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	<title>Comments on: Brasil: Vazamento de pesticida mata 80 ton de peixes no RJ</title>
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		<title>By: rootsman88's status on Wednesday, 10-Jun-09 16:12:42 UTC - Identi.ca</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/10/brasil-vazamento-de-pesticida-mata-80-ton-de-peixes-no-rj/comment-page-2/#comment-3593</link>
		<dc:creator>rootsman88's status on Wednesday, 10-Jun-09 16:12:42 UTC - Identi.ca</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Jun 2009 16:12:44 +0000</pubDate>
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		<description>[...] Contaminação por ENDOSULFAN ! http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/10/brasil-vazamento-de-pesticida-mata-80-ton-de-peixes-no-r... [...]</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>[...] Contaminação por ENDOSULFAN ! <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/10/brasil-vazamento-de-pesticida-mata-80-ton-de-peixes-no-r.." rel="nofollow">http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/10/brasil-vazamento-de-pesticida-mata-80-ton-de-peixes-no-r..</a>. [...]</p>
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		<title>By: Lobo Jr.</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/10/brasil-vazamento-de-pesticida-mata-80-ton-de-peixes-no-rj/comment-page-1/#comment-3535</link>
		<dc:creator>Lobo Jr.</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2009 19:54:27 +0000</pubDate>
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		<description>Excelentes Reportagens!

E a Servatis, continua suas atividades em Resende? 
As prefeituras ao longo dos Rios Pirapetinga e Paraíba do Sul, passaram a monitorar periodicamente (solo e água) e divulgar os resultados de efluentes tóxicos, para detectar novos vazamentos? Alertam a população?

Crimes ambientais podem ser divulgados no site da
CONECTAS – Direitos Humanos?
http://www.conectas.org/noticias.php?idioma=pt

Voces possuem alguma reportagem sobre a concentração de pesticidas remanescentes nas verduras, frutas e legumes que vão parar na mesa da população? E de como a população pode se defender do mal uso dos defensivos agrícolas e fertilizantes?

Pelo andar da carroagem, vamos precisar de rótulos em cada produto a ser adquirido no &quot;sacolão&quot;, contendo a data e os produtos químicos utilizados no cultivo da safra e o agrônomo responsável criminalmente pelas intoxicações que vierem a ocorrer.

Sds.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Excelentes Reportagens!</p>
<p>E a Servatis, continua suas atividades em Resende?<br />
As prefeituras ao longo dos Rios Pirapetinga e Paraíba do Sul, passaram a monitorar periodicamente (solo e água) e divulgar os resultados de efluentes tóxicos, para detectar novos vazamentos? Alertam a população?</p>
<p>Crimes ambientais podem ser divulgados no site da<br />
CONECTAS – Direitos Humanos?<br />
<a href="http://www.conectas.org/noticias.php?idioma=pt" rel="nofollow">http://www.conectas.org/noticias.php?idioma=pt</a></p>
<p>Voces possuem alguma reportagem sobre a concentração de pesticidas remanescentes nas verduras, frutas e legumes que vão parar na mesa da população? E de como a população pode se defender do mal uso dos defensivos agrícolas e fertilizantes?</p>
<p>Pelo andar da carroagem, vamos precisar de rótulos em cada produto a ser adquirido no &#8220;sacolão&#8221;, contendo a data e os produtos químicos utilizados no cultivo da safra e o agrônomo responsável criminalmente pelas intoxicações que vierem a ocorrer.</p>
<p>Sds.</p>
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		<title>By: Antônio Pereira</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/10/brasil-vazamento-de-pesticida-mata-80-ton-de-peixes-no-rj/comment-page-2/#comment-3515</link>
		<dc:creator>Antônio Pereira</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 May 2009 17:58:19 +0000</pubDate>
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		<description>Acompanhem: Crônica de uma catástrofe ambiental - (Parte. 2) Por André Deak 

Sexta-Feira, 20 de Março de 2009 
 
 Na trilha da morte...

A causa do desastre foi descoberta seguindo a trilha dos peixes mortos. Na verdade, como dito no início da reportagem, a toxina vinha de um afluente do Paraíba do Sul chamado Pirapetinga. Mais precisamente, do ponto em que o afluente passa nas costas da Servatis, empresa que envasava o endosulfan. Hoje a produção está interditada.

A Servatis soube do vazamento na madrugada. O caminhão que faz o transporte do produto teria estacionado e o encarregado fez a ligação para bombear o produto tóxico para os tanques. “Só que ele se ausentou por um instante dessa operação, porque já fez isso centenas de vezes”, explica o presidente da Servatis, o alemão Ulrich Meier. “Nisso, rompeu o diafragma e soltou o engate do caminhão. Em consequência, o produto que restava ainda no caminhão derramou no dique de contenção. E como chove, tinha água no dique. O produto entrou lá dentro, e em conjunto com a água, forma um tipo de leite. Exatamente como o agricultor usa. Pega um litro, joga em um metro cúbico de água, e pulveriza”, relata. “O operador avisou que vazou e que o produto estava contido. Tinha 14 metros cúbicos daquele leite. Pensávamos que estava tudo bem, até recebermos indicações do rio Paraíba.”

 Ocorre que o dique de contenção tem uma válvula, que quando aberta despeja o conteúdo do dique no rio Pirapetinga. Uma pergunta óbvia seria por que um dique de contenção tem uma válvula virada para o rio – ao que Meier explica que isso era “para uma operação de água de chuva”. “Analisa-se a água, e se não estiver contaminada ela é descartada para a rede pluvial. Só que essa válvula estava com defeito, não estava totalmente fechada.” Em um primeiro momento, a empresa afirmou que 1,5 mil litros haviam vazado. Dias depois, corrigiu a informação: seriam 8 mil litros. O caminhão que fazia o transporte tinha capacidade para 30 mil litros. Como cada litro do agrotóxico precisa ser misturado a mil litros de água para a pulverização, caso o caminhão todo tivesse vazado, seriam 30 milhões de litros de veneno. Para ter uma ideia de quanto agrotóxico isso significa, é o mesmo que 30 segundos de vazão das Cataratas do Iguaçu. 
 
 Um rio de incertezas...

A Servatis já recebeu multa de R$ 33 milhões aplicada pela Comissão Estadual de Controle Ambiental (Ceca), ligada à Secretaria do Meio Ambiente do Rio de Janeiro. A empresa chegou a ser interditada, mas foi liberada em seguida, após uma vistoria. Em audiência pública realizada em dezembro, em Resende, Ulrich Meier afirmou que esse valor pode levar a empresa à falência, se não conseguir novo crédito no BNDES. “Os 20 dias parados causaram muito prejuízo para a empresa. Reconhecemos a lambança que fizemos no meio ambiente e queremos reparar nosso erro. Por isso temos que conseguir dinheiro para pagar nossa conta de luz, fornecedores e funcionários. Se não conseguirmos o crédito, teremos que decretar a falência da empresa. E isso será muito mais danoso para o ambiente”, afirmou.
O rio Paraíba do Sul está repleto de empresas em suas margens, “verdadeiras bombas prontas para explodir”, conforme define o presidente do Instituto Estadual do Ambiental (Inea), Luiz Firmino Martins. Isso porque não há auditorias regulares, não se sabe como essas empresas operam – e elas estão lá há mais de 30 anos. Além das empresas, falta conscientização das pessoas. “Tem muito mecânico que joga óleo. Dá pra ver na água. E todo mundo joga o lixo no rio. É uma cultura”, diz o conselheiro municipal de Meio Ambiente de Barra Mansa, Denival da Costa. “A quantidade de coliformes fecais é enorme. As grandes indústrias estão cuidando do esgoto, porque exportam e precisam de um selo verde. O problema é a pequena indústria e o esgoto doméstico.” Quase não existe tratamento de esgoto nas cidades ribeirinhas do Paraíba do Sul. “A gente bebe esgoto”, lamenta Costa.

E muita gente comeu os peixes intoxicados pelo endosulfan. Guilherme Souza, diretor do Projeto Piabanha, conta que enquanto retirava peixes do rio para medir a toxidade dos animais, após o acidente, as pessoas comiam os peixes. Como a onda do produto atingiu todo o rio, espécies que vivem em áreas mais profundas e que dificilmente são apanhadas por pescadores apareciam. “O cara nunca viu um robalo de cinco quilos, ainda vivo. Eu falava pra não comer, mas não adiantava”, lembra Souza. Há relatos de pessoas com irritações na pele (um efeito do produto), mas nenhuma quantificação. Souza conta ter visto pessoas armazenarem nas geladeiras os peixes mortos, para consumo ou venda posterior.
Hoje, ele diz que as pessoas já não consomem, conscientizadas do risco. Nem pescam, porque não têm para quem vender. Em fevereiro, o Ibama proibiu, até 31 de maio, todos os tipos de pesca na bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul – de Resende, onde ocorreu o acidente, até a foz, em São João da Barra, litoral norte do estado.
  
Mídia e silêncio...

Apesar de ter sido um dos piores acidentes ecológicos da história do Rio de Janeiro, poucos ouviram falar do assunto. Talvez porque novembro de 2008, mês do desastre no rio Paraíba, também foi quando outro estado sofreu uma calamidade: era o ápice das enchentes em Santa Catarina que deixaram dezenas de milhares de desabrigados. Toda a atenção da mídia se voltou para lá. A contaminação no Rio de Janeiro ficou desinteressante. Fora o jornal carioca O Globo, que publicou algumas reportagens – e mesmo assim, no caderno de cidades –, ninguém mais noticiou o envenenamento do Paraíba do Sul.
   
