<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Global Voices em Português &#187; Humanitário</title>
	<atom:link href="http://pt.globalvoicesonline.org/category/topics/humanitarian/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://pt.globalvoicesonline.org</link>
	<description>O mundo está falando. Você está ouvindo?</description>
	<lastBuildDate>Fri, 04 Dec 2009 03:54:21 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.8.4</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>China: As Crianças Esquecidas</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/25/china-as-criancas-esquecidas/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/25/china-as-criancas-esquecidas/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 14:27:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Casaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[China]]></category>
		<category><![CDATA[Chinese]]></category>
		<category><![CDATA[Criança]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[East Asia]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[Humanitário]]></category>
		<category><![CDATA[Lei]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=5098</guid>
		<description><![CDATA[Em 12 de Novembro, alguns dias antes do Dia Internacional das Crianças, uma explosão eclodiu em uma fábrica ilegal de panchões em Guangxi e resultou na morte de duas crianças trabalhadoras e em onze outras feridas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/jennifer-zhang/">Jennifer Cheung</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/diegocasaes/'>Diego Casaes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/11/25/china-children-who-are-left-behind/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="single">
<p>Em 12 de Novembro, alguns dias antes do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_Mundial_da_Crian%C3%A7a">Dia Internacional das Crianças</a>, uma explosão eclodiu em uma fábrica ilegal de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Panch%C3%A3o">panchões</a> em Guangxi e resultou na morte de duas crianças trabalhadoras e em onze outras feridas.</p>
<p>Segundo o <a href="http://www.infzm.com/content/37586">relatório da Southern Weekend</a> [ch], estas vítimas infantis foram deixadas para trás pelos seus pais, que são trabalhadores migrantes e têm de trabalhar em cidades por todo o ano para ganhar dinheiro e sustentar suas famílias. Elas viviam com os avós e esforçavam-se para trabalhar antes e depois do horário escolar para ganhar algum dinheiro para lanches.</p>
<p>O fenômeno dos trabalhadores infantis não é raro na vila Yanghui onde a tragédia ocorreu. A falta de regulamentação do governo é parte da razão por trás deste fato, mas por outro lado, &#8220;se estas crianças estiverem em torno de seus pais e sejam bem cuidadas, não teremos tal enorme tragédia&#8221;, Yang Youji, o chefe do partido da aldeia, foi citado como tendo dito tal frase.</p>
<p>De acordo com o censo populacional de 2005, havia 120 milhões de agricultores que trabalhavam ou faziam negócios nas cidades, e o número de filhos que deixaram para trás somaram 20 milhões de crianças. 88,2% das crianças deixadas para trás só poderiam entrar em contato com os pais pelo telefone, mas 53,5% deles falavam com os pais em menos de três minutos.</p>
<p><a href="http://blog.tianya.cn/blogger/post_show.asp?BlogID=350817&amp;PostID=20273349&amp;idWriter=0&amp;Key=0" target="_self">Tong Dahuan</a>, um blogueiro chinês do blog <em><a href="http://blog.tianya.cn/blogger/post_show.asp?BlogID=350817&amp;PostID=20273349&amp;idWriter=0&amp;Key=0">Tianya</a></em>, apontou outra questão social nesse incidente dos panchões em um post relacionado; &#8220;Quem Deveria se Desculpar pela Tragédia das Crianças Esquecidas&#8221;:</p>
<blockquote><p>前两年，来自北京、上海等地的有关调查即显示，新移民二代的犯罪率是当地户籍青少年的三倍！留守儿童和流动儿童的悲剧命运，正在引领着我们走向一个不可知的未来。</p></blockquote>
<div class="translation">Nos últimos 2 anos, pesquisas realizadas em cidades como Pequim e Xangai revelaram que a taxa de criminalidade da segunda geração de trabalhadores migrantes (os filhos de trabalhadores migrantes) é três vezes maior do que seus pares locais, que são detentores de certificado de residência. O destino amargo das crianças esquecidas e daquelas que são migrantes está nos levando a um futuro imprevisível.</div>
<p>Tong argumenta que é o sistema educacional injusto que resultou neste tipo de tragédia:</p>
<blockquote><p>中国数以亿计的农村人到城市打工，他们的孩子经常被城市的学校排除在外，或被收更高的学费，城市里也没有专门供这些孩子受 教育的非正式学校（打工子弟学校常常被教育主管部门以教育条件不达标为由围追堵截甚至赶尽杀绝）。更有甚者，在户籍加学籍的高考报考制度下，即使打工子弟 历尽千辛万苦过五关斩六将在父母打工所在地读完了高中，他们也将面临无处高考的命运。这一切导致大量孩子过早被迫与父母分离，成为“没爹没妈”留守儿童。</p></blockquote>
<div class="translation">Centenas de milhões de agricultores chineses vão trabalhar nas cidades, mas os seus filhos são muitas vezes excluídos pelas cidades em que trabalham, ou eles são cobrados com mensalidades escolares mais elevadas. Não há escolas especialmente ajustadas para os filhos dos trabalhadores migrantes (escolas de crianças migrantes são frequentemente fechadas por autoridades de educação sob o argumento de condições precárias de ensino). Além disso, no âmbito dos sistemas duplos de registro de habitante mais o certificado de matrícula do estudante (que mostra a região geográfica que o aluno pertence), mesmo se os filhos dos trabalhadores migrantes concluirem o ensino médio com grande esforço e sofrimento, eles ainda podem ter a participação rejeitada no exame vestibular nacional. Todos esses fatores desfavoráveis levam a sua separação de seus pais trabalhadores migrantes em idade precoce, que mais tarde se tornam crianças esquecidas e praticamente sem pais.</div>
<p>Tong disse que tem havido uma série de críticas contra o desatualizado sistema de certificados de residentes do governo e o sistema de ensino desde 1997, mas não parecia haver quase nenhum avanço sobre estas duas questões:</p>
<blockquote><p>现行户籍与教育制度，已经严重违反了人权、人道、人伦，也违反了我们1990年签署、1991年全国人大批准、1992年3月1日起即对我国生效的联合国《儿童国际公约》</p></blockquote>
<div class="translation">O atual sistema chinês de registro de residentes e o sistema de ensino têm gravemente violado os direitos humanos de seus cidadãos, a moralidade humana, bem como a Convenção da ONU sobre os Direitos das Crianças que o Governo assinou em 1990, o qual o Congresso Nacional aprovou em 1991 e que entrou em vigor desde 1 de março de 1992.</div>
<blockquote><p>请问，不让孩子就地平等地接受教育和高考，是为了孩子的最大利益吗？用户籍制度生生将孩子和父母拆散，这样的分离符合儿童的最大利益吗?”</p></blockquote>
<div class="translation">Eu quero perguntar: será melhor para o interesse das crianças que o governo não as proporcione as mesmas oportunidades de receber educação e participar no exame nacional de vestibular? É melhor para o interesse das crianças que o governo as separe de seus pais com a ferramenta de sistema de registro de residentes?</div>
<p>Outro blogueiro de <em>Tianya</em>, <a href="http://www.tianya.cn/publicforum/content/free/1/1741538.shtml">Li Hui</a>, questionou <a href="http://www.tianya.cn/publicforum/content/free/1/1741538.shtml">por que as crianças trabalhadoras são sempre as esquecidas</a>?</p>
<blockquote><p>为什么黑童工都是留守儿童？这背后，不仅是一个非法雇佣童工的问题，更深层次的原因，是城乡二元分化，以及由此导致的教育资源发展严重不均衡。</p></blockquote>
<div class="translation">Por que os trabalhadores infantis ilegais são sempre esquecidos? O que constitui a base deste problema não é apenas o emprego ilegal de trabalhadores infantis, mas, mais profundamente, é um problema causado pela dupla estrutura rural-urbana da China, e o sério desequilíbrio dos recursos educacionais.</div>
<p>Na seção de <a href="http://www.infzm.com/content/37586">comentários do relatório Southern Weekend</a>, muitos internautas deixaram seus comentários, alguns culparam o sistema de registro de residentes como a raiz dessa tragédia.</p>
<p>Por exemplo, <a href="http://www.infzm.com/content/37586" target="_self">Yanchenyu</a> disse:</p>
<blockquote><p>户籍制度是造成留守儿童的根源，城市人口享受农民工带来的繁荣，却不为他们的健康提供保障，不为他们的小孩提供教育。</p></blockquote>
<div class="translation">O sistema de registro de residentes é a causa raiz da tragédia das crianças esquecidas. A população urbana está aproveitando a prosperidade trazida pelos trabalhadores migrantes, mas eles não lhes dão a devida proteção em matéria de segurança, tampouco oferecem educação aos seus filhos.</div>
<p><a href="http://www.infzm.com/content/37586" target="_self">li101947</a> questionou o papel da aplicação da lei:</p>
<blockquote><p>已经有多少儿童遭受了苦难？还有多少儿童将要遭受苦难？难道就不能有组织、制度保障他们的权益吗？法律的执行怎么了？</p></blockquote>
<div class="translation">Quantas crianças sofreram a tragédia? Quantos mais vão sofrer a tragédia? Será que não pode haver organizações e regulamentos para proteger os direitos e benefícios dessas crianças? O que tem feito a aplicação da lei?</div>
</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/25/china-as-criancas-esquecidas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Timor Leste: Celebrando a Solidariedade Global pela Liberdade</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/08/28/timor-leste-celebrando-a-solidariedade-global-pela-liberdade/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/08/28/timor-leste-celebrando-a-solidariedade-global-pela-liberdade/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 28 Aug 2009 19:07:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paula Góes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Australia]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[East Asia]]></category>
		<category><![CDATA[East Timor]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra & Conflito]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Humanitário]]></category>
		<category><![CDATA[Indonesia]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade de Expressão]]></category>
		<category><![CDATA[Oceania]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
		<category><![CDATA[Protesto]]></category>
		<category><![CDATA[Relações Internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Spain]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>
		<category><![CDATA[Western Europe]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=4049</guid>
		<description><![CDATA[Dez anos após o referendo, vozes no mundo todo estão mais uma vez espalhar por aí sobre Timor Leste, mas dessa vez para celebrar o grande apoio internacional que naquela época culminou no reconhecimento da autodeterminação do país]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/janet-gunter/">Janet Gunter</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/paulagoes/'>Paula Góes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/08/21/east-timor-celebrating-global-solidarity-for-freedom/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Dez anos após o referendo, vozes no mundo todo estão mais uma vez <a href="http://thirdestatesundayreview.blogspot.com/2009/08/klibur-solidaridade-timor-leste.html">falando por aí</a> [en] sobre Timor Leste, mas dessa vez para celebrar o grande apoio internacional que naquela época culminou no reconhecimento da autodeterminação do país:</p>
<blockquote><p>On 30 August, 1999, hundreds of thousands of Timorese voters braved an Indonesian-directed terror campaign to cast ballots for independence in a U.N.-organized referendum. This event, which ended Indonesia’s 24-year illegal, brutal military occupation, led to the creation of the Democratic Republic of Timor-Leste as the first new nation of the millennium. The vote was the culmination of decades of struggle by Timorese people, supported by solidarity activists around the world.</p></blockquote>
<div class="translation">Em 30 de agosto de 1999, centenas de milhares de eleitores timorenses enfrentaram uma campanha terrorista dirigida pela Indonésia para votar pela independência em um referendo organizado pela Organização das Nações Unidas. Este evento, que encerrou 24 anos de uma ocupação militar ilegal e violenta por parte da Indonésia, levou à criação da República Democrática de Timor-Leste, a primeira nova nação do milênio. A votação foi a culminação de décadas de luta do povo timorense, apoiadas por ativistas em solidariedade em todo o mundo.</div>
<p>O lançamento do vídeo do jornalista Max Stahl relatando o ultrajante <a href="http://www.etan.org/timor/SntaCRUZ.htm" target="_blank">Massacre de Santa Cruz</a> [en] em 1991 aumentou a conscientização global sobre os crimes ocorridos em Timor Leste durante a época da ocupação pela indonésia.</p>
<p>Em 1996, José Ramos-Horta e o Bispo Ximenes Belo foram agraciados com o Prêmio Nobel da Paz, e somente três anos depois o presidente indonésio Habibie permitiu que o povo de Timor Leste escolhesse entre autonomia dentro da Indonésia e independência. E o mundo se juntou a Timor Leste.</p>
<div id="attachment_91845" style="width: 310px;"><a href="http://www.etan.org/"><img title="deadprot" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/deadprot-300x204.jpg" alt="&quot;Die-in&quot; protest in the US. Credit: www.etan.org" width="300" height="204" /></a>Protesto nos EUA. Crédito: www.etan.org</div>
<p>Movimentos de solidariedade capazes de pressionar os seus governos e protestar contra os abusos da Indonésia surgiram na Austrália, Nova Zelândia, Japão, Portugal, França, Holanda, Irlanda, Alemanha, Reino Unido, Canadá e nos Estados Unidos durante a década de 90. <a href="http://www.insideindonesia.org/content/view/664/29/">Mesmo dentro da Indonésia, Timor Leste contava com amigos trabalhando para por um fim aos abusos e promover a autodeterminação</a> [en].</p>
<p>No verão de 1999, às vésperas do Referendo, a <a href="http://www.etan.org/ifet/">IEFT - International Federation for East Timor</a> [Federação Internacional pelo Timor Leste, en] montou o Projeto Observatório, com uma equipe internacional de membros de pelo menos 22 países indo ao Timor Leste para acompanhar a votação. As medidas de segurança nos meses que precederam o referendo eram instáveis, uma vez que o acordo mediado pela ONU para a votação deixava segurança a cargo da polícia da Indonésia.</p>
<div id="attachment_91818" style="width: 223px;"><img title="UNAMETposter" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/UNAMET-213x300.jpg" alt="Pôster da ONU diz: " width="213" height="300" />Pôster da ONU diz: &#8220;Não iremos embora&#8221;. Crédito: Australia Timor-Leste Friendship Network</div>
<p>Os monitores da IFET bravamente se deslocaram por todo o território, <a href="http://www.etan.org/ifet/082199.html">segundo explica um relatório do projeto de 22 de agosto de 1999</a> [en]:</p>
<blockquote><p>We have rented houses and deployed teams in every area of East Timor. Upon arriving in a town, an IFET-OP team first makes contact with the police and local authorities, and then with various community leaders and advocates on both sides of the campaign. They settle into a house which an IFET-OP advance team has arranged, and begin observing and inquiring about events and perceptions related to the campaign and other aspects of the consultation. Each team reports in nightly by phone and files a written weekly report. Although nobody on any of our teams has been injured, several have witnessed violent or intimidating incidents, and have reported such events to the appropriate authorities, UNAMET, and IFET-OP headquarters in Dili.</p></blockquote>
<div class="translation">Alugamos casas e posicionamos equipes em todos os cantos do Timor Leste. Ao chegar em uma cidade, uma equipe da IFET-OP faz o primeiro contato com a polícia e autoridades locais, e depois com vários líderes comunitários e defensores de ambos os lados da campanha. Eles assentam-se em uma casa arranjada por uma equipe preparatória da IFET-OP, e começam a observar e a indagar sobre eventos e percepções relacionados com a campanha e outros aspectos do processo de consulta. Cada equipe provê relatórios todas as noites por telefone e envia um relatório escrito semanalmente. Embora ninguém em nenhuma de nossas equipes tenha se ferido, vários testemunharam casos de violência ou intimidação, e relataram tais eventos para as autoridades competentes, UNAMET, e a sede em Díli da IFET-OP.</div>
<p>Os observadores do IFET relataram a violência que tomou conta do Timor Leste após a votação, o que resultou no apoio esmagador à independência da Indonésia. O Projeto Observatório do IFET <a href="http://www.etan.org/ifet/media10.html">informou em 3 de setembro</a> [en]:</p>
<blockquote><p>The observers, members of the International Federation for East Timor Observer Project (IFET-OP), traveled to the Becora neighborhood of Dili to investigate reports of militia burning houses in the area yesterday. When they arrived, they found a house newly ablaze, and with both firefighters and journalists at the scene, the IFET-OP team went to investigate. Ten minutes after the observers arrived, the Indonesian military-backed militia showed up at the house.</p>
<p>The Aitarak (Thorn) militia struck one U.S. IFET-OP member in the face. Another team member, a woman from Finland, was hit in the back by a militia holding a gun. Yet another Finnish team member was threatened at gunpoint. The militia members also punched the IFET-OP driver and smashed a window on his car.</p></blockquote>
<div class="translation">Os observadores, membros do Projeto Observatório da International Federation for East Timor (IFET-OP), viajaram para o bairro de Becora, Díli, para investigar os relatos de incêndios de casas promovidos ontem pela milícia da área. Quando chegaram, eles encontraram uma casa recém-incendiada, e com ambos bombeiros e jornalistas no local, a equipe do IFET-OP passou a investigar. Dez minutos após a chegada dos observadores, a milícia apoiada pelos militares indonésios apareceu na casa.</p>
<p>A milícia Aitarak (Espinho) agrediu um americano membro da IFET-OP do rosto. Uma filandesa, também parte da equipe, foi atingida na traseira por um membro armado da milícia. Outro membro da equipe finlandesa foi ameaçado com uma arma também. Os milicianos ainda esmurraram o motorista da IFET-OP e quebraram uma janela do seu carro.</p></div>
<p>Com a violência da milícia começando de novo quase que imediatamente após a votação, grupos de solidariedade em todo o mundo começaram a exigir dos seus governos uma atenção para o agravamento da situação no Timor Leste. O <a href="http://videos.sapo.pt/vZ6gUjt4KzMYSoS2TUmN">video</a> a seguir, de <a href="http://videos.sapo.pt/vZ6gUjt4KzMYSoS2TUmN">Jose Budha</a>, retrata a forma como Portugal se levantou e parou no mesmo período:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="400" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="align" value="center" /><param name="src" value="http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/vZ6gUjt4KzMYSoS2TUmN/mov/1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="400" height="350" src="http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/vZ6gUjt4KzMYSoS2TUmN/mov/1" allowfullscreen="true" align="center"></embed></object></p>
<div id="result_box" dir="ltr">Após os resultados no dia 4 de setembro, numerosas atrocidades, mortes e devastações aconteceram, como TAPOL <a href="http://tapol.gn.apc.org/bulletin/1999/bull154-5.htm">relatou</a> [en] em 1999:</div>
<blockquote><p>After the referendum results were announced on 4 September, the militias and their Kopassus bosses unleashed a scorched-earth policy of gigantic proportions. Para-military forces joined the fray, along with six TNI battalions, including two notorious local battalions, 744 and 745. Altogether about 15,000 men were involved. Without such a large contingent of men, it could never have taken hold so rapidly.</p>
<p>Although [Operation] Sapu Jagad-II sought to create the impression that this was a spontaneous outpouring of anger by pro-Indonesia forces, there is overwhelming evidence that the destruction was a well-prepared military operation. In many places, villagers were forced to destroy and burn their own neighbourhoods, even their own houses. The aim was to destroy as much as possible and punish the pillars of the pro-independence movement. The Catholic Church, which had given sanctuary to fleeing East Timorese throughout the occupation, was one of the main targets.</p></blockquote>
<div class="translation">Após o anúncio dos resultados do referendo no dia 4 de setembro, as milícias e os seus chefes Kopassus [palavra indonésia que significa comando da força especial] desencadeou uma política de queimadas de proporções gigantescas. Paramilitares entraram na briga, junto com seis batalhões da TNI, incluindo dois batalhões locais notórios, o 744 e o 745. Ao todo, cerca de 15.000 homens foram envolvidos. Sem esse contingente grande de homens, jamais poderia ter tomado conta tão rapidamente.</p>
<p>Embora a [operação] Sapu Jagad-II tenha procurado dar a impressão de que essa foi uma manifestação espontânea de raiva das forças pró-Indonésia, há provas contundentes de que a destruição foi uma operação militar bem-preparada. Em muitos lugares, os moradores foram obrigados a destruir e a queimar seus próprios bairros, até mesmo suas próprias casas. O objetivo era destruir o máximo possível e punir os pilares do movimento pró-independência. A Igreja Católica, que havia dado refúgio a fugitivos de Timor Leste durante a ocupação, foi um dos principais alvos.</p></div>
<p><strong> </strong></p>
<div id="attachment_91663" style="width: 234px;"><strong> </strong><strong><a href="http://www.gendercide.org/case_timor.html"><img title="scorched" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/scorched-224x300.jpg" alt="Photo from &quot;Genocide Watch: East Timor 1975-1999&quot;, researched and written by Adam Jones. Shared under a license for non-profit use." width="224" height="300" /></a></strong>Foto do &#8220;Observatório do Genocídio: Timor Leste1975-1999&#8243;, pesquisado e escrito por Adam Jones. Compartilhado sob uma licença para uso não comercial.</div>
<p>Todos os voluntários do IFET-OP foram forçados a deixar Díli antes de 7 de setembro de 1999 <a href="http://www.etan.org/ifet/media13.html">sob condições extremamente angustiantes</a>:</p>
<blockquote><p>Today, September 7, the last of our observers was forced to leave East Timor. Over the past two days, the Royal Australian Air Force evacuated 60 of our nonpartisan volunteers to Darwin from Dili and Baucau.</p>
<p>We left East Timor for safety, but with tremendous sadness. The East Timorese people have no Australia to run to, no place to hide from militia terror. Last night, Australia and Indonesian military officers prevented one of our East Timorese staff members from boarding the plane with us — and he faces an unspeakable horror shared by hundreds of thousands of his fellow East Timorese.</p>
<p>Most international observers and media fled East Timor before IFET-OP had to leave, and we were the last international NGO to leave. UNAMET has withdrawn from the entire country except Dili, where their communications and electricity has been cut off, and they are surrounded by militias who shoot into their compound virtually without interruption.</p></blockquote>
<div class="translation">Hoje, 7 de setembro, o último dos nossos observadores foi forçado a deixar Timor Leste. Nos últimos dois dias, a Força Aérea Australiana evacuou 60 dos nossos voluntários apartidários para Darwin a partir de Díli e Baucau.</p>
<p>Saímos de Timor Leste por causa da segurança, mas com uma tristeza enorme. O povo timorense não têm Austrália nenhuma para correr, nenhum lugar para se esconder do terror da milícia. Ontem à noite, militares da Austrália e da Indonésia  impediram um dos membros timorenses da nossa equipe de embarcar no avião com a gente - e ele enfrenta um horror indescritível compartilhado por centenas de milhares de conterrâneos.</p>
<p>A maioria dos observadores internacionais e meios de comunicação fugiram do Timor Leste antes da IFET-OP ter que sair, e fomos a última ONG internacional a deixar o país. A UNAMET havia se retirado de todo o país, com excepção de Díli, onde a comunicação e eletricidade foram cortadas, e eles estão cercados por milícias que atiram em seus recintos praticamente sem parar.</p></div>
<p>A já mencionada “pressão internacional” se tornou ainda maior e mais real a medida que os cidadãos não desistiam. Algumas fotos dos laços de solidariedade em Portugal podem ser vistas no site <a href="http://www.tanetimor.org/timorlivre.htm">Tane Timor</a>. <a href="http://home-and-garden.webshots.com/album/67455963IDsyBq">Maremargo</a> publica imagens da Espanha. Antonio José, do blog Uma Lulik, ilustrou e descreveu emocionado o que estava acontecendo em Lisboa, em solidariedade nunca antes vista nos dias <a href="http://umalulik.blogspot.com/2008/09/ainda-9-anos-depois-mas-em-portugal-7.html">7</a> e <a href="http://umalulik.blogspot.com/2008/09/dia-8-de-setembro-de-1999-os-3-minutos.html">8</a> [pt] de setembro de 1999:</p>
<blockquote><p>As sirenes dos bombeiros ouviram-se ininterruptas nesses 3 minutos… parámos por Timor-Leste como nunca parámos por mais nada… TODOS (…)<br />
Durante toda a tarde do cimo daquele prédio foram lançados constantemente papeis e papelinhos, rolos de papel higiénico, tudo o que vinha à mão era material para protesto. No final da tarde percebe-se que esse stock acabou pois eram as páginas amarelas que fluíam nessa altura… aquele ventinho sempre a ajudar e a depositar os protestos em plena embaixada dos EUA, nas árvores, no seu jardim e envolventes. No topo do prédio viam-se gente de gravata e camisa, a causa era a mesma…</p></blockquote>
<div id="attachment_91892" style="width: 310px;"><a href="http://www.flickr.com/photos/nopasaran/91543874/in/photostream/"><img title="USA Embassy in Lisbon - 8th September 1999" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/eua_help-300x191.jpg" alt="&quot;Civil non-obedience for Timor Loro Sa'e&quot; in front of UN Headquarters in Lisbon, Portugal, September 1999. Photo by Flickr user nopasaran, used with permission." width="300" height="191" /></a>&#8220;Não-obediência civil para Timor Loro Sa&#39;e&#8221; na frente da sede da ONU em Lisboa, Portugal, Setembro de 1999. Foto do usuário do Flickr <em>nopasaran</em>, usada com permissão.</div>
<p>Enquanto o East Timor Action Network (ETAN) colocava as pessoas nas ruas em setembro de 1999, <a href="http://www.etan.org/etan/1999anul.htm">a rede foi também capaz de contar com os telefonemas e cartas de mais de dez mil americanos </a></p>
<blockquote><p>ETAN grew during 1999, enlarging our membership from 8,500 to 11,700. […] Using our experience and national activist network developed through eight years of dedication to a cause many called hopeless, ETAN mobilized public and official pressure. […] In September, ETAN’s web site was visited by more than 40,000 people a week. […] During September, our most active staff and volunteers were featured or quoted in countless mainstream media articles and programs, reaching tens of millions. ETAN activists authored op-eds in major U.S. newspaper, wrote letters to the editor, and appeared on local and national radio and TV shows.</p></blockquote>
<div class="translation">A ETAN cresceu em 1999, ampliando de 8.500 para 11.700 participantes. [&#8230;] Usando a nossa experiência e a rede nacional de ativistas desenvolvida durante oito anos de dedicação a uma causa que muitos chamavam de infrutífera, a ETAN mobilizou a pressão da opinião pública e oficial. [&#8230;] Em setembro, o site da ETAN foi visitado por mais de 40.000 pessoas por semana. [&#8230;] Em setembro, os nossos funcionários mais ativos e voluntários foram destacados ou citados em inúmeros artigos e programas na grande imprensa, atingindo dezenas de milhões. Os ativistas da ETAN assinaram editoriais nos maiores jornais americanos, escreveram cartas ao editor e apareceram nas rádios locais e nacionais e em programas de TV.</div>
<div dir="ltr">Do outro lado do mundo, o momento decisivo para a intervenção internacional aconteceu na véspera da Cúpula da APEC na Nova Zelândia, quando Bill Clinton se reuniu com líderes do Pacífico em privado. Apenas alguns dias antes, ele havia anunciado a suspensão de treinamento militar entre os Estados Unidos e a Indonésia. Segundo o blogueiro Nigel Morley, <em><a href="http://nigel-morley-nigel.blogspot.com/2007/07/new-magellan-person-who-showed-world.html">Writing for the Future</a> </em>(Escrevendo para o Futuro, en):</div>
<blockquote><p>To some readers this may seem fanciful but when Timorese Nobel Peace Prize winner José Ramos-Horta met United States (U.S.) President Bill Clinton at the APEC meeting in New Zealand in 1999, Clinton remarked that Ramos-Horta had more influence with Congress than he did (Zubrycki: 2002).</p></blockquote>
<div class="translation">Para alguns leitores isso pode parecer fantasioso, mas quando o Prêmio Nobel da Paz timorense José Ramos-Horta encontrou o presidente dos Estados Unidos (EUA) Bill Clinton na reunião da APEC na Nova Zelândia em 1999, Clinton afirmou que Ramos-Horta tinha mais influência no Congresso do que ele próprio (Zubrycki: 2002).</div>
<p>A Nova Zelândia foi em massa dar as boas-vindas a Clinton, Ramos Horta e ao Primeiro Ministro australiano Howard. Os australianos também <a href="http://southmovement.alphalink.com.au/southnews/990910-timor.htm">“Foram as Ruas por Timor Leste”</a> [en].</p>
<div id="attachment_91487" style="width: 310px;"><a href="http://www.flickr.com/photos/potsy/2994804292/"><img title="east_timor_rally_by_pete_ottery" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/east_timor_rally_by_pete_ottery-300x199.jpg" alt="From Sidney, Australia, &quot;Mother &amp; Child&quot; photo by Flickr user Potsy, used with permission" width="300" height="199" /></a>De Sidney, Austrália, &#8220;Mãe e Filho&#8221; foto do usuário do Flickr Potsy, usada com permissão</div>
<blockquote><p>Banners saying “Stop The Slaughter” and “Wiranto - Murder.” Chants of “Free East Timor” and “Viva Timor Leste” (long live East Timor) came from the crowd after it heard from East Timorese resistance leader Mr Jose “Xanana” Gusmão during a live telephone hook-up from Jakarta.</p>
<p>“We need you, brothers and sisters of Australia, we need your voice,” Xanana Gusmao in Jakarta said by telephone, “I think it is important to send a message to the Indonesian Government that the Australian community and Australian workers will do everything they can to stop the killings. Viva East Timor,” he said. “Viva,” the crowd yelled back.</p></blockquote>
<div class="translation">Cartazes dizendo &#8220;Chega de Massacre&#8221; e &#8220;Wiranto [general das forças Armadas da Indonésia] - Assassino&#8221;.  Cantos de &#8220;Liberdade para Timor Leste&#8221; e &#8220;Viva Timor-Leste&#8221; vieram da multidão depois que se ouviu o líder da resistência timorense Sr. José &#8220;Xanana&#8221; Gusmão, durante uma ligação de telefone ao vivo de Jacarta.</p>
