Fechar

Faça uma doação para manter o Global Voices no ar!

Cobrimos 167 países. Traduzimos em 35 idiomas. Somos o Global Voices.

Somos mais de 800 colaboradores trabalhando juntos em todo o mundo para oferecer aos nossos leitores notícias que são difíceis de encontrar em veículos tradicionais. Não podemos, porém, fazer tudo isso sozinhos. Embora a maioria de nós seja voluntária, ainda precisamos de sua ajuda para apoiar os nossos editores, tecnologias, projetos de extensão e defesa de direitos online, além dos eventos de nossa comunidade.

Doe agora »
GlobalVoices em Leia mais »

Brasil: Dilma Rousseff Faz Discurso Histórico na ONU

Dilma Vana Rousseff, primeira presidente mulher eleita do Brasil tornou-se, no dia 21 de setembro de 2011, também a primeira mulher a abrir uma sessão anual da Assembléia Geral das Nações Unidas. Historicamente o Brasil é o pais que abre as sessões desde a primeira, em 1947.

Além do momento histórico, o discurso, que está disponível online na íntegra, foi marcado pela coragem, pelas indiretas à um “primeiro mundo” em crise, pela defesa dos Direitos Humanos e do reconhecimento da Palestina enquanto Estado e membro da ONU, e também sobre a continuação da ocupação brasileira no Haiti e a renúncia ao uso de armas nucleares, ainda que esteja marcha a construção de mais usinas nuclares no país.

Hugo Albuquerque, do blog Descurvo, resume:

Cartoon under CC by Carlos Latuff

Nunca na história deste planeta uma mulher fez o discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU. (…) Dilma foi precisa ao enfocar a gravidade da crise mundial, saudar a ascensão da Primavera Árabe, tocar no problema de gênero e, sobretudo, exortar o reconhecimento do Estado Palestino.

Cristina Rodrigues, do blog Somos Andando, complementou:

(…) falou pela paz, criticou a violência, em um recado direto aos Estados Unidos. Pediu o espaço pro Brasil. Afirmou o papel das mulheres. Defendeu, sem meias palavras, deixando implícita uma crítica, a criação do Estado Palestino (no que foi muito aplaudida, o que demonstra que uma minoria poderosa impede os anseios da maioria). E deu uma aula de humanidade e solidariedade, refletindo a atitude do governo do qual foi parte por oito anos: “Queremos para os outros países o que queremos para nós mesmos”.

Mas também alertou:

Meu único ponto a contrapor é que temos, sim, que discutir quem causou a crise de 2008, que persiste até hoje. Precisamos saber por uma questão de justiça e pra saber melhor como enfrentá-la. Mas concordo com Dilma que os causadores já estão suficientemente claros. Pena que muitos ainda fingem não ver.

O jornalista e blogueiro Rodrigo Vianna selecionou algumas partes-chave do discurso da presidente Dilma e publicou em seu blog, o Escrevinhador, além de explicitar a importância do discurso:

Foi importante porque Dilma se diferenciou da baboseira (neo) liberal que ainda sobrevive no chamado mundo desenvolvido (e sobrevive também entre “colunistas” e “analistas” que pensam o Brasil feito girafas: têm os pés na América do Sul e a cabeça em Londres ou Washington). Dilma falou na necessida de controlar capitais. Os colunistas de economia brazucas devem ter sofrido uma síncope nervosa. Controle? Capitais devem ser livres. Controle, só para as pessoas.

O discurso de Dilma foi histórico, mas é alvo de inúmeras críticas, seja pelo tom que, para alguns, tem como objetivo chegar a posições inalcançáveis, seja pelo distanciamento entre as práticas efetivas do governo brasileiro, como analisa o professor e jornalista Mauricio Santoro:

Em suma, a presidente está em bom momento internacional, mas convém não esquecer que os problemas e contradições de seus aliados no governo representam obstáculos para que o país alcance os objetivos ambiciosos de sua política externa.

O blogueiro e ativista Leonardo Sakamoto apontou problemas graves na diferença entre discurso e práticas, especialmente na questão de Belo Monte, usina hidroelétrica pivô de enorme controvérsia e batalhas jurídicas que, segundo Sakamoto, vulnera os direitos mais básicos das comunidades indígenas brasileiras:

(…) Mas soa irônico o governo brasileiro pagar de progressista lá fora e ser reacionário aqui dentro.

