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	<title>Global Voices em Português &#187; claraonofre</title>
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	<description>O mundo está falando. Você está ouvindo?</description>
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		<title>Angola: O alto custo de vida em Luanda</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/11/09/angola-o-alto-custo-de-vida-em-luanda/</link>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 14:21:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>claraonofre</dc:creator>
				<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[Desenvolvimento]]></category>
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		<description><![CDATA[O alto custo de vida em Luanda é paradoxal: os altos índices de desenvolvimento não refletem-se no bolso da maioria dos cidadãos, nem se reflecte em qualidade de vida para os menos abonados economicamente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/clara-onofre/">Clara Onofre</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/claraonofre/'>claraonofre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/11/09/angola-the-high-cost-of-living-in-luanda/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>A capital da Angola, Luanda, é uma cidade caríssima. Tanto para os nacionais como para os estrangeiros. Quem cá está sabe-o bem. Os serviços básicos como alimentação, educação e moradia revestem-se de preços comparáveis a alguns países europeus. A principal diferença no caso angolano é que os salários são absurdamente irrisórios se comparados com os ordenados europeus, o que leva a batalhas diárias em busca da salvaguarda dos bens de primeira necessidade.</p>
<p>Obviamente que esta luta não se coloca aos mais endinheirados que por motivos obscuros ou não, se encontram protegidos por contas bancárias de dar inveja ao comum dos mortais. De acordo com o inquérito levado a cabo em Fevereiro por uma empresa inglesa - a ECA International - <a href="http://www.citymayors.com/statistics/expensive-cities-intro.html">Luanda está em primeiro lugar no que diz respeito às cidades mais caras do mundo</a>.</p>
<p>No blogue <a href="http://mundodaverdade.blogspot.com/2007/05/o-nvel-de-vida-em-luanda.html"><em>Mundo da Verdade</em></a> [pt], Miguel Caxias escreve:</p>
<blockquote><p>“Só para terem uma ideia, o custo por noite no hotel em que estou é de 170 USD (quarto individual, com casa de banho e pequeno-almoço mesmo muito sofrível). Estamos a falar de um hotel que deve ter se tanto, duas estrelas. Para um europeu, não só por costumes alimentícios mas também por costumes de segurança, não se arrisca a comer em qualquer botequim de esquina, obviamente. No restaurante onde temos feito as nossas refeições, o custo médio de uma dose é de 30USD (junte-se a isso bebida, sobremesa, entradas e o preço salta logo para 40/45 USD de despesa individual).</p>
<p>Luanda está numa fase de construção massiva. Junto à Marginal existem apartamentos a 1 milhão de USD. Estão todos vendidos!!!”</p></blockquote>
<p>O alto custo de vida no país revela-se um paradoxo, pois que isto não significa qualidade de vida, pelo menos, não para os menos abonados economicamente. Angola regista altos índices de desenvolvimento que infelizmente não se reflectem no bolso da maioria dos cidadãos. O excesso de procura em contraposição à escassa oferta, torna as coisas bastante difíceis.</p>
<p>O brasileiro autor do blogue <a href="http://diariodaafrica.blogspot.com/2009/02/os-precos-em-angola.html"><em>Diário de África</em></a> [pt] faz uma pequena análise do que se passa no país.</p>
<blockquote><p>“Não são apenas os alugueres (habitação) que custam caro. Tudo é caríssimo. Um quilo de tomate pode sair por 20 USD. Uma bandeja de uvas pode custar 30 USD o quilo. Um bife com batatas fritas pode custar facilmente, 50 dólares. Um cano furado pode sair por 1000.000 USD. Tapar um pequeno furo na tubulação do ar-condicionado do carro e colocar o gás para enfrentarmos o calor luandense custa 200 USD.</p>
<p>Precisa de electricista? Ele não vai sair da sua casa sem ter tirado pelo menos 100 USD de você. Mesmo que só tenha trocado uma lâmpada. Porque é tudo tão caro?”</p></blockquote>
<p>Para o autor do blogue a explicação é simples e mais uma vez, evoca-se o espectro da guerra que roubou mais de 30 anos de desenvolvimento ao país.</p>
<blockquote><p>“O atabalhoado processo de independência e a guerra acabaram com tudo. Primeiro, a independência. Em 1975, pelo menos 300 mil portugueses abandonaram Angola. Médicos, dentistas, advogados, empresários, encanadores, mecânicos, burocratas, professores. Em questão de meses, Angola ficou sem quadros. Não havia quem soubesse gerenciar as finanças do país. Depois a guerra. O esforço de guerra sugou o dinheiro que deveria ser investido na saúde, na educação, nas infra-estruturas do país. Agora multiplique essa situação por 30 anos. O resultado chama-se Luanda.</p>
<p>Com a alta no preço do petróleo nos últimos anos, os fretes subiram e por tabela, o de todos os produtos. Chegou-se a uma situação tal que mesmo os itens produzidos em Angola podem custar mais que os importados. Porquê? Os economistas que me corrijam, mas parece ter algo a ver com a tal lei da oferta e da procura. Quem quer agora, tem de pagar mais.”</p>
<p>O país não tem indústrias. Tudo é importado. Vem de navio. No porto, não há espaço. Os navios ficam dois, três meses atracados em alto-mar, aguardando autorização para descarregar. Só agora é que a agricultura começa a dar os primeiros passos. Mas só nas áreas em que não há minas terrestres. O último número que ouvi era de que mais da metade das terras cultiváveis do país estava cheia de minas. Enquanto o terreno não estiver limpo, nada feito. Portanto, até a comida precisar ser importada.</p></blockquote>
<div>
<dl id="attachment_4606" style="width: 478px;">
<dt><a href="http://twitpic.com/h4syb"><img title="angola" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/10/angola-300x220.jpg" alt="Tweetpic by @bethinagava" width="468" height="342" /></a></dt>
<dd>A piece of goat cost 600 KZ (US$ 7). Tweetpic by @bethinagava</dd>
</dl>
</div>
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		<title>Angola: Deputada do partido no poder é assassinada</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/08/13/angola-deputada-do-partido-no-poder-e-assassinada/</link>
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		<pubDate>Thu, 13 Aug 2009 19:50:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>claraonofre</dc:creator>
				<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[Feature]]></category>
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		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

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		<description><![CDATA[A blogosfera angolana reage ao duplo homicídio que custou a vida de dois membros da mesma família, dentre os quais uma deputada, e especula: o assassinato foi premeditado ou mais uma mostra da crescente violência em Luanda?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/clara-onofre/">Clara Onofre</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/claraonofre/'>claraonofre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/08/13/angola-the-assassination-of-a-ruling-party-mp/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Na noite de 29 de Julho, Angola foi sacudida por mais um caso de violência. Beatriz Salucombo, deputada do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_Popular_de_Liberta%C3%A7%C3%A3o_de_Angola">MPLA</a> e seu irmão António Neves, supervisor dos Serviços de Migração e Estrangeiros foram assassinados a tiro por três indivíduos em Luanda. Beatriz Salucombo e António Neves <a href="http://www.alertnet.org/thenews/newsdesk/LU251698.htm">foram alvejados várias vezes na porta da casa dela</a>.</p>
<p>Como seria de esperar, este triste acontecimento provocou reacções no seio da sociedade angolana e as manifestações de repulsa por mais um acto violento e misterioso não tardaram a aparecer. No seu blogue <em><a href="http://blogdangola.blogspot.com/2009/08/funeral-da-deputada-beatriz-salucombo.html">Pensar e Falar Angola</a></em>, Jotacê Carranca descreve a cerimónia fúnebre, no cemitério do Alto das Cruzes.</p>
<blockquote><p><em>Filhos e outros parentes, deputados, magistrados e militares, amigos e familiares da deputada reuniram-se no Alto das Cruzes para prestar-lhe a última homenagem, num clima de consternação. (&#8230;)<br />
</em></p>
<p><em>Na sua mensagem, os filhos da malograda enalteceram o exemplo de coragem e resistência face às adversidades da vida, bem como de outros valores éticos e morais que a mãe lhes incutiu durante a sua convivência com os mesmos. </em></p>
<p><em>No elogio fúnebre, destacou-se a participação activa de Beatriz Salucombo nas acções de luta clandestina contra o colonialismo português, particularmente no apoio aos guerrilheiros do MPLA na zona da Lunda Sul.</em></p>
<p><em>O elogio fúnebre referiu o seu percurso político, “cheio de grandes feitos, revela bem a sua militância e entrega total aos ideais do MPLA e em prol da defesa da paz, da democracia, justiça social e do desenvolvimento de Angola”.</em></p></blockquote>
<p>O assassinato da deputada e de seu irmão levanta duas questões. O assassínio teria sido encomendado ou tudo não passou de uma tentativa de assalto? Seja como for, a viatura em que Beatriz Salucombo se fazia transportar não foi levada e não há registos de roubo dos seus pertences. Mas segundo os três homens suspeitos, <a href="http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/politica/2009/7/32/Apresentados-supostos-assassinos-deputada-Beatriz-Salucombo,2d0b2451-0e76-4e07-9fd2-035d652a452d.html">recentemente apresentados pela polícia depois de uma caça em toda a cidade na última sexta-feira</a>, <span class="verdana11">o motivo do assassinato teria sido o roubo do automóvel em que se encontrava a deputada. Desde então, dois dos acusados morreram em uma troca de tiros com a polícia. </span></p>
<p>Eugénio da Costa Almeida do blogue <a href="http://pululu.blogspot.com/2009/07/quem-seria-realmente-o-alvo.html"><em>Pululu</em></a> deixa a sua homenagem às vítimas, e uma pergunta: Quem seria realmente o alvo?</p>
<blockquote><p><em>(A minha homenagem e o meu lamento)<br />
A deputada Beatriz Salucombo, <a href="http://www.club-k-angola.com/index.php/about-joomla/the-community/3171-deputada-do-mpla-morta-em-luanda.html">eleita nas listas do MPLA</a> pelo círculo Nacional (foi a 105ª), foi alvejada a tiro na noite de quarta e terá <a href="http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/politica/Faleceu-deputada-Beatriz-Salucombo,ab587f7e-4f2a-4721-8877-796f6f9a27b9.html">falecido</a> hoje na sequência dos disparos; deplora-se, veementemente, este assassinato, não só porque coloca em causa a ideia de segurança que se deseja para o País, nomeadamente, em vésperas do CAN 2010 como pelo facto de ter ocorrido na véspera de mais um Dia da Mulher Africana.<br />
Mas será que o alvo era a deputada ou terá sido uma vítima colateral?<br />
Segundo as notícias veiculadas pelos diferentes meios de Comunicação Social, também o seu irmão, que ter-lhe-ia dado boleia para casa, terá igualmente sucumbido aos tiros que teriam vindo de pessoas que se fariam transportar num todo-terreno.<br />
É que, só por mero acaso(?), o irmão era só o superintendente-chefe, António Neves, dos Serviços de Migração e Estrangeiros (SME) entidade que, ultimamente, tem andado muito activa “devolução” de ilegais (como os <a href="http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/sociedade/Servicos-Migracao-expulsam-estrangeiros,933e62bd-926c-4223-b1f1-0b6430b27e38.html">ocorridos</a>, no Lubango, já este mês).<br />
Mas também não se deve esquecer o impacto nunca deveras esclarecido da detenção de alguns funcionários, em 2005, como terão escrito, há época, o <a href="http://www.angonoticias.com/full_headlines.php?id=8219">AngoNotícias&lt;</a> citando o VOA, e a <a href="http://www.panapress.com/freenewspor.asp?code=por028093&amp;dte=28/12/2005">Panapress&lt;</a>. E, não me recordo, nem a Internet o mostra, de se saber mais do assunto…<br />
Já agora, talvez que a morte da desditosa deputada possa ajudar a esclarecer também a morte de outro antigo deputado professor-engenheiro <a href="http://www.angonoticias.com/full_headlines_.php?id=20154">M´fulupinga N’Landu Victor</a>, do PDP-ANA, acontecida já há 5 anos, e que, se a memória não me falha, e apesar das autoridades afirmarem que o caso não está esquecido não me recordo de o ver clarificado e o(s) autor(es) detido(s) e julgado(s).<br />
Coincidências, claro!!</em></p></blockquote>
<p><em><a href="http://africaminhamami.blogspot.com/2009/08/deputada-do-mpla-e-irmao-assassinados.html">África Minha</a></em> afirma que não se deve tirar a vida de nenhum ser humano, mas acredita que os bandidos, nesse caso, têm tanto de criminosos como as vítimas do crime. De acordo com ele, o crime deve ter sido premeditado:</p>
<blockquote><p><em>Estão a culpar os Jovens Bandidos, quando por detrás deste cenário, pode(m) estar adultos bandidos influentes(ricos), envolvidos em negociatas obscuras mal resolvidas, que resolveram usar os jovens por encomenda, para resolverem a negociata. É sabido, que a criminalidade, principalmente em Luanda, é elevada, devido às desigualdades sociais.Uns com Excesso de Riqueza(10%), outros com Excesso de Pobreza (90%).Perante este cenário, é normal que por meia dúzia de Kwanzas, os jovens bandidos, aceitem executar o trabalhinho sujo dos adultos bandidos influentes(ricos).A vida está difícil para o angolano e para o calcinha do Kaluanda, que todos os dias olha ao seu redor, e só vê edíficios e outros bens de luxo a erguerem-se e a passarem à sua frente, e ele com os bolsos vazios e esfomeado, deambulando pelas ruas, sem trabalho.Quando o trabalho existe, é mal pago e explorado (lembram-se quando diziam que os portugueses exploravam o angolano.Agora, quem os explora são tantos e está tudo bem&#8230;uma maravilha para o angolano bandido influente). O kaluanda, tem que fazer pela vida.Nem que seja roubar o bandido rico.</em></p>
<p><em>E se, os jovens bandidos, que acusam, fizerem parte dos 15.000 angolanos recentemente desalojados.</em></p>
<p><em>Qual é, o maior crime?</em></p>
<p><em>Tirar o tecto a 15.000 angolanos carenciados, ou tirar a vida a dois angolanos priveligeados?</em></p>
<p><em>Responda quem souber e puder</em></p></blockquote>
<p>Professora de profissão, Beatriz Salucombo entrou na Câmara de Deputados em 2008. Ela era membro da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia, Cultura, Juventude e Desporto, Assuntos Religiosos e Comunicação Social da Assembléia Nacional.</p>
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		<title>Angola: Comissão Europeia retira TAAG de sua lista negra</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Aug 2009 12:26:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>claraonofre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Após dois anos, as Linhas Aéreas de Angola voltam hoje, 1º de agosto de 2009, a voar para Portugal depois de dois anos, após decisão da Comissão Européia de retirá-la da lista negra de companhias aéreas. A blogosfera debate.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/clara-onofre/">Clara Onofre</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/claraonofre/'>claraonofre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/08/01/angola-national-flag-carrier-removed-from-eu-blacklist/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="attachment_3697" class="wp-caption aligncenter" style="width: 457px"><a href="http://www.flickr.com/photos/kaysha/6871298/"><img class="size-full wp-image-3697" title="TAAG" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/07/6871298_191cd9e70b.jpg" alt="Photo by by kaysha, under a Creative Commons license" width="447" height="335" /></a><p class="wp-caption-text">Photo by by kaysha, under a Creative Commons license</p></div>
<p>Passados dois anos, o primeiro vôo da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/TAAG">TAAG – Linhas Aéreas de Angola</a> de Luanda a Portugal está marcado para hoje, 1º de agosto de 2009, em um  Boeing 777-200ER. Angola Airlines volta a operar no espaço aéreo europeu depois que a Comissão Europeia decidiu retirar a empresa de sua lista negra, trazendo novas esperanças financeiras à TAAG que mantinha a rota Luanda/Lisboa graças à parceria com a South African Airlines.</p>
<p>De acordo com o comunicado lançado pela Comissão Europeia, a TAAG retomará os voos mas “apenas com certos aparelhos e segundo condições muito estritas.” O que significa que as linhas aéreas angolanas não têm ainda luz verde para viajar para outros países europeus como a França.</p>
<p>Segundo António Tajani, comissário europeu dos Transportes, a TAAG mantém-se na lista negra. A Comissão Europeia reconhece “os progressos feitos pelas autoridades de aviação civil de Angola e a sua transportadora TAAG na solução de deficiências de uma forma gradual e segura.”</p>
<p>Recorde-se que em Julho de 2007, a TAAG ficou proibida de voar nos céus da União Europeia devido à falta de condições de segurança nas operações. Naquela época, a empresa operava seis vôos por semana entre Lisboa e Luanda, e um vôo semanal para Paris.</p>
<p>Eugénio Costa Almeida, do <a href="http://pululu.blogspot.com/2009/07/taag-dois-anos-depois.html">blog Pululu</a>, dá a sua opinião sobre o assunto:</p>
<blockquote><p>“Finalmente a TAAG volta, cerca de dois anos depois, a poder voar em céus europeus, ainda que à condição. De acordo com o boletim da União Europeia, hoje divulgado, e depois de constatar que a Comissão “reconhece” o “progresso” realizado pela aviação civil angolana e pela TAAG para “resolver progressivamente quaisquer deficiências de segurança”, retirou a companhia da Palanca Negra da lista negra e permite, durante um período – que será de observação no desenvolvimento das medidas implementadas – voar para um dos países europeus. O destino aprovado foi Lisboa, pelo que a TAAG irá fazer cerca de 10 voos semanais entre Luanda e a capital portuguesa. Todavia, as restantes companhias de bandeira ou registadas em Angola continuam interditas de voarem para a Europa. Também as aeronaves tipo Boieng B-777, com as matrículas D2-TED, D2-TEE e D2-TEF, parecem estar impedidas de voar nos céus europeus. A não ser que haja alguma razão válida parece-me que continua a haver aqui uma “certa imposição” comunitária em compra de aviões da Airbus. Mas depois dos últimos acidentes com esta companhia…”</p></blockquote>
<p>Afonso Loureiro do <a href="http://afonsoloureiro.net/blog/?p=1490">blogue Aerograma</a> escreve igualmente sobre o assunto, mostrando opinião crítica sobre a forma como Angola conduziu este assunto:</p>