<p>&#8220;Nós precisamos de vocês, irmãos e irmãs da Austrália, precisamos da sua voz&#8221;, Xanana Gusmão, em Jacarta, disse por telefone: &#8220;Eu acho que é importante enviar uma mensagem ao governo indonésio de que a comunidade da Austrália e os trabalhadores australianos vão fazer tudo o que podem para parar a matança. Viva Timor Leste&#8221;, disse ele. &#8220;Viva&#8221;, a multidão gritou de volta.</p></div>
<div id="attachment_91492" style="width: 310px;"><a href="http://www.flickr.com/photos/shaondiwakar/2910743901/"><img title="Kingsgrove High School 1999 - Free Timor!" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/08/shaondiwakar-300x225.jpg" alt="Students from Kingsgrove High School pledge their support for a free Timor in 1999. Photo by Flickr user sHzaam!, used with permission" width="300" height="225" /></a></p>
<div id="result_box" dir="ltr">Alunos da Escola Secundária Kingsgrove prometem seu apoio a um Timor Leste livre, em 1999. Foto do usuário do Flickr sHzaam!, usada com permissão</div>
</div>
<p>Durante os tortuosos dias de setembro de 1999, os líderes do mundo se moveram lentamente para intervir em Timor Leste, quando ficou claro que o exército indonésio e os seus comparsas estavam destruindo completamente o território, e desencadeando uma crise humanitária de enormes proporções. Mas os protestos decisivos e grupos de defesa formados por cidadãos preocupados em todo o mundo envergonharam os Estados Unidos, a Austrália e a Indonésia até que essa página fosse virada na história de Timor Leste.</p>
<p>Uma década depois, é hora de celebrar essa união internacional. Vários <a href="http://www.etan.org/news/2009/08dili.htm">eventos</a> estão marcados para acontecer em Díli, como uma exibição fotográfica na Fundação Oriente (que foi por sua vez o lugar onde ocorreu um <a href="http://www.laohamutuk.org/Justice/99/09CarrascalaoMassacre.htm">massacre</a> em 1999) descrevendo os movimentos de solidariedade no decorrer dos anos.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/08/28/timor-leste-celebrando-a-solidariedade-global-pela-liberdade/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Colônia de AIDS do Camboja</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/08/19/colonia-de-aids-do-camboja/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/08/19/colonia-de-aids-do-camboja/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 19 Aug 2009 18:06:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Casaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cambodia]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[East Asia]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Governança]]></category>
		<category><![CDATA[Humanitário]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=3981</guid>
		<description><![CDATA[Vários grupos de direitos humanos acusaram o governo do Camboja de organizar uma verdadeira colônia de AIDS, quando reinstalou 40 famílias portadoras do HIV e AIDS para uma vila a 25 km de distância da cidade de Phnom Pehn.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/mong/">Mong Palatino</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/diegocasaes/'>Diego Casaes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/08/18/cambodia%E2%80%99s-aids-colony/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Vários grupos de direitos humanos acusaram o governo do Camboja de organizar uma <a href="http://ki-media.blogspot.com/2009/08/cambodia-pushes-aids-colony-far-from.html">verdadeira colônia de AIDS</a>, quando reinstalou 40 famílias portadoras do HIV e AIDS para uma vila a 25 km de distância da cidade de Phnom Pehn.</p>
<p>As famílias eram de <a href="http://khmernews.net/2009/07/people-living-with-hivaids-living-in-fear-of-forced-eviction-2/">Borei Keila</a>, em Phnom Penh. Elas foram <a href="http://ki-media.blogspot.com/2009/07/cambodian-government-accused-of.html">despejadas</a> de suas casas para ceder espaço a um plano de desenvolvimento urbano do governo. As famílias agora vivem na aldeia de Tuol Sambo.</p>
<p>Elas reclamam de sua situação na <a href="http://ki-media.blogspot.com/2009/08/cambodian-hiv-villages-draws.html">&#8220;aldeia da AIDS&#8221;</a>:</p>
<blockquote><p>With inadequate sanitation and no running water, the area is not a health sanctuary for HIV-infected patients, who require personal attention and care.</p>
<p>HIV-infected people living in the village say they have not received any official recognition of ownership rights nor government compensation for their old homes.</p></blockquote>
<div class="translation">Com saneamento inadequado e sem água corrente, a área não é um santuário saudável para pacientes infectados com HIV, que precisam de atenção e cuidado pessoais.</p>
<p>Pessoas infectadas com HIV que moram na aldeia dizem não ter recebido nenhum reconhecimento oficial de propriedade nem compensação dos governos pelas suas casas antigas.</p></div>
<p><em> Details are Sketchy</em> [Detalhes são Imprecisos, em Português] quer encontrar a <a href="http://detailsaresketchy.wordpress.com/2009/07/29/tuol-sambo-aids-colony/">autoridade responsável</a> por essa medida drástica:</p>
<blockquote><p>Who is responsible for this decision? The media should find out. And prosecutors should start preparing a case. Because it’s all but certain that at least one of those 40 HIV-positive people will die as a result of the move. That’s negligent homicide, at least, if not outright premeditated murder.</p></blockquote>
<div class="translation">Quem é o responsável por essa decisão? A mídia deve encontrar. E os promotores devem começar a preparar um caso. Porque é sabido que ao menos uma entre aquelas 40 pessoas soropositivas morrerão por consequência do despejo. Isso é, no mínimo, homicídio negligente, senão assassinato premeditado e aberto.</div>
<p>A Rede Global de Pessoas que vivem com HIV está pressionando o governo Cambojano em lidar com as <a href="http://ki-media.blogspot.com/2009/07/aids-colony-violates-rights.html">preocupações humanitárias</a> das famílias despejdas:</p>
<blockquote><p>* Cease moving HIV-affected families to the Tuol Sambo site;<br />
* Improve conditions at Tuol Sambo to meet minimum standards for adequate shelter, sanitation, and clean water;<br />
* Ensure full access to quality medical services, including antiretroviral treatment, treatment of opportunistic infections, primary health care and home-based care;<br />
* Work with relevant agencies and consult with the families already at Tuol Sambo to address immediate and long-term concerns regarding housing, health, safety, and employment, and reintegration into society in a manner that protects their rights and livelihoods; and<br />
* Employ a transparent and fair screening process to determine eligibility for on-site housing at Borei Keila, and allow eligible families to move in immediately. For those found ineligible, authorities should provide other adequate housing.</p></blockquote>
<div class="translation">* Cessar a mudança de famílias com HIV para Tuol Sambo;<br />
* Melhorar as condições de vida em Tuol Sambo a fim de alcançar os padrões mínimos adequados de abrigo, saneamento, e água tratada.<br />
* Garantir o total acesso a serviços médicos de qualidade, incluindo tratamento antiretroviral, tratamento de possíveis infecções, cuidados básicos de saúde e atendimento em domicílio;<br />
* Trabalhar com agências relevantes e consultar as famílias que já se encontram em Tuol Sambo para que visem cuidados imediatos e em longo prazo que se relacionem  com habitação, saúde, segurança, e empregabilidade, além da reintegração na sociedade de forma que se protejam seus direitos e subsistência; e<br />
* Empregar um processo de triagem justo e transparente para determinar a elegibilidade de um alojamento local em Borei Keila, e permitir a mudança de famílias elegíveis para o alojamento imediatamente. Para os não elegíveis à seleção, as autoridades devem prover outro alojamento adequado.</div>
<p>Escrevendo do <em><a href="http://globalhealth.change.org/blog/view/cambodias_aids_colony">Global Health</a></em> [Saúde Global, em Português], Alanna Shaikh reage à situação:</p>
<blockquote><p>To me, this looks like a classic example of treating people living with AIDS as though they are disposable. They&#39;re going to die anyway, goes the logic, so there is no reason to treat them well. But people with AIDS are still human beings, with rights and skills and the ability to live full lives. Treating as less than human benefits no one.</p></blockquote>
<div class="translation">Para mim, isso parece ser um dos exemplos clássicos de tratar as pessoas que vivem com AIDS como se fossem descartáveis. É a lógica do &#8220;eles vão morrer mesmo, então não há razão para tratá-los bem&#8221;. Entretanto, pessoas com AIDS ainda são seres humanos, com direitos, habilidades e dons para viver suas vidas ao máximo. Tratá-las como menos humanas não beneficia a ninguém.</div>
<p>Mais de <a href="http://www.hrw.org/node/84641">100 grupos locais e internacionais</a> escreveram ao Primeiro Ministro Hun Sene e ao Ministro da Saúde Mam Bunheng pressionando o último a prover um melhor tratamento para as famílias despejadas:</p>
<blockquote><p>The housing conditions at Tuol Sambo are grossly inadequate in terms of size, fire safety, and sanitation. Residents are crowded into poorly ventilated metal sheds that are baking hot in the daytime. There are no kitchens and no running water in the sheds, which are flanked by open sewers, and only one public well to service the evicted families.</p>
<p>While other homeless people from Phnom Penh are slated for relocation to brick houses at an adjacent site at Tuol Sambo, the HIV-affected families from Borei Keila have been placed in a separate settlement with inferior housing, distinguished by green corrugated metal roofing and walls. Even before the evictees were resettled there, local people referred to the green sheds as “the AIDS village.”</p>
<p>The living conditions at Tuol Sambo pose serious health risks, particularly to people with compromised immune systems. The risk to those people living with HIV can be life threatening. Residents report that the heat in the poorly ventilated metal sheds is so intense that they are usually unable to remain in their rooms during the afternoon and they are afraid that their ARV medication will deteriorate in the heat.</p></blockquote>
<div class="translation">As condições de habitação em Tuol Sambo são grosseiramente inadequadas em termos de tamanho, segurança contra incêndio, e saneamento. Os habitantes são alojados em barracas de metal lotadas pouco ventiladas e que durante o dia esquentam bastante. Não há cozinhas ou água corrente nas barracas, que são ladeadas por esgotos abertos, somente um poço público para servir as famílias despejadas.</p>
<p>Enquanto outros desabrigados de Phnom Penh são redirecionados para casas de tijolo em um local adjacente à Tuol Sambo, as famílias afetadas com HIV de Borei Keila foram abrigadas em um espaço separado com habitação inferior, e distintas por ter paredes e tetos de metal ondulado e de cor verde. Mesmo antes dos despejados terem sido colocados ali, a comunidade local se referia às casas de metal verde como &#8220;a aldeia da AIDS.&#8221;</p>
<p>As condições de vida em Tuol Sambo levam a sérios riscos de saúde, particularmente para pessoas com o sistema imunológico comprometido. O risco daquelas pessoas vivendo com HIV pode ameaçar suas vidas. Os habitantes relatam que o calor nas barracas de metal mal ventiladas é tão intenso que eles geralmente não conseguem permanecer em seus quartos durante a tarde e têm medo que o medicamento antiretroviral se deteriore com o calor.</p></div>
<p>A situação das famílias despejadas em seus antigos lares também não era boa, como visto neste vídeo feito por licadho, enviado ao <em><a href="http://hub.witness.org/en/upload/people-living-hivaids-await-eviction">The Hub</a></em> [A Central, em Português]:<br />
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="352" height="270" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://blip.tv/play/Af6QKojoaA" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="352" height="270" src="http://blip.tv/play/Af6QKojoaA" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/08/19/colonia-de-aids-do-camboja/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Colômbia: Mutirão humanitário recupera corpos de indígenas Awá</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/20/colombia-mutirao-humanitario-recupera-corpos-de-indigenas-awa/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/20/colombia-mutirao-humanitario-recupera-corpos-de-indigenas-awa/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 20 Apr 2009 22:59:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Maestre</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colombia]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra & Conflito]]></category>
		<category><![CDATA[Humanitário]]></category>
		<category><![CDATA[Indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[Spanish]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=2721</guid>
		<description><![CDATA[Um grupo com 470 indígenas colombianos participou de uma minga humanitária, que é uma missão coletiva por uma meta em comum, para recuperar os corpos de membros das comunidades indígenas Awá assassinados eplas FARC, que os acusaram de cooperar com o exército. O blog da Organização Nacional Indígena da Colômbia (ONIC) manteve atualizações regulares durante o progresso da minga, assim como a situação que levou à ação.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/julian-ortega/">Julián Ortega Martínez</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/carlosmaestre/'>Carlos Maestre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/04/08/colombia-humanitarian-minga-recovers-bodies-of-awa-indigenous/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="single" class="entry">
<p>No dia 23 de março de 2009, um grupo com 470 indígenas colombianos, a maioria das regiões Central e Sudoeste, <a href="http://www.onic.org.co/actualidad.shtml?x=35828">partiram</a> [es] de <a href="http://barbacoas-narino.gov.co/apc-aa-files/36613333633238316561376165636435/Comollegar.JPG">El Diviso</a> [es], uma cidade pequena (<em>corregimiento</em>) pertencente ao <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Barbacoas">município Barbacoas</a> [es] no departamento de Nariño. Era a &#8216;<em>minga</em> humanitária&#39; [mutirão típico em países da hispano-américa], uma missão que os indígenas levaram a cabo para <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2009/03/27/colombia-buscando-os-corpos-de-indigenas-assassinados/">resgatar os corpos</a> de seus companheiros da tribo Awá, <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/13/colombia-a-comunidade-indigena-awa-no-meio-da-guerrilha/">assassinados em fevereiro</a> pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) (que por sua vez <a href="http://anncol.eu/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=1835&amp;Itemid=9">admitiram</a> ter matado 8 indígenas, acusando-os de cooperar com o exército). Uma semana mais tarde, no dia 2 de abril, o grupo com cerca de 700 pessoas (incluindo alguns jornalistas da mídia doméstica, da alternativa e especialmente da estrangeira, o senador indígena Jesús Piñacué, e dois oficiais do Ministério Público [Defensoría del Pueblo]; e aproximadamente outras 300 que aderiram à marcha pelo percurso) voltaram a El Diviso, onde realizaram uma conferência pública. A <em>minga</em> conseguiu recuperar 8 corpos, entre eles, 5 do massacre de fevereiro.</p>
<h3>A jornada</h3>
<p>A Organização Nacional Indígena da Colômbia (ONIC), responsável por organizar a <em>minga</em> em parceria com a Unidade Indígena do Povoado Awá (UNIPA), publicou diariamente artigos sobre o mutirão em seu blog. No dia 25 de março, <a href="http://www.onic.org.co/actualidad.shtml?x=35831">ela publicou</a> [es] um relatório sobre a Assembléia Extraordinária das Autoridades Indígenas, realizada no final de semana anterior da <em>minga</em>, cuja discussão foi como [os Awá] acabaram ficando no meio do conflito armado interno colombiano:</p>
<blockquote><p>En esta región del país donde habitan cerca de 15.000 indígenas Awá la disputa por el control territorial por parte de los actores armados legales e ilegales y algunas estructuras del narcotráfico en medio de las comunidades indígenas ha puesto en riesgo la integridad física, cultural y territorial de los indígena[s]. Para la Asamblea [Extraordinaria de Autoridades Indígenas] esta disputa: “ha vulnerado nuestros derechos y nuestra autonomía, desconociéndonos como sujetos políticos y de derechos y nos consideran como estorbos tanto para el régimen de derecha como de izquierda por el hecho de defender nuestra madre tierra, nuestra autonomía y cosmovisión propia, por nuestra posición integral, amplia, clara, transparente en la insistencia por defender la vida”.</p></blockquote>
<div class="translation">Nesta região do país onde habitam cerca de 15.000 indígenas Awá, a disputa pelo controle territorial por parte do atores armados, legais e ilegais, e algumas estruturas do narcotráfico, no meio das comunidades indígenas, colocou em risco a integridade física, cultural e territorial dos indígena[s]. Para a Assembléia [Extraordinária das Autoridades Indígenas] esta disputa: &#8220;deixou vulneráveis os nossos direitos e a nossa autonomia, desconhecendo-nos como sujeitos políticos e de direitos e nos consideram como estorvos, tanto para o regime de direito, como o de esquerda, tudo por defender nossa terra mãe, nossa autonomia e cosmovisão prórpia, por nossa própria posição integral, ampla, clara, transparente na insistência para defender a vida&#8221;.</div>
<p>Também no dia 25 de março, a <em>minga</em> <a href="http://www.onic.org.co/actualidad.shtml?x=35848">encontrou</a> [es] uma cova com os corpos de Orlando Taicús (pai), James Taicús e Hugo Taicús (filhos), quem, de acordo com as autoridades indígenas e baseado na informação dada pela comunidade, foram assassinados pelas FARC em setembro de 2008. O <a href="http://www.onic.org.co/actualidad.shtml?x=35865">relatório de uma comissão investigativa da <em>minga</em></a> [es], divulgado no dia 2 de abril, menciona que uma garota menor de idade da mesma família teve a perna amputada depois de ser acertada pelo tiro de um rifle. O resto da família (&#8221;três viúvas e quatro crianças órfãs&#8221;) fora retiradas do território. Na publicação do dia 27 de março, os indígenas alegaram ter encontrado membros das forças de segurança pública dentro do território Awá, e exigiram que todos os grupos armados cessarem fogo contra a <em>minga</em>.</p>
<p>No dia 29 de março, a <em>minga</em> chegou ao lugar onde o massacre de fevereiro provavelmente ocorreu, a remota reserva (<em>resguardo</em>) de Tortugaña Telembí, e <a href="http://www.onic.org.co/actualidad.shtml?x=35853">encontrou</a> [es] quatro cadáveres, dois homens (um tinha 15 anos de idade) e duas mulheres grávidas, ambas com menos de 25 anos. O artigo afirma também que uma comissão de peritos do Ministério Público chegou à selva, guiada e protegida pela guarda indígena. Às crianças que morreram ainda no útero de suas mães, foram dados os nomes póstumos de Ñambí e Telembí, e <a href="http://www.onic.org.co/actualidad.shtml?x=35867">homenageadas</a> [es] pela <em>minga</em> no caminho de volta.</p>
<p>No dia seguinte, um corpo sujo foi encontrado nas proximidades, junto a provas da presença de grupos armados, como Sergio Vargas, do jornal alternativo <em>El Macarenazoo</em>, <a href="http://elmacarenazoo.es.tl/UN-%C9XITO-LA-MINGA-HUMANITARIA-AW%C1.htm">escreve</a> [es]:</p>
<blockquote><p>En el octavo día de Minga, lunes 30 de marzo, se desplazó la última comisión a una vereda cercana de El Volteadero, loma arriba. Allí, se encontró la octava tumba, se hizo el registro pertinente, pero, además, se hallaron pruebas de la presencia guerrillera: Trincheras construidas en el subsuelo y galones con estopines, aparentemente utilizados como bombas que funcionan con el mismo mecanismo de las minas quiebra patas, incluso se hallaban banderas blancas justo encima de donde estaban construidas las trincheras.</p>
<p>En el paso que utilizamos cerca de cuatro veces para desplazarnos de El Volteadero a El Bravo encontramos una mina que estaba desactivada, pero que fue acordonada por la seguridad de los mingueros. Estaba tapada con tierra, pero la salida de dos cables dio cuenta de que estuvimos al borde de una tragedia, no queríamos venir con más muertos. En ese mismo paso, se encontraba, al lado de la trocha, un laboratorio de procesamiento de cocaína. Desde la primera hasta la última vez que lo vimos hubo cambios sustanciales; al principio un plástico transparente lo recubría, pero ya al final éste se había caído, y varias canecas en su interior habían sido movidas. La Minga tenía prohibido pisar este tipo de terrenos, por lo cual es ilógico pensar que un miembro de la comisión humanitaria pudiera haber generado estos cambios, además integrantes de la guardia indígena aseguraron haber visto en sus inmediaciones dos guerrilleros armados ingresando al laboratorio.</p></blockquote>
<div class="translation">No oitavo dia da minga, segunda-feira, 30 de março, a última comissão se deslocou a um povoado próximo de El Volteadero, costa acima. Ali encontrou-se a oitava tumba, foi feito o registro pertinente, mas, além disso, foram encontradas provas da presença guerrilheira: trincheiras construídas no subsolo e galões com pavios, aparentemente utilizados como bombas, que funcionam com o mesmo mecanismo das minas terrestres; foram encontradas inclusive bandeiras brancas justo acima de onde estavam construídas as trincheiras.</p>
<p>No caminho que utilizamos uma quatro vezes para nos deslocar de El Volteadero a El Bravo, encontramos uma mina que estava desativada, mas foi fechada pela segurança dos participantes da minga. Esta tampada com terra, mas a ponta da fiação mostrou que estivemos perto de uma tragéria, não queríamos voltar com mais mortos. Nesse mesmo caminho encontrava-se, ao lado do acesso, um laboratório de processamento de cocaína. Desde a primeira até a última vez que o vimos teve mudanças substanciais; a princípio, um plástico trasparente o cobria, mas no final este já estava caído, e várias garrafas dentro dele tinham sido movidas. A Minga proibiu de pisar neste tipo de terreno, pelo qual é ilógico pensar que um membro da comissão humanitária pudesse ter gerado tais mudanças, além disso, integrantes da guarda indígena afirmaram ter visto dois guerrilheiros armados entrando no laboratório em seu arredores.</p></div>
<p>Vargas também ataca aos meios de comunicação em massa (chamando-os de &#8220;meios massivos de propaganda&#8221;) por terem &#8220;insultado a <em>minga</em>&#8221; ao alegar que os indígenas &#8220;estavam mortos de fome&#8221; e que o senador Piñacué foi uma das pessoas mais afetadas. Tudo por causa de dois helicópteros (um da Cruz Vermelha Colombiana e outro da agência de cooperação governamental da Ação Social) que tinham chegado à área carregando alimentos. De acordo com Vargas, a comida foi entregue ao povo indígena deslocado em El Diviso.</p>
<h3>O relatório da comissão investigativa</h3>
<p>Finalmente, a <em>minga</em> voltou para El Diviso e apresentou o relatório feito por uma comissão investigativa. Apesar de não ter encontrado todos os corpos (além dos 8 mortos assumidos pelas FARC, houve outros 3 assassinatos e mais 6 indígenas estão desaparecidos), a <em>minga</em> alegou que <a href="http://www.onic.org.co/actualidad.shtml?x=35864">realizou</a> [es] seu objetivo inicial, condenando as FARC &#8220;pela crueldade de decapitar, torturar, e assassinar nossos irmãos Awá&#8221;, incluindo duas mulheres grávidas e suas crianças, somando-se que as FARC estão cometendo crimes de guerra e crimes contra a humanidade. A <em>minga</em> também condenou outras forças armadas, assim como a guerrilha ELN, os esquadrões paramilitares, e Los Rastrojos — um bando narco-traficante —, &#8220;que abusam dos direitos humanos de nossas comunidades e fere a autonomia de nossas pessoas&#8221;. A comissão prosseguiu, dizendo que &#8220;qualquer ato de violência cometido por forças armadas, venham de onde for, serão condenados e denunciados por nossas organizações e [outras] organizações de direitos humanos&#8221;, demandando que os autores intelectuais e materiais do massacre sejam condenados. Também esclareceu que ao contrário do declarado por alguns meios de comunicação <a href="http://globalvoicesonline.org/2009/02/17/colombia-the-awa-indigenous-community-caught-in-the-middle/#comment-1554527">publicaram baseando-se nos relatórios do Exército</a>, &#8220;não havia corpos&#8221; com minas terrestres sobre eles.</p>
<p>O <a href="http://www.onic.org.co/actualidad.shtml?x=35865">relatório da comissão investigativa</a> [es] dá detalhes do que a <em>minga</em> encontrou durante sua jornada de 10 dias:</p>
<blockquote><p>En desarrollo del recorrido se logró llegar a la quebrada el Ojal, perteneciente a la comunidad el Bravo, encontrando allí, a las 12: 45 PM, el cuerpo sin vida de Omaira Arias Nastacuás, quien fuera brutalmente asesinada contando al momento de los hechos con 3 mese[s] de embarazo. Según los testimonios, este cuerpo padecía muestras de torturas practicadas por arma blanca.</p>
<p>(…)</p>
<p>En la misma avanzada en predios de la desembocadura de la quebrada el Ojal al rio Bravo se logró encontrar los cuerpos (sic) de Blanca Patricia Guanga Nastacuas con aproximadamente 18 años de edad, quien en el momento de los hechos contara con 7 meses de embarazo. Se evidenció que su vientre fue abierto con arma blanca, extrayéndole el bebe. No logrando encontrar el cuerpo del bebe.</p>
<p>Al lado se encontró el cadáver de Robinson Cuasalusan, quien padeciera las mismas formas de torturas. Dedos amputados y degollado su cuello.</p></blockquote>
<div class="translation">No desenrolar [da minga] conseguimos chegar à desembocadura de Ojal, pertencente à comunidade de El Bravo, encontrando ali, às 12:45 PM, o corpo sem vida de Omaira Arias Nastacuás, quem foi brutalmente assassinada aos 3 meses de gravidez. Segundo testemunhas, o corpo tinha indícios de torturas praticadas por arma branca.</p>
<p>(…)</p>
<p>Na mesma investida, próximo à desembocadura de el Ojal com o rio Bravo, conseguimos encontrar os corpos (sic) de Blanca Patricia Guanga Nastacuas com aproximadamente 18 anos de idade, grávida de 7 meses. Ficou evidente que seu ventre foi aberto com uma arma branca, sacando o bebê. Não foi possível encontrar o corpo da criança.</p>
<p>Ao seu lado, foi encontrado o cadáver de Robinson Cuasalusan, quem sofreu as mesmas torturas. Dedos amputados e degolado pelo seu pescoço.</p></div>
<blockquote><p>La comisión denuncia la orden que dio la FARC a los pobladores de no tocar ni dar información sobre los cuerpos ni sobre lo sucedido so pena de muerte.</p>
<p>Para esta comisión es de claro conocimiento que los argumentos que las FARC, presenten como actos justificatorios, es una farsa, pues las comunidades indígenas de Tortugaña, no son colaboradores ni sapos del Ejercito, por el contrario son comunidades que se encuentra aterrorizadas por los constantes combates que se han venido desarrollando en esa parte del territorio indígena Awá.</p>
<p>Por último esta comisión concluye, que antes de ocurrir los hechos el Ejercito Nacional si estuvo, en las viviendas de las víctimas instando a los comuneros participar en su lucha contra la insurgencia.</p>
<p>Expuestas las anteriores consideraciones, queda claro que por un lado el territorio Awá de Tortugaña es un cementerio colectivo y que es la Minga Humanitaria la que logra destapar ese escenario de impunidad que se venía gestando en este territorio por causa del temor de sus pobladores.</p></blockquote>
<div class="translation">A comissão denuncia a ordem dada pelas Farc para que os moradores para não tocar e nem dar informações sobre os corpos e sobre o que aconteceu sob pena de morte.</p>
<p>Para esta comissão, é de claro conhecimento que os argumentos das FARC, apresentados como atos justificatórios, são uma farsa, porque as comunidades indígenas de Tortugaña não são colaboradoras do Exército nem informantes, pelo contrário, são comunidades que estão aterrorizadas pelas constantes batalhas que têm se desenvolvidao em parte do território indígena Awá.</p>
<p>Finalmente, o comitê concluiu que, antes de acontecerem os feitos, o Exército Nacional esteve, sim, nas casas das vítimas para instar a comunidade a participar na sua luta contra a insurgência.</p>
<p>Expostas as declarações acima, fica vidente que por um do lado o território Awá de Tortugaña é um cemitério coletivo e que a Minga Humanitária é quem consegue trazer à tona este cenário de impunidade gestado no território por causa do medo de seus moradores.</p></div>
<p>A <em>minga</em> alega ter conseguido fazer o que algumas instituições do Estado não conseguiram, tornando evidente que &#8220;muitos dos argumentos oficiais do governo são falsos e faltavam com a verdade política e desejo moral para resgatar os corpos e intervir nos problemas sociais do povo Awá&#8221;.</p>
<p>De acordo com a <a href="http://www.defensoria.org.co/red/?_item=0303&amp;_secc=03&amp;ts=2&amp;n=1390">nota de imprensa</a> [es] do Ministério Público, três dos corpos encontrados foram movidos pela comissão de peritos do Ministério Público para o porto de Tumaco, enquanto as coordenadas dos cinco restantes foram gravadas por oficiais para que o time de peritos técnicos do Procurador Geral desenterrem os cadáveres.</p>
<p>Caruri <a href="http://caruri.wordpress.com/2009/04/02/se-hicieron-los-locos/">concorda</a> [es] com as conclusões da <em>minga</em> a respeito do governo:</p>
<blockquote><p>En dos meses las autoridades colombianas no fueron capaces —ni tuveron siquiera la intención— de buscar esos muertos. Porque no eran suyos, no eran “de los suyos”, no eran importantes, no generaban retribuciones políticas, no daban votos.<br />
Qué lástima. Qué vergüenza!</p></blockquote>
<div class="translation">Em dois meses as autoridades colombianas não foram capazes - nem tiveram sequer a intenção - de buscar esses mortos. Porque não eram seus, não eram &#8220;dos seus&#8221;, não eram importante, não geravam retribuições políticas, não davam votos.<br />
Que pena. Que vergonha!</div>
