indígenas, colocou em risco a integridade física, cultural e territorial dos indígena[s]. Para a Assembléia [Extraordinária das Autoridades Indígenas] esta disputa: &#8220;deixou vulneráveis os nossos direitos e a nossa autonomia, desconhecendo-nos como sujeitos políticos e de direitos e nos consideram como estorvos, tanto para o regime de direito, como o de esquerda, tudo por defender nossa terra mãe, nossa autonomia e cosmovisão prórpia, por nossa própria posição integral, ampla, clara, transparente na insistência para defender a vida&#8221;.</div>
<p>Também no dia 25 de março, a <em>minga</em> <a href="http://www.onic.org.co/actualidad.shtml?x=35848">encontrou</a> [es] uma cova com os corpos de Orlando Taicús (pai), James Taicús e Hugo Taicús (filhos), quem, de acordo com as autoridades indígenas e baseado na informação dada pela comunidade, foram assassinados pelas FARC em setembro de 2008. O <a href="http://www.onic.org.co/actualidad.shtml?x=35865">relatório de uma comissão investigativa da <em>minga</em></a> [es], divulgado no dia 2 de abril, menciona que uma garota menor de idade da mesma família teve a perna amputada depois de ser acertada pelo tiro de um rifle. O resto da família (&#8221;três viúvas e quatro crianças órfãs&#8221;) fora retiradas do território. Na publicação do dia 27 de março, os indígenas alegaram ter encontrado membros das forças de segurança pública dentro do território Awá, e exigiram que todos os grupos armados cessarem fogo contra a <em>minga</em>.</p>
<p>No dia 29 de março, a <em>minga</em> chegou ao lugar onde o massacre de fevereiro provavelmente ocorreu, a remota reserva (<em>resguardo</em>) de Tortugaña Telembí, e <a href="http://www.onic.org.co/actualidad.shtml?x=35853">encontrou</a> [es] quatro cadáveres, dois homens (um tinha 15 anos de idade) e duas mulheres grávidas, ambas com menos de 25 anos. O artigo afirma também que uma comissão de peritos do Ministério Público chegou à selva, guiada e protegida pela guarda indígena. Às crianças que morreram ainda no útero de suas mães, foram dados os nomes póstumos de Ñambí e Telembí, e <a href="http://www.onic.org.co/actualidad.shtml?x=35867">homenageadas</a> [es] pela <em>minga</em> no caminho de volta.</p>
<p>No dia seguinte, um corpo sujo foi encontrado nas proximidades, junto a provas da presença de grupos armados, como Sergio Vargas, do jornal alternativo <em>El Macarenazoo</em>, <a href="http://elmacarenazoo.es.tl/UN-%C9XITO-LA-MINGA-HUMANITARIA-AW%C1.htm">escreve</a> [es]:</p>
<blockquote><p>En el octavo día de Minga, lunes 30 de marzo, se desplazó la última comisión a una vereda cercana de El Volteadero, loma arriba. Allí, se encontró la octava tumba, se hizo el registro pertinente, pero, además, se hallaron pruebas de la presencia guerrillera: Trincheras construidas en el subsuelo y galones con estopines, aparentemente utilizados como bombas que funcionan con el mismo mecanismo de las minas quiebra patas, incluso se hallaban banderas blancas justo encima de donde estaban construidas las trincheras.</p>
<p>En el paso que utilizamos cerca de cuatro veces para desplazarnos de El Volteadero a El Bravo encontramos una mina que estaba desactivada, pero que fue acordonada por la seguridad de los mingueros. Estaba tapada con tierra, pero la salida de dos cables dio cuenta de que estuvimos al borde de una tragedia, no queríamos venir con más muertos. En ese mismo paso, se encontraba, al lado de la trocha, un laboratorio de procesamiento de cocaína. Desde la primera hasta la última vez que lo vimos hubo cambios sustanciales; al principio un plástico transparente lo recubría, pero ya al final éste se había caído, y varias canecas en su interior habían sido movidas. La Minga tenía prohibido pisar este tipo de terrenos, por lo cual es ilógico pensar que un miembro de la comisión humanitaria pudiera haber generado estos cambios, además integrantes de la guardia indígena aseguraron haber visto en sus inmediaciones dos guerrilleros armados ingresando al laboratorio.</p></blockquote>
<div class="translation">No oitavo dia da minga, segunda-feira, 30 de março, a última comissão se deslocou a um povoado próximo de El Volteadero, costa acima. Ali encontrou-se a oitava tumba, foi feito o registro pertinente, mas, além disso, foram encontradas provas da presença guerrilheira: trincheiras construídas no subsolo e galões com pavios, aparentemente utilizados como bombas, que funcionam com o mesmo mecanismo das minas terrestres; foram encontradas inclusive bandeiras brancas justo acima de onde estavam construídas as trincheiras.</p>
<p>No caminho que utilizamos uma quatro vezes para nos deslocar de El Volteadero a El Bravo, encontramos uma mina que estava desativada, mas foi fechada pela segurança dos participantes da minga. Esta tampada com terra, mas a ponta da fiação mostrou que estivemos perto de uma tragéria, não queríamos voltar com mais mortos. Nesse mesmo caminho encontrava-se, ao lado do acesso, um laboratório de processamento de cocaína. Desde a primeira até a última vez que o vimos teve mudanças substanciais; a princípio, um plástico trasparente o cobria, mas no final este já estava caído, e várias garrafas dentro dele tinham sido movidas. A Minga proibiu de pisar neste tipo de terreno, pelo qual é ilógico pensar que um membro da comissão humanitária pudesse ter gerado tais mudanças, além disso, integrantes da guarda indígena afirmaram ter visto dois guerrilheiros armados entrando no laboratório em seu arredores.</p></div>
<p>Vargas também ataca aos meios de comunicação em massa (chamando-os de &#8220;meios massivos de propaganda&#8221;) por terem &#8220;insultado a <em>minga</em>&#8221; ao alegar que os indígenas &#8220;estavam mortos de fome&#8221; e que o senador Piñacué foi uma das pessoas mais afetadas. Tudo por causa de dois helicópteros (um da Cruz Vermelha Colombiana e outro da agência de cooperação governamental da Ação Social) que tinham chegado à área carregando alimentos. De acordo com Vargas, a comida foi entregue ao povo indígena deslocado em El Diviso.</p>
<h3>O relatório da comissão investigativa</h3>
<p>Finalmente, a <em>minga</em> voltou para El Diviso e apresentou o relatório feito por uma comissão investigativa. Apesar de não ter encontrado todos os corpos (além dos 8 mortos assumidos pelas FARC, houve outros 3 assassinatos e mais 6 indígenas estão desaparecidos), a <em>minga</em> alegou que <a href="http://www.onic.org.co/actualidad.shtml?x=35864">realizou</a> [es] seu objetivo inicial, condenando as FARC &#8220;pela crueldade de decapitar, torturar, e assassinar nossos irmãos Awá&#8221;, incluindo duas mulheres grávidas e suas crianças, somando-se que as FARC estão cometendo crimes de guerra e crimes contra a humanidade. A <em>minga</em> também condenou outras forças armadas, assim como a guerrilha ELN, os esquadrões paramilitares, e Los Rastrojos — um bando narco-traficante —, &#8220;que abusam dos direitos humanos de nossas comunidades e fere a autonomia de nossas pessoas&#8221;. A comissão prosseguiu, dizendo que &#8220;qualquer ato de violência cometido por forças armadas, venham de onde for, serão condenados e denunciados por nossas organizações e [outras] organizações de direitos humanos&#8221;, demandando que os autores intelectuais e materiais do massacre sejam condenados. Também esclareceu que ao contrário do declarado por alguns meios de comunicação <a href="http://globalvoicesonline.org/2009/02/17/colombia-the-awa-indigenous-community-caught-in-the-middle/#comment-1554527">publicaram baseando-se nos relatórios do Exército</a>, &#8220;não havia corpos&#8221; com minas terrestres sobre eles.</p>
<p>O <a href="http://www.onic.org.co/actualidad.shtml?x=35865">relatório da comissão investigativa</a> [es] dá detalhes do que a <em>minga</em> encontrou durante sua jornada de 10 dias:</p>
<blockquote><p>En desarrollo del recorrido se logró llegar a la quebrada el Ojal, perteneciente a la comunidad el Bravo, encontrando allí, a las 12: 45 PM, el cuerpo sin vida de Omaira Arias Nastacuás, quien fuera brutalmente asesinada contando al momento de los hechos con 3 mese[s] de embarazo. Según los testimonios, este cuerpo padecía muestras de torturas practicadas por arma blanca.</p>
<p>(…)</p>
<p>En la misma avanzada en predios de la desembocadura de la quebrada el Ojal al rio Bravo se logró encontrar los cuerpos (sic) de Blanca Patricia Guanga Nastacuas con aproximadamente 18 años de edad, quien en el momento de los hechos contara con 7 meses de embarazo. Se evidenció que su vientre fue abierto con arma blanca, extrayéndole el bebe. No logrando encontrar el cuerpo del bebe.</p>
<p>Al lado se encontró el cadáver de Robinson Cuasalusan, quien padeciera las mismas formas de torturas. Dedos amputados y degollado su cuello.</p></blockquote>
<div class="translation">No desenrolar [da minga] conseguimos chegar à desembocadura de Ojal, pertencente à comunidade de El Bravo, encontrando ali, às 12:45 PM, o corpo sem vida de Omaira Arias Nastacuás, quem foi brutalmente assassinada aos 3 meses de gravidez. Segundo testemunhas, o corpo tinha indícios de torturas praticadas por arma branca.</p>
<p>(…)</p>
<p>Na mesma investida, próximo à desembocadura de el Ojal com o rio Bravo, conseguimos encontrar os corpos (sic) de Blanca Patricia Guanga Nastacuas com aproximadamente 18 anos de idade, grávida de 7 meses. Ficou evidente que seu ventre foi aberto com uma arma branca, sacando o bebê. Não foi possível encontrar o corpo da criança.</p>
<p>Ao seu lado, foi encontrado o cadáver de Robinson Cuasalusan, quem sofreu as mesmas torturas. Dedos amputados e degolado pelo seu pescoço.</p></div>
<blockquote><p>La comisión denuncia la orden que dio la FARC a los pobladores de no tocar ni dar información sobre los cuerpos ni sobre lo sucedido so pena de muerte.</p>
<p>Para esta comisión es de claro conocimiento que los argumentos que las FARC, presenten como actos justificatorios, es una farsa, pues las comunidades indígenas de Tortugaña, no son colaboradores ni sapos del Ejercito, por el contrario son comunidades que se encuentra aterrorizadas por los constantes combates que se han venido desarrollando en esa parte del territorio indígena Awá.</p>
<p>Por último esta comisión concluye, que antes de ocurrir los hechos el Ejercito Nacional si estuvo, en las viviendas de las víctimas instando a los comuneros participar en su lucha contra la insurgencia.</p>
<p>Expuestas las anteriores consideraciones, queda claro que por un lado el territorio Awá de Tortugaña es un cementerio colectivo y que es la Minga Humanitaria la que logra destapar ese escenario de impunidad que se venía gestando en este territorio por causa del temor de sus pobladores.</p></blockquote>
<div class="translation">A comissão denuncia a ordem dada pelas Farc para que os moradores para não tocar e nem dar informações sobre os corpos e sobre o que aconteceu sob pena de morte.</p>
<p>Para esta comissão, é de claro conhecimento que os argumentos das FARC, apresentados como atos justificatórios, são uma farsa, porque as comunidades indígenas de Tortugaña não são colaboradoras do Exército nem informantes, pelo contrário, são comunidades que estão aterrorizadas pelas constantes batalhas que têm se desenvolvidao em parte do território indígena Awá.</p>
<p>Finalmente, o comitê concluiu que, antes de acontecerem os feitos, o Exército Nacional esteve, sim, nas casas das vítimas para instar a comunidade a participar na sua luta contra a insurgência.</p>
<p>Expostas as declarações acima, fica vidente que por um do lado o território Awá de Tortugaña é um cemitério coletivo e que a Minga Humanitária é quem consegue trazer à tona este cenário de impunidade gestado no território por causa do medo de seus moradores.</p></div>
<p>A <em>minga</em> alega ter conseguido fazer o que algumas instituições do Estado não conseguiram, tornando evidente que &#8220;muitos dos argumentos oficiais do governo são falsos e faltavam com a verdade política e desejo moral para resgatar os corpos e intervir nos problemas sociais do povo Awá&#8221;.</p>
<p>De acordo com a <a href="http://www.defensoria.org.co/red/?_item=0303&amp;_secc=03&amp;ts=2&amp;n=1390">nota de imprensa</a> [es] do Ministério Público, três dos corpos encontrados foram movidos pela comissão de peritos do Ministério Público para o porto de Tumaco, enquanto as coordenadas dos cinco restantes foram gravadas por oficiais para que o time de peritos técnicos do Procurador Geral desenterrem os cadáveres.</p>
<p>Caruri <a href="http://caruri.wordpress.com/2009/04/02/se-hicieron-los-locos/">concorda</a> [es] com as conclusões da <em>minga</em> a respeito do governo:</p>
<blockquote><p>En dos meses las autoridades colombianas no fueron capaces —ni tuveron siquiera la intención— de buscar esos muertos. Porque no eran suyos, no eran “de los suyos”, no eran importantes, no generaban retribuciones políticas, no daban votos.<br />
Qué lástima. Qué vergüenza!</p></blockquote>
<div class="translation">Em dois meses as autoridades colombianas não foram capazes - nem tiveram sequer a intenção - de buscar esses mortos. Porque não eram seus, não eram &#8220;dos seus&#8221;, não eram importante, não geravam retribuições políticas, não davam votos.<br />
Que pena. Que vergonha!</div>
<p>No domingo, a ONIC <a href="http://www.onic.org.co/actualidad.shtml?x=35868">relatou e denunciou</a> [es] a morte de Hermes Nastacuás, outro indígena Awá que pisou em uma mina terrestre colocada pelas FARC. Seus três filhos pequenos, que estavam andando com ele, ficaram feridos. As minas terrestres ficam na mesma área que a <em>minga</em> humanitária esteve dias antes. Esta notícia do crime ecoou pela <a href="http://www.elespectador.com/node/134164/">agência de notícias EFE</a> [es] e outros meios de comunicação locais.</div>
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		<title>Brasil: Escritores e poetas indígenas na blogosfera</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/14/trilogia-indigena-2-escritores-e-poetas-indigenas-na-blogosfera/</link>
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		<pubDate>Tue, 14 Apr 2009 19:36:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Deborah Goldemberg</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Literatura e poesia são os assuntos principais deste segundo artigo da trilogia que lança alguma luz sobre a blogosfera indígena brasileira. O assunto é controverso, com muitas pessoas afirmando que a idéia de uma literatura indígena é importada das tradições ocidentais. Contudo, há índios no Brasil que se auto-donominam poetas, escritores -- e blogueiros.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/deborah-goldemberg/">Deborah Icamiaba</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/deborah-icamiaba/'>Deborah Goldemberg</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/04/14/brazil-indian-writers-and-poets-on-the-blogsphere/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Há dentre os índios blogueiros do Brasil um grupo especial de escritora e poetas indígenas. Apesar de alguns antropólogos e lingüistas desacreditarem da noção de literatura indígena, traçando a origem deste conceito à cultura ocidental, particularmente a partir de Aristóteles, alguns índios brasileiros de origem ameríndia, apesar de também mestiça, se auto-declara como escritores da literatura indígena. Não só isso, mas estão publicando livros, tendo suas obras traduzidas para diversas línguas e blogando muito!</p>
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 210px"><img src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/04/daniel_munduruku1.jpg" alt="Foto de Daniel Munduruku" width="200" /><p class="wp-caption-text">Foto de Daniel Munduruku</p></div>
<p>O maior expoente desde movimento de literatura indígena é <a href="http://danielmunduruku.blogspot.com">Daniel Munduruku</a>, escritor indígena originário da Amazônia e residente em São Paulo, com mais de 30 livros publicados e diretor do <a href="www.inbrapi.org.br">Inbrapi</a>, entidade criada em 2001 com o objetivo de defender os conhecimentos tradicionais indígenas da biopirataria e exploração por terceiros. Daniel tem um <a href="http://www.danielmunduruku.com.br/">website</a> bilíngüe dedicado ao seu trabalho literário, na maior parte infanto-juvenil, mas no seu blog ele aproveita para chamar atenção para notícias importantes para os povos indígenas e apoiar causas que o inspiram. Por exemplo, neste Dia Internacional da Mulher, Daniel fez uma <a href="http://danielmunduruku.blogspot.com/2009/03/dia-internacional-da-mulher.html">bela declamação em prosa</a> para as companheiras:</p>
<blockquote><p>Penso compulsivamente nas mulheres. Não se trata de um olhar desejoso, mas corajoso.<br />
Corajoso porque, confesso, morro de inveja delas: da coragem, da obstinação, da intuição, do olhar sempre distante e sempre presente; da fortaleza e da fraqueza que revelam.<br />
Sei que poderão pensar que isso é humano, presente em homens e mulheres. Eu discordo. Conheço o masculino, convivo com ele em mim e sei que por mais esforço que faça percebo um lobo faminto, sem escrúpulos e sem medida.<br />
Acho que o homem masculino devia ouvir mais as mulheres. É claro eu alguns dirão que elas falam demais. Isso também é justo e certo, mas talvez falem muito por terem sido ouvidas tão pouco em passado recente e terem, por isso, que gritar para se fazerem ouvidas. Por isso tenho a impressão que nós homens, precisamos exercitar o sagrado direito de fazer silêncio, ouvir, ouvir e ouvir.<br />
Outros oponentes dessa teoria dirão que, assim, viraremos mulheres. Rebato o argumento dizendo: é disso que estou falando!<br />
Ao menos hoje temos que calar para deixar nossa intuição falar. E minha intuição diz que preciso sentir a dor do outro pra compreendê- lo em sua dimensão humana.<br />
Hoje quero ficar assim, miudinho, pequenininho, quietinho só para ver a magnitude do ser - mulher falar coisas que preciso ouvir.</p></blockquote>
<p>Falando em mulheres, o movimento da literatura indígena é magnificamente bem representado por Eliane Potiguara, escritora, professora e ativista indígena que em 2005 foi indicada para o Prêmio Nobel da Paz (Projeto Mil Mulheres do Mundo). Eliane, cuja origem é paraibana mas vive no Rio de Janeiro, tem um <a href="http://www.elianepotiguara.org.br/">website</a> próprio, aonde divulga sua obra literária, mas também mantém o <a href="http://blog.elianepotiguara.org.br/">blog</a> como parte de seu trabalho na rede <a href="http://www.grumin.org.br/">GRUMIN de Mulheres Indígenas</a>, da qual é fundadora e coordenadora. O blog é um instrumento de comunicação para as mulheres indígenas e traz um misto de literatura, oportunidades e chama atenção para episódios relevantes da luta das mulheres indígenas.</p>
<p>Recentemente, Eliane postou um <a href="http://blog.elianepotiguara.org.br/2008/12/03/vitoria-regia-aflorada-uma-flifloresta-em-flor-nos-proximos-tempos/">belo texto sobre a literatura dos excluídos</a> que expôs em um evento:</p>
<blockquote><p>A literatura dos excluídos ainda é uma pele de Boto que foi destruído ao longo dos séculos e que está esquecido e abandonado no fundo dos rios a precisar renascer_ ardentemente_ com a força da alma da natureza e humana. Mas essa natureza está envolta nas amarras dos séculos de dor, do obscurantismo, dos grandes enigmas e contradições da própria existência, do divino e do amor. A literatura ainda é um segmento cultural e político que não consegue chegar na totalidade das camadas menos privilegiadas social e economicamente do Brasil e do mundo.</p>
<p>Esse Boto Literário precisa ser salpicado com as lágrimas emocionadas da Natureza, muitas desvairadas lágrimas. Aí sim, essas feridas do mundo­_ que as mulheres indígenas as eternizaram com seus beijos de cura, bálsamos históricos, histórias não contadas e adormecidas no fundo do rio ou dos oceanos, essas sim, _ serão eternamente curadas, assim como o Boto literário.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 223px;"><img title="Eliane Potiguara" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/04/livro-eliane.jpg" alt="O mais recente livro de Eliane Potiguara" width="213" height="307" /></p>
<p class="wp-caption-text">O mais recente livro publicado por Eliane Potiguara</p>
</div>
</blockquote>
<p>Outro escritor indígena muito atuante é <a href="http://oliviojekupe.blogspot.com/">Olivio Jekupe </a>que tem uma trajetória de vida incrível, tendo superado diversos obstáculos para conseguir cursar filosofia e firmar-se como escritor que hoje é, com diversos livros publicados e traduções para o italiano. Olivio traz fortemente a questão de sua origem mestiça, o que é a realidade de muitos índios brasileiros:</p>
<blockquote><p>O mestiço é o mais discriminado nesse país, pois tanto eu quanto muitos no Brasil sofrem. Sei que sou mestiço e não tenho culpa de ser, e a miscigenação existe desde a chegada dos portugueses, não sou o primeiro índio não puro e não serei o último. Mesmo não sendo índio puro, quero dizer que tenho orgulho de ser o que sou e não podemos ter vergonha, meso que a sociedade nos discriminem.</p></blockquote>
<p>No seu blog, Olívio traz matérias sobre sua literatura indígena, por exemplo, a interessante <a href="http://oliviojekupe.blogspot.com/2009/01/o-saci-indio.html">história da origem indigena do Saci</a>, personagem do <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/11/01/assombracoes-e-lendas-brasileiras-na-lusosfera-parte-3/">folclore brasileiro</a> consagrado por Monteiro Lobato como um negro perneta, e informa que o verdadeiro Saci tem duas pernas!</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 462px"><a href="http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Saci_perere.jpg"><img src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/04/saci_perere.jpg" alt="Imagem do Saci Pererê de Monteiro Lobato. Imagem de André Koehne sob licença do Creative Commons" width="452" height="1234" /></a><p class="wp-caption-text">Imagem do Saci Pererê de Monteiro Lobato. Imagem de André Koehne sob licença do Creative Commons</p></div>
<blockquote><p>Não sei se já ouviram falar que o Saci na verdade é um personagem indígena e que tem duas pernas, é provável que não ouviram ainda, pois eu fui o primeiro que escreveu dois livros que fala sobre esse personagem, tenho dois livros com o título - Ajuda do Saci, da Editora DCL, e o outro que se chama - O Saci Verdadeiro, da Editora UEL. Nos meus livros eu tento mostrar que o personagem tem duas pernas e é um índio, diferente da visão de Monteiro Lobato.<br />