Há desdobramentos. Em fevereiro, a Servatis, a Basf e a Agripec (empresa que produziu o endosulfan derramado), quase três meses depois do ocorrido, foram condenadas em primeira instância na cidade de Resende a pagar um salário mínimo mensal para cada um dos cerca de 1.200 pescadores do Paraíba do Sul enquanto eles tiverem os trabalhos afetados pelo pesticida. A Basf nega participação no acidente e a Agripec, hoje Nufarm, afirma que não tem fábrica em Resende. A Servatis não nega a culpa pelo acidente, mas diz que tem um projeto de recuperação do rio em conjunto com uma ONG local. O governo do Rio de Janeiro afirma que só aprovará um projeto de recuperação realizado em conjunto com diversos órgãos, como o Ibama e secretarias de outros estados por onde o rio passa, como SP e MG. O projeto da Servatis deverá, assim, ser analisado e incluído em um plano maior.
  
O governo do estado do Rio de Janeiro promete um relatório final, com todos os dados consolidados. Um documento oficial trará, então, o resultado do derramamento de um dos piores venenos produzidos no mundo na bacia hidrográfica de um dos estados mais importantes do Brasil. Talvez aí os jornais se interessem pela notícia – e possam servir para algo além de embrulhar peixe morto. 
  
Rio castigado (Retrospectiva)

Outros acidentes recentes que causaram estragos no rio Paraíba do Sul 

 1982 – Vazamento da Cia. Paraibuna de Metais, com o rompimento de um dique de contenção de rejeitos no rio Paraibuna, que carreou resíduos de metais pesados (cromo e cádmio) e outras substâncias tóxicas, contaminando o rio Paraíba do Sul desde a confluência com o Paraibuna até a foz. 
 1984 – Acidente rodoviário em que um caminhão despejou 30 mil litros de ácido sulfúrico no rio Piabanha. 
 1988 – Vazamento de óleo ascarel contido em 3 mil litros de água utilizada para apagar o incêndio em transformadores na Thyssen Fundições. 
 1989 – Acidente com um caminhão tanque de metanol que despejou o produto no rio, na altura de Barra do Piraí. 
 2003 – Vazamento de mais de 20 milhões de litros de soda cáustica no rio Pomba, provenientes da indústria Cataguazes de Papel. Acidentes de menores proporções ocorreram em 2006 e 2007, sob responsabilidade da mesma indústria. 
 2008 – Vazamento de pelo menos 8 mil litros do agrotóxico endosulfan no rio Pirapetinga, afluente do Paraíba do Sul. Aproximadamente 100 toneladas de peixes foram mortos, em período de desova. Não há medições sobre danos à saúde das populações atingidas, mas o produto é altamente tóxico, banido em diversos países. 
 Fonte: Fiperj e revista Fórum (sobre 2008)

Conheça a substância Endosulfan: classe I, extremamente tóxico Banido da União Europeia e de pelo menos outros 20 países, o endosulfan é um agrotóxico – ou um “defensivo agrícola”, como preferem chamar os produtores – usado principalmente nas lavouras de café, algodão, soja, cana e alguns cítricos. É da mesma família do DDT, já proibido no Brasil e em quase todo o mundo. Aqui, o endosulfan é classificado como “extremamente tóxico” pelo Ministério da Saúde e como “altamente perigoso para o meio ambiente” pelo Ibama. Há uma campanha mundial pela proibição do produto e vários processos tentam impedir a produção local, como nos EUA. 

 Um relatório de 2002 da ONG inglesa Environmental Justice Foundation (End of the road for Endosulfan – a call for action against a dangerous pesticide) mostra danos causados em vários países, como a Índia, onde há casos relatados de deformidades congênitas, doenças neurológicas e até morte, além de episódios nos EUA, Colômbia e Benim, entre outros. A Colômbia, aliás, é um dos países que proibiu o uso.
  
O químico age sobre invertebrados em geral, não apenas insetos. Deve ser misturado em água e depois borrifado nas lavouras. Segundo artigo do professor Philip C. Scott, do Instituto de Ciências Biológicas e Ambientais do Rio de Janeiro, o testemunho mais contundente sobre o efeito do endosulfan na natureza é o de um agricultor do Benim: “Os campos fedem por dois a três dias após a aplicação pois praticamente qualquer ser vivo foi morto e tudo começa a apodrecer”.
  
Em entrevista, Scott diz que “moluscos e crustáceos, como o pitu e o lagostim, são facilmente afetados. Na fase larval deles mais ainda. É um tipo de inseticida que é feito para atacar a parte respiratória de insetos e invertebrados. E como caiu no rio numa época de desova, para uma larva é mortal. Os peixes são particularmente sensíveis ao endosulfan. Eles têm hemorragias violentas”.
  
O professor diz que mesmo mamíferos não estão a salvo. “Na Índia, uma aplicação normal – não um desastre – atingiu a água e você vê uma série de doenças de fundo neurológico. Especialmente as de fundo nervoso. Se puder prestar atenção nos hospitais da região, vai encontrar mais pessoas com problemas psiquiátricos, nervosos. Na gestação, afeta os fetos.”
  
Até poucos anos, diz ele, o endosulfan era usado na França. “E precisam de bons pesticidas – fazem uvas, fazem vinho. Mas lá ninguém aceita produtos que não sejam inofensivos à saúde humana. Se as pessoas não se levantam, se a imprensa não reage, a indústria continua produzindo isso. O governo não tem porque usar um produto como esse. É preciso expor os perigos.”

André Deak.