<p>No domingo, a ONIC <a href="http://www.onic.org.co/actualidad.shtml?x=35868">relatou e denunciou</a> [es] a morte de Hermes Nastacuás, outro indígena Awá que pisou em uma mina terrestre colocada pelas FARC. Seus três filhos pequenos, que estavam andando com ele, ficaram feridos. As minas terrestres ficam na mesma área que a <em>minga</em> humanitária esteve dias antes. Esta notícia do crime ecoou pela <a href="http://www.elespectador.com/node/134164/">agência de notícias EFE</a> [es] e outros meios de comunicação locais.</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/20/colombia-mutirao-humanitario-recupera-corpos-de-indigenas-awa/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Argentina: Um muro separando duas vizinhanças em Buenos Aires</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/19/argentina-um-muro-separando-duas-vizinhancas-em-buenos-aires/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/19/argentina-um-muro-separando-duas-vizinhancas-em-buenos-aires/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 19 Apr 2009 16:43:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiana Biondo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Argentina]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Governança]]></category>
		<category><![CDATA[Humanitário]]></category>
		<category><![CDATA[Portuguese]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=2758</guid>
		<description><![CDATA[Um muro construído entre duas vinhanças no Norte de Buenos Aires, deixa moradores e bloggers pensando se essa foi a melhor maneira para combater a criminalidade, ou se é apenas uma maneira em separar pessoas de diferentes classes sociais.  No entanto, em pesquisa feita por um jornal local, a maioria das pessoas apoiam o muro, devido ao problema de Segurança que eles enfrentam. O muro foi derrubado por aqueles contrários a idéia, deixando pouco para mostrar do que foi investido com verba pública. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/jorge-gobbi/">Jorge Gobbi</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/thiana-biondo/'>Thiana Biondo</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/04/12/argentina-a-wall-separating-two-neighborhoods-in-buenos-aires/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>O <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/San_Isidro,_Buenos_Aires">condado argentino de San Isidro</a>, localizado na parte norte da Grande Buenos Aires iniciou a construção de um muro cobrindo uma área total de 16 blocos e medindo 3 metros de altura, criando uma barreira com a localidade vizinha de San Fernando. De acordo com as autoridades de San Isidro, a razão por trás do muro é a de trazer mais segurança para a população, a qual afirma estar sendo roubada por pessoas que depois correm para o distrito vizinho.</p>
<p>O início da construção provocou várias reações de protestos, e grupos de pessoas da cidade vizinha derrubaram o muro e destruíram muitos dos blocos de concreto que estavam para ser usados. A construção foi defendida pelo prefeito de San Isidro, Gustavo Posse, depois de muitas críticas terem aparecido na mídia. Até a presidente da Argentina, Cristina Fernandez de Kirchner, falou sobre o assunto: &#8220;O muro é uma involução. Estou surpresa, é uma medida separatista. Ao invés de separar, nós devemos construir&#8221;.</p>
<p>De acordo com <a href="http://www.econoblog.com.ar/1021/muro-separa-san-fernando-de-san-isidro-por-la-inseguridad/"><em>Econoblog [es]</em></a>, a requisição para construir o muro &#8220;foi feita pelos vizinhos de La Horqueta para parar os ladrões&#8221;, e que &#8220;o muro irá impedir as pessoas da vizinhança de Villa Jardin de atravessar as ruas em direção da vizinhança de La Horqueta&#8221;. A localização é uma das mais caras de San Isidro.</p>
<p>O <a href="http://www.sietecrisantemos.com.ar/2009/04/09/muro-entre-san-isidro-y-san-fransico-%C2%BFque-esta-pasando/"><em>Siete Crisantemos [es]</em></a> , analisa pesquisa feita no jornal La Nacion, onde a maioria dos votos apoiam a construção do muro, acrescentando:</p>
<blockquote><p>Yo no vivo ni en San Isidro ni en San Fernando, y no puedo decir que tan insegura es esa zona en particular; pero ya con lo que es Capital Federal me doy una idea. Sin embargo me parece vergonzoso plantear como solución un muro que en realidad no terminaría de resolver nada, como tampoco lo haría la pena de muerte, pero ese ya es otro tema. Cada vez más escucho en todos lados que este tipo de soluciones son las que realmente podrían ser efectivas, y que ese sea el pensamiento de la mayoría realmente me resulta triste.</p></blockquote>
<div class="translation">Eu não vivo nem em San Isidro nem em San Fernando, e não posso dizer quão inseguras são estas áreas em particular; mas já da Capital Federal (Buenos Aires), eu tenho uma idéia. Contudo, me parece vergonhoso considerar como solução um muro que na verdade acabaria não resolvendo nada, assim como não resolveria nada a pena de morte, mas este já é outro problema. Cada vez mais escuto em todos os lugares que estes tipos de soluções são as que realmente poderiam ser efetivas, e que este seja o pensamento da maioria realmente me deixa triste.</div>
<p>No blogue <em><a href="http://noralicia.blogspot.com/2009/04/es-cisjordanianoooo-es-san-isidro.html">La Runfla [es]</a></em>, eles declaram com ironia que não estamos falando sobre o Muro da Cisjordânia, na Palestina, mas sobre duas localidades em Buenos Aires. No <a href="http://www.listao.com.ar/2009/04/gustavo-posse-copio-micky-vainilla.html"><em>Listao [es]</em></a>, eles fazem piada sobre o prefeito Posse, dizendo que ele copiou as idéias de Micky Vanilla, uma personagem humorística interpretada pelo ator argentino Diego Capusotto, que “faz pop music apenas por diversão” e nesse sentido disfarça o conteúdo racista das letras dele. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=XfxaH05e9O8#t=3m31s”">Vídeo de Micky Vanilla, com legendas em inglês</a></p>
<p>Finalmente, o blog do jornal Clarín <a href="http://blogs.clarin.com/que-parezca-un-accidente/2009/4/9/-no-ven-gente-cuida-en-este-pais-aprendemos-mas-"><em>Que Parezca un Accidente [es]</em></a> relata que o que os vizinhos contrários a derrubada do muro deixaram para trás foi apenas um projeto que desperdiçou importantes verbas públicas, e Alex Piedo sarcasticamente escreve:</p>
<blockquote><p>”Ahí lo tienen. Una simpática construcción, un muro cuyo único fin era mostrar al resto del mundo y sus alrededores, la capacidad y habilidad de los constructores de San Isidro, destruído, derribado, demolido inmediatamente por la desidia de aquellos que se oponen al progreso y al engrandecimiento de la Argentina toda. Un montón de dinero tirado a la basura por la mano de aquellos que se oponen al desafiante reto de la Argentina potencia.</p></blockquote>
<div class="translation">Aí você tem. Uma construção simpática, um muro cujo único objetivo era mostrar para o resto do mundo ao redor a capacidade e habilidade de contrução dos trabalhadores de San Isidro, e que agora foi destruído, derrubado e demolido pela falta de cuidado daqueles contrários ao progresso e ao crescimento de toda Argentina. Muito dinheiro foi jogado no lixo por aqueles que se oponhem ao desafio de fazer da Argentina uma potência.</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/19/argentina-um-muro-separando-duas-vizinhancas-em-buenos-aires/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Brasil: Escritores e poetas indígenas na blogosfera</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/14/trilogia-indigena-2-escritores-e-poetas-indigenas-na-blogosfera/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/14/trilogia-indigena-2-escritores-e-poetas-indigenas-na-blogosfera/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2009 19:36:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Deborah Goldemberg</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Arte & Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Brazil]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Humanitário]]></category>
		<category><![CDATA[Indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
		<category><![CDATA[TYPE]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=2612</guid>
		<description><![CDATA[Literatura e poesia são os assuntos principais deste segundo artigo da trilogia que lança alguma luz sobre a blogosfera indígena brasileira. O assunto é controverso, com muitas pessoas afirmando que a idéia de uma literatura indígena é importada das tradições ocidentais. Contudo, há índios no Brasil que se auto-donominam poetas, escritores -- e blogueiros.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/deborah-goldemberg/">Deborah Icamiaba</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/deborah-icamiaba/'>Deborah Goldemberg</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/04/14/brazil-indian-writers-and-poets-on-the-blogsphere/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Há dentre os índios blogueiros do Brasil um grupo especial de escritora e poetas indígenas. Apesar de alguns antropólogos e lingüistas desacreditarem da noção de literatura indígena, traçando a origem deste conceito à cultura ocidental, particularmente a partir de Aristóteles, alguns índios brasileiros de origem ameríndia, apesar de também mestiça, se auto-declara como escritores da literatura indígena. Não só isso, mas estão publicando livros, tendo suas obras traduzidas para diversas línguas e blogando muito!</p>
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 210px"><img src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/04/daniel_munduruku1.jpg" alt="Foto de Daniel Munduruku" width="200" /><p class="wp-caption-text">Foto de Daniel Munduruku</p></div>
<p>O maior expoente desde movimento de literatura indígena é <a href="http://danielmunduruku.blogspot.com">Daniel Munduruku</a>, escritor indígena originário da Amazônia e residente em São Paulo, com mais de 30 livros publicados e diretor do <a href="www.inbrapi.org.br">Inbrapi</a>, entidade criada em 2001 com o objetivo de defender os conhecimentos tradicionais indígenas da biopirataria e exploração por terceiros. Daniel tem um <a href="http://www.danielmunduruku.com.br/">website</a> bilíngüe dedicado ao seu trabalho literário, na maior parte infanto-juvenil, mas no seu blog ele aproveita para chamar atenção para notícias importantes para os povos indígenas e apoiar causas que o inspiram. Por exemplo, neste Dia Internacional da Mulher, Daniel fez uma <a href="http://danielmunduruku.blogspot.com/2009/03/dia-internacional-da-mulher.html">bela declamação em prosa</a> para as companheiras:</p>
<blockquote><p>Penso compulsivamente nas mulheres. Não se trata de um olhar desejoso, mas corajoso.<br />
Corajoso porque, confesso, morro de inveja delas: da coragem, da obstinação, da intuição, do olhar sempre distante e sempre presente; da fortaleza e da fraqueza que revelam.<br />
Sei que poderão pensar que isso é humano, presente em homens e mulheres. Eu discordo. Conheço o masculino, convivo com ele em mim e sei que por mais esforço que faça percebo um lobo faminto, sem escrúpulos e sem medida.<br />
Acho que o homem masculino devia ouvir mais as mulheres. É claro eu alguns dirão que elas falam demais. Isso também é justo e certo, mas talvez falem muito por terem sido ouvidas tão pouco em passado recente e terem, por isso, que gritar para se fazerem ouvidas. Por isso tenho a impressão que nós homens, precisamos exercitar o sagrado direito de fazer silêncio, ouvir, ouvir e ouvir.<br />
Outros oponentes dessa teoria dirão que, assim, viraremos mulheres. Rebato o argumento dizendo: é disso que estou falando!<br />
Ao menos hoje temos que calar para deixar nossa intuição falar. E minha intuição diz que preciso sentir a dor do outro pra compreendê- lo em sua dimensão humana.<br />
Hoje quero ficar assim, miudinho, pequenininho, quietinho só para ver a magnitude do ser - mulher falar coisas que preciso ouvir.</p></blockquote>
<p>Falando em mulheres, o movimento da literatura indígena é magnificamente bem representado por Eliane Potiguara, escritora, professora e ativista indígena que em 2005 foi indicada para o Prêmio Nobel da Paz (Projeto Mil Mulheres do Mundo). Eliane, cuja origem é paraibana mas vive no Rio de Janeiro, tem um <a href="http://www.elianepotiguara.org.br/">website</a> próprio, aonde divulga sua obra literária, mas também mantém o <a href="http://blog.elianepotiguara.org.br/">blog</a> como parte de seu trabalho na rede <a href="http://www.grumin.org.br/">GRUMIN de Mulheres Indígenas</a>, da qual é fundadora e coordenadora. O blog é um instrumento de comunicação para as mulheres indígenas e traz um misto de literatura, oportunidades e chama atenção para episódios relevantes da luta das mulheres indígenas.</p>
<p>Recentemente, Eliane postou um <a href="http://blog.elianepotiguara.org.br/2008/12/03/vitoria-regia-aflorada-uma-flifloresta-em-flor-nos-proximos-tempos/">belo texto sobre a literatura dos excluídos</a> que expôs em um evento:</p>
<blockquote><p>A literatura dos excluídos ainda é uma pele de Boto que foi destruído ao longo dos séculos e que está esquecido e abandonado no fundo dos rios a precisar renascer_ ardentemente_ com a força da alma da natureza e humana. Mas essa natureza está envolta nas amarras dos séculos de dor, do obscurantismo, dos grandes enigmas e contradições da própria existência, do divino e do amor. A literatura ainda é um segmento cultural e político que não consegue chegar na totalidade das camadas menos privilegiadas social e economicamente do Brasil e do mundo.</p>
<p>Esse Boto Literário precisa ser salpicado com as lágrimas emocionadas da Natureza, muitas desvairadas lágrimas. Aí sim, essas feridas do mundo­_ que as mulheres indígenas as eternizaram com seus beijos de cura, bálsamos históricos, histórias não contadas e adormecidas no fundo do rio ou dos oceanos, essas sim, _ serão eternamente curadas, assim como o Boto literário.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 223px;"><img title="Eliane Potiguara" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/04/livro-eliane.jpg" alt="O mais recente livro de Eliane Potiguara" width="213" height="307" /></p>
<p class="wp-caption-text">O mais recente livro publicado por Eliane Potiguara</p>
</div>
</blockquote>
<p>Outro escritor indígena muito atuante é <a href="http://oliviojekupe.blogspot.com/">Olivio Jekupe </a>que tem uma trajetória de vida incrível, tendo superado diversos obstáculos para conseguir cursar filosofia e firmar-se como escritor que hoje é, com diversos livros publicados e traduções para o italiano. Olivio traz fortemente a questão de sua origem mestiça, o que é a realidade de muitos índios brasileiros:</p>
<blockquote><p>O mestiço é o mais discriminado nesse país, pois tanto eu quanto muitos no Brasil sofrem. Sei que sou mestiço e não tenho culpa de ser, e a miscigenação existe desde a chegada dos portugueses, não sou o primeiro índio não puro e não serei o último. Mesmo não sendo índio puro, quero dizer que tenho orgulho de ser o que sou e não podemos ter vergonha, meso que a sociedade nos discriminem.</p></blockquote>
<p>No seu blog, Olívio traz matérias sobre sua literatura indígena, por exemplo, a interessante <a href="http://oliviojekupe.blogspot.com/2009/01/o-saci-indio.html">história da origem indigena do Saci</a>, personagem do <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/11/01/assombracoes-e-lendas-brasileiras-na-lusosfera-parte-3/">folclore brasileiro</a> consagrado por Monteiro Lobato como um negro perneta, e informa que o verdadeiro Saci tem duas pernas!</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 462px"><a href="http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Saci_perere.jpg"><img src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/04/saci_perere.jpg" alt="Imagem do Saci Pererê de Monteiro Lobato. Imagem de André Koehne sob licença do Creative Commons" width="452" height="1234" /></a><p class="wp-caption-text">Imagem do Saci Pererê de Monteiro Lobato. Imagem de André Koehne sob licença do Creative Commons</p></div>
<blockquote><p>Não sei se já ouviram falar que o Saci na verdade é um personagem indígena e que tem duas pernas, é provável que não ouviram ainda, pois eu fui o primeiro que escreveu dois livros que fala sobre esse personagem, tenho dois livros com o título - Ajuda do Saci, da Editora DCL, e o outro que se chama - O Saci Verdadeiro, da Editora UEL. Nos meus livros eu tento mostrar que o personagem tem duas pernas e é um índio, diferente da visão de Monteiro Lobato.<br />
E sei que já tem documentários sobre esse tema, e muitas matérias que falei para jornalistas, e até teses de mestrado sobre o tema, como fez a escritora Graça Graúna onde ela fala do meu livro, O Saci Verdadeiro.<br />
É importante que todos possam conhecer esse personagem onde tento mostrar o que nas Aldeias Guarani é comum ouvir sobre ele.<br />
Sei que um dia minhas histórias serão tão conhecida que serei convidado para dar palestras em vários cantos do Brasil, de Norte a Sul do Brasil.</p></blockquote>
<p>Olívio menciona <a href="http://ggrauna.blogspot.com/ ">Graça Graúna </a>que é outra escritora indígena, poetisa, da região Nordeste do Brasil, de origem do Rio Grande do Norte mas residente em Pernambuco, tão ativa na vida quanto na blogsfera. Seu blog é premiado, muito visitado e traz um misto de notícias sobre literatura indígena e maravilhosos trechos de sua poesia. Dentre tantas, colhi uma <a href="http://ggrauna.blogspot.com/2009/03/tempo-de-poesia.html">poesia</a> para vocês saborearem, que é também flor:</p>
<blockquote><p>aos poetas Carlos e Sônia Brandão</p>
<p>&#8230; que Ñanderu* acolha<br />
as pedras da nossa canção.<br />
Que seja pedra enquanto leveza<br />
o sinal: sem poesia os tempos não existirão<br />
Graça Graúna, Nordeste do Brasil, 12 de março de 2009.</p>
<p>* Ñanderu em guarani, significa Nosso Pai; o Grande Espírito, o Criador.</p></blockquote>
<p>Para quem quiser conhecer mais sobre literatura indígena, vale visitar o <a href="http://escritoresindigenas.blogspot.com/">blog do NEARIN</a>, Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas do <a href="http://www.rodadehistoriasindigenas.com.br/parcerias_inbrapi.htm">INBRAPI</a>. O blog é organizado com o objetivo de oferecer um espaço para o debate de idéias em torno da literatura e arte indígena. Traz uma diversidade de notícias sobre o tema, relatando eventos ocorridos em várias partes do país e também uma lista de autores e livros de literatura indígena. Para quem estiver em São Paulo neste dia 19 de Abril, Dia do Índio, vale a pena conferir o I Sarau das Poéticas Indígenas, na Casa das Rosas, Av. Paulista, 37, a partir de 15 hs.</p>
<p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;">
<p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/04/convite20virtual_indios1.jpg"><img class="size-full wp-image-2655 aligncenter" title="convite20virtual_indios1" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/04/convite20virtual_indios1.jpg" alt="convite20virtual_indios1" width="483" height="288" /></a></p>
<h5 style="text-align: center;">Convite para o I Sarau das Poéticas Indígenas.</h5>
<p>Ao final deste fascinante tour à volta da blogosfera indígena brasileira, vale perguntar: Resta alguma dúvida a respeito da existência de uma literatura indígena legítima no Brasil?</p>
<p>No primeiro artigo desta série, <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/14/brasil-cultura-poesia-e-direitos-indigenas-na-blogosfera/">nós introduzimos a blogosfera indígena brasileira</a>. No próximo, vocês irão descobrir como os povos indígenas brasileiros vem usando a blogosfera para lutar por seus direitos.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/14/trilogia-indigena-2-escritores-e-poetas-indigenas-na-blogosfera/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>22</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Sudão: Sobrevivendo sem a ajuda das ONGs</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/02/sudao-sobrevivendo-sem-a-ajuda-das-ongs/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/02/sudao-sobrevivendo-sem-a-ajuda-das-ongs/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 02 Apr 2009 19:40:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gabrielborges</dc:creator>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Diáspora]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Humanitário]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
		<category><![CDATA[Refugiados]]></category>
		<category><![CDATA[Sudan]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=2351</guid>
		<description><![CDATA[No dia 4 de Março, o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu ordem de prisão contra o presidente do Sudão, Omar Hassan Ahmad al-Bashir. Em represália, no dia 5 treze ONG's foram expulsas do país, chegando a 16 após uma semana. Como consequência inúmeros projetos foram paralisados: o abastecimento de água potável, distribuição de alimentos e tratamento médico e o sistema de estudo entre outros.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/gabriel-borges/">Gabriel Borges</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/gabrielborges/'>gabrielborges</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/04/02/sudan-surviving-without-the-help-of-ngos/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>No dia 4 de Março, o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu ordem de prisão contra o presidente do Sudão, Omar Hassan Ahmad al-Bashir. Em represália, no dia 5 treze ONG&#39;s foram expulsas do país, chegando a 16 após uma semana. Como consequência inúmeros projetos foram paralisados: o abastecimento de água potável, distribuição de alimentos e tratamento médico e o sistema de estudo entre outros.</p>
<p>Com isso, muitos sudaneses foram forçados a deixarem o país em busca de refúgio. <a href="http://victorangelo.blogs.sapo.pt/97560.html" target="_blank">Victor Angelo</a> esteve no campo  de Goz Beida, localizado a 200 quilómetros a Sudeste de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ab%C3%A9ch%C3%A9">Abéché</a> no Chade, e de lá ele manda algumas fotos e relata os ataques dos “homens cavalaos”, milícia paga pelo governo Sudanês.</p>
<blockquote><p><a href="http://victorangelo.blogs.sapo.pt/97560.html"><img class="alignnone size-full wp-image-2373" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/3357615246_98e092967c2.jpg" alt="" width="450" height="338" /></a></p>
<p>Ouvir atentamente. Refugiado sudanês com quem me encontrei hoje em Goz Beida, 200 quilómetros a Sudeste de Abeche, durante a visita que Bernard Kouchner, Alain Le Roy  e eu fizemos &#8216;a localidade.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-2385" title="3357635154_ecd2f00f7f" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/3357635154_ecd2f00f7f.jpg" alt="3357635154_ecd2f00f7f" width="500" height="375" /></p>
<p>As consequências da expulsão de 13 ONGs do Sudão sobre os parentes destes homens foi um dos temas que mais preocupou a assembleia. Que vai acontecer aos familiares que ainda se encontram no Darfur e que dependiam das ONGs humanitárias no que respeita a necessidades básicas, como água, alimentação , saúde e escolas?</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-2386" title="3356923733_2d24e0f2be" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/3356923733_2d24e0f2be.jpg" alt="3356923733_2d24e0f2be" width="500" height="375" /><br />
A sina do Presidente Al-Bashir atraiu as atenções de todos. Os refugiados apoiam freneticamente a decisão do Tribunal Penal Internacional.<br />
<img class="aligncenter size-full wp-image-2387" title="3357749284_ebd09c0154-1" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/3357749284_ebd09c0154-1.jpg" alt="3357749284_ebd09c0154-1" width="500" height="375" />Vítima de ataque dos cavaleiros Jenjawid, aliados armados e organizados sob a forma de milícias, do Presidente do Sudão. Certos Jenjawid, palavra local que inicialmente queria dizer &#8220;homem a cavalo&#8221;, tornaram-se os principais actores dos crimes de guerra.</p></blockquote>
<p>A região de Abeche era atendida pelos <a href="http://www.msf.org/" target="_blank">Médicos sem Fronteiras</a> [en], que apesar de ser uma Ong muito conhecida foi uma das expulsas do Sudão. Entre os trabalhos realizados, talvez seja os campos de refugiados os locais mais sensíveis onde eles atuavam. Em Kalma, situado ao sul da região de Darfur, o campo de 6 quilômetros quadrados mantém 100 mil pessoas, vivendo em &#8220;casas&#8221; de madeira, plástico e tudo que pode ser usado com proteção contra as altas temperaturas durante o dia e as baixas temperaturas da noite.</p>
<p>No campo de Kalma, o MSF mantinham uma unidade de saúde básica, uma de saúde para a mulher e um departamento de consultas, onde atendiam diariamente (segunda a segunda) entre 200 e 300 pacientes nos departamento de saúde básica e consulta e mais 200 mulheres na unidade de saúde feminina. A equipe era formada por especialistas expatriados (estrangeiros) e sudaneses, destes apenas os funcionários sudaneses continuam o trabalho, mas segundo Lydia Geirsdottir, ex coordenadora do campo, &#8220;aqueles que ficaram não estão qualificados para atenderem a casos mais graves, além de terem um escasso material, que em breve irá acabar&#8221;. <a href="http://cintiarojo.blogspot.com/2009/03/um-absurdo-em-proporcoes-gigantescas.html">Cíntia Rojo</a>, que ficou sabendo da notícia através do site da ONG, comenta:</p>
<blockquote><p>Darfur concentra a crise humanitária de maior proporção na atualidade. Ou seja, um lugar onde vida e morte são separadas por uma tênue divisa. Desnutrição, doenças, violência.  Os conflitos em Darfur se tornaram quase que crônicos e, como tudo que se prolonga, acabou caindo no &#8220;esquecimento&#8221; da comunidade internacional. A saída dessas ONG´s acarretou consequências graves para a população sudanesa pois grande parte dos projetos sociais vigentes na região eram patrocinados por essas entidades.</p></blockquote>
<p><a href="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/map.jpg"><img class="size-medium wp-image-2372 alignleft" title="map" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/map-300x210.jpg" alt="map" width="300" height="210" /></a><a href="http://http://www.reliefweb.int/rw/fullMaps_Af.nsf/luFullMap/B44BF94CB0B449208525757C006F8AB0/$File/SS-2009-SDN_0311.jpg?OpenElement"><br />
</a></p>
<p><span style="color: #ff0000;"><span style="color: #000000;">Ao lado, infográfico da região de Darfur do dia 5 de março, com descrição da faixa da população afetada pela expulsão das ong&#39;s, 4.7 milhões, centros populacionais atendidos pelas Ong&#39;s, e as 13 Ong&#39;s expulsas: Action Contre la Faim; Solidarité; Save the Children (UK and US) Médicos sem Fronteiras (NL&amp;FR);  CARE Internationa; Oxfam; Mercy Corps; International Rescue Committee; Norwegian Refugee Council; CHF e PADCO. Material distribuido pela <a href="http://www.reliefweb.int" target="_blank">ReliefWeb</a>. Clique para ampliar.</span><br />
</span></p>
<p>A <a href="www.savethechildren.org/" target="_blank">Save the Children</a> [en] é outra que também atuava no Sudão há mais de 20 anos e há 6 trabalhava com refugiados de guerra na região de Darfur e Kordofan Sul, região onde no ano de 2008 houve o regresso de mais de 50.000 adultos e crianças, onde se mantinha um trabalho emergencial. Segundo <a href="http://www.savethechildren.org/newsroom/2009/sudan-suspends.html">Charles MacCormack</a> [en], presidente da ong, a retirada dela &#8220;terá graves consequências para os mais de 1 milhão de crianças e famílias que a agência vinha apoiando em Darfur Ocidental, Kordofan do Norte, do Sul e Mar Vermelho Kordofan Estados e comunidades em Abyei e perto de Cartum&#8221;.</p>
<p>Entre outros projetos a Save the Children cuidava da distribuição de alimentos (3.583 Toneladas de alimentos em 44 localidades), água e saneamento (448 pontos de água e 177 bombas de água que atendem cerca de 201.500 pessoas) Saúde Primária, agricultura, além da construção e formação de professores.</p>
<p><a href="http://victorangelo.blogs.sapo.pt/97560.html"><img class="alignnone size-full wp-image-2374" title="Refugiadas" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/3339459648_257f7bc3561.jpg" alt="Refugiadas" width="500" height="375" /></a></p>
<h5 style="text-align: center;">(Refugiadas - Foto de  <a href="http://victorangelo.blogs.sapo.pt/95203.html">V. Ângelo</a>)</h5>
<p>Outra expulsa foi a <a href="www.care.org" target="_blank">CARE</a> [en], que atuou durante 28 anos no país e relata que paralisou todas as suas atividades, tendo parte de seu equipamento confiscada pelo governo sudanês, computadores, carros e casas. A CARE atuava com projetos na área da agricultura, água, e saneamento básico, além de educação e saúde. A <a href="http://www.nrc.no/" target="_blank">Norwegian Refugee Council</a> [en] relata que além de ter o material confiscado pelo governo, seus funcionários foram presos e sofreram agressões. A <a href="www.oxfam.org" target="_blank">OXFAM</a> [en], há 26 anos no Sudão, atuava diretamente com 600 mil sudaneses, também deixou o país, e espera pelo retorno.</p>
<p>O clima em Darfur é tenso e cheio de espectativa, segundo AK. do blog <a href="  http://www.forsudan.net/" target="_blank">Forsudan</a> [en]:<a href="  http://www.forsudan.net/" target="_blank"><br />
</a></p>
<blockquote><p>The reaction in Khartoum by the government was almost instantaneous. After speaking with some relatives in Sudan, the situation seems normal and as one of my cousins put it, &#8216;business is as usual.&#39; People were expecting there to be a coordinated attack by the Darfuri rebel group Justice and Equality Movement , similar to the one that occurred back in May 2008. People also expected for general violence to breakout, but none of the sort has happened. That being said, people are very tense on the ground and anxious for what is to come. I think people are worried most about the implications on the North-South peace agreement (CPA) and the reaction of the southern government. Here are the positions of Sudanese most prominent political parties. Also, the government has kicked out several international NGOs, among them are OXFAM, Care, and Doctors without Borders.</p></blockquote>
<div class="translation">A reação por parte do governo de Cartum foi quase instantânea. Depois de falar com alguns parentes no Sudão, a situação parece normal e, como um de meus primos disser, &#8220;funcionando como de costume&#8221;. As pessoas estavam esperando que houvesse um ataque coordenado pelo grupo rebelde de Dafur, Movimento Justiça e Igualdade, semelhante ao que ocorreu por volta de maio de 2008. Também se esperava que violência em geral eclodisse, mas nada do tipo aconteceu. Dito isto, as pessoas lá estão muito tensas e ansiosas com o que está por vir. Acho que elas estavam mais preocupados com as implicações sobre o Acordo de Paz Norte-Sul (CPA) e com a reação do governo sulista. Aqui estão as posições dos partidos políticos sudaneses mais proeminentes. Além disso, o governo tem expulso várias ONGs internacionais, entre eles estão OXFAM, Care e Médicos Sem Fronteiras.</div>
