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África subsaariana: A Ciência do Continente na Blogosfera

A blogosfera tornou-se parte integrante da cultura popular na África Subsaariana, mas está atrasada quando o assunto é ciência. Muitas iniciativas têm sido lançadas para aumentar a cultura de compartilhamento no mundo científico africano. Apesar disso, blogs africanos sobre ciência, particularmente sobre a pesquisa, ainda são poucos e distantes entre si.

Falta de interesse público?

A razão para a ausência de uma blogosfera sobre ciência pode estar relacionada à desigualdade no desenvolvimento da pesquisa científica no continente; a necessidade de mais pesquisas é bastante conhecida. B. Ruelle explica em seu blog [fr]:

Le niveau de développement atteint par l’Asie du Sud-Est devrait pousser les Africains à investir dans la science et la technologie ; la science et la technologie représentent la seule voie d’évitement de la perpétuation de la faiblesse de l’Afrique dans le commerce international ; c’est aussi, dans un monde inégalitaire où racisme et xénophobie perdurent, la condition de l’affirmation de la part des Africains dans l’un des phares de la connaissance humaine.

O nível de desenvolvimento alcançado pelo Sudeste da Ásia deve empurrar as nações africanas a investirem em ciência e tecnologia; a ciência e a tecnologia são a única maneira de evitar os problemas duradouros da África no comércio internacional, e são também a única forma de prevenir o racismo e a xenofobia neste mundo cada vez mais desigual, o único remédio para afirmar a contribuição africana para a piscina do conhecimento humano global.
Universidade de Cheik Anta Diop em Dakar, no Senegal, por Myriam Louviot (CC-License-BY).

Universidade de Cheik Anta Diop em Dakar, no Senegal, por Myriam Louviot (CC-License-BY).

O continente é o lar de muitos cientistas talentosos. Bernard Kom lista alguns dos cientistas africanos mais proeminentes [fr] na atualidade, e alguns deles também são ativos na web.

Jacques Bonjawo é um engenheiro do Camarões que preside o Conselho de Diretores da Universidade Virtual Africana (UVA). Ele explica os objetivos da instituição [fr]:

L’UVA a été conçue comme un système d’éducation à distance à travers Internet dont la mission est précisément de former une masse critique d’africains à des coûts faibles, grâce à des économies d’échelle ; une formation moderne et de qualité au terme de laquelle l’étudiant devient immédiatement opérationnel sur le marché de l’emploi.

A UVA foi concebida como um instituto de ensino online completo cuja missão é formar uma massa crítica de africanos a baixo custo através da economia de escala. Nós fornecemos um currículo moderno de qualidade que visa tornar o aluno imediatamente qualificado para o mercado de trabalho.

Mzamose Gondwe, do Malawi, reconhece a necessidade de promover mais engajamento com a ciência.

Esse é o objetivo do blog dela, African Science Heroes (Heróis Africanos da Ciência). Ela explica o que pretende realizar:

 I documented in print, exhibition and film African Science Heroes, Afrrican scientists who have made considerable contributions to science. In this way I hope to generate a sense of pride in our African science accomplishments and promote public engagement with science.

Eu documentei por impresso, em exposição e em vídeo os Heróis Africanos da Ciência, cientistas africanos que fizeram contribuições importantes para a ciência. Desta forma, espero gerar um sentimento de orgulho de nossas realizações científicas e promover o engajamento público com a ciência.

Pesquisador africano rotulado

Quando as novidades científicas africanas alcançam plataformas tradicionais de mídia, geralmente estão relacionadas a programas ambientais, saúde pública ou pesquisa com animais exóticos. Uma história típica desse comportamento, compartilhada muitas vezes em vários meios online, foi a publicação de pesquisa recente sobre os hábitos de acasalamento do lêmure fêmea cinza [en], em Madagascar. O próprio título, “Costly sex under female control in a promiscuous primate” [Sexo custoso sob o controle feminino em um primata promíscuo] retirou um pouco de interesse da comunidade não-científica.

Como se viu, o estudo chega a uma interessante conclusão sobre a estratégia de sobrevivência da espécie, como Sarah Reardon, da Science NOW, explica:

Either a polygamous lifestyle confers some unknown evolutionary advantage for females, the team concludes, or girls really do just want to have fun.

Ou um estilo de vida polígamo confere alguma vantagem evolutiva desconhecida para o sexo feminino, a equipe conclui, ou as garotas realmente apenas querem se divertir.