<blockquote><p>“As atribulações da companhia aérea de bandeira angolana com as autoridades europeias são já sobejamente conhecidas. A habitual arrogância com que Angola encara críticas, esperando que se adaptem as leis internacionais à realidade angolana e não o contrário, apenas tem dificultado mais o processo de certificação da TAAG que a autorizará a voar para a Europa de novo. Tudo o que um estrangeiro possa dizer de Angola é passível de ser mal interpretado e distorcido, por isso, mais não digo, com receio de que tudo isto seja lido e interpretado como o devaneio de um estrangeiro branco em Angola. Na verdade, prefiro ser apenas porta-voz do que os angolanos pensam da situação da TAAG, que reconhecem haver uma certa desorganização e informalidade na maneira como a companhia opera.”</p></blockquote>
<p>Para ver a lista completa de companhias aéreas na lista negra da Comissão Europeia acesse o release: <a href="http://europa.eu/rapid/pressReleasesAction.do?reference=IP/09/1136&amp;format=HTML&amp;aged=0&amp;language=PT&amp;guiLanguage=en"><span class="A__T1">Com</span><span class="A__T1">issão actualiza lista de companhias aéreas proibidas no espaço aéreo europeu.</span></a></p>
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		<title>Angola: Novo código de estrada em acção</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/06/27/angola-novo-codigo-de-estrada-em-accao/</link>
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		<pubDate>Sat, 27 Jun 2009 06:44:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>claraonofre</dc:creator>
				<category><![CDATA[Angola]]></category>
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		<description><![CDATA[O debate sobre as mudanças causadas pelo novo código de estradas de Angola saiu das ruas e chegou à blogosfera, dividindo a população. Por um lado, o novo código é visto com bons olhos, já que pode vir a educar motoristas menos cuidadosos, mas por outro, nem todos poderão arcar com os custos que a legislação acarreta.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/clara-onofre/">Clara Onofre</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/claraonofre/'>claraonofre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/06/26/angola-new-highway-code-in-action/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><div id="attachment_3166" class="wp-caption alignleft" style="width: 235px"><a href="http://pululu.blogspot.com/2009/04/angola-tem-novo-codigo-de-estradas.html"><img class="size-full wp-image-3166" title="carta-de-conducao" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/06/carta-de-conducao.jpg" alt="Angolan Driver's License" width="225" height="317" /></a><p class="wp-caption-text">Angolan Driver&#39;s License</p></div>
<p>O <a href="http://www.novocodigodeestrada.com/home.html">novo código de estrada angolano</a>, em vigor desde o passado dia 1 de Abril, tem dividido a sociedade angolana. Para alguns, o novo código é uma boa medida tomada pelo Governo, no sentido em que disciplinará alguns condutores menos apegados à vida. Para outros, a legislação contém imposições que nem todos estão em condições de financiar. A utilização das cadeiras destinadas a menores de doze anos, serve de exemplo. A tal ponto, que os ladrões, sempre atentos às novidades, desencadearam assaltos a este item infantil. Convém referir que cada uma destas cadeiras ronda os 30 mil cuanzas.</p>
<p>Entre outras medidas, o novo código de estrada estabelece o uso obrigatório do cinto de segurança, a dita cadeira infantil e o uso obrigatório de capacetes para os utilizadores de motociclos com motor. As multas para os infractores tendem a ser pesadas. Não obstante, a maioria dos condutores opta por ignorar a legislação, o que aliado às más condições das estradas do país provoca engarrafamentos e situações de risco para quem se encontra na via pública. Há quem diga que quando se aprende a conduzir em Angola, pode-se conduzir mais tarde em qualquer lado.</p>
<p>Para os condutores mais endiabrados que fazem serviço de táxi, o novo código de estrada trouxe dores de cabeça uma vez que a maioria circula sem a documentação legal e sem as medidas de segurança normais, como o excesso de passageiros que se verifica explicitamente.  Durante um mês, a polícia de trânsito exerceu as suas funções reguladoras num ambiente pedagógico, permitindo desta forma, elucidar e persuadir os cidadãos sobre o novo comportamento a ter na estrada.</p>
<div id="attachment_3170" class="wp-caption aligncenter" style="width: 480px"><a href="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/06/3355921131_be8ffb22e5.jpg"><img class="size-full wp-image-3170" title="3355921131_be8ffb22e5" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/06/3355921131_be8ffb22e5.jpg" alt="Photo uploaded on March 15, 2009 by Flickr user gabrieltomate, with a Creative Commons License" width="470" height="352" /></a><p class="wp-caption-text">Photo uploaded on March 15, 2009 by Flickr user gabrieltomate, with a Creative Commons License</p></div>
<p>Eugénio <em>Costa Almeida</em> do blogue <a href="http://pululu.blogspot.com/2009/04/angola-tem-novo-codigo-de-estradas.html">Pululu</a> faz a seguinte análise sobre o novo código de estrada e suas reacções:</p>
<blockquote><p>“Uma das alterações, e talvez a mais importante para quem está na Diáspora, deve-se ao facto dos novos documentos de licença de condução serem válidos em qualquer parte do mundo dado que o mesmo se adequa às convenções internacionais adoptadas no âmbito das Nações Unidas. Acaba-se, de vez, assim o esperamos, o “Caso Mantorras (nota autora: que causou mau estar nas relações diplomáticas entre Angola e Portugal, em relação à utilização das cartas de condução portuguesas em solo angolano, após o jogador do Benfica ter sido apanhado a conduzir em Portugal com a carta caducada).</p>
<p>A outras das significativas alterações e que Luanda já hoje sentiu, com a reduzida presença deles, prende-se com as novas normas que limitam a circulação de alguns taxistas dos “azuis e brancos” mais conhecidos por “candongueiros”. Entre as restrições a obrigatoriedade de uso de cintos de segurança em todos os bancos, embora, segundo pareça e a fazer fé em certos relatos de Luanda, a polícia ainda está só a exigir – o que se admite durante um período de adaptação – nos bancos da frente, a apresentação de uma licença de circulação legalizada – consta-se que a maioria não estava encartado – ter licença de aluguer e que as viaturas se mostrem estar técnica e legalmente adaptadas ao referido uso, além de não poderem transportar pessoas em veículos de transporte de mercadorias.”</p></blockquote>
<p>O blogueiro continua, alertando também para a necessidade de melhoria nas estradas e mais transportes públicos para os cidadãos.</p>
<blockquote><p>“Vamos ver se Angola não segue as “normas” de um outro reconhecido país que tem restrições a certos “modos” no código mas que se esquece, em muitos casos, de melhorar as condições das estradas. Porque se estradas condignas não há códigos, por muito bons e penalizadores que sejam, que se safem. Já agora talvez seja o momento ideal para Luanda e arredores sejam dotados de melhores transportes colectivos municipais e que liguem com uma curta periodicidade exigível os diferentes bairros e municípios da capital obrigando as três actuais empresas de transporte se auto-regularem e auto-disciplinarem entre si.</p>
<p>Talvez que assim o fluxo rodoviário, nomeadamente em Luanda e arredores, fosse menor e mais fluido. Talvez assim as pessoas pudessem chegar mais depressa aos seus empregos e, ou, às suas casas. Talvez que assim houvesse menor perca de tempo e maior rentabilidade nos serviços e nas empresas; talvez, talvez, talvez…</p>
<p>Cabe ao Governo Provincial cogitar e ponderar bem no assunto!”</p></blockquote>
<p>Para mais informações aceda ao site <a href="http://www.angolabelazebelo.com/2009/04/luanda-novo-codigo-de-estrada.html">AngolaBela</a> que disponibiliza uma série de perguntas e respostas sobre este tema.</p>
<div id="attachment_3167" class="wp-caption aligncenter" style="width: 468px"><a href="http://www.flickr.com/photos/joolee/2602467258/"><img class="size-full wp-image-3167" title="2602467258_d010b884e6" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/06/2602467258_d010b884e6.jpg" alt="Traffic jam in Luanda. Photo uploaded on June 23, 2008 by Flickr user ,azeite" width="458" height="326" /></a><p class="wp-caption-text">Traffic jam in Luanda. Photo uploaded on June 23, 2008 by Flickr user ,azeite,  with a Creative Commons License</p></div>
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		<title>Angola: Celebrando o mês da mulher angolana com poesia</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/03/17/angola-celebrando-o-mes-da-mulher-angolana-com-poesia/</link>
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		<pubDate>Tue, 17 Mar 2009 09:48:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>claraonofre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Março é um mês de celebração em dobro para as mulheres angolanas: além de ser o mês do Dia Internacional das Mulheres, o Dia da Mulher Angolana é celebrado em 2 de março em homenagem a quatro mulheres que lutaram pela independêncua de Angola. Os blogueiros celebram a data publicando poemas e homenageando aquela mulher que sofre, ama e luta de sorriso aberto e garra no olhar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/clara-onofre/">Clara Onofre</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/claraonofre/'>claraonofre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/03/17/angola-celebrating-angolan-womens-day-with-poetry/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Estamos no mês de Março. Mês de cariz feminino e <a href="http://globalvoicesonline.org/specialcoverage/international-womens-day-2009/">dedicado às mulheres deste mundo</a> [en]. Mas também dedicado à mulher angolana. Aquela que sofre, ama e luta de sorriso aberto e garra no olhar. Mês das <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/11/02/angola-zungueiras-enfrentam-vida-dura-com-dignidade-e-coragem/">mulheres zungueiras</a> que carregam a mercadoria na cabeça e os filhos às costas. Mês da mulher empresária que desbrava caminho nesta sociedade machista e implacável. Março - mulher. Da esposa <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2009/01/18/angola-aumento-da-violencia-domestica-ou-da-conscientizacao/">espancada por um marido</a> sem alma. Março. Mês dedicado a estas mulheres e a todas as outras que fazem de Angola um país mais forte e mais caloroso.</p>
<p>Celebra-se o Dia da Mulher Angolana a 2 de Março, devido à coragem de quatro mulheres que lutaram pela independência de Angola (Deolinda Rodrigues, Irene Cohen, Engrácia dos Santos e Lucrécia Paim) e que supostamente foram capturadas numa emboscada armada pela FNLA (Frente Nacional de Libertação de Angola), no norte de Angola. Foram presas e mortas, mas os nomes destas mulheres continuam presentes na memória dos angolanos.</p>
<p>Como seria de prever, os blogues angolanos não deixaram passar esta data em branco. No blogue  <em><a href="http://condedeangola.blogs.sapo.pt/2243.html">Conde de Angola</a></em> o autor faz um retrato fiel da mulher angolana e dá início à sua prosa com um bonito poema de Décio Mateus Bettencourt:</p>
<blockquote><p>“O miúdo nas costas, faminto</p>
<p>O sol queimando</p>
<p>O sol assando</p>
<p>O miúdo nas costas, faminto de alimento</p>
<p>As moscas acariciando-o</p>
<p>E o lixo distraindo-o!</p>
<p>A zungueira zunga, cansada</p>
<p>Na cabeça, o negócio e o sustento</p>
<p>E nos pés empoeirados</p>
<p>O cansaço dos quilómetros galgados</p>
<p>O cansaço da distância percorrida</p>
<p>A zungueira zunga, o miúdo nas costas faminto!”</p>
<p>Este pequeno excerto do poema de Bettencourt retrata o “espírito guerreiro” das mulheres angolanas, também conhecidas por zungueiras. Começo assim o texto desta semana, dedicado a todas as mulheres de Angola, que no passado dia 2 de Março receberam homenagem com a comemoração do Dia da Mulher Angolana… e bem que elas o merecem, são umas autênticas leoas, especialmente as mulheres do pré-guerra. Gordas, magras, altas, baixas, convencem pela conversa transformando um perfume da Avon num perfume Channel. Em média têm sete filhos cada uma, há quem diga que este fenómeno se deva ao facto de só cerca de 6% usarem métodos contraceptivos, o certo é que a programação da TPA (Televisão Pública de Angola) também não ajuda a que este número baixe e por outro lado temos o ego masculino que pode ser rejeitado socialmente senão procriar. Enfim, é tudo a ajudar.</p>
<p>Longe estão os tempos em que o ganha-pão era responsabilidade só dos homens. Agora a sobrevivência passa a ser uma questão de igualdade, mas onde a mulher carrega tudo: carrega a criança às costas, muitas vezes carrega uma às costas e outra dentro da barriga, carrega as robustas cargas para a venda do dia, carrega o sol na cabeça quando sai e retorna com ele, carrega a ingratidão do marido com os copos, carrega as lamentações das crianças, carrega, carrega, carrega…”</p></blockquote>
<p><a href="http://spindola.blogspot.com/2007/03/dia-internacional-da-mulher.html">António Spíndola</a> expôs a sua opinião sobre este dia, realçando a importância e a luta travada pelas mulheres angolanas:</p>
<blockquote><p>“Em Angola as mulheres pretendem chamar a atenção para o seu papel e a sua dignidade, bem como levar a sociedade a ter uma consciência social do valor da pessoa, a perceber o seu papel e contestar e rever preconceitos e limitações que têm sido impostos à mulher. Como mães, esposas, filhas, ou simplesmente como mulheres, elas têm lutado pela sua emancipação, combatendo o analfabetismo e os actos de violência no género e na família. Elas estão, sobretudo, firmemente inseridas no processo de reconciliação e reconstrução nacional”.</p></blockquote>
<p>E para terminarmos este texto dedicado à mulher angolana, eis um poema retirado do blogue <a href="http://patriciaguinevere.blogspot.com/2009/03/apenas-um-dia-internacional-da-mulher.html"><em>Universal</em></a>:</p>
<blockquote><p>“Aguardo sempre a infinita espera da demora<br />
Como na magia das margens do meu céu<br />
desespera um anjo</p>
<p>Nunca esquecerei o meu gesto de ternura<br />
Sempre dedicado ao meu filho<br />
no longínquo abandonado<br />
Por promessas que nunca serão cumpridas</p>
<p>Nunca esquecerei as esperas<br />
das minhas incontáveis bichas</p>
<p>Filas humanas para conseguir o essencial<br />
de todos os dias<br />
Séculos e séculos desesperados<br />
para me afirmar como mulher</p>
<p>Com dignidade de escrava<br />
habituei-me a suportar<br />
Os desprezos que sobre mim tem lançado<br />
E nesta condição humana provocada<br />
Renasce-me a negra existência<br />
e medito, reafirmo:</p>
<p>Sou negra como o sol castanho<br />
amarelecido das tardes<br />
Como o luar das noites, naturais<br />
Manchada das alvas amarelas do anual<br />
malmequer</p>
<p>Porque sou bela, como o amanhecer<br />
de todos os dias<br />
Sou negra, digna descendente<br />
da nobreza africana”</p></blockquote>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/ccarriconde/41780054/"><img class="alignnone size-full wp-image-2347" title="euridicedeangola" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/03/euridicedeangola.jpg" alt="euridicedeangola" width="499" height="370" /></a><br />
Foto de uma angolana chamada Eurídica, tirada pela usuária do Flickr <a href="http://www.flickr.com/photos/ccarriconde/">ccarriconde</a> publicadas no Global Voices com permissão da autora.</p>
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		<title>Angola: Eleições presidenciais adiadas?</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/02/21/angola-eleicoes-presidenciais-adiadas/</link>
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		<pubDate>Sat, 21 Feb 2009 15:15:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>claraonofre</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Eleições]]></category>
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		<description><![CDATA[Já é quase final de fevereiro de 2009 e não há ainda calendário para as eleições presidenciais em Angola que estavam previstas para acontecer esse ano. A prioridade do MPLA, partido no poder, é aprovar uma nova constituição para o país. Os blogueiros especulam se isso significa que as tão esperadas eleições para um novo presidente, as primeiras desde 1992, serão adiadas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/clara-onofre/">Clara Onofre</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/claraonofre/'>claraonofre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/02/21/angola-presidential-elections-postponed/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Após as <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/09/18/angola-mpla-vence-com-mais-de-80-dos-votos/">eleições parlamentares em 2008</a>, a primeira vem em 16 anos que os angolanos foram às urnas, 2009 foi o ano proposto pelo governo angolano como o ano para a realização das eleições presidenciais em Angola. No entanto, o Presidente José Eduardo dos Santos  afirmou no início desse ano que a aprovação da nova constituição angolana é a grande prioridade do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) para este ano.</p>
<p>Em seu <a href="http://club-k-angola.com/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=2164:a-nova-mentalidade-joao-melo&amp;catid=17:opiniao&amp;Itemid=311">pronunciamento de final de ano</a>, Dos Santos informou ainda que aquele partido vai propôr, através da sua bancada parlamentar, a criação de uma comissão &#8220;ad hoc&#8221; na Assembleia Nacional, incumbida de elaborar o projecto da nova Constituição e de &#8220;promover, eventualmente, a sua discussão alargada antes da aprovação pelo Parlamento&#8221;. O Presidente não fez no entanto, qualquer alusão à realização efectiva das eleições presidenciais, e com isso alimentou rumores que os angolanos não voltarão às urnas em 2009, como esperavam. Há uma variedade de especulações nos blogues e imprensa angolana sobre os motivos por trás disso.</p>
<p>Eis o que <a href="http://cangue.blogspot.com/2008/06/eleies-presidenciais-em-angola-s-em.html">Feliciano Cangue</a> do blog <em>Hukalilile (Don&#39;t Cry for Me Angola)</em> tem a dizer sobre este facto:</p>
<blockquote><p>&#8220;Se perguntarmos aos angolanos o ano da realização das eleições presidenciais em Angola, todos em uníssono, dirão: 2009. Puro engano! Conversa para o boi dormir ou só para acalmar os ânimos. Para não aumentar mais a frustração do leitor, quero dizer-lhe, que os donos do poder, se depois não mudarem de ideias, estão a preparar as eleições em Angola para 2010, só para que percamos as esperanças. Isso só é possível num país onde a democracia foi imposta, como pensam muitos. Por outro lado é isso que dá quando um governo (com pendor autoritário) tem a maioria absoluta na Assembleia Nacional. O MPLA não teria condições para fazer duas eleições em dois anos seguidos, porque teria que gastar muito dinheiro com essas campanhas&#8221;.</p></blockquote>
<p>Em relação à criação de uma nova Constituição que assegure a eleição do próximo presidente angolano dentro do círculo do MPLA, Feliciano Cangue partilha com os seus leitores, um pensamento que talvez passe pela cabeça de muitos angolanos:</p>