<p>A previsão da maioria das Ong&#39;s é que haja um desastre nos centros de refugiados, afetando um número estimado de 4,7 milhões de pessoas, destas espera-se uma diáspora de 2,7 milhões. 1,5 milhões nescessitam de alguma ajuda médica, 1,1 milhões não possuem o que comer e 1 milhão não tem acesso a água (dados da <a href="http://ochaonline.un.org/" target="_blank">OCHA</a>). Além disso, há um surto de meningite e “não há tratamento disponível nos campos, nem ninguém para enviar os pacientes para o hospital em Nyala, nem vacinação em massa. Isso significa que algumas pessoas podem morrer”, <a href="http://www.msf.org.au/from-the-field/field-news/field-news/article/interview-expulsion-leaves-healthcare-vacuum-for-100000-in-kalma-camp-darfur.html">relata Lydia Geirsdottir</a> [en] (MSF).</p>
<p>Por conta disso a UNAMID espera um enorme movimento migratório. &#8220;Uma das coisas que vamos avaliar é possível os fluxos migratórios&#8221;,  <a href="http://www.alertnet.org/thenews/newsdesk/IRIN/d7471ff4ac1bfb140a73b1d0be3c01ab.htm">afirmou</a> [en] Lise Grande, Vice Coordenadora da ONU na região.Há mais de 100 mil pessoas vulneráveis como resultado de ataques do LRA, dentre as quais 36 mil pessoas desabrigadas depois que fugiram de casa ao sul do Sudão e mais de 16 mil refugiados da DRC. &#8220;Há relatos de que mais 50 mil pessoas em comunidades hospedeiras precisam de assistência humanitária”, disse ela.</p>
<p>As migrações já começaram, alguns relatos já começam a aparecer via blogs. <a href="http://sudan-blog.blogspot.com/2008/02/new-camp-for-west-darfur.html">Sudan-blog</a> [en] noticia a construção de um novo campo de refugiados no Chad, país vizinho que espera atender cerca de 6.000 refugiados.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/02/sudao-sobrevivendo-sem-a-ajuda-das-ongs/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Brasil: Sobre a condenação do Vaticano no caso de aborto da menina estuprada</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/03/13/brasil-sobre-a-condenacao-do-vaticano-no-caso-de-aborto-da-menina-estuprada/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/03/13/brasil-sobre-a-condenacao-do-vaticano-no-caso-de-aborto-da-menina-estuprada/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 13 Mar 2009 03:58:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Maestre</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brazil]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Criança]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Governança]]></category>
		<category><![CDATA[Humanitário]]></category>
		<category><![CDATA[Juventude]]></category>
		<category><![CDATA[Lei]]></category>
		<category><![CDATA[Photos]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=2140</guid>
		<description><![CDATA[Uma menina de 9 anos estuprada continuamente e engravidada pelo padrasto teve garantido o direito de abortar legalmente no Brasil. Depois da cirurgia, a Igreja Católica excomungou a mãe, o médico e a equipe responsável pela operação. O assunto despertou um grande debate no Brasil: até onde vai o papel da igreja na sociedade?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/carlos-dutra/">Carlos Dutra</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/carlosmaestre/'>Carlos Maestre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/03/12/brazil-on-the-vaticans-condemnation-of-raped-childs-abortion/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div class="wp-caption alignright" style="width: 209px"><a href="http://www.flickr.com/photos/severo/224097803/"></a><a href="http://www.flickr.com/photos/severo/224097803/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-61165" title="224097803_9b6268cbaf" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/224097803_9b6268cbaf-199x300.jpg" alt="224097803_9b6268cbaf" width="199" height="300" /></a><br />
<p class="wp-caption-text">Olinda and Recife&#39;s archbishop, dom José Cardoso Sobrinho, by Alexandre Severo, published under a Creative Commons license</p></div>
<p>Na última semana de fevereiro, uma menina de apenas 36 quilos, 1,33 metro, e 9 anos de classe média-baixa, na cidade de Alagoinha, no Pernambuco, reclamou de fortes dores na barriga. Acompanha por sua mãe até uma unidade de saúde, constatou-se a gravidez de gêmeos na 15ª semana de gestação. Então confessou à mãe que ela e a irmã mais velha, de 14 anos, eram violentadas pelo padrasto há pelo menos 3 anos. O padrasto será indiciado por estupro e está detido no presídio público de Pesqueira, no Pernambuco, onde deve permanecer até o fim do inquérito.</p>
<p>Depois de muita oposição da Igreja Católica e do acompanhamento de psicólogos, o aborto foi realizado, previsto na legislação brasileira em casos de estupro (até a 20ª semana de gestação) e quando houver risco de morte para a mãe. Este caso se encaixava em ambas as características.</p>
<p>Mas, em seguida, um debate social envolvendo a Igreja Católica e o poder Judiciário veio a tona no Brasil: <a href="http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1032874-5602,00-COMISSAO+VATICANA+CONSIDERA+JUSTA+EXCOMUNHAO+DE+MEDICOS+BRASILEIROS.html">amparado pelo Vaticano</a>, o arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, excomungoua mãe, o médico e a equipe de médica responsável pelo procedimento cirúrgico. A menina foi poupada, já que a lei da Igreja Católica diz que menores estão livres da excomunhão. Contudo,<a href="http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1031860-5598,00.html"> não excomungou o padrasto</a>, chegando a dizer no jornal <em>O Globo</em> (7/3/09) que o “crime de estupro é menos grave” que o de aborto e que &#8220;os gêmeos eram pessoas inocentes&#8221;.</p>
<p>A notícia que reacendeu no Brasil o tema do aborto, pôs em evidência a interferência da Igreja Católica sob decisões pessoais e judiciais de um Estado laico, movimentou a blogosfera lusófona. Sebastião Nunes, em seu blog <a href="http://iabasse.blogspot.com/"><em>Pedra de Responsa</em></a>, se manifesta:</p>
<blockquote><p>É impressionante a hipocrisia envolvida neste julgamento inquisitorial feito pala Igreja Católica. Uma criança violentada em seu corpo e seus direitos, desde os 6 anos de idade, com risco elevado de morrer pela continuação da gestação, tem, conforme a estúpida decisão destes cardeais, que aceitar a beleza do <em>milagre da vida</em> e morrer, se necessário for, pois esta foi a vontade de Deus.</p>
<p>E depois a Igreja Católica não entende porque o povo abandona as suas fileiras. Conforme o julgamento da Igreja foi a vontade de Deus que fez o padrasto da criança estuprá-la covardemente. Triste Deus este.</p></blockquote>
<p>Em tom de ironia, Lelê Teles, no blog <a href="http://fastosenefastos.blogspot.com/2009/03/quero-ser-excomungado-por-dom-jose.html">Technosapiens</a>, diz que o Brasil é o país da piada pronta, lamentando que o clérigo tenha punido a frágil vítima justo no dia Internacional da Mulher:</p>
<blockquote><p>O mais indignante é que no dia internacional da mulher, um senhorzinho religioso aparece para mostrar que o mundo dele ainda é machista, e que machistas deveriam ser o estado e a ciência.</p>
<p>O bispo queria que a menina seguisse grávida de outra menina porque ele diz que defende o direito à vida. Mas como a menina de nove anos de idade corria risco de morte se continuasse com a gestação, logo, subentende-se que o bispo defendia a vida do&#8230; estuprador.</p></blockquote>
<p>Vitor Lessa tem em seu blog uma publicação chamada <a href="http://vitorlessa.blogspot.com/2009/03/ignorancia.html">Ignorância</a>, na qual indaga se a Igreja Católica sabe que vivemos em um estado laico, se ela sabe que nem todos pertencem a essa instituição e aponta outros pontos de vista questionáveis &#39;sugeridos&#39; pelo Vaticano.</p>
<blockquote><p>[&#8230;] ele [o cardeal] está afirmando que devemos voltar a idade média quando o Estado e a Igreja se confundiam e o clero ditava as regras supostamente estabelecidas por Deus. Quando milhões de pessoas foram queimadas em nome de Deus, quando a igreja dizia que os homens deviam servir a seu senhor feudal porque Deus assim desejava e muitos outros fatos. Em momento nenhum ele pensou que o Brasil não é constituido somente de católicos, que o Brasil é um país laico (sem religião definida) e que os seus habitantes elegeram pessoas que fizeram uma constituição legítima para reger o país e sua população. Em momento nenhum o bispo lembrou que não está na idade média e que, acima da instituição a qual ele pertence, existe um Estado que deve atender às necessidades de todos os seus cidadãos. Afinal, todos são iguais perante a lei e pagam impostos para sustentar a nação. Não pensem que essa é uma atitude isolada de um bispo, é uma postura sustentada pela Igreja católica. A igreja católica não somente é contra o aborto em casos de estupro, mas também contra a lei que protege os homossexuais, que pagam impostos e são juridicamente iguais ao bispo. Portanto, se a igreja aceita que parcelas oprimidas (como as mulheres que são agredidas por seus maridos) sejam protegidas por lei, por que outra parcela como a dos homossexuais não podem ser progida? Afinal, são ou não são todos iguais? A igreja católica também proibe o uso de camisinha ou qualquer método anticoncepcional.</p></blockquote>
<p>Daniel Braga, em seu blog <a href="http://mausoleudogargula.blogspot.com/2009/03/cegueira-religiosa.html">Mausoléu do Gárgula</a>, fala sobre o assunto com o título de Cegueira Religiosa. Nesta publicação, o blogueiro faz uma série de questionamentos que tratam não apenas das condições físicas da menina continuar com a gravidez, mas também das condições financeiras e sustentáveis de ter dois filhos aos 9 anos:</p>
<blockquote><p>Acredito que uma das piores coisas já inventadas pelo homem é a cegueira religiosa. Observem bem que não estou falando da religião em si, pois esta é realmente importante ao homem, mas sim de dogmas absurdos que acabam causando a cegueira religiosa.<br />
[&#8230;]<br />
Surgem algumas perguntas e não vou de forma alguma respondê-las, deixando a todos a tarefa de refletir sobre as possíveis respostas:</p>
<ul>
<li>Será que esta menina conseguirá prosseguir com esta gravidez sem que seu corpo seja mais maltratado do que já está? Poderia esta gravidez ter um risco elevado levando então a morte das crianças, todas as três?</li>
<li>Como uma criança poderá criar estas duas crianças?</li>
<li>Qual o dano social futuro desta família?</li>
<li>Como estará a mente desta pobre criança que deveria estar brincando com bonecas mas que foi o alvo dos abusos de um estuprador?</li>
<li>Como será a estrutura familiar que esta menina vive?</li>
<li>Como ficaria esta mesma estrutura familiar depois do nacimento destes bebês?</li>
<li>Qual deveria ser o papel da religião neste caso? Um papel punitivo ou confortante?</li>
<li>Sendo punida, direta ou indiretamente, pelos representantes religiosos, como esta criança se sentirá agora? Será que ela somatizará os problemas jogando em si mesma a responsabilidade do hediondo fato?</li>
</ul>
</blockquote>
<p>Até o presidente Lula se manifestou, dizendo que é católico e pessoalmente contra a legalização do aborto, mas que como chefe de estado apóia a prática em casos como este (e como uma questão de saúde pública). Além disso, também <a href="http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL1032159-5601,00-LULA+CRITICA+EXCOMUNHAO+E+DEFENDE+MEDICINA+EM+ABORTO+DE+MENINA.html">criticou a postura Católica</a><a></a>:</p>
<blockquote><p>[&#8230;] a medicina fez o que tinha que ser feito, salvar a vida de uma menina de 9 anos. [&#8230;] Como cristão e como católico, lamento profundamente que um bispo da Igreja católica tenha um comportamento, eu diria, conservador como esse.&#8221;</p></blockquote>
<p>O advogado da Igreja Católica disse que entraria com uma denúncia por homicídio contra mãe da menina, com base nos artigos 1º e 5º da Constituição Federal, que asseguram a inviolabilidade do direito à vida. Ele disse que &#8220;além de considerar nossas convicções religiosas, nossa denúncia está atrelada à Constituição&#8221;. Mas, o <a href="http://www.mp.pe.gov.br/index.pl/20090403_mulher">Ministério Público de Pernambuco se pronunciou</a> a respeito do caso:</p>
<blockquote><p>O Ministério Público de Pernambuco, através da promotora Jeanne Bezerra, está acompanhando junto à Secretaria Executiva da Mulher e à ONG Curumim o caso da garota de nove anos grávida em decorrência de estupro em Alagoinha. De acordo com as informações repassadas à promotora pelo órgão e pela entidade, a garota está recebendo o acompanhamento médico, psicológico e social assegurados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Até agora, não foi necessária a atuação judicial do MPPE. Como a legislação brasileira PERMITE o aborto em vítimas de estupro até a 20ª semana de gestão (entendimento do STJ), o procedimento pode ser realizado de acordo com avaliação médica, INDEPENDE de autorização judicial e, portanto, de parecer do Ministério Público.</p></blockquote>
<p>A maioria das reações na blogosfera brasileira criticaram a atitude da Igreja Católica, mas um pequeno grupo de blogueiros apoiou a decisão do arcebispo brasileiro de excomungar todos os envolvidos no aborto. Entre eles, <a href="http://januacoeli.wordpress.com/2009/03/06/carta-aberta-apoio-a-dom-jose/">Jorge Ferraz</a>, desde Pernambuco, escreveu em uma carta aberta para dom José Cardoso Sobrinho e recebeu mais de 100 comentários, tanto a favor quanto contra a decisão da igreja. E em outro blog, numa carta aberta anterior, <a href="http://www.veritatis.com.br/article/5638/carta-aberta-a-dom-jose-cardoso-sobrinho">Maite Tosta</a>, quem também é mãe, disse que a decisão da Igreja não poderia estar mais correta:</p>
<blockquote><p>Nesse momento, em que essa menina precisava de apoio, de ajuda, de atendimento médico, psicológico e porque não, espiritual, vozes se levantaram para apontar uma saída “mais fácil”, que querem fazer crer que era a única razoável…</p>
<p>Logicamente, a situação da menina preocupa. Mas e os gêmeos? Não merecem nosso cuidado? Nossa preocupação? A vida humana não-nascida é tão vida quanto a nascida, e merece o mesmo cuidado. Por serem frutos de uma relação violenta, que não deveria ter sido consumada, não são humanos? Quer dizer que um feto é gente quando é desejado, e é coisa quando não o é?</p>
<p>O que é mais fácil para os envolvidos? Dar assistência, cuidar, acompanhar? Ou “eliminar o problema”? Mas… pergunto, mais fácil para quem? Afinal, essa menina vai crescer, não sem marcas deixadas por esse episódio. Apesar de todas as pessoas ao seu redor lhe dizerem que foi melhor assim, que seu corpo não comportava, que era gravidez de risco, que eram crianças frutos de violência e ela não precisava conviver com elas, que a lei não pune… ela sempre terá na sua consciência que consentiu na morte dos próprios filhos… essa é uma memória que não se apaga nunca, e que tem um gosto amargo.</p></blockquote>
<p>Infelizmente, o caso não foi o primeiro e,  provavelmente, não será o último. No dia 6 de março, <a href="http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1031557-5598,00-PAI+ADOTIVO+DE+GRAVIDA+DE+ANOS+E+DENUNCIADO+POR+ESTUPRO.html">outro padrasto foi denunciado por estupro</a>, desta vez no Rio Grande do Sul. A menina, de 11 anos e grávida de sete meses, está internada em Tenente Portela (RS) e a gestação é considerada de risco. O inquérito está em andamento em ambos os casos.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/03/13/brasil-sobre-a-condenacao-do-vaticano-no-caso-de-aborto-da-menina-estuprada/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>39</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Brunei: arrecadação de fundos para vítimas de enchentes</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/02/26/brunei-arrecadacao-de-fundos-para-vitimas-de-enchentes/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/02/26/brunei-arrecadacao-de-fundos-para-vitimas-de-enchentes/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 26 Feb 2009 17:20:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Maestre</dc:creator>
				<category><![CDATA[Alimentação]]></category>
		<category><![CDATA[Bahasa]]></category>
		<category><![CDATA[Brunei]]></category>
		<category><![CDATA[Desastre]]></category>
		<category><![CDATA[East Asia]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Humanitário]]></category>
		<category><![CDATA[Idéias]]></category>
		<category><![CDATA[Indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[Juventude]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Photos]]></category>
		<category><![CDATA[Socorro & Resgate]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=1668</guid>
		<description><![CDATA[Como parte dos esforços para coletar doações para as vítimas das enchentes, fundos de caridades foram organizados nas recentes semanas em Brunei. O forte temporal do mês passado causou enchentes e deslizamentos de terra no país, afetando os lares de mais de 200 famílias, e destruindo milhões de dólares em propriedades e lavouras.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/fadila-ahmad/">Senor Pablo</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/carlosmaestre/'>Carlos Maestre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/02/25/brunei-fund-drive-for-flood-victims/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div class="entry">
<p style="text-align: justify;">O <a href="http://globalvoicesonline.org/specialcoverage/floodings-in-asia-pacific-islands-2009/">forte temporal </a>[en] do mês passado causou grandes <a href="http://globalvoicesonline.org/2009/02/06/brunei-more-rain-flashfloods-and-landslides/">enchentes e deslizamentos de terra</a> no país, afetando os lares de mais de 200 famílias, levando à perda de milhões em propriedades e nas lavouras em todos os quatro distritos do país. Isto fez a comunidade se reunir para pedir por ajuda pelos menos afortunados e por aqueles que foram afetados pelo desastre natural.</p>
<p style="text-align: justify;">Um fundo público para ajudar as vítimas das recentes enchentes e dos deslizamentos de terra foi preparado pelo ministro do Interior no dia 3 de fevereiro de 2009. A intenção é ajudar a confortar algumas das dificuldades enfrentadas pelas vítimas para voltarem às suas vidas normais. Como parte dos esforços para coletar doações para este fundo, as organizações de caridade se organizaram nas últimas semanas em benefício do Fundo Nacional para as Vítimas da Enchente e dos Deslizamentos <em>[National Fund for the Flood and Landslide Victims]</em>. Este é um exemplo de quão forte a comunidade local é em ajudar uns aos outros. Masyarakat Perihatin é uma frase malaia que significa sociedade que cuida com esmero.</p>
<p style="text-align: justify;">Por exemplo, o Orchid Garden Hotel liderou uma iniciativa de caridade com bolinhos. O hotel teve sucesso em vender mais de 2.000 deles. Ele exibiu orgulhosamente 25 torres enfileiradas feitas de 250 kg de bolinhos. Toda a estrutura media 2,13 metros de largura por 4,87 metros de altura.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 85%;"><span style="font-family: verdana;"><a href="http://4.bp.blogspot.com/_1GjoOO6boOI/SaNFOawVTeI/AAAAAAAABBo/1P9rHSK_CLo/s400/ogh.jpg"><img class="aligncenter" src="http://4.bp.blogspot.com/_1GjoOO6boOI/SaNFOawVTeI/AAAAAAAABBo/1P9rHSK_CLo/s400/ogh.jpg" alt="" width="268" height="400" /></a>Foto por <a href="http://strictlybeautiful.blogspot.com/2009/02/highest-cake-in-ogh.html"><em>Strictly Beautiful</em></a><br />
</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-58045" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/02/cupcake.jpg" alt="cupcake" width="400" height="267" /></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ranoadidas.com/?p=1782"><em>Ranoadidas</em></a> relatou sobre o evento da caridade do bolinho e outra arrecadação de fundos que vendeu 900 vales de Nasi Lemak, um popular prato local:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">The Cupcake charity at The Orchid Garden Hotel managed to sell 2,000 cupcakes. That’s amazing numbers. Another charity event was held at<a href="http://http//dotherofficecafebistro.blogspot.com/"> D’ Other Office  Cafe and Bistro, </a>where almost 900 coupons of Nasi Lemak ( local rice dish cooked in coconut milk)  and Egg Tart combined was sold to the public.</p>
</blockquote>
<div class="translation" style="text-align: justify;">A caridade do bolinho no Orchid Garden Hotel conseguiu vender 2.000 bolinhos. São números incríveis. Outro evento de caridade que aconteceu no<a href="http://http//dotherofficecafebistro.blogspot.com/"> D’ Other Office Cafe and Bistro, </a>onde quase 900 vales de Nasi Lemak (arros local cozinhado com leite de coco) e quindim <em>[nota da tradução: Egg Tart]</em> combinados foi vendido ao público.</div>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-58049" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/02/eggchar.jpg" alt="eggchar" width="399" height="257" /></p>
<p style="text-align: justify;">Fotos por cortesia de <a href="http://www.ranoadidas.com/"><em>Ranoadidas</em></a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://anakbrunei.org/2009/02/14/football-for-a-worthy-cause-2"><em>AnakBrunei</em></a> relatou o evento de futebol que arrecadou pelo menos B$100.000 [nota da tradução: dolár de Brunei; cotação de 25/02/2009: B$ 1 - R$1,56]:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Match between DPMM FC and FFBD XI. The match was organized by the <a href="http://bruneiresources.blogspot.com/2009/01/football-federation-of-brunei.html" target="_blank">Football Federation of Brunei Darussalam</a> . All proceeds (nearly B$100k from what I gather) will be donated to the Fund for Flood and Landslide Victims</p>
</blockquote>
<div class="translation" style="text-align: justify;">O jogo entre DPMM FC e FFBD XI. O jogo foi organizado pela <a href="http://bruneiresources.blogspot.com/2009/01/football-federation-of-brunei.html" target="_blank">Football Federation of Brunei Darussalam</a> . Toda a renda (próxima à cifra de B$100.000 do que consegui apurar) será doada ao Fundo Nacional para as Vítimas da Enchente e dos Deslizamentos.</div>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://anakbrunei.org/wp-content/uploads/2009/02/img-9187.jpg"><img class="aligncenter" src="http://anakbrunei.org/wp-content/uploads/2009/02/img-9187.jpg" alt="" width="469" height="320" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">A foto acima mostra Vossa Alteza o Príncipe da  Coroa, dirigente do clube DPMM Football, entregando o dinheiro arrecadado no jogo de caridade para o dirigente do Fundo para as Vítimas da Enchente e dos Deslizamentos.</p>
</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/02/26/brunei-arrecadacao-de-fundos-para-vitimas-de-enchentes/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Global: Comboio a caminho de Gaza entra para a história</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/02/25/global-comboio-a-caminho-de-gaza-entra-para-a-historia/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/02/25/global-comboio-a-caminho-de-gaza-entra-para-a-historia/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 25 Feb 2009 20:54:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paula Góes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Algeria]]></category>
		<category><![CDATA[Alimentação]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Governança]]></category>
		<category><![CDATA[Humanitário]]></category>
		<category><![CDATA[Middle East & North Africa]]></category>
		<category><![CDATA[Morocco]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Palestine]]></category>
		<category><![CDATA[Primeira Mão]]></category>
		<category><![CDATA[Refugiados]]></category>
		<category><![CDATA[Relações Internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Socorro & Resgate]]></category>
		<category><![CDATA[United Kingdom]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
		<category><![CDATA[Video]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>
		<category><![CDATA[Western Europe]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=1603</guid>
		<description><![CDATA[O dia 22 de fevereiro entrou para a história quando um comboio indo do Reino Unido para Gaza teve permissão para ultrapassar a fronteira entre o Marrocos e a Argélia, que se mantinha fechada por quase 15 anos. A fronteira foi cerrada em 1994, depois que o Marrocos suspeitou do envolvimento do país vizinho em um ataque a um hotel na capital, Marraquesh.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/jillian-york/">Jillian York</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/paulagoes/'>Paula Góes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/02/23/global-convoy-to-gaza-makes-history/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="single" class="entry">
<p>O dia 22 de fevereiro entrou para a história quando um comboio indo do Reino Unido para Gaza <a href="http://news.bbc.co.uk/2/hi/africa/7903953.stm">teve permissão para ultrapassar a fronteira entre o Marrocos e a Argélia</a> [en], que se mantinha fechada há quase 15 anos. A fronteira foi cerrada em 1994, depois que o Marrocos suspeitou do envolvimento do país vizinho em um ataque a um hotel na capital, Marraquesh.</p>
<p><em>Gaza; Peace N&#39; Freedom</em> <a href="http://gaza-peace-n-freedom.blogspot.com/2009/02/viva-palestina-100-vehicles-set-to.html">descreveu</a> [en] o comboio e também compartilhou um vídeo:</p>
<blockquote><p>Reminiscent of the solidarity work with Spain during the Spanish Civil War, the largest aid convoy ever from Britain to the Middle East is set to leave from Westminster, London, tomorrow February 14. The convoy consists of 100 vehicles, including a boat, a fire engine and 12 ambulances. Member of Parliament George Galloway will lead the convoy on its travel through Europe, North Africa to Gaza, Palestine. The convoy has been financed through donations from the British people. Video on the launching below, more info at VivaPalestina.org.</p></blockquote>
<p class="translation">Remanescente do trabalho de solidariedade com a Espanha, durante a Guerra Civil Espanhola, o maior comboio de ajuda humanitária de todos os tempos a sair da Grã-Bretanha em direção ao Oriente Médio está programado para partir de Westminster, em Londres, amanhã, 14 de fevereiro. O comboio é formado por 100 veículos, incluindo um barco, um carro de bombeiros e 12 ambulâncias. O parlamentar George Galloway liderará o comboio em sua viagem pela Europa, África do Norte e Gaza, na Palestina. O comboio foi financiado através de doações do povo britânico. Abaixo está o vídeo de lançamento da campanha, para obter mais informações acesse VivaPalestina.org.</p>
<p><object width="480" height="295" data="http://www.youtube.com/v/LIlv9hcLbeI&amp;hl=en&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/LIlv9hcLbeI&amp;hl=en&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object><br />
Embora o comboio esteja viajando a Gaza por motivos de ajuda humanitária, o mero fato de que ele passa por Maghreb pode ter efeitos de alcance ainda maior. Pelo menos dois membros do comboio vêm relatando histórias de sucesso através de blogues, e <a href="http://www.vivapalestina.org/">uma recente notícia</a> [en] no site <em>Viva Palestina</em> demonstra que o envolvimento no sucesso do comboio não se limita apenas ao Reino Unido:</p>
<blockquote><p>The convoy are now filling up with fuel in the town of Chlef. Apparently an Algerian is paying the bill on this occasion. The convoy has decided to make up some lost time by heading for Algiers this evening. The journey could take more than 3hours.</p></blockquote>
<p class="translation">O comboio está agora sendo abastecido com combustível na cidade de Chlef. Ao que parece, um algeriano está pagando a conta nessa ocasião. O comboio decidiu correr atrás do tempo perdido passando pela [capital da Argélia] Argel na noite de hoje. A jornada pode demorar mais de 3 horas.</p>
<p>De acordo com algumas pessoas, o comboio está ajudando a fazer uma ponte entre a Argélia e o Marrocos. Yvonne Ridley, que junto com Hassan Al Banna Ghani está documentando a viagem para um filme, <a href="http://vivapalestina.org/Yvonne/200209.htm">escreveu um artigo para o VivaPalestina.org</a> [en], no qual ela diz:</p>
<blockquote><p>Although there are still thousands of miles separating the convoy from its end game of delivering aid to Gaza, Saturday&#39;s border crossing is the one which will be recorded in the history books.</p>
<p>Morocco and Algeria agreed to put aside their differences to open their land border for the first time in 15 years for the sake of Palestine.</p>
<p>Palestine has often been described as the key which can open the door to Middle East peace, but tomorrow it will open a door in the Maghreb which has been tightly shut since 1994.</p>
<p>This wonderful gesture is something Condaleezza Rice failed to persuade the neighbouring countries to do - her last attempt before the departure of George W Bush was made in September.</p>
<p>But the peace mission and genuine humanitarian nature of the Viva Palestina convoy has melted the hearts of those on both sides of this vital land border which, when opened, will ease the passage of those carrying more than one million pounds of aid for Gaza.</p></blockquote>
<p class="translation">Embora milhões de milhas de distância ainda separem o comboio do destino final da entrega, em Gaza, o fato dele ter cruzado essa fronteira no sábado é o que será guardado nos livros de história.<br />
O Marrocos e a Argélia concordaram em deixar suas diferenças de lado para abrir os dois lados da fronteira pela primeira vez em 15 anos, em favor da Palestina.<br />
A Palestina é normalmente descrita como a chave que pode abrir as portas para a paz no Oriente Médio, mas amanhã abrirá uma porta a Maghreb que tem-se mantido muito bem fechada desde 1994.<br />
Esse gesto maravilhoso é algo que Condaleezza Rice não conseguiu, ela não persuadiu os países vizinhos a fazerem isso - o que foi sua última tentativa antes da saída de George W Bush em setembro.<br />
Mas a missão de paz e de natureza genuinamente humanitária do comboio Viva Palestina derreteu os corações daqueles dos dois lados desse território de uma fronteira vital que, quando for aberta, facilitará a passagem daqueles que estão carregando mais de um milhão de libras esterlinas em ajuda para Gaza.</p>