E sei que já tem documentários sobre esse tema, e muitas matérias que falei para jornalistas, e até teses de mestrado sobre o tema, como fez a escritora Graça Graúna onde ela fala do meu livro, O Saci Verdadeiro.<br />
É importante que todos possam conhecer esse personagem onde tento mostrar o que nas Aldeias Guarani é comum ouvir sobre ele.<br />
Sei que um dia minhas histórias serão tão conhecida que serei convidado para dar palestras em vários cantos do Brasil, de Norte a Sul do Brasil.</p></blockquote>
<p>Olívio menciona <a href="http://ggrauna.blogspot.com/ ">Graça Graúna </a>que é outra escritora indígena, poetisa, da região Nordeste do Brasil, de origem do Rio Grande do Norte mas residente em Pernambuco, tão ativa na vida quanto na blogsfera. Seu blog é premiado, muito visitado e traz um misto de notícias sobre literatura indígena e maravilhosos trechos de sua poesia. Dentre tantas, colhi uma <a href="http://ggrauna.blogspot.com/2009/03/tempo-de-poesia.html">poesia</a> para vocês saborearem, que é também flor:</p>
<blockquote><p>aos poetas Carlos e Sônia Brandão</p>
<p>&#8230; que Ñanderu* acolha<br />
as pedras da nossa canção.<br />
Que seja pedra enquanto leveza<br />
o sinal: sem poesia os tempos não existirão<br />
Graça Graúna, Nordeste do Brasil, 12 de março de 2009.</p>
<p>* Ñanderu em guarani, significa Nosso Pai; o Grande Espírito, o Criador.</p></blockquote>
<p>Para quem quiser conhecer mais sobre literatura indígena, vale visitar o <a href="http://escritoresindigenas.blogspot.com/">blog do NEARIN</a>, Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas do <a href="http://www.rodadehistoriasindigenas.com.br/parcerias_inbrapi.htm">INBRAPI</a>. O blog é organizado com o objetivo de oferecer um espaço para o debate de idéias em torno da literatura e arte indígena. Traz uma diversidade de notícias sobre o tema, relatando eventos ocorridos em várias partes do país e também uma lista de autores e livros de literatura indígena. Para quem estiver em São Paulo neste dia 19 de Abril, Dia do Índio, vale a pena conferir o I Sarau das Poéticas Indígenas, na Casa das Rosas, Av. Paulista, 37, a partir de 15 hs.</p>
<p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;">
<p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/04/convite20virtual_indios1.jpg"><img class="size-full wp-image-2655 aligncenter" title="convite20virtual_indios1" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/04/convite20virtual_indios1.jpg" alt="convite20virtual_indios1" width="483" height="288" /></a></p>
<h5 style="text-align: center;">Convite para o I Sarau das Poéticas Indígenas.</h5>
<p>Ao final deste fascinante tour à volta da blogosfera indígena brasileira, vale perguntar: Resta alguma dúvida a respeito da existência de uma literatura indígena legítima no Brasil?</p>
<p>No primeiro artigo desta série, <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/14/brasil-cultura-poesia-e-direitos-indigenas-na-blogosfera/">nós introduzimos a blogosfera indígena brasileira</a>. No próximo, vocês irão descobrir como os povos indígenas brasileiros vem usando a blogosfera para lutar por seus direitos.</p>
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		<title>Brasil: Cultura, poesia e direitos indígenas na blogosfera</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/14/brasil-cultura-poesia-e-direitos-indigenas-na-blogosfera/</link>
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		<pubDate>Tue, 14 Apr 2009 05:53:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Duende</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Brasil possui um dos mais impressionantes mosaicos de povos indígenas do mundo, e esta riqueza cultural está começando a aparecer na blogosfera brasileira. Por esta razão, o GVO está dedicando uma trilogia de artigos para cobrir os vários aspectos da blogagem indígena no país, começando com esta introdução à blogosfera indígena.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/deborah-goldemberg/">Deborah Icamiaba</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/daniel-duende/'>Daniel Duende</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/04/05/brazil-poetry-rights-and-culture-on-the-indian-blogosphere/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>O Brasil possui um dos mais impressionantes mosaicos de povos indígenas do mundo, e esta riqueza cultural está começando a aparecer na blogosfera brasileira.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 458px"><a href="http://www.flickr.com/photos/zengzung/3221806540/in/set-72157612919863548/"><img src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/04/3221806540_b66cc90632_o2.jpg" alt="Foto por Tatiana_Reis na área de inclusão digital do Campus Party 2009" width="448" height="436" /></a><p class="wp-caption-text">Foto por Tatiana_Reis na área de inclusão digital do Campus Party 2009</p></div>
<p>A mais de 500 anos atrás, antes da colonização européia, o Brasil era inteiramente habitado por uma grande diversidade de grupos indígenas, estimados pela <a href="http://www.funai.gov.br/">FUNAI</a> em contarem entre 1 e 10 milhões de indivíduos. A denominação &#8220;índio&#8221; foi dada aos habitantes nativos do lugar por conta de um equívoco dos colonizadores, que acreditavam ter chegado á Índia. Hoje, há por volta de 460.000 índios no Brasil, pertencentes a por volta de 225 diferentes grupos étnicos, vivendo em áreas protegidas, e mais algo entre 100 e 190 mil índios vivendo em áreas rurais ou urbanas. Eles constituem aproximadamente 0.25% da população brasileira e falam por volta de 200 línguas diferentes, embora muitos deles sejam bilíngues. Além destes, há ainda por volta de 63 grupos indígenas que nunca fizeram contato com o mundo exterior e são considerados &#8220;povos isolados&#8221; (FUNAI, 2009).</p>
<p>Embora a maioria das áreas indígenas sejam localizadas em áreas rurais remotas e não tenham acesso fácil a meios de comunicação como o telefone e a internet, a ascensão de associações regionais indígenas fortes como a <a href="http://www.coiab.com.br/">COIAB</a>, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, e de redes de nível nacional como a <a href="http://www.redepovosdafloresta.org.br/">Rede dos Povos das Florestas,</a> encabeçada pelo líder indígena Ailton Krenak, encorajou grupos e indivíduos indígenas a blogar para o mundo. Algumas vezes eles contam com uma pequena ajuda de amigos, apoiadores da causa indígena, para cruzar o abismo tecnológico.</p>
<p><strong>Dois dos mais famosos líderes indígenas do Brasil estão blogando.</strong></p>
<p>Desde 2008, Marcos Terena, do Estado do Mato Grosso do Sul, que descreve a si mesmo como um guerreiro do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Terenas">Povo Terena</a>, vem usando sua escrita, seu pensamento e suas habilidades de comunicação como armas para defender seu povo e as causas indígenas no século 21. Em <a href="http://www.marcosterena.blogspot.com/">seu blogue</a>, Terena comenta sobre eventos nacionais e chama nossa atençao para eventos que são relevantes para a causa indígena.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 410px"><a href="http://www.agenciabrasil.gov.br/media/imagens/2006/07/26/2003VC003.jpg/view"><img src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/marcos_terena-1024x724.jpg" alt="Foto de Valter Campanato de Marcos Terena na Conferência Regional das Américas. Creative Commons." width="400" /></a><p class="wp-caption-text">Foto de Valter Campanato de Marcos Terena na Conferência Regional das Américas. Creative Commons.</p></div>
<p>Recentemente, Terena publicou uma <a href="http://marcosterena.blogspot.com/2009/02/o-canibal-e-o-cha-de-boldo.html">crônica</a> sobre um suposto episódio onde uma pessoa branca (ou &#8220;homem branco&#8221;, como as tribos geralmente chamam os não-índios) teria sido devorada por índios do Norte Brasileiro, relatado pela imprensa nacional:</p>
<blockquote><p>Nos ultimos tempos, o colonizador acostumado a trabalhar com a imagem do mito, do herói e de tantas simbologias, criou a lenda de dificil comprovação, de que um padre de nome Sardinha teria sido devorado pelos Tupinambas… E agora, com os irmãos Kulina.<br />
Como diria o velho sábio Jeca Tatu, tem arguma coisa errada nesse causo ou essa história tá mal contada.<br />
Como a piola sempre arrebenta do lado mais fraco, então nós daqui do sul, do centro oeste e de outras regiões acostumados com churrascos, farofa, beiju, mandioca, banana e até mesmo guaraná, ficamos pensando:qual o significado dessa história de comer o homem branco? vale a pena? Saborear com gosto ou com raiva?<br />
Porque… engolir sapo em nome da civilização moderna, nós indigenas já fizemos isso varias vezes. E não é mole, não!!!!<br />
Pensem nisso Canibais, reflitam e lembrem-se: contra má digestão, chá de boldo!!!!</p></blockquote>
<p>Ailton Krenak, outro importante líder do povo Krenak do estado de Minas Gerais, conta com o apoio de um colega chamado Hanny para publicar em <a href="http://ailtonkrenak.blogspot.com/">seu blogue</a> todos os artigos jornalísticos publicados sobre ele desde 2007. Os tópicos são principalmente eventos políticos e culturais. O blogue trouxe recentemente imagens da participação de Ailton em um festival indígena devotado para a água, que aconteceu no festival FestiVelhas, e onde ele falou sobre a preservação ambiental na cultura indígena:</p>
<blockquote><p>Ainda reunidos em círculos ou em duas filas, os presentes cantavam, dançavam e ouviam as explicações de Ailton. “É preciso entrar em sintonia com a natureza e ouvir o que as águas tem as nos dizer”, diz ele sobre a relação que os homens devem manter com ambiente.</p></blockquote>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 410px"><img src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/pen-drive-1-020-768x1024.jpg" alt="Foto: Dois jovens índios nadando no rio, por Deborah Icamiaba" width="400" /><p class="wp-caption-text">Foto: Dois jovens índios nadando no rio, por Deborah Icamiaba</p></div>
<p><strong>Há iniciativas coletivas interessantes protagonizadas por índios jovens acontecendo na blogosfera</strong></p>
<p>A Associação AJI, <a href="http://ajindo.blogspot.com/">Ação de Jovens Indígenas</a>, reúne índios das etnicidades Kaiowá, Terena e Nandeva localizados em Dourados, no Estado do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mato_Grosso_do_Sul">Mato Grosso do Sul</a>. Eles realizam uma série de atividades direcionadas à integração das comunidades, incluindo um jornal local que informa local e externamente sobre o dia a dia e os desafios enfrentados pelos povos indígenas. Desde 2006 eles também estão blogando. Embora eles vez ou outra façam referências a artigos de agências de notícias, muitos de seus artigos são escritos por jovens indígenas locais.</p>
<p>Um interessante exemplo disso foi a forma como eles coletaram opiniões de índios locais sobre as acusações feitas por homens brancos da região de que &#8220;os índios recebiam vários benefícios, mas não pagavam impostos ou taxas&#8221;, como podemos ver <a href="http://ajindo.blogspot.com/2009/03/um-outro-ponto-de-vista.html">neste post</a>:</p>
<blockquote><p>O índio kaiowá Euzébio Garcia, morador da aldeia Bororó, fazia economia há algum tempo para comprar uma moto. Com o acerto do pagamento da usina, ele conseguiu completar e fez a compra em dezembro de 2008. Euzébio investiu R$ 3 mil à vista. Esse é apenas um exemplo de como os indígenas da Reserva de Dourados têm aplicado seu dinheiro. Os salários dos trabalhadores das usinas e da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), os benefícios e os programas sociais geram renda para os índios e se convertem em lucro para o comércio de Dourados. A população indígena contribui e muito com a economia da cidade de Dourados.</p></blockquote>
<p>Os índios <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Patax%C3%B3s">Pataxó</a> que vivem no Sul do Estado da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bahia">Bahia</a> criaram um <a href="http://reservapataxojaqueira.blogspot.com/">blog</a> dedicado ao Projeto Social de Ecoturismo chamado Reserva da Jaqueira:</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 410px"><img src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/img_1799-1024x768.jpg" alt="foto: Índio Pataxó conduzindo turistas nos arredores da Reserva da Jaqueira, por Deborah Icamiaba" width="400" /><p class="wp-caption-text">foto: Índio Pataxó conduzindo turistas nos arredores da Reserva da Jaqueira, por Deborah Icamiaba</p></div>
<p>Desde 2008, o blogue vem sendo movimentado por Aricema Pataxó, uma jovem índia Pataxó que está estudando jornalismo na Universidade Federal da Bahia. Embora o blogue tenha como principal objetivo disseminar o projeto para seus visitantes, ele traz também interessantes imagens e explicações sobre a cultura Pataxó, como por exemplo neste <a href="http://reservapataxojaqueira.blogspot.com/2008/06/pintura-corporal.html">post</a> sobre a importância da pintura corporal:</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 410px"><img src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/img_1788-768x1024.jpg" alt="foto: Índio Pataxó se pintando, na Reserva Jaqueira, por Deborah Icamiaba" width="400" /><p class="wp-caption-text">foto: Índio Pataxó se pintando, na Reserva Jaqueira, por Deborah Icamiaba</p></div>
<blockquote><p>A pintura corporal é um bem cultural de grande valor para nós Pataxó. Ela representa parte de nossa história, sentimentos do cotidiano e os bens sagrados. Usamos a pintura corporal em festas tradicionais na Aldeia como em ritos de casamento, nascimento, comemorações, dança, luta, sedução, luto, proteção, etc. Temos pintura para o rosto, braço, costas e até mesmo para as pernas. Usamos pinturas específicas para homens e mulheres casados e solteiros. As pinturas têm diversidade de tamanho e significados.</p></blockquote>
<p>O blog <em><a href="http://karipuna.blogspot.com/">Criança do Futuro: Wakopunska Karipuna</a></em> vem sendo mantido desde 2007 por uma pessoa com um perfil muito interessante, na busca de tentar ajudar na compreensão de como são os índios brasileiros hoje:</p>
<blockquote><p>Sou um mestiço brasileiro. Pareço branco, mas não sou caucasiano. Tenho sangue karipuna, dos karipunas do Rio Jamary, hoje quase extintos nos sertões do Guaporé. O resto de minha origem (portugueses do Ceará, holandeses do Sergipe, espanhóis do Pantanal, alemães do Paraná e italianos do Rio Grande do Sul) pouco me explica. Sou brasileiro dos quatro costados e, mais que isso, um hominídeo do continente Amarakka. Estrangeiro em minha própria terra, quero poder falar a língua universal da Paz, e ter como repousar minha cabeça: por isso escrevo nessa areia e nessa arena virtual.</p></blockquote>
<p>Seu blogue oferece alguns relatos fascinantes de alguém que vive na fronteira entre o Brasil (no Estado do Acre) e o Peru (Cuzco) e que realmente conhece a realidade da vida indígena no Amazonas. Em <a href="http://karipuna.blogspot.com/2009/03/antropofagia-kulina-e-alcoolismo.html">um post recente</a>, ele fala do problema do alcoolismo entre os índios de sua região:</p>
<blockquote><p>Quando estive certa ocasião por ser nomeado chefe de posto indígena da Fundação Nacional do Índio, em 1993, um dos antigos funcionários da Funai em Rio Branco já me advertia que para uma boa convivência com os índios eu devia fazer vista grossa para o problema do alcoolismo, ou estaria me expondo a criar inimizades entre os lideranças ou até mesmo a ser vitimado por algum deles. Essa incapacidade da Funai em lidar com o assunto se extende também às organizações que se dedicam a apoiar as populações indígenas, as quais se engajaram a partir dos anos 70 na luta pela demarcação de terras e na formação de lideranças e entretanto jamais se esforçaram por tratar essa espinhosa questão que representa um grave problema de saúde…Alcoolismo e aculturação andam de mãos dadas na Amazônia, e tanto é a aculturação que leva ao alcoolismo quanto o alcoolismo que conduz à aculturação, isso deve ser deixado bem claro.</p></blockquote>
<p>Por fim, nós também encontramos na rede algumas interessantes iniciativas blogueiras de linguistas e antropólogos que escrevem sobre as tribos com as quais trabalharam.</p>
<p>No blogue <em><a href="http://maxakali.blogspot.com/">Maxacali</a></em>, o estudante de linguística Charles Bicalho manteve um registro entre 2006 e 2007 de imagens e aspectos interessantes da cultura Maxacali, como por exemplo sua trajetória histórica:</p>
<blockquote><p>Os Maxakali surpreendem por ainda preservarem língua, religião, costumes e outros aspectos tradicionais de sua cultura como nenhum outro grupo. Pouco mais de mil pessoas, sendo a maioria da população de crianças, falam a língua maxakali, do tronco lingüístico macro-gê, família maxakali. Vivem em reserva no Vale do Mucuri, Nordeste do Estado. Povo tradicionalmente seminômade, caçador e coletor, é comum alguns grupos de poucos indivíduos abandonarem a reserva para longas peregrinações, muitas vezes chegando até Governador Valadares, distante mais de 300 km. Seus ancestrais costumavam vagar por uma extensa área que abrange, além do Nordeste de Minas, o Sul da Bahia e o Norte do Espírito Santo. Após o contato com o colonizador europeu e a conseqüente diminuição de seu território, acabaram, enfim, confinados em reserva.</p></blockquote>
<p>Bicalho também publico algumas incríveis traduções para o português de alguns cânticos tradicionais da ritualística Maxakali e explora algumas questões sobre a poesia indígena, que será o tema do outro artigo desta trilogia. Abaixo, um exemplo:</p>
<blockquote><p>O texto a seguir é um yãmîy maxakali, canto ritual do tatu. O autor é Damazinho Maxakali, aluno do Curso de Formação de Professores Indígenas de MG.</p>
<p>KOXUT<br />
Koxut hãmkox hu kopa moyõn<br />
Koxut yã hãmkox kopa tokpep<br />
Koxut ãpnîy yîta yãy hi hu xit hã yãy hi<br />
Koxut tute komîy mahã xi kohot xi puxõõy<br />
Koxut yã hãmtup tu yãy hi xi ãpnîy hã<br />
Puxi. Ûkux.<br />
Ûgãxet ax Namãyiy Maxakani.</p>
<p>O TATU<br />
O tatu dorme dentro do buraco<br />
O tatu dá cria dentro do buraco<br />
O tatu sai à noite pra andar e pra comer<br />
O tatu come batata, mandioca e minhoca<br />
O tatu anda de dia e de noite<br />
Chega. Acabou.<br />
Meu nome é Damazinho Maxakali.</p></blockquote>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 410px"><img src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/pen-drive-1-004-1024x768.jpg" alt="Foto: Uma mulher índia trabalhando, por Deborah Icamiaba" width="400" /><p class="wp-caption-text">Foto: Uma mulher índia trabalhando, por Deborah Icamiaba</p></div>
<p>Para uma listagem cuidadosa de todos os blogues e sites indígenas do Brasil, visite o <a href="http://sitesindigenas.blogspot.com/">blogue</a> criado por Glaucia Paschoal com o intento específico de disseminar estas fontes para o propósito de servirem como fontes de pesquisa ou simples aquisição de conhecimento sobre os povos indígenas. Sua busca é fortalecer os meios pelos quais as comunidades indígenas expressam sua cultura e seus movimentos políticos na Internet.</p>
<p>No próximo artigo desta série, você encontrará os escritores e poetas indígenas que usam seus blogues para se expressarem. E no último artigo você verá como os índios brasileiros estão blogando em busca de seus direitos.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Colômbia: A comunidade indígena Awá no meio da guerrilha</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/13/colombia-a-comunidade-indigena-awa-no-meio-da-guerrilha/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/13/colombia-a-comunidade-indigena-awa-no-meio-da-guerrilha/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2009 00:18:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Maestre</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Colombia]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra & Conflito]]></category>
		<category><![CDATA[Indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[Spanish]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

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		<description><![CDATA[O conflito entre FARC, ELN e as Forças Armadas Colombianas, selva adentro, freqüentemente coloca pessoas no meio do dele. As autoridades investigam o assassinato de dezenas de membros da comunidade indígena Awá e culpam as FARC pelo crime. Muitos dizem queu os Awá se tornaram alvo por causa da suspeita de serem informantes, algo que o governo nega. De qualquer forma, este grupo indígena está sendo deslocado de sua terra por causa da violência.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/julian-ortega/">Julián Ortega Martínez</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/carlosmaestre/'>Carlos Maestre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/02/17/colombia-the-awa-indigenous-community-caught-in-the-middle/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="single" class="entry">
<p>Enquanto a maioria dos colombianos seguia a libertação de 6 reféns presos pelas <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/FARC">Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC)</a> na primeira semana de fevereiro da reserva indígena de Tortugaña Telembí, localizada na área de selva entre Barbacoas e Samaniego (departamento Nariño, sudoeste da Colômbia), inúmeros membros da comunidade indígena Awá desapareceram. De acordo com os relatórios dos indígenas, as guerrilhas das FARC e do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/ELN">ELN</a> combatiam o exército colombiano nesta região, com os Awá justo no meio do conflito.</p>
<p><img src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/02/awa.jpg" alt="" /><br />
<small><a href="http://flickr.com/photos/unhcr/3284494150">Foto dos Awá sendo deslocados</a> no departamento de Nariño tirada por G. Valdivieso da agência United Nations Refugee (UNHCR) e usada com permissão.</small></p>