<blockquote><p>&#8220;O MPLA talvez priorize a que se escreva uma nova constituição ou se faça uma emenda constitucional, para se encontrar uma fórmula que facilite a eleição do presidente. Assim que conseguisse essa façanha, é muito provável que se indique o filho, a filha ou esposa como candidato à presidência. Assim se implantaria uma monarquia parlamentar e pronto!&#8221;</p></blockquote>
<p><a href="http://morrodamaianga.blogspot.com/2009/02/sucessao-os-negocios-e-o-mpla.html">Wilson Dadá</a> desenvolve mais essa questão. Ele diz que a população está incerta sobre os planos para o futuro do presidente ou do seu partido:</p>
<blockquote><p>Nos primeiros palpites que debitamos este ano por estas bandas, referimos que o debate proposto por José Eduardo dos Santos sobre a eleição do Presidente da República veio introduzir no processo uma grande dose de incerteza, pois agora já ninguém sabe quais são os planos da principal força política deste país e muito menos do seu líder, que parece ter uma agenda muito própria no âmbito da estratégia mais geral do maioritário.<br />
Por exemplo, os potenciais candidatos às presidenciais estão sem saber o que fazer, enquanto não for aprovada a nova Constituição, onde será definida a modalidade da eleição, que pode ser por via parlamentar ou por sufrágio directo e universal, de acordo com a sugestão implícita na proposta de debate.<br />
Tudo agora está dependente das novas ideias que o MPLA vai introduzir no texto fundamental. Ao que parece, já não são as mesmas que defendia durante o anterior processo constituinte.</p></blockquote>
<p>Em um artigo da revista Africa21, <a href="http://www.africa21digital.com/noticia.kmf?cod=8129817&amp;canal=405">Joâo Melo</a> diz que é fundamental saber se haverá ou não eleições em 2009. Ele acredita que não há tempo para tanto:</p>
<blockquote><p>Uma questão política particular é saber se as eleições presidenciais serão realizadas este ano. Estou inclinado a pensar que não. Com efeito, predomina, no momento, o ponto de vista segundo o qual as eleições devem ser efectuadas com a nova Constituição. Ora, o calendário constituinte definido pelo Parlamento aponta para a conclusão dos trabalhos, na melhor das hipóteses, no meio de Julho. Essa discussão poderá ser estendida por causa da definição do método eleitoral — directo ou indirecto — caso o MPLA tenha interesse em aprovar toda a Constituição por consenso. Por tudo isso, dificilmente as eleições poderão ter lugar até ao final do tempo seco, entre Agosto e Setembro.</p></blockquote>
<p><a href="http://pululu.blogspot.com/2009/01/eleicoes-presidenciais-angolanas.html">Eugénio Costa Almeida</a> aponta ainda mais um empecilho pode vir a causar o adiamento das eleições. Ele cita um <span style="color: #000000;">artigo do Novo Jornal, que diz que </span><span style="color: #000000;">as eleições presidenciais angolanas só deverão ocorrer após o Campeonato Africano de Nações. Como  o CAN só acontecem em 2010, o blogueiro diz que só é preciso fazer as contas para perceber que elas serão adiadas.</span></p>
<blockquote><p>Como se sabe o CAN-2010, em princípio e como tem sido habitual em outros CAN além de haver também o Mundial na África do Sul, decorrerá, em Angola, entre Janeiro e Fevereiro de 2010 o que implicará, até por necessidade de reagrupar meios logísticos que as eleições não acontecerão antes de Abril ou Maio de 2010.</p>
<p>Mas se pensarmos que o Povo Angolano anda cada vez menos esquecido e se a nossa selecção não conseguir os seus objectivos mínimos, não será de admirar que o Poder sofrerá as necessárias e devidas consequências políticas e eleitorais.</p></blockquote>
<p>Durante o <span class="verdana11">acto de <a href="http://lestedeangola.weblog.com.pt/arquivo/268546.html">lançamento da Agenda Política Interna do MPLA</a> para 2009, na semana passada,</span> as eleições presidenciais foram citadas como prioridade para o partido, ao lado da <span class="verdana11">a aprovação da nova constituição, </span> mas ainda não têm data marcada. Outra prioridade é <span class="verdana11">a preparação do VI Congresso Ordinário do MPLA, previsto para Dezembro de 2009.<br />
</span></p>
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		<title>Angola: Novos aeroportos trazem contradições e polêmica</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/01/23/angola-novos-aeroportos-trazem-contradicoes-e-polemica/</link>
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		<pubDate>Fri, 23 Jan 2009 17:24:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>claraonofre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A construção de novos aeroportos internacionais em Luanda, um deles custando 74 milhões de dólares, é um assunto polêmico que está dando o que falar na blogosfera angolana. Será que a cidade precisa mesmo de mais de um bom aeroporto internacional?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/clara-onofre/">Clara Onofre</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/claraonofre/'>claraonofre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/01/23/angola-controversy-and-contradictions-over-new-airports/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Angola prepara-se para receber em 2010 o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Copa_das_Na%C3%A7%C3%B5es_Africanas">CAN Africano das Nações</a> (futebol), evento que enche de orgulho os angolanos e que motiva a construção de infra-estruturas adequadas para receber jogadores e visitantes estrangeiros. A ampliação do novo aeroporto Internacional de Luanda 4 de Fevereiro – tem este nome porque marca o início da luta  de libertação nacional - faz parte da lista de construções.</p>
<p>Setenta e quatro milhões de dólares foi o valor disponibilizado pelo estado angolano para a reabilitação e ampliação do aeroporto, cuja duração está prevista para um ano. As obras já estão em andamento e o aeroporto irá contar com uma área do terminal de passageiros que por sua vez será composta por duas salas de embarque modernas e devidamente apetrechadas e terá 28 balcões de check-in com capacidade para acolher mais de 3 milhões de passageiros por ano.</p>
<p>As obras estão divididas em duas fases. A primeira visa o desembarque, o parque de estacionamento (com lugares para cerca de dez autocarros, 24 táxis e 650 viaturas diversas) e a pista principal. A segunda abrange o embarque e o segundo piso.</p>
<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-1526" title="Luanda Airport" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/01/2007052118334357.jpg" alt="Luanda Airport" /></p>
<p>O projecto tem recebido boas críticas. <a href="http://meninosavoltadafogueira.blogspot.com/2008/10/novo-aeroporto-internacional-de-luanda.html">Maria Liberdade do blog Meninos à volta da fogueira</a> publica a imagem acima e expressa o seu contentamento:</p>
<blockquote><p>“Boas notícias. Hoje foi-nos apresentado o projecto para o novo aeroporto de Luanda e pudemos saber mais detalhes sobre este projecto colossal que é uma das obras que mais impacto terá na nova imagem da cidade de Luanda, com capacidade para albergar até ao ultimo Airbus A380*. O novo aeroporto é a cúspide da modernidade. Esperamos que além das estruturas projectadas, os projectistas tenham em conta espaço para futuras ampliações, pois o país continua a crescer. Espero aterrar no novo aerporto em 2010, como o previsto”.</p></blockquote>
<p>*Nota da autora: o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Airbus_A380">Airbus A380</a> é o maior avião de passageiros do mundo.</p>
<p>Convém referir que estava prevista a construção de um novo aeroporto de raíz financiado pela China, mas entretanto as obras pararam para dar lugar à reabilitação e ampliação do 4 de Fevereiro. Mas sobre este assunto, existe polémica e  afirmações contraditórias vindas de alguns governantes e opiniões desfavoráveis sobre a localização do mesmo.  O autor do blog <a href="http://desabafosangolanos.blogspot.com/2005/09/novo-aeroporto-internacional-de-luanda.html">Desabafos angolanos</a> cita um desses exemplos:</p>
<blockquote><p>“Vai ser construído um novo Aeroporto Internacional, que ninguém sabe em quanto está orçado, sabe-se apenas que vai ser financiado com crédito concedido pela China. O novo aeroporto vai-se situar na província do Bengo no Bom Jesus e não foi aprovado em Conselho de Ministros e segundo o Jornal Angonotícias, a mão de obra é maioritariamente chinesa, quando há milhões de angolanos desempregados. Que vergonha! Descrédito total pela democracia, pela assembleia e pelos angolanos). Gostava de saber se o governo ou as pessoas que autorizaram esta construção, esperam o crescimento do tráfego aéreo e o crescimento de turistas em Angola; se há estudos que provem que Luanda precisa mesmo de mais um aeroporto e quantas vão ser as companhias aéreas que vão operar a rota Luanda?!</p>
<p>Temos as passagens mais caras do mercado! Turismo no nosso país, não existe! Como pensam ligar o Bengo a Luanda? Os turistas aterram no aeroporto (a intenção é construir um grande aeroporto moderno e luxuoso) e assim que saem, só vêem bairros de lata até chegar a Luanda, em estradas esburacas e cheias de trânsito desordeiro, sem transportes públicos ou seja, chegam a uma cidade cheia de caos, suja e sem beleza!</p>
<p>Acredito que se este projecto for adiante e isto é a minha opinião, os angolanos vão pagar uma factura cara sem necessidade. Estou de acordo que o nosso actual aerporto não nos serve e mete dó…mas isso só porque está sub-aproveitado e mal gerido.”</p></blockquote>
<p>Outros aeroportos como os das províncias do Huambo, Benguela, Cabinda, Luena, Kuíto, Saurimo e Dundo vão ser igualmente alvo de obras de reabilitação.</p>
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		<title>Angola: Aumento da violência doméstica ou da conscientização?</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/01/18/angola-aumento-da-violencia-domestica-ou-da-conscientizacao/</link>
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		<pubDate>Sun, 18 Jan 2009 11:00:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>claraonofre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Publicado originalmente porClara Onofre  &#183; Traduzido por claraonofre &#183;  Veja o post original 
Segundo diversos meios de comunicação social, a violência doméstica em Angola tem aumentado consideravelmente. Terá realmente aumentado ou existe maior conhecimento sobre situações deste género? Aparentemente, em 2008 foram registados cerca de 640 casos, sendo que 424 destas situações foram [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/clara-onofre/">Clara Onofre</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/claraonofre/'>claraonofre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/01/18/angola-an-increase-in-domestic-violence-or-only-in-awareness/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Segundo diversos meios de comunicação social, a violência doméstica em Angola tem aumentado consideravelmente. Terá realmente aumentado ou existe maior conhecimento sobre situações deste género? Aparentemente, em 2008 foram registados cerca de 640 casos, sendo que 424 destas situações foram resolvidas com aconselhamento profissional e os restantes encaminhados para os orgãos de justiça. Este número é superior ao registado em 2007, o que significa conforme já referido, ao facto das vítimas não recearem mais apresentar queixas às autoridades competentes, o que por si só, representa um passo a fim de dar por findos os abusos. É um bom sinal: ao denunciar mais, as mulheres angolanas chegam mais perto do fim do abuso, seja por parte dos cônjuges ou namorados.</p>
<p>Como seria de esperar, as histórias são tristes. Algumas vezes terminam bem - quando o abusador é colocado atrás das grades e a mulher vê-se livre de anos de torturas e abusos físicos – e outras infelizmente terminam em desgraça. Angola está pejada de mulheres que morreram às mãos daqueles que confiavam e amavam. Estes por sua vez, julgavam-se donos das suas esposas ou namoradas. Fazem cenas de ciúmes, sovam-nas e invariavelmente, matam-nas.</p>
<p><a href="http://diariodaafrica.blogspot.com/2008/07/nely.html">A empregada doméstica de 20 anos de idade Nely</a> teve mais sorte. O blogue <a href="http://diariodaafrica.blogspot.com/2008/11/nely-no-estaleiro.html">Diário da África</a> conta-nos parte da sua história:</p>
<blockquote><p>“Hoje pela manhã, ela tirou fotos das costas, dos braços e das pernas, tomados por manchas roxas e negras, resultado do espancamento a que foi submetida pelo ex-marido. Armado com um pedaço de madeira, Amâncio (é este o nome do criminoso) aliviou as suas frustrações com o universo em cima da Nely. A sessão de tortura começou por volta das 6h da manhã quando ela recebeu o telefonema do vizinho que queria saber se ela pegaria carona para o trabalho com ele. O ex-marido-espancador, num acesso de fúria e ciúmes, aplicou-lhe a surra”.<br />
Não obstante a sova, o agressor foi apresentar queixa de Nely à esquadra, acusando-a de o ter cortado com uma faca. Eis o relato: “ (Ele) cortou-se com uma faca durante a confusão e depois, ainda foi à polícia prestar queixa contra a Nely. Ela caminha com dificuldade por causa de uma paulada que levou num dos joelhos. Nely prestará queixa contra o espancador na Organização da Mulher Angolana – OMA, entidade ligada ao governo de Angola que defende os interesses das mulheres. Eu, de minha parte, faço votos de que esse Amâncio passe uma temporada atrás das grades”.</p></blockquote>
<p>Infelizmente e um pouco como acontece por este mundo, Angola não possui instrumentos jurídicos de porte, que permitam o acompanhamento destes casos e a eventual detenção do agressor. Amâncio foi solto e promete continuar com a onda de terror. Ele <a href="http://diariodaafrica.blogspot.com/2008/12/me-da-nely-morreu-de-feitio.html">destruiu todos os documentos de Nely e enviou a filha deles para ser criada pela sua família, em São Tomé e Príncipe</a> [pt]:</p>
<blockquote><p>“Nada aconteceu ao ex-marido. Foi embora tranquilamente, depois de ter dado uma surra com um pedaço de madeira em Nely. E ainda ameaça voltar. Agora é torcer para que a delegacia da mulher funcione. Que abra uma processo contra esse sujeito, que a justiça o condene pelas sessões de espancamento e ele cumpra a sua pena na cadeia. A evolução do caso é que preocupa. Começou com os gritos dele contra Nely, depois uns safanões, depois surras, daqueles de ela não conseguir se levantar do chão. Agora apareceram um pedaço de pau e uma faca. O que virá a seguir?”</p></blockquote>
<p>Provavelmente a morte. Ou dela ou o do agressor. São inúmeros os casos de mulheres que mataram o companheiro por uma questão de sobrevivência. Convém referir que existem relatos de abusos de mulheres para homens. Poucos, mas existem. Entretanto está prevista para breve <a href="http://allafrica.com/stories/200812090018.html">uma lei sobre a violência doméstica</a> [en],  que em conjunto com as várias actividades de luta contra este tipo de situações, trará um novo rumo às mulheres angolanas.</p>
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		<title>Angola: Com ébola bem do lado, as fronteiras foram fechadas</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2009/01/14/angola-com-ebola-ao-lado-as-fronteiras-foram-fechadas/</link>
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		<pubDate>Wed, 14 Jan 2009 21:54:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>claraonofre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Publicado originalmente porClara Onofre  &#183; Traduzido por claraonofre &#183;  Veja o post original 
Devido a um novo surto do vírus da ébola na República Democrática do Congo, o governo angolano viu-se obrigado a fechar parte da fronteira que partilha com o Congo, a fim de impedir que o maléfico vírus se infiltre em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/clara-onofre/">Clara Onofre</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/claraonofre/'>claraonofre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2009/01/14/angola-with-ebola-around-the-corner-borders-are-closed/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Devido a um novo surto do vírus da <a href="http://globalvoicesonline.org/2009/01/11/dr-congo-containing-the-ebola-outbreak/">ébola na República Democrática do Congo</a>, o governo angolano viu-se obrigado a fechar parte da fronteira que partilha com o Congo, a fim de impedir que o maléfico vírus se infiltre em território nacional. O movimento migratório constante entre a Lunda Norte (nordeste do país) e o Congo foi sumariamente suspenso. Convém referir que a província da Lunda Norte é região de garimpo, e por isso serve de imã para imigrantes. Eis o que escreve <a href="http://www.blog.comunidades.net/nelo/index.php?op=arquivo&amp;idtopico=481918">Nelo de Carvalho</a> no blog Blog do Nelo Ativado acerca do encerramento das fronteiras e a pressão sobre o governo:</p>
<blockquote><p>“Dizer que as fronteiras devem ser fechadas temporáriamente e que ninguém deve entrar e sair para fora do país, usando aquela direcção ou região fronteiriça. Nem mesmo o mosquito da dengue e se entrar, deve ser perseguido. É estratégia que qualquer infante usaria nas suas horas de brincadeira de soldado ou guerrilheiro, ou até de general. Por isso, não temos autoridade nem competência para dar palpites. A não ser desejar sorte e torcer para que tudo saia bem. Neste início de ano, aos angolanos desejamos sorte, com ébola ou sem ébola”.</p></blockquote>
<p>De acordo com o ministro da saúde angolano, o governo prepara-se para alertar a população sobre os meios a utilizar de forma a prevenir a infecção deste vírus poderoso. Estas medidas abrangem além da Lunda Norte, as províncias do Moxico, Malanje, Uíge e Lunda Sul. Aparentemente são cerca de 40, os casos de ébola que provocaram mais de dez mortes, detectados nos ultimos dois meses no Congo.</p>
<p>Há dois anos e vindo igualmente do Congo, nomeadamente do Kasai Ocidental, o vírus provocou a morte de aproximadamente 180 pessoas. O blog <a href="http://lampeirota.blogs.sapo.pt/44070.html">Lampeirota</a> lamenta a situação:</p>
<blockquote><p>“De vez em quando a doença é falada. É costume meu não ficar a pensar no assunto, escudada na ideia de que é improvável que ela me apanhe a jeito.</p>
<p>É incorrecto. Hoje já não podemos ter certezas dessas. Tudo chega a todo o lado, rapidamente.</p>
<p>Lamento muito por aquela gente que está a defrontar-se com tal inimigo.</p>
<p>Não é a morte que me assusta. É o caminho até ela..”</p></blockquote>
<p>Segundo o representante da OMS em Angola, Diosdado Nsue-Micawg, suspeita-se que o manuseio de macacos mortos nas florestas do Congo esteja na base do reaparecimento da doença. Apesar de felizmente ainda não existirem casos de ébola em Angola, o ministro da saúde afirma que o país encontra-se preparado para lidar com qualquer eventualidade relacionada com esta doença, devido à experiência vivida com a febre de Marburgo, uma versão menos perigosa do vírus que causa o ébola.</p>
