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Mapeando o bem comum urbano no eixo Rio-Istambul-Atenas

Protesto de professores no Rio de Janeiro (7/10/2013). Foto partilhada na página de Facebook Mapeando o bem comum do Rio de Janeiro

Protesto de professores no Rio de Janeiro (7/10/2013). Foto partilhada na página de Facebook Mapeando o bem comum do Rio de Janeiro

Ativistas, artistas, cientistas sociais e estudantes de diferentes disciplinas de Atenas, Istambul e Rio de Janeiro propõem-se a mapear o “comum urbano” (urban commons), isto é, recursos não privados ou institucionais que são compartilhados por todos e gerados pela participação coletiva. Os “commons” incluem recursos naturais, espaços públicos urbanos, obras criativas, e até as tradições culturais e conhecimentos que estão isentos de direitos autorais.

O projeto Mapping the Commons (Mapeando o bem comum) faz parte de uma investigação de Pablo de Soto (@pablodesoto), doutorando na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A hipótese que de Soto levanta é se é possível mapear o comum envolvendo a criatividade coletiva como forma de discutir o controle dos governos sobre os bens comuns da sociedade:

Qual é a riqueza comum da metrópole contemporânea e como ela pode ser localizada? Como o comum está sendo protegido das privatizações e das parcerias público-privadas do neoliberalismo totalitário? Que novas práticas de “fazer comum” surgiram no ciclo de lutas que começou em junho no Brasil nas revoltas pelo passe livre? Quais são as vantagens e os riscos da produção desta cartografia em tempos de crise e rebeliões?

Na prática, o método do projeto de investigação consiste em laboratórios nómades e temporários onde o bem comum urbano é discutido, parametrizado, cartografado e representado em vídeos de curta duração. 

Em outubro de 2013 o investigador trouxe o projeto para o Rio de Janeiro, dando início ao mapeamento “das práticas de fazer comum” no Brasil: 

O Brasil, como América Latina toda, é um país especial nas práticas dos commons. O comum bebe de tradições ibéricas (faixanais, rossios, propriedades comunais), da cultura afro (quilombos, criação cultural coletiva, propriedades conjuntas) e indigenas (propriedade coletiva, malokas). Do mutirão ao conceito de ‘comunidade’ que substitui a palavra ‘favela’, o Brasil é uma celeiro de práticas do comum. Porém, o mercado e o capitalismo estão castigando o comum sem piedade.

O Rio de Janeiro, uma das metrópoles historicamente em estado de exceção, é o objeto deste projeto de mapeamento. Depois da recente e viva onda de protestos, o Rio de Janeiro virou o exemplo mais nítido das cidades rebeldes das que fala David Harvey. Os protestos, as assembleias populares, as intervenções urbanas, apontam para a mobilidade urbana como um bem comum e reivindicam o direito à cidade. Apontam para um direito à cidade, para um novo espaço comum e participativo de convivência.

Entre os dias 21 e 23 de novembro tomaram lugar as oficinas de mapeamento “As lutas pelo bem comum”.

Entre os dias 21 e 23 de novembro tomaram lugar as oficinas de mapeamento “As lutas pelo bem comum”.

Das atividades realizadas em outubro, constaram os seminários Metrópoles globais e Cidadania Insurgentes e O que pode a cidade?, e foram criados grupos de trabalho que se têm dedicado à parametrização e mapeamento do bem comum no Rio. O processo tem sido divulgado através do Facebook, na página Mapeando o bem comum do Rio de Janeiro, e a publicação final dos resultados tomará lugar no dia 13 de dezembro.

Atenas e Istambul no eixo do bem comum

Antes de chegar ao Brasil, o Mapping the commons já tinha sido discutido em workshops em Atenas (2010) e em Istambul (2012). Os vídeos que resultaram dessas oficinas foram também apresentados no Rio.

O resgate do Gezi Park, por exemplo, e a agitação popular que tomou conta da zona central de Beyoglu, em Istambul em 2013, quando a população acampou no local contra a demolição do parque para um projeto de renovação urbana, foram objeto da investigação. O vídeo do projeto ilustra como o resgate do Commons em Istambul se transformou em agitação política depois que a polícia reagiu com agressividade contra os manifestantes:

O vídeo produzido na capital grega, Atenas, debruça-se sobre questões de linguagem, partindo da literatura de Antonio Negri e Michael Hardt, Commonwealth:  

Language like affects and gestures, is for the most part common, and indeed if language were made either private or public — that is, if large portions of our words, phrases, or parts of speech were subject to private ownership or public authority — than language would lose its powers of expression, creativity, and communication.

A linguagem, como os afetos e gestos, é na sua maioria “comum”, e de fato se a linguagem fosse tornada quer privada ou pública – isto é, se grande parte das nossas palavras, expressões ou partes do discurso fossem objeto de propriedade privada ou autoridade pública – então a linguagem perderia os seus poderes de expressão, criatividade e comunicação.

Um esclarecimento filosófico sobre o bem comum, sugerido por Pablo de Soto na página de Facebook do projeto, pode ser encontrado no blog [es] de Iohannes Maurus, que relaciona o tema a visão de Marx.

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