<p>No dia 9 fevereiro, organizações indígenas e o governador de Nariño, Antonio Navarro, um ex-guerrilheiro do M-19, <a href="http://news.bbc.co.uk/2/hi/americas/7883239.stm">denunciou o assassinato de 17 de pessoas Awá</a> [en]. Nos dias seguintes, <a href="http://colombiareports.com/colombian-news/news/2870-second-massacre-of-indigenous-awa.html">foram relatados</a> [en] assassinatos de mais 10 pessoas, que fugiam dos primeiros ataques, totalizando 27 mortos, enquanto <a href="http://colombiareports.com/colombian-news/news/2856-farc-hold-120-indigenous-captive.html">o dezenas de outras eram seqüestradas</a> [en]. Na data da publicação, nenhum cadáver <a href="http://www.caracol.com.co/nota.aspx?id=763910">havia sido encontrado</a> [es], mesmo com o envio de tropas do exército à remota área onde o massacre teria acontecido para que os corpos fossem encontrados. As FARC foram culpadas do massacre <a href="http://www.onic.org.co/actualidad.shtml?x=35771">pelos próprios indígenas</a> [es] e, claro, pelas autoridades. Muitos acreditam que as FARC suspeitavam da tribo Awá como informante do exército. O presidente Álvaro Uribe <a href="http://www.elespectador.com/node/118095">anunciou</a> [es] que visitaria a área no próximo final de semana.</p>
<p>Adam Isacson, do site <em>Plan Colombia and Beyond</em> <a href="http://www.cipcol.org/?p=733">, expressa seu desprezo pelos assassinatos</a> [en]:</p>
<blockquote><p>We condemn the FARC guerrillas, in the strongest terms, for massacring as many as eighteen members of the Awá indigenous community in a remote zone in the department of Nariño, in southwestern Colombia. If the group’s leadership had sought to generate goodwill with last week’s unilateral hostage releases, reports of the Nariño killings has undone that entire effort.</p></blockquote>
<div class="translation">Condenamos as guerrilhas das FARC, nos termos mais fortes, por massacrarem dezoito membros da comunidade indígena Awá em uma área remota do departamento de Nariño, no sudoeste colombiano. Se a liderança do grupo tentou de boa-vontade soltar unilateralmente reféns, os relatórios dos assassinatos de Nariño desfizeram todo este esforço.</div>
<p>Em <em>Colombia Reports</em>, a correspondente holandesa Wies Ubags <a href="http://colombiareports.com/opinion/108-wies-ubags/2863-the-farc-and-the-awa.html">também está indignada</a> [en]:</p>
<blockquote><p>I don&#39;t understand this latest cruelty of the FARC. They are trying to enter into new negotiations to exchange the policemen and soldiers in the jungle for guerrillas in prison. The members of civil society who are doing the effort with them - Colombians for Peace - are risking a lot, although they already reached the liberation of six hostages. (…) In this delicate situation the FARC commit a horrendous crime in the Awá community, that lives in one of the most violent regions of the country, and that has already lost a lot of lives, also because of the huge amount of landmines in the area. Are the Awá no people, People&#39;s Army of the Armed Revolutionary Forces of Colombia? It is a cruel and stupid crime.</p></blockquote>
<div class="translation">Não entendo esta última crueldade das FARC. Elas estão tentando entrar em novas negociações para trocar policiais e soldados na selva por guerrilheiros presos. Os integrantes da sociedade civil que estão no esforço com elas - Colombians for Peace [Colombianos pela Paz] - estão arriscando-se muito, mesmo tendo liberado seis reféns. (…) Nesta situação delicada, as FARC cometem um crime horrível na comunidade Awá, que vive em uma das regiões mais violentas do país e que já perdeu muitas vidas, também por causa da grande quantidade de minas terrestres na área. Será que os Awá não são pessoas, Exército das Pessoas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia? Este é um crime cruel e estúpido.</div>
<p>O ministro da Defesa colombiano Juan Manuel Santos alegou que os povos indígenas não estavam &#8220;colaborando&#8221; com as autoridades. Comentando pelo Digg-like do site de notícias sociais <em>Gacetilla</em>, Gonzalo <a href="http://colombia.gacetilla.org/post-indigenas-awa-no-colaboran-con-autoridad-16008">escreve</a> [es]:</p>
<blockquote><p>Precisamente por colaborar fue que los mataron. Porque eso sí para pedir información siempre están, pero para ofrecer seguridad…</p></blockquote>
<div class="translation">
Os mataram justamente por que colaboravam. Por isso, [os governantes] sempre estão presentes para pedir informação, mas para oferecer segurança&#8230;</div>
<p>Em um longo texto, a Associação dos Conselhos Indígenas do Norte do Cauca (ACIN) <a href="http://www.nasaacin.org/noticias.htm?x=9550">também denuncia a atitude do ministro da Defesa</a> [es]:</p>
<blockquote><p>Ahora resulta que es culpa de las víctimas de esta masacre, del desplazamiento masivo, de las personas desaparecidas, de las comunidades confinadas en medio del terror lo que les está sucediendo. Culpa de ellas, dice el Ministro, porque no han querido colaborar con la Fuerza Pública. Pretende convencernos de que, si la Fuerza Pública hubiera estado en la zona, estos hechos no se habrían presentado. En consecuencia, llega la hora de militarizar el territorio por completo, con el argumento de proteger a los Awá. Los propios indígenas angustiados y corriendo por las selvas y algunos de sus líderes, no ven más opción que la de pedir ayuda a la fuerza pública. Los medios de comunicación y los voceros del Gobierno y de la coalición de partidos que lo respaldan, le hacen eco a este llamado. Colombianos y colombianas aterrados ante el horror de este genocidio en curso, reclaman lo mismo.</p></blockquote>
<div class="translation">E agora a culpa é das vítimas deste massacre, do deslocamento massivo, das pessoas desaparecidas, das comunidades confinadas no meio do terror que lhes acontece. Culpa delas, diz o ministro, por que não quiseram colaborar com a força pública. Pretende nos convencer de que, se a força pública estivesse naquela área, isto não aconteceria. Como conseqüência, chega o momento de militarizar o território por completo, com o argumento de proteger os Awá. Os próprios indígenas angustiados e correndo pela selva e, alguns de seus líderes, não vêem outra opção senão pedir ajuda à força pública. Os meios de comunicação e os porta-vozes do governo - e da coalizão dos partidos que o apóiam - fazem eco a esta chamada. Colombianos e colombianas aterrados frente ao terror deste genocídio em andamento, reclamam do mesmo.</div>
<p>O texto da ACIN continua, na tentativa de explicar o por quê dos Awá estarem sendo mortos. Além de alegar que as forças de segurança colombianas &#8220;foram e são um fator de terror&#8221;, todos os lados do conflito armado colombiano exercem a violência contra os Awá, que junto com motivos gananciosos e econômicos (diga-se agriculturais, mineradores, e projetos turísticos), ajudam a inflamar a violência contra estas pessoas.</p>
<p>Em outubro último, uma série de manifestações indígenas e <a href="http://globalvoicesonline.org/2008/10/22/colombia-indigenous-protests-and-murders-under-media-blackout/">marchas pelo país aconteceram, no meio de um grande boicote midiático</a> [en], com pelo menos <a href="http://www.ifex.org/en/content/view/full/97848">um de seus sites bloqueados temporariamente</a> [es]. O boicote parece acontecer novamente. <em>No le creemos a RCN</em> [Não acreditamos na Rádio Casa Nariño, es] <a href="http://nolecreemosarcn.blogspot.com/2009/02/queremos-libertad-de-prensa.html">escreve</a>:</p>
<blockquote><p>[H]oy en día alguien le está haciendo el juego a las FARC; pues mientras ellos atacan a las comunidades indígenas Tangarial y Awá, alguien presiona a los encargados de los medios de comunicación de la ACIN, robándoles un computador desde donde actualizaban su página, y amenazando al encargado de actualizarla. Lo grave es que el mismo gobierno, la Sip y los demás medios de comunicación son cómplices (como mínimo), pues los primeros no adelantan ninguna investigación al respecto, y los restantes no se dan por enterados (excepto “Semana”).</p></blockquote>
<div class="translation">Hoje em dia, alguém está fazendo o jogo das FARC; pois enquanto elas atacam as comunidades indígenas Tangarial e Awá, alguém pressiona os encarregados dos meios de comunicação da ACIN, roubando-lhes um computador desde o qual atualizam seus sites, e ameaçando os responsáveis por atualizá-los. O grave é que o mesmo governo, a Sip e os demais meios de comunicação são cúmplices (no mínimo), pois os primeiros não adiantam nenhuma investigação a respeito, e os restantes fazem de conta que não sabem (excerto [da revista] &#8220;Semana&#8221;).</div>
<p>Na mesma época dos protestos indígenas, o presidente Uribe, já enfrentando greves do judiciário e dos cortadores de cana-de-açúcar, e outros oficiais do alto governo afirmaram que as manifestações <a href="http://web.presidencia.gov.co/sp/2008/octubre/15/09152008.html">estavam</a> <a href="http://web.presidencia.gov.co/sp/2008/octubre/15/09152008.html">&#8220;infiltratadas&#8221;</a> [es] por guerrilhas, <a href="http://en.equinoxio.org/featured/in-uribes-colombia-protest-means-terrorism-20081022-000085/">apesar de evidências contrárias</a> [en]. Entretanto, o governo não fez nenhuma única menção e nem retificou as antigas acusações contra os povos indígenas. Até agora, apenas <a href="http://web.presidencia.gov.co/sp/2009/febrero/13/06132009.html">anunciou</a> [es] a nominação de um oficial do exército que atuará como elo entre as autoridades e a comunidade Awá.</div>
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		<title>Colômbia: Buscando os corpos de indígenas assassinados</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/03/27/colombia-buscando-os-corpos-de-indigenas-assassinados/</link>
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		<pubDate>Fri, 27 Mar 2009 16:47:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Maestre</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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		<description><![CDATA[Publicado originalmente porJulián Ortega Martínez  &#183; Traduzido por Carlos Maestre &#183;  Veja o post original 
A Organização Nacional Indígena da Colômbia publicou em seu blog a rota [es] que a minga [uma espécie de multirão, em espanhol] humanitária está seguindo desde segunda-feira para recuperar os corpos de indígenas Awás, assassinados pelas FARC em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/julian-ortega/">Julián Ortega Martínez</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/carlosmaestre/'>Carlos Maestre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/03/26/colombia-searching-the-bodies-of-murdered-indigenous/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>A Organização Nacional Indígena da Colômbia publicou em seu blog <a href="http://www.onic.org.co/actualidad.shtml?x=35828">a rota</a> [es] que a <a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Minga">minga </a>[uma espécie de multirão, em espanhol] humanitária está seguindo desde segunda-feira para recuperar os corpos de indígenas Awás, <a href="http://globalvoicesonline.org/2009/02/17/colombia-the-awa-indigenous-community-caught-in-the-middle/">assassinados pelas FARC em fevereiro</a> [en].</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Brasil: Vitória dos índios no caso da reserva Raposa Serra do Sol</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/03/20/brasil-vitoria-dos-indios-no-caso-da-reserva-raposa-serra-do-sol/</link>
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		<pubDate>Fri, 20 Mar 2009 16:28:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paula Góes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Agricultura]]></category>
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		<description><![CDATA[Cinco tribos indígenas brasileiras venceram uma batalha de 30 anos para recuperar integralmente suas terras ancestrais de 1,7 milhões de hectares em Roraima, na fronteira com a Venezuela e a Guiana. No dia 19 de março, o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a homologação contínua da terra indígena Raposa Serra do Sol, que manterá o tamanho e bordas intactas como definidas pela demarcação.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/paulagoes/">Paula Góes</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/paulagoes/'>Paula Góes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/03/19/brazil-controversial-demarcation-of-indigenous-land-confirmed/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="single" class="entry">
<p>Cinco tribos indígenas brasileiras venceram uma batalha de 30 anos para recuperar integralmente suas terras ancestrais de 1,7 milhões de hectares em Roraima, na fronteira com a Venezuela e a Guiana. No dia 19 de março, o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a homologação contínua da terra indígena <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Raposa_Serra_do_Sol">Raposa Serra do Sol</a>, que manterá o tamanho e bordas intactas como definidas pela demarcação.</p>
<p>O julgamento começou a ser votado em agosto de  2008, mas  foi interrompido em duas ocasiões no ano passado. Em dezembro, um dos 11 ministros do Supremo, Marco Aurélio Mello, pediu vistas do precesso após 8 juízes já terem votado em favor da demarcação atual. A votação teve reinício em 18 de março, mas apesar de faltaram apenas os votos de três ministros, o tribunal não chegou a uma decisão no mesmo dia, como se esperava.</p>
<p><a href="http://www.agenciabrasil.gov.br/media/imagens/2009/03/18/1201AC2769.jpg/view"><img class="aligncenter size-full wp-image-62623" title="1201ac2769image_media_horizontal" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/1201ac2769image_media_horizontal.jpg" alt="1201ac2769image_media_horizontal" width="566" height="404" /></a></p>
<h5 style="text-align: center;">Índios presentes na sessão no Supremo Tribunal Federal em Brasília. Foto: <a href="http://www.agenciabrasil.gov.br/">Antonio Cruz/ABr</a> usada sob licença do Creative Commons</h5>
<p>Marco Aurélio Mello foi o primeiro ministro a se pronunciar na quarta, fazendo a leitura de um relatório de 120 páginas no decorrer de seis horas. Ele confirmou seu posicionamento contrário aos indígenas e disse que o processo de demarcação da reserva Raposa Serra do Sol conta com vícios e que por isso deveria ser invalidado,  argumentando ainda que a manutenção da reserva da forma como ela é hoje coloca a soberania nacional em risco. O ministro sugeriu que a demarcação fosse  refeita.</p>
<p><em><a href="http://merciogomes.blogspot.com/2009/03/ministro-marco-aurelio-vota-contra-rss.html">Mércio Gomes</a></em> lamenta o voto dele:</p>
<blockquote><p>Foi péssimo. Trata-se de um longo e caudaloso pronunciamento em que o ministro considera processo viciado pela falta de diversas ações, depoimentos, deslocamento da parte passiva, etc. O voto parcial do ministro Marco Aurélio requer que todo o processo seja “sanado”, o que exigiria uma série de providências que adiaria para as calendas gregas a decisão sobre o processo.</p></blockquote>
<p>Alguns blogueiros, por outro lado, parabenizaram Marco Aurélio de Melo por ter sido o primeiro ministro a votar contra a demarcação. Dentre eles, <em><a href="http://mesquita.blog.br/ministro-marco-aurelio-do-stf-vota-pela-anulacao-da-demarcacao-da-reserva-raposa-serra-do-sol">José Leite Mesquita</a></em> achou que o juiz tomou uma decisão muito lúcida:</p>
<blockquote><p>O voto do ministro será resgatado pela história quando o Brasil deixar de ser um Estado Federativo, e tiver se transformado, conforme estará sacramentado pela maioria de votos favoráveis, num Estado de Nações, por conta do surrealismo que manterá a demarcação contínua das terras indígenas na Reserva Raposa Serra do Sol.</p>
<p>Assistimos espantados, e temerosos, pouco mais de 200 mil indivíduos, alguns já aculturados, ter a posse permanente de 13% do território brasileiro.</p>
<p>A Constituição é clara: a terra é da união. Os índios tem a posse permanente.</p></blockquote>
<p><a href="http://www.agenciabrasil.gov.br/media/imagens/2009/03/18/1200AC2744.jpg/view"><img class="aligncenter size-full wp-image-62627" title="1200ac2744image_media_horizontal" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/1200ac2744image_media_horizontal.jpg" alt="1200ac2744image_media_horizontal" width="566" height="404" /></a></p>
<h5 style="text-align: center;">Do lado de fora do  Supremo Tribunal Federal em Brasília. Foto: <a href="http://www.agenciabrasil.gov.br/">Antonio Cruz/ABr</a> usada sob licença do Creative Commons</h5>
<p>Já era início de noite na quarta-feira quando   Marco Aurélio Mello terminou seu longo discurso e apenas mais um ministro teve tempo de votar. Celso de Mello não precisou de muito tempo para decidir a favor dos povos indígenas. O voto final, do presidente do presidente do Supremo Gilmar Mendes, foi adiado para quinta de tarde. Assistindo a transmissão ao vivo online disponibilizada pelo <a href="http://pib.socioambiental.org/twitter.php">Povos Indígenas</a>, pessoas de todo o país postaram comentários. Depois de quase duas horas, <a href="http://twitter.com/povosindigenas/status/1355998836">@povosindigenas</a><a href="http://twitter.com/povosindigenas/status/1355998836"> anunciou no Twitter</a>:</p>
<blockquote><p>#raposa Placar 10X1 a favor da demarcação contínua….</p></blockquote>
<p><a href="http://www.agenciabrasil.gov.br/media/imagens/2009/03/18/1201AC2815.jpg/view"><img class="aligncenter size-full wp-image-62640" title="1201ac2815image_media_vertical" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/1201ac2815image_media_vertical.jpg" alt="1201ac2815image_media_vertical" width="384" height="538" /></a></p>
<h5 style="text-align: center;">Na sessão no Supremo Tribunal Federal em Brasília. Foto: <a href="http://www.agenciabrasil.gov.br/">Antonio Cruz/ABr</a> usada sob licença do Creative Commons</h5>
<p>Mais de 3 mil índios se juntaram para assistir o julgamento histórico em  Brasília, em Boa Vista ou na Reserva Raposa Serra do Sol. Por causa da existência de <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/08/10/brazil-disputa-de-terras-indigenas-e-eminencia-de-guerra-civil/">atritos  entre as tribos e fazendeiros,</a> a polícia federal estava a postos no território para conter eventuais conflitos após a decisão.</p>
<p><em><a href="http://www.luizvalerio.com.br/2009/03/18/raposa-serra-do-sol-200-indios-aguardam-resultado-no-surumu/">Luiz Valerio Silva</a> </em>está fazendo a cobertura da sessão na comunidade Surumú, onde cerca de  200 pessoas aguardam a decisão do STF. Ele conta que tudo está em paz por lá:</p>
<blockquote><p>Os índios favoráveis à homologação contínua da reserva índigena Raposa Serra do Sol dançam a parixara e a arerúnia desde as primeiras horas da manhã. Eles estão certos da vitória. Creem que a demarcação pernamecerá em área contínua. (…)</p>
<p>A vila Surumú comporta neste momento, entre moradores e indígenas que vieram de fora para comemorar o resultado do julgamento, algo em torno de 400 pessoas. Ao todo, cinquenta famílias moram na vila. A estimativa é que cerca de 200 índios foram trazido para cá pelo Conselho Indígena de Roraima (CIR). Antes, falava-se em cerca de 3.000 mil índios. (…)</p>
<p>Entre os que esperam com ansiedade pela voto dos três ministros do STF que ainda falta se manifestar sobre o assunto, já há preparativos para uma intensa noite de forró em comemoração à confirmação da demarcação contínua da reserva. Sob um sol de mais de 40 graus, índios se movimentam nas ruas empoeiradas do Surrumu, aguardando a decisão.</p></blockquote>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-62641" title="1201ac2736image_media_horizontal" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/1201ac2736image_media_horizontal.jpg" alt="1201ac2736image_media_horizontal" width="566" height="404" /></p>
<h5 style="text-align: center;">Do lado de fora do Supremo Tribunal Federal em Brasília. Foto: <a href="http://www.agenciabrasil.gov.br/">Antonio Cruz/ABr</a> usada sob licença do Creative Commons</h5>
<p>Após concluírem o julgamento sobre a validade da demarcação da reserva, os juízes discutiram o cancelamento dos títulos de propriedade, condições e prazos para que os fazendeiros restantes deixem a reserva, além das  18 restrições que índios que habitam a reserva precisam obedecer. A maior parte dos criadores de gado e fazendeiros já tinha recebido compensação do governo e deixado o território, mas um pequeno grupo de rizicultores resistiu. Esses produtores, muitos dos quais ocupam a terra há mais de duas décadas e contavam com o apoio de poderosos políticos, devem agora deixar a terra imediatamente (com prazo final em maio) ou serão expulsos pela polícia.</p>
<p><a href="http://www.agenciabrasil.gov.br/media/imagens/2009/03/19/0815VC2271a.jpg/view"><img class="aligncenter size-full wp-image-62970" title="0815vc2271aimage_media_horizontal" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/0815vc2271aimage_media_horizontal.jpg" alt="0815vc2271aimage_media_horizontal" width="516" height="386" /></a></p>
<h5 style="text-align: center;">Na reserva  Raposa Serra do Sol, um grupo de índios assiste à sessão pela TV. Foto: <a href="http://www.agenciabrasil.gov.br/">Valter Campanato/ABr</a> publicada sob licença do Creative Commons License.</h5>
<p>Estima-se que cerca de 18 mil índios das tripos Macuxi, Wapixana, Ingaricó, Taurepangs e Patamona moram na área conhecida como Serra Raposa do Sol, uma reserva criada pelo governo brasileiro em  2005.</p></div>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Mundo: 2500 línguas em perigo</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/02/28/mundo-2500-linguas-em-perigo/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/02/28/mundo-2500-linguas-em-perigo/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 28 Feb 2009 19:58:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maria Arruda</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte & Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[Indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[Língua]]></category>
		<category><![CDATA[Maldives]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[Software & Ferramentas]]></category>
		<category><![CDATA[South Asia]]></category>
		<category><![CDATA[United Kingdom]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>
		<category><![CDATA[Western Europe]]></category>

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		<description><![CDATA[Um mapa interativo das línguas em via de extinção, no qual são evidenciadas 2500 línguas em perigo, de um total de 6000, foi publicado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). A organização internacional pede a colaboração dos usuários que contribuam com comentários para um projeto que conta com muitos bloguistas preocupados em preservar a cultura no mundo.