<p>Esta é quarta vez que o ébola se faz presente no Congo, desde que começaram os surtos em 1976. Esta doença é altamente infecciosa e provoca febre, vómito, diarréia e sangramento interno e externo. Em 2005, <a href="http://www.reuters.com/article/africaCrisis/idUSL8586536">329 pessoas morreram por causa do Marburg na cidade de Uige, no nordeste de Angola</a> [en], perto da fronteira com o Congo.</p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/hukuzatuna/2536860585/"><img class="aligncenter size-full wp-image-55373" title="Ebola virus" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2009/01/2536860585_e4689c3966.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Fotografia micográfica do RNA do filovirus que causa a Febre Hemorrágica Ebola. Foto: Cortesia de CDC/Cynthia Goldsmith. Do usuário do Flickr <a href="http://www.flickr.com/photos/hukuzatuna/">hukuzatuna</a></strong></p>
<div class="contributors"><a href="http://globalvoicesonline.org/author/paulagoes/"></a></div>
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		<title>Angola: Sobre a falta de Direitos Humanos</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/24/angola-sobre-a-falta-de-direitos-humanos/</link>
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		<pubDate>Wed, 24 Dec 2008 21:21:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>claraonofre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dentro do espírito de celebração do Dia Internacional dos Direitos Humanos, os blogueiros angolanos têm muito a dizer a este respeito desse assunto. Angola ainda não se encontra livre de aparecer em relatórios sobre abusos à Declaração Universal dos Direitos Humanos, apesar de ter assento no Conselho de Direitos Humanos da ONU.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/clara-onofre/">Clara Onofre</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/claraonofre/'>claraonofre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/12/24/angola-on-the-lack-of-human-rights/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Dentro do espírito de celebração do Dia Internacional dos Direitos Humanos, os blogueiros angolanos têm muito a dizer a este respeito. Angola ainda não se encontra livre de aparecer em relatórios sobre abusos à Declaração Universal dos Direitos Humanos.</p>
<p>Apesar de ter assento no Conselho de Direitos Humanos para o triénio 2007/2010, a verdade é que as autoridades nacionais pecam pelo não cumprimento dos direitos básicos dos seus cidadãos. As situações são várias. Desde prisões com condições sub-humanas, detenções arbitrárias, expulsão da população de suas casas sem as devidas indemnizações, até à censura dos meios de comunicação social.</p>
<p><a href="http://www.elcalmeida.net/content/view/327/46/">Eugénio Costa Almeida</a> faz uma análise sobre este panorama sombrio:</p>
<blockquote><p>“O jornal angolano “O Apostolado” numa das suas ultimas edições e sob o título: Angola esconde violação de Direitos Humanos”, alerta para um relatório das Nações Unidas emitido pela Comissão para a Promoção e Defesa dos Direitos Humanos das Nações Unidas onde se acusa Angola de não produzir relatórios sobre os Direitos Humanos no país, há já treze anos. Surpresa? Talvez, para uns quantos que andam arredados da realidade angolana e agarrados ao facto de Angola ser, desde Maio passado, um dos países com assento no conselho de Direitos Humanos para o triénio 2007-2010. Fui um dos que aplaudiu esta entrada. Para mim como para outros seria uma maneira de Angola mostrar que, paulatinamente, os Direitos Humano scomeçavam a fazer sentido no País. Ou seja, a entrada de Angola seria “um passo no caminho certo” como chegaram duas associações cívicas angolanas a dizê-lo. (&#8230;) &#8220;Mas quando energúmenos ameaçam – e fora de portas – angolanos (jornalistas ou comentadores) perante familiares; quando políticos são espancados e mortos por fiscais do próprio partido por falta de pagamento de quotas partidárias; quando um governador provincial é acusado de esbofetear e agredir trabalhadores e autoridades dessa província de tentarem anular a cultura regional; quando o caso Miala* parece ir parir um rato e, provavelmente, os acusados serem mandados para casa e sem terem tido a oportunidade de expor em Tribunal as suas razões evocando este que as ditas estavam fora do processo embora tudo mostrasse que não; quando jornalistas do semanário “Agora” foram ameaçados por indivíduos que se dizem autoridades, durante uma inspecção dos mesmos a um mercado, tudo acaba, infelizmente, por ser muito natural. E, segundo alguns defensores angolanos dos direitos humanos, a violação dos Direitos Humanos em Angola vai acontecendo “Apesar dos esforços do Governo, continuam as detenções arbitrárias, por parte da polícia nacional” e sem que as autoridades centrais autorizem ou deles tenha real conhecimento. Quanto a isto, lamento mas tenho sinceras dúvidas. Ou seja, há um certo “deixa andar” e uma estranha liberdade na actuação e interpretação do que é ser “autoridade” e como lidar com a “liberdade”, com a “igualdade” e com os “direitos humanos”. E quem fica a perder são tão-somente Angola e os angolanos. Mas são actos que acabam por ter repercussões no continente africano e no modo como somos olhados pelos Ocidentais.”</p></blockquote>
<p>*Em setembro, o ex-diretor do Serviço de Inteligência Externa de Angola, General Fernando Garcia Miala, foi sentenciado a quatro anos de prisão por um tribunal militar por insubordinação. Ele não compareceu ao Estado Maior das forças armadas Angolanas (FAA) onde seria despromovido para passar compulsivamente à reforma, após ter sido demitido de seu cargo em 2006. Fonte: <a href="http://thereport.amnesty.org/eng/Regions/Africa/Angola">Relatório da Amnesty International 2008</a> [en].</p>
<p>A falta de liberdade de imprensa em Angola, levou o blog do <a href="http://fpdangola.blogspot.com/2008/12/mais-um-jornalista-preso-em-angola-o.html">FpD – Frente para a Democracia</a> a apelar à denúnica em casos de abuso, como aconteceu recentemente com a prisão de um jornalista na província do Namibe, onde um repórter da Radio Namibe, Francisco Lopes, passou por 30 dias de prisão corretiva sem motivos conhecidos, até a data da publicação:</p>
<blockquote><p>“O gabinete de comunicação da FpD tomou conhecimento por notícia publicada pelo Apostolado de mais uma nódoa para os direitos humanos em Angola. E amanhã é já dia 10 de Dezembro, dia internacional dos direitos humanos.</p>
<p>Até quando vamos aceitar todas estas violações de direitos humanos? Até quando vamos continuar a aceitar este &#8220;desgoverno&#8221; que continua a espalhar amargura pelo povo angolano? Não se silencie, reenvie esta notícia do Apostolado a todos os seus contactos. Vamos ajudar este nosso irmão a ter justiça”.</p></blockquote>
<p>O <a href="http://www.angolaxyami.com/Politica-angolana/Direitos-Humanos-EUA-Criticam-Angola-e-Mocambique.html">blog Angola Xyami</a> apresenta nas suas páginas, parte do relatório lançado pelos Estados Unidos sobre o panorama mundial dos direitos humanos:</p>
<blockquote><p>“O Departamento de Estado americano acaba de divulgar o seu relatório anual. Este ano, o Sudão, a Síria e o Uzbesquitão foram acrescentados à lista dos piores violadores dos direitos humanos. Daquela lista constam igualmente a Bielorússia, Birmânia, Cuba, Eritreia, Irão, Coreia do Norte e Zimbabué. Relativamente aos PALOPS – Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, o Departamento de Estado destaca o facto do governo de Cabo Verde respeitar, regra geral, os direitos dos seus cidadãos. Refere, contudo, que continuam a verificar-se problemas nalgumas áreas tais como a violência policial sobre detidos, as precárias condições nas prisões cabo-verdianas, longos períodos de detenção pré-julgamento, violência e discriminação relativamente às mulheres e exploração do trabalho infantil. Já em Angola, o Departamento de Estado americano conclui, no seu relatório, que a situação dos direitos humanos continua a deixar muito a desejar registando-se sérios problemas durante o ano transacto. Entre os problemas: impedimentos no que se refere ao direito dos cidadãos angolanos de elegerem os seus representantes oficiais a todos os níveis, assassinatos levados a cabo pelas forças armadas, polícia e forças de segurança privadas, torturas, violações e péssimas condições prisionais.<br />
O relatório destaca também a corrupção e impunidades cometidas por entidades oficiais, detenções arbitrárias e falta de independência do aparelho judicial angolano. Ainda em relação a Angola, o Departamento de Estado salienta as restrições às liberdades de expressão, de imprensa e de reunião assim como os despejos sem indemnização de residentes de bairros desfavorecidos”.</p></blockquote>
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		<title>Angola: Um país com imenso potencial turístico não explorado</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Dec 2008 19:16:34 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Angola possui paisagens incríveis, ricas e variadas fauna e flora, e um extenso sistema de parques nacionais, o que faz com que o país ofereça algo para todos os tipos visitantes. No entanto, a maior parte do seu potencial está ainda a ser descoberto, e, se bem explorado, pode vir a tornar Angola o maior destino turístico da África.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/clara-onofre/">Clara Onofre</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/claraonofre/'>claraonofre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/12/14/angola-a-country-with-huge-untapped-tourism-potential/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Angola é como toda a gente sabe um país bonito. Com uma área total de cerca de 1.246.700 km2, este país encerra paisagens diversas que passam pelas belezas naturais das praias de água morna de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Benguela_(prov%C3%ADncia)">Benguela</a>, pela densa e rica floresta do Maiombe em <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cabinda_(prov%C3%ADncia)">Cabinda</a> ou pelo lendário <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Deserto_do_Namibe">deserto do Namibe</a>, único lugar do mundo onde cresce a bela e peculiar <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Welwitschia_mirabilis"><em>welwitschia mirabilis</em></a>.</p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/calips96/257076490/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1472" title="257076490_8a18c47599" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/12/257076490_8a18c47599.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Welwitschia Mirabilis, foto do usuário do flickr <a title="Link to calips96's photostream" href="http://www.flickr.com/photos/calips96/">calips96</a> usada sob licensa da Creative Commons.</strong></p>
<p>Apesar destes cartões postais, Angola ainda não é destino turístico. Existem parcas infraestruturas para acolher devidamente quem queira vir apenas passear. No entanto, a reconstrução acelerada que se faz sentir um pouco por toda a parte, indica-nos que para lá se caminha. De acordo com o o ministro da Hotelaria e Turismo Jorge Alicerces Valentim, “com a paz, Angola tornar-se-á um destino turístico por excelência graças ao ecoturismo, à riqueza da sua cultura tradicional, as suas belissímas praias de águas quentes, as suas planícies, as suas montanhas que rasgam os céus de África. O actual clima de segurança que Angola apresenta faz dela uma região onde os investidores estrangeiros visitam com muito entusiasmo, porque estão esperançosos em encontrar oportunidades de investimento na construção, nos transportes, nas obras públicas, na saúde, nas comunicações, nas infraestruturas hoteleiras e turísticas e em várias áreas de serviços”.</p>
<p>Enquanto isso, estrangeiros e angolanos aproveitam as belezas deslumbrantes que Angola tem para oferecer. <a href="http://spindola.blogspot.com/2008/03/lubango-huila.html">Spindola</a>, blogger brasileiro, escreve no seu blog o encanto que sentiu ao conhecer a bonita província da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Hu%C3%ADla">Huíla</a>:</p>
<blockquote><p>“A Huíla é com certeza, entre as províncias que visitei, a que tem melhor estrutura. Além disso o Lubango é uma cidade linda, conhecida pelos seus moradores como a Europa de África. O frio durante o dia e principalmente à noite, dá o ar aconchegante a esse lugar. O Lubango é famoso não só pelo seu clima como também pela serra da Leba. Faltam-me palavras para descrever tamanha beleza. É com certeza dos lugares mais lindos que tive a oportunidade de conhecer. A estrada da serra visa ligar o Namibe à Huíla. Dizem que antes da estrada era necessário dar um contorno muito grande. A obra foi realizada por uma mulher, uma inglesa. Fico imaginando como deve ter sido essa aventura. Como se não bastasse a estrada que é uma beleza estonteante, no mesmo local uma cachoeira maravilhosa. O barulho das águas preenche aquele lugar como se fosse uma música. Um frio gostoso da serra dá um ar todo romântico. As nuvens que se formam no local ficam abaixo do seu olhar, parece que estamos acima do céu. Por trás das nuvens de fim de tarde, o sol projectava uma luz. Não consigo achar definição melhor para essa luz que “ a imagem de Deus”. Todo visitante ou morador de Angola deveria conhecer o Lubango. Realmente vale muito a pena o passeio”.</p>
<p><a href="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/12/europaemangola.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1473" title="europaemangola" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/12/europaemangola.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>&#8220;Lubango, a Africa européia&#8221;, foto de <a href="http://spindola.blogspot.com/2008/03/lubango-huila.html">Spindola</a></strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="alignnone size-full wp-image-53973 aligncenter" title="serradaleba" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/12/serradaleba.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>“Serra da Leba”, foto <a href="http://spindola.blogspot.com/2008/03/lubango-huila.html">Spindola</a></strong></p>
</blockquote>
<p>Passear por esta Angola misteriosa de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Adansonia">baobás</a> e acácias rubras, é de facto maravilhoso, mas conforme já aqui foi escrito, o país não está preparado para receber turistas. As estradas esburacadas, a falta de bons hotéis, a presença de alojamento nas cidades pequenas e de restaurantes torna tudo mais complicado. Viajar para determinadas cidades torna-se por vezes uma dor de cabeça. Peter do blog <a href="http://hotelluanda.blogspot.com/2008/04/beleza-interior.html">Hotel Luanda </a>descreveu a sua viagem feita pelas terras de Malange com destino às imponentes Quedas de Kalandula:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;">“Deixamos cedo a cidade de Malange rumo às Quedas de Kalandula. O percurso fez-se em constante deslumbramento por entre buracos de estrada e muitas paragens para contemplar e gravar tantas imagens de rara e enorme beleza. O enorme capim cortado pelas águas de um rio que serpenteia pela planície e que sob ela passa várias várias vezes e pelas sanzalas junto à estrada, onde nascem mais olhares de crianças por cada carro que passa. Chegamos enfim a Kalandula, uma pequena e acolhedora povoação situada no alto de um planalto, imponente como uma rainha que do seu trono observa suas terras ao longe. Conserva ainda algumas marcas do colonialismo nas casas, igrejas e costumes da terra que tem simpatia como sinónimo. Chegamos logo depois às Quedas de Kalandula. As segundas maiores quedas de água de todo o continente africano, com cerca de 100 metros de vertiginosa altura. Vistámos também Pungo Andongo. Uma povoação escondida no seio das pedras altas que nos faz logo pensar que foram as próprias rochas que nasceram em sua volta, como uma muralha para a proteger do resto do mundo. Três ou quatro casas, uma igreja em ruínas, um posto médico e uma escola renovada…quase como uma miragem impossível…como é possível existir vida ali? Mas existe. Compreendi que ainda se pode encontrar em Angola a harmonia entre o homem e a natureza”.<a href="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/12/dscn1736.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1474" title="dscn1736" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/12/dscn1736.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Kalandula Waterfall, photo by <a href="http://hotelluanda.blogspot.com/2008/04/beleza-interior.html">Hotel Luanda</a> blog</strong></p>
</blockquote>
<p>De acordo com o blog <a href="http://africaminhami.blogspot.com">África Minha</a>, este ano foi inaugurada na província de Malange uma unidade hoteleira de luxo composta por 28 quartos, 4 suites executivas, 4 presidenciais e uma piscina. É o primeiro hotel do género daquela região do país. Assim como Malange foi “premiada” com um hotel de luxo, outras províncias terão o mesmo privilégio, através da construção de resorts, residenciais e outras casas do género.</p>
<p>Por ser um campo inexplorado, o turismo em Angola é alvo de atenção por parte de empresários estrangeiros, nomeadamente portugueses. Mas a já conhecida dificuldade na obtenção de vistos torna estes projectos de construção uma tarefa ádua de concretizar. <a href="http://cangue.blogspot.com/2007/11/como-acordar-o-turismo-angolano.html">Feliciano J. R. Cangue</a> faz uma análise interessante no seu blog:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;">“Em todo o mundo o turismo é um sector da economia que se devidamente explorado, pode gerar novos postos de trabalho e assumir uma grande participação na renda nacional. O nosso país que hoje possui cerca de 80% da sua mão de obra activa na informalidade, pode atrair esse fluxo para o país. Para tal, o mercado turístico precisa desenvolver projectos que o impulsionem e potencializem o mercado turístico. Isso pode resultar em desenvolvimento económico e postos de trabalho. O turismo em muitas situações, ajuda a fixar o homem no campo, principalmente no momento em que presenciamos o êxodo rural. No nosso caso específico, sempre que ouço falar de turismo, fala-se normalmente da construção de hotéis. É verdade que a situação é crítica nessa área devido à guerra que o país passou. Precisamos investir de forma intensa na divulgação e fidelização do cliente. Isso envolve um bom atendimento ao turista. Para tal, pessoas que moram em locais turísticos precisam ser treinadas para desenvolvam espírito hospitaleiro recebendo os turistas com o máximo de boa vontade, presteza e simpatia e porque não aprender os principais termos que lhes permitam estabelecer a comunicação com turistas. Além disso, precisam preservar (livrar do mal) e conservar (manter) os locais turísticos como: as nossas florestas tropicais, formações rochosas extraordinárias, rios, lagos, quedas de água, parques nacionais, montanhas, grutas, praias, etc. Os profissionais da área precisam agir de uma forma inovadora, não deixando que apenas o ministro do turismo se debata sozinho. O sector precisa oferecer a prestação de serviços e atendimento de alta qualidade aos turistas. As embaixadas e consulados precisam também facilitar a concessão de vistos de turista. Precisamos sair do amadorismo. Temos tudo para sermos o maior paraíso turístico africano”.</p>
</blockquote>
