Está vendo todos esses idiomas acima? Nós traduzimos os artigos do Global Voices para tornar a mídia cidadã acessível para várias partes do mundo.

Saiba mais sobre Tradução do projeto Língua  »

Brasil: Construções para a Copa 2014 ameaçam “museu vivo” indígena

Há seis anos, o prédio abandonado do antigo Museu do Índio, no Rio de Janeiro, foi ocupado por numerosas comunidades indígenas, fato que transformou-o em  “museu vivo” do Índio.

Esta ocupação pelos sem-teto indígenas instalada próxima ao famoso estádio carioca do Maracanã, em pouco tempo ficou conhecida como Aldeia Maracanã ou Vila Maracanã.

Na manhã de 12 de janeiro de 2013, os moradores da Aldeia Maracanã despertaram cercados pela polícia militar, reforçada com tropas de choque. Sem aviso prévio, nem mandado judicial, a polícia militar chegou pronta para expulsar a comunidade. A área em torno do estádio do Maracanã está passando por uma grande reestruturação em preparação para a Copa de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016.

A página oficial da Aldeia Maracanã criada no Facebook em novembro de 2012, lançou uma petição de apoio. Em pouco tempo, dezenas de ativistas de direitos humanos chegaram ao local.

Em uma reportagem de vídeo produzida pelo coletivo TVMemóriaLatina, membros da comunidade disseram que iriam resistir pacificamente.

Durante o dia, cerca de 200 ativistas reuniram-se para proteger a vila. O deputado federal Marcelo Freixo do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL/RJ) e presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania também esteve no local e precisou escalar o muro da aldeia para falar com os líderes indígenas entrincheirados no interior.

.

“”As pessoas que querem apoiar nossa luta continuam a entrar pelo muro lateral”, informa o blog Combate Racismo Ambiental. Um trabalhador da construção civil no Maracanã  foi demitido depois de entrar no acampamento. Conexão Jornalismo informa e acrescenta:

Photo by Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas on Facebook.

Foto do Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas no Facebook.

 

 

A reação dos índios, a participação popular e de lideranças políticas, além do papel exercido pelas mídias alternativas – independentes de compromisso com as decisões do governador e prefeito – surpreenderam o governo Estadual.

Depois de horas de tensas negociações entre a polícia, ativistas, políticos e representantes do Ministério Público, a policia decidiu deixar o local.

 

Photo by Carlos Latuff (@CarlosLatuff) “Indigenous leaders speak to those present at the Maracana Village" http://twitpic.com/bumy2p

Foto de Carlos Latuff (@CarlosLatuff) “Liderancas indigenas falam aos presentes na Aldeia Maracana” http://twitpic.com/bumy2p

No mesmo momento em que os portões da Aldeia foram reabertos, foi gravado em vídeo a reação do músico Yuka. O cantor de rap e soul, Criolo, de São Paulo, também estava no Rio naquele dia para um show e incentivou seus fãs a fazer muito barulho em apoio à aldeia Maracanã. “Como é que pode, alguém derrubar ou pensar em derrubar o museu do índio para fazer um estacionamento?”:

O coletivo Geração Invencível que fez a cobertura deste dia tenso na sua página do Facebook, lançou uma uma manifestação em 15 de janeiro sob proposta do MEPR, Movimento Estudantil Popular Revolucionário.

Um artigo publicado no Washington Post com o título  “Indigenous squatters living by Rio’s Maracana stadium [Indígenas sem-teto que vivem perto do estádio do Maracanã] provocou indignação como o de Angela Toledo do movimento canadense  #IdleNoMore [#Chegadeespera] :

It’ has come to this, Indigenous people being called “squaters” what next? The games should be in prol of people not against them! Boycott #WorldCup if fairness and due process not followed. #idlenomore!

A que ponto chegamos, os povos indígenas serem chamados de “ocupantes ilegais”. O que vem a seguir? Os jogos (da Copa do Mundo) devem ser em prol das pessoas, não contra elas! Boicote # WorldCup (Copa do mundo), se as leis e os procedimentos não forem respeitados. #chegadeespera!

E Andrea Neves, moradora da aldeia Maracanã, declarou:

It´s a bad thing that the govermmant whants [sic] to do with us: Tear a Museun and a Shchool [sic] down for the 2014 World Cup. We need help from the international press, because the majority of people doesn´t know what is happening, specially the politicians trying to unthercover. [sic]

É muito ruim o que o governo quer nos fazer: demolir um museu e uma escola para a Copa do Mundo de 2014. Precisamos de ajuda da imprensa internacional, porque a maioria das pessoas não têm noção do que está acontecendo, e os políticos escondem tudo.

“Nós queremos ser um Museu Vivo”
O patrimônio histórico e cultural do prédio de 147 anos é inquestionável. Ele foi o primeiro Museu do Índio, criado por Darcy Ribeiro em 1953, e em 1977 foi transferido para o bairro de Botafogo, onde está funcionando até hoje.

Agência Olhares realisou um documentário sobre a luta e esperanças dos moradores:

Um grupo de índios brasileiros, pertencentes a diferentes grupos étnicos de todo o país, tem ocupado um antigo prédio colonial abandonado, desde outubro de 2006.

Este edifício já havia hospedado o antigo Museu do Índio, até 1977, quando o museu foi transferido para sua atual localização, no bairro de Botafogo. No próximo mês, a batalha dos índios para defender este espaço que é deles por direito, será muito difícil. Com a reestruturação do estádio do Maracanã, ao lado, a Prefeitura  do Rio pode decidir demolir o edifício e fazer lá um estacionamento ou um shopping center. Os Índios querem criar a primeira universidade indígena do Brasil.

Foi lançada uma campanha na plataforma  Panela de Pressão da ONG Meu Rio, que incentiva a participação cívica. A petição é dirigida ao Governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e já recebeu 1.614 mensagens diretas de partidários da aldeia. Ela exige “que o governador se comprometa a não demolir o edifício do antigo museu do Índio e garanta a permanência dos moradores na Aldeia Maracanã atual.” Ele citou o defensor público federal André Ordacgy e disse:

Todos os órgãos, com exceção do governo do estado, são contrários à demolição. Temos um parecer do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) contrário à demolição. Também o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphann) está contra.

Raphael TsavkkoDebora Baldelli colaboraram na elaboração deste artigo.
  • maria kena

    Fico indignada com tanta falta de conciência dos politicos por desabrigar os índios de suas moradias para fazer o museu da copa, sendo que a Copa de 2014 dura apenas um mês, agora me digam com tanta crueldade em cima dos índios que são um simbolo brasileiro sendo maltratados dessa forma, os governantes deveriam investir esse dinheiro em saúde, moradia, educação e seguraça coisa que o Brasil infelizmente não tem