A ciência e a engenharia africanas podem oferecer muito em outras áreas também. O blog Afrigadget destaca projetos inovadores de engenharia que visam a resolução de problemas específicos. Um desses projetos é a instalação de biogás no Quênia.

Paula Kahumbu explica como as “piki piki” (motocicletas, em Kiswhahili) podem auxiliar na distribuição de esterco com mais eficiência:

The problem I face is common to many folks around here, we rent houses but we don’t have livestock. But there are huge cattle farms around us. So Dominic came up with a solution that creates jobs and moves poop quickly and efficiently. So we went to the local juakali welder on the roadside to create a dungmobile ..a trailer designed specially for cow dung!

O problema que enfrentamos é comum a muitas pessoas por aqui – alugamos casas, mas não temos atividade pecuária. Mas há grandes fazendas de gado em torno de nós. Assim, Dominic veio com uma solução que cria empregos e movimenta de forma rápida e eficiente o esterco produzido. Fomos até o soldador juakali local para criarmos um “dungmobile” na beira da estrada… Um reboque projetado especialmente para o estrume de vaca!

O projeto Africaat tem por objetivo documentar por completo a história da ciência na África e seus inventores. Mais precisamente,
complementa [fr]:

Notre démarche vise donc essentiellement à démontrer qu’il est profondément arbitraire d’exclure systématiquement l’Afrique noire de l’historiographie universelle lorsqu’il est question des sciences

Nossa abordagem tem como objetivo demonstrar que é profundamente arbitrário excluir a África negra sistematicamente da história universal da ciência.

Neste vídeo, o usuário do Youtube White African mostra uma invenção de Killian Deku, um engenheiro de Gana que criou um dispositivo para dosar a quantidade de cloro a ser adicionada à água:

Acesso livre às publicações

Madagascar está acostumado a ter sua população de lêmures a ocupar mais manchetes que o seu povo. No entanto, não deve passar despercebido que a comunidade de blogs científicos já começa a emergir. Vários projetos visam recolher e disponibilizar ao público todos os recursos científicos sobre o país.

Ange Rakotomalala descreve os objetivos do website Thèses Malgaches en ligne [mg]:

Ho hitanao eto ireo vokam-pikarohana tontosa teto amin'ny firenentsika nanomboka tamin'ny taona 2002.

Neste website, você poderá encontrar todas as teses e dissertações publicadas desde 2002.

A comunidade científica do blog MyScienceWork tem como objetivo promover a cultura da partilha entre os cientistas [fr]:

Pour construire la culture scientifique de demain, la science doit devenir toujours plus multidisciplinaire. Elle doit s’adresser aux amateurs de science, au public, aux professionnels de la recherche [..] En 2011, nous avons publié les textes d’étudiants en informatique des pays d’Afrique du Nord, de chercheurs en communication d’université belge, de doctorants en neurosciences, en agronomie, d’exobiologistes de renom [..] Parce que nous croyons que la culture générale doit inclure les savoirs scientifiques, nous vous remercions chaleureusement. Faites passer le message : « partager c’est vivre ».

Para construir a cultura científica necessária do amanhã, a ciência deve se esforçar para se tornar mais multidisciplinar. Deve ser acessível aos amadores da ciência, o público em geral, os cientistas de pesquisa [..] Em 2011, publicaram artigos sobre Tecnologia da Informação de países do Norte da África, em comunicação com renomados pesquisadores belgas, e de estudantes de doutorado de renome em neurociência, agronomia e exobiologia [..] Fizemos isso porque acreditamos que o conhecimento geral deve incluir ciência e agradecemos a ler-nos. Por favor, repassar esta mensagem: “a partilha é viver”.

As palavras finais em ciência na África pertencem à Cheikh Anta Diop, um dos mais proeminentes cientistas africanos, como postou o Africamaat [fr]:

En attendant, les spécialistes africains doivent prendre des mesures conservatoires. Il s’agit d’être apte à découvrir une vérité scientifique par ses propres moyens en se passant de l’approbation d’autrui, de savoir conserver son autonomie intellectuelle

Enquanto isso, os especialistas africanos devem tomar medidas de precaução. Manter nossa capacidade de descobrir um fato científico, por nossos próprios meios e sem a aprovação de qualquer outra pessoa, manter a nossa autonomia intelectual.