<p>Ela também compartilhou esse vídeo clipe:</p>
<p><object width="425" height="349" data="http://www.youtube.com/v/pICVPKLoTuA&amp;border=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00&amp;hl=en&amp;feature=player_embedded&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/pICVPKLoTuA&amp;border=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00&amp;hl=en&amp;feature=player_embedded&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object><br />
Outro blogue, <em>Gaza Convoy 2009</em>, está detalhando a viagem de longe. No sábado, 21 de fevereiro, eles <a href="http://gazaconvoy.com/?p=206">publicaram</a> [en] essa notícia:</p>
<blockquote><p>00:25 (GMT) - Text update from the A Team</p>
<p>“Salaam we went through centre and hundreds of people here, it was amazing as its somthing we have never seen before. There were hundreds of people on the streets cheering. We were on the roof of our van, hanging off the back ladder with Mudasir tannoy. It was top, even the police are cheering ‘Allah Hu Akbar’. The youths, kids and men were hugging us…a 15yr old boy told me that even the muslims who drink came on the street to shout ‘Allah Hu Akbar’ and they make dua for us everyday to succeed.</p>
<p>We have come to a caravan site to sleep now”</p></blockquote>
<p class="translation">00h25 (GMT) - Texto atualizado pela equipe.<br />
“Saudações enquanto atravessávamos o centro e passávamos por centenas de pessoas daqui, impressionou já que nunca tínhamos visto algo do tipo antes. Centenas de pessoas aplaudiam nas ruas. Estávamos no topo da nossa van, ou dependurados na escada traseira, com alto-falantes. Foi o máximo, até mesmo a polícia gritava ‘Allah Hu Akbar’ (&#8221;Deus é grande&#8221;). Jovens, crianças e homens nos abraçavam… um rapaz de 15 anos me disse que mesmo muçulmanos que bebem vieram às ruas gritando ‘Allah Hu Akbar’ e que rogam a Deus todos os dias pelo nosso sucesso.</p>
<p>Agora voltamos ao local onde a caravana está para dormir”</p>
<p>Por fim, <em>Greg to Gaza</em>, blogueiro que participa do comboio e está <a href="http://gregtogaza.blogspot.com/2009/02/on-morocco-algeria-border.html">documentando a jornada</a> [en]. Em uma de suas postagens mais recentes, ele estava em Oujda, região marroquina na fronteira com a Argélia:</p>
<blockquote><p>Phone signal very sporadic. I&#39;m fine. On Morocco Algeria border. First time open for 17 years. Just for us. Yesterday we had a fantastic reception at a socialist MP house and later that night a banquet in Oujda thrown by the greatest Islamic scholar in Morocco. Big rift in convoy today when some radical unruly elements were nearly sent home. A rebellion was finally successful when a third of the convoy refused to move from the Moroccan border unless everyone was let through. Time will tell whether that was the right decision. An Algerian MP has sent food to the border because we have been stuck at passport control for at least 9 hours. They have also promised free fuel tonight. Where we will sleep, when we can leave, how much longer its going to take or how many hours we have to drive are all unknowns.</p></blockquote>
<p class="translation">O sinal de telefone é bastante errático. Estou bem. Na fronteira entre o Marrocos e a Argélia. É a primeira vez em 17 anos que ela se abre. Apenas para a gente. Ontem tivemos uma recepção fantástica na casa de um parlamentar socialista e mais tarde um banquete em Oujda, promovido pelo maior acadêmico do Islã do Marrocos. Grande discórdia hoje quando alguns elementos radicais insubordinados do no comboio quase foram mandados de volta para casa. Uma rebelião foi bem-sucedida, por fim, quando um terço dos comboios se recusou a se mover da borda no Marrocos, até que todos tivessem permissão para passar. O tempo dirá se essa foi a decisão certa. Um parlamentar argeliano enviou comida à fronteira, porque ficamos presos na seção de controle de passaportes por nove horas. Eles também prometeram combustível de graça hoje a noite. Ainda não se sabe onde vamos dormir, quando partiremos, quanto tempo isso ainda durará ou quantas horas precisaremos dirigir.</p>
</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/02/25/global-comboio-a-caminho-de-gaza-entra-para-a-historia/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Brasil: Reflexões sobre a nossa própria Faixa de Gaza</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/01/18/brasil-reflexoes-sobre-a-nossa-propria-faixa-de-gaza/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/01/18/brasil-reflexoes-sobre-a-nossa-propria-faixa-de-gaza/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 18 Jan 2009 02:56:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Deborah Goldemberg</dc:creator>
				<category><![CDATA[Americas]]></category>
		<category><![CDATA[Brazil]]></category>
		<category><![CDATA[Desastre]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Governança]]></category>
		<category><![CDATA[Humanitário]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
		<category><![CDATA[Lei]]></category>
		<category><![CDATA[Palestine]]></category>
		<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=1521</guid>
		<description><![CDATA[Assim como no resto do mundo, os blogueiros brasileiros estão acompanhando atentamente as notícias sobre o conflito Israel – Palestina. As opiniões divergem entre si, no entanto, o conflito está fazendo muitos blogueiros refletirem sobre uma mesma coisa: o que está acontecendo em Gaza lembra muito a guerra e a violência cotidiana que assola as favelas brasileiras, o que nos faz pensar em nossa própria Faixa de Gaza, onde muitas vidas inocentes são perdidas todos os dias.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/paulagoes/">Paula Góes</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/deborah-icamiaba/'>Deborah Goldemberg</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/01/11/brazil-reflecting-on-our-very-own-gaza-strips/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div class="entry">
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-55216" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/01/27491733_8ae3c0a8f5.jpg" alt="" /></p>
<p style="center;"><strong>No Morro do Samba, no Rio de Janeiro, “Notório pelo tráfico de drogas e a violência, o Morro do Samba é conhecido como uma das comunidades mais perigosas de nossa região”, foto de <a href="http://www.flickr.com/photos/beija-flor/">carf</a> usada sob a doutrina de: Creative Commons License</strong></p>
<p>Assim como no resto do mundo, os blogueiros brasileiros estão acompanhando atentamente as notícias sobre o conflito <a href="http://globalvoicesonline.org/specialcoverage/2008-gaza-strip-bombings/">Israel-Palestina</a>. As opiniões divergem entre si, no entanto, o conflito está fazendo muitos blogueiros refletirem sobre uma mesma coisa: o que está acontecendo em Gaza lembra muito a guerra e a violência cotidiana que assola as favelas brasileiras, o que nos faz pensar em nossa própria Faixa de Gaza, onde <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/13/brasil-policia-brasileira-mata-e-escapa-impunemente/">muitas vidas inocentes</a> são perdidas todos os dias. <a href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2752">Sérgio Vaz</a> explica:</p>
<blockquote><p>Aqui no Brasil, na Baixa do Sapateiro, faixa de gaza baiana, menino Matheus morreu com um tiro de Fuzil quando saía de casa para comprar pão, no mesmo momento em que a polícia invadia sua favela.<br />
Mera coincidência ou são sempre os mesmos que sangram nas calçadas, quer seja na faixa de Gaza brasileira ou na Faixa de Gaza Palestina? Será que a sede de sangue nunca cessa?<br />
A Periferia debaixo de tiros, a Palestina debaixo de bombas. Será que deus foi passar o réveillon em Copacabana?</p></blockquote>
<p>Sobre as fotos chocantes que vê sobre o conflito na internet, <a href="http://famintopordeus.blogspot.com/2009/01/israel-vs-hamas-gaza.html">Anderson Vieira</a> não pode deixar de lembrar da época em que ele costumava visitar uma favela no Rio de Janeiro. Ele disse que era normal ver traficantes pesadamente armados andando ao lado de crianças, mulheres grávidas, idosos e que, de vez em quando, a polícia fazia aparições desastrosas:</p>
<blockquote><p>Acontece que não foram poucas as vezes que em incursões da polícia em morros e favelas cariocas, na troca de tiros, no fogo cruzado, pessoas inocentes acabavam sendo atingidas pelas famosas balas perdidas, que de perdidas não têm absolutamente nada.<br />
A situação da Faixa de Gaza é de certa forma parecida com a das favelas e morros cariocas. Ali em meio aos terroristas do Hamas há crianças, mulheres, homens, cidadãos palestinos inocentes e desprotegidos. À semelhança dos traficantes que se escondem em barracos e casas de moradores a fim de fugir da polícia, os terroristas do Hamas também se valem dessa estratégia no mínimo covarde e se infiltram em casas de inocentes.</p></blockquote>
<p><a href="http://crazyseawolf.blogspot.com/2009/01/terroristas-traficantes-gaza-rio.html">Aparecido José do Rosário</a> [pt] concorda e adiciona que, nesses casos, os fins justificam os meios:</p>
<blockquote><p>Mas voltando a questão sobre o que Israel deve fazer contra esses ataques, e faço um paralelo com o problema dos morros no Rio de Janeiro. Desculpem-me mas sou um tanto radical nesse sentido. Tenho a minha opinião de que a polícia e/ou exército deve atacar os morros a todo custo. Aqueles que nada tem a ver com os traficantes, que são inocentes devem sair de lá e deixar que as forças militares façam o serviço completo, agora, aqueles que protegem tais traficantes, são cúmplices e tão criminosos quanto eles, e portanto que sofram as conseqüências. Estarei eu sendo insensível?</p></blockquote>
<p style="center;"><a href="http://www.flickr.com/photos/affotojornalismo/1972068766/"><img class="aligncenter size-full wp-image-55215" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/01/1972068766_c4d9f05464.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="center;"><strong>“27/07/2005 - A polícia encontra três corpos queimados em Inhaúma. As vítimas podem ter sido mortas quando entravam na favela para tentar recuperar um veículo roubado por traficantes da Favela do Alemão.” Foto de <a href="http://www.flickr.com/photos/affotojornalismo/">Andréa Farias</a>, usada sob a doutrina de Creative Commons License.</strong></p>
<p><a href="http://blogdasoninha.folha.blog.uol.com.br/arch2008-12-28_2009-01-03.html#2008_12-28_00_58_38-10366234-0">Sonia Fancine</a>, uma jovem política em ascenção na cidade de São Paulo, diz que culpar o Hamas pela morte de civis é o que a polícia brasileira faz ao justificar suas causalidades dizendo que estava protegendo a população, e &#8220;se uma criança morre de um tiro de bala perdida é um efeito colateral de uma operação de sucesso&#8221;:</p>
<blockquote><p>As mortes “acidentais” freqüentemente são justificadas como decorrentes de “autos de resistência” (aquelas trocas de tiros que, curiosamente, só deixam marcas de um dos lados) ou como sendo de ” pessoas ligadas ao tráfico” (aí fica fácil - se mora na favela, é ligado ao tráfico, pronto). Então ficamos assim: as crianças palestinas e das favelas do Rio morreram porque tiveram a idéia de jerico de estar em um lugar cheio de terroristas/ traficantes. E ainda foram botar o corpo bem na frente dos mísseis/ fuzis… Foi mal aê. Mas da próxima vez, as vítimas que tomem mais cuidado, pô!</p></blockquote>
<p>Em um comentário à postagem acima, um leitor chamado <a href="http://navblog.uol.com.br/comment.html?postFileName=2008_12-28_00_58_38-10366234-0&amp;idBlog=1246860">Fernando</a> sente-se impotente frente a ambos os conflitos:</p>
<blockquote><p>E como acabar com tudo isso? Seja no Rio ou lá em Gaza é a mesma coisa: desrespeito ao comum - incompreensão do diferente! E como eu posso ajudar para acabar com tudo isso?</p></blockquote>
<p><a href="http://albertoprass.blogspot.com/2008/12/israel-um-lugar-ridculo.html">Alberto Ricardo Präss</a> acha que o Brasil deveria boicotar os produtos israelenses para ajudar, lembrando da situação que ele testemunhou quando viveu lá durante seis meses, em 1985, e concluiu que o Brasil não está muito diferente disso:</p>
<blockquote><p>Não é de se espantar que homens bombas surjam sem parar naquelas bandas. É muito evidente que pessoas acuadas tendem a ter reações radicais para sobreviver. Mais ou menos como os moradores das favelas do Rio, que reagem por estar sem muita saída.</p></blockquote>
<p>Por outro lado, <a href="http://blogdomrx.blogspot.com/2008/12/israel-prova-da-existncia-de-deus.html">Mr X</a> [pt], um partidário de Israel, acredita que Israel e Palestina não mereçam <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2009/01/11/de-kivu-a-gaza-como-a-midia-escolhe-os-conflitos-que-cobre/">tanta atenção da mídia</a> ou mesmo comoção popular se comparados com outros conflitos no mundo, inclusive o do Brasil:</p>
<blockquote><p>Mata muito menos do que qualquer conflito na África hoje em dia, menos do que a cólera no Zimbabwe, menos até do que os tiroteios nas favelas do Rio de Janeiro.</p></blockquote>
<p><a href="http://taniacelidonio.blogspot.com/2009/01/travei.html">Tania Celidonio</a> diz que está chocada com as notícias diárias que assiste sobre a violência no Oriente Médio, mas que a violência tornou-se um clichê no Rio de Janeiro:</p>
<blockquote><p>Motorista da ONU assassinado, trinta civis palestinos mortos num abrigo, fim da ajuda humanitária…. Juro que travei. E ainda por cima, aqui na faixa tupiniquim do Rio de Janeiro, os tiros não esperaram passar a primeira semana de 2009. Os morros da Babilônia e Chapéu Mangueira foram sacudidos por várias saraivadas. Nós, do asfalto, ficamos torcendo para que nada de muito ruim aconteça por lá. O pior são as centenas de trabalhadores que voltam para suas casas, no cair da noite, e são recebidos por esse ambiente de terror que já virou rotina nos morros da cidade.</p></blockquote>
<p style="center;"><img class="alignnone size-full wp-image-55189 aligncenter" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/01/israeli2.jpg" alt="" /></p>
<p style="center;"><strong>Um charge do <a href="http://blogdobonitao.blogspot.com/2009/01/no-segundo-dia-de-ofensiva-terrestre.html">Blog do Bonitão</a> ambienta o conflito Israel-Palestina num violento bairro do Rio de Janeiro que é cercado de favelas. </strong></p>
<p style="center;">Em <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Pernambuco">Pernambuco</a>, a contagem de homicídios do <a href="http://www.pebodycount.com.br/post/postUnico.php?post=1005">PEBodyCount</a>, um blog que fornece estatísticas diárias sobre o índice de mortes relacionada à crimes, contabiliza que, a partir de hoje, somente 11 dias após o início do ano de 2009, 81 homicídios já ocorreram naquele Estado. O blog contabilizou 4.525 homicídios em 2008, em 2007 foram 4.592 e em 2006 foram 4.638. Os números vêm caindo, mas:</p>
<blockquote><p>“Raciocinar que 78 pessoas a menos (pelas contas do Governo, pelas nossas, foram 67) perderam a vida não quer dizer que foram salvos 78 seres humanos. Continuamos tendo mais de 4.500 assassinatos. É um patamar que coloca nosso estado entre os locais mais violentos do mundo. São poucos os países que tem tantos crimes de morte por ano. A mudança tão apregoada precisa começar de verdade.”</p></blockquote>
<div class="contributors">Escrito em colaboração com <a href="http://globalvoicesonline.org/author/deborah-goldemberg/">Deborah Icamiaba</a>.</div>
</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/01/18/brasil-reflexoes-sobre-a-nossa-propria-faixa-de-gaza/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Palestina: Blogueiros em Gaza relatam o terror</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/01/14/palestina-blogueiros-em-gaza-relatam-o-terror/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/01/14/palestina-blogueiros-em-gaza-relatam-o-terror/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 14 Jan 2009 10:17:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arabic]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra & Conflito]]></category>
		<category><![CDATA[Humanitário]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
		<category><![CDATA[Middle East & North Africa]]></category>
		<category><![CDATA[Palestine]]></category>
		<category><![CDATA[Primeira Mão]]></category>
		<category><![CDATA[Relações Internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=1520</guid>
		<description><![CDATA[Contra todas as probabilidades, novas postagens chegam de Gaza e os blogueiros de lá descrevem incisivamente o medo que os aflige frente aos ataques israelenses em curso.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/ayesha-saldanha/">Ayesha Saldanha</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/caim/'>caim</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/12/29/palestine-bloggers-in-gaza-describe-the-fear/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="single" class="entry">
<p>Contra todas as probabilidades, novas postagens chegam de Gaza e os blogueiros de lá descrevem incisivamente o medo que os aflige frente aos ataques israelenses em curso.</p>
<p><em>Exiled</em> diz que não é um <a href="http://nostaliga.blogspot.com/2008/12/blog-post_29.html">herói</a> [ar]:</p>
<blockquote>
<div class="arabic">على قيد الحياة ولكني لست بخير<br />
وقد اكون في اي لحظة على قيد الموت لاكون بخير<br />
فالاموات وحدهم آمنون في غزةتركت شقتي وذهبت انا وزوجتي الى بيت العائلة،ليس بحثا عن مكانا آمناً من القصف<br />
احب ان اكون بجانب امي في هذه الاحوال</p>
<p>لست بطلا،كابن اخي الصغير ارتعش من الصوت المعدني المتفجر في الهواء القريب<br />
ولكني اكبت رعشتي خجلا،فلست بطلا</p>
</div>
</blockquote>
<div class="translation">&#8220;Estou vivo, mas não estou bem.<br />
A qualquer momento posso me encontrar com a morte, aí estarei bem.<br />
Somente os mortos estão seguros em Gaza.<br />
Deixamos o apartamento, minha esposa e eu, e fomos para casa da minha família, mas não em busca de um lugar seguro contra os bombardeios.<br />
Quero estar ao lado da minha mãe em uma situação assim. Não sou um herói: assim como meu pequeno sobrinho, temo o explosivo som metálico dos projéteis. Mas, envergonhado, contenho o meu temor; não sou um herói.</div>
<p>Laila El-Haddad, autora do blog <em>Raising Yousuf and Noor</em>, entra em contato com os pais em <a href="http://a-mother-from-gaza.blogspot.com/2008/12/update-gaza.html">Gaza</a> [en]:</p>
<blockquote><p>My father just called to inform me he was ok – after warplanes bombed the Islamic University there, considered to be the Strip&#39;s premiere academic institution.</p>
<p>A little later I called my mother, only to hear her crying on the phone. “The planes are overhead” she cried “the planes are overhead”. I tried to calm her down – planes overhead mean the “target” is further away. But in such moments of intense fear, there is no room for rationality and logic.</p></blockquote>
<div class="translation">Meu pai acaba de ligar informando que está bem depois que aviões israelenses bombardearam a Universidade Islâmica, considerada a principal instituição acadêmica da Faixa.</p>
<p>Um pouco depois chamei a minha mãe, somente para ouvi-la chorar no telefone. &#8220;Os aviões estão sobrevoando nossas cabeças&#8221; – gritava – &#8220;Os aviões estão sobrevoando nossas cabeças&#8221;. Tratei de acalmá-la: &#8220;Se aviões estão sobrevoando nossas cabeças é sinal de que os alvos estão distantes&#8221;. Mas, em tais momentos de medo intenso, não há lugar para a razão, nem para a lógica.&#8221;</p>
</div>
<p>Outra blogueira de origem palestina, a Doutora Mona El-Farra, que se encontra na Grã-Bretanha assistindo os acontecimentos está <a href="http://fromgaza.blogspot.com/2008/12/gaza-under-attack-no-place-is-safe.html">desconsolada</a> [en]:</p>
<blockquote><p>With an aching heart I continue to watch Gaza from a distance. I cannot turn the TV off, cannot detach myself from what is going on there. Not while my medical colleagues work hard under such extraordinarily circumstances. Not while my friends, my family, and the whole population of Gaza face such horrible atrocities and constant fear. The nightmare isn’t over.</p></blockquote>
<div class="translation">Com o coração dolorido sigo acompanhando Gaza à distância. Não posso desligar a televisão, não posso me isolar do que está acontecendo por lá. Não enquanto meus colegas médicos trabalham duramente sob tais circunstâncias extraordinárias. Não enquanto meus amigos, minha família e toda população de Gaza enfrentam atrocidades tão horríveis e o medo constante. O pesadelo ainda não acabou.&#8221;</div>
<p>A ativista de direitos humanos, Eva Bartlett, canadense, autora do blog <em>In Gaza</em>, descreve como ela está fazendo para <a href="http://ingaza.wordpress.com/2008/12/29/tomorrow-will-be-too-late/">dar conta</a>:</p>
<blockquote><p>How to explain this feeling? I am physically numb to the explosions, not that I am in any way brave, but just physically unaffected. This is useful, it allows me to continue to write, to photograph, to speak. But it is my rational side which is continuing these things. Alberto, a Spanish journalist sitting next to me, helps me to recall that last night I told him: “I’m so focused on conveying the eyewitness account that I’m not thinking about danger.”</p>
<p>[…]</p>
<p>It’s nearly impossible to finish this entry…still more explosions are erupting every few minutes: a car in Al Bureijj camp, central Gaza, another hit in the Zaytoun residential area of Gaza City, another in the north… This time, it is not the electricity that prevents me from writing, nor certainly not want of words or information. It is that the appalling bombing at close range that Israel is unleashing on us here in Gaza, since just after 11 am on December 27th continues at full speed, full strength, despite over 300 dead and over 800 injured, by conservative estimates (1000 by other estimates), not including the victims and casualties from the latest and ongoing attacks. The outside world rightfully wants to know what is going on in Gaza, and I too want to know, even though I am here. Gaza has become isolated areas, where people are trapped in their homes for fear of being out on the streets. And, as it turns out, even homes are not safe. There is no where safe in Gaza. Any place can be a target. Any target can be justified as being a planned target or being closed to a planned target.</p></blockquote>
<div class="translation">Como explicar esse sentimento? Estou fisicamente entorpecida frente a explosões, não que seja corajosa, mas não me afeta fisicamente. O que é útil, permite que eu continue escrevendo, fotografando, falando. Mas é meu lado racional que dá andamento a essas coisas. Alberto, um jornalista espanhol que senta-se ao meu lado, me ajuda a lembrar que na noite passada disse a ele: “Estou tão concentrada em comunicar o meu testemunho que nem penso sobre o perigo.”</p>
<p>[…]</p>
<p>É quase impossível terminar esta postagem&#8230; a freqüência das explosões está cada vez mais maior enquanto a distância vem diminuindo: um carro no campo [de refugiados] Al Bureijj, centro de Gaza, outra no Zaytoun, área residencial de Gaza, uma no norte&#8230; Desta vez, não é a falta de eletricidade que me impede de escrever, nem tampouco a certeza, a falta palavras ou de informação. É que o terrível bombardeio a curta distância que Israel está desencadeando sobre nós em Gaza – desde logo depois das 11 horas de 27 de dezembro – segue a todo vapor, apesar dos mais de 300 mortos e mais de 800 feridos pelas estimativas conservadoras (1.000 segundo outras estimativas), sem incluir as vitimas e as baixas dos últimos ataques em curso. O mundo lá fora tem todo o direito de saber o que está se passando em Gaza, e eu também quero saber. Gaza tornou-se uma área isolada, onde as pessoas estão trancadas em suas casas por medo. E, como resultado, nenhuma casa também é segura. Não há nenhum lugar seguro em Gaza. Qualquer lugar pode ser um alvo. Qualquer alvo pode ser justificado como alvo programado ou simplesmente por estar localizado próximo a um verdadeiro alvo programado.</p>
</div>
<p>Mais tarde, ela simplesmente <a href="http://ingaza.wordpress.com/2008/12/29/for-now/">diz</a> [en]:</p>
<blockquote><p>For now…i prepare for no electricity, no internet, and the worst<br />
i’m praying that you will do your part outside Gaza to end this horror<br />
7 more killed, 10s wounded in latest attack in north of gaza</p></blockquote>
<div class="translation">Neste momento, me preparo para não ter acesso à eletricidade, Internet e para o pior.<br />
Estou rezando para que cada um de vocês faça sua parte fora de Gaza para pôr fim a este horror. Mais 7 mortos e dezenas de feridos no último ataque israelense no norte de Gaza.</div>
</div>
<p>[<strong>Nota da edição:</strong> Artigo publicado originalmente no Global Voices em 29 de dezembro de 2008. Essa tradução apareceu pela primeira vez no blog <a href="http://livreacao.blogspot.com/2009/01/direto-de-gaza-blogueiros-palestinos.html">LivreAção</a>].</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/01/14/palestina-blogueiros-em-gaza-relatam-o-terror/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Palestina: &#8220;Não quero que meus filhos me vejam em pedaços&#8221;</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/01/11/palestina-nao-quero-que-meus-filhos-me-vejam-em-pedacos/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/01/11/palestina-nao-quero-que-meus-filhos-me-vejam-em-pedacos/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 11 Jan 2009 12:49:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paula Góes</dc:creator>
				<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra & Conflito]]></category>
		<category><![CDATA[Humanitário]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
		<category><![CDATA[Middle East & North Africa]]></category>
		<category><![CDATA[Palestine]]></category>
		<category><![CDATA[Refugiados]]></category>
		<category><![CDATA[Relações Internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Socorro & Resgate]]></category>
		<category><![CDATA[Video]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=1515</guid>
		<description><![CDATA[Qual é a sensação de ser incapaz de proteger seus próprios filhos? Nessa ronda dos blogues de Gaza, ouvimos uma mãe que se sente destruída pela culpa de ver seus filhos expostos ao terror: “Será que foi um equívoco ter filhos, para começar? Não tenho o direito de ser mãe?” ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/ayesha-saldanha/">Ayesha Saldanha</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/paulagoes/'>Paula Góes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/01/10/palestine-i-do-not-want-my-kids-to-see-me-torn-into-pieces/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="single" class="entry">
<div id="result_box" style="text-align: left;" dir="ltr">Qual é a sensação de ser incapaz de proteger seus próprios filhos? Nessa ronda dos blogues de Gaza, ouvimos uma mãe que se sente destruída pela culpa de ver seus filhos expostos ao terror: &#8220;Será que foi um equívoco ter filhos, para começar? Não tenho o direito de ser mãe?&#8221;</div>
<p>O fotojornalista palestino Sameh Habeeb bloga no <em><a href="http://gazatoday.blogspot.com/2009/01/day-15-of-israeli-war-on-gaza.html">Gaza Strip, The Untold Story</a></em> [Faixa de Gaza, a História não Contada, en]:</p>
<blockquote><p>Most of the Gaza Strip plunges into deep darkness since the start of this war. I find several hardships to send out this report due to power problem. Today, a rocket targeted my uncle&#39;s house. My house got several splinters and rocket shrapnel. Thanks to God, we all safe but I don&#39;t know what will happen next. I live east of Gaza, Toffah area, were artillery shells rained down every single moment.</p></blockquote>
<div class="translation">A maior parte da Faixa de Gaza está mergulhada na escuridão profunda desde o início desta guerra. Tenho várias dificuldades para enviar a essa reportagem, devido ao problema da falta de eletricidade. Hoje, um foguete atingiu a casa do meu tio. Minha casa ficou com vários pedaços e estilhaços do foguete. Graças a Deus, todos nós estamos a salvo, mas não sei o que vai acontecer daqui para frente. Eu vivo ao leste de Gaza, na área de Toffah, onde chove artilharia o tempo inteiro.</div>
<p>Natalie Abou Shakra, uma ativista libanesa, escreve no blogue coletivo <em>Moments of Gaza</em> [Momentos de Gaza, en]. Em sua postagem, ela traduz dois folhetos enviados pelo exércido isreaelense pedindo aos residentes de Gaza que fornecessem mais informações sobre o paradeiro dos soldados do Hamas. Natalie <a href="http://gaza08.blogspot.com/2009/01/natalie-abou-shakra-from-idf-with-love.html">comenta</a>:</p>
<blockquote><p>What really shocked me is the username they chose for their email. “Helpgaza2008″ ?!</p>
<p>I think this e-mail of theirs deserves to be bombed with the right kind of messages!</p></blockquote>
<div class="translation">O que me deixa muito chocada é o nome de remetende que escolheram para o e-mail deles. &#8220;Helpgaza2008&#8243; [AjudeGaza2008]?</p>
<p>Acho que esse e-mail deles merece ser bombardeado com mensagens do tipo certo!</p>
</div>
<p>Nirmeen Kharma Elsarraj escreve no blogue coletivo <em><a href="http://lamentations-gaza.blogspot.com/2009/01/fifth-day.html">Lamentations-Gaza</a></em> [Gaza-Lamentações, en] :</p>
<blockquote><p>There are things that are not well reported in the news, feelings!! I have three children, a daughter Nour who is 14, a son Adam who is 9 and another son Ali who is 3. We live in an area in Gaza city that used to be described &#39;safe&#39;. Nowhere is safe anymore. My children cannot sleep and I cannot help them. The feelings of helplessness and guilt (which always accompanies your inability to protect or at least comfort your children) are stronger than those of fear and horror. My daughter was telling a journalist on the phone yesterday that she had never got the real support she sought from me whenever there was a shelling. I was shocked!! I felt so guilty because my daughter felt my fears. But is it not normal to be scared after all?! Adam is asthmatic and he uses a ventilator. Due to the stress and the pollution resulting from rubbles, he is getting more frequent asthma attacks and there is no electricity for his ventilator. Each time he has an attack, we have to put the generator on for him and then put it off. There is no enough fuel to keep the generator on and we have no idea till when this is going to continue. Ali has no idea what this is all about. All what he does is scream in fear whenever there is a bombing and when it is over, he uses his imagination to tell stories about ‘qasef - bombing&#39;. The kids do not sleep. We spend our days and nights in one single room with my sister in law and her daughter. You feel the stress and fear. You can see it on everyone&#39;s face.<br />