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/simon-maghakyan/">Simon Maghakyan</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/mariaarruda/'>Maria Arruda</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/02/20/worldwide-2500-languages-disappearing/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Um <a href="http://www.unesco.org/culture/ich/index.php?pg=00206">mapa interativo</a> [En] das línguas em via de extinção, no qual são evidenciadas 2500 línguas em perigo, de um total de 6000, foi publicado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). A organização internacional pede a <a href="http://www.unesco.org/culture/ich">colaboração dos usuários</a> [En] que contribuam com comentários para um projeto que conta com muitos bloguistas preocupados em preservar a cultura no mundo.</p>
<p><em><img class="size-full wp-image-57182" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/02/languagesmapun.png" alt="UNESCO Map of Languages at Risk" width="350" height="201" /><br />
UNESCO Mapa das Línguas em Risco de Extinção</em></p>
<p><em><a href="http://iglesiadescalza.blogspot.com/2009/02/death-of-language-diversity_20.html">Iglesia Descalza</a></em> [En], uma bibliotecária, escreve no seu blog:</p>
<blockquote><p>As someone who loves languages, I am chagrined to read the news coming out of UNESCO&#39;s presentation of the updated Atlas of the World’s Languages in Danger of Disappearing. According to the Atlas, unveiled on the eve of International Mother Language Day (21 February), nearly 200 languages have fewer than 10 speakers and 178 others have between 10 and 50 speakers.</p>
<p>The data shows that out of the 6,000 languages currently in existence, over 200 have died out over the last three generations, 538 are critically endangered, 502 severely endangered, 632 definitely endangered and 607 unsafe.</p>
<p>As the last remaining speakers of a language pass away, the language itself dies. The language of Manx in the Isle of Man died out in 1974 when Ned Maddrell, the last speaker, passed away while Eyak, in Alaska, United States, met its demise last year with the death of Marie Smith Jones.</p>
<p>[…]</p>
<p>We need to prize bio-diversity, cultural and racial diversity, and linguistic diversity because we lose too much by becoming homogenized into one big, white, English-speaking society.</p></blockquote>
<div class="translation">Como pessoa que ama as línguas, estou decepcionada ao ler as notícias que chegam da apresentação da UNESCO sobre a atualização do Atlas das Línguas em Perigo no Mundo. Segundo o Atlas, apresentado na véspera do Dia Internacional da Língua Materna (21 de fevereiro), cerca de 200 línguas são faladas por menos de 10 pessoas e outras 178 por entre 10 e 50 pessoas.</p>
<p>Os dados indicam que em 6000 línguas existentes atualmente, mais de 200 desapareceram nas últimas três gerações, 538 estão em situação crítica, 502 gravemente em perigo, 631 definitivamente em perigo e 607 em situação insegura.</p>
<p>Quando morre o último sobrevivente de uma língua, essa também morre. A língua manês na Ilha de Man extinguiu-se em 1974 com a morte de Ned Maddrell, o seu último falante, enquanto a língua eyak, no Alasca, Estados Unidos, extinguiu-se no ano passado com a morte de Marie Smith Jones.</p>
<p>[…]</p>
<p>Precisamos premiar a biodiversidade, a diversidade de raça e de cultura, e aquela lingüística porque temos muito a perder em nos tornarmos homogeneizados em uma sociedade grande, branca e que fala inglês.</p></div>
<p>Enquanto as línguas em via de extinção são na maioria aquelas dos indígenas que devem prestar contas com a globalização e com o nacionalismo estatal, <a href="http://daniel-moving-out.blogspot.com/2009/02/portuguese-galician.html"><em>Daniel Moving Out</em></a> [En], blogger originário de Portugal e atualmente no Reino Unido, sustém que nem todas as línguas “não oficiais” estão morrendo:</p>
<blockquote><p>[…]</p>
<p>The Galician sounds like a cross between Spanish and Portuguese, somewhat like a dialect originated from the second and enriched with vocabulary and accent of the first. The language is originated from the Galician-Portuguese of medieval times, and it was spoken at all the County of Portucale. […]</p>
<p>This week, the Unesco atlas of world languages was released, regarding Galician as a strong language among those that are not the main languages of any country. It receives protection from the Castilian (common Spanish) from being geographically close to Portugal.</p>
<p>[…]</p></blockquote>
<div class="translation">[…]</p>
<p>O galego parece uma mistura entre o espanhol e o português, algo parecido com um dialeto que tenha tido origem a partir do segundo e que tenha sido enriquecido com o vocabulário e o acento do primeiro. A língua tem origem no galego-português de época medieval e era falada em todo o Condado de Portucale. […]</p>
<p>Nessa semana foi publicado o Atlas das Línguas do Mundo, e o galego é presente como uma língua forte, mesmo que não seja a língua principal de nenhum país. É protegido pelo castelhano (o espanhol comum) e pela sua proximidade geográfica com Portugal.</p>
<p>[…]</p></div>
<p>O blog, porém, resume alguns dos dados negativos:</p>
<blockquote><p>[…]</p>
<p>199 languages have less than a dozen of native speakers. In Indonesia, the 4 remaining speakers of Lengilu talk within [themselves]; the Karaim in Ukraine is kept by only 6 people. Over than 200 different languages have disappeared in the last 3 generations. The Manx, from the Isle of Man, here in the UK died with the last native speaker in 1974.</p>
<p>[…]</p></blockquote>
<div class="translation">199 línguas têm menos de uma dúzia de nativos falantes. Na Indonésia, as últimas 4 pessoas falantes do lengilu falam entre [si mesmas]; o karaim na Ucrânia é falado por apenas 6 pessoas. Além disso, 200 línguas diferentes desapareceram nas últimas três gerações. O manês, na Ilha de Man, aqui no Reino Unido, desapareceu com o último nativo que o falava, em 1974.</div>
<p>Mas nem todos estão preocupados com o desaparecimento das línguas.<br />
Comentando no blog de <a href="http://blog.ted.com/2009/02/unescos_latest.php"><em>TED blog</em></a> [En], Magnus Lindkvist diz:</p>
<blockquote><p>[…] Why do we insist on romanticizing ancient languages that arguably noone wants to speak anymore? What about the hundreds of new programming languages that have sprung up in the past decades? Or the infinite variations of English that people are adopting and “remixing” to make their own around the world? These are real languages and show a lot more vitality than Manx and Tirahi.</p></blockquote>
<div class="translation">
<p>[…] Por que insistimos em romantizar aquelas línguas antigas que possivelmente ninguém quer falar mais? O que dizer das centenas de linguagens de programação que apareceram de repente nos últimos decênios? Ou das infinitas variações do inglês que as pessoas vão adotando e “remixando” por conta própria no mundo todo? Essas línguas são verdadeiras e mostram uma vitalidade bem maior que o manês e o tirahi.</p></div>
<p><a href="http://abdullahwaheedsblog.blogspot.com/2009/02/dhivehi-and-international-mother.html"><em>Abdullah Waheed</em></a> [En], um nativo que fala o dhivehi – uma outra língua “oficial” que não é mais falada por muitos nas Maldivas – explica com um exemplo porque é importante preservar as línguas:</p>
<blockquote><p>[…]</p>
<p>Dhivehi language is absolutely vital to the identity of Maldivians as a people and Maldives as a country, because it is the only feature we all share and which few others have. It is a strategic factor in our advances towards sustainable development and the harmonious coordination of our affairs.<br />
Far from being a field reserved for writers, Dhivehi lies at the heart of all social, economic and cultural life. Dhivehi does matter to all of us. It matters when we want to promote cultural diversity, and fight illiteracy, and it matters for quality education, including teaching in the first years of schooling. It matters in the fight for greater social inclusion, for creativity, economic development and safeguarding indigenous knowledge.</p>
<p>[…]</p></blockquote>
<div class="translation">[…]</p>
<p>A língua dhivehi é absolutamente vital à identidade dos maldivianos como pessoas e das Maldivas como país porque é a única característica que todos temos em comum e que poucos outros têm. É um fator estratégico se queremos progredir em direção a um desenvolvimento sustentável e uma coordenação harmoniosa dos nossos assuntos.<br />
Longe de ser um campo de competência dos escritores, a língua dhivehi é ao centro da vida social inteira, econômica e cultural. O dhivehi é importante para todos nós. Conta se queremos promover a diversidade cultural e combater o analfabetismo, e conta pela qualidade de instrução, incluído o ensino nos primeiros anos de escola. Conta na luta por uma inclusão social maior, pela criatividade, o desenvolvimento econômico e a preservação da consciência indígena.</p>
<p>[…]</p></div>
]]></content:encoded>
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		<title>Ativistas indígenas buscam novo domínio .indigi</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/02/28/ativistas-indigenas-buscam-novo-dominio-indigi/</link>
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		<pubDate>Sat, 28 Feb 2009 04:20:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Maestre</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cyber-Ativismo]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[Internet & Telecoms]]></category>
		<category><![CDATA[New Zealand]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

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		<description><![CDATA[Marginalizados e oprimidos por séculos, povos indígenas – comunidades nativas pelo mundo consideradas minorias pelos estados – buscam autonomia na Internet. Encorajados pela oportunidade de criar domínios de Internet genéricos [generic top level domains (gTLD), em inglês], alguns ativistas querem registrar seu próprio domínio de Internet – [ponto] indigi. Mas estarão eles aptos para superar o desafio econômico da Internet?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/simon-maghakyan/">Simon Maghakyan</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/carlosmaestre/'>Carlos Maestre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/02/20/indigenous-activists-seek-new-domain/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div class="entry">
<p style="text-align: justify;">Marginalizados e oprimidos por séculos, povos indígenas – comunidades nativas pelo mundo consideradas minorias pelos estados – buscam autonomia na Internet. Encorajados pela <a href="http://www.icann.org/en/announcements/announcement-4-26jun08-en.htm">oportunidade de criar domínios de Internet genéricos <em>[generic top level domains (gTLD), em inglês]</em></a>, alguns ativistas querem registrar seu próprio domínio de Internet – [ponto] indigi. Mas estarão eles aptos para superar o desafio econômico da Internet?</p>
<p style="text-align: justify;">O site oficial da campanha é <a href="http://www.dotindigi.com/">www.dotindigi.com</a>, com o apoio de grupos no <a href="http://www.facebook.com/group.php?gid=64001790189">Facebook</a> e <a href="http://groups.google.com/group/dot-indigi">Google</a>. O projeto Ponto Indigi é comandado pelo ativista <a href="http://taiuru.maori.nz/">Karaitiana Taiuru</a>, Maori nativo da Nova Zelândia, que foi apontado pela <a href="http://iictf.blogspot.com/">Força Tarefa Indígena Internacional</a> para liderar o projeto. O senhor Taiuru foi o primeiro a <a href="http://www.taiuru.maori.nz/blog/2009/02/dot-indigi-campaign-gone-public.html">aparecer nas notícias</a> no dia 5 de fevereiro:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">[…]</p>
<p style="text-align: justify;">.indigi is a self governing generic Top Level Domain Name for the international Indigenous Peoples population to participate in their own self governing domain name.</p>
<p style="text-align: justify;">[…]</p>
<p style="text-align: justify;">Today we officially begun our publicity campaign[…]</p>
</blockquote>
<div class="translation" style="text-align: justify;">[…]</p>
<p>.indigi é um domínio de Internet genérico autogovernado pela população internacional Indigenous Peoples para participar de seu domínio autogovernado.</p>
<p>[…]</p>
<p style="text-align: justify;">Anunciamos hoje oficialmente o início de nossa campanha publicitária[…]</p>
</div>
<p style="text-align: justify;"><em><a href="http://indigenousissuestoday.blogspot.com/2009/02/application-for-indigenous-domain.html">Indigenous People&#39;s Issues Today</a></em> dá mais detalhes sobre o projeto:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">The Dot Indigi organization will apply to ICANN [Internet Corporation for Assigned Names and Numbers] for a new gTLD  (or other if the community suggest a different version) to represent all indigenous groups of the world, thus removing the existing indigenous representation issues of the predominantly English DNS. The ability to include non English characters will be a priority at the 2nd and subsequent Levels.</p>
<p style="text-align: justify;">The  gTLD will offer registration at the 2nd Level Domain to indigenous organizations who would then govern their own domain name space and resell/distribute 3rd Level Domain names or retain a general project type name at the 2nd Level via the official .indigi registrars. Several other 2nd Level Domains will be made public to cater to indigenous individuals or smaller such groups who cannot justify the expense and set up of their own 2nd Level Domain.</p>
<p style="text-align: justify;">[…]</p>
<p style="text-align: justify;">For example: NZ [New Zealand] Māori may apply for .māori.indigi and create a new set of domain names to accommodate their culture. So say for Māori schools, there could be .kura.māori.indigi . Then Māori schools can have their name at the start of the address.</p>
<p style="text-align: justify;">[…]</p>
</blockquote>
<div class="translation" style="text-align: justify;">A organização Ponto Indigi se inscreverá no ICANN <em>[Internet Corporation for Assigned Names and Numbers, entidade sem fins lucrativos, multilateral, que organiza a concessão de domínios e de endereços IP no mundo]</em> para um novo gTLD  (ou outro, se a comunidade sugerir uma versão diferente) para representar todos os grupos indígenas do mundo, dessa forma retirando os fluxos de representação do DNS em inglês. A habilidade de incluir caracteres não-ingleses serão uma prioridade nos domínios de 2º nível e subseqüentes <em>[nota do tradutor: na hierarquia do Domain Name System (DNS), um domínio de 2º nível (SLD) é um domínio que está diretamente depois do Domínio (TLD). Por exemplo, em globalvoicesonline.org, globalvoicesonline é o domínio de segundo nível do .org, que por sua vez é o TLD]</em>.</p>
<p>O  gTLD oferecerá registro no domínio de 2º nível para organizações indígenas que então vão governar seu próprio espaço de nome de domínio <em>[nota do tradutor: vulgarmente conhecido como o endereço completo do site]</em>, e então revender/redistribuir nomes do domínio de 3º nível ou reter o projeto geral do nome no 2º nível através do registro oficial .indigi. Muitos outros domínios de 2º nível serão tornados públicos para atender indivíduos indígenas ou grupos pequenos que não podem justificar os gastos ou o registro de seus próprios domínios de 2º nível.</p>
<p>[…]</p>
<p>Por exemplo: Māori de NZ [Nova Zelândia] podem se registrar por .māori.indigi e criar um novo grupo de nomes de domínios para acomodar sua cultura. Então as escolas Māori poderiam ser .kura.māori.indigi. E, finalmente, as escolas Māori podem ter seus próprios nomes no começo do endereço.</p>
<p>[…]</p></div>
<p style="text-align: justify;"><em><a href="http://singingtotheplants.blogspot.com/2009/02/indigenous-top-level-domains.html">Singing to the Plants</a></em> explica o processo:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">A top-level domain is the last part of an Internet domain name. The original set of these TLDs, defined in October 1984, is still the most familiar — .com, .edu, .gov, .mil, and .org, to which .net was added in the first implementation of the domain name system. Management of TLDs is in the hands of the Internet Assigned Numbers Authority (IANA), which operates under contract to the Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN).</p>
<p style="text-align: justify;">Over the years, new TLDs — now called generic TLDs, to distinguish them from, say, country-code TLDs — have been added, and now .aero, .biz, .coop, .info, .museum, .name, and .pro are all operational, even if not widely used. Several additional new gTLDs have been approved in principle, although only .mobi, for the delivery of the Internet to mobile devices, seems to have aroused much interest.</p>
<p style="text-align: justify;">Most important, in June 2008, ICANN approved the recommendation of a new gTLD program which would allow just about any organization to apply to reserve its own gTLD. Under this system, for example, Microsoft could apply for .msn, Google for .google, or New York City for .nyc. The implementation plan for the new system is expected to be published in 2009. The plan must then be approved by the ICANN Board before the system is implemented. ICANN is currently aiming to receive applications for domains starting in the second quarter of 2009.</p>
<p style="text-align: justify;">This new plan is now seen as an opportunity for indigenous peoples to have their own gTLDs — .taino, for example, or .shipibo. But applying for a gTLD requires significant resources of time, money, and expertise.</p>
<p style="text-align: justify;">[…]</p>
</blockquote>
<div class="translation" style="text-align: justify;">Um domínio é a última parte do nome de domínio da Internet. O conjunto original desses TLDs, definidos em outubro de 1984, ainda é o mais comum - .com, .edu, .gov, .mil, e .org, aos quais .net foi adicionado na primeira implementação do DNS. O gerenciamento dos TLDs está nas mãos da <em>Internet Assigned Numbers Authority</em> (IANA), que opera sob contrato da <em>Internet Corporation for Assigned Names and Numbers</em> (ICANN).</p>
<p>Ao longo dos anos, novos TLDs — agora chamados TLDs genéricos, para distinguir, por exemplo, TLDs com códigos de países — foram adicionados, e agora .aero, .biz, .coop, .info, .museum, .name, e .pro são todos operacionais, mesmo se não são amplamente usados. Muitos gTLDs novos adicionais foram aprovados a princípio, contudo apenas .mobi, para o serviço de Internet em aparelhos portáteis, parece ter despertado interesse.</p>
<p>O mais importante é que, em junho de 2008, ICANN aprovou a recomendação de um novo programa gTLD no qual permitiria qualquer organização se inscrever para reservar seu próprio gTLD. Sob este sistema, por exemplo, Microsoft poderia se inscrever para .msn, Google para .google, ou New York City para .nyc. O plano de implementação para o sistema novo é esperado para publicação em 2009. O plano deve então ser aprovado pelo conselho do ICANN Board antes de que o sistema entre em vigor. ICANN atualmente está focada em receber incrições para domínios começando no segundo trimestre de 2009.</p>
<p>Este plano novo é visto agora como uma oportunidade para povos indígenas para terem seus próprios gTLDs — .taino, por exemplo, ou .shipibo. Mas se inscrever para um gTLD requer quantias significantes de tempo, dinheiro e conhecimento.</p>
<p>[…]</p></div>
<p style="text-align: justify;">Com uma <a href="http://www.icann.org/en/topics/new-gtlds/cost-considerations-23oct08-en.pdf">taxa de inscrição</a> de $185.000 - dinheiro pode ser o maior obstáculo nesta campanha, diz o consultor <a href="http://www.namesatwork.com/blog/2009/02/14/dot-indigi">Antony Van Couvering</a>:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">[…]</p>
<p style="text-align: justify;">Although I applaud the idea and the effort, I admit to being steamed at ICANN that they have allowed a fee structure that blocks new TLDs for these, certainly among the most deserving applicants.<br />
[…]</p></blockquote>
</div>
<div class="translation" style="text-align: justify;">Embora aplauda a idéia e o esforço, eu admito estar com raiva do ICANN por ter permitido uma taxa de estrutura que impede novos TLDs para estes povos, que certamente estão entre os inscritos que mais merecem.<br />
[…]</div>
]]></content:encoded>
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		<title>Brunei: arrecadação de fundos para vítimas de enchentes</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/02/26/brunei-arrecadacao-de-fundos-para-vitimas-de-enchentes/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/02/26/brunei-arrecadacao-de-fundos-para-vitimas-de-enchentes/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 26 Feb 2009 17:20:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Maestre</dc:creator>
				<category><![CDATA[Alimentação]]></category>
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		<description><![CDATA[Como parte dos esforços para coletar doações para as vítimas das enchentes, fundos de caridades foram organizados nas recentes semanas em Brunei. O forte temporal do mês passado causou enchentes e deslizamentos de terra no país, afetando os lares de mais de 200 famílias, e destruindo milhões de dólares em propriedades e lavouras.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/fadila-ahmad/">Senor Pablo</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/carlosmaestre/'>Carlos Maestre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/02/25/brunei-fund-drive-for-flood-victims/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div class="entry">
<p style="text-align: justify;">O <a href="http://globalvoicesonline.org/specialcoverage/floodings-in-asia-pacific-islands-2009/">forte temporal </a>[en] do mês passado causou grandes <a href="http://globalvoicesonline.org/2009/02/06/brunei-more-rain-flashfloods-and-landslides/">enchentes e deslizamentos de terra</a> no país, afetando os lares de mais de 200 famílias, levando à perda de milhões em propriedades e nas lavouras em todos os quatro distritos do país. Isto fez a comunidade se reunir para pedir por ajuda pelos menos afortunados e por aqueles que foram afetados pelo desastre natural.</p>
<p style="text-align: justify;">Um fundo público para ajudar as vítimas das recentes enchentes e dos deslizamentos de terra foi preparado pelo ministro do Interior no dia 3 de fevereiro de 2009. A intenção é ajudar a confortar algumas das dificuldades enfrentadas pelas vítimas para voltarem às suas vidas normais. Como parte dos esforços para coletar doações para este fundo, as organizações de caridade se organizaram nas últimas semanas em benefício do Fundo Nacional para as Vítimas da Enchente e dos Deslizamentos <em>[National Fund for the Flood and Landslide Victims]</em>. Este é um exemplo de quão forte a comunidade local é em ajudar uns aos outros. Masyarakat Perihatin é uma frase malaia que significa sociedade que cuida com esmero.</p>
<p style="text-align: justify;">Por exemplo, o Orchid Garden Hotel liderou uma iniciativa de caridade com bolinhos. O hotel teve sucesso em vender mais de 2.000 deles. Ele exibiu orgulhosamente 25 torres enfileiradas feitas de 250 kg de bolinhos. Toda a estrutura media 2,13 metros de largura por 4,87 metros de altura.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 85%;"><span style="font-family: verdana;"><a href="http://4.bp.blogspot.com/_1GjoOO6boOI/SaNFOawVTeI/AAAAAAAABBo/1P9rHSK_CLo/s400/ogh.jpg"><img class="aligncenter" src="http://4.bp.blogspot.com/_1GjoOO6boOI/SaNFOawVTeI/AAAAAAAABBo/1P9rHSK_CLo/s400/ogh.jpg" alt="" width="268" height="400" /></a>Foto por <a href="http://strictlybeautiful.blogspot.com/2009/02/highest-cake-in-ogh.html"><em>Strictly Beautiful</em></a><br />
</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-58045" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/02/cupcake.jpg" alt="cupcake" width="400" height="267" /></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ranoadidas.com/?p=1782"><em>Ranoadidas</em></a> relatou sobre o evento da caridade do bolinho e outra arrecadação de fundos que vendeu 900 vales de Nasi Lemak, um popular prato local:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">The Cupcake charity at The Orchid Garden Hotel managed to sell 2,000 cupcakes. That’s amazing numbers. Another charity event was held at<a href="http://http//dotherofficecafebistro.blogspot.com/"> D’ Other Office  Cafe and Bistro, </a>where almost 900 coupons of Nasi Lemak ( local rice dish cooked in coconut milk)  and Egg Tart combined was sold to the public.</p>