http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/EdicaoNoticiaIntegra.asp?id_artigo=6623</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Acompanhem: Crônica de uma catástrofe ambiental &#8211; (Parte. 2) Por André Deak </p>
<p>Sexta-Feira, 20 de Março de 2009 </p>
<p> Na trilha da morte&#8230;</p>
<p>A causa do desastre foi descoberta seguindo a trilha dos peixes mortos. Na verdade, como dito no início da reportagem, a toxina vinha de um afluente do Paraíba do Sul chamado Pirapetinga. Mais precisamente, do ponto em que o afluente passa nas costas da Servatis, empresa que envasava o endosulfan. Hoje a produção está interditada.</p>
<p>A Servatis soube do vazamento na madrugada. O caminhão que faz o transporte do produto teria estacionado e o encarregado fez a ligação para bombear o produto tóxico para os tanques. “Só que ele se ausentou por um instante dessa operação, porque já fez isso centenas de vezes”, explica o presidente da Servatis, o alemão Ulrich Meier. “Nisso, rompeu o diafragma e soltou o engate do caminhão. Em consequência, o produto que restava ainda no caminhão derramou no dique de contenção. E como chove, tinha água no dique. O produto entrou lá dentro, e em conjunto com a água, forma um tipo de leite. Exatamente como o agricultor usa. Pega um litro, joga em um metro cúbico de água, e pulveriza”, relata. “O operador avisou que vazou e que o produto estava contido. Tinha 14 metros cúbicos daquele leite. Pensávamos que estava tudo bem, até recebermos indicações do rio Paraíba.”</p>
<p> Ocorre que o dique de contenção tem uma válvula, que quando aberta despeja o conteúdo do dique no rio Pirapetinga. Uma pergunta óbvia seria por que um dique de contenção tem uma válvula virada para o rio – ao que Meier explica que isso era “para uma operação de água de chuva”. “Analisa-se a água, e se não estiver contaminada ela é descartada para a rede pluvial. Só que essa válvula estava com defeito, não estava totalmente fechada.” Em um primeiro momento, a empresa afirmou que 1,5 mil litros haviam vazado. Dias depois, corrigiu a informação: seriam 8 mil litros. O caminhão que fazia o transporte tinha capacidade para 30 mil litros. Como cada litro do agrotóxico precisa ser misturado a mil litros de água para a pulverização, caso o caminhão todo tivesse vazado, seriam 30 milhões de litros de veneno. Para ter uma ideia de quanto agrotóxico isso significa, é o mesmo que 30 segundos de vazão das Cataratas do Iguaçu. </p>
<p> Um rio de incertezas&#8230;</p>
<p>A Servatis já recebeu multa de R$ 33 milhões aplicada pela Comissão Estadual de Controle Ambiental (Ceca), ligada à Secretaria do Meio Ambiente do Rio de Janeiro. A empresa chegou a ser interditada, mas foi liberada em seguida, após uma vistoria. Em audiência pública realizada em dezembro, em Resende, Ulrich Meier afirmou que esse valor pode levar a empresa à falência, se não conseguir novo crédito no BNDES. “Os 20 dias parados causaram muito prejuízo para a empresa. Reconhecemos a lambança que fizemos no meio ambiente e queremos reparar nosso erro. Por isso temos que conseguir dinheiro para pagar nossa conta de luz, fornecedores e funcionários. Se não conseguirmos o crédito, teremos que decretar a falência da empresa. E isso será muito mais danoso para o ambiente”, afirmou.<br />
O rio Paraíba do Sul está repleto de empresas em suas margens, “verdadeiras bombas prontas para explodir”, conforme define o presidente do Instituto Estadual do Ambiental (Inea), Luiz Firmino Martins. Isso porque não há auditorias regulares, não se sabe como essas empresas operam – e elas estão lá há mais de 30 anos. Além das empresas, falta conscientização das pessoas. “Tem muito mecânico que joga óleo. Dá pra ver na água. E todo mundo joga o lixo no rio. É uma cultura”, diz o conselheiro municipal de Meio Ambiente de Barra Mansa, Denival da Costa. “A quantidade de coliformes fecais é enorme. As grandes indústrias estão cuidando do esgoto, porque exportam e precisam de um selo verde. O problema é a pequena indústria e o esgoto doméstico.” Quase não existe tratamento de esgoto nas cidades ribeirinhas do Paraíba do Sul. “A gente bebe esgoto”, lamenta Costa.</p>
<p>E muita gente comeu os peixes intoxicados pelo endosulfan. Guilherme Souza, diretor do Projeto Piabanha, conta que enquanto retirava peixes do rio para medir a toxidade dos animais, após o acidente, as pessoas comiam os peixes. Como a onda do produto atingiu todo o rio, espécies que vivem em áreas mais profundas e que dificilmente são apanhadas por pescadores apareciam. “O cara nunca viu um robalo de cinco quilos, ainda vivo. Eu falava pra não comer, mas não adiantava”, lembra Souza. Há relatos de pessoas com irritações na pele (um efeito do produto), mas nenhuma quantificação. Souza conta ter visto pessoas armazenarem nas geladeiras os peixes mortos, para consumo ou venda posterior.<br />
Hoje, ele diz que as pessoas já não consomem, conscientizadas do risco. Nem pescam, porque não têm para quem vender. Em fevereiro, o Ibama proibiu, até 31 de maio, todos os tipos de pesca na bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul – de Resende, onde ocorreu o acidente, até a foz, em São João da Barra, litoral norte do estado.</p>
<p>Mídia e silêncio&#8230;</p>
<p>Apesar de ter sido um dos piores acidentes ecológicos da história do Rio de Janeiro, poucos ouviram falar do assunto. Talvez porque novembro de 2008, mês do desastre no rio Paraíba, também foi quando outro estado sofreu uma calamidade: era o ápice das enchentes em Santa Catarina que deixaram dezenas de milhares de desabrigados. Toda a atenção da mídia se voltou para lá. A contaminação no Rio de Janeiro ficou desinteressante. Fora o jornal carioca O Globo, que publicou algumas reportagens – e mesmo assim, no caderno de cidades –, ninguém mais noticiou o envenenamento do Paraíba do Sul.</p>
<p>Há desdobramentos. Em fevereiro, a Servatis, a Basf e a Agripec (empresa que produziu o endosulfan derramado), quase três meses depois do ocorrido, foram condenadas em primeira instância na cidade de Resende a pagar um salário mínimo mensal para cada um dos cerca de 1.200 pescadores do Paraíba do Sul enquanto eles tiverem os trabalhos afetados pelo pesticida. A Basf nega participação no acidente e a Agripec, hoje Nufarm, afirma que não tem fábrica em Resende. A Servatis não nega a culpa pelo acidente, mas diz que tem um projeto de recuperação do rio em conjunto com uma ONG local. O governo do Rio de Janeiro afirma que só aprovará um projeto de recuperação realizado em conjunto com diversos órgãos, como o Ibama e secretarias de outros estados por onde o rio passa, como SP e MG. O projeto da Servatis deverá, assim, ser analisado e incluído em um plano maior.</p>
<p>O governo do estado do Rio de Janeiro promete um relatório final, com todos os dados consolidados. Um documento oficial trará, então, o resultado do derramamento de um dos piores venenos produzidos no mundo na bacia hidrográfica de um dos estados mais importantes do Brasil. Talvez aí os jornais se interessem pela notícia – e possam servir para algo além de embrulhar peixe morto. </p>
<p>Rio castigado (Retrospectiva)</p>
<p>Outros acidentes recentes que causaram estragos no rio Paraíba do Sul </p>
<p> 1982 – Vazamento da Cia. Paraibuna de Metais, com o rompimento de um dique de contenção de rejeitos no rio Paraibuna, que carreou resíduos de metais pesados (cromo e cádmio) e outras substâncias tóxicas, contaminando o rio Paraíba do Sul desde a confluência com o Paraibuna até a foz.<br />
 1984 – Acidente rodoviário em que um caminhão despejou 30 mil litros de ácido sulfúrico no rio Piabanha.<br />
 1988 – Vazamento de óleo ascarel contido em 3 mil litros de água utilizada para apagar o incêndio em transformadores na Thyssen Fundições.<br />
 1989 – Acidente com um caminhão tanque de metanol que despejou o produto no rio, na altura de Barra do Piraí.<br />
 2003 – Vazamento de mais de 20 milhões de litros de soda cáustica no rio Pomba, provenientes da indústria Cataguazes de Papel. Acidentes de menores proporções ocorreram em 2006 e 2007, sob responsabilidade da mesma indústria.<br />
 2008 – Vazamento de pelo menos 8 mil litros do agrotóxico endosulfan no rio Pirapetinga, afluente do Paraíba do Sul. Aproximadamente 100 toneladas de peixes foram mortos, em período de desova. Não há medições sobre danos à saúde das populações atingidas, mas o produto é altamente tóxico, banido em diversos países.<br />
 Fonte: Fiperj e revista Fórum (sobre 2008)</p>
<p>Conheça a substância Endosulfan: classe I, extremamente tóxico Banido da União Europeia e de pelo menos outros 20 países, o endosulfan é um agrotóxico – ou um “defensivo agrícola”, como preferem chamar os produtores – usado principalmente nas lavouras de café, algodão, soja, cana e alguns cítricos. É da mesma família do DDT, já proibido no Brasil e em quase todo o mundo. Aqui, o endosulfan é classificado como “extremamente tóxico” pelo Ministério da Saúde e como “altamente perigoso para o meio ambiente” pelo Ibama. Há uma campanha mundial pela proibição do produto e vários processos tentam impedir a produção local, como nos EUA. </p>
<p> Um relatório de 2002 da ONG inglesa Environmental Justice Foundation (End of the road for Endosulfan – a call for action against a dangerous pesticide) mostra danos causados em vários países, como a Índia, onde há casos relatados de deformidades congênitas, doenças neurológicas e até morte, além de episódios nos EUA, Colômbia e Benim, entre outros. A Colômbia, aliás, é um dos países que proibiu o uso.</p>
<p>O químico age sobre invertebrados em geral, não apenas insetos. Deve ser misturado em água e depois borrifado nas lavouras. Segundo artigo do professor Philip C. Scott, do Instituto de Ciências Biológicas e Ambientais do Rio de Janeiro, o testemunho mais contundente sobre o efeito do endosulfan na natureza é o de um agricultor do Benim: “Os campos fedem por dois a três dias após a aplicação pois praticamente qualquer ser vivo foi morto e tudo começa a apodrecer”.</p>
<p>Em entrevista, Scott diz que “moluscos e crustáceos, como o pitu e o lagostim, são facilmente afetados. Na fase larval deles mais ainda. É um tipo de inseticida que é feito para atacar a parte respiratória de insetos e invertebrados. E como caiu no rio numa época de desova, para uma larva é mortal. Os peixes são particularmente sensíveis ao endosulfan. Eles têm hemorragias violentas”.</p>
<p>O professor diz que mesmo mamíferos não estão a salvo. “Na Índia, uma aplicação normal – não um desastre – atingiu a água e você vê uma série de doenças de fundo neurológico. Especialmente as de fundo nervoso. Se puder prestar atenção nos hospitais da região, vai encontrar mais pessoas com problemas psiquiátricos, nervosos. Na gestação, afeta os fetos.”</p>
<p>Até poucos anos, diz ele, o endosulfan era usado na França. “E precisam de bons pesticidas – fazem uvas, fazem vinho. Mas lá ninguém aceita produtos que não sejam inofensivos à saúde humana. Se as pessoas não se levantam, se a imprensa não reage, a indústria continua produzindo isso. O governo não tem porque usar um produto como esse. É preciso expor os perigos.”</p>
<p>André Deak.</p>
<p><a href="http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/EdicaoNoticiaIntegra.asp?id_artigo=6623" rel="nofollow">http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/EdicaoNoticiaIntegra.asp?id_artigo=6623</a></p>
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		<title>By: Antônio Pereira</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/10/brasil-vazamento-de-pesticida-mata-80-ton-de-peixes-no-rj/comment-page-2/#comment-3514</link>
		<dc:creator>Antônio Pereira</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 May 2009 17:28:43 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=1491#comment-3514</guid>
		<description>Reportagem especial: CRÔNICA DE UMA CATÁSTROFE AMBIENTAL.

(Autoria: André Deak e Paulo Fehlauer)

&quot;A história do derramamento no Rio Paraíba do Sul que matou toneladas de peixes e pode ter contaminado milhões de pessoas.&quot;
http://www.revistaforum.com.br/casoservatis/site/

(Vide: Galeria de Fotos; O efeito devastador da nuvem de veneno. Fotografias cedidas pela Associação dos Canoeiros Defensores da Natureza de Barra Mansa - RJ.)
http://www.revistaforum.com.br/casoservatis/site/index.php/galeria/</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Reportagem especial: CRÔNICA DE UMA CATÁSTROFE AMBIENTAL.</p>
<p>(Autoria: André Deak e Paulo Fehlauer)</p>
<p>&#8220;A história do derramamento no Rio Paraíba do Sul que matou toneladas de peixes e pode ter contaminado milhões de pessoas.&#8221;<br />
<a href="http://www.revistaforum.com.br/casoservatis/site/" rel="nofollow">http://www.revistaforum.com.br/casoservatis/site/</a></p>
<p>(Vide: Galeria de Fotos; O efeito devastador da nuvem de veneno. Fotografias cedidas pela Associação dos Canoeiros Defensores da Natureza de Barra Mansa &#8211; RJ.)<br />
<a href="http://www.revistaforum.com.br/casoservatis/site/index.php/galeria/" rel="nofollow">http://www.revistaforum.com.br/casoservatis/site/index.php/galeria/</a></p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>By: Antônio Pereira</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/10/brasil-vazamento-de-pesticida-mata-80-ton-de-peixes-no-rj/comment-page-2/#comment-3513</link>
		<dc:creator>Antônio Pereira</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 May 2009 17:24:12 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=1491#comment-3513</guid>
		<description>(overemphasize; to intensify the subject of environmental issues)

Devido à relevância do tema, vale a pena rever pela conscientização geral ao ler estas extensas reportagens.

Desculpe-me se o post &quot;superenfatiza&quot; o tema.     

Alguém pode garantir que acidentes deste porte estão livres de repetição no mundo em que vivemos?

Cordialmente,

Sds.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>(overemphasize; to intensify the subject of environmental issues)</p>
<p>Devido à relevância do tema, vale a pena rever pela conscientização geral ao ler estas extensas reportagens.</p>
<p>Desculpe-me se o post &#8220;superenfatiza&#8221; o tema.     </p>
<p>Alguém pode garantir que acidentes deste porte estão livres de repetição no mundo em que vivemos?</p>
<p>Cordialmente,</p>
<p>Sds.</p>
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	</item>
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		<title>By: Antônio Pereira</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/10/brasil-vazamento-de-pesticida-mata-80-ton-de-peixes-no-rj/comment-page-2/#comment-3512</link>
		<dc:creator>Antônio Pereira</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 May 2009 17:00:10 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=1491#comment-3512</guid>
		<description>O desastre de Bhopal, ontem e hoje: um sistema de destruição em massa 
14 de Fevereiro de 2005. 