Last night I was thinking about all this. I do not want anyone of my family to get hurt and I thought if anything should happen, I pray it happens to me and not my kids. Then I thought I do not want my kids to see me torn into pieces. The scenes on tv of people killed are so terrifying and I know what it means for children to see such thing. What I really want is for all this to end and for me and my kids to live just like anyone else in the world. I want to get rid of the feeling of guilt towards my kids. Was I mistaken to have kids in the first place? Do I not have the right to be a mother? But am I really doing a good mother&#39;s ‘job&#39; in being the source of comfort for my kids. I know it is not my fault but I knew also that I live in Gaza and Gaza has never been a healthy environment to raise children. Was I that selfish to think about my own feeling to want to be a mother and ignoring my expected failure to protect my kids?</p></blockquote>
<div class="translation">Há coisas que não são bem retratadas nas notícias, os sentimentos! Tenho três filhos, Nour, uma menina de 14 anos, Adam, um menino de 9 e mais um filho de 3, chamado Ali. Vivemos em uma área da Cidade de Gaza que costumava ser descrita como &#8220;segura&#8221;. Lugar nenhum é  seguro agora. Meus filhos não conseguem dormir e eu não posso ajudá-los. Os sentimentos de impotência e culpa (que sempre acompanham a incapacidade de proteger ou de, pelo menos, reconfortar as crianças) são mais fortes do que os de medo e horror. Minha filha contou a um jornalista pelo telefone ontem que ela nunca teve o verdadeiro apoio que procurava em mim, sempre que havia bombardeios. Eu fiquei chocada! Senti-me tão culpada, porque a minha filha percebeu os meus receios. Mas não é normal se ter medo, afinal? Adam é asmático e usa um ventilador. Devido ao estresse e à poluição resultante dos destroços, ele tem crises asmáticas cada vez mais frequentes e não há eletricidade para ligar o ventilador. Cada vez que ele tem um ataque, temos de ligar o gerador para ele e, em seguida, desligá-lo. Não há combustível suficiente para manter o gerador ligado, e não temos nenhuma idéia de até quando isso vai continuar. Ali não tem a menor idéia do que se passa. Ele só faz  gritar de medo sempre que há um bombardeio, e quando acaba, ele usa a imaginação para contar estórias sobre &#8220;qasef&#8221; [bombas, em árabe]. As crianças não dormem. Passamos os dias e noites em um quarto de solteiro, com a minha cunhada e sua filha. Você sente o estresse e medo. Você pode ver isso nos rostos de todos.<br />
Na noite passada eu estava pensando sobre tudo isso. Eu não quero que ninguém da minha família se machuque, e pensei que se alguma coisa tiver de acontecer, rezo para que aconteça comigo e não com meus filhos. Então pensei que não quero que meus filhos me vejam destruída em pedaços. As cenas das pessoas mortas na TV são tão aterrorizantes e sei o que significa para crianças ver tal coisa. O que realmente queremos é que tudo isto chegue ao fim, e para mim e meus filhos desejo que possamos apenas viver, como todos no mundo. Quero me livrar do sentimento de culpa em relação a meus filhos. Será que foi um equívoco ter filhos, para começar? Não tenho o direito de ser mãe? Mas será que estou fazendo um bom &#8220;trabalho&#8221; de mãe sendo fonte de conforto para meus filhos? Sei que não é minha culpa, mas também sabia que vivo em Gaza e Gaza nunca foi um ambiente saudável para se criar filhos. Fui muito egoísta em pensar apenas em minha vontade de querer ser mãe, e ignorar o meu esperado fracasso em proteger meus filhos?</div>
<p>A ativista australiana Sharyn Lock escreve no <em><a href="http://talestotell.wordpress.com/2009/01/10/jan-8-9-with-a-red-cross-evacuation-team/">Tales to Tell</a></em> [Estórias para Contar, en]:</p>
<blockquote><p>So, Thursday: the Red Cross co-ordinated evacuation into Zaytoun. Doctor Said would look good on a Red Cross poster - black sweater, shaved head, muscles enough to keep that Red Cross flag held above his head for the two hours we were behind army lines. You’d definitely invite him in for coffee to ask for his opinion on the state of the world. His colleague has more of an accountant look about him, but his job is to keep us alive - he is armed with a walkie-talkie and is negotiating our path constantly with the army as we move. With May, a small, quick woman who is the Engineer for the Red Crescent, supervising all the vehicles etc, I carry a stretcher and water. About 8 intrepid Red Crescent paramedics join us, wearing weighty bullet proof vests or not dependent on their preference for possible death or certain backache.<br />
[…]<br />
When I was a kid, I was very aware of war zones, but I always understood they happened in places different from my home. I would like to tell you about what I am seeing right now as I walk. I am seeing flowering vines. Bright curtains in windows. Chickens running about. This is your home, you know. This is the garden where your children play. This is your house with obscene holes blown in it, with Israeli snipers lurking in the shadows of its roof, with a dead resistance fighter sitting with his back to your wall.</p></blockquote>
<div class="translation">Então, na quinta-feira: a Cruz Vermelha coordenou a evacuação em Zaytoun. Doutor Said ficaria muito bem em um cartaz da Cruz Vermelha - suéter preto, cabeça raspada, com músculos suficientes para manter a bandeira da Cruz Vermelha no ar acima de sua cabeça pelas duas horas que estávamos atrás das filas do exército. Você definitivamente o convidaria para tomar um café e perguntar sua opinião sobre o estado do mundo. Seu colega tem mais a aparência de contador, mas seu trabalho é nos manter vivos - ele está munido de um walkie-talkie e negocia o nosso trajeto o tempo todo com o exército, enquanto nos movemos. Com May, uma mulher pequena e ágil, Engenheira da Lua Crescente que fiscaliza todos os veículos, etc, carrego uma maca e água. Cerca de 8 intrépidos paramédicos da Lua Crescente juntam-se a nós, vestindo pesados coletes à prova de balas, ou não, de acordo com suas opções entre uma possível morte ou dores nas costas.<br />
[&#8230;]<br />
Quando eu era criança, era muito consciente sobre as zonas de guerra, mas sempre soube que elas aconteciam em lugares que não fossem minha casa. Gostaria de contar a vocês que o que estou vendo agora mesmo, enquanto ando. Estou vendo vinhedos floridos. Cortinas coloridas nas janelas. Galinhas correndo para lá e para cá. Esta é a sua casa, sabe. Este é o jardim onde as crianças brincam. Esta é a sua casa com buracos obscenos bombardedos nela, com atiradores israelenses escondidos nas sombras do seu telhado, com uma lutador da resistência morto, sentado com as costas para a parede.</div>
<p>Blogueiros de toda a blogosfera árabe publicam o vídeo <em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=dlfhoU66s4Y">Não vamos cair (Canção para Gaza)</a></em> de <a href="http://www.michaelheart.com/">Michael Heart</a>. Adham Khalil, do campo de refugiados de Jabaliya, que bloga no <em>Free Free Palestine</em> [Palestina Livre, Livre, en], é um <a href="http://nagyelali.blogspot.com/2009/01/we-will-not-go-down-by-mikhael-heart.html">deles</a>:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/dlfhoU66s4Y&amp;hl=en&amp;fs=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/dlfhoU66s4Y&amp;hl=en&amp;fs=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/01/11/palestina-nao-quero-que-meus-filhos-me-vejam-em-pedacos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Palestina: &#8220;Em Gaza, somos notícia mas não podemos ver TV&#8221;</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/01/08/palestina-em-gaza-somos-noticia-mas-nao-podemos-ver-tv/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/01/08/palestina-em-gaza-somos-noticia-mas-nao-podemos-ver-tv/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 08 Jan 2009 14:37:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paula Góes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra & Conflito]]></category>
		<category><![CDATA[Humanitário]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
		<category><![CDATA[Italian]]></category>
		<category><![CDATA[Middle East & North Africa]]></category>
		<category><![CDATA[Palestine]]></category>
		<category><![CDATA[Primeira Mão]]></category>
		<category><![CDATA[Refugiados]]></category>
		<category><![CDATA[Relações Internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Socorro & Resgate]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=1512</guid>
		<description><![CDATA[No dia 6 de janeiro, uma escola da ONU no campo de refugiados Jabaliya, que estava sendo usado como abrigo, foi atingida por bombas israelenses que deixaram cerca de 40 pessoas mortas. O exército israelense suspendeu suas operações militares por três horas, para permitir que a ajuda humanitária chegue a Gaza Strip. Nesse artigo, ouvimos reações de blogueiros em Gaza.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/ayesha-saldanha/">Ayesha Saldanha</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/paulagoes/'>Paula Góes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/01/08/palestine-in-gaza-we-are-subject-to-news-but-cannot-see-tvs/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="single" class="entry">
<p>Ontem (6 de janeiro) uma escola da ONU <a href="http://www.un.org/unrwa/refugees/gaza/jabalia.html">no campo de refugiados Jabaliya</a> [en], que estava sendo usado como abrigo, foi <a href="http://globalvoicesonline.org/2009/01/06/palestine-un-school-hit-by-israeli-shells-more-than-40-killed/">atingida por bombas israelenses</a> e cerca de 40 pessoas foram mortas. Hoje, o exército israelense <a href="http://www.nytimes.com/2009/01/08/world/middleeast/08mideast.html">suspendeu suas operações militares</a> [en] por três horas, para permitir que a ajuda humanitária chegue a Gaza Strip. Nesse artigo, ouvimos reações de blogueiros em Gaza.</p>
<p>Prof. Said Abdelwahed, que ensina inglês na Universidade de Al-Azhar, escreve no <em><a href="http://gaza08.blogspot.com/2009/01/prof-said-abdelwahed-unrwa-school.html">Moments of Gaza</a></em> [Momentos de Gaza, en]:</p>
<blockquote><p>Thousands of the Palestinians took refuge into UNRWA schools. <strong>40 of those have been killed in an air attack today on that school!!</strong> It seems even the U.N flag does not have any meaning to Israel? How can it consider itself a part of the international community?!</p></blockquote>
<div class="translation">Milhares de palestinos se refugiaram nas escolas de UNRWA. <strong>40 deles foram mortos em um ataque aéreo hoje na escola!!!</strong> Será que nem mesmo a bandeira da ONU tem algum significado para Israel? Como é que [esse país] pode se considerar parte da comunidade internacional?</div>
<p>A ativista canadense Eva Bartlett, bloga no <em><a href="http://ingaza.wordpress.com/2009/01/06/where-would-you-go/">In Gaza</a> [en]</em> o seguinte:</p>
<blockquote><p>If your unbelievably small and overcrowded land was being terrorized, pulverized by bombs from the world’s 4th largest military, and your borders were closed; if your house was not safe, mosque (church) not safe, school not safe, street not safe, UN refugee camp not safe…Where would you go, run, hide? Over 15,000 have been made homeless, internal refugees from Israel’s house-bombings, shelling, and shooting. Some have been housed in UN schools around Gaza. In Jabaliya today, Israeli warplanes bombed one such school. Shifa’s [hospital] director conservatively estimates 40 dead, 10s injured. It must be higher. […] The Shifa director also told me that emergency medics still cannot reach the Zaytoun house that yesterday morning was bombed with inhabitants locked inside. There are two main accounts of the story, both criminal. One: Israeli soldiers rounded up the inhabitants of the multi-story house, separated the men – 15, I was told – and shot them point blank in front of the women and children of the family, 20, I was told. Then, laid explosives around the house and bombed the rest of the extended family. Two: Israeli soldiers rounded up the inhabitants of the multi-story house, locked them in one room for a day, and bombed it the following morning. Either way, Israeli soldiers intentionally imprisoned and bombed the inhabitants of the house. And are actively preventing medics from reaching any potential survivors. The medics have tried to coordinate with the ICRC (international committee of the red cross) without success: no one can reach the house.</p></blockquote>
<div class="translation">Se sua incrivelmente pequena e superlotada terra estivesse sendo aterrorizada, pulverizada por bombas pela do quarta maior potência militar do mundo, e suas fronteiras fossem fechadas; se sua casa não fosse segura, sua mesquita (igreja) não fosse segura, as escolas não fossem seguras, a rua não fosse segura, o acampamento de refugiados da ONO não fosse seguro&#8230; Para onde você iria, correria, se esconderia? Mais de 15 mil pessoas ficaram desabrigadas, são refugiados internos dos bombardeios das casas, disparos e tiroteios por parte de Israel. Algumas foram alojadas em escolas das Nações Unidas nos arredores de Gaza. Hoje, em Jabaliya, aviões israelenses bombardearam essa escola.  O diretor [do hospital] de Shifa estima, conservadoramente, que são 40 mortos e 10 feridos. Deve ter mais. [&#8230;] O diretor também me disse que as ambulâncias de emergência ainda não podem chegar a casa em Zaytoun que foi bombardeada ontem de manhã, com moradores trancados dentro. Existem duas versões principais para a história, as duas criminosas. Primeira: os soldados isrealenses renderam os moradores do prédio de vários andares, separaram os homens - 15, segundo me disseram - e atiraram neles à queima roupa na frente das mulheres e crianças da família, 20, segundo me disseram. Em seguida, lançaram explosivos ao redor da casa e bombardearam o resto da família. Segunda: os soldados isrealenses renderam os moradores do prédio de vários andares, trancaram-nos em um cômodo por um dia, e bombardearam o prédio na manhã seguinte. De qualquer modo, os soldados isrealenses aprisionaram e bombardearam deliberadamente os moradores da casa. E estão ativamente prevenindo que a ambulância socorra quaisquer sobreviventes em potencial. Os médicos tentaram coordenar com o ICRC (Comitê Internacional da Cruz Vermelha), sem sucesso: ninguém pode chegar à casa.</div>
<p>Philip Rizk, blogueiro egípicio-alemão que bloga no <em>Tabula Gaza</em>, relata uma conversa que teve com Dr Attalah Tarazi em <a href="http://tabulagaza.blogspot.com/2009/01/notes-from-phone-conversation-w-dr.html">Gaza</a> [en]:</p>
<blockquote><p>The numbers of death and injured reported in the media are far below reality as the media is not able to cover incidents as they unfold. I know of cases where homes were surrounded by the Israeli army and people inside gave themselves up and were shot anyway when they exited. […] We have witnessed weapons we have never seen before in our lives. Some explode in the sky and scatter bombs all over. Sporadically, I have smelt smells from some of the burns and wounds that I have never before witnessed […] May god protect us, may god have mercy on us</p></blockquote>
<div class="translation">Os números de mortos e feridos relatados nos meios de comunicação estão muito abaixo da realidade, já que é a imprensa não é capaz de cobrir os incidentes à medida que estes se desdobram. Sei de casos em que as casas ficaram rodeadas pelo exército isrealense, as pessoas no interior se renderam e mesmo assim foram fuzilados ao saírem. [&#8230;] Temos visto armas que nunca havíamos visto antes em nossas vidas. Algumas explodem no céu e espalham bombas por todos os lados. Esporadicamente, senti odores de algumas queimaduras e feridas que nunca testemunhei antes [&#8230;] Que Deus nos proteja, que Deus tenha piedade de nós.</div>
<p>Em outra postagem, Prof. Said Abdelwahed <a href="http://gaza08.blogspot.com/2009/01/prof-said-abdelwahed-waiting-long-lines.html">diz</a> [en]:</p>
<blockquote><p>The 1:00-4:00 p.m. truce was a little bit relief to the civilians in the city. The main concern of the people was to get water from distribution centers. There were long lines of people waiting to get drinking water in plastic jugs! Tanks and artillery are still operating at the edges of Gaza city! More people evacuated their places and resorted to relatives and UNRWA schools…. but yesterday&#39;s bombing has scared everyone sleeping in the schools! Today, there were trucks of urgent food stuff and other medical aids have been allowed to be entered from Rafah into Gaza. In Gaza, we are all subject to news but we cannot see TVs. We hear about it from relatives who call us by telephones from abroad. We are still without electricity and water, plus that a great number of people are without cooking gas!</p></blockquote>
<div class="translation">1:00-4:00 da tarde – A trégua trouxe um pouco alívio para os civis na cidade. A principal preocupação do povo foi obter água nos centros de distribuição. Havia longas filas de pessoas esperando para levar água potável em jarras de plástico! Tanques e artilharia ainda estão operando em Gaza, nas fronteiras da cidade! Mais pessoas evacuaram suas casas e recorreram a familiares e escolas da UNRWA &#8230;. mas ontem um bombardeio meteu medo em todos os que estavam dormindo nas escolas! Hoje, caminhões de urgência com alimentos e outros auxílios médicos foram autorizados a entrarem em Gaza a partir de Rafah. Em Gaza, somos notícia mas não podemos ver televisão. Ouvimos isso de parentes, que nos telefonam a partir do estrangeiro. Estamos ainda sem electricidade e água, e mais um grande número de pessoas está sem gás para cozinhar!</div>
<p>O fotojornalista palestino Sameh Habeeb, que bloga no <em>Gaza Strip, The Untold Story</em> [Faixa de Gaza, a Estória Não Contada, en], explica como ele está <a href="http://gazatoday.blogspot.com/2009/01/day-12-of-israeli-war-on-gaza.html">cobrindo</a> os eventos:</p>
<blockquote><p>Dear Editors, Journalists and Friends,<br />
Some of you do wonder how I send news in such conditions. I really suffer a lot to send you this update due to lack of power. I go around 4 kilometers a day in this cruel war where I charge my laptop battery to be able to send this work! This is very risky since shells rain down and drones hover over me! I will keep this up.</p></blockquote>
<div class="translation">Prezados editores, jornalistas e amigos,<br />
Alguns de vocês ficam pensando como eu envio notícias sob tais condições. Eu realmente tenho muita dificuldade em lhes enviar essas atualizações, devido a falta de eletricidade. Eu ando cerca de 4 km por dia nesta guerra cruel para poder carregar a bateria de meu laptop e poder enviar meu trabalho! Isso é muito arriscado, uma vez que chovem bombas e aviões pairam sobre mim! Eu vou continuar.</div>
<p>Laila El-Haddad, cujo pais estão em Gaza, bloga no <em>Raising Yousuf and Noor</em> [Criando Youself e Noor], descreve uma conversa com o pai, ao vivo no <a href="http://a-mother-from-gaza.blogspot.com/2009/01/what-do-you-tell-your-daughter.html">Canadian Broadcasting</a>:</p>
<blockquote><p>I asked if he had gone out at all – he said my mother has not left the house in days, but that they needed some tomatoes to cook supper with. “The stores are empty-there is very little on the shelves; and the Shanti bakery had something like 300 people waiting in line.” Surprisingly, he said people are trying to go on with their lives. It is the mundane and ordinary that often save your sanity, help you live through the terror. It is no small thing to endure: knowing that both in deliberateness and scope, it is an unprecedented modern-day assault against an occupied, stateless people – most of them refugees.</p></blockquote>
<div class="translation">Perguntei se ele tinha saído em algum momento - disse que minha mãe não sai de casa há dias, mas que precisavam de tomates para cozinhar o jantar. &#8220;As lojas estão vazias, há muito pouco nas prateleiras, e a padaria Shanti tinha cerca de 300 pessoas aguardando na fila&#8221;. Surpreendentemente, ele disse as pessoas estão tentando tocar suas vidas. É o mundano e ordinário que normalmente salvam a sanidade mental, ajudam a viver o terror. Não é pouca coisa a suportar: sabendo que, tanto deliberadamente ou por extensão, esse é um ataque sem precedentes nos tempos modernos, contra um povo apátridas, assentado – sendo a maioria refugiada.</div>
<p>Safa Joudeh escreve no <em>Lamentations-Gaza</em> [Lamentações–Gaza, en] sobre aproveitar <a href="http://lamentations-gaza.blogspot.com/2009/01/calm-day.html">os momentos ordinários</a> ao máximo:</p>
<blockquote><p>I woke up to the smell of freshly baked bread, at around noon today. I stay up most of the night and catch a few hours sleep after the sun rises. […] My mother has taken to making homemade bread the last ten days. Thanks her careful management of the small amount of cooking gas we have, and to her idea of buying a gas oven in anticipation of an Israeli invasion only days before the attacks began, she is able to bake occasionally. Furthermore, we had found a store with its doors partially open in our area a couple of days ago and were able to stock up on flour. Having lunched with my younger siblings and my parents on bread, cheese, eggs and some leftover pasta, we all went out onto the balcony, and what a beautiful sunny day it was! The iciness had dissipated somewhat with the early day sun, the few trees outside were green and luminous and birds were singing! We all stood for about half an hour, looking out through the metal railings like caged birds. We could hear an occasional explosion in the distance but that did not deter us from standing there breathing in the fresh air we so longed for.</p></blockquote>
<div class="translation">Acordei com o cheiro de pão fresco assado, por volta do meio-dia de hoje. Fiquei acordado a noite toda e tirei um cochilo de algumas horas após o nascer do sol. [&#8230;] Minha mãe começou a fazer pão caseiro nos últimos dez dias. Graças a sua cuidadosa gestão da pequena quantidade de gás de cozinha que temos, e à sua idéia de comprar um forno a gás antecipando uma invasão israelense apenas alguns dias antes dos ataques começarem, ela pode assar ocasionalmente. Além disso, encontramos uma loja com as portas parcialmente abertas na nossa região alguns dias atrás e pudemos armazenar farinha de trigo. Depois de almoçar com os meus irmãos mais novos e meus pais, comendo pão, queijo, ovos e sobras de macarrão, todos nós fomos para a varanda, e que belo dia ensolarado era! O frio tinha se dissipado um pouco com o sol do início do dia, as poucas árvores lá fora estavam verdes e luminosas e os passarinhos cantavam! Fcamos todos por cerca de meia hora, olhando para fora através da grade de metal, como pássaros em gaiolas. Podíamos ouvir uma explosão ocasional na distância, mas isso não nos deteu em ficar de pé lá, respirando o ar fresco tão almejado por nós.</div>
<p><em>RafahKid</em> não está <a href="http://rafahkid.blogspot.com/2009/01/day-11-of-israeli-war-on-gaza.html">acreditando</a> [en]:</p>
<blockquote><p>what&#39;s to say? would you believe back in October we had our first Opera [<a href="http://www.middle-east-online.com/ENGLISH/palestine/?id=29185">music concert</a>] in Gaza. Life is hard when you are kept prisoner your whole life even though you are acknowledged as the victim. But we try hard to live a life and we study very hard. Even to say Hamas is the cause of this is to blame the rape victim for what she was wearing.</p></blockquote>
<div class="translation">O que dizer? Você acreditaria que em outubro passaso tivemos nosso primeiro [<a href="http://www.middle-east-online.com/ENGLISH/palestine/?id=29185">concerto</a> [en]] de ópera em Gaza? A vida é difícil quando se é mantido prisioneiro por toda a sua vida mesmo que você seja reconhecido como a vítima. Mas tentamos com todas as forças viver uma vida e estudamos muito. Mesmo dizer que Hamas é a causa disso tudo é o mesmo que culpar a vítima de estupro pela roupa que ela estava usando.</div>
<p>Vittorio Arrigoni, um ativista italiano bloga no <em><a href="http://guerrillaradio.iobloggo.com/archive.php?eid=1765">Guerrilla Radio</a></em>:</p>
<blockquote><p>Ho scattato alcune fotografie in bianco e nero ieri, alle carovane di carretti trascinati dai muli, carichi all&#39;inverosimile di bambini sventolanti un drappo bianco rivolto verso il cielo, i volti pallidi, terrorizzati. Riguardano oggi quegli scatti di profughi in fuga, mi sono corsi i brividi lungo la schiena. Se potessero essere sovrapposte a quelle fotografie che testimoniano la Nakba del 1948, la catastrofe palestinese, coinciderebbero perfettamente. Nel vile immobilismo di Stati e governi che si definiscono democratici, c&#39;è una nuova catastrofe in corso da queste parti, una nuova Nakba, una nuova pulizia etnica che sta colpendo la popolazione palestinese.</p></blockquote>
<div class="translation">Ontem, tirei umas fotos em preto-e-branco de uma caravana de carros puxados por mulas, carregada de uma forma fora do usual com crianças sacudindo uma bandeira branca nos céus, com as faces pálidas, amendrontadas. Ao olhar hoje para essas fotos de refugiados em fuga, um arrepio pecorre minha espinha. Se pudessem ser sobrepostas às fotografias que são testemunhas do &#8220;<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_%C3%A1rabe-israelense_de_1948">Nakba</a>&#8221; de 1948, a Catástrofe Palestina, elas se combinariam perfeitamente. Por causa da vil inércia dos estados e governos que intitulam-se democráticos, há uma nova catástrofe em curso, um novo Nakba, uma nova limpeza étnica atingindo a população palestina.</div>
<p>Em outro artigo, Eva Bartlett <a href="http://ingaza.wordpress.com/2009/01/05/gaza-walks/">diz</a> [en]:</p>
<blockquote><p>To walk in Gaza city now is to walk through a ghost town, passing shells of buildings, rubble-filled streets, closed shops, and streets barren of life. Before Israel’s attacks across the Gaza Strip’s densely-populated civilian areas began on December 27th, Gaza was a different scene: it was stifled under a siege […] but Palestinians in Gaza still walked the streets, still frequented the parks and public spaces, still pursued education within the Strip and had weddings. On any given day, the main street, Omar Mukthar, would be crowded with taxis heading along the east-west road, kids going to and from school, shoppers, and vendors. Walking Omar Mukthar now is an eerie experience […] In the first days after the missiles hit police stations, mosques, civil administration buildings, Municipal buildings, cars, houses, iron and metal workshops, and universities across the Gaza Strip’s tiny length, people walked carefully, avoiding the bombed sites, very aware they could be re-bombed. […] But now its gotten to such a point, all over Gaza is so completely and thoroughly bombed, that the initial detours we took are pointless: there are simply too many bombed-out buildings and sites to bother avoiding the street. […] So a bombed population already besieged, with no where to run, shot and shelled when running no where, already deprived of medicines and medical care, is now on a new level of starvation, deprivation of water (70 % of people are without), and continues to be psychologically-terrorized by the air activity and bombing. Where to walk? Anywhere, it doesn’t really matter.</p></blockquote>
<div class="translation">Caminhar em Gaza agora é como caminhar por uma cidade fantasma, passando por cascas de edifícios, ruas cheias de escombros, lojas fechadas e ruas sem vida. Antes dos ataques de Israel em áreas de alta densidade populacional civil na Faixa de Gaza começarem em 27 dezembro, Gaza tinha uma paisagem diferente: estava sufocada sob um cerco [&#8230;], mas palestinos na Faixa de Gaza ainda caminhavam pelas ruas, parques e ainda frequentavam o espaços públicos, ainda iam em busca de educação na faixa e havia casamentos. A qualquer dia, a rua principal, Omar Mukthar, estaria repleta de táxis posicionados ao longo da estrada leste-oeste, crianças indo para as escolas, compradores e vendedores. Caminhar pela Omar Mukthar agora é uma misteriosa escabrosa [&#8230;] Nos primeiros dias após os mísseis atingirem delegacias, mesquitas, prédios da administração pública, edifícios municipais, carros, casas, ferralherias e universidades por toda a minúscula Faixa de Gaza, as pessoas andavam com cuidado, evitando as zonas bombardeadas, bem conscientes de que elas poderiam voltar a ser bombardeadas. [&#8230;] Mas agora chegou a tal ponto que toda a Gaza está tão completa e exaustivamente bombardeada, que os desvios que tomamos inicialmente são inúteis: há simplesmente demais edifícios e locais bombardeados para que a gente se preocupe em evitar determinada rua. [&#8230;] Assim, uma população já sitiada, sem para onde correr, bombardeada e fuzilada ao tentar fugir para canto nenhum, já privada de medicamentos e cuidados médicos, está agora em um novo nível de fome e de privação de água (que 70% das pessoas não têm), e continua a ser psicologicamente aterrorizada pela atividade e bombardeios aéreos. Onde passear? Em qualquer canto, não faz mesmo diferença.</div>
<p>Fida Qishta, que bloga no <em>Sunshine</em>, é jornalista freelance, cineasta e ativista morando em Rafah, ao sul da <a href="http://sunshine208.blogspot.com/2009/01/pity-for-tiger-is-injustice-to-sheep_07.html">Faixa de Gaza</a>:</p>
<blockquote><p>Humanitarian aid is still a big problem, including the lack of medicine and food. The Israeli government said that they opened the border crossings to let Palestinians travel to Egypt for medical treatment and for humanitarian aid to enter the Gaza Strip. It’s like the wolf killing the sheep and then selling its leather. Why did they shoot them if they want them to be in good health? Why didn’t they stop the air strikes before they killed and injured all these civilians? They tell the world that the food trucks enter the Gaza Strip. Do you know how many trucks? Do you know that the Gaza Strip is cut into two parts now by the Israeli army? That means that if the humanitarian aid gets through into Rafah, it will never reach Gaza City, because they cut the main road into two parts. It reminds me of the <a href="http://www.usatoday.com/news/world/2005-08-24-palestinian-checkpoint_x.htm">Abu Holy checkpoint</a> which used to divide the Gaza Strip in two. My friends and I used to wait to go to our university for hours and hours. And at the end of the day we went back home, without attending any classes. Our only class was on how to wait. My mother is sitting in the door of our house counting the drones and the F16s. I think that if I asked her to count the air strikes she would do it.</p></blockquote>