<p>O turismo angolano tem estado a evoluir positivamente, os resultados alcançados e os dados estatísticos mostram-nos esta realidade. O blog <a href="http://www.angolaxyami.com/Viagens/Estatistica-das-regioes-emissoras-de-turistas-para-Angola-87.000-turistas-no-2007.html">Angola Xyami</a> traz os números da evolução do turismo na última década, e espera que &#8220;o turismo em Angola ganhe novas perspectivas e que possamos ultrapassar os 87,4 mil turistas que recebemos no ano de 2007&#8243;:</p>
<blockquote><p>O ano de 1999 registou um movimento de 45,5 mil turistas, em 2000 de 50,7 mil e em 2001 de 67,4 mil. Em termos relativos, esta evolução revela um aumento de 11,42% entre 1999 e 2000 e 32,9% de 2000 a 2001, mas entre 2002 e 2006, o movimento chegou a mais de 55 por cento. Do ponto de vista das principais regiões emissoras de turistas para Angola, a Europa continua a ser a maior com um total de 30,8 mil turistas em 2000, representando 61% do total geral das chegadas às fronteiras. Em 2001, passou para 38,2 mil turistas, representando 76,4%, dados que sofreram alteração de mais 10% até Setembro de 2007.</p></blockquote>
<p>Para obter mais detalhes sobre a situação actual do turismo em Angola, visite o site da <a href="http://embangola.artedesign-net.pt/content.php?id=noticia&amp;nid=1003">Embaixada de Angola em Portugal</a>. Para ver mais fotos, visite o blog <em><a href="http://fotoangola.weblog.com.pt/">Angola em Fotos</a></em>.</p>
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		<title>Angola: Crianças de 6 anos são acusadas de feitiçaria</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/11/26/angola-criancas-de-6-anos-sao-acusadas-de-feiticaria/</link>
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		<pubDate>Wed, 26 Nov 2008 23:03:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>claraonofre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Crianças a partir dos seis anos de idade têm sido acusadas de feitiçaria e abandonadas, mal-tratadas, torturadas e até mortas em Angola, onde acusações do tipo são consideradas válidas. Clara Onofre investiga essa prática aconselhada por membros de igrejas ilegais e que aparentemente não tem ligações com tradições históricas dos povos locais.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/clara-onofre/">Clara Onofre</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/claraonofre/'>claraonofre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/11/26/angola-children-as-young-as-6-face-accusations-of-witchcraft/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Nos ultimos tempos, Angola tem sido sacudida por notícias assombrosas de crianças abandonadas, mal-tratadas, torturadas e mortas após acusadas de feitiçaria. Um dos <a href="http://www.jornaldeangola.com/artigo.php?ID=94896&amp;Seccao=geral">casos recentes</a> passou-se no município do <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sambizanga,_Angola">Sambizanga</a> em Luanda. De acordo com os jornais, a Polícia Nacional regastou dezenas de crianças que se encontravam fechadas dentro de um quarto com uma fogueira acesa onde se queimava jindungo (piripiri). Umas das crianças corre o risco de perder um braço devido à gangrena provocada por cortes de lâmina. Através destes método esperava-se libertar o mal que habitava no corpo das crianças. A recomendação da prática deste método funesto é geralmente aconselhada por membros de <a href="http://www.jornaldeangola.com/artigo.php?ID=95470&amp;Seccao=geral">determinadas “igrejas”</a>, que na maioria das vezes se encontram abertas ao público ilegalmente.</p>
<p>Embrenhados num espírito místico, maldoso, ignorante ou simplesmente pelo desejo de se libertarem de mais uma boca a alimentar, os familiares são os grandes responsáveis por este tipo de atitudes. Ao acreditarem na feitiçaria condenam filhos, sobrinhos ou enteados a sofrer de forma atroz caso algo corra mal dentro de casa. No blog <a href="http://anteropaiva.blog.simplesnet.pt/archive/022885.html">Angola Saudades</a> dá-se o exemplo triste de um destes casos:</p>
<blockquote><p>&#8220;Makiesse é sobrevivente de um fenómeno perturbante que surge em Angola nos ultimos anos: acusações de feitiçaria contra crianças acompanhadas de maus tratos, abandono e nalguns casos, a morte. A madrasta acusou Makiesse de ser feiticeiro e ter provocado a doença que matou o seu pai. Não podia comer com a família, dormia na latrina, levava porrada diariamente e era forçado a rituais de purificação que mais parecem tortura – jejum, golpes e reclusão. Makiesse tinha seis anos. “Eu dizia que eu não sou feiticeiro, que talvez o feiticeiro usa a minha cara à noite. Mas ninguém acreditava”, conta Makiesse ao PlusNews. Um dia os familiares deitaram-lhe petróleo. O tio impediu que o queimassem vivo. Cedo, tirou-o sorrateiramente do Uíge para a capital Luanda a 345 quilómetros. Deixou-o num centro da igreja católica que abriga crianças de rua. Isso foi há três anos. Makiesse apenas foi visitado duas vezes pelo irmão mais velho&#8221;.</p></blockquote>
<p>Há alguns anos atrás, saiu um estudo sobre o impacto de práticas desta natureza contra as crianças sob a perspectiva da protecção dos direitos humanos levado a cabo pelo Instituto Nacional da Criança (INAC). O estudo apontou que as acusações contra as crianças surgiram em força nos finais da década de 90, sem qualquer relação com antecedentes históricos nas tradições dos povos locais. De acordo com o estudo, o surgimento para os actos desta ordem deve-se à transformação das estruturas familiares e do significado das relações de parentesco, bem como dos laços maternos e respectiva ligação com o cuidado a ter com as crianças. Em Angola, as acusações de feitiçaria e maus tratos dirigidos às crianças são consideradas válidas, o que minimiza perante a sociedade a gravidade de actos cruéis levados a cabo pela família. Após serem acusadas, as crianças dificilmente voltam a integrar-se no seio da família devido ao estigma e à discriminação. Isto leva-nos a outro factor: ao aumento de crianças de rua. Desconfortáveis perante os olhares acusadores de parentes e vizinhos, optam por viver por sua conta e risco pelas ruas deste país.</p>
<p>O blog <a href="http://noticiascristas.blogspot.com/2008/01/igreja-catlica-em-angola-recupera.html">Noticias Cristãs</a> denuncia um outro caso:</p>
<blockquote><p>“Doze crianças acusadas de feitiçaria e abandonadas pelos seus familiares foram retiradas das ruas de Luanda pelas Irmãs da Congregação do Bom Pastor. As histórias contadas pelas crianças que fizeram das ruas da capital a sua morada durante algum tempo, comoveram as freiras que decidiram começar um processo de nova vida para os menores. O caso mais recente é de uma menina de 11 anos acusada de ter morto a própria mãe usando feitiço. A superiora da congregação conta a história: “O pai abandonou a criança na rua e na altura foi interceptado pela polícia porque batia nela e ele disse que a filha tem 11 anos e é feiticeira. Disse que comeu a mãe e que recebeu o feitiço do Congo e que ele poderia ter a mesma sorte e então decidiu abandonar a menina. A criança foi levada para casa das irmãs no Palanca, por alguém que a encontrou a chorar na rua. Fui ter à casa onde eles moravam e encontrei alguns familiares, mas todos eles confirmaram que a menina é feiticeira. Conversei com eles, tentei convencê-los mas não houve maneira e disseram que era melhor não deixar a menina com eles porque estava reconhecida como feiticeira”.</p></blockquote>
<p>O governo e as organizações da sociedade civil, têm lançado campanhas de de sensibilização e alerta a fim de evitar o abuso contra crianças. Outros projectos como a abertura de centros de acolhimento e a responsabilização legal de tais abusos são outros dois pontos importantes levados a cabo pelas autoridades competentes.</p>
<p>Esperemos que a situação mude completamente. Que as crianças angolanas possam desfrutar da infância com tranquilidade sem perder a esperança numa vida melhor. Esperemos que a sociedade angolana se empenhe de forma determinada neste combate que já ultrapassou fronteiras nacionais. Que os pais e familiares das crianças vítimas de maus tratos, sejam responsabilizados e levados à justiça como sinal de aviso à navegação.</p>
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		<title>Lusosfera unida por Obama</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/11/05/lusosfera-unida-por-obama/</link>
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		<pubDate>Wed, 05 Nov 2008 21:40:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>claraonofre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Veja como blogueiros da Angola, Moçambique, Cabo Verde e Timor Leste estão celebrando a eleição de Obama como presidente dos Estados Unidos, e como eles têm esperanças de que essa eleição trará mudanças para seus próprios países.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/clara-onofre/">Clara Onofre</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/claraonofre/'>claraonofre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/11/05/the-lusosphere-for-obama/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>A América e o mundo testemunham um momento histórico com a chegada de Barack Obama à presidência. Não só pela cor do 44º presidente americano – o que seria bastante redutor – mas pela mudança que Obama transporta no olhar, nas palavras, na convicção e nos projectos futuros. Barack Obama herda uma economia aos solavancos, traumas produzidos pela infindável guerra no Iraque e a luta pelo meio ambiente, entre outros sintomas da má gestão levada a cabo por George W. Bush.</p>
<p>A vitória de Obama emociona americanos e pessoas de todo o mundo. Como se estivessemos todos sedentos de mudança. Como se tivesse finalmente chegado o grande líder que ansiamos seguir. Direto de Nova York, o moçambicano <a href="http://manueldearaujo.blogspot.com/2008/11/aconteceu-barack-hussein-obama-primeiro.html">Manuel Araújo</a> conta o movimento de gente na Times Square para ver Obama e diz que terá orgulho de contar aos seus netos que estava lá nesse momento histórico:</p>
<blockquote><p>“Estive la, nao apenas por mim. Estive la porque tinha que la estar, para todos aqueles que queriam la estar e por varias razoes, quer materiais, quer financeiras, quer emocionais nao podiam la estar!</p>
<p>A explosao de alegria no Time Square foi tanta que por momentos fiquei surdo! As lagrimas foram tantas que me senti por segundos sufocado e afogado naquele mar de alegria! A felicidade tao grande que por segundos senti um no pescoco! O ar tao quente que por segundos senti o calor da raca humana! Um calor que nuna tinha sentido antes.</p>
<p>No Times square, hoje descobri que quando o ideal e a esperanca e grande existe apenas uma raca - A RACA HUMANA! Que nao ha negros ou brancos, mulatos ou latinos, africanos ou asiaticos, vermelhos, azuis, pobres, ricos, nordicos, autralianos, pakistanis, kenyanos, zambianos, dominiquenhos, costariquenos, japoneses! A diversidade de racas, nacionalidades, estratos sociais representadas fez-me recordar a figura biblica da Arca de Noe!”.</p></blockquote>
<p>O blog <a href="http://casadeluanda.blogspot.com/2008/11/sim-ns-podemos.html">A Casa de Luanda</a> fez questão de partilhar com os seus leitores a esperança depositada em Obama:</p>
<blockquote><p>“Obama emocionou-me com o seu discurso. Lembrou-nos de como um país deve ir muito além de uma colectividade de indíviduos. Deve ser uma unidade de pessoas que olham umas para as outras. Lembrou que temos histórias diferentes, mas um mesmo destino. Que enquanto respiramos, temos esperança. E principalmente, convocou os americanos e o mundo para um novo espírito de trabalho, baseado na responsabilidade, nas alianças, na esperança, na liberdade e na paz. Espero que o discurso ecoe em Angola, pois este país precisa como ninguém de todos esses valores”.</p></blockquote>
<p>Com a chegada de Barack Obama à presidência, aparecem sentimentos confusos. A maioria dos apoiantes do agora presidente está feliz por esta vitória porque Obama descende de negros e acreditam que devido a este facto, poderá ajudar no combate à discriminação racial e tornar-se um porta-estandarte para a raça negra. No Quénia, país Natal do pai do agora presidente americano, esperam ingénuamente a salvação pelas mãos de Obama, esperando que este corra com os corruptos daquele país e facilite a obtenção de vistos para entrada em solo americano. É o “american dream” em acção, concretizado e proferido por Obama no discurso pós-vitória. Mas antes de mais nada, Barack Obama é americano e fez questão de frisar isso mesmo durante a campanha eleitoral.</p>
<p>A autora do blog <a href="http://meninadeangola.blogspot.com/2008/11/blog-post.html">Menina de Angola</a> reflecte sobre este assunto:</p>
<blockquote><p>“Angola está sorrindo, bom pelo menos a minoria que entende ou acha que entende o que está acontecendo mundo. Os poucos angolanos com acesso à informação comemoram a vitória de Barack Obama, brindam ao primeiro negro da história mundial, mas cá com os meus botões, não vejo bem o que muda para nós pobres mortais. Não vejo como a cor da pele pode alterar o rumo da história do dia para a noite. Por acaso o racismo vai acabar? A fome e miséria do mundo vão desaparecer como num passe de mágica? Os conflitos intermináveis no médio oriente terão fim? Ele é apenas mais um americano no poder, com os mesmos ideiais de todos os americanos. É mais um capitalista rico que veio de família rica e teve acesso às melhores escolas. Mas acima de tudo ele é apenas um ser humano, não um mágico, messias ou super homem com super poderes, capaz de resolver todos os problemas do mundo do dia para a noite. Não estou fazendo propaganda contra, muito pelo contrário, fiquei muito feliz com a vitória de Obama, mas não porque ele é negro, branco, amarelo ou rosa choque, mas sim porque a sua plataforma de governo inclui entre outras coisas, uma grande preocupação com o meio ambiente. Eu vou comemorar de verdade daqui a 4 ou 5 anos quando as promessas de campanha tornarem-se realidade”.</p></blockquote>
<p>O blog <a href="http://ludgerocv.blogspot.com/2008/10/o-fenmeno-obama.html">Chez Ludgero</a> de Cabo Verde  manifesta o seu entusiasmo por Barack, escrevendo:</p>
<blockquote><p>“Barack Obama é um fenómeno global. Fala-se dele em todas as línguas, em todos os países. Aqui em Cabo Verde tornou-se usual ver-se gente de todas as raças, de culturas diferenciadas, oriundas de vários pontos do globo, falando de Obama. A África lusófona ficou orfã depois de perder os seus líderes históricos (Cabral, Neto, Mondlane e Machel). E isso um pouco em consequência de alguma reticência em relação a Kalungano e alguns outros, por causa da mistura de raças que corporizam. A consagração de Obama, num ambiente como o dos Estados Unidos, pode chamar toda a África à razão, mormente os países lusófonos, cuja maior riqueza reside na mistura de raças e no encontro de culturas. A consagração da educação como a chave que abre todas as portas (mesmo as da Casa Branca) seria a maior lição a tirar da trajectória de Obama.”</p></blockquote>
<p>Sejam quais forem os motivos de apoio a Obama, o novo presidente americano conseguiu gerar à sua volta uma forte empatia, tanto a nível nacional como internacional. Kianda do blog <a href="http://kianda.wordpress.com/2008/11/04/este-blog-apoia-descaradamente-barack-obama/">O silêncio da Kianda</a> expressa sem pudores, a admiração por Barack Obama:</p>
<blockquote><p>“Gosto de Obama porque sou muito mais democrata do que republicana, na minha essência de mais de esquerda do que conservadora. Sou a favor do aborto, do casamento dos homossexuais, da sensibilidade para questões sociais, da não ingerência arbitrária dos EUA na política interna do resto do mundo. Acredito muito mais no programa de Obama para resolver ou controlar os problemas económicos dentro dos Estados, o que tem sempre consequências no resto do mundo. Acredito mais na calma e na serenidade de Obama para julgar os problemas. Tem o sangue frio necessário para esta altura da história.”</p></blockquote>
<p>O arquiteto, ilustrador e cartunista João agradece Obama com um cartum no <a href="http://timorcartoon.blogspot.com/2008/11/obrigadu-barack.html">Timor Cartoon International</a>:</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-52297" title="timorcartoon_obrigaduobama" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/11/timorcartoon_obrigaduobama.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong><br />
</strong></p>
<blockquote><p>Seja qual for o resultado…</p></blockquote>
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		<title>Angola: Zungueiras enfrentam vida dura com dignidade e coragem</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Nov 2008 21:57:41 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Percorrendo as ruas de Luanda para vender fruta doce como fruta-pinha, manga perfumada ou abacate da cor da esperança, as "zungueiras", ou vendedoras ambulantes de Angola que normalmente são chefes de famílias, vendem seus produtos enquanto pintam as ruas de Luanda com cores vibrantes.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/clara-onofre/">Clara Onofre</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/claraonofre/'>claraonofre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/11/02/angola-hawkers-face-a-hard-life-with-dignity-and-courage/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-52085" title="2206946931_b85283e66d-1" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/10/2206946931_b85283e66d-1.jpg" alt="" /><br />
<strong>&#8220;Ela precisa carregar seu bebê enquanto anda pelas ruas de Luanda vendendo várias coisas. Em Luanda, as chamamos de &#8220;zungueiras&#8221;. Foto &#8220;Senhora com bebê&#8221; de <a href="http://www.flickr.com/photos/unroyal/">Jose Carlos Costa</a>, usada com permissão do fotógrafo.</strong></p>
<p>Pelas ruas desta cidade de Luanda, vêem-se zungueiras de olhar humilde e determinado. Percorrem as ruas da cidade faça sol ou chuva. Algumas carregam os filhos às costas, ao mesmo tempo que suportam o peso da mercadoria que vendem. Pode ser fruta doce como a fruta-pinha, a manga perfumada, o abacate da cor da esperança que estas mulheres teimam em preservar, ou sandes bem recheadas com fiambre e queijo. Produtos como roupa, sapatos, livros escolares ou peixe são outros dos artigos escolhidos por estas lutadoras e provedoras do lar.</p>
<p>Jorge Ramos do blog <a href="http://jorginhoemangola.blogspot.com/2007/03/sebinho-e-branquinho-dormiam.html">Jorginho em Angola</a>, comprova esta realidade e escreve sobre as zungueiras da bela península do Mussulo:</p>