</blockquote>
<div class="translation" style="text-align: justify;">A caridade do bolinho no Orchid Garden Hotel conseguiu vender 2.000 bolinhos. São números incríveis. Outro evento de caridade que aconteceu no<a href="http://http//dotherofficecafebistro.blogspot.com/"> D’ Other Office Cafe and Bistro, </a>onde quase 900 vales de Nasi Lemak (arros local cozinhado com leite de coco) e quindim <em>[nota da tradução: Egg Tart]</em> combinados foi vendido ao público.</div>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-58049" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/02/eggchar.jpg" alt="eggchar" width="399" height="257" /></p>
<p style="text-align: justify;">Fotos por cortesia de <a href="http://www.ranoadidas.com/"><em>Ranoadidas</em></a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://anakbrunei.org/2009/02/14/football-for-a-worthy-cause-2"><em>AnakBrunei</em></a> relatou o evento de futebol que arrecadou pelo menos B$100.000 [nota da tradução: dolár de Brunei; cotação de 25/02/2009: B$ 1 - R$1,56]:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Match between DPMM FC and FFBD XI. The match was organized by the <a href="http://bruneiresources.blogspot.com/2009/01/football-federation-of-brunei.html" target="_blank">Football Federation of Brunei Darussalam</a> . All proceeds (nearly B$100k from what I gather) will be donated to the Fund for Flood and Landslide Victims</p>
</blockquote>
<div class="translation" style="text-align: justify;">O jogo entre DPMM FC e FFBD XI. O jogo foi organizado pela <a href="http://bruneiresources.blogspot.com/2009/01/football-federation-of-brunei.html" target="_blank">Football Federation of Brunei Darussalam</a> . Toda a renda (próxima à cifra de B$100.000 do que consegui apurar) será doada ao Fundo Nacional para as Vítimas da Enchente e dos Deslizamentos.</div>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://anakbrunei.org/wp-content/uploads/2009/02/img-9187.jpg"><img class="aligncenter" src="http://anakbrunei.org/wp-content/uploads/2009/02/img-9187.jpg" alt="" width="469" height="320" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">A foto acima mostra Vossa Alteza o Príncipe da  Coroa, dirigente do clube DPMM Football, entregando o dinheiro arrecadado no jogo de caridade para o dirigente do Fundo para as Vítimas da Enchente e dos Deslizamentos.</p>
</div>
]]></content:encoded>
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		<title>Madagáscar: Peça sobre independência banida por autoridades francesas</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/14/madagascar-peca-sobre-independencia-banida-por-autoridades-francesas/</link>
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		<pubDate>Sun, 14 Dec 2008 13:28:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paula Góes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte & Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Entretenimento]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[France]]></category>
		<category><![CDATA[French]]></category>
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		<description><![CDATA[Uma peça teatral para comemorar a histórica Batalha da Indepndência de Madagascar foi banida dos palcos do hemisfério sul por autoridades regionais francesas que não deram maiores explicações sobre os motivos. O debate sobre a peça e o tema continua na internet.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/lova-rakotomalala/">Lova Rakotomalala</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/paulagoes/'>Paula Góes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/12/14/madagascar-french-authorities-ban-play-on-historic-independence-battle/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="single" class="entry">
<p>Uma peça teatral em comemoração à histórica Batalha pela Independência de Madagáscar foi banida dos palcos do hemisfério sul africano por autoridades regionais francesas, sem dar maiores explicações sobre os motivos.</p>
<p>A data 29 de março de 1947 traz várias lembranças traumáticas a muitos dos cidadãos mais velhos de Madagáscar. Trata-se do dia em que <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Malagasy_Uprising">o exército francês esmagou violentamente uma das primeiras lutas pela independência no seu antigo império colonial</a> [en]. Como resultado, entre 30 mil e 100 mil pessoas morreram (o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Malagasy_Uprising#Casualties">número exato de casualidades é ainda discutido</a> [en] por historiadores).</p>
<p>Embora o massacre tenha sido reconhecido pelo governo francês como um crime de guerra em 1951 e como uma repreensão inaceitável em 2005, os eventos de 1947 são relativamente desconhecidos tanto em Madagáscar quanto no mundo. Para lançar mais luz sobre a tragédia, o renomado escritor malgaxe <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Raharimanana">Jean-Luc Raharimanana</a> e o diretor francês Thierry Bedard se uniram para produzir uma peça chamada de “<a href="http://notoire47.canalblog.com/">47</a>” [fr] que encena o desenrolar dos eventos e debate o complexo relacionamento entre os colonizadores e a população nativa.</p>
<p>Veja abaixo um rápido clip da peça:</p>
<div><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="420" height="339" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.dailymotion.com/swf/x7o55p" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="420" height="339" src="http://www.dailymotion.com/swf/x7o55p" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<strong><a href="http://www.dailymotion.com/swf/x7o55p">47 Raharimanana</a></strong><em> por <a href="http://www.dailymotion.com/notoire">notoire</a></em></div>
<p>Depois de algumas apresentações em duas cidades metropolitanas francesas, <a href="http://www.liberation.fr/theatre/0101304677-le-cas-47">a peça foi banida</a> [fr] nas regiões do sul da África e do Oceano Índico pela Direção Geral da Cooperação Internacional e do Desenvolvimento da França.</p>
<p><a href="http://www.rue89.com/2008/12/05/madagascar-1947-censure-d-etat-pour-une-piece-de-theatre">O criador da peça, Jean-Luc Raharimanana, reage energeticamente</a> à proíbição no blogue <em><a href="http://rue89.com/">Rue89</a></em> [fr]:</p>
<blockquote><p>Silence pèse sur la mémoire. Les langues se délient. Des hommes et des femmes voudront comprendre. Dans ce désir, réel cette fois-ci, de vivre ensemble[..] Pourquoi en 47, deux ans après le carnage, deux ans après le « plus jamais ça», pourquoi à Madagascar s’est perpétré l’un des plus grands massacres coloniaux ? [..] C’est ce silence qu’explore le spectacle “47″. Une histoire commune. Violente. Sensible. Un théâtre qui nous ramène dans ce désir de vivre ensemble, de comprendre ce qui a déchiré, les corps malmenés et torturés, les paroles étouffés et les non-dits qui corrompent les âmes.[..] Mais ainsi en a décidé le “bureau politique” de la DGCID1. Censure sur le spectacle. Interdiction d’emmener cette parole dans les centres culturels africains et alliances françaises. [..] Mais la mémoire se moque bien de la censure même si c’est une censure d’Etat. Le désir est profond de comprendre d’autant plus que nous avons maintenant le recul nécessaire pour tout entendre, pour enfin échanger.</p></blockquote>
<div class="translation">O silêncio é um peso na memória. Com o tempo, as pessoas começam a falar. Com o tempo, homens e mulheres gostariam de entender. Há um desejo, dessa vez verdadeiro, de viver juntos [..] Por que é que em 1947, dois anos depois da grande guerra, dois anos depois do “nunca mais”, um dos grandes massacres coloniais acontece em Madagáscar? [..] é esse silêncio que 47 explora. Uma história em comum. Violenta. Sensível. Um drama que nos leva de volta ao desejo de viver juntos, entender o que nos separou, os corpos surrados e torturados, a repressão das vozes e as palavras não ditas que corrompem a alma. [..] Mas o DGCID (Direção Geral da Cooperação Internacional e do Desenvolvimento) decidiu de outra forma. Censura às artes. Banimento da mensagem em centros culturais africanos e alianças francesas […] Mas a memória não quer saber de censura, mesmo que tenha sido uma censura determinada pelo estado. O desejo de entender é profundo, especialmente agora que tivemos tempo de  dar um passo atrás e refletir, tempo de ouvir todas as vozes e conversar.</div>
<p>Alguns <a href="http://mondomix.com/musiques-du-monde/fr/1234185.htm">blogueiros</a> relataram a notícia da proíbição em seus <a href="http://www.africultures.com/index.asp?menu=affiche_article&amp;no=8238">blogues</a>. As reações na <a href="http://www.rue89.com/2008/12/05/madagascar-1947-censure-d-etat-pour-une-piece-de-theatre?page=0#commentaires">caixa de comentários</a> na postagem Raharimanana variam entre indiferença e indignação.</p>
<p>Alguns não vêem necessidade em reavivar o passado. <a href="http://www.rue89.com/user/login?destination=user/28480">Mechante Langue</a> pergunta [fr]:</p>
<blockquote><p>Ne jouez pas les faux martyrs. Sinon serieusement vous croyez vraiment que la chose la plus importante à denoncer a Madagascar aujourd hui , ce sont les massacres de 47 ..sérieusement ?</p></blockquote>
<div class="translation">Não encene esse falso mártirio. Você acredita mesmo que as coisas mais importante para se denunciar em Madagáscar hoje são os massacres de 1947… Sério?”</div>
<p>Ao que <a href="http://www.rue89.com/user/login?destination=user/61535">Monsieur Lambda</a> responde [fr]:</p>
<blockquote><p>Il vous échappe manifestement que ces massacres sont, dans une large mesure, fondateurs de la conscience nationale des Malgaches et qu’ils occupent, du point de vue de la mythologie nationale, une place comparable à celle de la prise de la Bastille pour les Français.</p></blockquote>
<div class="translation">É evidente que você não entendeu que os massacres foram, de certo modo, a fundação da identidade nacional malgaxe e portanto a formação da aura nacional, eles têm o mesmo significado do Dia da Bastilha para os franceses.</div>
<p><a href="http://www.rue89.com/user/login?destination=user/60349">Juan Pablo de Tagéna</a> acha que o povo malgaxe deve repensar se a luta colonial valeu a pena [fr]:</p>
<blockquote><p>Aujourd’hui les Malgaches ne demanderaient pas leur indépendance: ils seraient à 99% pour le maintien dans la Communauté Française.</p></blockquote>
<div class="translation">Hoje, os malgaxes não estariam pedindo a independência: 99% deles prefeririam fazer parte da comunidade francesa.</div>
<p>Em uma conversa privada no <a href="http://facebook.com/">facebook</a> discutindo a proibição, <a href="http://www.facebook.com/profile.php?id=625121986">Soaray Rabarimampianina</a> (citada aqui com permissão) acha que ainda há muito a ser feito para que essa parte da história possa ser discutida abertamente.</p>
<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-53934" title="facebook-soaray" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/12/facebook-soaray.jpg" alt="" width="541" height="141" /></p>
<blockquote><p>Il y a bien du chemin à parcourir avant que la France accepte cette partie de son histoire qu&#39;est la colonisation.</p></blockquote>
<div class="translation">Ainda há muito caminho a se percorrer até que a França aceite completamente essa parte de sua história que é a colonização.</div>
<p>Na mesma discussão, <a href="http://www.facebook.com/profile.php?id=1386817819">Tsilavina Ralaindimby</a> destaca que ao debater o período colonial, não se deve nunca esquecer que os soldados das colônias lutaram ao lado da França nas duas guerras mundais [fr]:<br />
<img class="aligncenter size-medium wp-image-53935" title="facebook-tsi" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/12/facebook-tsi.jpg" alt="" /></p>
<blockquote><p>C&#39;est un documentaire sur les Tirailleurs Malagaches qui sont venus pour se battre au nomb de la France en 14/18 et dont beaucoup sont morts là-bas. A Menton [..] il y a là-bas un cimetière avec toute une rangée de tombes de soldats malgaches.</p></blockquote>
<div class="translation">Existe um documentário sobre os soldados franco-atiradores malgaxes que lutaram pela França na guerra de 14/18 e que morreram lá. Em Menton, [..] há um cemintário com algumas alas cheias de jazidos de soldados malgaxes.</div>
<p class="contributors"><a href="http://mg.globalvoicesonline.org/author/jentilisa/">Jentilisa</a> contribuiu com esse artigo com links e referências.</p>
</div>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Assombrações e lendas brasileiras na lusosfera. Parte 3</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/11/01/assombracoes-e-lendas-brasileiras-na-lusosfera-parte-3/</link>
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		<pubDate>Sat, 01 Nov 2008 04:10:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Duende</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Para fechar com chave de ouro esta série sobre os mitos, lendas e assombrações brasileiros aos olhos da lusosfera, não poderíamos estar falando de outra entidade que não o brasileiríssimo <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Saci">Sací Pererê</a>. Depois de conhecer seres míticos como a <em>Cuca</em>, o <em>Boitatá</em> e o <em>Curupira</em> no <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/16/assombracoes-e-lendas-brasileiras-na-lusosfera-parte-1/">primeiro artigo</a> desta série, e ler intrigantes narrativas sobre o <em>Cabeça de Cuia</em> e o <em>Caboclo D'Água</em>, entre outros, no <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/24/assombracoes-e-lendas-brasileiras-na-lusosfera-parte-2/">segundo artigo</a> da série, agora vamos nos debruçar sobre a mais famosa das entidades míticas brasileiras, que chegou a ser contemplado por leis que transformam o dia 31 de outubro no <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_do_Saci">Dia do Saci</a>.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/danielduende/">Daniel Duende</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/daniel-duende/'>Daniel Duende</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/11/01/brazilian-myths-and-haunts-on-the-lusosphere-part-3/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Para fechar com chave de ouro esta série sobre os mitos, lendas e assombrações brasileiros aos olhos da lusosfera, não poderíamos estar falando de outra entidade que não o brasileiríssimo <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Saci">Sací Pererê</a>. Depois de conhecer seres míticos como a <em>Cuca</em>, o <em>Boitatá</em> e o <em>Curupira</em> no <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/16/assombracoes-e-lendas-brasileiras-na-lusosfera-parte-1/">primeiro artigo</a> desta série, e ler intrigantes narrativas sobre o <em>Cabeça de Cuia</em> e o <em>Caboclo D&#39;Água</em>, entre outros, no <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/24/assombracoes-e-lendas-brasileiras-na-lusosfera-parte-2/">segundo artigo</a> da série, agora vamos nos debruçar sobre a mais famosa das entidades míticas brasileiras, que chegou a ser contemplado por leis que transformam o dia 31 de outubro no <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_do_Saci">Dia do Saci</a>.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://www.sosaci.org/galeria/vicente.jpg" alt="" /></p>
<p>Mas quem ou o quê é o Saci Pererê? Essa entidade esperta, especialista em confundir e enganar &#8212; por diversão ou por maldade &#8212; conseguiu confundir até mesmo a blogosfera. Muitas são as origens e descrições distintas encontradas. Para não contribuir com a confusão, o que só ajudaria os planos do Sací, vamos citar apenas duas delas.</p>
<p>O site <em>Ifolclore</em> dá <a href="http://www.ifolclore.com.br/lendas/gerais/g_saci2.htm">várias descrições do Sací Pererê</a>. Entre elas, esta é uma das mais esclarecedoras:</p>
<blockquote><p>&#8220;O Saci é uma entidade muito popular no folclore Brasileiro. No fim do século XVIII já se falava dele entre os negros, mestiços e <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tupi-Guarani">Tupis-guarani</a>, de onde se origina seu nome. Em muitas regiões do Brasil, o Saci é considerado um ser muito brincalhão, que esconde objetos da casa, assusta animais, assovia no ouvido das pessoas, desarruma cozinhas; enquanto que em outros lugares ele é visto como uma figura maléfica. É um negrinho de uma perna só que fuma um cachimbo e usa na cabeça uma carapuça vermelha que lhe dá poderes mágicos, entre eles, o de aparecer e desaparecer onde desejar. Tem uma mão furada e gosta de jogar objetos pequenos para o alto e deixa-los atravessa-la para pegar com a outra. Ele costuma assustar viajantes ou caçadores solitários que se aventuram por lugares ermos nos sertões ou matas, com um arrepiante assovio no ouvido, para em seguida aparecer numa nuvem de fumaça pedindo fogo para seu cachimbo. Ele gosta de esconder brinquedos de crianças, soltar animais dos currais, derramar sal que encontra nas cozinhas, e em noites de lua, monta um cavalo e sai campo afora em desembalada carreira fazendo grande alvoroço. Diz a crença popular que dentro dos redemoinhos de vento - fenômeno onde uma coluna de vento rodopia levantando areia e restos de vegetação e sai varrendo tudo que encontra a sua frente - existe um Saci.&#8221;</p></blockquote>
<p><img class="aligncenter" src="http://www.sosaci.org/galeria/Ceu2.jpg" alt="" /></p>
<p>A <em>Enciclopédia Mestiça</em> <a href="http://www.geocities.com/fusaoracial/saci.htm">chama a atenção</a> para as diversas origens possíveis do Sací, e o relaciona com outros seres encantados e mitos do Brasil e do mundo:</p>
<blockquote><p>&#8220;A representação clássica do Saci Pererê é a de um negro pequenino, de uma perna só, com uma toca vermelha na cabeça e um pito na boca. É dado a ele um temperamento irrequieto e está sempre fazendo traquinagens. Não se deve, porém, dizer que seja mau, antes que seja imprevisível e um tanto inconseqüente. Não há consenso sobre sua origem, se indígena ou negra; conforme a região foi sendo representado em diferentes nuances. É visto como um ser mestiço por alguns. Em 1917, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Monteiro_Lobato">Monteiro Lobato</a> organizou uma pesquisa entre leitores do Estadinho, publicação vespertina do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Estado_de_S._Paulo">O Estado de São Paulo</a>. No ano seguinte publico o livro Inquérito. Para Monteiro Lobato, o saci é fruto de influências indígenas, negras e portuguesas. Seu mito desenvolveu-se mais fortemente nas áreas sertanejas do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o_Sudeste">Sudeste</a>. Ele seria mais encontrado em locais com plantas. Pode ser um versão de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ex%C3%BA">Exu</a>, o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Orix%C3%A1">orixá</a> que como ele possui um caráter de desorganizador-reorganizador e um comportamento imprevisível. Desde as primeiras missões jesuíticas, Exu é associado ao Diabo, da religião cristã. O Saci pode estar também ligado ao mito português do Matintaperera, ou Matintaperê,<br />
[&#8230;]<br />
No Amazonas houve o mito de uma entidade também com o nome de Matintapera, de duas pernas e sem carapuça, cujo poder vem de um colar; corresponderia ao Cambaí, em guarani, e ao Iaci, em tupi. Os negros o teriam associado a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ossaim">Ossaim</a>, filho de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Iemanja">Iemanjá</a> e <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Oxala">Oxalá</a>, que possui uma única perna e cuida das plantas. Entre os países da bacia do Prata, houve o Iaci Iaterê, um ser de cabelos de fogo. No folclore haitiano há o Quibungo, de origem <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Banto">banto</a>, um menino que sai à noite para perseguir pessoas. Outra personagem africana é o Gunocô, que protege as matas. Na Europa, havia também o mito dos <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fada">duendes</a>, pequenos seres campestres. Em 2003, foi fundada em São Luiz do Paraitinga, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Paulo">São Paulo</a>, a Sociedade dos Observadores do Saci - Sosaci, que conseguiu aprovar, na capital paulista, o dia 31 de outubro como o dia do Saci.&#8221;</p></blockquote>
<p>Por falar na <a href="http://sosaci.org/">Sociedade dos Observadores de Sací</a>, o site da organização reúne <a href="http://sosaci.org/historias.html">vários artigos interessantes</a>, em português, para quem quiser saber mais sobre o Sací.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://www.sosaci.org/galeria/eder.jpg" alt="" /></p>
<p>Uma das perguntas mais frequentes a respeito dos Sacis é por quê ele tem só uma perna. Entre as muitas respostas que encontrei, <a href="http://casossobrenaturais.blogspot.com/2007/05/dando-seqncia-sesso-folclore-do-blag.html">a resposta dada</a> por <em>Tio Cráudio</em> no lendário blogue <em><a href="http://casossobrenaturais.blogspot.com/">Casos Sobrenaturais</a></em> é a mais direta e esclarecedora:</p>
<blockquote><p>&#8220;[&#8230;] Com a chegada dos escravos negros trazidos pelos invasores portugueses, a lenda do saci miscigenou com o choque cultural. Passou a ser negro e perdeu uma perna.<br />
[&#8230;]<br />
Essa mudança não foi por acaso e tem um sentido mórbido. Era comum os escravos fugidos serem recapturados e torturados. Alguns chegavam a ser multilados.</p>
<p>Uma das formas de vingança que os negros escravos usavam era a psicológica. As escravas usadas como babás , para sacanear com os portugueses, costumavam contar histórias e cantigas de ninar cujo tema tinha como objetivo abaixar a estima e criar o medo nas crianças .</p>
<p>Na lenda do Saci especificamente, o mesmo se tornava o vingador dos escravos, fazendo tudo o que eles queriam mas não podiam fazer.&#8221;</p></blockquote>
<p><img class="aligncenter" src="http://www.sosaci.org/galeria/Voltolino2.jpg" alt="" /></p>
<p>Seja um protetor das florestas ou uma espécie de demônio, ou apenas uma entidade infantil brincalhona, é importante saber como lidar com os Sacis. Uns dizem que se deve ter muito cuidado com suas brincadeiras, e evitar andar pelos lugares que ele frequenta. Outros afirmam que o melhor jeito é capturá-lo antes que faça algum mal. Para os que pensam assim, <em>Tio Cráudio</em>, grande estudioso do conhecimento arcano, traz <a href="http://casossobrenaturais.blogspot.com/2007/05/dando-seqncia-sesso-folclore-do-blag.html">no mesmo post</a> uma receita de como aprisionar os sacís:</p>
<blockquote><p>&#8220;[&#8230;] O fato de ter uma perna só não é problema por que ele se movimenta através de redemoinhos de vento.</p>
<p>Boa parte de seus poderes estão no contato com o famoso gorro vermelho (herança da cultura européia). Com ele o Saci pode ficar invisível e se locomover.<br />
[&#8230;]<br />
Você precisa estar armado com uma peneira, uma garrafa, uma rolha, um rosário [&#8230;]</p>
<p>Assim que vir o redemoinho, jogue rapidamente a peneira em cima. Isso por si só já imobiliza o bicho.</p>
<p>Agora é fácil. Pegue o rosário e envolva a peneira. Com isso você vai poder abrir sem que ele fuja. ( A visão católica era que o Saci é um demônio. Assim ele deve temer os símbolos cristãos)</p>
<p>Próximo passo. Coloque a garrafa no centro. O bicho vai estar tão doido por causa do rosário que vai tentar se esconder lá dentro. Espere uns cinco minutos. Acho que é tempo suficiente.</p>
<p>Em seguida tampe a garrafa com a rolha e pronto!!!&#8221;</p></blockquote>
<p>E como o Sací é esperto, já está quase conseguindo até se tornar símbolo da Seleção Brasileira de Futebol, como nos conta <em>Paulo Bicarato</em> <a href="http://www.alfarrabio.org/index.php?itemid=2844">em seu <em>Alfarrábio</em></a>. Paulo nos conta também que tem gente que não gostou da idéia. Mas já era de se esperar que um ser misterioso e brincalhão como o Sací fosse encontrar resistência em seus planos para se tornar mundialmente famoso.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://www.sosaci.org/galeria/Ohi2.jpg" alt="" /></p>