<div class="translation">A ajuda humanitária é ainda um grande problema, incluindo a falta de remédios e alimentos. O governo israelense disse que abriu as fronteiras para permitir que palestinos viajem ao Egito para tratamento médico e para a ajuda humanitária entrar na Faixa de Gaza. É como o lobo matando a ovelha e depois vendendo o couro. Por que atirar neles se eles querem que tenham boa saúde? Por que não pararam os ataques aéreos antes de matarem e ferirem todos estes civis? Eles dizem ao mundo que caminhões de alimentos entram na Faixa de Gaza. Você sabe quantos caminhões? Você sabia que a Faixa de Gaza está agora dividida em duas partes pelo exército israelense? Isso significa que o que se obtém através da ajuda humanitária em Rafah, nunca chegará à Cidade de Gaza, porque eles dividiram a estrada principal em duas partes. Isso me lembra do <a href="http://www.usatoday.com/news/world/2005-08-24-palestinian-checkpoint_x.htm">posto de fronteira Abu Houly</a> [en] utilizado para dividir a Faixa de Gaza em duas. Meus amigos e eu costumávamos esperar por horas e horas para ir a nossa universidade. E no final do dia voltávamos para casa, sem assistir a nenhuma aula. Nossa lição era sobre como esperar. Minha mãe está sentada na porta de nossa casa contando as aeronaves não-tripuladas e os F16. Acho que se pedisse a ela para contar os ataques aéreos, ela o faria.</div>
<p>Nader Houella, que gerencia o blogue coletivo <em>Moments of Gaza </em>[Momentos de Gaza], escreve um artigo explicando o que as pessoas interessadas em ajudar <a href="http://gaza08.blogspot.com/2009/01/ways-of-support.html">podem fazer</a>.</p>
</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/01/08/palestina-em-gaza-somos-noticia-mas-nao-podemos-ver-tv/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Protestos contra a guerra em Gaza ocorrem ao redor do mundo</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/01/05/protestos-contra-a-guerra-em-gaza-ocorrem-ao-redor-do-mundo/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/01/05/protestos-contra-a-guerra-em-gaza-ocorrem-ao-redor-do-mundo/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 05 Jan 2009 20:36:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paula Góes</dc:creator>
				<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra & Conflito]]></category>
		<category><![CDATA[Humanitário]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
		<category><![CDATA[Middle East & North Africa]]></category>
		<category><![CDATA[Palestine]]></category>
		<category><![CDATA[Protesto]]></category>
		<category><![CDATA[Relações Internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Spain]]></category>
		<category><![CDATA[Turkey]]></category>
		<category><![CDATA[United Kingdom]]></category>
		<category><![CDATA[Video]]></category>
		<category><![CDATA[Western Europe]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=1508</guid>
		<description><![CDATA[Milhões de pessoas ao redor do mundo foram às ruas de suas cidades para protestar contra os ataques de Israel em Gaza nos últimos dias. Veja aqui uma seleção de vídeos divulgados no YouTube mostrando os protestos em Tel Aviv, Londres, Tóquio, Madrid e Istambul, onde cidadãos de todos os tipos de históricos sociais levantaram a voz e cantaram pela paz na região.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/amira-al-hussaini/">Amira Al Hussaini</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/paulagoes/'>Paula Góes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/01/05/global-protestors-in-full-force-against-gaza-war/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Milhões de pessoas ao redor do mundo foram às ruas de suas cidades para protestar contra os ataques de Israel em Gaza nos últimos dias. Veja aqui uma seleção de vídeos divulgados no <em>YouTube</em> mostrando os protestos em Tel Aviv, Londres, Tóquio, Madrid e Istambul, onde diferentes povos levantaram suas vozes e cantaram pela paz na região.</p>
<p>Em Israel, milhares de pessoas foram às ruas em vários protestos no decorrer dos últimos dias.</p>
<p>Veja abaixo um vídeo do usuário do YouTube <a href="http://uk.youtube.com/watch?v=bB23y9WQOWE">David Reeb</a> sobre um protesto em Tel Aviv:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/bB23y9WQOWE&amp;hl=en&amp;fs=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/bB23y9WQOWE&amp;hl=en&amp;fs=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Outro usuário do YouTube, <a href="http://uk.youtube.com/watch?v=tHi2F67_uRo&amp;feature=related">Asi Omar</a> publica um vídeo de uma manifestação na Universidade de Tel Aviv:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/tHi2F67_uRo&amp;hl=en&amp;fs=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/tHi2F67_uRo&amp;hl=en&amp;fs=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>De Tóquio, no Japão, o usuário do YouTube <a href="http://uk.youtube.com/watch?v=oQ8p13ITNtE&amp;feature=related">MMhefny</a> posta o vídeo a seguir:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/oQ8p13ITNtE&amp;hl=en&amp;fs=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/oQ8p13ITNtE&amp;hl=en&amp;fs=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Centenas de pessoas protestaram contra o bombardeio em Gaza na porta da Embaixada de Israel em Londres, no Reino Unido, de acordo com o vídeo publicado por <a href="http://uk.youtube.com/watch?v=FME8U6mduwA&amp;feature=related">Uruk</a> no YouTube:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/FME8U6mduwA&amp;hl=en&amp;fs=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/FME8U6mduwA&amp;hl=en&amp;fs=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Ainda em Londres, <em><a href="http://uk.youtube.com/watch?v=yr9AwNSVSGs">Soviet Films</a></em> posta outro vídeo da mesma manifestação:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="295" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/yr9AwNSVSGs&amp;hl=en&amp;fs=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="295" src="http://www.youtube.com/v/yr9AwNSVSGs&amp;hl=en&amp;fs=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Uruk publica também <a href="http://uk.youtube.com/watch?v=3Qfh1mHyI7I&amp;feature=related">esse vídeo</a> de um protesto em frente à mesquita Beyazit, em Istambul, na Turquia:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/3Qfh1mHyI7I&amp;hl=en&amp;fs=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/3Qfh1mHyI7I&amp;hl=en&amp;fs=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>E na Espanha, <a href="http://uk.youtube.com/watch?v=nVwAe_ynOCc&amp;feature=related">os protestos aconteceram em Madrid</a>:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/nVwAe_ynOCc&amp;hl=en&amp;fs=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/nVwAe_ynOCc&amp;hl=en&amp;fs=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>De volta à Turquia, <a href="http://uk.youtube.com/watch?v=--s4OYpIGrk&amp;feature=related">Hobareii</a> relata que centenas de milhares de pessoas foram às ruas de Istambul em protesto contra os ataques:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/--s4OYpIGrk&amp;hl=en&amp;fs=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/--s4OYpIGrk&amp;hl=en&amp;fs=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/01/05/protestos-contra-a-guerra-em-gaza-ocorrem-ao-redor-do-mundo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Palestina: O dia mais sangrento desde 1967</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/31/palestina-o-dia-mais-sangrento-desde-1967/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/31/palestina-o-dia-mais-sangrento-desde-1967/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 31 Dec 2008 12:58:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paula Góes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cyber-Ativismo]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Governança]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra & Conflito]]></category>
		<category><![CDATA[Humanitário]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
		<category><![CDATA[Middle East & North Africa]]></category>
		<category><![CDATA[Morocco]]></category>
		<category><![CDATA[Palestine]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Primeira Mão]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=1506</guid>
		<description><![CDATA[Tudo começou como um dia “normal” na Faixa de Gaza. Até o fim do dia, no entanto, estava claro que o 27 de dezembro ficaria conhecido como o dia mais sangrento do conflito entre Palestina e Israel desde 1967. Apesar do alvo dos ataques aéreos israelitas ter sido o Hamas, com o passar do dia ficou claro que houve também um grande número de civis entre as casualidades, cerca de 225 no total.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/jillian-york/">Jillian York</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/paulagoes/'>Paula Góes</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/12/28/palestine-the-bloodiest-day-since-1967/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="single" class="entry">
<p>Tudo começou como um dia “normal” na Faixa de Gaza. Até o fim do dia, no entanto, estava claro que o 27 de dezembro ficaria conhecido como o dia mais sangrento do conflito entre Palestina e Israel desde 1967. Apesar do alvo dos ataques aéreos israelitas ter sido o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Hamas">Hamas</a>, com o passar do dia ficou claro que houve também um grande número de civis entre as casualidades, cerca de 225 no total.</p>
<p>Blogueiros na Palestina e ao redor do mundo se chocam à medida em que os números sobem. Esse choque, junto com a raiva despertada pela cobertura tendenciosa dos acontecimentos na imprensa, é palpável nos artigos postados em blogues hoje [28 de dezembro].</p>
<p>Marcy Newman do blogue <em>body on the line</em> <a href="http://bodyontheline.wordpress.com/2008/12/28/the-single-bloodiest-day-since-1967/">detalha o seu dia na Margem Ocidental</a> [en] relembrando o momento em que ficou sabendo das notícias:</p>
<blockquote><p>11:30 am the itf begin their air strikes in gaza with american-made f16 fighter jets. the radio is not on in the service. no one seems aware of this fact. but within 15 minutes over 200 patients flood hospitals, like al shifa hospital. orthopedic and maternity wards are turned into make-shift emergency rooms. from 10 month old babies to 55 year old women, palestinian civilians are massacred. <strong>this is the single bloodiest day since 1967</strong>.</p></blockquote>
<div class="translation">11:30 O exército de Israel começou os ataques aéreos na Faixa de Gaza com caças a jato F16 feitos nos EUA. A rádio não está no ar. Ninguém parece ciente desse fato. Mas, dentro de 15 minutos, mais de 200 pacientes inundaram os hospitais, como o hospital Al shifa. As alas de ortopedia e maternidade são transformadas em salas de emergência improvisadas. De bebês de 10 meses de idade a senhoras de 55 anos, civis palestinos são massacrados. <strong>Este é o mas sangrento dia desde 1967.</strong></div>
<p>Ela conclui:</p>
<blockquote><p><strong>this is the bloodiest day since 1967</strong>. i have lost track of time. i have been watching al jazeera–english and arabic–for hours. it is now 3:08 am. the itf bombed a mosque a couple of hours ago across the street from al shefa hospital. i think that was at 1:10 am. i cannot keep track. 225 palestinians massacred. more in the rubble.</p></blockquote>
<div class="translation"><strong>Este é o mas sangrento dia desde 1967. </strong>Já perdi a noção do tempo. Passei horas assistindo a Al Jazeera em inglês e árabe. Agora são 3:08 da madrugada. O exércido de Israel bombardeou uma mesquita há umas duas horas atrás do outro lado da rua do hospital al shefa. Acho que foi às 1:10. Eu não consigo acompanhar. 225 palestinos massacrados. Mais nos escombros.</div>
<p>Haitham Sabbah, que se auto-denomina “desarraigado blogueiro palestino”, <a href="http://palestinethinktank.com/2008/12/27/haitham-sabbah-photos-of-the-day/">compartilha um monte de fotografias</a> tiradas hoje, dentro dos confins de Gaza. Sobre elas, ele comentou:</p>
<blockquote><p>Palestinians in the Occupied West Bank went demonstrating against the Israel terrorist crimes in Gaza and attacked Israeli terrorists with stones. Reports indicated that all fractions between political parties vanished during these demonstrations, which included Hamas and Fatah supporters who attacked Israel&#39;s terrorist army side by side.</p></blockquote>
<div class="translation">Palestinos em territórios ocupados da Cisjordânia protestaram contra os crimes terroristas de Israel em Gaza e atacaram terroristas israelitas com pedras. As notícias indicam que todas as facções entre os partidos políticos desapareceram durante essas manifestações, que contaram com militantes do Hamas e do Fatah atacando lado a lado o exército terrorista de Israel.</div>
<p>O blogueiro marroquinho <em>Al Miraat</em> (The Mirror) <a href="http://almiraatblog.wordpress.com/2008/12/28/brinkmanshi/">profere sua calma perspectiva de sempre</a> [en], dizendo:</p>
<blockquote><p>Bombing civilian areas is not something civilized countries do. Since Nuremberg this is considered a war crime. This is a war crime; a massacre; a mass murder, committed by American made deadly weapons, mostly paid for by American taxpayer’s money.</p>
<p>The terrible thing is, this will not make Israel safer and will only aggravate the trend in the Palestinian (and indeed the Arab street) toward a more extremist position. These policies have been pursued for decade after decade and have led nowhere. It is Israel that is upholding the status quo.</p></blockquote>
<div class="translation">Bombardear áreas civis não é algo que países civilizados façam. Desde Nuremberg, isso é considerado um crime de guerra. Trata-se de um crime de guerra, um massacre, um assassinato em massa cometido por armas mortais fabricadas nos Estados Unidos, na sua maioria pagas pelo dinheiro do contribuinte americano. O pior é que isso não vai tornar Israel mais seguro e só vai agravar a tendência da Palestina (e, aliás, do mundo árabe) na direção de uma posição mais extremista. Estas políticas têm sido aspiradas década após década e não levaram nada. É Israel que está confirmando o status quo.</p>
</div>
<p>Mohammad, do KABOBfest, que é baseado na Palestina, <a href="http://www.kabobfest.com/2008/12/gaza-slaughter-of-people.html">resumiu os eventos do dia</a> [en]. Ele conseguiu falar com amigos e parentes em Gaza, e relatou suas reações:</p>
<blockquote><p>It was tough to get a line into Gaza during the day, but I managed to get hold of my uncle Mohammad in Gaza City. He sounded in shock, unable to say much. I asked him where he was; he replied that he was next to the building used to issue passports, and there were about 50 bodies inside. I couldn&#39;t say anything. I hung up.</p>
<p>My uncle Jasim in Khan Younis was also outside. He said he was okay, but there were explosions and dead people everywhere.</p>
<p>I didn&#39;t even bother talking to my uncle Mahmoud; my mom had called him and heard crying all around him. His wife was mourning the death of her brother.</p>
<p>I think the most poignant emotion was shock, whether in Gaza or in the West Bank. As its primary victims, we had become used to Israel crossing red lines in its continuous policy of opression and occupation. But this was something else. The sheer scale of the massacre was unfathomable.</p></blockquote>
<div class="translation">Foi duro conseguir ligar para Gaza durante o dia, mas eu consegui falar com meu tio Mohammad na Cidade de Gaza. Ele parecia em choque, incapaz de falar muito. Perguntei-lhe onde estivera e ele respondeu que estava ao lado do prédio utilizado para emissão de passaportes, havia cerca de 50 corpos dentro dele. Não pude dizer nada. Desliguei.</p>
<p>Meu tio Jasim em Khan Younis também estava na rua. Ele disse que estava tudo bem, mas que havia explosões e pessoas mortas por todos os lados.</p>
<p>Não me incomodei em ligar para meu tio Mahmoud; minha mãe tinha ligado para ele e ouviu o choro ao redor. Sua esposa estava de luto pela morte do irmão.</p>
<p>Acho que a emoção mais pungente foi o choque, quer em Gaza ou na Cisjordânia. Como suas principais vítimas, estamos acostumados com Israel passando dos limites na sua contínua política de opressão e de ocupação. Mas isso foi outra coisa. A própria escala do massacre é incomensurável.</p>
</div>
<p>Ele resume:</p>
<blockquote><p>Israel still believes it can impose its will by force. The only way its goals will be met is through genocide. But there is another angle, and that is the upcoming Israeli election. It is not novel for incumbent Israeli governments to carry out atrocities against Palestinians to garner domestic support, and with the Likud expected to win the next elections, this is definitely a power play by the embattled ruling party, Kadima.</p>
<p>Today, and probably the days to come, will be a clear demonstration os the very worst of Israel, what Will termed a dangerous blend of Zionist fantasy and election posturing. For 60 years, Israel has tried to use its overwhelming military prowess to cow the Palestinians into accepting the fate it dictates for them, and for 60 years no Israeli government has been able to do that.</p>
<p>Remember Gaza.</p></blockquote>
<div class="translation">Israel ainda acredita que pode impor sua vontade pela força. A única forma pela qual seus objetivos serão alcançados é por meio de genocídio. Mas há um outro ângulo, que é a futura eleição israelense. Não se trata de novidade que governos israelitas levem a cabo atrocidades contra palestinos para angariar apoio interno, e com a esperada vitória do Likud nas próximas eleições, este é definitivamente um jogo de poder por parte do partido governante, Kadima.</p>
<p>Hoje, e provavelmente os dias vindouros, haverá uma demonstração clara da pior face de Israel, que será uma perigosa mistura de fantasia sionista e exibicionismo eleitoral. Há 60 anos, Israel tem tentado usar o seu esmagador poder militar para intimidar os palestinos a aceitarem o destino ditado por eles, e há 60 anos nenhum governo israelita foi capaz de conseguir isso.</p>
<p>Não se esqueça de de Gaza.</p>
</div>
<p>Para obter mais informações sobre os ataques em Gaza, visite a <a href="http://globalvoicesonline.org/specialcoverage/2008-gaza-strip-bombings/">página de cobertura especial sobre os bombardeios</a> [en] do Global Voices.</p>
</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/31/palestina-o-dia-mais-sangrento-desde-1967/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>R. D. do Congo: Violações de Direitos Humanos e Violência contra Mulheres em Kivu do Norte</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/12/republica-democratica-do-congo-violacoes-de-direitos-humanos-e-violencia-contra-mulheres-em-kivu-do-norte/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/12/republica-democratica-do-congo-violacoes-de-direitos-humanos-e-violencia-contra-mulheres-em-kivu-do-norte/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 12 Dec 2008 20:06:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elisa Thiago</dc:creator>
				<category><![CDATA[D.R. of Congo]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[Governança]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra & Conflito]]></category>
		<category><![CDATA[Gênero]]></category>
		<category><![CDATA[Humanitário]]></category>
		<category><![CDATA[Informes]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade de Expressão]]></category>
		<category><![CDATA[Photos]]></category>
		<category><![CDATA[Socorro & Resgate]]></category>
		<category><![CDATA[Spanish]]></category>
		<category><![CDATA[Sub-Saharan Africa]]></category>
		<category><![CDATA[Video]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=1494</guid>
		<description><![CDATA[Hoje [10/12] é o<a href="http://www.un.org/events/humanrights/2008/index.shtml"> Dia Internacional dos Direitos Humanos</a> [en] e, com o lema <a href="http://www.everyhumanhasrights.org/">“Todo o ser humano tem direitos"</a> [en], este é o ano que marca o 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. É também o último dia da campanha anual de <a href="http://www.cwgl.rutgers.edu/16days/home.html">"16 dias de ativismo contra violência de gênero"</a>[en]. Em muitas partes do mundo, entretanto, a situação dos direitos humanos está longe de ser a ideal e a violência de gênero é uma ameaça diária. Um desses lugares é a província de Kivu do Norte na República Democrática do Congo, como pode ser constatado por este apanhado de blogues escritos por trabalhadores humanitários na região.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/elia/">Elia Varela Serra</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/elisathiago/'>Elisa Thiago</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/12/10/drc-human-rights-and-gender-violence-in-north-kivu/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p><img src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/12/vocescongo2.jpg" alt="truck loaded with people and machine gun in the foreground" hspace="5" align="right" /> Hoje [10/12] é o<a href="http://www.un.org/events/humanrights/2008/index.shtml"> Dia Internacional dos Direitos Humanos</a> [en] e, com o lema <a href="http://www.everyhumanhasrights.org/">“Todo o ser humano tem direitos&#8221;</a> [en], este é o ano que marca o 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. É também o último dia da campanha anual de <a href="http://www.cwgl.rutgers.edu/16days/home.html">&#8220;16 dias de ativismo contra violência de gênero&#8221;</a>[en]. Em muitas partes do mundo, entretanto, a situação dos direitos humanos está longe de ser a ideal e a violência de gênero é uma ameaça diária. Um desses lugares é a província de Kivu do Norte na República Democrática do Congo, como pode ser constatado por este apanhado de blogues escritos por trabalhadores humanitários na região.</p>
<p>Como introdução, um <a href="http://worldfocus.org/blog/2008/12/03/giving-a-human-face-to-congos-conflict/3055/">lembrete</a> [en] do jornalista Michael Kavanagh:</p>
<blockquote><p>I’ve been reporting on DRC for five years now, and there’s nothing that frustrates me more than the dismissive comments I often get about how conflict in Africa is endemic.</p>
<p>Violence is rarely irrational — it almost always has root causes that can be addressed. We’re often just too busy or lazy to learn enough about a situation to figure out how.</p></blockquote>
<div class="translation">Já faço reportagens sobre a República Democrática do Congo há cinco anos agora, e não há nada que me frustra mais do que os comentários desprezíveis que recebo com freqüência de como o conflito na África é algo endêmico.</p>
<p>A violência é, raramente, irracional - quase sempre possui causas primárias que podem ser combatidas. Mas, com freqüência, estamos tão ocupados ou com tanta preguiça que não aprendemos o bastante sobre uma dada situação para descobrir de que forma lidar com ela.</p>
</div>
<p>Alguns dias atrás, Rebecca Wynn, uma funcionária de comunicação para a Oxfam, <a href="http://blogs.oxfamamerica.org/index.php/2008/11/20/congolese-children-are-at-school-but-get-no-education">escreveu sobre os desalojados (IDPs) na região do Kibati</a> [en], região ao norte de Goma:</p>
<blockquote><p>The children I am meeting here in Kibati in the Democratic Republic of Congo are at school, but they get no education. The school is where they sleep. It’s their home. Ever since they fled from the violence in their villages, it’s where they have slept, with leaves as their mattresses and their bodies snuggled close.</p>
<p>[…] There are 21 villages of Kanyaruchinya, which surround the Kibati camps. Four of these villages are completely empty and the rest are full of thousands of people who have been forced to run from their homes. The population here was just under 19,000 people before the recent troubles, but an estimated 50,000 people have arrived in the camps and villages here over the last month. Of the families here, 65 percent are hosting displaced people. But many people are living in public spaces such as schools, churches, and orphanages.</p></blockquote>
<div class="translation">As crianças que tenho conhecido aqui em Kibati na República Democrática do Congo estão na escola, mas não recebem qualquer educação. A escola é o lugar onde dormem. É sua casa. Desde que fugiram da violência em seus vilarejos, é onde elas têm dormindo,  montes de folhas no lugar de colchões, seus corpos aconchegados uns contra os outros.</p>
<p>[&#8230;] Há 21 vilarejos de Kanyaruchinya ao redor dos acampamentos de Kibati. Quatro desses vilarejos estão completamente vazios e o restante, lotado com milhares de pessoas que foram obrigadas a abandonar apressadamente suas casas. A população aqui era de pouco menos de 19.000 pessoas antes dos distúrbios recentes, mas um número estimado em 50.000 pessoas chegou aos acampamentos e vilarejos daqui neste último mês. Das famílias daqui, 65% estão abrigando pessoas desalojadas. Mas muitos estão morando em lugares públicos tais como escolas, igrejas e orfanatos.</p>
</div>
<p>Gina Bramucci do Comitê Internacional de Resgate e Salvamento (IRC) também <a href="http://blog.theirc.org/2008/11/12/weve-been-running-for-a-year-congo/">escreve sobre o acampamento IDP de Kibati</a> [en], onde cerca de 5.000 pessoas estão vivendo em &#8220;abrigos frágeis&#8221; - estruturas feitas com galhos de árvores,  lonas plásticas no lugar de telhados, folhas secas de bananeira para preencher os vãos e servir de quebra-vento”:</p>
<blockquote><p>Firewood distribution in Kibati is important on several levels right now […] In conflict areas trips outside of the population center or camp in search of firewood and water expose civilians to a higher potential of violent attacks. In Congo, men and boys can be beaten, intimidated or forced into labour by armed groups. But the chore of collecting firewood falls to women and girls, and for them, the stakes are even higher.</p></blockquote>
<div class="translation">A distribuição de lenha em Kibati é importante por vários motivos neste exato momento [&#8230;] Excursões para procura de lenha e de água em áreas de conflito para fora do centro populacional ou do acampamento  coloca em risco a vida dos civis a um potencial mais alto de ataques violentos. No Congo, homens e meninos podem apanhar, ser intimidados ou forçados a trabalhar por grupos armados. Mas a tarefa de coletar lenha recai sobre as mulheres e meninas e, para elas, os riscos são ainda maiores.</div>
<p>O perigo ao qual ela se refere é, logicamente, o de estupro. Elizabeth Roesch, uma especialista em questões de gênero e de defesa que trabalha para a CARE, <a href="http://www.alertnet.org/db/blogs/55078/2008/10/14-152349-1.htm">cita uma menina num acampamento para refugiados</a> [en]:</p>
<blockquote><p>The other day, I asked a young girl who fled the most recent fighting, when she would go back home, and she replied: “As long as there is war, we won&#39;t go back - how can we go back and risk being raped? When we go for water, when we go to the fields, we are afraid.” Other women nodded in agreement, and suddenly I understood how effective rape is at terrorizing communities.</p></blockquote>
<div class="translation">Outro dia, perguntei a uma menina que fugiu do episódio mais recente de luta, quando ela voltaria para casa e ela respondeu: &#8220;Enquanto houver guerra, não voltaremos - como voltar e correr o risco de ser estuprada? Quando temos que sair atrás de água, quando vamos para as roças, ficamos com medo.&#8221; Outras mulheres mostraram estar de acordo e de repente compreendi como o estupro é eficaz em aterrorizar as comunidades.</div>
<p><em>Stop the war in North Kivu</em>, um blogue escrito por um trabalhador humanitário anônimo, de Goma, mostra <a href="http://stopthewarinnorthkivu.wordpress.com/2008/12/05/idps-in-kiwanja/">um pequeno vídeo</a> [en] de tais acampamentos IDP:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="400" height="300" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://v.wordpress.com/fiCS05r6" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="400" height="300" src="http://v.wordpress.com/fiCS05r6"></embed></object></p>
<p><em>Stop the war in North Kivu </em>também <a href="http://stopthewarinnorthkivu.wordpress.com/2008/11/28/cndp-makes-prices-go-high/">escreve sobre os &#8220;impostos&#8221; ilegais</a> [en] que o CNDP (o grupo rebelde liderado por Nkunda) impõe à população civil dentro da área que eles controlam:</p>
<blockquote><p>-Long truck: 2000 U$ to get through.<br />
-Fuso truck (small size): 500 U$ to get through.<br />
-Toll for every vehicle: 50 U$.<br />
-If you carry just a bag with some items that could be sold in the market: 5 U$<br />
It is said around here that CNDP is a disciplined force in the sense that they don´t loot the population. Now I understand that they simply don´t need to do it. With this kind of tax procedure, looting becomes completely innecessary.<br />
Meanwhile, the price in Goma of first need commodities like beans has tripled in the last two months.</p></blockquote>
<div class="translation">-Caminhão longo: 2000 U$ para passar.<br />
-Caminhão Fuso (tamanho pequeno): 500 U$ para passar.<br />
-Pedágio para qualquer veículo: 50 U$<br />
-Se você carrega só uma sacola com alguns itens próprios para venda no mercado: 5 U$<br />
É dito por aqui que o CNDP é uma força disciplinada no sentido de que não saqueia a população. Agora, o que eu entendo, é que eles simplesmente não precisam fazer isso. Com o tipo de impostos que impõem, o saque se torna completamente desnecessário.</div>
<p>Emily Meehan, a gerente de comunicação para a IRC em Goma, <a href="http://blog.theirc.org/2008/12/08/a-fresh-view-of-the-congo-crisis/">escreve sobre sua chegada recente a Kivu do Norte:</a>[en]<a href="http://blog.theirc.org/2008/12/08/a-fresh-view-of-the-congo-crisis/"><br />
</a></p>
<blockquote><p>[earlier this year] I was reading about the Democratic Republic of Congo, particularly North Kivu, and wondering why we didn’t hear more about the ongoing humanitarian crisis there. I thought about the women and girls who have been raped and tortured by armed groups. I imagined Goma, North Kivu’s capital, to be a town under daily siege, with mortars blasting, windows shattering and machine gun fire crackling always in the distance. I imagined civilians running in hordes from clashes in the streets, screaming, moaning, and falling. My imagination was far from reality.<br />