Vinte anos passaram desde o pior desastre industrial da história, um crime contra a humanidade cometido pelo capitalismo mundial. As principais vítimas foram as massas pobres da cidade indiana de Bhopal. O gás venenoso que escapou de uma fábrica de pesticidas propriedade da multinacional Union Carbide de origem norte-americana, durante a noite de 2 de Dezembro de 1984, matou imediatamente pelo menos 8000 pessoas. O número de mortos cresceu para 22.000 nos doze anos que se seguiram. A zona mais atingida foi o bairro pobre próximo da fábrica. A maioria das vítimas eram pessoas pobres da aldeia que se tinham mudado para a cidade à procura de trabalho. “Muitos – particularmente as crianças e os velhos – morreram nas suas camas quando o gás entrou nas suas casas. Outros, incluindo mulheres que agarravam os seus bebés, fugiram apenas para caírem na rua. Muitos foram encontrados depois, amontoados, doentes e agonizantes nas entradas da cidade. Manadas de bois foram mortas e cadáveres de cabras cobriam as bermas das estradas onde antes vagueavam. As folhas das árvores ficaram amarelas e enrugadas – as colheitas ficaram queimadas nos campos e foram cobertas por uma fina camada branca.” (BBC, 28 de Agosto de 2002) 

Esta é a Bhopal de hoje! 

Quando o sol se levantou por cima de Bhopal na manhã seguinte, foi anunciado que o ar estava limpo do gás. Mas a cidade manteria as consequências físicas e psicológicas dessas poucas horas horríveis durante as décadas – se não mesmo os séculos – seguintes. Gerações inteiras por nascer estão condenadas a sofrer com isso. Por outras palavras, esse não foi o fim do sofrimento para os habitantes de Bhopal mas apenas o começo. 

Os números da morte ainda hoje continuam a subir. Em média, um sobrevivente morre diariamente de causas relacionadas com o gás venenoso. Muita gente ficou cega. “Mais de 100.000 pessoas sofrem de enfermidades crónicas ou debilitantes”, relatou a Amnistia Internacional. Mais de meio milhão de pessoas foram expostas ao gás. 

“Nos becos estreitos do bairro pobre perto da fábrica onde ainda vivem milhares de vítimas do gás, fica a casa de Raisa Bi. Ela tem lutado para dar medicamentos ao seu marido doente, que sofre de agudas dores de estômago e de falta de respiração. A vida nunca mais foi a mesma para Raisa e para milhares de outras pessoas no seu bairro desde que o desastre do gás os atingiu. 

“Nagma, de 21 anos, ganha a vida para os seus pais inválidos e o seu irmão fazendo sacos de papel. Ela tinha um ano de idade naquela manhã fatal de 1984. ‘Temos pouca esperança’, disse ela.” (BBC, 3 de Dezembro de 2003) 

“A aproximar-se do seu 20º aniversário, Deepika pesa apenas 33 quilos e tem pouco mais de 1,3 metros de altura. Os seus períodos, que começaram no ano passado, são irregulares e sofre de tonturas atordoantes. Está impossibilitada de se concentrar e ainda não conseguiu acabar a escola... a história de Deepika não é atípica em Bhopal.” (Guardian, 29 de Novembro de 2004) 

“Gazmian tem 20 anos. Nasceu em pleno desastre, de onde obteve o seu nome. Vive uma vida simples no bairro pobre da colónia de Navab em Bhopal. A sua cara está cheia de acne e o seu corpo dorido quase não se pode mover... A vida de Gazmian é uma das 500.000 destruídas por esse desastre... Nunca pôde trabalhar; os seus problemas respiratórios tornam-lhe impossível fazer qualquer trabalho físico.” (Le Monde Diplomatique, Janeiro de 2005) 

Não é claro quantas mais gerações sofrerão com esse desastre, mas é claro que “estamos apenas a começar a ver os efeitos do que o gás faz ao corpo humano”, diz Satinath Sarangi, de uma ONG envolvida na distribuição de ajuda médica às vítimas. 

E como dizia uma reportagem difundida pela BBC a 2 de Dezembro de 2004: Hoje, em Bhopal, há níveis anormalmente elevados de cancro da pele, cancro pulmonar, cancro gastrointestinal, defeitos genéticos, problemas menstruais sérios e taxas de aborto sete vezes superiores à média nacional, falhas de coordenação, perda de memória, cegueira parcial, paralisia e sistemas imunes debilitados. 

Hoje em Bhopal há crianças mais pequenas com cabeças mais reduzidas. As mulheres têm uma menopausa prematura, por volta dos 30-35 anos. O número de casos de cancro e tuberculose é quatro vezes mais elevado entre as pessoas que vivem na área afectada que noutros lugares. Muitos dos bebés vítimas do gás nasceram com deformações. Diariamente, 4000 pessoas fazem fila nos hospitais de ajuda às vítimas do gás com doenças que variam de pulmões afectados a problemas graves do coração, sistemas imunes destruídos e doenças como a tuberculose. Esta é a Bhopal de hoje! 

Um acidente ou os lucros a mandar? 

A fábrica da Union Carbide em Bhopal produzia isocianato de metilo (MIC), uma combinação intermédia usada na produção do pesticida Sevin dessa empresa. O MIC é um das substâncias mais tóxicas e letais conhecidas da humanidade. A empresa sabia que o MIC era fatal se inalado. 

Segundo a reportagem da BBC, a médica da fábrica deu a conhecer as suas preocupações sobre a segurança das 20.000 pessoas que viviam perto da fábrica, depois de um trabalhador ter morrido ao inalar o MIC. Ela queria um plano de acção no caso de uma fuga e que os habitantes locais soubessem o que as substâncias químicas aí produzidas poderiam fazer. Demitiu-se quando a empresa se recusou a ouvi-la. Assim, um acidente estava à espera de acontecer quando, logo após a meia-noite de 2 de Dezembro de 1984, “um grande volume de água foi aparentemente introduzido no tanque de MIC, causando uma reacção química que forçou a válvula de escape químico a abrir, o que permitiu que o gás escapasse.” (Revista New Scientist, Dezembro de 2002) A Union Carbide sempre alegou que o escape fora o resultado de um acto deliberado de sabotagem, mas nunca foi encontrada nenhuma prova disso e as investigações sugerem o contrário. 

“A investigação da New Scientist sobre o acidente e estudos subsequentes pela empresa e pelos sindicatos mostraram que uma válvula defeituosa deixou que quase uma tonelada de água, que estava a ser usada para limpar os tubos, entrasse num tanque que continha 40 toneladas de isocianato de metilo (MIC). A reacção resultante produziu uma nuvem de gás tóxico.” Se o MIC for mantido arrefecido não é violento, mas se for misturado com água, ferve perigosamente e acabará por explodir. Esse perigo era bem conhecido. Independentemente de como aconteceu o desastre, deveria ter sido contido por medidas de segurança que são necessárias e exigidas para essas substâncias químicas mortais, desde que as vidas das pessoas não sejam comparadas às pestes a serem eliminadas pelos produtos da empresa. É verdade que foram instalados quatro sistemas de segurança diferentes para impedir a água de entrar no tanque de MIC da fábrica. Mas a investigação da New Scientist argumenta que não foi contida porque “Bhopal tinha um equipamento de emergência muito mais limitado que o da fábrica da Carbide nos EUA.” Nessa noite não funcionou nenhuma das quatro medidas de emergência. 

Um sistema de refrigeração – um sistema de arrefecimento que teria prevenido a reacção entre o MIC e a água que entrou no sistema – estava desligado. Pelo menos, teria reduzido a velocidade do processo e os trabalhadores poderiam ter cheirado a fuga e encontrado a sua fonte. 

Um segundo sistema de segurança, as “escovas de gás” que poderiam neutralizar o MIC com refrigerante cáustico, não estava em operação. Estava apenas em espera. 

Ao contrário da fábrica dos EUA, Bhopal não tinha nenhum tanque crucial de “recolha” para onde poderia ter escoado a massa de substâncias químicas que ferveram para fora do tanque de MIC. Dessa maneira, só teriam escapado os gases que poderiam ter sido queimados no exterior através de torres de labareda ou filtrados no exterior através das “escovas”. 

O terceiro dispositivo de segurança que ainda poderia ter impedido o desastre, a torre de labareda, não estava a trabalhar. Estava fechada para reparação na noite do acidente. A fábrica dos EUA tinha uma segunda, de reforço. A única “escova” de Bhopal ficou subjugado pela massa de líquidos e gases a ferver a uma taxa cem vezes superior àquela para que fora projectada. 

Os responsáveis da fábrica tinham desligado os alarmes da fábrica para não causar pânico na cidade. 

As acções da Union Carbide são um exemplo claro de como os imperialistas valorizam a vida das massas, especialmente nas nações oprimidas. Mesmo quando se trata de medidas de segurança simples e óbvias, eles têm um duplo padrão. A causa principal do desastre não foi nenhuma negligência por parte dos trabalhadores da empresa ou dos responsáveis dos níveis inferiores. Foi o projecto e os procedimentos de operação da própria fábrica, que pode ter seguido instruções da sede da Union Carbide nos EUA, e que de qualquer modo foram aprovados por eles, de acordo com um memorando de 1972 da empresa. A razão básica não foi algo impossível de prever mas todo o funcionamento demasiado previsível de um sistema movido pelo lucro, mesmo que à custa das vidas de dezenas de milhares de pessoas e da miséria de centenas de milhares. Para usar termos mais imediatos, a Union Carbide tinha estado a tentar atingir a rentabilidade à custa de medidas elementares de segurança e colocou toda a cidade em perigo desnecessário. 