<blockquote><p>“As zungueiras são as milhares de angolanas que saem às ruas vendendo todo o tipo de mercadorias que carregam na cabeça mesmo. Essas zungueiras do Mussulo atendem a um público específico e oferecem produtos como roupas de praia, batas e peças inteiras de panos multicoloridos, ricamente estampados com figuras africanas e linhas geométricas, bem ao gosto do padrão daqui. Elas caminham o dia todo, sob o sol escaldante. É absolutamente incrível a capacidade das zungueiras em equilibrar sobre a cabeça balaios, sacos, cestos, bacias e sacolas onde transportam as mercadorias que vendem. Desafiando as leis da física, o frágil equilíbrio se impõe perante vários obstáculos que se interpõem ante elas nas ruas e calçadas além dos filhos pequenos, que carregam nas costas, atados por panos que amarram na frente à altura do peito. Milhares de zungueiras percorrem a cidade, o dia todo, de um ponto a outro de Luanda, arriscando-se muitas vezes em meio ao tumultuado trânsito”.</p></blockquote>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-52086" title="472302854_8d2b9307a8" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/10/472302854_8d2b9307a8.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>&#8220;As mulheres que estão &#8220;na zunga&#8221; são as que vivem do comércio ambulante. É uma alternativa à fome num país de poucos empregos. Mas na África até isso fica estético, colorido&#8221;. Foto Zungueiras, de </strong><strong><a title="Link to wilsonbentos' photostream" href="http://www.flickr.com/photos/wilsonbentos/"><strong>wilsonbentos</strong></a>, </strong><strong><span class="currentContextLink">usada com permissão do fotógrafo</span></strong></p>
<p>O trânsito infernal que reina sob Luanda é o menor dos males para estas mulheres. Os fiscais que rondam a cidade em busca de infracções caracterizam-se pelo tom áspero e austero com que se dirigem às vendedoras ambulantes. A relação entre fiscais e zungueiras está longe de ser cordial. Muitas queixam-se do modo de actuação destes indivíduos, já que a maioria, fica-lhes com o dinheiro e com a mercadoria, o que significa humilhação e um rombo no orçamento familiar.</p>
<p>O governo tenta acabar com a venda ambulante e tenciona construir mercados próprios para acolher as zungueiras. Se essa meta for atingida, será que Luanda voltará a ser a mesma? A cidade perderá o colorido e o prazer de ver o gingar guerreiro destas mulheres e as bacias coloridas em que transportam a sobrevivência diária.</p>
<p>A documentarista Marisol Kadiegi dedica em <a href="http://angoladetodosns.blogspot.com/2008_07_01_archive.html">Angola de Todos Nós</a> um merecido espaço às zungueiras de Luanda e de outras regiões do país:</p>
<blockquote><p>“Elas saíram do Uíge, Malange, Benguela, enfim! De todas as províncias de Angola para na capital do país, tentarem uma vida melhor e em busca de sonhos, tentar ver seus filhos “doutores”. Castigadas pela guerra, herdaram da mamã quitandeira a arte de vender, da palavra “zunga” originária do kimbundo, ela se tornou andarilha, andante ou vagante. Essa dita senhora é a nossa zungueira, mulher batalhadora que muito antes do sol, se levanta para tratar da vida e conseguir alimento para o seu sustento. Assim como uma leoa, caça comida para seus filhos enquanto o “rei” leão descansa. A nossa vendedora que de porta em porta e nas ruas da cidade sai oferecendo o seu produto, fazendo do lamento um grito. Na maioria das vezes, levando o filho caçula nas costas, dá um kilape (crédito) às freguesas habituais e carrega no rosto um sorriso na esperança de um dia ver-se totalmente liberta da sua condição.</p>
<p>Vítima de violência da polícia e muitas vezes por parte dos próprios companheiros, a mulher zungueira é exemplo de dignidade.”</p></blockquote>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/unroyal/2211288631/"><img class="aligncenter size-full wp-image-52083" title="2211288631_93a0a3a42e" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/10/2211288631_93a0a3a42e.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>&#8220;Mulheres trabalhando&#8221;, foto de <a href="http://www.flickr.com/photos/unroyal/">Jose Carlos Costa</a>, usada com permissão do fotógrafo</strong></p>
<p>Dignidade e coragem são dois bons adjectivos para caracterizar estas mulheres. Devido à falta de formação e à pobreza, muitas mulheres angolanas vêem-se obrigadas a entregar-se à vida ambulante. <a href="http://jorginhoemangola.blogspot.com/2007/03/sebinho-e-branquinho-dormiam.html">Jorge Ramos</a> conta um pouco sobre o dia a dia das zungueiras:</p>
<blockquote><p>“Quando cansam, param e se sentam nas calçadas onde amamentam seus bebés e tiram alguma fruta dos seus alforjes para se alimentarem. Às vezes é numa esquina movimentada, mas já vi uma zungueira em pleno centro da cidade parar num calçadão, baixar seu balaio de peixe salgado e ressequido e dar meio abacate para o filho pequeno que se lambuzava, bem na porta de uma moderna agência de um banco europeu, num belo contraste cultural. Idiossincrasias da globalização, que não comporta vertentes antropológicas nem aspectos humanistas em sua inexorável marcha, por isso nessa minha breve leitura contento-me em apenas analisar o episódio sob o prisma da plasticidade da cena e seu significado. Com as elevadas taxas de desemprego e o escasso acesso a uma formação escolar ou profissional ser zungueira é a actividade que mais absorve jovens angolanas pobres, geralmente mães solteiras, algumas recém saídas da adolescência.”</p></blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong></strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="alignnone size-full wp-image-52093 aligncenter" title="carris-2-295" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/10/carris-2-295.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="alignnone size-full wp-image-52094 aligncenter" title="carris-2-230" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/10/carris-2-230.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="alignnone size-full wp-image-52092 aligncenter" title="carris-2-095" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/10/carris-2-095.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="alignnone size-full wp-image-52091 aligncenter" title="carris-2-047" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/10/carris-2-047.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="alignnone size-full wp-image-52090 aligncenter" title="1364806474_0968df7254" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/10/1364806474_0968df7254.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="alignnone size-full wp-image-52089 aligncenter" title="1363916869_03abb17026" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/10/1363916869_03abb17026.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-52088" title="1363916817_e6877bebdb" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/10/1363916817_e6877bebdb.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>As fotos acima foram tiradas por Marcelo Frota e são reproduzidas aqui com a permissão do fotógrafo. Veja mais fotos dele no <a href="http://www.flickr.com/photos/frotacelo/">Flickr</a> e no <a href="http://picasaweb.google.pt/frotacelo/Angola#">Picasa.</a></strong></p>
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		<title>Angola: Sobre a sereia Kianda e outros seres míticos</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/29/angola-sobre-a-sereia-kianda-e-outros-seres-miticos/</link>
		<comments>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/29/angola-sobre-a-sereia-kianda-e-outros-seres-miticos/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 29 Oct 2008 00:00:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>claraonofre</dc:creator>
				<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[Arte & Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
		<category><![CDATA[Sub-Saharan Africa]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>

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		<description><![CDATA[Angola comporta em si vários contos, lendas e personagens míticas. Como lufadas de ar fresco, alimentam o imaginário de pequenos e graúdos e conferem riqueza à história e cultura angolanas. Conheça a sereia Kianda e lendas de animais: crocodilos, bambis, cágados - todos fazem a imaginação do povo alçar vôo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/clara-onofre/">Clara Onofre</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/claraonofre/'>claraonofre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/10/28/angola-on-the-mermaid-kianda-and-other-mythical-beings/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Angola comporta em si vários contos, lendas e personagens míticas. Como lufadas de ar fresco, alimentam o imaginário de pequenos e graúdos e conferem riqueza à história e cultura angolanas.</p>
<p>A Kianda por exemplo, é uma personagem muito amada. Deusa das águas, é tradicionalmente venerada através de oferendas. Pepetela, um dos expoentes máximos da literatura em Angola, tem inclusive um livro intitulado “O silêncio da Kianda”.</p>
<p><a href="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/10/oferendas_para_a_kianda.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1420" title="oferendas_para_a_kianda" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/10/oferendas_para_a_kianda.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>&#8220;Oferendas para a Kianda&#8221;, do artista angolano Jorge Gumbe, ilustração presente em muitos blogs angolanos</strong></p>
<p><em>Denudado</em>, autor do blog <a href="http://amateriadotempo.blogspot.com/2006/03/kianda.html">A Matéria do Tempo</a> conta-nos um pouco sobre o fascínio por esta sereia:</p>
<blockquote><p>“Durante a convivência que tive em Angola com pessoas pertencentes às classes populares, foram-me contadas diversas lendas e contos tradicionais daquele país. Além de uma outra fábula com animais, a maior parte das narrativas que ouvi, envolveu a figura mítica da sereia. As gentes do povo em Angola acreditam convictamente na existência de sereias, que dizem ser dotadas de poderes sobrenaturais. Em quimbundo (uma das línguas nacionais) as sereias são chamadas ianda, no singular de Kianda. Cada meio aquático tem uma sereia, isto é, cada rio, cada lagoa, cada charco tem a sua kianda que toma o nome do rio, lagou ou cacimba. De certa forma, ela é a encarnação do próprio meio aquático.”</p></blockquote>
<p>No seu blog, o autor conta uma das várias histórias que ouviu sobre a Kianda:</p>
<blockquote><p>“As histórias de sereias que mais ouvi frequentemente relatavam o aparecimento de uma sereia a um homem pobre, a quem ela revelava a existência de um tesouro. Subitamente enriquecido, o homem passava a comportar-se de modo egoísta, gastando toda a riqueza em seu proveito pessoal e não em benefício da comunidade. Como castigo, a sereia acabava por fazer desaparecer o tesouro, ficando o homem na mais completa miséria. Por vezes o castigo era mais duro e o homem ficava para sempre encantado no fundo do rio ou da lagoa. Há histórias de sereias em que é toda a aldeia que se comporta de modo egoísta ou avarento, sendo neste caso o castigo aplicado a toda a comunidade, que fica então encantada no fundo do lago ou do rio. Há angolanos que juram mesmo, pelo “sangue de Cristo”, que ouviram o som de mulheres a pilar, de cães a ladrar ou de galos a cantar vindo de uma aldeia condenada a viver para sempre no fundo da lagoa ou do rio”.</p></blockquote>
<p>A juntar-se à Kianda temos ainda a história do Jacaré Bangão. Existem várias versões sobre a história que envolve esta personagem, mas a mais aceite pela população é a seguinte: reza a lenda que na cidade de Caxito, capital da província do Bengo, certo Jacaré decidiu pagar o imposto ao chefe do posto, responsável por assegurar esta obrigação fiscal. Segundo consta, o tal chefe era um indíviduo implacável para com os habitantes daquela região e o Jacaré vendo a sua atitude decidiu ele próprio pagar o imposto a fim de travar a impetuosidade daquele chefe. Ao ver o grande Jacaré sair das águas do rio Dande a fim de cumprir a sua missão, o cobrador de impostos ficou aterrorizado e abandonou os maus modos com que tratava a população. O autor do blog <em><a href="http://oolhardotempo.blogs.sapo.pt/571.html">Olhar do Tempo</a></em> conta uma outra versão:</p>
<blockquote><p>“Pelo que me contaram, no tempo colonial eram todos obrigados a pagar impostos, assim a população do Caxito, reuniu todo o dinheiro dos impostos, colocando-o em seguida dentro da boca do jacaré e enviando-o ao governador para este receber os seus impsotos. Vendo tal situação o governador nem quis o dinheiro, nem exigiu mais impostos a essa população. Se é verdade ou não, boato ou lenda, sinceramente não sei, só acho que também devíamos ter jacarés em Portugal”.</p></blockquote>
<p><em><a href="http://pedromoraiscardoso.wordpress.com/2007/05/13/o-leao-e-forte-como-a-amizade/">Pedro Cardoso</a></em> conta no seu blog <em>Coisas D&#39;Angola</em> um conto de foclore kimbundo, chamado o “Leão é forte como uma amizade”:</p>
<blockquote><p>“Dois amigos costumavam encontrar-se todos os dias, numa das conversas um deles comentou; - Os leões estão a aparecer nas redondezas. Tem cuidado com a tua casa, para evitares um desgosto.</p>
<p>- O Leão não poderá entrar. Tenho espingarda e lança.</p>
<p>- Enganas-te, porque não pode lutar com o Leão.</p>
<p>- Tenho a certeza que posso.</p>
<p>Ambos riram e continuaram a conversar até que por fim se separaram.</p>
<p>Passou-se um mês desde quando o rapaz tinha avisado o amigo, arranjou um meio de se transformar em Leão e resolveu atacar o camarada rugindo ferozmente.</p>
<p>Arranhou-lhe a porta de casa e encontrou o amigo a dormir. Levantou-o, bateu-lhe e desfez tudo aquilo que encontrou. Deixando o amigo em má situação, retirou-se e voltou à forma de homem.</p>
<p>No outro dia, foi visitar o amigo que atacara e este disse-lhe;</p>
<p>- Pobre de mim! O Leão veio aqui e destruiu tudo!</p>
<p>- Porque não fizes-te fogo ou lhe metes-te a lança?</p>
<p>- Meu amigo o Leão é forte como a amizade!”</p></blockquote>
<p>E em jeito de remate, aqui fica mais conto popular que envolve o cágado e o bambi. O texto foi retirado do blog <em><a href="http://confrariadecagados.blogspot.com/2008/03/um-desafio-em-corrida-entre-o-cgado-e-o.html">confrariadecágados</a></em>:</p>
<blockquote><p>“Certo dia, o cágado e o bambi discutiam sobre qual dos dois seria o melhor corredor. Então, o cágado propôs um desafio ao antigo amigo bambi: fariam uma corrida, marcando o seu itinerário desde o ponto de partida até ao ponto de chegada. Começariam juntos e veriam quem era capaz de chegar primeiro. O bambi, após aceitar o desafio foi dormir. O cágado, ao contrário, foi ter com seus iguais, os demais cágados. Combinou com eles que cada um se colocaria em um ponto do trajeto a espera do bambi. No outro dia, o bambi atrasou-se, mas o cágado já estava a sua espera. Na largada, o bambi saiu em vantagem, correndo em desabalada carreira. Em determinado ponto da estrada, parou e olhou para trás a fim de ver se enxergava o companheiro. Porém, um dos cágados que o aguardavam na estrada passou a sua frente, dizendo que, enquanto ele olhava para trás, ele, o cágado já havia passado havia muito tempo. Isso se repetiu várias vezes durante o trajeto, até que, extenuado, o bambi reconheceu que o cágado corria mais que ele, ao que este respondeu: — Amigo, já sou velho, tenho a escola toda!”</p></blockquote>
<p><strong><br />
Mais lendas e assombrações:</strong></p>
<p>Esse artigo é parte da série do Global Voices sobre mitos, assombrações, fantasmas e lendas, que coincide com o Dia das Bruxas, Dia dos Mortos e outros feriados medonhos. Veja a nossa página de <a href="http://globalvoicesonline.org/specialcoverage/ghosts-gouls-myths-and-legends/">cobertura especial</a>.</p>
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		<title>Angola: Sobre a alegria e tristeza de ser um retornado</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/19/angola-sobre-a-alegria-e-tristeza-de-ser-um-retornado/</link>
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		<pubDate>Sun, 19 Oct 2008 09:52:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>claraonofre</dc:creator>
				<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[Diáspora]]></category>
		<category><![CDATA[Etnicidade]]></category>
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		<description><![CDATA[Angola, 1975. O país tinha acabado de conquistar sua independência e ex-colonizadores portugueses, assim como suas famílias e muitos cidadãos angolanos, tiveram que fugir deixando toda uma vida para trás. 30 anos depois, eles blogam suas vidas como retornados e sobre as alegrias e tristezas causadas por essa mudança de destino. Veja um vídeo da dramática emigração em massa.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/clara-onofre/">Clara Onofre</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/claraonofre/'>claraonofre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/10/19/angola-on-the-sadness-and-happiness-of-being-a-returnee/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p><img class="aligncenter size-full wp-image-51589" title="retornados2" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/10/retornados2.jpg" alt="" /></p>
<p>Antes de Angola alcançar a independência em 1975, os antigos colonizadores portugueses viram-se obrigados a embarcar para Portugal. Mas não foram os únicos. Angolanos descendentes de portugueses ou não, deixaram também eles toda uma vida para trás. Abandonaram casas recheadas, carros, empregos e a grande maioria viajou com a roupa que traziam no corpo. Não tiveram tempo para despedidas, cartas de demissão ou meios de assegurar a posse das casas que deixavam escancaradas. Muitos anos depois, os donos das casas regressaram ao país a fim de recuperarem o que lhes pertencia. Nada conseguiram. As casas foram ocupadas maioritariamente por gente vinda do mato ou entregues a outras pessoas pelo Estado angolano, que declarou abandono por parte dos antigos ocupantes.</p>
<p>Chegaram a Portugal desesperançados, de olhar perdido, trazendo pelas mãos os filhos, a certeza de um presente instável e de um futuro cinzento. Em Portugal levaram a alcunha de retornados. Termo pejorativo que se foi esbatendo com o tempo, mas que ainda marca a alma daqueles que fugiram da própria terra.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-51590" title="retornados3" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/10/retornados3.jpg" alt="" /></p>
<p>O autor do blog <a href="http://macua.blogs.com/25_de_abril_o_antes_e_o_a/2004/04/repatriados_a_g.html">25 de Abril - O Antes e o Agora</a> reproduz a história de um homem que largou tudo para fugir de Angola:</p>
<blockquote><p>“Entre essa massa anónima de pessoas de destino incerto encontrava-se Ribeiro Cristovão, a sua mulher e os três filhos menores. “Mantive-me em Angola quase até à independência. Acreditava que apesar das alterações radicais haveria lugar para todos. Enganei-me.” No final de 1975 abandona o seu emprego na cervejaria Cuca e a sua casa em Nova Lisboa. O homem do desporto da Rádio Renascença confessa que os primeiros três meses passados em Lisboa foram os mais difíceis da sua vida. E sem o abrigo na casa da irmã em Alcochete, a sua história estaria hoje pintada em tons ainda mais negros. “Recordo-me de calcorrear a cidade à procura de emprego, sem sorte nenhuma. Estava mesmo desesperado. No primeiro Natal na capital, Ribeiro Cristovão afundou-se numa tristeza profunda. Ali estava ele rodeado com a sua família mas com a árvore despida de presentes. O rótulo de retornado teimava em fechar-lhe as portas”.</p></blockquote>