<p>O Sací Pererê, mesmo sendo um dos mitos mais famosos e importantes do Brasil, é também muito misterioso, e há sobre ele mais desinformação do que conhecimento &#8212; bem do jeito que ele gosta. A Sociedade dos Observadores de Sací solicita que as pessoas enviem seus relatos de encontros com sacís, ou qualquer informação que descubram sobre estes seres, na tentativa de enxergar através das brincadeiras pregadas por este mito. Como sempre, seguimos observando os mitos da blogosfera, e voltaremos a relatar caso eles descubram alguma coisa.</p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p><strong>Mais lendas e assombrações:</strong></p>
<p>Este post é parte de uma série do Global Voices Online sobre fantasmas, assombrações, mitos e lendas, que coincide com o Halloween, o Dia de Todos os Santos, e os feriados macabros desta época. Visite nossa <a href="http://globalvoicesonline.org/specialcoverage/ghosts-gouls-myths-and-legends/">página de cobertura especial</a> [En].</p>
<p><em>Todas as imagens usadas neste artigo <a href="http://www.sosaci.org/galeria/galeria.htm">estão disponíveis</a> na <a href="http://www.sosaci.org/">página da Sosaci</a>, e foram usadas por gentil permissão do Sací.</em></p>
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		<title>Brasil: Vovó Aggie, as Treze Avózinhas Indígenas e o Papa</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Oct 2008 02:39:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Duende</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Publicado originalmente porDaniel Duende  &#183; Traduzido por Daniel Duende &#183;  Veja o post original 
Lou Gold, &#8216;homem-da-natureza&#39; e blogueiro norte-americano transformado em &#8216;brasileiro&#39;, bloga sobre [En] a Vovó Aggie e o Conselho Internacional das Treze Avós Indígenas [En], recontando algumas das aventuras destas corajosas senhoras e seus recentes esforços para convencer o Papa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/danielduende/">Daniel Duende</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/daniel-duende/'>Daniel Duende</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/10/28/brazil-grandma-aggie-thirteen-indigenous-grandmothers-and-the-pope/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p><em>Lou Gold</em>, &#8216;homem-da-natureza&#39; e blogueiro norte-americano transformado em &#8216;brasileiro&#39;, <a href="http://lougold.blogspot.com/2008/10/grandma-aggie-agness-baker-pilgrim-at.html">bloga sobre</a> [En] a Vovó Aggie e o <a href="http://www.grandmotherscouncil.com/">Conselho Internacional das Treze Avós Indígenas</a> [En], recontando algumas das aventuras destas corajosas senhoras e seus recentes esforços para convencer o Papa a rescindir a Bula Papal que criou o &#8220;direito&#8221; de se tomar terras indígenas.</p>
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		<title>Assombrações e lendas brasileiras na lusosfera. Parte 2</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Oct 2008 04:48:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Duende</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/16/assombracoes-e-lendas-brasileiras-na-lusosfera-parte-1/">primeiro artigo desta série</a>, vasculhamos a internet brasileira em busca de websites que nos contassem histórias sobre assombrações e seres encatados do folclore brasileiro. Agora, neste segundo artigo da série vamos ouvir as histórias e lendas contadas por blogueiros. Eles não nos contar sobre o <em>Cabeça de Cuia</em> e sobre o <em>Caboclo D'Água</em>, e sobre a bela e triste lenda da <em>Vitória Régia</em>. Vão nos dizer mais detalhes sobre a misteriosa <em>Loira do Banheiro</em> e vão nos segredar sobre <em>o Boto</em>, que sai do rio para seduzir as moças e abandoná-las para carregar e criar seus filhos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/danielduende/">Daniel Duende</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/daniel-duende/'>Daniel Duende</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/10/23/brazilian-myths-and-haunts-on-the-lusosphere-part-2/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>No <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/16/assombracoes-e-lendas-brasileiras-na-lusosfera-parte-1/">primeiro artigo desta série</a>, vasculhamos a internet brasileira em busca de websites que nos contassem histórias sobre assombrações e seres encatados do folclore brasileiro. Agora, neste segundo artigo da série vamos ouvir as histórias e lendas contadas por blogueiros. Eles vão nos contar sobre o <em>Cabeça de Cuia</em> e sobre o <em>Caboclo D&#39;Água</em>, e sobre a bela e triste lenda da <em>Vitória Régia</em>. Vão nos dizer mais detalhes sobre a misteriosa <em>Loira do Banheiro</em> e vão nos segredar sobre <em>o Boto</em>, que sai do rio para seduzir as moças e abandoná-las para carregar e criar seus filhos.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://farm1.static.flickr.com/169/412494726_5b20b385aa.jpg" alt="Alma Vagando, by DPadua" /><br />
<em><a href="http://www.flickr.com/photos/imaginarios/412494726/in/photostream/">Alma Vagando</a>, por <a href="http://www.flickr.com/photos/imaginarios/">DPadua</a> no Flickr. Usado sob licença <a href="http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/deed.en">Creative Commons</a>.</em></p>
<p>Como prometemos no artigo anterior, vamos nos aprofundar mais na história da misteriosa <em>Loira do Banheiro</em>. E é ninguém menos do que Cláudio, também conhecido com <em>Tio Cráudio</em>, o antigo zelador do blogue <a href="http://casossobrenaturais.blogspot.com/">Casos Sobrenaturais</a>, quem nos conta sobre os detalhes a respeito <a href="http://casossobrenaturais.blogspot.com/2005/12/figurinhas-conhecidas-loira-do.html">da terrível morte que transformou uma vaidosa jovem em uma cruel assombração</a>.</p>
<blockquote><p>&#8220;Conta-se que , havia uma garota loira (para variar) muito vaidosa que sempre filava aula para ficar no banheiro da escola se admirando no espelho.Ela era sempre protegida pelo zelador ,que encobria suas fugas.Este,mantinha um desejo platônico pela garota que aumentava exponencialmente durante o passar dos anos.<br />
Um belo dia o zelador resolveu esperar a loira na saida do banheiro e declarou os seus sentimentos.Ela, sem pestanejar, caiu na gargalhada e mostrou todo seu desprezo pelo rapaz de forma humilhante.Ele, tomado por um misto de ódio e decepção, a arremessou dentro do banheiro e a espancou violentamente, abafando seus gritos com as mãos.<br />
Após o ato inconsequente , o zelador fugiu do colégio e nunca mais voltou.Dizem que ela ,antes de morrer, conseguiu se levantar e ver seu rosto deformado pelos edemas e cortes no espelho,soltando um grito de pavor que fez todo o colégio se arrepiar.<br />
Varias pessoas se dirigiram ao banheiro em busca do que havia acontecido mas nada encontraram.Não havia ninguém alí.<br />
Como a garota sumiu, a polícia associou o desaparecimento com a fuga do zelador e o prendeu.Ele acabou confessando a agressão mas não soube dizer onde o corpo estava.&#8221;</p></blockquote>
<p><em>Tio Cráudio</em> jura que a história é tão verdadeira quanto os lendários bolos de cenoura preparados por sua mítica mãe. Mas, como dissemos antes, tudo a respeito da <em>Loira do Banheiro</em> é profundamente misterioso.</p>
<p>No <a href="http://lord85.multiply.com/">Ulysse&#39;s Site</a>, o usuário <em>lord85</em> do Multiply <a href="http://lord85.multiply.com/journal/item/101/MITOS_E_LENDAS_DO_FOLCLORE_BRASILEIRO.">nos fala</a> sobre vários mitos e lendas populares brasileiros. Entre outros, ele nos traz a história do <em>Cabeça de Cuia</em> e a lenda do <em>Caboclo D&#39;Água</em>, e reconta a bela e triste lenda indígena da <em>Vitória Régia</em>:</p>
<blockquote><p><strong>Cabeça de Cuia</strong></p>
<p><img class="alignright" src="http://www.regipara.com/reduz.asp?path=E:%5Cvhosts%5Cregipara.com%5Chttpdocs%5Cgeral%5Cimg%5Ccuia.jpg&amp;Width=150" alt="" hspace="5" />Durante as cheias, sempre à noite e mais freqüentemente às sextas-feiras, costuma aparecer nas águas dos rios Poti e Parnaíba, um monstro. Trata-se de um sujeito alto, magro, com longos cabelos caídos pela testa e cheios de lodo, a que chamam cabeça de cuia.</p>
<p>Dizem que, há muitos anos, em uma pequena aldeia do vilarejo denominado Poti Velho vivia uma pequena família, cujo arrimo era um jovem pescador, a que alguns dão o nome de Crispim. Certo dia, o rapaz retornou da pesca muito aborrecido. À hora da refeição, composta de carne de vaca, pegou um enorme pedaço de osso e, a fim de tirar o tutano, bateu com ele na cabeça da velha mãe. A pobre senhora, indignada e enfurecida, rogou-lhe uma praga, amaldiçoando-o. O filho, com o coração tomado de remorso, pôs-se a correr como um louco e atirou-se às águas do rio Poti, desaparecendo.</p>
<p>Desde esse dia, o cabeça de cuia nada errante pelas águas dos dois rios, surgindo ora aqui, ora ali, na época das enchentes e nas noites de sexta-feira. Aparece de repente e agarra banhistas desavisados, principalmente crianças, arrastando-os para o fundo das águas. De sete em sete anos, devora uma moça chamada Maria. Após apoderar-se de sete Marias, seu encanto estará quebrado e ele retornará ao seu estado natural. Contam que sua mãe permanecerá viva até que o filho esteja livre de sua sina.</p>
<p>É o principal mito do estado do Piauí. A Prefeitura de Teresina instituiu, em 2003, o Dia do Cabeça de Cuia, a ser comemorado na última sexta-feira do mês de abril</p></blockquote>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.regipara.com/reduz.asp?path=E:%5Cvhosts%5Cregipara.com%5Chttpdocs%5Cgeral%5Cimg%5Ccaboclo.jpg&amp;Width=250" alt="Caboclo Dágua" /><br />
<em>Caboclo D&#39;Água, conforme <a href="http://lord85.multiply.com/journal/item/101/MITOS_E_LENDAS_DO_FOLCLORE_BRASILEIRO.">ilustração no Ulysse&#39;s Site</a>.</em></p>
<blockquote><p><strong>Caboclo D&#39;Água</strong></p>
<p>O caboclo-dágua, também chamado negro-dágua e bicho-dágua, é um dos mitos aquáticos mais populares na região do vale do rio São Francisco. Ninguém sabe de onde surgiu. Vive nas barrancas e alagadiços. Segundo as descrições mais comuns, é baixo, troncudo, musculoso, muito forte, tem a pele cor de bronze e um só olho no meio da testa. Apesar de seu tipo físico, movimenta-se de forma muito rápida e ágil. Às vezes sai do rio e caminha pela terra, geralmente para praticar alguma vingança ou fazer algum favor, mas nunca se afasta muito das margens. Para muitos, é um só e possui poderes para estar em vários lugares ao mesmo tempo.</p>
<p>Dizem que possui o temperamento enfezado e não nutre grandes simpatias para com os pescadores e remeiros. Agarra o fundo das canoas e barcos, balançando-os até os virar ou encalhando-os. Seu corpo é à prova de balas. Para evitar encontrá-lo, deve-se fincar uma faca no fundo da embarcação. Porém, se for bem tratado, o caboclo torna-se benfazejo, ajudando nas pescarias e evitando enchentes. Para agradá-lo, basta oferecer-lhe fumo.</p></blockquote>
<blockquote><p><strong>Vitória Régia</strong></p>
<p><img class="alignright" src="http://farm2.static.flickr.com/1054/1415028507_3b206a812d_m.jpg" alt="" /> Numa Tribo de índios que vivia às margens do Grande Rio. Nos igarapés silenciosos as jovens índias cantavam e sonhavam.As índias ficavam por muitas horas olhando a Lua ( Jaci como a chamavam a Deusa), a beleza das estrelas. Um dia, Neca-Neca, uma bela jovem índia , subiu numa árvore mais alta para ver se tocava na lua. Não conseguiu. Impacientes as índias, noutro dia, foram as montanhas distantes para tocarem com as mãos a lua e as estrelas. Nada, quando lá chegaram a lua estava tão distante que voltaram tristonhas para suas malocas, e na rede todas ficaram deitadas muito tristes. Ficaram tristes, porque, caso tocassem a lua ou as estrelas, tornar-se iam uma delas com toda a sua beleza.<br />
Numa outra noite, Neca-neca, deixou sua rede, muito tristonha, desiludida porque não conseguira tocar a lua. Era uma noite de lua cheia. Lá estava a lua grande bela, refletida nas águas. Ela então resolveu pedir a Lua para Tocá-la,e resolveu atirar-se no Rio para tentar tocá-la (o Reflexo da Lua no Rio) e desapareceu. A lua (Iaci) ficou com muita pena e resolveu imortalizá-la na terra pois era impossível para ela levá-la para seu reino espiritual e transformá-la numa estrela ,então transformou-a numa flor, a vitória-régia.</p></blockquote>
<p>A <a href="http://www.flickr.com/photos/celsoabreu/1415028507/">foto da Vitória Régia</a> usada na citação acima é de autoria de <a href="http://www.flickr.com/photos/celsoabreu/"><em>CelsoAbreu</em></a>, e foi publicada de acordo com sua <a href="http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/deed.en">licença Creative Commons</a>.</p>
<p>Em seu blogue <a href="http://thelisbongiraffe.typepad.com/diario_de_lisboa/"><em>Diário de Lisboa</em></a>, uma blogueira luso-brasileira que se identifica apenas como uma &#8220;<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Nereida">nereida</a> guerreira das palavras&#8221; <a href="http://thelisbongiraffe.typepad.com/diario_de_lisboa/2006/10/mitos_e_lendas__1.html">nos conta a história do Boto</a>, o animal aquático que vira gente nas noites de festa para seduzir as moças que vivem na beira do rio:</p>
<blockquote><p><strong>O Boto</strong></p>
<p>&#8220;Personagem de grande importância na mitologia amazônica, principalmente no Pará. Segundo a lenda, o Boto Rosa deixa as águas do Rio Amazonas e transforma-se em um rapaz cuja beleza, fala meiga e sedutora, magnetismo do olhar atraem irresistivelmente todas as mulheres.</p>
<p>Contam que em noites de festa, ele se transforma em um rapaz alto, claro, forte,bonito e sempre se apresenta muito bem vestido, sempre de branco, sem nunca remover o chapéu que usa para ocultar o orifício para respiração no alto da cabeça. O boto bebe, dança, seduz as moças interioranas que comparecem as festas de beira de rio. Antes da alvorada, pula na água e volta à sua condição primitiva. Porém acabando o encanto, na hora que tem de transformar-se em boto, seus acessórios voltam a ser habitantes das águas: a espada é um poraquê, o chapéu é uma arraia e assim por diante.</p>
<p>A lenda serve de aviso às moças para tomarem cuidado com flertes que recebiam de belos rapazes em bailes ou festas. Por detrás deles poderia estar a figura do Boto, um conquistador de corações, que pode engravidá-las e abandoná-las.&#8221;</p></blockquote>
<p>Estas são apenas algumas, muito poucas, das histórias e lendas contadas e recontadas dentro e fora da blogosfera lusófona. No próximo artigo, o último desta série, vamos nos concentrar na busca ao <em>Saci Pererê</em> &#8212; talvez o mais famoso e misterioso ser da mitologia brasileira. Vamos seguir seu rastro de blogue em blogue, descobrir quem ele é e como encontrá-lo, e com sorte descobrir como evitar suas brincadeiras. Não perca.</p>
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		<title>Bolívia: Marcha Pró-Governo Chega a La Paz</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/24/bolivia-marcha-pro-governo-chega-a-la-paz/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/24/bolivia-marcha-pro-governo-chega-a-la-paz/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 24 Oct 2008 01:31:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Duende</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dezenas de milhares de trabalhadores rurais, mineiros e plantadores de coca, além de outros apoiadores do governo de Evo Morales, chegaram a La Paz na segunda feira. O que começou como uma marcha para aplicar pressão sobre o Congresso Boliviano para a aprovação da lei que convoca o referendo para aprovar a proposta de Constituição, transformou-se uma celebração quando chegou-se a um acordo com os legisladores, que aparentemente pacificou o país depois de vários meses de instabilidade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/eduardo-avila/">Eduardo Ávila</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/daniel-duende/'>Daniel Duende</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/10/21/bolivia-pro-government-march-arrives-to-la-paz/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Dezenas de milhares de trabalhadores rurais, mineiros e plantadores de coca, além de outros apoiadores do governo de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Evo_Morales">Evo Morales</a>, chegaram a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/La_Paz">La Paz</a> na segunda feira. O que começou como uma marcha para aplicar pressão sobre o Congresso Boliviano para a aprovação da lei que convoca o referendo para aprovar a proposta de Constituição, transformou-se uma celebração quando chegou-se a um acordo com os legisladores, que aparentemente pacificou o país depois de <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/09/15/bolivia-governo-decreta-lei-marcial-em-pando/">vários meses de instabilidade</a>.</p>
<p>Durante mais de uma semana, uma multidão foi se formando com pessoas vindo de todos os cantos do país, passando pela cidade de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/El_Alto">El Alto</a> e finalmente se reunindo na <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Imagem:La_Paz04.jpg">Plaza Murillo</a>, na cidade de La Paz. Sandro, do <em>Centro Cultural Autoctono Sartañani</em> [Es] <a href="http://pirwa.blogspot.com/2008/10/miles-marchan-por-la-nueva-constitucion.html">descreve muitos dos participantes da marcha</a>:</p>
<blockquote><p>Luciendo orgullosos sus vestimentas tradicionales, empuñando banderas tricolores y wiphalas, con bolsas de coca y con un poco de comida en sus mochilas o aguayos, miles de bolivianos y bolivianas, del campo y la ciudad, iniciaron hoy una marcha desde Caracollo (Oruro) hasta La Paz (sede de gobierno) con una sola premisa: la aprobación de una ley de convocatoria a referéndum sobre la nueva Constitución Política del Estado.</p></blockquote>
<div class="translation">&#8220;Mostrando orgulhosos suas vestimentas tradicionais, empunhando bandeiras tricolores e <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Wiphala">wiphalas </a>(bandeiras tradicionais representando os povos indígenas), com bolsas cheias de coca e com um pouco de comida em suas mochilas ou aguayos (tecidos tradicionais usados para carregar objetos), milhares de bolivianos do campo e da cidade começaram uma marcha de Caracollo (<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Oruro">Oruro</a>) até La Paz (sede do governo) com apenas um propósito: a aprovação da lei de convocação do referendo sobre a nova constituição&#8221;</div>
<p>Muitos blogueiros estavam prontos para a chegada da marcha, e começaram a capturar imagens antes mesmo da chegada da marcha. Nelson Vilca, do blogue <em>La Mala Palabra</em> [Es] tem <a href="http://revistalamalapalabra.blogspot.com/2008/10/las-imgenes-de-la-marcha-la-paz.html">algumas fotos da estrada</a>. Hugo Miranda do blogue <a href="http://angelcaido666x.blogspot.com/"><em>Angel Caido</em></a> [Es] também gravou vídeos e tirou fotos dos <a href="http://angelcaido666x.blogspot.com/2008/10/fotos-y-videos-de-la-marcha-de-los.html">participantes da marcha ao longo da estrada</a>. Muitas delas podem ser encontradas <a href="http://www.flickr.com/photos/angelcaido666x/">em seu site no Flickr</a>.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/lhe6cG1AAO4&amp;color1=0xb1b1b1&amp;color2=0xcfcfcf&amp;hl=en&amp;fs=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/lhe6cG1AAO4&amp;color1=0xb1b1b1&amp;color2=0xcfcfcf&amp;hl=en&amp;fs=1" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Veja mais vídeos <a href="http://www.youtube.com/user/angelcaido666x">no canal de Miranda no YouTube</a> [Es].</p>
<p>Mario Durán do <em>Palabras Libres</em> [Es] foi um dos jornalistas cidadãos mais ativos, publicando dezenas de fotos e partilhando suas opiniões e visões <a href="http://bolivianueva.blogspot.com/2008/10/bolivia-la-marcha-de-los-movimientos.html">em seu blogue</a> [Es], apontando que as ondas de pessoas pareciam uma &#8220;<a href="http://bolivianueva.blogspot.com/2008/10/bolivia-marcha-de-los-movimientos_20.html">tsunami</a>&#8221; [Es].</p>
<blockquote><p>Fui sorprendido por la cantidad de gente en marcha, la recepcion popular, agua, refresco, comida… todo era para los marchistas. Lo otro era el rostro de los campesinos, su paso era recibido con aplausos, con vivas y con abrazos.</p></blockquote>
<div class="translation">&#8220;Fui surpreendido pela quantidade de gente em marcha, pela receptividade popular, água, refresco, comida&#8230; tudo era para os que estavam marchando. Outra coisa [que me surpreendeu] foi o rosto dos camponeses, sua passagem era recebida com aplausos, com vivas e com abraços.&#8221;</div>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-51688" title="marchbol" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/10/marchbol.jpg" alt="" /></p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/vocesbolivianas/2958443950/in/set-72157608214231123/">Foto por Mário Durá</a>n, usada sob licença Creative Commons. Para ver seu álbum completo, visite <a href="http://www.flickr.com/photos/vocesbolivianas/sets/72157608214231123/">o site do Voces Bolivianas no Flickr</a> [Es].</p>
<p>Cristina Quisbert do <em>Bolivia Indigena</em> [Es] também estava presente para a chegada dos marchadores e <a href="http://boliviaindigena.blogspot.com/2008/10/evo-hermano.html">presenciou o Presidente Morales conduzindo o caminho</a> [Es]. Ela publica fotografias e suas impressões:</p>
<blockquote><p>¡Evo hermano, el pueblo está contigo!, al unísono era una de las frases que salían de las voces de ciudadanos y ciudadanas que habían salido a las calles a dar la bienvenida a la gran marcha encabezada por el Presidente de la República de Bolivia, Evo Morales Ayma.</p>
<p>(…)</p>
<p>Eran aproximadamente las ocho de la mañana de este histórico 20 de octubre cuando el Presidente Morales, se unía a la marcha en el sector de Senkata, El Alto, llegando un poco antes de medio día a la Ceja a la altura del Multifuncional. Hace cientos de años atrás era ese sector también donde las huestes de nuestro líder indígena Tupac Katari se concentraban para ingresar a La Paz. A su paso por este sector, la marcha fue recibida con vítores de la multitud que se había apostado en el lugar, además de una banda de música y los aplausos que se repitieron a lo largo del recorrido que hicieron los marchistas.</p></blockquote>
<div class="translation">&#8220;Irmão &#8216;iEvo&#39;, o povo está contigo!, era uma das frases ditas em uníssono pelas vozes dos cidadãos e cidadãs que havias saído às ruas para dar boas vindas à grande marcha encabeçada pelo Presidente da República da Bolívia, Evo Morales Ayma.<br />
(&#8230;)<br />
Eram aproximadamente oito horas da manhã deste histórico 20 de outubro quando o Presidente Morales se juntou à marcha na região de Senkata, El Alto, chegando um pouco antes do meio dia na Ceja, na altura da Multifuncional. A centenas de anos atrás, este setor também foi o local onde as hostes de nosso líder indígena <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tupac_Katari">Tupac Katari</a> se concentraram antes de entrar em La Paz. Em sua passagem por este setor, a marcha foi recebida com vivas pela multidão que se havia reunido no local, além de uma banda de música e dos aplausos que se repetiram ao longo de todo o caminho trilhado pelos participantes da marcha.&#8221;</div>
<p>Quando a multidão finalmente alcançou a cidade de La Paz, Alberto Medrano do blogue <em>El Alto Notícias </em>[Es] <a href="http://elaltonoticias.blogspot.com/2008/10/bolivia-crnicas-de-los-movimientos_20.html">escreveu que</a> &#8220;o centro de La Paz se envergou sob os milhares e milhares de participantes da marcha, e o que chamou mais a atenção foi quando a imprensa mostrou o carinho recebido por Evo Morales desde Senkata até a sua chegada aos subúrbios de La Paz.&#8221;</p>