Os camponeses indianos não estavam a comprar o pesticida Sevin da empresa. Uma seca tinha piorado a situação. Em apenas quatro anos, a fábrica de Bhopal passou de potencial fonte de rendimentos a encargo financeiro. A empresa instituiu um programa de corte de despesas que afectou directa ou indirectamente as medidas de segurança consideradas obrigatórias para a produção dessa mistura perigosa: “Um terço da mão-de-obra foi despedido. A produção de Sevin foi diminuída. Na unidade do MIC os sistemas de segurança foram reduzidos. As verificações de segurança passaram a ser feitas menos frequentemente. O número de supervisores foi reduzido a metade.” (Reportagem da BBC) 

Depois de uma série de acções de activistas e de uma subsequente ordem do tribunal, em Novembro de 1999 a empresa divulgou alguns memorandos internos que revelam partes da história não contada. “Segundo um memorando de 1972, se a Carbide emitisse acções suficientes para cobrir os custos estimados de 28 milhões de dólares, a posição da empresa na sua subsidiária indiana desceria abaixo dos 53 por cento. Teria reduzido o seu controlo da empresa. Para o evitar, teria de ‘reduzir o valor do investimento... para 20,6 milhões de dólares’, sendo os cortes ‘principalmente no projecto do Sevin’. Isso significava usar o que outro memorando admitia serem tecnologias não-provadas, principalmente em sistemas não directamente envolvidos no acidente. Porém, o sistema de produção do Sevin envolvido no acidente tinha tido ‘apenas um teste limitado’, dizia o memorando.” (New Scientist) 

Se este desastre pudesse ser chamado de acidente, seria um acidente que poderia ter sido prevenido com precauções muito directas – se os capitalistas pudessem ter dado menos peso ao seu lucro e um pouco mais às vidas de centenas de milhares de seres humanos que viviam perto da fábrica. Mas, apesar da sua cobiça e da sua natureza criminosa, há alguma verdade no seu argumento de não se poderia esperar que os executivos da Union Carbides agissem de outra forma – se o tivessem feito, teriam deixado de existir como capitalistas. Teriam perdido dinheiro e por isso todo o sistema teria de os castigar, desde o capital financeiro que teria enviado imediatamente a empresa para os tribunais em que poderiam ter sido julgados pela forma mais criminosa de negligência: a traição ao seu dever perante os interesses dos seus fiadores e accionistas. 

Foram os responsáveis levados à justiça? 

Usando o pretexto da sua alegação de “sabotagem”, a Union Carbide nunca assumiu a culpa do desastre. A empresa ainda hoje se recusa a participar no julgamento perante o tribunal indiano que recebeu as acusações criminais movidas contra a empresa e os seus responsáveis. Nos 20 anos que decorreram desde o desastre, nem o governo dos EUA nem o indiano obrigaram a empresa a ir a julgamento. Em vez de um tribunal que decidisse os danos que deveria indemnizar, a Union Carbide pôde negociar um acordo com o governo indiano, que supostamente representava as vítimas. 

No sistema imperialista mundial, onde os tribunais são instituídos para defender o capital, não as massas, o funcionamento da “justiça” tem sido ainda mais previsível que o próprio desastre. 

Segundo o acordo negociado em 1989, a empresa pagou 470 milhões de dólares de compensação ao governo indiano para serem distribuídos às vítimas. Mesmo que isso fosse uma compensação justa nesse momento – e não o era – milhares de pessoas mais morreram desde então e a verdadeira extensão do desastre continuou a vir à superfície. Os sobreviventes dizem que apenas receberam pouco mais de 400 dólares cada um, muito menos do que muitos tiveram que gastar em medicamentos durante as duas últimas décadas. E com isso esses criminosos alegam que compensaram os crimes que cometeram. Basta comparar isso com o caso do atentado de Lockerbie em que o governo britânico exigiu à Líbia que pagasse aos familiares cerca de 4 milhões de dólares por cada vítima. O que é que isso significa? As vidas britânicas são 10.000 vezes mais valorizadas que as das massas pobres e oprimidas da Índia. 

Um advogado poderia alegar que os pagamentos nesses dois casos se basearam nos salários vitalícios esperados dos que morreram ou, no caso de Bhopal, ficaram incapacitados. Isto apenas mostra a absurdidade de um sistema que promete igualdade perante a lei e que nada tem a ver com justiça. Os países imperialistas falam alto sobre os direitos humanos, mas o facto é que os lucros têm precedência sobre o direito das pessoas a viverem seguras em qualquer lugar, sobretudo nos países onde a opressão cria as condições para muita da riqueza da qual estes imperialistas engordam. 

O responsável pela Union Carbide, Warren Anderson, foi preso pelo governo local e acusado de homicídio quando viajou até à Índia depois do desastre de 1984. Mas, devido à pressão do governo dos EUA, foi imediatamente libertado sob fiança. Desde então que não se apresenta no tribunal. A Índia tem um tratado de extradição com os EUA, mas o governo indiano não mostrou nenhum desejo de iniciar os procedimentos de extradição contra ele. Pior, esse governo queria que a acusação de homicídio fosse reduzida a negligência. Isso teria levado o caso à mesma situação que o dos anteriores executivos indianos da Union Carbide que conseguiram reduzir as suas acusações a negligência. 

Mas em Agosto de 2002 um juiz em Bhopal rejeitou o pedido do governo. O juiz Rameshwar Kothe disse: “Sempre considerei isto um crime dentro de um crime, as movimentações para diluir o veredicto de um homem que é responsável pela morte de seis vezes mais pessoas que as que morreram no incidente do World Trade Center.” Vários dias depois desse veredicto, o grupo ecologista Greenpeace disse que os seus membros tinham descoberto que Warren Anderson vive numa zona exclusiva de Hamptons, em Long Island, Nova Iorque. As autoridades dos EUA sempre insistiram que não sabiam do paradeiro de Anderson. Um porta-voz do grupo disse: “Se o Greenpeace pode descobrir a pessoa mais procurada da Índia, acho difícil de acreditar que mais ninguém o possa ter feito.” 

Os habitantes de Bhopal alegam que o governo indiano decidiu não perseguir Andersen de modo a manter as relações EUA-Índia e reassegurar os investidores estrangeiros. Também acreditam que Deli cedeu à pressão da Dow Chemical, a empresa que passou a controlar a Union Carbide em 2001. Acreditam que o governo está desejoso de não espantar os investidores estrangeiros e dizem que é justo que Anderson, bem como o dirigente global da empresa, continuem a ser acusados de homicídio. No seu relatório sobre Bhopal, a Amnistia Internacional culpou o governo indiano por não tentar resolver os problemas de segurança da fábrica e por negociar uma indemnização “sem a participação das vítimas”. 

O governo indiano representa uma classe compradora dominante cujos interesses vitais se baseiam agora na manutenção de laços com o imperialismo norte-americano e as suas empresas multinacionais. Para eles, o capital imperialista é o próprio ar que respiram e as vidas das pessoas valem apenas o que conseguirem obter no mercado imperialista mundial. 

Os crimes do imperialismo contra a população de Bhopal naquela noite de 1984 fazem parte de um padrão continuado. Não só esse desastre, mas décadas de actividade da Union Carbide contaminaram a sua terra e água. As ruínas da fábrica com enormes quantidades de materiais tóxicos continuam a contaminar a água e o ambiente à volta do local da fábrica e a envenenar os habitantes locais. Metais pesados como o zinco, o cobre, o fósforo, o níquel e o mercúrio foram encontrados na água. A contaminação é milhares de vezes superior ao normal, mas dezenas de milhares de pessoas não têm outra alternativa senão bebê-la. Vestígios desses metais encontram-se agora no leite das mães, contaminando assim as futuras gerações. A Dow Chemical, nova proprietária da empresa, recusa a responsabilidade de a limpar. Tal limpeza sairia muito cara e necessitaria de tecnologia não disponível a toda a gente. “Tendo vendido as suas acções há muito tempo e não tendo nenhuma ligação ou autoridade sobre a fábrica, eles não podem ser neste momento considerados responsáveis”, disse o Juiz Distrital dos EUA, John F. Keenan. E acrescentou que a empresa tinha feito o suficiente e que muito tempo tinha passado. A Dow Chemical nega qualquer obrigação continuada pelo estado da fábrica de Bhopal ou para com a saúde das suas vítimas. “A Dow nunca teve nem operou nenhuma fábrica em Bhopal.” E esta é a única resposta. 

A luta do povo: os slogans e o ódio 

Por ocasião do vigésimo aniversário, houve memoriais indignados em Bhopal e noutros lugares, mesmo mais que em anos anteriores. Muitos estudantes e activistas de todo o mundo mantiveram vigílias à meia-noite e manifestações para exigir a justiça para o povo. Em Bhopal, vítimas, familiares e milhares de outras pessoas de todos os cantos da Índia marcharam pela cidade e queimaram efígies da Union Carbide e da Dow Chemical. Os manifestantes gritaram: &quot;Morte à Dow e Morte à Union Carbide&quot; – &quot;Lutaremos e venceremos&quot;. Têm marchado e manifestado em Bhopal todos os anos, a 2 de Dezembro, para lembrar os responsáveis e os seus defensores que não esqueceram o crime e continuarão a lutar. 