I arrived here in Goma last month […] and I quickly saw that this tragedy is not so obvious – people have been living with war for too long in Congo. It is not sensational. They carry on, their “everyday switch” set on emergency.</p></blockquote>
<div class="translation">[no início do ano] estava lendo sobre a República Democrática do Congo, em particular o Kivu do Norte, e imaginava o porquê não ouvíamos falar mais sobre a crise humanitária que estava ocorrendo lá. Pensei sobre as mulheres e meninas que são estupradas e torturadas por grupos armados. Imaginava  Goma, a capital de Kivu do Norte, como uma cidade sob cerco diário, com rajadas de morteiros, vidros estilhaçados e estalidos contínuos dos disparos de metralhadoras à distância. Imaginava a população de civis correndo em bandos para longe das batalhas nas ruas, gritando, gemendo e caindo. Minha imaginação estava longe da realidade. Cheguei aqui em Goma no mês passado [&#8230;] e logo percebi que esta tragédia não é assim tão óbvia - as pessoas convivem com a situação de guerra já há muito tempo  no Congo. Deixou de ser algo extraordinário para elas. Elas vão em frente com a vida, seus &#8220;botões do cotidiano&#8221; ajustados para emergência.</div>
<p><img src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/12/voces-congo1.jpg" alt="man on a bike carrying a sofa loaded across it" /></p>
<p>Iker Zirion, que trabalha para o <em>Veterinarios sin Fronteras</em> (VSF) em Butembo, escreve [es] uma parábola que ilustra a complexidade do conflito armado em Kivu do Norte, no qual ele se refere às <a href="http://www.elperiodico.com/blogs/mapamundi/blogs/congo/archive/2008/12/10/tres-causas-un-mismo-efecto-1.aspx">“três causas para um mesmo resultado&#8221;:</a>[es]</p>
<blockquote><p>Un soldado de las Fuerzas Armadas de la RDC que huye del frente entra en casa de Vital Kagheni buscando algo de comida. Le golpea. Aprovecha para robarle el dinero y el móvil. Más tarde, vuelve con otros dos soldados. Quieren algo más que dinero. Quieren a su mujer.<br />
Al otro lado de ese frente del que huyen, el CNDP toma varias localidades. En la escuela de una de ellas, encuentran a Bertrand Kitambala. Tiene 13 años. En algunos países, hay personas que creen que esa edad es suficiente para empuñar un arma. Desgraciadamente, la RDC es uno de esos países.<br />
Un miembro de las FDLR está escondido en el bosque. Lleva ahí mucho tiempo. Está cansado y tiene hambre. Hacia él se acerca, sin saberlo, Kakule Lukumbuka. Lleva una cabra atada con una cuerda. Cuando llega a su altura, el FDLR sale de su escondite y le dispara. Pero no antes de arrebatarle la cuerda de las manos. No tiene ganas de correr y no quiere que el disparo haga huir a la cabra.</p></blockquote>
<div class="translation">Um soldado das Forças Armadas da República Democrática do Congo, em fuga da frente de batalha, entra na casa de Vital Kagheni em busca de comida. Dá-lhe um soco. Aproveita-se para roubar-lhe o dinheiro e o telefone celular. Mais tarde, retorna com dois outros soldados. Querem algo mais. Querem a esposa de Kagheni.<br />
Do outro lado da frente de batalha da qual fogem, a CNDP toma conta de várias localidades. Na escola de um deles, encontram Bertrand Kitambala. Ele tem 13 anos. Em alguns países, há aqueles que acreditam que é idade o bastante para empunhar armas. Infelizmente, a República Democrática do Congo é um desses países.<br />
Um membro da FDLR encontra-se escondido na mata. Já está lá há muito tempo. Está cansado e tem fome. Sem que saiba, Kakule Lukumbuka caminha em sua direção. Carrega uma cabra presa a uma corda. Quando chega próximo de onde se encontra o FDLR, este sai do esconderijo e atira nele. Mas antes, arrebata-lhe a corda de suas mãos. Não tem vontade de correr e nem quer que o disparo assuste a cabra para longe.</div>
<p>Numa outra postagem, Iker Zirion <a href="http://www.elperiodico.com/blogs/mapamundi/blogs/congo/archive/2008/11/26/empezar-de-cero-otra-vez.aspx">escreve sobre começar tudo de novo</a>:[es]</p>
<blockquote><p>“¡Buenas tardes! El día ha pasado sin incidencias, pero en un ambiente de tristeza para casi todo el mundo. Nada se ha salvado. Hay que empezar nuevamente de cero”, nos dice vía sms APRONUT, oenegé de desarrollo congoleña y una de nuestras contrapartes en Kirumba.<br />
No es la primera vez. La población de la zona ha tenido que comenzar de cero varias veces desde la década de los noventa hasta hoy. ¿Qué se puede responder a un sms como ese? Yo, desde luego, no lo sé. Afortunadamente, otra persona del equipo tuvo más capacidad de reacción: “¡Animo! Empezaremos de nuevo todos juntos”.</p></blockquote>
<div class="translation">Boa tarde! O dia passou sem incidentes, mas num ambiente de tristeza para quase todo mundo. Quase nada foi salvo. Temos que começar novamente do zero&#8221;, conta-nos via sms APRONUT, a ONG de desenvolvimento congolesa que é uma de nossas parceiras em Kirumba.<br />
Não é a primeira vez. A população já teve que começar de novo muitas vezes desde a década de 1990. O que podemos responder a um SMS como este? Eu realmente não sei. Por sorte, outra pessoa da equipe foi capaz de reagir mais rápido: &#8216;Vamos lá! Nós vamos começar de novo todos juntos&#39;.&#8221;</div>
<p><em>As duas fotos foram tiradas por <a href="http://www.elperiodico.com/blogs/mapamundi/photos/congo/slideshowpro2.aspx">Iker Zirion</a></em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/12/republica-democratica-do-congo-violacoes-de-direitos-humanos-e-violencia-contra-mulheres-em-kivu-do-norte/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Dia Mundial da Deficiência no Sul da Ásia</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/09/dia-mundial-da-deficiencia-no-sul-da-asia/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/09/dia-mundial-da-deficiencia-no-sul-da-asia/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Dec 2008 12:39:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>dominguezvaleska</dc:creator>
				<category><![CDATA[Criança]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Humanitário]]></category>
		<category><![CDATA[India]]></category>
		<category><![CDATA[Juventude]]></category>
		<category><![CDATA[Nepal]]></category>
		<category><![CDATA[Pakistan]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[South Asia]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=1479</guid>
		<description><![CDATA[Em todo o mundo, o dia 1o de dezembro é lembrado como o Dia de Luta contra a AIDS, e a ocasião é amplamente divulgada. Diferindo da atenção dedicada ao Dia Mundial de Luta contra a AIDS, o Dia Mundial da Deficiência mal é registrado pelo radar da mídia mundial. Celebrado todos os anos em 3 de dezembro, o Dia Mundial da Deficiência homenageia as contribuições dadas ao nosso mundo pelas pessoas com deficiências físicas e mentais. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/bhumika-ghimire/">Bhumika Ghimire</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/dominguezvaleska/'>dominguezvaleska</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/12/03/world-disability-day-in-south-asia/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Em todo o mundo, o dia 1o de dezembro é lembrado como o Dia de Luta contra a AIDS, e a ocasião é amplamente divulgada. Diferindo da atenção dedicada ao Dia Mundial de Luta contra a AIDS, o Dia Mundial da Deficiência mal é registrado pelo radar da mídia mundial.</p>
<p><img class="alignnone wp-image-53515" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/12/circle-of-friends-640x480.jpg" alt="" width="400" /></p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/wilderdom/65444685/">Círculo de amigos</a>, do usuário do Flickr <a href="http://www.flickr.com/photos/wilderdom/">Jimee, Jackie, Tom e Asha</a>, sob  <a href="http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/deed.en">licença de Creative Commons</a>.</p>
<p>Celebrado todos os anos em 3 de dezembro, o Dia Mundial da Deficiência homenageia as contribuições dadas ao nosso mundo pelas pessoas com deficiências físicas e mentais. No caso do sul da Ásia, existe um grave estigma vinculado a qualquer tipo de limitação física e mental. O Dia Mundial da Deficiência é uma oportunidade para ampliar a consciência sobre os direitos das pessoas com deficiência, assim como a idéia de que ser capaz de uma forma diferente não é pecado ou motivo de vergonha.</p>
<p>Na Índia, o ativista <em><a href="http://wdd.co.in/">Javed Abidi</a></em>, principal defensor dos direitos das pessoas com deficiência no país, comandará um evento chamado &#8220;Dilli Chalo&#8221; or &#8220;Vamos para Delhi&#8221;, para lembrar a ocasião. Ele será realizado no monumento Porta da Índia.</p>
<p>O <em>Sr. Abidi</em> diz que o país tem alcançado progressos no sentido de assegurar os direitos das pessoas com deficiência, porém mais precisa ser feito.</p>
<blockquote><p>Now, in India, as we are aware, we have had the Disability Act for the last <span>12 years</span>. Last year we thought was a momentous year for two reasons. One was that our country ratified the UN Convention, and the second was that we also got the XI Plan. And in the XI Plan…..for the first time, there is a distinct chapter or a section on disability. And <span class="style3">we thought that things were going to change</span>. ……if we were look at the last one year, we find that <span>things have not really moved the way we had expected them to move…</span>.</p></blockquote>
<div class="translation">&#8220;Agora na Índia, como sabemos, temos celebrado o Dia da Deficiência ao longo dos últimos 12 anos. Achamos que o ano passado foi um marco por duas razões. A primeira é que nosso país ratificou a Convenção da ONU, e a segunda foi que também recebemos o Plano XI. E no Plano XI&#8230; pela primeira vez, existe um capítulo ou seção distinta para as necessidades especiais. E achávamos que as coisas iam mudar&#8230; quando observamos o ano passado, descobrimos que elas na verdade não aconteceram como esperávamos que acontecessem&#8230;&#8221;</div>
<p>Além do tratamento de questões legais relacionadas aos direitos das pessoas com deficiência e às oportunidades que elas merecem, também são necessários esforços para ajudar aqueles que vivem na pobreza absoluta devido à sua condição física.</p>
<p>Uma reportagem publicada pelo <a href="http://www.thenational.ae/article/20081120/FOREIGN/224768078/1103/ART">The National</a> mostra o quanto é urgente para os cidadãos pobres e com deficiência na Índia que seu governo tome atitudes capazes de garantir a eles uma vida digna.</p>
<p>No mês de novembro, <em>Shaikh Azizur Rahman</em> relatou o pedido feito ao presidente da Índia por um pai idoso para que fosse autorizada a eutanásia de suas duas filhas, gravemente deficientes e presas a uma cama, das quais ele cuida. O homem disse que é pobre demais para dar a elas o cuidado e a atenção de que precisam em tempo integral. Fatema, uma das filhas, disse que também deseja que sua vida chegue ao fim.</p>
<blockquote><p>I told my father many times to bring poison for me. Nobody is helping me to kill myself.</p></blockquote>
<div class="translation">&#8220;Muitas vezes eu disse ao meu pai que me trouxesse veneno. Ninguém está me ajudando a me matar&#8221;.</div>
<p>Do outro lado da fronteira com o Paquistão, existe ainda uma montanha de dificuldades no caminho dos cidadãos com deficiência. Escrevendo em <a href="http://www.dawn.com/2008/12/01/op.htm">Dawn</a>, <em>Zahid Abdullah</em>, que trabalha para o Centro para a Paz e o Desenvolvimento, em Islamabad, diz que o país ainda tem um longo caminho a percorrer até que as pessoas com uma habilidade diferente possam sentir que a sociedade também as valoriza. Ele expressa igualmente sua frustração diante do ritmo lento das reformas legais sobre os direitos das pessoas com deficiência.</p>
<p>Como acontece na Índia e no Paquistão, a sociedade do Nepal também vê as limitações físicas e mentais como resultado de pecados cometidos em vidas anteriores. Geralmente, as pessoas com deficiências são tratadas como sub-humanos; elas têm um acesso muito limitado à educação e a um emprego representativo. É freqüente você ver uma pessoa com deficiência física mendigando nas ruas para poder viver.</p>
<p><em><a href="http://www.disabilityworld.org/06-08_04/gov/nepal.shtml">Meen Raj Panthi</a></em> diz que as famílias escondem seus membros com deficiência para proteger sua honra e seu prestígio:</p>
<blockquote><p>The notion that people with disabilities have equal rights and duty as any other individual, is largely absent from the popular mindset.</p></blockquote>
<div class="translation">&#8220;A noção de que as pessoas com deficiência têm direitos e deveres iguais aos de qualquer outro indivíduo está, em grande parte, ausente da concepção popular&#8221;.</div>
<p>As crianças são mais vulneráveis à discriminação. <a href="http://www.disabilityhelpless.org.np/condition_of_children.php">A Associação Nacional para a Promoção dos Deficientes e Desamparados</a> no Nepal cita o exemplo de uma menininha chamada <em>Manisha</em>, mantida em cativeiro pelos pais por ser cega:</p>
<blockquote><p>While her parents work at fields, she is often locked in her own room and tethered with rope by her parents because she has no one to look after her at home. But her elder brother and sister go to school.</p></blockquote>
<div class="translation">&#8220;Enquanto seus pais trabalham no campo, é freqüente que ela fique trancada em seu próprio quarto, presa por uma corda, por não ter quem cuide dela em casa. Mas sua irmã e seu irmão mais velho vão à escola&#8221;.</div>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/wilderdom/65444685/">Versão reduzida de imagem</a> do usuário do Flickr <a href="http://www.flickr.com/photos/shizhao/">Shizhao</a>, usada sob <a href="//creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/deed.en">licença de Creative Commons</a>.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/09/dia-mundial-da-deficiencia-no-sul-da-asia/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Playing for Change: Buscando a Paz através da Música</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/09/playing-for-change-buscando-a-paz-atraves-da-musica/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/09/playing-for-change-buscando-a-paz-atraves-da-musica/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Dec 2008 00:25:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Duende</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte & Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Humanitário]]></category>
		<category><![CDATA[India]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Nepal]]></category>
		<category><![CDATA[Relações Internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[South Africa]]></category>
		<category><![CDATA[South Asia]]></category>
		<category><![CDATA[Sub-Saharan Africa]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
		<category><![CDATA[Video]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=1488</guid>
		<description><![CDATA[MeetJohnSong chama a nossa atenção para um projeto musical colaborativo global chamado Playing for Change: Peace through Music ["Tocando a Mudança: Paz através da Música", em uma tradução livre]. O conceito por trás do projeto é o de que a música é um fator comum de agregação entre diferentes culturas, etnicidades e regiões. Os filmes e músicas estarão disponíveis em 2009, e mais informações sobre o projeto podem ser encontradas no site do Playing for Change.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/juliana-rincon-parra/">Juliana Rincón Parra</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/daniel-duende/'>Daniel Duende</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/12/08/playing-for-change-peace-through-music/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p><img class="alignright" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/12/pfcf.jpg" alt="" /><a href="http://meetjohnsong.com/2008/11/06/playing-for-change-peace-through-music/"><em>MeetJohnSong</em></a> [En] chama a nossa atenção para um projeto musical colaborativo global chamado <em>Playing for Change: Peace through Music</em> [&#8221;Tocando a Mudança: Paz através da Música&#8221;, em uma tradução livre]. O conceito por trás do projeto é o de que a música é um fator comum de agregação entre diferentes culturas, etnicidades e regiões. Os filmes e músicas estarão disponíveis em 2009, e mais informações sobre o projeto podem ser encontradas no site do <a href="http://www.playingforchange.com/">Playing for Change</a> [En].</p>
<p>O Playing for Change não é apenas sobre fazer e distribuir música. A fundação Playing for Change está construindo e mantendo uma escola de música no vilarejo de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Gugulethu">Gugulethu</a> [En] e um centro de artes em <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Joanesburgo">Johannesburgo</a>, na África, como uma forma de prover oportunidades de crescimento e educação para os jovens das comunidades. Eles também mantém centros para refugiados <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tibete">tibetanos</a> na Índia e no <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Nepal">Nepal</a>.</p>
<p>O trailer que mostra <a href="http://www.youtube.com/watch?v=sHfcJmcWTG0">a música Stand by Me interpretada por músicos de diferentes partes do globo</a> [En] deu suas primeiras voltas ao mundo há alguns meses como um vídeo viral, e agora está de volta com a história completa de como a música pode apagar fronteiras:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/sHfcJmcWTG0&amp;hl=en&amp;fs=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/sHfcJmcWTG0&amp;hl=en&amp;fs=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Você também pode assistir ao <a href="http://www.youtube.com/watch?v=YC-LBpqa9EY">trailer estendido</a> [En], se desejar assistir o documentário:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/YC-LBpqa9EY&amp;hl=en&amp;fs=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/YC-LBpqa9EY&amp;hl=en&amp;fs=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Este projeto não é o único de seu tipo, segundo nos disse na semana passada a autora <a href="http://globalvoicesonline.org/author/suzanne-lehn/">Suzanne Lehn</a> [En] quando <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/07/youtube-realiza-audicoes-para-a-primeira-orquestra-sinfonica-virtual/">nos mostrou a Orquestra Virtual do YouTube</a>, aberta a participantes de todo o mundo:</p>
<blockquote><p>YouTube is orchestrating an exciting new collaborative project: inviting musicians worldwide to be auditioned online for the <a href="http://www.youtube.com/symphony">world&#39;s first virtual symphony orchestra</a>. Amateurs as well as professionals, have until January 28, 2009 to download sheet music, and upload videos of their performances.</p></blockquote>
<div class="translation">&#8220;O YouTube está orquestrando um novo projeto colaborativo instigante: convida músicos de todo o mundo a fazer teste de audição online para a <a onclick="javascript:pageTracker._trackPageview ('/outbound/br.youtube.com');" href="http://br.youtube.com/symphony">primeira orquestra sinfônica virtual do mundo </a>[En]. Amadores, assim como profissionais, têm até o dia 28 de janeiro de 2009 para fazer o download de partituras e o upload de suas execuções musicais em vídeo.&#8221;</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/09/playing-for-change-buscando-a-paz-atraves-da-musica/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Índia: Poetas e Terror em Mumbai</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/07/india-poetas-e-terror-em-mumbai/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/07/india-poetas-e-terror-em-mumbai/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 07 Dec 2008 14:43:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elisa Thiago</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte & Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Desastre]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Governança]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra & Conflito]]></category>
		<category><![CDATA[Hindi]]></category>
		<category><![CDATA[Humanitário]]></category>
		<category><![CDATA[India]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Língua]]></category>
		<category><![CDATA[Pakistan]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[Tópicos]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=1483</guid>
		<description><![CDATA[Nada expressa melhor o coração do que um poema. Às vezes a composição complexa de um poema simplifica as questões complexas da vida, às vezes, ajuda você a compreender o seu entorno. Os poetas da Índia estão entristecidos pelos terríveis ataques que ocorreram recentemente em Mumbai. Você descobrirá que eles fazem perguntas em seus poemas e às vezes eles até as respondem para nós. Aqui estão alguns poucos fragmentos de suas manifestações.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/javits-rajendran/">Javits Rajendran</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/elisathiago/'>Elisa Thiago</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/12/01/india-poets-on-mumbai-terror/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Este <em>post</em> faz parte de uma <a href="http://globalvoicesonline.org/specialcoverage/mumbai-india-blasts-2008/">cobertura especial do Global Voices</a> [En] sobre os terríveis ataques em Mumbai, Índia, de 26 de novembro de 2008.</p>
<p>Nada expressa melhor o coração do que um poema. Às vezes a composição complexa de um poema simplifica as questões complexas da vida, às vezes, ajuda você a compreender o seu entorno. Os poetas da Índia estão entristecidos pelos terríveis ataques que ocorreram recentemente em Mumbai. Você descobrirá que eles fazem perguntas em seus poemas e às vezes eles até as respondem para nós. Aqui estão alguns poucos fragmentos de suas manifestações.</p>
<p><img src="http://farm1.static.flickr.com/22/30317275_553dce02b6.jpg?v=0" alt="flying pidgeons over bycicle and people on square in Mumbai" /></p>
<p>Glory: Imagem feita por usuário da Flickr, <a href="http://flickr.com/photos/50mm/">50mm</a>, usada sob uma  <a href="http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/deed.en">Creative Commons License</a> [En]</p>
<p>Uma menina de 12 anos, de Bangalore, atiça sua imaginação. Logo após a divulgação das notícias trágicas sobre a morte dos reféns de Nariman House, <em>Lavanya</em> trancou-se em seu quarto por cerca de 15 minutos e mais tarde entregou a seu pai Anand Krishna um poema intitulado <a href="http://anandkrishna.wordpress.com/2008/11/29/my-12-year-olds-reaction-to-the-terror-attack-in-mumbai/">‘The city that never slept, slept’</a> [En] [A cidade que nunca dormia, dormiu, em Inglês].</p>
<blockquote><p>[…]More lives are lost,<br />
More battles fought.<br />
The war was raging on,<br />
The guns just fire everywhere,<br />
Victory goes to no one.<br />
The terrorists may be killed,<br />
But the void of the lost loved one is never filled.<br />
The roads are empty, there is no sound.<br />
Mumbai, the city that never slept,<br />
Slept long, deep and sound.[.]</p></blockquote>
<div class="translation">[&#8230;]Mais vidas perdidas,<br />
Mais batalhas findas.<br />
A guerra continuava raivosa,<br />
Os rifles abrindo fogo para todos os lados,<br />
A vitória a ninguém pertence.<br />
Os terroristas podem vir a ser mortos,<br />
Mas o vazio deixado pelo amado que se foi nunca será preenchido.<br />
As estradas estão vazias, não há qualquer som.<br />
Mumbai, a cidade que nunca dormia,<br />
Dormiu longa, profunda e solidamente.</div>
<p><em>Vivek Sharma</em> em <em>Desicritics</em> fez uso de metáforas retiradas de épicos Indianos para descrever o terror de Mumbai em seu poema, <a href="http://desicritics.org/2008/11/28/083224.php">“Mumbai burns”</a> [En] [Mumbai arde em fogo, em Inglês]:</p>
<blockquote><p>[.]Did you see the sobbing reporter describe how the Taj of Mumbai burns?<br />
How many will Asuras (devils) cause to die before O Vishnu as avataar returns?</p>
<p>The fanatic bullet hunts gazelles everywhere that nostalgia mourns.<br />
Where is the machine crafted that chokes our unfinished yearns? […]</p></blockquote>
<div class="translation">[.]Você viu o repórter em prantos descrever como arde em fogo o Taj de Mumbai?<br />
A quantos os Asuras (demônios) levarão à morte antes que Vishnu, como avatar, retorne?</p>
<p>A munição fanática caça as gazelas por toda parte onde a nostalgia guarda o luto.<br />
Onde se fabrica a máquina que afoga nossas saudades inacabadas? [&#8230;]</p>
</div>
<p><em>Teal</em> intitula seu poema <a href="http://tealspace.wordpress.com/2008/11/30/a-battle-without-a-cause/">‘Battle without a cause’</a> [En] [Batalha sem uma causa, em Inglês] em <em>~ Spero ergo sum ~</em>. Tudo que ela deseja, no final das contas, é a paz. Mas suas indagações, sem fim, são nebulosas:</p>
<blockquote><p>[…]Has the power at center gone completely callous</p>
<p>focused on nothing, but creating chaos, raucous?</p>
<p>How many more to die, how many more to lose</p>
<p>Until they get the backbone to act, and set loose</p>
<p>The act of retribution, against these evil minions</p>
<p>Who, despite education and well bringing, act heinous</p>
<p>How dare you take away something that god has given?</p>
<p>How can you walk on, like nothing ever happened?[…]</p></blockquote>
<div class="translation">[&#8230;]Tornou-se, o poder no centro, tão completamente insensível<br />
focado em nada, mas criando caos, áspero?<br />
Quantos mais a morrer, quantos mais a perder<br />
Até que consigam que a espinha dorsal entre em ação e ponha em liberdade<br />
O ato de retribuição, contra esses serviçais diabólicos<br />
Que, apesar da educação e da boa criação, agem de forma atroz<br />
Como você se atreve a levar embora algo que foi dado por deus?<br />
Como pode continuar a caminhada como se nada houvesse acontecido? [&#8230;]</div>
<p><em>Sandhya Ramachandran</em> não consegue mais sorrir em paz. Não consegue encontrar um lugar onde possa ir e se esconder do terror em seu poema, <a href="http://dryadsongs.blogspot.com/2008/11/why-can-we-smile-in-peace.html">“Why can’t I smile in peace?”</a> [En] [Por que não posso sorrir em paz?, em Inglês]</p>
<blockquote><p>[…]I seem to have no streets<br />
to run and play and fall!<br />
There is no place to cycle<br />
no place to hide and crawl</p>
<p>I am a little kid of seven<br />
with her book and toys and doll<br />
Why can&#39;t I smile in peace<br />
It is my world too, after all![.]</p></blockquote>
<div class="translation">[&#8230;] Parece não haver ruas para mim<br />
onde possa correr e brincar e cair!<br />
Não há lugar onde andar de bicicleta<br />
nenhum lugar onde possa me esconder e engatinhar</p>
<p>Sou uma criança pequena de sete anos<br />
com seu livro e brinquedos e boneca<br />
Por que não posso sorrir em paz<br />
É meu mundo também, afinal de contas! [.]</p>
</div>
<p><em>Ashq</em>, um engenheiro de 28 anos de idade de Rajasthan deseja saber quando tudo isto irá terminar. Ele intitula seu poema em Hindi, <a href="http://ashq.wordpress.com/2008/11/27/aakhir-kab-tak/">“Aakhir kab tak?”</a> [H &amp; En](Untill when?) [Até quando?, em Inglês].</p>
<blockquote><p>ये सपने नहीं जानते ,<br />
किसी हिन्दू को न मुस्लमान को ,<br />
न ये जानतें है हिंदुस्तान को , न पाकिस्तान को ,<br />
फिर क्यों उन्हें ही चुकाना पड़ता है हर बार इस क़र्ज़ को ,<br />
क्यों भूल जाते है वो ‘कायर’ मानवता के अपने फ़र्ज़ को ,<br />
क्यों आतंक को हमेशा जेहाद कहा जाता है ,<br />
क्यों धरम को इस तरह नंगा नचाया जाता है I</p></blockquote>
<blockquote><p>They don’t care about dreams<br />
If you are Hindu or Muslim<br />
Nor do they care<br />
If India or Pakistan<br />
Why then do they always pay the debt?<br />
Why do those cowards (terrorists) forget their duty towards humanity?<br />
And name terror as jihad<br />
(Where) Karma is made to dance naked</p></blockquote>
<div class="translation">Eles não ligam para sonhos<br />
Se você é Hindu ou Muçulmano<br />
Nem se importam<br />
Se é Índia ou Paquistão<br />
Por que então são sempre eles que pagam as contas?<br />
Por que aqueles covardes (terroristas) se esquecem de seus deveres para com a humanidade?<br />
E nomeiam o terror como guerra santa (jihad)<br />
(Onde) Karma é posta a dançar nua</div>
<p><em>Shreya Tiwari</em> de Mumbai convida todos os Indianos a se unir e dar as mãos contra o terror em seu <a href="http://shreya78.rediffiland.com/blogs/2008/11/27/Mumbai-Blasts.html">Untitled Hindi poem</a> [H &amp; En] [poema em Hindi, Sem Título, em Inglês].</p>
<blockquote><p>आगे आओ मिलकर हाथ मिलायेंगे ,<br />
भारत को फिर से आजाद कराएँगे ।<br />
समझो बस इस  धरती को अपनी माता ,<br />
समझो सबको अपना ही भाई - भ्राता ।<br />
नही ज़रूरत मुझको तख्तो  ताजों की ,<br />
नही ज़रूरत स्वागत की और बाजों की ।<br />
मुझे ज़रूरत सबकी देश सुरक्षा  में ,<br />
मै मांगू बलिदान देश की रक्षा में ।<br />
बोलो क्या मै ऐसे ही चिल्लाऊंगा  ,<br />
दो ज़बाब क्या ऐसे ही मै गाऊंगा ।<br />
इंतज़ार है मुझको देश के पुत्तर का  ,<br />
इंतज़ार है मुझको सबके उत्तर का ।</p></blockquote>
<blockquote><p>Come ahead and we’ll join our hands.<br />
Try to free our country from terror<br />
This land is our mother<br />
And every Indian is our brother<br />
I don’t need any crowns neither do I want to rule<br />
I don’t need you to welcome me<br />
We need to unite to protect this country<br />
I need your blood for this nation<br />
Tell me would I remain screaming?<br />
Tell me would I remain sing like this?<br />
I am waiting for this country’s child<br />
And I am waiting for your replies.</p></blockquote>
<div class="translation">Dê um passo à frente e daremos nossas mãos.<br />
Tentar libertar nosso país do terror<br />
Esta terra é nossa mãe<br />
E todo Indiano é nosso irmão<br />
Não preciso de quaisquer coroas e nem quero eu governar<br />
Não preciso que você me dê as boas vindas<br />
Precisamos nos unir para proteger este país<br />
Preciso de seu sangue para esta nação<br />
Diga-me, ficaria aqui gritando?<br />
Diga-me, ficaria aqui cantando assim?<br />
Estou esperando pela criança deste país<br />
E estou esperando por suas respostas.</div>
<p>Se você deseja partilhar um poema favor adicioná-lo na seção dos comentários.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/07/india-poetas-e-terror-em-mumbai/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