<p>O acordo firmado dentro das paredes do Congresso pedia por mudanças substanciais ao projeto de constituição aprovado na cidade de Oruro. Este acordo ia contra a promessa feita por alguns dentro do governo, de que &#8220;nem uma vírgula seria tocada&#8221;. O projeto de constituição está agora pronto para ser votado, e aparentemente traz um fechamento para o longo processo da Assembléia Constituinte que se reuniu para escrever a nova Constituição. <em>Andrés Pucci</em> acha que <a href="http://andrespucci.blogspot.com/2008/10/asamblea-constituyente-en-bolivia-18.html">agora parece que foi tudo uma perda de tempo</a> [Es].</p>
<blockquote><p>Pero el proyecto de CPE aprobado en Oruro por la inconclusa Asamblea Constituyente es una base, mas de 100 artículos han sido modificados por el congreso, tal cual se modificaron las mayoría de las constituciones que ha tenido Bolivia, vía congresal. ¿Fueron necesarios los muertos de Sucre? No, si igual el proyecto lo modificaría el Congreso; ¿las huelgas? tampoco; ¡¿los 125 millones de Bolivianos?! Fueron tirados a la basura, 18 millones de dolares que pudieron ser usados en 18 pequeños hospitales especializados en ancianos y discapacitados.</p></blockquote>
<div class="translation">&#8220;Mas o projeto constitucional aprovado em Oruro pela Assembléia Constituinte interminada é apenas uma base. Mais de 100 artigos foram modificados pelo congresso, assim como foram modificadas pelo congresso a maioria das constituições que a Bolívia teve. Foram necessários os mortos em Sucre? Não, se mesmo assim o projeto foi modificado no congresso. E as greves? Não, também não. E os 125 milhões de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Boliviano_(moeda)">bolivianos</a> (moeda nacional)!? Foram jogados no lixo, 18 milhões de dólares que poderiam ser usados em 18 pequenos hospitais especializados em idosos e deficientes.&#8221;</div>
<p>Miguel Centellas do <em>Pronto*</em> está satisfeito que a questão <a href="http://www.mcentellas.com/archives/2008/10/bolivias_new_new_constitution.html">tenha sido resolvida legislativamente</a> [En] e que este &#8220;é então um importante passo de volta à institucionalidade&#8221;. Ele também aponta que as outras mudanças incluem a autonomia dos departamentos. Com isso, a Bolívia <a href="http://mabb.blogspot.com/2008/10/agreement-is-reached-and-bolivia-has.html">tem muitas eleições no horizonte</a> [En], incluindo o referendo sobre a nova constituição, marcado para 25 de janeiro de 2009, e as eleições gerais em dezembro do mesmo ano.</p>
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		<title>Canadá: Femicídio Indígena em Foco</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/18/canada-femicidio-indigena-em-foco/</link>
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		<pubDate>Sat, 18 Oct 2008 22:12:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Duende</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um documentário canadense está chamando a atenção do público para o desaparecimento e assassinato de mais de 500 mulheres aborígenes no Canada nos últimos 30 anos. O filme é chamado Finding Dawn, de Christine Welsh. O nome do filme se refere a Dawn Crey, que foi a vigésima terceira vítima cujo DNA foi reconhecido na maior investigação de assassínio em série do Canadá nos idos de 2002-2004. O filme focaliza esta e outras histórias, assim como relatos e reclamações sobre a inação das autoridades em relação aos assassinatos e desaparecimentos destas nativas canadenses, e a luta das famílias destas mulheres para enfrentar a dura estrada em busca de justiça.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/juliana-rincon-parra/">Juliana Rincón Parra</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/daniel-duende/'>Daniel Duende</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/10/18/canada-indigenous-femicide-on-the-spotlight/ '>Veja o post original</a></em> 
<br /><p><object class="alignleft"><a href="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/10/2761113772_81f0a369b3_m.jpg"><img class="size-medium wp-image-51567" title="Tsimshian Mask by get directly down" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/10/2761113772_81f0a369b3_m.jpg" alt="Old woman mask" /></a><br />
<small><a href="http://www.flickr.com/photos/65172294@N00/2761113772/">Tsimshian Mask</a> by <a href="http://www.flickr.com/photos/65172294@N00/">get directly down</a></small></object> Através do site <a href="http://www.wmm.com/filmcatalog/pages/c725.shtml">Women Make Movies</a> [En], nós ficamos sabendo de um documentário canadense que está chamando a atenção do público para o desaparecimento e assassinato de mais de 500 mulheres aborígenes do Canada nos últimos 30 anos. O filme é chamado <em>Finding Dawn</em> [&#8221;Procurando Dawn&#8221;, em inglês], de Christine Welsh. O nome do filme se refere a Dawn Crey, que foi a vigésima terceira vítima cujo DNA foi reconhecido na maior investigação de assassínio em série do Canadá nos idos de 2002-2004. O filme focaliza esta e outras histórias, assim como relatos e reclamações sobre a inação das autoridades em relação aos assassinatos e desaparecimentos destas nativas canadenses, e a luta das famílias destas mulheres para enfrentar a dura estrada em busca de justiça.</p>
<p>Os vídeos retirados do filme e de outras fontes, tratando de femicídio (o assassinato de mulheres e garotas) podem ser encontrados no <a href="http://citizen.nfb.ca/femicide-killing-women-and-girls">dossiê do site Citizen Shift</a> [En] sobre o assunto. Este primeiro vídeo do filme <a href="http://citizen.nfb.ca/finding-dawn-clip-1">Finding Dawn</a> [En] mostra o caso de Dawn Crey em Vancouver:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="450" height="360" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="wmode" value="transparent" /><param name="allowScriptAccess" value="sameDomain" /><param name="quality" value="high" /><param name="flashvars" value="image=http://citizen.nfb.ca/sites/citizen.nfb.ca/files/images/en_finding_dawn1_80.jpg&amp;file=rtmp://flash.nfb.ca/citizenshift/videos/user/1/&amp;id=300_52581_finding_dawn1_Extrait_.rm&amp;type=rtmp&amp;autoPlay=true&amp;bufferLength=5" /><param name="src" value="http://citizen.nfb.ca/sites/all/modules/meidia/players/flvplayer.swf" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="450" height="360" src="http://citizen.nfb.ca/sites/all/modules/meidia/players/flvplayer.swf" flashvars="image=http://citizen.nfb.ca/sites/citizen.nfb.ca/files/images/en_finding_dawn1_80.jpg&amp;file=rtmp://flash.nfb.ca/citizenshift/videos/user/1/&amp;id=300_52581_finding_dawn1_Extrait_.rm&amp;type=rtmp&amp;autoPlay=true&amp;bufferLength=5" quality="high" allowscriptaccess="sameDomain" wmode="transparent"></embed></object></p>
<p>O <a href="http://citizen.nfb.ca/finding-dawn-clip-2">segundo vídeo</a> [En] nos mostra a Estrada de Yellowhead, um solitário trecho de estrada que conecta várias cidades, onde tantas mulheres desapareceram ou foram mortas que a estrada acabou ganhando o nome de Estrada das Lágrimas.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="450" height="360" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="wmode" value="transparent" /><param name="allowScriptAccess" value="sameDomain" /><param name="quality" value="high" /><param name="flashvars" value="image=http://citizen.nfb.ca/sites/citizen.nfb.ca/files/images/en_finding_dawn2_80.jpg&amp;file=rtmp://flash.nfb.ca/citizenshift/videos/user/1/&amp;id=300_52581_finding_dawn2_Extrait_.rm&amp;type=rtmp&amp;autoPlay=true&amp;bufferLength=5" /><param name="src" value="http://citizen.nfb.ca/sites/all/modules/meidia/players/flvplayer.swf" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="450" height="360" src="http://citizen.nfb.ca/sites/all/modules/meidia/players/flvplayer.swf" flashvars="image=http://citizen.nfb.ca/sites/citizen.nfb.ca/files/images/en_finding_dawn2_80.jpg&amp;file=rtmp://flash.nfb.ca/citizenshift/videos/user/1/&amp;id=300_52581_finding_dawn2_Extrait_.rm&amp;type=rtmp&amp;autoPlay=true&amp;bufferLength=5" quality="high" allowscriptaccess="sameDomain" wmode="transparent"></embed></object></p>
<p>O <a href="http://citizen.nfb.ca/finding-dawn-clip-3">terceiro</a> [En] e último vídeo do filme focaliza em Doleen Kay Bosse, uma mulher cuja família passou anos procurando por uma explicação para seu desaparecimento, se perguntando por quê as autoridades não levaram a sério os relatos sobre a mulher aborígene desaparecida.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="450" height="360" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="wmode" value="transparent" /><param name="allowScriptAccess" value="sameDomain" /><param name="quality" value="high" /><param name="flashvars" value="image=http://citizen.nfb.ca/sites/citizen.nfb.ca/files/images/en_finding_dawn3_80.jpg&amp;file=rtmp://flash.nfb.ca/citizenshift/videos/user/1/&amp;id=300_52581_finding_dawn3_Extrait_.rm&amp;type=rtmp&amp;autoPlay=true&amp;bufferLength=5" /><param name="src" value="http://citizen.nfb.ca/sites/all/modules/meidia/players/flvplayer.swf" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="450" height="360" src="http://citizen.nfb.ca/sites/all/modules/meidia/players/flvplayer.swf" flashvars="image=http://citizen.nfb.ca/sites/citizen.nfb.ca/files/images/en_finding_dawn3_80.jpg&amp;file=rtmp://flash.nfb.ca/citizenshift/videos/user/1/&amp;id=300_52581_finding_dawn3_Extrait_.rm&amp;type=rtmp&amp;autoPlay=true&amp;bufferLength=5" quality="high" allowscriptaccess="sameDomain" wmode="transparent"></embed></object></p>
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		<title>Assombrações e lendas brasileiras na lusosfera. Parte 1</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/16/assombracoes-e-lendas-brasileiras-na-lusosfera-parte-1/</link>
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		<pubDate>Thu, 16 Oct 2008 22:28:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Duende</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Neste primeiro de três artigos onde sentaremos à beira da fogueira virtual e ouviremos as histórias de assombrações e encantos do imaginário brasileiro contadas pela lusosfera, vamos nos debruçar sobre as histórias contadas em sites sobre cultura e folclore brasileiros. Eles vão nos contar sobre a Cuca e o Negrinho do Pastoreio, sobre o Boitatá e o Curupira, e alguns outros seres que povoam as noites e os sonhos e pesadelos brasileiros. Em meio a estes tantos sites, encontramos também um grupo de artistas do sul que resolveram dar uma nova roupagem a um mito popular brasileiro bastante conhecido.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/danielduende/">Daniel Duende</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/daniel-duende/'>Daniel Duende</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/10/15/brazilian-myths-and-haunts-1/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Agora que você já conheceu, e se arrepiou, com algumas lendas, mitos e assombrações latino-americanas selecionadas por <a href="http://globalvoicesonline.org/author/juliana-rincon-parra/">Juliana Rincón</a> em seus dois artigos (<a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/07/america-latina-historias-fantasmas-demonios-e-assombracoes/">parte 1</a>, <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/16/america-latina-mais-historias-fantasmas-demonios-e-assombracoes/">parte 2</a>) sobre o tema para o Global Voices, é hora de mergulhar no <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Folclore_brasileiro">universo imaginário popular</a> do imenso Brasil.</p>
<p>Neste primeiro de três artigos onde sentaremos à beira da fogueira virtual e ouviremos as histórias de assombrações e encantos do imaginário brasileiro contadas pela lusosfera, vamos nos debruçar sobre as histórias contadas em sites sobre cultura e folclore brasileiros.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://farm3.static.flickr.com/2282/2507381118_7ba23701ac.jpg?v=0" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><em><a href="http://www.flickr.com/photos/iurifernandes/2507381118/">Sombra Nocturna</a>, por <a href="http://www.flickr.com/photos/iurifernandes/">O Pirata</a> no Flickr. Publicado sob licença <a href="http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/deed.en">Creative Commons BY 2.0 Licence</a></em></p>
<p>Um dos melhores sites sobre lendas e folclore do Brasil é o <a href="http://www.jangadabrasil.com.br/">Jangada Brasil</a>, uma reconhecida revista sobre cultura brasileira. Nele se encontra uma pequena porém excelente <a href="http://www.jangadabrasil.com.br/revista/galeria/index.asp">biblioteca de mitos e lendas</a>, parada certa para qualquer falante do português que esteja em busca de material sobre mitos e lendas brasileiras. E é o Jangada Brasil que vai começar com as histórias desta noite, nos contando sobre o <a href="http://www.jangadabrasil.com.br/revista/galeria/ca83010f.asp">Negrinho do Pastoreio</a>, a temível <a href="http://www.jangadabrasil.com.br/revista/galeria/ca70009f.asp">Cuca</a> e sobre a assombração mais urbana da <a href="http://www.jangadabrasil.com.br/revista/galeria/ca79006f.asp">Loira do Banheiro</a>:</p>
<blockquote><p><strong>Negrinho do Pastoreio</strong></p>
<p>Escravo, órfão, o menino pertencia a um fazendeiro rico, cruel e arrogante. Maltratado por todos, principalmente pelos filhos do senhor, sofreu inúmeros castigos e barbaridades. Ao perder a tropilha de cavalos de seu amo, foi surrado sem piedade. Seu corpo moribundo foi, então, jogado à boca de um enorme formigueiro, para que as formigas o devorassem. No dia seguinte, o fazendeiro, atormentado, correu ao local e não mais encontrou o supliciado. Em vez disso, viu Nossa Senhora e o Negrinho, seu afilhado, são e feliz, montado em um cavalo baio, pastoreando uma tropilha de cavalos invisíveis.</p>
<p>O Negrinho do Pastoreio é mito de origem <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ga%C3%BAcho">gaúcha</a>, com fundamentos católicos e europeus, divulgado com finalidades morais. A compensação e redenção divinas  aos sofrimentos terrenos. A tradição popular concedeu-lhe poderes sobrenaturais, canonizando-o. Possui inúmeros devotos. Afilhado da Virgem, encontra objetos perdidos, bastando prometer-lhe um toco de vela que será dado à madrinha. Em algumas versões, oferece-se também, um naco de fumo para o menino.</p></blockquote>
<blockquote><p><strong>A Cuca</strong></p>
<p>A cuca é um <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pap%C3%A3o">papão</a>, um ente fantástico que mete medo às crianças causando pavor. Sua aparência varia de lugar para lugar, mas a maioria das pessoas diz que ela tem a forma de uma velha, bem velha e enrugada, corcunda,  cabeleira branca, toda desgrenhada, com aspecto assustador. Ela só aparece à noite, sempre procurando por aquelas crianças que fazem pirraça e não querem ir dormir cedo. Então, a cuca as coloca num saco, levando-as embora para não se sabe onde e faz com elas não se sabe bem o que, mas, com toda certeza, trata-se de algo muito terrível.</p>
<p>Ela também é chamada de coca ou coco e assombra crianças de Portugal, Espanha, alguns países africanos e tribos indígenas brasileiras. Em alguns lugares ela é um velho, em outros, se parece com um jacaré ou uma coruja.</p>
<p>Existem muitas canções e versos sobre a cuca. <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_da_C%C3%A2mara_Cascudo">Luís da Câmara Cascudo</a>, em Geografia dos mitos do Brasil, indica a seguinte cantiga, comum no Nordeste brasileira:</p>
<p><em>Dorme, neném<br />
Se não a cuca vem<br />
Papai foi pra roça<br />
Mamãe logo vem</em></p></blockquote>
<blockquote><p><strong>A loira do banheiro</strong></p>
<p>Ela vive nos banheiros das escolas. Possui farta cabeleira loira, é muito pálida, tem os olhos fundos e as narinas tapadas por algodão, a fim de que o sangue não escorra. Causa pânico entre os estudantes.</p>
<p>Dizem que era uma aluna que gostava de cabular as aulas, escondendo-se no banheiro. Um dia, caiu, bateu com a cabeça e morreu. Agora, seu fantasma vaga à espera de companhia, assombrando todos aqueles que fazem o mesmo que ela costumava fazer. Em outras versões, é uma professora que se apaixonou por um aluno. Terminou assassinada, a facadas, pelo marido traído. Tem o rosto e o corpo ensangüentados, as roupas em frangalhos.</p>
<p>Loura ou loira do banheiro, menina do algodão, big loura. Lenda urbana contemporânea que ocorre, com modificações, em todas as regiões do Brasil. Algumas vezes é uma mulher feita, outras vezes, uma menina. Os locais de sua aparição podem variar: escolas, centros comerciais, hospitais. Entre os caminhoneiros, surge nos banheiros de estrada, de costas, linda, corpo perfeito, belas pernas. Porém, ao se voltar para sua vítima, com o rosto sangrento, causa o horror.</p>
<p>Acredita-se, também, que seja possível invocá-la. Para isto, basta apertar a descarga por três vezes seguidas ou chutar, com força, o vaso sanitário. Então, ela aparecerá, pronta para atacar a primeira pessoa que entrar no banheiro.</p></blockquote>
<p>Algumas pessoas discordam que a Loira do Banheiro seja a mesma assombração que a Big Loura. Alguns até dizem que não há uma assombração chamada Big Loura no Brasil. Uma amiga minha, que é uma grande estudiosa das lendas urbanas da Loira do Banheiro, disse-me que há várias outras formas de invocar esta assombração. Algumas delas envolvem sangue, ou xingamentos ditos em frente a um espelho, e em alguns casos a Loira do Banheiro viria para pegar aquele que a invocou. Outras versões desta lenda dizem que este assombração encontrou seu fim depois de ser estuprada enquanto matava aula dentro do banheiro. Estes fatos são todos profundamente misteriosos, e nós vamos nos debruçar mais profundamente sobre eles na segunda parte desta série.</p>
<p>No site <a href="http://www.perfeitauniao.org/">PerfeitaUnião.org</a> encontramos <a href="http://www.perfeitauniao.org/oficina/2000/lendas_e_mitos_do_brasil.htm">material sobre muitos mitos brasileiros</a>, como o <em>Boitatá</em>, versão brasileira do <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Will_o_wisp">Will o&#39; Wisp</a> [En] britânico e da <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/07/america-latina-historias-fantasmas-demonios-e-assombracoes/">Luz do Mal</a> latino-americana, a lenda do <em>Curupira</em>, os mitos da <em>Iara Mãe-d&#39;Água</em> e do <em>Uratau</em>, pássaro cujo canto assusta os <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Caboclo">caboclos</a> e encanta os índios Tupi-Guarani:</p>
<blockquote><p><strong>Boitatá</strong></p>
<p>Esta é uma versão brasileira do mito explicativo do fogo-fátuo ou santelmo, existente em quase todas as culturas. Na Alemanha, ele é a Irrlicht (a luz louca), que é carregada por minúsculos e invisíveis anões. Na Inglaterra é o Jack with a lantern que, em forma de fantasma, guiava os viajantes pelos charcos e banhados; na França é o Sinistro Moine des marais (monge dos banhados), com as mesmas finalidades de guias de pântanos; em Portugal são as alminhas, as almas dos meninos pagãos ou a alma penada que deixou dinheiro enterrado não se podendo salvar enquanto este ficar infrutífero.</p>
<p>No Brasil é um mito dos mais antigos e de origem quase que totalmente indígena. Seria uma cobra-de-fogo que vagava pelos campos, protegendo-os contra aqueles que os incendeiam. Às vezes transformava-se em grosso madeiro em brasas que fazia morrer, por combustão, aquele que queima inutilmente os campos. O boitatá foi citado por Padre Anchieta em carta de São Vicente de 31 de maio de 1560. O padre traduziu o nome por &#8220;cousa de fogo, o qiue é todo fogo&#8221;. Mbai, coisa e tatá, fogo, davam a versão exata: um fogo vivo que se desloca, largando um rastro luminoso. Como há outra palavra tupi parecida, mboi, cobra; chegou-se a mboi-tatá, a cobra de fogo. Também é conhecido como uma serpente de fogo, que reside na água, ou uma cobra grande que mata os animais, comendo-lhe os olhos; por isso fica cheia de luz de todos esses olhos. Touro ou boi que solta fogo pela boca. Espírito de gente ruim, que vaga pela terra, tocando fogo nos campos ou saindo que nem um rojão ou tocha de fogo, em variantes diversas. É conhecido por diversos nomes em diferentes regiões do Brasil.</p>
<p>No Norte e Nordeste é chamado de batatão, no Centro-Sul de boitatá, bitatá, batatá e baitatá. Já em Minas Gerais também é conhecido como batatal, e ainda como biatatá, na Bahia. Prudentemente, Anchieta dizia: &#8220;O que seja isto, ainda não se sabe com certeza&#8221;.</p></blockquote>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://fc61.deviantart.com/fs10/f/2006/326/6/a/Curupira__Saci_and_others_by_Ferigato.jpg" alt="\'Curupira, Saci and others\', by ~ferigato user at DeviantART" /></p>
<p style="text-align: center;"><em><a href="http://ferigato.deviantart.com/art/Curupira-Saci-and-others-43472109">Curupira, Saci and others</a>, pelo usuário <a href="http://ferigato.deviantart.com/">~ferigato</a> no DeviantART</em><em>. Publicado sob licença <a href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/">Creative Commons BY-NC-ND-3.0 License</a></em></p>
<blockquote><p><strong>Curupira</strong></p>
<p>A primeira assombração indígena a ser adotada pelos europeus foi o curupira. Anchieta se refere a ele em carta de 30 de maio de 1560, escrita de São Vicente, São Paulo: &#8220;É coisa sabida e pela boca de todos corre que há certos demônios a quem os brasis chamam de Corupiras, que acometem aos índios muitas vezes, no mato, dão-lhes de açoites, machucam e matam. São testemunhas disso alguns de nossos irmãos que viram, algumas vezes, os mortos por eles. Por isso, costumam os índios deixarem em certos caminhos, que por ásperas brenhas vai ter ao interior das terras, no cume da mais alta montanha, quando por cá passam, penas de aves, abanadores, fechas e outras coisas semelhantes, como uma espécie de oblação, rogando fervorosamente aos curupiras que não lhes façam mal&#8221;. É um dos poucos casos de oferenda propiciatória que se verifica entre os índios brasileiros. A criação de mito semelhante se verifica em quase todas as culturas antigas.</p>
<p>O curupira é descrito como um indiozinho ágil, de pés voltados para trás, cabelos vermelhos ou cabeça raspada, protetor das árvores e da caça, senhor dos animais que habitam a floresta. Antes das grandes tempestades, percorre a mata percutindo o tronco das árvores para assegurar a sua resistência. Personifica o rumor da floresta e as incertezas de quem se aventura mata adentro. Quando quer pode ser bondoso. Mas, em geral, ele voltava-se contras os caçadores em defesa dos animais.</p>
<p>Seu assobio estridente é motivo para o caçador se apavorar e perder-se na mata. Nota-se que não é um gênio bom. É enganador e assassino. Seus pés virados iludem os perseguidores por deixar rastros falsos no chão. Pode, contudo, ajudar a alguns caçadores em troca de comida, dado-lhes armas e transmitindo-lhes segredos que, se revelados, são punidos com a morte.</p></blockquote>
<blockquote><p><strong>Iara, a Mãe-d&#39;água</strong></p>
<p>Alguns mitos brasileiros misturaram-se a lendas européias. Como exemplo começamos com uma estória que viajantes portugueses encontravam por aqui. Eles ouviam falar de um fantasma marinho, afogador de índios, que espantava pescadores e lavadeiras, era o &#8220;ipupiara&#8221;, um monstro meio homem, meio peixe, que para se divertir, saía das águas para matar. Tempos mais tarde o ipupiara tornou-se a &#8220;uiara&#8221;, uma versão portuguesa da sereia. Depois uiara virou &#8220;iara&#8221; que &#8220;significa senhora das águas&#8221;, também conhecida como mãe-d&#39;água. Depois de várias transformações a lenda conta que a mãe-d&#39;água é uma bela mulher de longos cabelos loiros e olhos verdes, que vive em um palácio no fundo das águas, para onde atrai os jovens com quem deseja casar.</p></blockquote>
<blockquote><p><strong>Uratau</strong></p>
<p>O uratau é um pássaro solitário e de hábitos noturnos que dificilmente se deixa ver. Pousado na ponta de um galho seco, fitando a lua e estremecendo a calada da noite, emite seu canto tenebroso assemelhado a um lamento humano. Por este motivo, o povo também o chama de &#8220;mãe-da-lua&#8221;. Seu grito talvez seja o mais assustador de todos, entre as aves. &#8220;Meu filho foi, foi, foi&#8230;&#8221; - interpreta o povo. Por causa de seu grito, o uratau é muitas vezes associado a maus presságios, mas segundo a mitologia tupi-guarani, é uma ave benfazeja.</p>