&quot;Não surpreende que o nome Union Carbide gere ressentimento e ódio&quot;, observou um jornalista que falava com habitantes locais. Ele poderia ter dito o mesmo em todo o lado sobre as pessoas que sabem o que aconteceu. Mais que apenas um incidente que aconteceu há vinte anos atrás, o desastre de Bhopal e o tratamento dado às vítimas revelam algo sobre a natureza do sistema que governa todo o nosso mundo.
http://www.paginavermelha.org/noticias/bhopal.htm</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>O desastre de Bhopal, ontem e hoje: um sistema de destruição em massa<br />
14 de Fevereiro de 2005. </p>
<p>Vinte anos passaram desde o pior desastre industrial da história, um crime contra a humanidade cometido pelo capitalismo mundial. As principais vítimas foram as massas pobres da cidade indiana de Bhopal. O gás venenoso que escapou de uma fábrica de pesticidas propriedade da multinacional Union Carbide de origem norte-americana, durante a noite de 2 de Dezembro de 1984, matou imediatamente pelo menos 8000 pessoas. O número de mortos cresceu para 22.000 nos doze anos que se seguiram. A zona mais atingida foi o bairro pobre próximo da fábrica. A maioria das vítimas eram pessoas pobres da aldeia que se tinham mudado para a cidade à procura de trabalho. “Muitos – particularmente as crianças e os velhos – morreram nas suas camas quando o gás entrou nas suas casas. Outros, incluindo mulheres que agarravam os seus bebés, fugiram apenas para caírem na rua. Muitos foram encontrados depois, amontoados, doentes e agonizantes nas entradas da cidade. Manadas de bois foram mortas e cadáveres de cabras cobriam as bermas das estradas onde antes vagueavam. As folhas das árvores ficaram amarelas e enrugadas – as colheitas ficaram queimadas nos campos e foram cobertas por uma fina camada branca.” (BBC, 28 de Agosto de 2002) </p>
<p>Esta é a Bhopal de hoje! </p>
<p>Quando o sol se levantou por cima de Bhopal na manhã seguinte, foi anunciado que o ar estava limpo do gás. Mas a cidade manteria as consequências físicas e psicológicas dessas poucas horas horríveis durante as décadas – se não mesmo os séculos – seguintes. Gerações inteiras por nascer estão condenadas a sofrer com isso. Por outras palavras, esse não foi o fim do sofrimento para os habitantes de Bhopal mas apenas o começo. </p>
<p>Os números da morte ainda hoje continuam a subir. Em média, um sobrevivente morre diariamente de causas relacionadas com o gás venenoso. Muita gente ficou cega. “Mais de 100.000 pessoas sofrem de enfermidades crónicas ou debilitantes”, relatou a Amnistia Internacional. Mais de meio milhão de pessoas foram expostas ao gás. </p>
<p>“Nos becos estreitos do bairro pobre perto da fábrica onde ainda vivem milhares de vítimas do gás, fica a casa de Raisa Bi. Ela tem lutado para dar medicamentos ao seu marido doente, que sofre de agudas dores de estômago e de falta de respiração. A vida nunca mais foi a mesma para Raisa e para milhares de outras pessoas no seu bairro desde que o desastre do gás os atingiu. </p>
<p>“Nagma, de 21 anos, ganha a vida para os seus pais inválidos e o seu irmão fazendo sacos de papel. Ela tinha um ano de idade naquela manhã fatal de 1984. ‘Temos pouca esperança’, disse ela.” (BBC, 3 de Dezembro de 2003) </p>
<p>“A aproximar-se do seu 20º aniversário, Deepika pesa apenas 33 quilos e tem pouco mais de 1,3 metros de altura. Os seus períodos, que começaram no ano passado, são irregulares e sofre de tonturas atordoantes. Está impossibilitada de se concentrar e ainda não conseguiu acabar a escola&#8230; a história de Deepika não é atípica em Bhopal.” (Guardian, 29 de Novembro de 2004) </p>
<p>“Gazmian tem 20 anos. Nasceu em pleno desastre, de onde obteve o seu nome. Vive uma vida simples no bairro pobre da colónia de Navab em Bhopal. A sua cara está cheia de acne e o seu corpo dorido quase não se pode mover&#8230; A vida de Gazmian é uma das 500.000 destruídas por esse desastre&#8230; Nunca pôde trabalhar; os seus problemas respiratórios tornam-lhe impossível fazer qualquer trabalho físico.” (Le Monde Diplomatique, Janeiro de 2005) </p>
<p>Não é claro quantas mais gerações sofrerão com esse desastre, mas é claro que “estamos apenas a começar a ver os efeitos do que o gás faz ao corpo humano”, diz Satinath Sarangi, de uma ONG envolvida na distribuição de ajuda médica às vítimas. </p>
<p>E como dizia uma reportagem difundida pela BBC a 2 de Dezembro de 2004: Hoje, em Bhopal, há níveis anormalmente elevados de cancro da pele, cancro pulmonar, cancro gastrointestinal, defeitos genéticos, problemas menstruais sérios e taxas de aborto sete vezes superiores à média nacional, falhas de coordenação, perda de memória, cegueira parcial, paralisia e sistemas imunes debilitados. </p>
<p>Hoje em Bhopal há crianças mais pequenas com cabeças mais reduzidas. As mulheres têm uma menopausa prematura, por volta dos 30-35 anos. O número de casos de cancro e tuberculose é quatro vezes mais elevado entre as pessoas que vivem na área afectada que noutros lugares. Muitos dos bebés vítimas do gás nasceram com deformações. Diariamente, 4000 pessoas fazem fila nos hospitais de ajuda às vítimas do gás com doenças que variam de pulmões afectados a problemas graves do coração, sistemas imunes destruídos e doenças como a tuberculose. Esta é a Bhopal de hoje! </p>
<p>Um acidente ou os lucros a mandar? </p>
<p>A fábrica da Union Carbide em Bhopal produzia isocianato de metilo (MIC), uma combinação intermédia usada na produção do pesticida Sevin dessa empresa. O MIC é um das substâncias mais tóxicas e letais conhecidas da humanidade. A empresa sabia que o MIC era fatal se inalado. </p>
<p>Segundo a reportagem da BBC, a médica da fábrica deu a conhecer as suas preocupações sobre a segurança das 20.000 pessoas que viviam perto da fábrica, depois de um trabalhador ter morrido ao inalar o MIC. Ela queria um plano de acção no caso de uma fuga e que os habitantes locais soubessem o que as substâncias químicas aí produzidas poderiam fazer. Demitiu-se quando a empresa se recusou a ouvi-la. Assim, um acidente estava à espera de acontecer quando, logo após a meia-noite de 2 de Dezembro de 1984, “um grande volume de água foi aparentemente introduzido no tanque de MIC, causando uma reacção química que forçou a válvula de escape químico a abrir, o que permitiu que o gás escapasse.” (Revista New Scientist, Dezembro de 2002) A Union Carbide sempre alegou que o escape fora o resultado de um acto deliberado de sabotagem, mas nunca foi encontrada nenhuma prova disso e as investigações sugerem o contrário. </p>
<p>“A investigação da New Scientist sobre o acidente e estudos subsequentes pela empresa e pelos sindicatos mostraram que uma válvula defeituosa deixou que quase uma tonelada de água, que estava a ser usada para limpar os tubos, entrasse num tanque que continha 40 toneladas de isocianato de metilo (MIC). A reacção resultante produziu uma nuvem de gás tóxico.” Se o MIC for mantido arrefecido não é violento, mas se for misturado com água, ferve perigosamente e acabará por explodir. Esse perigo era bem conhecido. Independentemente de como aconteceu o desastre, deveria ter sido contido por medidas de segurança que são necessárias e exigidas para essas substâncias químicas mortais, desde que as vidas das pessoas não sejam comparadas às pestes a serem eliminadas pelos produtos da empresa. É verdade que foram instalados quatro sistemas de segurança diferentes para impedir a água de entrar no tanque de MIC da fábrica. Mas a investigação da New Scientist argumenta que não foi contida porque “Bhopal tinha um equipamento de emergência muito mais limitado que o da fábrica da Carbide nos EUA.” Nessa noite não funcionou nenhuma das quatro medidas de emergência. </p>
<p>Um sistema de refrigeração – um sistema de arrefecimento que teria prevenido a reacção entre o MIC e a água que entrou no sistema – estava desligado. Pelo menos, teria reduzido a velocidade do processo e os trabalhadores poderiam ter cheirado a fuga e encontrado a sua fonte. </p>
<p>Um segundo sistema de segurança, as “escovas de gás” que poderiam neutralizar o MIC com refrigerante cáustico, não estava em operação. Estava apenas em espera. </p>
<p>Ao contrário da fábrica dos EUA, Bhopal não tinha nenhum tanque crucial de “recolha” para onde poderia ter escoado a massa de substâncias químicas que ferveram para fora do tanque de MIC. Dessa maneira, só teriam escapado os gases que poderiam ter sido queimados no exterior através de torres de labareda ou filtrados no exterior através das “escovas”. </p>
<p>O terceiro dispositivo de segurança que ainda poderia ter impedido o desastre, a torre de labareda, não estava a trabalhar. Estava fechada para reparação na noite do acidente. A fábrica dos EUA tinha uma segunda, de reforço. A única “escova” de Bhopal ficou subjugado pela massa de líquidos e gases a ferver a uma taxa cem vezes superior àquela para que fora projectada. </p>
<p>Os responsáveis da fábrica tinham desligado os alarmes da fábrica para não causar pânico na cidade. </p>
<p>As acções da Union Carbide são um exemplo claro de como os imperialistas valorizam a vida das massas, especialmente nas nações oprimidas. Mesmo quando se trata de medidas de segurança simples e óbvias, eles têm um duplo padrão. A causa principal do desastre não foi nenhuma negligência por parte dos trabalhadores da empresa ou dos responsáveis dos níveis inferiores. Foi o projecto e os procedimentos de operação da própria fábrica, que pode ter seguido instruções da sede da Union Carbide nos EUA, e que de qualquer modo foram aprovados por eles, de acordo com um memorando de 1972 da empresa. A razão básica não foi algo impossível de prever mas todo o funcionamento demasiado previsível de um sistema movido pelo lucro, mesmo que à custa das vidas de dezenas de milhares de pessoas e da miséria de centenas de milhares. Para usar termos mais imediatos, a Union Carbide tinha estado a tentar atingir a rentabilidade à custa de medidas elementares de segurança e colocou toda a cidade em perigo desnecessário. </p>