O Brasil tem tentado parecer o “bom moço” da comunidade internacional, mas nem sempre aplica a mesma cartilha internamente. Por exemplo, a defesa dos direitos humanos. (…)

Como um país que declara em seu discurso à Assembléia Geral das Nações Unidas que deseja um assento no Conselho de Segurança ignora uma solicitação de outro organismo internacional, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), ligada à Organização dos Estados Americanos, para que interrompa a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte até que os indígenas sejam devidamente ouvidos.

Nações Unidas

Críticas ao discurso, foram feitas também em post do partido de esquerda brasileiro PSTU publicado pelo Diário Liberdade, especialmente contra a manutenção de forças brasileiras no Haiti, contra os cortes nos gastos públicos e precarização da mão de obra dos trabalhadores e especialmente contra o modelo econômico adotado pela presidente:

Entre omissões, distorções e meias verdades, o discurso de Dilma não trouxe nenhuma novidade, apesar do simbolismo de sua própria presença naquele palanque.

(…)

O discurso de Dilma foi bonito. Seria melhor, porém, que fosse embasado na realidade, para que o entusiasmo de tanta gente, em especial a de mulheres trabalhadoras, não fosse em vão.

Ainda em tom crítico, André Kenji, do blog dissidência, comenta sobre a vontade do Brasil de fazer parte do Conselho de Segurança da ONU, refletida no tom do discurso:

Muitas das críticas – incluindo deste blog – da participação do Brasil no CS partem do princípio que a política externa do Brasil é pouco consistente e de que a diplomacia brasileira não tem respostas para algumas das questões mais cruciais envolvendo questões diplomáticas (Isso quando não passa a mão na cabeça de ditadores brutais tendo em vista apenas interesses comerciais).

O blogueiro e Juiz Saraiva, em seu blog Saraiva 13, resume o que, para ele, foi um momento histórico do Brasil defendendo a promoção da paz e dos direitos humanos pelo mundo:

Dilma defendeu as liberdades democráticas e os direitos-humanos, como era previsível. Surpreendente foi Dilma tirar apenas o foco de países africanos e do oriente, como as potências imperialistas gostam de fazer, e chamar à responsabilidade o chamado primeiro-mundo, condenando as violações de direitos humanos nestes países ricos através da xenofobia, do racismo, da pena de morte, da miséria. Em todo o discurso defendeu uma ordem mais justa para os países pobres, desenvolvimento sustentável em vez de bombas, soluções para o Oriente Médio, o Estado Palestino. Enfim, arrastou as fichas, conquistando corações e mentes do terceiro mundo, já bastante simpáticos ao Brasil.

  • http://www.carmenrdias.blogspot.com Carmen Regina Dias

    Parabéns pela matéria, que deve ser preservada, para fazer parte dos livros de História das novas gerações.
    Parabéns ao Carlos Latuff pelo cartoon da Presidenta. (Sempre gosto.)

  • CAMILO

    Antagonismo entre prática e teoria, temos a questão da OJ 247 editada por meia dúzia de togados do TST, togados que tem GARANTIA DE EMPREGO, mas que doaram aos corruptos do BRASIL o poder de demitir empregados de estatais sem ter de dizer o motivo. INSTRUMENTO DE TORTURA DOS TRABALHADORES E SUAS FAMÍLIAS. Uma simples “orientação jurisprudencial”, e reclamam da DITADURA, do ATOS INSTITUCIONAIS e de tudo que possa tira-los do caminho do poder, mas estando lá, no poder, AGEM igual ou pior do que os piores DITADORES. Todos, inclusive o presidente, pode ser demitido, mas e a motivação? Detalhe é que NINGUÉM reclamou até agora… Todos CALADOS, CUT, CGT, CONCLAT, etc; nenhum funcionario do BB reclamou, nenhum BRASILEIRO RECLAMOU. Seríamos o País dos “bons cabritos?” (os que não berram ao serem abatidos).

  • Jb

    Ãh?

    Dilma viola os direitos humanos com 12 ações do MPF-PA e das licitações da Copa. POr causa de sua politica o Brasil já está no banco dos réus. Tá aí pra mostrar que “Mulher tb pode” ser corrupta. Tudo isso é um grande teatro.

Regiões do mundo

Países

Línguas