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Angola: Cobertura Pré-Eleitoral Esconde Diversidade Política

É já a 31 deste mês que Angola se prepara para ir a votos. O ambiente nas ruas é tranquilo. À mesa dos cafés fala-se animadamente da data que se aproxima. Aos fins-de-semana, em algumas zonas da cidade de Luanda, a expectativa pelas eleições ganha vida através de festas de quintal com muita música, comida e bebida, bem ao jeito do angolano. Sejam encontros promovidos pelos partidos ou de carácter privado.

Estas serão as terceiras eleições gerais desde a independência do país, em 1975. As primeiras, em 1992, resultaram no retorno da guerra civil, que só terminou em 2002, e em Setembro de 2008, José Eduardo dos Santos, há 33 anos no poder pelo histórico MPLA (Movimento Popular da Libertação de Angola), foi eleito por mais de 80 por cento dos votos. Concorrem às eleições 5 partidos e 4 coligações que deverão ocupar os 220 lugares na Assembleia Nacional. O cabeça de lista do partido ou coligação mais votado pelos cerca de 10 milhões de eleitores será o próximo chefe de Estado.

"Uma nova página na história de Angola." Eleições de 5 de Setembro de 2008. Foto de Jose Manuel Lima da Silva copyright Demotix (Setembro de 2008)

Foto de Jose Manuel Lima da Silva aquando das eEleições de 5 de Setembro de 2008. Copyright Demotix

Enquanto a data não chega, os angolanos fazem questão de ir enfeitando as casas e os carros com bandeiras dos vários partidos. Nas paredes vêem-se fotografias dos vários candidatos e os meios de comunicação dão grande destaque a uma data que ser quer justa e imbuída pelo espírito da paz.

No entanto, várias têm sido as críticas à forma enviesada como os meios de comunicação têm feito a cobertura da campanha eleitoral, como reportou a organização internacional de direitos humanos Human Rights Watch.

No Hukalilile, faz-se menção ao facto do MPLA controlar esses meios:

Uma das coisas que me assusta é ver como a imprensa pública faz a propaganda sem escrúpulo em favor do partido no poder. A Comissão Nacional Eleitoral , órgão responsável pelo processo eleitoral não se manifesta sobre o assunto, como se isso fosse normal. (…) Uma outra situação meio embaraçosa são os comentaristas políticos que aparecem na televisão pública e na Rádio Nacional de Angola que não mantém a equidistância. Em seus comentários são muito ásperos contra os partidos da oposição. Ou seja, o MPLA para além do horário de propaganda política possui mais outros horários extras (serviços noticiosos ou em outros programas , além da transmissão “ao vivo” de programas de carácter partidário).

O jurista Fernando Macedo, no blogue Central 7311 põe o dedo na ferida:

Cartoon de Projecto Kissonde no Facebook

Cartoon de Projecto Kissonde no Facebook (usado com permissão)

Na minha opinião, as eleições que estão em curso são eleições autoritárias, porque direitos fundamentais continuam a ser violados. Por exemplo, o direito de não sofrer violência física nem ser perseguido por terceiros por causa das nossas opiniões; direito de informar, de ser informado e de se informar; direito a não ser privado da liberdade de forma ilegal; direito de denúncia baseada em factos verdadeiros contra actos de agentes dos poderes públicos; direito à informação objectiva e verdadeira e direito a comentários diversificados no quadro do contraditório e o direito a que as divergências ou reclamações de terceiros ofendidos sejam resolvidos em tribunal e não por via de grupos organizados com o auxílio de órgãos do Estado. Elas são ainda autoritárias porque os meios e recursos do Estado, sobretudo dos órgãos de comunicação social do Estado, são usados para servir apenas um partido e quem está no poder e desse lugar compete nas eleições de maneira desleal.

No Angola Sempre, faz-se uma pequena análise sobre o ambiente pré-eleitoral, fazendo referência às manobras políticas do MPLA:

O MPLA passa grande parte do tempo a remendar os estragos visíveis de uma má governação de mãos dadas com a corrupção galopante que percorre todos os corredores do poder centralizado em Luanda. As inaugurações sucedem-se num ritmo acelerado para esconder décadas de incompetência e compadrio. A HORA da mudança chegou!

O autor do blogue Pululu exprime o que a maioria do povo angolano sente, o desejo de que estas eleições sirvam para tornar Angola num país desenvolvido:

Que o 31 de Agosto não seja o fim mas o início de uma sã e competitiva caminhada democrática entre os candidatos eleitos a favor de uma única via: desenvolvimento social, político e económico de Angola!

  • Osvaldohonest

          Não Importa qual partido seja eleito,mas ocerto é que devemos aceitar as nossas derrotas com acabeça erguida e não com a atristeza de uma criança….devemos dar  o nosso melhor para o Desenvolvimento do nosso Pais e mostrar ao Mundo que somos a favor da Paz!….e o Espelho da Humanidade!…Osvaldo Honest@hotmail.com para o Facebook Gumersino Honesto