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Sul da Ásia: Impacto dos Protestos do Egito

Este post é parte de nossa cobertura especial dos Protestos no Egito em 2011.

Centenas de milhares de pessoas inundaram a Praça da Liberação, no Cairo. Esta é a maior demonstração em uma semana de incessantes pedidos para que o presidente Hosni Mubarak renuncie depois de quase 30 anos no poder. Foto de Mohamed Elmaymony. Copyright Demotix.

Os recentes protestos no Egito estão sendo discutidos na blogosfera do Sul da Ásia sob diferentes perspectivas, com os blogueiros acompanhando o desenrolar da insurreição avidamente. Do Sri Lanka, Indrajit Samarajiva compartilha esta ânsia [en]:

I’ve been watching the Egyptian Revolution like it’s a cricket match, checking the score throughout the day. Right now it’s the people 1 million, Mubarak one.

Tenho acompanhado a Revolução Egípcia como se fosse um jogo de críquete, checando a pontuação ao longo do dia. Neste momento é o povo 1 milhão x Mubarak um.

O blog paquistanês PK Politics traça paralelos com os protestos contra antigos ditadores do Paquistão [en]:

Tunisian wave has sparked Egyptians to rise against a dictator that was holding absolute power for decades. The dictator Hosni Mubarak is repeating same sequence of mistakes that Pakistani military dictator performed in his last few years and refusing to accept the voice of nation.

A onda tunisiana provocou o levante dos egípcios contra um ditador que mantinha o poder absoluto há décadas. O ditador Hosni Mubarak está repetindo a mesma sequência de erros que o ditador militar paquistanês cometeu em seus últimos anos ao se recusar a aceitar a voz da nação.

O blogueiro nepalês Paramendra Bhagat pergunta quantas pessoas Mubarak consegue matar [en]:

The point is it is a finite number. There are only so many people Mubarak could kill. We did this in Nepal in 2006. The king of Nepal issued a shoot at sight order, and the people braved the bullets. About two dozen people were shot down before the regime collapsed.

There are only so many people Mubarak can kill. The brave people of Egypt have to not stop. This can be done. Democracy is not an American export. Liberty is an export of the human heart. It comes from inside. This is nothing to do with America.

You don't need no internet. You don't need no mobile phones. You don't need Twitter. All you need is air. You pack the energy into the air. All you have to do is be able to feel the ring of freedom. This is not about technology. This is about that which rings from every human heart. It comes from within.

O ponto é que trata-se de um número finito. Há apenas um certo número de pessoas que Mubarak conseguiria matar. Fizemos isso no Nepal em 2006. O rei do Nepal emitiu uma ordem de atirar em quem se movesse, e as pessoas desafiaram os tiros. Cerca de duas dezenas de pessoas foram baleadas antes do regime entrar em colapso.
Há apenas um certo número de pessoas que Mubarak consegue matar. O bravo povo do Egito não deve parar. [A revolução] é possível. A democracia não é uma exportação americana. Liberdade é uma exportação do coração humano. Ela vem de dentro. Não tem nada a ver com a América [EUA].
Você não precisa de internet. Não precisa de celulares. Não precisa do Twitter. Só precisa de ar. Você tira a energia no ar. Tudo que você tem a fazer é ser capaz de sentir o toque da liberdade. Não tem nada a ver com tecnologia. Diz respeito àquela coisa que bate em qualquer coração humano. Vem de dentro.

O blogueiro indiano SM espera que os indianos tomem os protestos egípcios como exemplo para criar coragem para lutar contra a corrupção [en]:

The revolution and protest may not succeed today, but people will realize the power of Twitter and Face book and the power of unity when Innocent citizens join hands and come on Road. Today our Indian Situation is also not good corruption is increasing day by day, I hope government will stop the corruption before the people come on road to protest against corruption.

A revolução e o protesto podem não ter sucesso hoje, mas as pessoas vão perceber o poder do Twitter e do Facebook e o poder da unidade quando cidadãos inocentes dão as mãos e saem às ruas. Hoje a nossa situação na índia também não é boa[,] a corrupção está aumentando dia após dia, espero que o governo pare a corrupção antes que o povo saia às ruas para protestar contra a corrupção.

Afzal Rahim Khan Yusufzai se pergunta [en] se o Paquistão estria maduro para uma revolução similar à que o Egito está experimentando:

Most Pakistanis would love to be that nation, hoping that Tunisia’s revolutionary ripples, already rocking Egypt and nudging Yemen, will reach Pakistan too. Enduring raging inflation, malignant corruption, dilapidated public services, an ultra-incompetent, dishonest government and an extra-insincere opposition, ineffectual judicial remedies, brutal feudal lords and tribal chiefs, lynch mobs, daily drone and terrorist attacks, assemblies of cheats, tax evaders and fake degree holders, surely Pakistan is ripe for revolution? Sadly not!

A maioria dos paquistaneses adoraria ser uma nação daquelas, esperando que a onda revolucionária da Tunísia, já balançando o Egito e cutucando o Iêmen, chegue ao Paquistão também. Aguentando uma violenta inflação, corrupção maligna, serviços públicos dilapidados, um governo ultra-incompetente e desonesto e uma oposição extra-hipócrita, recursos judiciais ineficientes, brutais senhores feudais e chefes tribais, turbas de linchamento, ataques diários terroristas e com drones, assembléias fraudulentas, sonegadores de impostos e detentores de diploma falso, certamente o Paquistão está pronto para a revolução? Infelizmente não!