<p>Segundo a lenda, uma moça guarani chamada Nheambiú, apaixonou-se profundamente por um bravo guerreiro tupi chamado Cuimbaé, que caíra prisioneiro dos guaranis. Nheambiú pediu a seus pais que consentissem o casamento com Cuimbaé. Todos os insistentes pedidos foram negados, com a alegação que os tupis eram inimigos mortais da nação guarani. Não podendo mais suportar o sofrimento, Nheambiú saiu da taba. O cacique mobilizou seus guerreiros na procura da filha e, após uma longa busca, a jovem índia foi encontrada no coração da floresta, paralisada e muda, tal qual uma estátua de pedra, sem dar nenhum tipo de sinal de vida. O feiticeiro da tribo alegou que Nheambiú perdera a fala para sempre, a não ser que uma grande dor a fizesse voltar a ser o que era antes. Então a jovem recebeu todos os tipos de notícias tristes, a morte de seus pais e amigos, mas ela não dava nenhum sinal, até que o pajé falou &#8220;Cuimbaé acaba de ser morto&#8221;. No mesmo momento a moça, lamentando repetidas vezes, tomou vida e desapareceu dentro da mata. Todos que ali estavam transformaram-se em árvores secas, enquanto que Nheambiú tomou a forma de um uratau e ficou voando, noite após noite, pelos galhos daquelas árvores amigas, chorando a perda de seu grande amor.</p></blockquote>
<p>Falando sites de cultura brasileira, o reconhecidíssimo site colaborativo de cultura brasileira <a href="http://www.overmundo.com.br/">Overmundo</a>, ganhador do <a href="http://www.aec.at/en/archives/prix_archive/prix_projekt.asp?iProjectID=14230&amp;iCategoryID=12420">Golden Nica de Comunidades Digitais do ano de 2007</a> [En], também possui uma grande quantidade de artigos interessantes sobre mitos e lendas do Brasil. Mas um dos que mais me chamou a atenção foi o trabalho de um grupo de ilustradores e roteiristas do sul do Brasil que realizou uma novela gráfica que mescla ilustração, fotografia, colagem, prosa e poesia para dar <a href="http://www.overmundo.com.br/overblog/novela-grafica-rele-lenda-do-negrinho-do-pastoreio">um novo tratamento à lenda do Negrinho do Pastoreio</a>:</p>
<blockquote><p>Fazemos uma releitura da lenda do <strong>Negrinho do Pastoreio</strong>, mais conhecida pela versão do escritor regionalista <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Sim%C3%B5es_Lopes_Neto" target="_blank"><strong>João Simões Lopes Neto</strong></a>, publicado no livro <strong>“Lendas do Sul”</strong>, em 1913. A esta trama inicial costuramos elementos da religiosidade afro-brasileira, lendas africanas e pencas de referências das histórias em quadrinhos.</p>
<p>Uma curiosidade: o livro <strong><a href="http://www.gutenberg.org/etext/2837" target="_blank">Lendas do Sul</a></strong> foi a primeira obra literária em português publicada pelo <strong><a href="http://www.gutenberg.org/" target="_blank">Projeto Gutenberg</a></strong>, instituto que distribui gratuitamente livros e e-books na internet.</p></blockquote>
<p>Segundo os próprios autores do post, que também são autores da novela gráfica, o projeto já mudou um bocado nos últimos tempos e pode ser acompanhado no <a href="http://outropastoreio.blogspot.com/">blogue</a> e no <a href="http://pastoreio.org/">site do projeto</a>.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://hifolio.com/media/25/07.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><em><a href="http://hifolio.com/media/25/07.jpg">“Um Outro Pastoreio” página 7</a>, publicado <a href="http://pastoreio.org/previa/">no website da novela gráfica</a>.</em></p>
<p>A quantidade de histórias populares, mitos, lendas e assombrações do imaginário popular brasileiro &#8212; seja ele das periferias urbanas ou das vastas regiões rurais &#8212; é tão grande e diverso quanto o país que o acalanta. Estes entes míticos, e aqueles que se seguirão nos próximos dois artigos, são apenas alguns dos muitos que povoam o imaginário brasileiro, e que também habitam os sites, blogues e grupos de discussão da internet brasileira. Se para alguns os tempos modernos representam a morte da imaginação popular, para outros a internet proporcionou um novo espaço para o cultivo e a difusão destes imaginários, mesmo que deslocados de seu lugar de nascimento e morada. Nós do Global Voices seguimos observando as andanças destes seres pela lusosfera brasileira, mas mantemos as luzes acesas por via das dúvidas&#8230;</p>
<p><em>O thumbnail deste post é baseado na imagem <a href="http://flickr.com/photos/visionshare/2876774355/in/set-72157607193277158/">img_8055-1_edited-1-cropped</a> de <a href="http://flickr.com/photos/visionshare/">visionshare</a> no Flickr. A imagem foi usada de acordo com sua licença <a href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc/2.0/deed.en">Creative Commons BY-NC 2.0 US License</a>.</em></p>
<p><strong>Atualização:</strong><br />
Se você gostou deste artigo, não deixe de ler os outros dois artigos da série <em>Assombrações e lendas brasileiras na lusosfera</em>. <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/24/assombracoes-e-lendas-brasileiras-na-lusosfera-parte-2/">Aqui</a> você confere a segunda parte, e <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/11/01/assombracoes-e-lendas-brasileiras-na-lusosfera-parte-3/">aqui</a> você encontra a terceira e última parte da série.</p>
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		<item>
		<title>Brasil: Decisão na polêmica disputa de terras indígenas em suspense</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/09/20/brasil-decisao-na-polemica-disputa-de-terras-indigenas-em-suspense/</link>
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		<pubDate>Sat, 20 Sep 2008 16:31:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paula Góes</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Etnicidade]]></category>
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		<description><![CDATA[O Superior Tribunal Federal decidiu adiar a decisão sobre o território Raposa Serra do Sol mas  votará nessa semana o menos complexo caso da reserva Caramuru-Paraguaçu na Bahia. O povo Pataxó Hã-Hã-Hãe espera por essa decisão há mais de 26 anos. Enquanto isso, blogueiros comentam o fato que pela primeira vez uma advogada índia defendeu seu povo no plenário do STF. Veja o vídeo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/paulagoes/">Paula Góes</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/paulagoes/'>Paula Góes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/09/20/brazil-suspense-over-indigenous-land-tense-rulings/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="single" class="entry">
<p>O Superior Tribunal Federal (STF) decidiu adiar a decisão sobre o território  <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/08/10/brazil-disputa-de-terras-indigenas-e-eminencia-de-guerra-civil/">Raposa Serra do Sol</a>, que é objeto de disputa entre tribos indígenas e rizicultores em Roraima, mas votará na semana que vem um outro caso de demarcação menos complexo. A decisão sobre as terras Caramuru-Paraguaçu na Bahia abrirá, dessa forma, o precedente legal para quase 150 outras disputas de terras indígenas que o caso Raposa Serra do Sol deveria abrir. Menos complexo, mas nem por isso menos importante para o povo <a href="http://www.socioambiental.org/pib/epi/pataxohahahae/pataxohahahae.shtm">Pataxó Hã-Hã-Hãe</a>, que espera por essa decisão há mais de 26 anos. <a href="http://www.stf.gov.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=96385">O início do julgamento está marcado para 24 de setembro</a> e o caso começa a ganhar atenção na blogosfera. <a href="http://anarquista.wordpress.com/2008/09/20/raposaserra-do-sol-et-alii-sera-que-ha-justica/">Anarquista Amador</a> comenta:</p>
<blockquote><p>Esperar 26 anos por uma decisão não é sério. Este papo de que a justiça tarda mais não falha é barato demais. As pessoas envelhecem, morrem. As decisões não vêm e não há suspensão ou garantias. E longe de termos um Estado fraco, omisso, temos um Estado forte que garante que as decisões não sejam tomadas em prazos reais.</p></blockquote>
<p>A data marcará um mês desde que o futuro da reserva Raposa Serra do Sol foi colocado no limbo. No dia que o Superior Tribunal Federal deveria chegar a uma conclusão, 27 de agosto passado, uma advogada indígena defendeu deu povo, pela primeira vez na história do STF. Joênia Batista de Carvalho, da tribo Wapichana, foi ao plenário para se apresentar diante do painel de 11 juízes. Ela defendeu o direito à reserva Raposa Serra do Sol, e denunciou o fato de que os conflitos acarretaram a morte de 21 líderes indígenas:</p>
<p><iframe src="http://dotsub.com/media/60afbf04-263f-4882-8a23-6f808abf63ce/e/m" frameborder="0" width="420" height="347"></iframe></p>
<p style="text-align: center;"><em>“Nós somos acusados de ladrões dentro de nossa própria terra. Nós somos caluniados, discriminados e nisso tem que colocar um fim.&#8221;</em></p>
<p>Depois de um discurso de quase duas horas, o relator do caso, Ministro Ayres Britto, foi o primeiro a votar, favorecendo a manutenção da Raposa Serra do Sol como uma reserva contínua, o que foi visto como um amplo reconhecimento dos direitos indígenas no Brasil. No entanto, outro ministro solicitou adiação para que maiores investigações fossem levadas a cabo, o que significa que o caso está em suspense até que uma nova sessão seja marcada. Enquanto isso, tanto a emocionante declaração da advogada Joênia quanto o surpreendente voto do Ministro Ayres estão sendo comentados, criticados e elogiados blogosfera afora.</p>
<p><a href="http://www.paznocampo.org.br/Blog/popposts.asp?id=186">D. Bertrand de Orleans e Bragança</a>, o trineto do último imperador brasileiro <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Dom_Pedro_II">Dom Pedro II</a> que viaja pelo país proferindo palestras para fazendeiros e empresários em defesa da propriedade privada e da livre iniciativa, acha que “a performance da Dra. Joênia é puramente emocional”:</p>
<blockquote><p>Com essa argumentação, a Dra. Joênia não vai conseguir grande coisa. Será mesmo ir contra a inteligência dos senhores Ministros do Supremo querer chamar de racista a defesa dos produtores rurais, que são apoiados pela maioria dos índios da Serra do Sol, os quais, por sua vez, são em maior número que os da Raposa. Racistas seriam os índios que querem separar-se do País através da ocupação de uma imensa área, para ali, sentados sobre riquezas incalculáveis, serem os maiores latifundiários brasileiros, se bem que em posse coletiva. Um privilégio racista, esse sim.</p></blockquote>
<p><a href="http://amanditas.wordpress.com/2008/09/02/nos-tambem-somos-indios/">Amanda Vieira</a> ficou orgulhosa da performance da advogada Wapichana:</p>
<blockquote><p>Joênia Batista de Carvalho, nós temos orgulhos de você. Por ser índia, mulher, advogada, por fazer uma defesa tão brilhante, por nos fazer acreditar que a luta pela diversidade no Brasil vale a pena e dá muito certo. Salve Joênia! Contamos com sua sabedoria e seu exemplo.</p></blockquote>
<p>Por outro lado, <a href="http://construindoopensamento.blogspot.com/2008/08/o-caso-raposa-serra-do-sol-muito.html">Yashá Gallazzi</a> não tem muita certeza sobre os direitos indígenas no século 21:</p>
<blockquote><p>Devo presumir que tanto Joênia, como as ONG&#39;s (nacionais e internacionais), bem como alguns ministros do STF, prefeririam que tudo continuasse como era nos tempos antigos quando os aborígenes (essa foi a palavra usada por Ayres Brito) viviam em harmonia com a mãe terra. O problema é que em tal realidade idílica não haveria espaço para algumas faces próprias do progresso, como uma universidade, por exemplo. Elogiar uma descendente de índios que se formou em Direito e chegou ao ápice de fazer uma sustentação oral no STF é algo muito digno e válido. Contudo, isso há que ser resultado da capacidade técnica e jurídica da pessoa, não de sua origme étnica. A advogada índia é expressão da democracia e do sistema de liberdades democráticas próprios das sociedades ocidentais.</p></blockquote>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.flickr.com/photos/talitaoliveira/2806609154/in/set-72157606991734664/"><img class="aligncenter size-full wp-image-49915" title="2806609154_a7d1580460" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/09/2806609154_a7d1580460.jpg" alt="" width="468" height="312" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong></strong><strong>Manifestação em solidariedade aos povos de Raposa do Sol nas ruas de Rio Branco - Acre, no mesmo dia que a decisão ia a plenário do STF. </strong><strong>Foto de </strong> <a title="Link to Talita Oliveira's photostream" href="http://www.flickr.com/photos/talitaoliveira/"><strong>Talita Oliveira</strong></a></p>
<p>Mais de 200 policiais federais armados foram enviados à região em antecipação à possível violência depois do veredito, o qual se esperava que causasse conflitos independente do lado vitorioso. É provável que uma nova sessão aconteça antes do final do ano, e espera-se que as partes envolvidas não precisem esperar por 26 anos. Ou não, como supõe <a href="http://cidadaniaejustica.blogspot.com/2008/09/um-pouco-da-histria-da-raposa-serra-do.html">Maria Rachel Coelho Pereira</a>, que estava lá no dia 27:</p>
<blockquote><p>As evidências da sistemática aliança entre abusos de poder político-econômico e impunidade em torno da causa anti-indígena, já abundantes no passado, parece continuar ainda hoje. No dia 27 de agosto passado ao sairmos do STF fomos surpreendidos com um boato de que o julgamento seria estrategicamente “empurrado” para o final de 2009.</p></blockquote>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/talitaoliveira/2806609186/in/set-72157606991734664/"><img class="aligncenter size-full wp-image-49916" title="2806609186_2fbc9485a5" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/09/2806609186_2fbc9485a5.jpg" alt="" width="462" height="308" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Manifestação em solidariedade aos povos de Raposa do Sol nas ruas de Rio Branco - Acre, no mesmo dia que a decisão ia a plenário do STF. </strong><strong>Foto de</strong><strong> </strong><a title="Link to Talita Oliveira's photostream" href="http://www.flickr.com/photos/talitaoliveira/"><strong>Talita Oliveira</strong></a></p>
<p>E por falar em abuso político-econômico, <a href="http://luizvalerio.blogspot.com/2008/09/jornalista-agredido-verbalmente-por.html">Luiz Valério</a> cita um caso recente de intimidação da mídia relacionado ao caso Raposa Serra do Sol. Ele escreve sobre a fricção entre o jornalista Leandro Freitas, do movimento the “Nós Existimos”, e o rizicultor e político acusado de <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/08/10/brazil-disputa-de-terras-indigenas-e-eminencia-de-guerra-civil/">atacar uma tribo Makuxi</a>, Paulo Cesar Quartiero, quando o primeiro tentou entrevistar o último em 8 de setembro passado:</p>
<blockquote><p>Buscando ouvir a versão de Quartiero para a denúncia foi feita formalmente por 65 lideranças indígenas da Raposa Serra do Sol, protocolada e encaminhada à Funai em Roraima e Brasília, ao Ministério Público Federal, ao Ministério da Justiça e ao Conselho Indígena de Roraima, o jornalista foi tratado de forma desrespeitosa, assim como veículo de comunicação para quem ele trabalha. Esta não é a primeira vez que Paulo Quartiero age com desrespeito contra jornalistas. No primeiro semestre também foi ele o protagonista de outro atentado à liberdade de imprensa e livre exercício da profissão de jornalista em Roraima, quando determinou a captura de equipamentos de filamagens e fitas de vídeo de uma equipe da TV Ativa, que cobria o conflito na região da Raposa Serra do Sol.</p></blockquote>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/talitaoliveira/2805716515/in/set-72157606991734664/"><img class="aligncenter size-full wp-image-49914" title="2805716515_f37aed800a" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/09/2805716515_f37aed800a.jpg" alt="" width="462" height="308" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Manifestação em solidariedade aos povos de Raposa do Sol nas ruas de Rio Branco - Acre, no mesmo dia que a decisão ia a plenário do STF. </strong><strong>Foto de</strong><strong> </strong><a title="Link to Talita Oliveira's photostream" href="http://www.flickr.com/photos/talitaoliveira/"><strong>Talita Oliveira</strong></a>.<strong> Veja</strong><strong> <a href="http://www.flickr.com/photos/talitaoliveira/sets/72157606991734664/">mais fotos da manifestação</a>.</strong><a title="Link to Talita Oliveira's photostream" href="http://www.flickr.com/photos/talitaoliveira/"><strong><br />
</strong></a></p>
</div>
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		<title>Venezuela: Os Indígenas Yukpa, Chávez e as disputas de terra</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/08/29/venezuela-os-indigenas-yukpa-chavez-e-as-disputas-de-terra/</link>
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		<pubDate>Fri, 29 Aug 2008 22:19:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Duende</dc:creator>
				<category><![CDATA[Agricultura]]></category>
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		<description><![CDATA[Alguns vídeos de mídia cidadã foram disponibilizados, informando sobre a situação que está se configurando na Venezuela entre os índios Yukpa das Montanhas Perijá, alguns proprietários de terras e o Presidente Chávez. Esta disputa sobre limites de propriedade vem se desenvolvendo há 30 anos, quando forças militares desalojaram as comunidades indígenas dos Yukpa a força e alocaram os proprietários de terra que tem fazendas de gado e vem cultivando a terra desde então.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/juliana-rincon-parra/">Juliana Rincón Parra</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/daniel-duende/'>Daniel Duende</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/08/28/venezuela-yukpa-indians-chavez-and-land-disputes/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p><img class="alignleft" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/08/149624398_b876a130ec_m.jpg" alt="" hspace="7" vspace="5" /> Alguns vídeos de mídia cidadã foram disponibilizados, informando sobre a situação que está se configurando na Venezuela entre os índios <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Yukpa">Yukpa</a> [En] das <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Serrania_del_Perija">Montanhas Perijá</a> [En], alguns proprietários de terras e o Presidente Chávez. Esta disputa sobre limites de propriedade vem se desenvolvendo há 30 anos, quando forças militares desalojaram as comunidades indígenas dos Yukpa com uso da força, e alocaram os proprietários de terra que tem fazendas de gado e vem explorando a terra na região desde então. Os índios Yukpa tentaram reclamar sua terra, e até o presidente venezuelano Hugo Chávez declarou a 10 anos atrás que os problemas com a propriedade da terra nas Montanhas Perijá deveriam ser resolvidos, mas nada foi feito desde então para buscar as soluções.</p>
<p>Atualmente os índios Yukpa estão ocupando as fazendas da região e os proprietários de terra, que vivem da exploração de carne e leite, estão impedidos trabalhar. A situação se tornou mais difícil por conta da presença de forças armadas na área, que gerou um literal estado de sítio. Os grupos indígenas não tem permissão de transitar livremente para dentro ou para fora de suas terras, e jornalistas estão sendo proibidos de entrar na área para relatar eventuais violações dos direitos humanos, como a alegada contratação de atiradores colombianos que estão atacando comunidades inteiras, e que espancaram até a morte uma liderança indígena de 109 anos de idade. Por fim, os Yukpa conseguiram quebrar os bloqueios de comunicação e alcançaram a atenção da mídia, e conseguiram chegar à comunidade de Machique em 26 de agosto de 2008, e então Hugo Chávez declarou que estas terras devem ser devolvidas e que os direitos das comunidades indígenas devem ser respeitados. No blogue coletivo <em>Voces Urgentes </em>(Vozes Urgentes) [Es], <a href="http://vocesurgentesreporta.blogspot.com/2008/08/audio-y-videos-breve-relato-de-cmo-se.html">são feitas várias perguntas a respeito do futuro desta situação, e sua solução</a>:</p>
<blockquote><p>Ahora bien ¿Por qué el cerco se rompe solo cuando Chávez se pronuncia? ¿Qué tuvo que pasar para que Chávez se enterara? ¿La represión, agresión y vulneración de los hermanos yukpa todo este tiempo no era suficiente? ¿Cuál ha sido la actuación de las autoridades ante las sucesivas demandas de los indígenas Yukpa? ¿Por qué la ministra del Poder Popular para los Asuntos Indígenas, Nicia Maldonado, recomendó a los Yukpa respetar la propiedad privada y hacer turismo en una zona aislada y árida? ¿Quiénes y con cuáles criterios se realizará el proceso de demarcación de las tierras indígenas?</p></blockquote>
<div class="translation">&#8220;Então, por que é que o cerco só se rompeu agora, quando Chávez se pronunciou? O que teve que acontecer para que Chávez tomasse conhecimento da situação? A repressão, agressão e violação dos irmãos Yukpa por todo este tempo não foram o bastante? Qual tem sido a atuação das autoridades frente às sucessivas demandas dos índios Yukpa? Por quê a ministra do Poder Popular para os Assuntos Indígenas, Nicia Maldonado, recomendou aos Yukpa respeitar a propriedade privada e viver de turismo em uma zona isolada e árida? Quem, e com quais critérios, realizará o processo de demarcação das terras indígenas?&#8221;
</div>
<p>O <a href="http://es.youtube.com/watch?v=5mbNbUh5ETU">vídeo a seguir</a> [Es] foi disponibilizado por <a href="http://es.youtube.com/user/coritoj">coritoj</a>, e faz parte das dezenas de vídeos documentando o sofrimento desta comunidade, e como ele só agora está chegando ao conhecimento do grande público. No vídeo, eles relatam como um dos proprietários de terra disse a eles que ele poderia basicamente fazer o que quisesse, já que todas as autoridades envolvidas já haviam sido devidamente subornadas, e que ele não iria para a cadeia mesmo que eles fossem falar com o Presidente, porque ele tinha dinheiro para pagar para sair de lá:</p>
<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/5mbNbUh5ETU&#038;color1=0xb1b1b1&#038;color2=0xcfcfcf&#038;hl=en&#038;fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/5mbNbUh5ETU&#038;color1=0xb1b1b1&#038;color2=0xcfcfcf&#038;hl=en&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p><a href="http://es.youtube.com/watch?v=4Ej47nFdVR4">Este outro vídeo por ProyectoSuri</a> [Es] mostra uma caravana humanitária liderada pela <a href="http://medioscomunitarios.org/pag/index.php">organização ANMCLA</a> tentando entrar no território Yukpa para entregar comida e medicamentos à comunidade indígena, e sendo bloqueada pelos oficiais militares. Contudo, os mesmos soldados do exército que não permitiram que eles passassem estavam perfeitamente dispostos a deixar um caminhão carregado com comida para porcos passar pelo bloqueio. As organizações comunitárias conseguiram convencer o motorista do caminhão de que era injusto e inconstitucional entregar comida para animais quando a comida para humanos estava sendo bloqueada, e o vídeo mostra o motorista levando o caminhão de volta para a transportadora. Mais a frente no vídeo, membros dos Yukpa chegam à fronteira da área de sítio e afirmam que nenhum exército poderia controlar suas comunidades, e que eles serão liderados por líderes escolhidos por eles mesmos, e que eles devem poder convidar quem quiserem para dentro de seus territórios. Contudo, a caravana humanitária não obteve permissão para entrar e entregar a comida e remédios que trazia, e por conta da intransigência do exército vários de seus membros foram feridos, e três deles foram presos. Dois dias depois, o presidente reconheceu o direito dos Yukpa para reclamar suas terras.</p>
<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/4Ej47nFdVR4&#038;color1=0xb1b1b1&#038;color2=0xcfcfcf&#038;hl=en&#038;fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/4Ej47nFdVR4&#038;color1=0xb1b1b1&#038;color2=0xcfcfcf&#038;hl=en&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p>Dezenas de outros vídeos sobre este tema <a href="http://es.youtube.com/results?search_query=yukpa&#038;search_sort=video_date_uploaded">podem ser vistos aqui</a> [Es].<br />
(A imagem da bandeira da Venezuela é de <a href="http://guillermoesteves.com/">Guillermo Esteves</a>)</p>
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