<p>JPF do blog <a href="http://fadofalado.blogspot.com/2005/10/propsito-de-um-post-que-caiu-mal-por.html">Fado Falado</a> tem outra impressão acerca desta realidade:</p>
<blockquote><p>”Tenho contudo a ideia – e a convicção – de que por cá, os retornados foram na generalidade bem acolhidos. Pelo Estado e pelas pessoas em geral. Aliás a maioria e a sua descendência está por aí em situação identica à dos casos dos que já cá estavam e nas respectivas descendencias. Dir-me-ão que conhecem um caso X e outro Y diferentes. Provavelmente, há casos desses. Como os há de retornados que, não necessitando de nada, se fizeram e beneficiaram de toda a prebenda”.</p></blockquote>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-51591" title="retornados5" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/10/retornados5.jpg" alt="" /></p>
<p>O autor do blog <a href="http://www.cubata-angola.com/2008_08_01_archive.html">Cubatangola</a> conta-nos um episódio curioso:</p>
<blockquote><p>“Ontem tive a certeza que uma grande maioria dos antigos habitantes de Agola, não enjeita serem chamados de “retornados”. Tenho um familiar que devido a graves problemas de saúde, ACV já por mais de quatro anos se encontra internado num lar para idosos. Recentemente conseguimos arranjar um novo lar com umas condições bastante melhores e uma assistência mais completa, para o mudamos ontem. Quando umas das empregadas soube que este novo utente tinha vivido bastantes anos em Angola e tinha regressado na leva de 75, chegou-se a ela e disse simplesmente, EU TAMBÉM SOU RETORNADA! Uma frase simples, mas tão cheia de significado que foi suficiente para acalmar esta pessoa idosa, arrancando-lhe um sorriso, aqueles sorrisos de cumplicidade que trocamos com as pessoas que já conhecemos há muitos anos. Sim, mais do que nunca continuo a acreditar que esta palavra “RETORNADOS”, identifica um povo, povo esse que não se deve envergonhar de assim ser chamado, mesmo que alguns o achem pejorativo”.</p></blockquote>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-51592" title="retornados7" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/10/retornados7.jpg" alt="" /></p>
<p>A verdade é que nem o Estado português ou os próprios portugueses facilitaram a vida aos que chegaram ao país. <a href="http://fadofalado.blogspot.com/2005/10/propsito-de-um-post-que-caiu-mal-por.html">JPF</a> confirma este facto:</p>
<blockquote><p>“Tenho família que fugiu de Angola em 75. Foi terrível para muita gente, para muitas famílias. Pelo que apreendi na altura e sei hoje, o Estado português, na época, não lhes prestou lá o apoio que deveria. Abandonou-os, mesmo. Mas isso é uma questão que têm de colocar aos responsavéis políticos de então. Basicamente, militares barbudos, alguns comunistas, muitos revolucionários e oficiais-generais, como Rosa Coutinho, Vasco Gonçalves e Costa Gomes. E outros de quem não conhecemos os nomes”.</p></blockquote>
<p>É certo que a  grande maioria partiu para a antiga metrópole, mas alguns decidiram ficar. Afinal de contas, tratava-se da terra onde constituíram família. Onde o sonho andava de mãos dadas com um futuro promissor. <a href="http://fadofalado.blogspot.com/2005/10/propsito-de-um-post-que-caiu-mal-por.html">JPF</a> conta no seu blog huma história de coragem e amor pela pátria:</p>
<blockquote><p>“Há uns anos, li na revista Pública, uma excelente reportagem com &#8220;o mais velho português de Angola&#8221;. Era um tipo com quase 90 anos. Tinha nascido lá, por volta de 1910. O seu avô tinha ido para Angola na primeira metade do século XIX.<br />
O homem relatava a história da sua vida. Em 74 ou 75, quando rebentaram a sério as hostilidades em Angola, desfez a casa, carregou carros e camionetas e rumou, da cidade onde vivia, a caminho de Luanda, para se pirar com a família. Chegado a meio do percurso, de muitas centenas de quilómetros e milhares de perigos, parou o carro e pensou: vou fugir para onde? Porquê? Esta é a minha terra! Esta é a terra que eu gosto!<br />
Voltou para trás com a família e ficou. Hoje terá perto de cem anos. Ou já morreu - na terra onde nasceu e que sempre amou. E onde foi enterrado pelos seus familiares.<br />
Não tenho dúvidas de que este velhote amava mesmo de Angola”.</p></blockquote>
<p>Para encerrar, Carlos Pereira do blog <a href="http://meusescapes.blogspot.com/2008/05/angola-minha-terra-momentos-de-grandes.html">meus escapes</a> publica um vídeo de Luena em 1975 mostrando o que ele chama de &#8220;Momentos de grandes dramas das vítimas de uma descolonização desastrosa&#8221;:</p>
<div><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="420" height="339" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.dailymotion.com/swf/k6agHCloYoja1tkvuO" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="420" height="339" src="http://www.dailymotion.com/swf/k6agHCloYoja1tkvuO" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<strong><a href="http://www.dailymotion.com/swf/k6agHCloYoja1tkvuO"></a></strong><br />
<em>As maravilhosas imagens que ilustram esse post são capturas de tela do video acima, by Dailymotion user <a href="http://www.dailymotion.com/kutemba">kutemba</a></em></div>
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		<title>Angola: Poucos reagem à reabertura do escândalo Angolagate</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/13/angola-poucos-reagem-a-reabertura-do-escandalo-angolagate/</link>
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		<pubDate>Mon, 13 Oct 2008 18:59:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>claraonofre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A elite da política francesa acusada de violar o embargo imposto pelas Organizações das Nações Unidas para a venda de armas para Angola, no alto da guerra civil do país nos anos 90, está no banco dos réus no julgamento do caso Angolagate, que começou há exatamente uma semana. Apesar do tamanho do escândalo, bloguistas e imprensa se mantêm calados sobre o assunto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/clara-onofre/">Clara Onofre</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/claraonofre/'>claraonofre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/10/13/angola-little-reaction-so-far-to-the-angolagate-scandal-trial/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>O famoso caso “<a href="http://www.bbc.co.uk/portugueseafrica/news/story/2008/10/081006_angolagatetrialmt.shtml">Angolate</a>” chega este mês às barras dos tribunais de França, envolvendo figuras de topo daquele país e supostamente angolanos influentes, a começar por José Eduardo dos Santos, presidente de Angola. Os fantasmas estão à solta e Angola tenta a todo o custo impedir o debate público, alegando “respeito do segredo de defesa” de uma nação estrangeira.</p>
<p>Convém relembrar que este “Angolagate”, também conhecido como o caso Mitterrand-Pasqua,   remonta a 1992, quando José Eduardo dos Santos apercebeu-se da desvantagem militar diante da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/UNITA">UNITA</a> de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jonas_Savimbi">Jonas Savimbi</a>, que na altura ocupava mais de 80% do território angolano. Diante deste quadro, o presidente angolano optou por quebrar o embargo imposto pelas Organizações das Nações Unidas a que estava sujeito e adquiriu mais de quatrocentos carros de combate, aproximadamente cento e cinquenta mil obuses, mais de cem mil minas anti-pessoais, cerca de uma dezena de helicópteros, meia dúzia de navios de guerra entre outros armamentos originários do antigo bloco soviético.</p>
<p>O valor destas aquisições ficou-se pelos setecentos e noventa milhões de dólares, feitos através da empresa francesa Brenco. Seu presidente, o empresário Pierre Falcone e o político israelita Arkadi Gaydamak foram as peças chave em toda esta missão e encontram-se neste momento no banco dos réus. Ao todo, 40 outros acusados, alguns dos quais <a href="http://www.france24.com/en/20081009-among-suspects-are-six-high-profile-figures-politicians-angolagate">membros do alto escalão da política Francesa</a>, serão julgados e poderão pegar 10 anos de prisão, se considerados culpados.</p>
<p>O julgamento começou na segunda-feira passada, 6 de outubro, e a apuração deve continuar até 4 de março do ano que vem. Nessa primeira semana da reabertura do caso, houve bem pouca reacções na blogosfera angolana, e a imprensa também continua calada.</p>
<p>Um dos poucos bloguistas a comentar sobre o assunto, Roberto Ivens, do blog <a href="http://cus-judas.blogspot.com/2008/10/angolagate.html"><em>Nos Cus de Judas</em></a>, revela um facto insólito em relação à ausência de arguidos angolanos neste processo:</p>
<blockquote><p>“Não haver neste processo um único arguido angolano não deixa de ser curioso. Que todo o material de guerra, tanques, navios, helicópteros, obuzes, minas, tivesse entrado em Angola sem que ninguém o houvesse solicitado faz pensar que, afinal, poderá ter havido uma..invasão estrangeira?!”</p></blockquote>
<p>A justiça francesa acusa ainda Jean-Christophe Miterrand, filho do antigo e já falecido presidente Miterrand, Jean-Bernard Curial, o cabeça do Partido Socialista francês para a África Austral, e <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Pasqua">Charles Pasqua</a>, antigo Ministro do Interior, entre outros. O blog <a href="http://pululu.blogspot.com/2008/10/angolagate-ainda-se-lembram-do-que.html"><em>Moçambique para Todos</em></a> [pt], também participa da temática “Angolate” com um texto do Angolano Eugénio Costa Almeida:</p>
<blockquote><p>“Pois então não é que a justiça francesa, sem tomar em linha de conta os superiores interesses da República Francesa, decidiu iniciar o julgamento deste processo, com acusações que vão desde tráfico de armas, abuso de confiança, fraude fiscal e tráfico de influências. Tudo por causa de uns míseros 420 carros de combate, 150 mil obuses, 170 minas anti-pessoais, 12 helicópetros e 6 navios de guerra, eventualmente comprados por Angola e para os quais uns quantos auferiram umas míseras dezenas de milhares de dólares em “luvas”.Gingubas(amendoins) ou peanuts, como diriam os nossos amigos norte-americanos, eventualmente depositadas em contas obscuras em empresas, cidades francesas, suíças ou israelitas, antes de seguir para as de companhias e empresas financeiras sedeads em paraísos fiscais onde o dinheiro “adormece” por uns tempos antes de voltar a circular…é que parar é morrer, e há tantas quintas e palácios na Europa para serem comprados”.</p></blockquote>
<p>Como seria de esperar, Angola rejeita as acusações de tráfico ilegal de armas e fraude fiscal, afirmando que o material era legal, não era de origem francesa e não transitou pela França. As entidades angolanas ameaçam retaliar a França contra os interesses petrolíferos no país.</p>
<p>Este julgamento surge em má hora, já que a França procura desde o início do ano, estreitar relações com o governo angolano. Prova disso foi a visita feita por Nicolas Sarkozy há cinco meses a Angola.</p>
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		<title>Angola: Um novo Eldorado africano para estrangeiros</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/09/28/angola-um-novo-eldorado-africano-para-estrangeiros/</link>
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		<pubDate>Sun, 28 Sep 2008 16:40:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>claraonofre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Desde o fim da guerra civil em 2002, Angola tem sido a casa de muitos estrangeiros que chegam aqui em busca de trabalho. Estima-se que existem cerca de 70.000 estrangeiros morando no país, a maioria vinda da América do Sul, China, Portugal e outros países africanos. Descubra como esse caldeirão de culturas está se formando através do ponto de vista de blogueiros angolanos e estrangeiros.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/clara-onofre/">Clara Onofre</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/claraonofre/'>claraonofre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/09/28/angola-a-new-el-dorado-for-foreign-workers/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>Desde o término da guerra em 2002 que Angola tem sido local de acolhimento para inúmeros estrangeiros. Graças ao crescente desenvolvimento da economia, da reabilitação de infra-estruturas, da manutenção da estabilidade e da entrada no país de várias empresas internacionais, os estrangeiros sentem-se compelidos em tentar a sorte neste país.</p>
<p>Em Angola vivem mais de 70 mil estrangeiros, sendo que metade deles possui visto de trabalho e são representados na sua maioria por brasileiros, chineses, cubanos e portugueses. De África chegam ainda cidadãos vindos do Congo, Mauritânia, Mali entre outros.</p>
<p>Portugal bate com certeza o recorde no campo da imigração. Só para se ter uma ideia, até finais de 2007 deram entrada no país perto de 60 mil almas lusas. Número considerável e que expõe os laços históricos e afectivos que unem Angola a Portugal. No entanto, os chineses perfazem já um número considerável no país. Dedicam-se essencialmente à construção civil e são conhecidos por trabalharem horas a fio, ao sol ou à chuva. Em uma carta na coluna &#8216;O mundo visto pelos leitores&#39;, no blog do Pedro Dória, o angolano <a href="http://pedrodoria.com.br/2008/01/24/o-mundo-visto-pelos-leitores-angola/">Caco escreve</a>:</p>
<blockquote><p>“Os chineses foram os últimos a desembarcar por aqui, mas já formam o maior contingente. Ninguém sabe ao certo, mas dizem que são mais de 600.000 deles espalhados pelo país – dá algo como 3% da população. Trabalhando em turnos que causam inveja pela velocidade das obras e disposição para trabalhar 24 horas por dia e sete dias por semana. E num fenómeno inesperado começaram a integrar-se na sociedade de forma tão forte que a primeira geração de crianças sino-angolanas já começa a dar seus passos. Os chineses começam a tomar um espaço no coração das angolanas que até agora era dos brasileiros”.</p></blockquote>
<p>Qual será a reacção dos angolanos perante a entrada em massa de gente que vem de fora? E como é que os estrangeiros encaram a vinda para esta ex-colónia portuguesa?</p>
<p>António Spíndola é brasileiro, natural do Recife e escreve no seu <a href="http://spindola.blogspot.com/2007/06/24-filda-feira-internacional-de-luanda.html">Spíndola Blog</a> um pouco sobre este assunto:</p>
<blockquote><p>“Recebo muitos e-mails perguntando como é a vida em Angola. Em sua maioria são pessoas pensando em vir trabalhar aqui que desejam ou já foram convidadas. Angola é vista como o novo eldorado para os profissionais do Brasil. A ideia que se tem são bons salários e novas aventuras. Entretanto, na teoria a prática é diferente! Há bons salários sim, mas há uma série de dificuldades que se precisa transpor.”</p></blockquote>
<p>Uma das dificuldades é a obtenção de visto. O governo coloca sérios entraves à entrega deste documento e todo o processo é bastante moroso. O desânimo na obtenção do visto acaba por conduzir a situações de permanência ilegal. É importante agilizar o aspecto burocrático e dar carta verde de entrada aos estrangeiros que pretendem fixar-se em solo angolano. É preciso encarar a maioria destes cidadãos internacionais como mão-de-obra qualificada. Como gente capaz de contribuir para o desenvolvimento de um país que viveu 30 anos mergulhado na guerra.</p>
<p>O blog <a href="http://esquece-angola.com/modules.php?name=News&amp;file=article&amp;sid=1">O Lado Negro</a> confirma os percalços vividos para a obtenção do visto:</p>
<blockquote><p>“A minha esposa criou uma empresa em Angola e fomos para lá morar em 2006. Depois de lá estar voltei a Portugal para tratar de todos os documentos que a lei angolana exige para legalizar a minha residência naquele país. Mal empregado tempo que perdi e dinheiro que gastei, note-se que vir a Portugal tratar dos documentos e o que paguei no consulado do Porto para meter esses papéis, ultrapassou os 2500 dólares, mas para nada pois até hoje nem me deram uma resposta em Angola na DEFA (Direcção de Emigração e Fronteiras de Angola). Nem em Portugal no consulado me deram resposta, apenas o funcionário do consulado me disse: - o que o senhor quer, eu também estou em Portugal há 2 anos e só tive a minha residência há pouco. Depois de correr para a DEFA montes de vezes a tentar saber do meu caso sem nunca me dizerem o que se passava, resolvi meter uma reclamação por escrito. Acreditem que nem resposta me deram apesar da minha insistência.”</p></blockquote>
<p>Os profissionais vindos de fora encontram espaço em três áreas concretas como a medicina, construção civil e ensino. Alguns vêem para dar formação e outros para trabalhar a longo prazo.</p>
<p>Grande parte dos angolanos não vê com bons olhos a chegada dos estrangeiros. Acreditam que serão penalizados economicamente, profissionalmente e culturalmente. Existe também a opinião que os estrangeiros em Angola não agem de forma correcta. O blog <a href="http://desabafosangolanos.blogspot.com/2008/07/os-estrangeiros.html">Desabafos Angolanos</a> confirma isso mesmo:</p>
<blockquote><p>“Sou angolana de nascimento, vivi 20 anos em Angola e esse é um país que eu amo e nunca sairá do meu coração. Não gosto de ouvir falar mal do meu país e muito menos do seu povo. Incomoda-me, irrita-me. Não consigo perceber as pessoas que só vão trabalhar para Angola por causa do dinheiro. Não gostam do seu povo, das suas gentes e só são simpáticas e cordiais para angariar simpatia. Essa simpatia chega ao ponto de abrir as portas de sua casa para ganhar confiança. Falam constantemente em corruptos e na facilidade em corromper. Quero ouvir falar bem do país onde nasci, cresci e fui feliz.”</p></blockquote>
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		<title>Angola: Moradias de luxo para ricos e mais caras para pobres</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Sep 2008 20:34:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>claraonofre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A especulação territorial e imobiliária em Luanda é uma das causas do aumento significativo nos preços da moradia na capital angolana. Nesse artigo, Clara Onofre investiga como os empreendimentos de luxo estão rapidamente tomando conta da paisagem de Luanda. Mas para quem eles são construídos?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/clara-onofre/">Clara Onofre</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/claraonofre/'>claraonofre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/09/22/angola-luxurious-flats-for-the-rich-soaring-rent-for-the-poor/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p>A especulação imobiliária em Angola tem atingido níveis alarmantes, resultado da importação dos materiais de construção, taxas alfandegárias, falta de legislação, muita procura e pouca oferta e quiça de alguma má fé por parte dos construtores.</p>
<p>Basta dar uma olhadela à volta para se perceber o número significante de <a href="http://www.flickr.com/photos/29996877@N07/">condomínios de luxo</a>, prédios envidraçados devidamente mobilados e com direito a garagem, ginásio e piscina que parecem ter saído de uma <a href="http://www.youtube.com/watch?v=nK7ixB3Gw1I">varinha de condão</a>. E apesar dos preços absurdos – um milhão de dólares e às vezes mais – antes mesmo da inauguração dos edifícios, os construtores já sabem de antemão que existem inúmeros compradores.</p>