O blogueiro explica porque o Paquistão não fará parte do movimento revolucionária:

The ingredients for revolution are simply not in place. Pakistan has sharp religious divide, low levels of literacy and a general feeling of apathy and defeatism in the population and additional factors which militate against a revolution: deep and multiple ethnic, linguistic, tribal and sectarian fault lines; a paucity of alternative intellectual narratives, radical leaders or strong unions; and an elected government and freedom of speech. Past experience suggests that it is likely that the events in Arab countries will leave Pakistan unchanged. Protests only become spontaneous after a certain critical mass is reached. Before that, they are contrived.

Simplesmente, os ingredientes para a revolução não estão disponíveis. O Paquistão tem uma nítida divisão religiosa, baixos níveis de educação e uma sensação geral de apatia e derrotismo na população, dentre outros fatores que militam contra a revolução: profundas e múltiplas divisões étnicas, linguísticas, tribais e sectárias, escassez de narrativas intelectuais alternativas, líderes radicais ou sindicatos fortes; e um governo eleito e liberdade de expressão. A experiência sugere que é provável que os acontecimentos nos países árabes não alterem o Paquistão. Os protestos só se tornam espontâneos depois de uma certa massa crítica é atingida. Antes disso, eles são idealizados.

Nitin Pai no The acorn sugere [en] como o governo indiano deve reagir à situação:

New Delhi would do well to avoid taking sides in this conflict—leaving it to the likes of the United States and Europe to pay up for dishes they ordered. At the same time, the Indian government must signal that it will do business with whoever remains or comes to power.

Nova Deli faria bem em evitar tomar partido neste conflito – deixando para os governos dos Estados Unidos e da Europa pagarem pelas encomendas que fizeram. Ao mesmo tempo, o governo indiano deve sinalizar que fechará negócios com quem permaneça ou chegue ao poder.

O blogueiro de Bangladesh Sirat no blog Sachalayatan analiza [be] o que a fase pós-revolucionária do Egito promete:

পশ্চিমা রক্ষণশীল পর্যবেক্ষকরা মিশরীয় সমাজে ইসলামের পেনেট্রিশন নিয়ে বেশ ভীত। আগে হোক, পরে হোক, তাদের মতে ইসলামপন্থী একটি সরকার আসবেই। কিভাবে? হয় সেনাবাহিনীর পতনের মধ্য দিয়ে, যেটা যে কোন মুহূর্তেই হতে পারে হঠাৎ এক রক্তস্নাত বিকেলে। তখন আর মুসলিম ব্রাদারহুডকে থামায় কে? বা সেনাবাহিনীতেই ক্যু এর মধ্য দিয়ে। বা নির্বাচনের মধ্য দিয়ে – মুসলিম ব্রাদারহুড মিশরের সবচেয়ে জনপ্রিয় দল, মুবারকের সরকারি দল ছাড়া। তখন আমেরিকা-ইসরায়েল-মিশর ভারসাম্যের কি হবে?

Os espectadores conservadores ocidentais têm medo da penetração do Islã na sociedade egípcia. Hoje ou amanhã um governo islâmico vai chegar ao poder. Como? Pode ser derrotando o exército, o que pode acontecer em qualquer noite sangrenta. Depois disso, a Irmandade Muçulmana será invencível. Ou pode acontecer através de um golpe de Estado por parte do exército. Ou através de eleição – a Irmandade Muçulmana é o partido mais popular no Egito, barrando o partido de Mubarak. Então o que acontecerá com o equilíbrio do eixo EUA-Israel-Egito?

O blogueiro Paquistanês Sepoy, do blog Chapati Mstery, traduz [en] um poema do famoso poeta paquistanês Faiz Ahmed Faiz (publicado pela primeira vez emn 1979) como uma homenagem aos manifestantes:

Tell, the Rulers
You take account,
now of your deeds
when we rise,
with the will to discard our lives
then you will confront the chain, the prison
here, right here, will be reward, retaliation
here, right here, will be punishment,
bendiction from right here,
will rise the din of judgment
Here, right here, will be the Day of Reckoning.

Digam, governantes
assumam responsabilidade,
por seus atos agora
quando levantarmos,
com a vontade descartar nossas vidas
vocês vão enfrentar a cadeia, a prisão
aqui, bem aqui, será sua recompensa, a represália
aqui, bem aqui, será a punição,
benção a partir daqui,
será o ronco do julgamento
Aqui, bem aqui, será o Dia do Juízo Final.

O blogueiro conclui com:

Violence has erupted in Tahrir as I post this. Violence of Mubarak’s goon squad on the peaceful demonstrators. Yet, Obama and Blair will continue to protect Mubarak. No matter, the will of the people of Egypt will prevail.

A violência eclodiu em Tahrir enquanto posto. A violência do esquadrão de assassinos de Mubarak contra manifestantes pacíficos. No entanto, Obama e Blair continuarão a proteger Mubarak. Não importa, a vontade do povo do Egito vai prevalecer.

Este post é parte de nossa cobertura especial dos Protestos no Egito em 2011.