<p>Os camponeses indianos não estavam a comprar o pesticida Sevin da empresa. Uma seca tinha piorado a situação. Em apenas quatro anos, a fábrica de Bhopal passou de potencial fonte de rendimentos a encargo financeiro. A empresa instituiu um programa de corte de despesas que afectou directa ou indirectamente as medidas de segurança consideradas obrigatórias para a produção dessa mistura perigosa: “Um terço da mão-de-obra foi despedido. A produção de Sevin foi diminuída. Na unidade do MIC os sistemas de segurança foram reduzidos. As verificações de segurança passaram a ser feitas menos frequentemente. O número de supervisores foi reduzido a metade.” (Reportagem da BBC) </p>
<p>Depois de uma série de acções de activistas e de uma subsequente ordem do tribunal, em Novembro de 1999 a empresa divulgou alguns memorandos internos que revelam partes da história não contada. “Segundo um memorando de 1972, se a Carbide emitisse acções suficientes para cobrir os custos estimados de 28 milhões de dólares, a posição da empresa na sua subsidiária indiana desceria abaixo dos 53 por cento. Teria reduzido o seu controlo da empresa. Para o evitar, teria de ‘reduzir o valor do investimento&#8230; para 20,6 milhões de dólares’, sendo os cortes ‘principalmente no projecto do Sevin’. Isso significava usar o que outro memorando admitia serem tecnologias não-provadas, principalmente em sistemas não directamente envolvidos no acidente. Porém, o sistema de produção do Sevin envolvido no acidente tinha tido ‘apenas um teste limitado’, dizia o memorando.” (New Scientist) </p>
<p>Se este desastre pudesse ser chamado de acidente, seria um acidente que poderia ter sido prevenido com precauções muito directas – se os capitalistas pudessem ter dado menos peso ao seu lucro e um pouco mais às vidas de centenas de milhares de seres humanos que viviam perto da fábrica. Mas, apesar da sua cobiça e da sua natureza criminosa, há alguma verdade no seu argumento de não se poderia esperar que os executivos da Union Carbides agissem de outra forma – se o tivessem feito, teriam deixado de existir como capitalistas. Teriam perdido dinheiro e por isso todo o sistema teria de os castigar, desde o capital financeiro que teria enviado imediatamente a empresa para os tribunais em que poderiam ter sido julgados pela forma mais criminosa de negligência: a traição ao seu dever perante os interesses dos seus fiadores e accionistas. </p>
<p>Foram os responsáveis levados à justiça? </p>
<p>Usando o pretexto da sua alegação de “sabotagem”, a Union Carbide nunca assumiu a culpa do desastre. A empresa ainda hoje se recusa a participar no julgamento perante o tribunal indiano que recebeu as acusações criminais movidas contra a empresa e os seus responsáveis. Nos 20 anos que decorreram desde o desastre, nem o governo dos EUA nem o indiano obrigaram a empresa a ir a julgamento. Em vez de um tribunal que decidisse os danos que deveria indemnizar, a Union Carbide pôde negociar um acordo com o governo indiano, que supostamente representava as vítimas. </p>
<p>No sistema imperialista mundial, onde os tribunais são instituídos para defender o capital, não as massas, o funcionamento da “justiça” tem sido ainda mais previsível que o próprio desastre. </p>
<p>Segundo o acordo negociado em 1989, a empresa pagou 470 milhões de dólares de compensação ao governo indiano para serem distribuídos às vítimas. Mesmo que isso fosse uma compensação justa nesse momento – e não o era – milhares de pessoas mais morreram desde então e a verdadeira extensão do desastre continuou a vir à superfície. Os sobreviventes dizem que apenas receberam pouco mais de 400 dólares cada um, muito menos do que muitos tiveram que gastar em medicamentos durante as duas últimas décadas. E com isso esses criminosos alegam que compensaram os crimes que cometeram. Basta comparar isso com o caso do atentado de Lockerbie em que o governo britânico exigiu à Líbia que pagasse aos familiares cerca de 4 milhões de dólares por cada vítima. O que é que isso significa? As vidas britânicas são 10.000 vezes mais valorizadas que as das massas pobres e oprimidas da Índia. </p>
<p>Um advogado poderia alegar que os pagamentos nesses dois casos se basearam nos salários vitalícios esperados dos que morreram ou, no caso de Bhopal, ficaram incapacitados. Isto apenas mostra a absurdidade de um sistema que promete igualdade perante a lei e que nada tem a ver com justiça. Os países imperialistas falam alto sobre os direitos humanos, mas o facto é que os lucros têm precedência sobre o direito das pessoas a viverem seguras em qualquer lugar, sobretudo nos países onde a opressão cria as condições para muita da riqueza da qual estes imperialistas engordam. </p>
<p>O responsável pela Union Carbide, Warren Anderson, foi preso pelo governo local e acusado de homicídio quando viajou até à Índia depois do desastre de 1984. Mas, devido à pressão do governo dos EUA, foi imediatamente libertado sob fiança. Desde então que não se apresenta no tribunal. A Índia tem um tratado de extradição com os EUA, mas o governo indiano não mostrou nenhum desejo de iniciar os procedimentos de extradição contra ele. Pior, esse governo queria que a acusação de homicídio fosse reduzida a negligência. Isso teria levado o caso à mesma situação que o dos anteriores executivos indianos da Union Carbide que conseguiram reduzir as suas acusações a negligência. </p>
<p>Mas em Agosto de 2002 um juiz em Bhopal rejeitou o pedido do governo. O juiz Rameshwar Kothe disse: “Sempre considerei isto um crime dentro de um crime, as movimentações para diluir o veredicto de um homem que é responsável pela morte de seis vezes mais pessoas que as que morreram no incidente do World Trade Center.” Vários dias depois desse veredicto, o grupo ecologista Greenpeace disse que os seus membros tinham descoberto que Warren Anderson vive numa zona exclusiva de Hamptons, em Long Island, Nova Iorque. As autoridades dos EUA sempre insistiram que não sabiam do paradeiro de Anderson. Um porta-voz do grupo disse: “Se o Greenpeace pode descobrir a pessoa mais procurada da Índia, acho difícil de acreditar que mais ninguém o possa ter feito.” </p>
<p>Os habitantes de Bhopal alegam que o governo indiano decidiu não perseguir Andersen de modo a manter as relações EUA-Índia e reassegurar os investidores estrangeiros. Também acreditam que Deli cedeu à pressão da Dow Chemical, a empresa que passou a controlar a Union Carbide em 2001. Acreditam que o governo está desejoso de não espantar os investidores estrangeiros e dizem que é justo que Anderson, bem como o dirigente global da empresa, continuem a ser acusados de homicídio. No seu relatório sobre Bhopal, a Amnistia Internacional culpou o governo indiano por não tentar resolver os problemas de segurança da fábrica e por negociar uma indemnização “sem a participação das vítimas”. </p>
<p>O governo indiano representa uma classe compradora dominante cujos interesses vitais se baseiam agora na manutenção de laços com o imperialismo norte-americano e as suas empresas multinacionais. Para eles, o capital imperialista é o próprio ar que respiram e as vidas das pessoas valem apenas o que conseguirem obter no mercado imperialista mundial. </p>
<p>Os crimes do imperialismo contra a população de Bhopal naquela noite de 1984 fazem parte de um padrão continuado. Não só esse desastre, mas décadas de actividade da Union Carbide contaminaram a sua terra e água. As ruínas da fábrica com enormes quantidades de materiais tóxicos continuam a contaminar a água e o ambiente à volta do local da fábrica e a envenenar os habitantes locais. Metais pesados como o zinco, o cobre, o fósforo, o níquel e o mercúrio foram encontrados na água. A contaminação é milhares de vezes superior ao normal, mas dezenas de milhares de pessoas não têm outra alternativa senão bebê-la. Vestígios desses metais encontram-se agora no leite das mães, contaminando assim as futuras gerações. A Dow Chemical, nova proprietária da empresa, recusa a responsabilidade de a limpar. Tal limpeza sairia muito cara e necessitaria de tecnologia não disponível a toda a gente. “Tendo vendido as suas acções há muito tempo e não tendo nenhuma ligação ou autoridade sobre a fábrica, eles não podem ser neste momento considerados responsáveis”, disse o Juiz Distrital dos EUA, John F. Keenan. E acrescentou que a empresa tinha feito o suficiente e que muito tempo tinha passado. A Dow Chemical nega qualquer obrigação continuada pelo estado da fábrica de Bhopal ou para com a saúde das suas vítimas. “A Dow nunca teve nem operou nenhuma fábrica em Bhopal.” E esta é a única resposta. </p>
<p>A luta do povo: os slogans e o ódio </p>
<p>Por ocasião do vigésimo aniversário, houve memoriais indignados em Bhopal e noutros lugares, mesmo mais que em anos anteriores. Muitos estudantes e activistas de todo o mundo mantiveram vigílias à meia-noite e manifestações para exigir a justiça para o povo. Em Bhopal, vítimas, familiares e milhares de outras pessoas de todos os cantos da Índia marcharam pela cidade e queimaram efígies da Union Carbide e da Dow Chemical. Os manifestantes gritaram: &#8220;Morte à Dow e Morte à Union Carbide&#8221; – &#8220;Lutaremos e venceremos&#8221;. Têm marchado e manifestado em Bhopal todos os anos, a 2 de Dezembro, para lembrar os responsáveis e os seus defensores que não esqueceram o crime e continuarão a lutar. </p>
<p>&#8220;Não surpreende que o nome Union Carbide gere ressentimento e ódio&#8221;, observou um jornalista que falava com habitantes locais. Ele poderia ter dito o mesmo em todo o lado sobre as pessoas que sabem o que aconteceu. Mais que apenas um incidente que aconteceu há vinte anos atrás, o desastre de Bhopal e o tratamento dado às vítimas revelam algo sobre a natureza do sistema que governa todo o nosso mundo.<br />
<a href="http://www.paginavermelha.org/noticias/bhopal.htm" rel="nofollow">http://www.paginavermelha.org/noticias/bhopal.htm</a></p>
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	</item>
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		<title>By: Antônio Pereira</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/10/brasil-vazamento-de-pesticida-mata-80-ton-de-peixes-no-rj/comment-page-2/#comment-3511</link>
		<dc:creator>Antônio Pereira</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 May 2009 16:57:56 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=1491#comment-3511</guid>
		<description>Bhopal ainda é uma ferida aberta
Por Praful Bidwai 