<p>É óbvio que os compradores destes empreendimentos são indivíduos pertencentes à classe alta. Pessoas ligadas ao poder ou empresas estrangeiras que compram para depois criarem guest houses para os seus funcionários. É também evidente que a classe baixa e a média vêem-se excluídas da possibilidade de adquirir uma habitação deste género.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.flickr.com/photos/wilsonbentos/512121622/in/set-72157600127396080/"><img class="alignnone size-full wp-image-50284 aligncenter" title="512121622_0f9769cc75" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/09/512121622_0f9769cc75.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>&#8220;Luanda Buildings&#8221;, foto do usuário do Flickr </strong><a title="Link to wilsonbentos' photostream" href="http://www.flickr.com/photos/wilsonbentos/"><strong>wilsonbentos</strong></a><strong> </strong><strong> </strong><strong>publicada sob licença da Creative Commons </strong></p>
<p>O grande problema nisto tudo deve-se ao facto de não existirem casas que vão de encontro às possibilidades financeiras da maioria da população. E as poucas que existem deixam muito a desejar devido à fraca qualidade dos materiais de construção. Cazimar, do blog <a href="http://africaminhamami.blogspot.com/2008/06/angola-especulao-desenfreada-na-compra.html">Africa Minha</a> ilustra bem esta situação:</p>
<blockquote><p>“Começa-se a levantar o véu sobre a polémica da especulação imobiliária em Angola e os seus respectivos destinatários interessados neste negócio, quer sejam vendedores, compradores, investidores ou banca e etc. Este tipo de negócio interessará a quem? Certamente que não interessará à maioria do cidadão angolano de baixos rendimentos, porque esses pobres coitados por enquanto só podem sonhar com uma habitação made in China de duvidosa qualidade (marketing eleitoral) ou com a compra ou aluguer de uma cubata num dos musseques (bairro de lata ou favela) mais luxuosos e povoados, situados privilegiadamente ao redor e na parte central da cidade de Luanda. No entanto a localização destes musseques também começa a sofrer a cobiça pelos terrenos por parte dos grandes grupos imobiliários, alguns deles apoiados por pessoal com forte influência junto do poder central e das decisões. Refiro-me aos generais, ministros e respectivos familiares. A maioria dos familiares desta corja sugadora, são os principais responsáveis ou accionistas das empresas envolvidas em grandes projectos de construção imobiliária. Cabendo aos generais e aos outros membros o papel de exercerem influências internamente nos organismos a quem cabe a responsabilidade de supervisionar e administrar esses terrenos e locais. Na maioria das vezes, o cidadão comum (pobre) que vive nesses terrenos é expropriado sem direito a contrapartidas, sendo posteriormente os terrenos vendidos a preços exorbitantes aos interessados na sua compra, com avultadas comissões (gasosa = suborno) aos intervenientes que facilitaram o seu desbloqueamento e expropriação.<br />
Eles (corja) estão sempre a “mamar e a sacar” dependendo dos objectivos de cada um. Tudo isto é facilitado pela falta de legislação adequada e que tarda em aparecer por impedimento da corja envolvida na corrupção do negócio imobiliário de luxo para Angola e para a cidade de Luanda”.</p></blockquote>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/75177528@N00/2524514352"><img class="aligncenter size-full wp-image-50282" title="2524514352_b69968b1fa" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/09/2524514352_b69968b1fa.jpg" alt="" width="472" height="381" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>&#8220;Assim é Luanda&#8221;, foto de Moisés Nazário, usuário do Flickr <a title="Link to Moises.on's photostream" href="http://www.flickr.com/photos/molinaz/">Moises.on</a> </strong><strong>publicada sob licença da Creative Commons </strong></p>
<p>No entanto parece que as coisas começam a mudar já que o governo angolano pretende aplicar a curto prazo, medidas de combate à especulação imobiliária com especial destaque para Luanda. Convém referir que as outras províncias do país ainda não sofrem deste mal. Em entrevista ao Jornal de Angola, o vice-ministro do Urbanismo e Ambiente afirmou que “o nível de especulação de preços dos imóveis em Luanda é bastante preocupante e torna a vida do cidadão de baixa renda mais difícil. O combate passa por mecanismos jurídicos que protejam os cidadãos das especulações que se registam no mercado imobiliário na capital e também por um programa de fomento habitacional para que todos os cidadãos tenham acesso a moradias condignas e a preços mais baixos”.</p>
<p>Gil Gonçalves, do blog <a href="http://patriciaguinevere.blogspot.com/2008/07/especulao-imobiliria-fim.html">Universal</a>, resume em dois parágrafos a situação em que vive a maioria dos angolanos face à especulação imobiliária.</p>
<blockquote><p>“Os especuladores imobiliários por onde passam, corrompem governos, titanicam nações. Conseguem corromper um centímetro de terra e lá construírem um minimercado. Se não acabarmos com os especuladores imobiliários, eles acabarão connosco”.</p></blockquote>
<p>Outro grande problema vivido pelos angolanos reside no aluguer de casas. Cada senhorio utiliza uma tabela própria de preços e a imaginação destes não conhece limites. Os preços variam entre os dois mil dólares e os dez mil e nem sempre esses valores correspondem à qualidade da casa. Muitas das vezes são casas com apenas um quarto, sem electrobomba ou gerador. E na grande maioria das situações, o senhorio assina um contrato com o inquilino que o primeiro trata de não respeitar, além de exigir seis meses ou um ano de renda em avanço.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-50285" title="6870409_7a38b4b96a" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/09/6870409_7a38b4b96a.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>&#8220;Angola2&#8243;, foto do usuário do Flickr </strong><a title="Link to kaysha's photostream" href="http://www.flickr.com/photos/kaysha/"><strong>kaysha</strong></a><strong> </strong><strong>publicada sob licença da Creative Commons </strong></p>
<p>É urgente a criação de uma lei que obrigue os senhorios a respeitarem os contratos, que estabeleça uma tabela de preços, entre outros. E é também necessário que a Associação do Consumidor se faça ouvir e que aja em conformidade. Enquanto isso não acontece resta aos angolanos, sujeitar-se a esta realidade implacável. O blog <a href="http://formyfamilyandmyfriends.blogspot.com/2008/07/viver-em-angola.html">Angola For my Family and my Friends</a> atesta esta realidade:</p>
<blockquote><p>“O aluguer das casas é muito elevado e ainda são infra-estruturas de pouca oferta. Das duas uma, ou o pacote de trabalho (para estrangeiros) inclui casa ou o teu rendimento tem de sustentar essa condição. As rendas podem ir de 2000/3000 dólares até onde o pensamento te deixar ir. A mais cara que vi, pediam 15.000 dólares por mês, mas sabe-se de condomínios que chegam a pedir 25.000. Tendo sempre em conta a particularidade comum em pagar sempre os primeiros seis meses ou o primeiro ano de arrendamento na sua totalidade.”</p></blockquote>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-50283" title="2856147620_287704cc52" src="http://globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/09/2856147620_287704cc52.jpg" alt="" /><br />
<strong>&#8220;Equilíbrio&#8221;, foto do bairro de Mártires do Kifangondo em Luanda pela usuária do Flickr <a title="Link to elisa vaz's photostream" href="http://www.flickr.com/photos/elisavaz/">elisa vaz</a> publicada nesse artigo com a permissão da fotógrafa<br />
</strong></p>
<p>Existem dois vídeos muito interessantes sobre o assunto no YouTube. O primeiro, do usuário <a href="http://www.youtube.com/user/Diogobezerra6">Diogobezerra6</a>, é uma montagem de imagens dos novos prédios e empreendimentos chamada <a href="http://www.youtube.com/watch?v=fH0h12sxv-A">A Nova Luanda</a>. O segundo é uma resposta em vídeo ao primeiro e trata-se de um clip para a canção   &#8220;Monangambê&#8221; do grupo &#8220;Luanda Dread Band&#8221;, com cenas dos passeios do usuário <a href="http://www.youtube.com/user/INESAAODH">INESAAODH</a> por outros cantos da cidade.</p>
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		<title>Angola: Caos e esperança marcam primeira eleição em 16 anos</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Sep 2008 22:53:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>claraonofre</dc:creator>
				<category><![CDATA[Angola]]></category>
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		<description><![CDATA["Esperei por este dia com muita ansiedade e curiosidade pois sabia que era um dia especial para Angola e para os angolanos. Durante muitos anos o nosso dia-a-dia foi marcado pela tristeza da guerra. Uma guerra que ceifava vidas, destruía bens e consumia grande parte dos nossos recursos e energias. Finalmente estamos na presença de um acontecimento histórico", blogueiro conta como foi seu primeiro voto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<em>Publicado originalmente por<a href="http://globalvoicesonline.org/author/clara-onofre/">Clara Onofre</a>  &middot; Traduzido por <a href='http://pt.globalvoicesonline.org/author/claraonofre/'>claraonofre</a> &middot;  <a href='http://globalvoicesonline.org/2008/09/09/angola-chaos-and-hopes-mark-first-election-in-16-years/'>Veja o post original</a></em> 
<br /><p style="text-align: center;"><a href="http://www.flickr.com/photos/71274989@N00/2830463191/"><img class="size-medium wp-image-1296" title="2830463191_b078a6e7ab" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/09/2830463191_b078a6e7ab.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: center;">Foto da usuária do flicrk <a title="Link to KaLuany's photostream" href="http://www.flickr.com/photos/71274989@N00/">KaLuany</a>, que votou pela primeira vez no último dia 05 de setembro.</p>
<p>Angola foi finalmente a votos no passado dia cinco. Os eleitores acorreram pacificamente às urnas e lá depositaram o seu voto com esperança de um futuro melhor para o país. Após dezasseis anos, os angolanos aguardaram com excitação e algum receio este momento histórico. <a href="http://sobalismo.blogspot.com/2008/09/o-meu-primeito-voto-foi-como-sempre.html">Soba L</a> [pt] diz que o voto foi como ele sempre sonhou:</p>
<blockquote><p>“Esperei por este dia com muita ansiedade e curiosidade pois sabia que era um dia especial para Angola e para os angolanos. Durante muitos anos o nosso dia-a-dia foi marcado pela tristeza da guerra. Uma guerra que ceifava vidas, destruía bens e consumia grande parte dos nossos recursos e energias. Finalmente estamos na presença de um acontecimento histórico. Os angolanos ansiavam desde há muito tempo pela chegada deste momento de paz e certeza no futuro. Um novo cenário já se vislumbra no nosso horizonte. Começamos a sentir os primeiros efeitos benéficos da paz porque ela já se manifesta na sua dimensão humana”.</p></blockquote>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.flickr.com/photos/84269782@N00/2835818796/"><img class="alignnone size-medium wp-image-1298 aligncenter" title="2835818796_84be642cbe" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/09/2835818796_84be642cbe.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: center;">&#8220;Devido aos atrasos que ocorreram no primeiro dia de votação foi decidido que um determinado número de pontos de votação abrissem para um segundo dia de pleito. A UNITA, principal partido da oposição, imediatmente abriu o berreiro&#8221;, diz o usuário do Flicrk <a title="Link to Sam.Seyffert's photostream" href="http://www.flickr.com/photos/84269782@N00/">Sam.Seyffert</a> na legenda dessa foto.<a title="Link to Sam.Seyffert's photostream" href="http://www.flickr.com/photos/84269782@N00/"><br />
</a></p>
<p>Em vésperas de votação <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/09/06/angola-eleicoes-em-imagens/">a vida ganhou agitação</a>. Traumatizados pelos acontecimentos de 1992, quando a guerrilha recomeçou depois que os resultados das eleições foram rejeitados pelo líder da Unita Jonas Savimbi, os angolanos acorreram às grandes superfícies comerciais para comprar bens de primeira necessidade, apesar dos comunicados lançados pelo governo a fim de contrariar esta tendência. Apesar de alguns sobressaltos devido à falta de organização, o processo eleitoral teve um saldo positivo, de acordo com o presidente da Comissão Nacional Eleitoral (CNE) Caetano de Sousa. <a href="http://angolasempre.blog.com/3808851/">Carlos Lopes</a> [pt] relata a situação vivida no dia cinco:</p>
<blockquote><p>“Apesar de todas as situações anómalas que ocorreram em algumas assembleias de voto, umas que abriram com atrasos de horas de manhã e à tarde, outras que nem sequer abriram, noutras falharam os boletins de voto ou cadernos eleitorais, o presidente da Comissão Nacional Eleitoral (CNE) garantiu que o processo de votação decorreu em todo o país com “normalidade” e observância das regras estabelecidas para as legislativas. Surpreendentemente admitia a possibilidade da divulgação dos primeiros resultados parciais, ao anoitecer. Mas depois lá aceitou os atrasos de abertura de algumas assembleias em Luanda, devido a problemas operacionais e que as coisas iam melhorando com o decorrer do tempo. Para o Dr. Caetano de Sousa, o problema de Luanda é ter muita gente e pouca fluidez no trânsito, algo que todos os luandenses sabem. A solução de recurso que foi encontrada, foi adiantar a hora do fecho das assembleias e com isso, já algumas funcionam com velas porque os conhecidos cortes de energia eléctrica estão a acontecer e alguém esqueceu-se de levar o gerador. Na Huíla e Cabinda, também tiveram algumas assembleias a serem abertas com atraso.”</p></blockquote>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/84269782@N00/2829593917/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1300" title="2829593917_2622733c1b" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/09/2829593917_2622733c1b.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: center;">&#8220;Long lines of voters still waiting for the poll booths to open, some since 04H00&#8243;, says Flickr user <a title="Link to Sam.Seyffert's photostream" href="http://www.flickr.com/photos/84269782@N00/">Sam.Seyffert</a></p>
<p>Devido a estes problemas organizacionais, Luanda teve direito a mais um dia de votos. Os resultados irão sair no início desta semana, já que o CNE não possui um sistema digital de contagem de votos. Os resultados parciais indicam que o MPLA vai à frente com 81% dos votos, seguido pela UNITA com 10% . O blog <a href="http://mesumajikuka.blogspot.com/2008/09/viva-o-povo.html">Mesumajik Uka</a> faz a seguinte análise sobre os resultados eleitorais:</p>
<blockquote><p>“Fomos às urnas e votamos. Escolhemos quem nos merece. Os números falam por si. Houve constrangimentos em Luanda e noutros locais de diversas províncias, como a falta de boletins de voto ou de envelopes para os votos especiais*. São constrangimentos que afectaram todas as formações concorrentes e não apenas uns. Por isso se houve lisura houve para todos. Quem está de parabéns somos nós, os angolanos que dissemos sim ao voto massivo. O MPLA tem uma maioria absoluta do seu trabalho governativo e do convencimento do eleitorado ao longo da campanha política. O grande perdedor destas eleições é sobretudo a UNITA que fica com menos de 50 deputados em relação à cessante legislatura. Perdeu também o PLD e todos os demais partidos que ficam abaixo dos resultados de 1992.”</p></blockquote>
<p>[*Observação: As urnas &#8220;especiais&#8221; foram usadas para que eleitores registrados de acordo com o documento de indentidade, em vez de local onde moram, pudessem votar, o que inclui algumas milhares de pessoas que fugiram do campo para Luanda durante 27 anos de guerra civil.]</p>
<p>A UNITA já veio a público contestar os resultados apresentado uma impugnação ao pleito diante da CNE. Esta atitude trouxe algum receio aos angolanos. No entanto, na noite passada, Isaías Samakuva, dirigente da UNITA <span>admitiu a derrota nas eleições parlamentares. </span>Ele afirmou que “não se trata de contestação dos resultados eleitorais mas sim procurar a lisura e a integridade do processo. Os factos indicam que os resultados finais desta eleição não reflectem a vontade expressa nas urnas. Seja qual for o desfecho, os angolanos ganharam maior consciência e a vida vai continuar.<br />
<a href="http://www.flickr.com/photos/kool2bbop/2835392439/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1301" title="2835392439_76754c1ae2" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/09/2835392439_76754c1ae2.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: center;">&#8220;A vontade era imensa&#8230; mas As condições das assembleias de voto eram, em geral, péssimas&#8221;, foto do usuário do Flickr <a onclick="javascript:pageTracker._trackPageview ('/outbound/flickr.com');" href="http://flickr.com/photos/kool2bbop/">Kool2bBop</a>,</p>
<p>Com mais de 70% das zonas eleitorais processadas até o momento e com o principal partido político angolano aparentemente eleito com uma maioria esmagadora, <a href="http://angolasempre2.blogspot.com/2008/09/unita-patrioticamente-aceitou-o.html">Angola Sempre</a> [pt] se pergunta qual a percentagem do absentismo e o porquê dele não ter sido anunciado, e traça os desafios que vêm pela frente.</p>
<blockquote><p>Cabe a árdua tarefa ao Presidente do MPLA, de «escolher a dedo», os melhores entre os melhores, que governarão o país nos próximos quatro anos.<br />
A «luta para o poleiro» está do lado do MPLA e os outros partidos com assento na Assembleia Nacional, vão « assistir de bancada» o bom ou mau desempenho do governo do MPLA, apresentando novas proposta de lei, que consideram mais adequadas a melhoria da vida dos Angolanos, cabendo ao MPLA votá-las favoravelmente ou não, ou fazendo pior, meter na gaveta, como várias vezes fez aos projectos de Lei da UNITA. Mas também há uma nobre tarefa da oposição na Assembleia Nacional, que é o de fiscalizar a acção do governo do MPLA. Os Angolanos têm esperança que a sua vida vai ser mais digna, porque se isso não acontecer, no próximo pleito eleitoral, e não vai demorar muito, irá ser feito um balanço, cujo resultado vai ser apresentado no voto do eleitor.</p></blockquote>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/84269782@N00/2815136974/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1303" title="2815136974_8a5b30ac1b" src="http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/09/2815136974_8a5b30ac1b.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: center;">&#8220;A sede municipal do MPLA em ritmo de campanha&#8221;, foto do usuário do Flicrk  <a title="Link to Sam.Seyffert's photostream" href="http://www.flickr.com/photos/84269782@N00/">Sam.Seyffert</a></p>
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