Nova Délhi, 12/09/2007, (IPS) - Vinte e três anos depois do pior desastre industrial da história mundial, o ocorrido em uma fabrica norte-americana de pesticidas na cidade de Bhopal, centro da Índia, ninguém se responsabiliza por limpar milhares de toneladas de tóxicos do solo e da água na região. 

A multinacional Dow Chemical agora se oferece para assumir parte do custo para limpar os arredores da fabrica, de onde vazaram gases de cianureto venenoso em dezembro de 1984, matando de imediato quatro mil pessoas.

Em troca dessa ação, a Dow Chemical pretende se livrar das responsabilidades legais herdadas da firma proprietária da fabrica de pesticidas, a Union Carbide Corporation, que comprou em 2001. Dow Chemical exerce muita pressão, tanto sobre o governo da Índia quanto sobre o governo norte-americanao, para que Nova Délhi tome uma decisão a seu favor. Se tiver êxito em suas reclamações, a companhia pode não ser obrigada a assumir a responsabilidade de limpar o caos que a Union Carbide deixou atrás de si, e que inclui as 90 mil toneladas de químicos venenosos no solo e na água que afetaram cerca de 25 mil pessoas que vivem nas imediações da fabrica.

Um dos argumentos da Dow Chemical junto às autoridades indianas é que pode se converter em um grande atrativo para os investidores estrangeiros se ficar livre de responsabilidades. A empresa fez sua oferta mais recente depois que poderosos funcionários da Comissão de Planejamento da Índia; o ministro das Finanças, P. Chidambaram; e o ministro de Comércio, Kamal Nath, bem como o privado Conselho Empresarial Estados Unidos-Índia se colocaram ao seu lado. A catástrofe ocorreu à meia-noite do dia 2 de dezembro de 1984, quando cerca de 27 toneladas de gás metil isocianato vazou das instalações da fabrica e cobriu a área vizinha. Esse gás era insumo do pesticida Sevin, ali produzido a um custo muito baixo desde 1969.

O vazamento, segundo ativistas, matou pelo menos oito mil pessoas na primeira semana e afetou mais de 200 mil, entre as 15 mil que podem ter perdido a vida prematuramente nos meses seguintes. Outros milhares sofreram deficiências incuráveis e danos nos pulmões e em outros órgãos vitais. A Union Carbide as indenizou para evitar suas responsabilidades civis pela negligencia e pelo defeituoso projeto da fabrica que levaram ao acidente, pagando apenas US$ 470 milhões após um acordo considerado pelas vítimas como produto de uma injusta conspiração em 1989. Mas, mesmo a Dow Chemical ainda não se livrou de sua responsabilidade penal.

Mas tanto a Union Carbide quanto seus diretores se negaram a serem julgados por um tribunal penal de Bhopal. Na verdade, a Dow Chemical deu refúgio a um fugitivo da lei indiana. “A oferta da Dow coloca o governo da Índia diante de uma opção crítica: ou colabora e faz um acordo com uma corporação multinacional ou se coloca ao lados das vítimas”, disse Satinath SArangi, do Grupo de Bhopal para a Informação e a Ação. Foi esta organização que em 1990 descobriu e estabeleceu a magnitude da contaminação do solo e da água subterrânea, a qual, segundo Sarangi, causou defeitos congênitos, cânceres e danos a pulmões, fígados e rins da população da área.

O governo indiano está fortemente dividido neste caso. O Ministério de Produtos Químicos e Fertilizantes ordenou à Dow Chemical limpar o lugar e que depositasse US$ 25 milhões como pagamento inicial pela descontaminação. A sentença a este respeito encontra-se pendente. Mas o Ministério de Leis se opõe a estas ações e considera que a responsabilidade deverá ser determinada após se ler as letras pequenas do contrato pelo qual Union Carbide e Dow Chemical se fundiram em 2001. segundo as organizações das vítimas de Bhopal, a Union Carbide tergiversou os fatos ao alegar não ter responsabilidades pelas conseqüências da perda de gás.

Na realidade, esta companhia, alguns de seus diretores (entre eles seu ex-presidente Warren Anderson) e sua subsidiaria indiana são acusados perante um tribunal penal indiano de causar mortes por negligencia. A Dow afirma que, por ser uma empresa norte-americana, não está sujeita à jurisdição dos tribunais indianos, que ainda não deram uma sentença sobre a responsabilidade da empresa. De todo modo, a justiça só lhe pediu que uma parte dos tóxicos que ficaram na superfície do lugar, cerca de 386 toneladas em um deposito, seja levada para um povoado em Gujarat para serem incineradas.

Entretanto, a Alta Corte de Madhya Pradesh se mantém em silêncio a respeito dos passos a seguir para eliminar as oito mil toneladas de resíduos químicos que jazem debaixo da terra onde funcionava a fabrica e também as centenas de toneladas esparramadas por todo o complexo. As organizações de vítimas alegam que a incineração é um método inseguro e inadequado de eliminar esses dejetos, e que a Índia não tem a tecnologia correta para eliminar sua toxidade. Como alternativa, citam o exemplo da Unilever Corporation, empresa que em 2003 foi condenada pela Alta Corte de Madrás a levar para os Estados Unidos 230 toneladas de resíduos de mercúrio que haviam vazado em Kodaikanal, no Estado de Tamil Nadu, para descontaminá-las.

Há dois anos, associações de vítimas, entre elas Bhopal Gás Peedit Mahila Stationery Karamchari Sangh, Bhopal Gás Peedit Mahila Purush Sangarsh Morhca e o Grupo de Bhopal para a Informação e a Ação, conseguiram que fosse anulado um contrato entre Dow Chemical e a estatal Indianoil Corporation, que envolvia a licença de uma tecnologia registrada da Union Carbide, que é 10% subsidiaria da Dow. Esta, por sua vez, negocia a venda de tecnologias de petroquímicos com a Reliance Industries Ltd. Uma das maiores empresas privadas da Índia, pertencente ao grupo Mukesh Ambani.

“Evidentemente, todo tipo de interesse opera para ajudar a Dow Chemical a fugir à sua responsabilidade e obrigação legal de limpar a área’, disse Nityanandan Jayaraman, da Campanha Internacional para a Justiça em Bhopal. “É verdadeiramente terrível que o governo indiano deixe de pressionar, no momento em que entram no país grandes volumes de investimentos estrangeiros diretos, superiores a US$ 100 bilhões este ano”, acrescentouo. Jayaraman disse que isto deixa claro o “total servilismo de Nova Délhi em relação aos Estados Unidos e a grandes corporações multinacionais, um fenômeno evidente desde 1984”. Para este ativista, “o grande crescimento do produto interno bruto e a reivindicação por parte da Índia de seu caráter de superpotência econômica emergente não a impediram de atuar como um país de Quarto Mundo, que coloca os investimentos corporativos acima da vida e do bem-estar de seus cidadãos”.

Se o governo sucumbe à pressão da Dow Chemical, de poderosos industriais indianos como Ratam Tata (que pressionou em nome da companhia) e de alguns de seus próprios ministros, isso somente agravará os já enormes prejuízos sofridos pelas vítimas, afirmam os ativistas. A maioria das vítimas de Bhopal recebeu menos de US$ 150 por suas enfermidades e por seu prolongado sofrimento. As famílias dos mortos obtiveram apenas US$ 5 mil. Presume-se que funcionários, políticos e intermediários corruptos desviaram boa parte das compensações.
http://www.mwglobal.org/ipsbrasil.net/nota.php?idnews=3223</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Bhopal ainda é uma ferida aberta<br />
Por Praful Bidwai </p>
<p>Nova Délhi, 12/09/2007, (IPS) &#8211; Vinte e três anos depois do pior desastre industrial da história mundial, o ocorrido em uma fabrica norte-americana de pesticidas na cidade de Bhopal, centro da Índia, ninguém se responsabiliza por limpar milhares de toneladas de tóxicos do solo e da água na região. </p>
<p>A multinacional Dow Chemical agora se oferece para assumir parte do custo para limpar os arredores da fabrica, de onde vazaram gases de cianureto venenoso em dezembro de 1984, matando de imediato quatro mil pessoas.</p>
<p>Em troca dessa ação, a Dow Chemical pretende se livrar das responsabilidades legais herdadas da firma proprietária da fabrica de pesticidas, a Union Carbide Corporation, que comprou em 2001. Dow Chemical exerce muita pressão, tanto sobre o governo da Índia quanto sobre o governo norte-americanao, para que Nova Délhi tome uma decisão a seu favor. Se tiver êxito em suas reclamações, a companhia pode não ser obrigada a assumir a responsabilidade de limpar o caos que a Union Carbide deixou atrás de si, e que inclui as 90 mil toneladas de químicos venenosos no solo e na água que afetaram cerca de 25 mil pessoas que vivem nas imediações da fabrica.</p>
<p>Um dos argumentos da Dow Chemical junto às autoridades indianas é que pode se converter em um grande atrativo para os investidores estrangeiros se ficar livre de responsabilidades. A empresa fez sua oferta mais recente depois que poderosos funcionários da Comissão de Planejamento da Índia; o ministro das Finanças, P. Chidambaram; e o ministro de Comércio, Kamal Nath, bem como o privado Conselho Empresarial Estados Unidos-Índia se colocaram ao seu lado. A catástrofe ocorreu à meia-noite do dia 2 de dezembro de 1984, quando cerca de 27 toneladas de gás metil isocianato vazou das instalações da fabrica e cobriu a área vizinha. Esse gás era insumo do pesticida Sevin, ali produzido a um custo muito baixo desde 1969.</p>
<p>O vazamento, segundo ativistas, matou pelo menos oito mil pessoas na primeira semana e afetou mais de 200 mil, entre as 15 mil que podem ter perdido a vida prematuramente nos meses seguintes. Outros milhares sofreram deficiências incuráveis e danos nos pulmões e em outros órgãos vitais. A Union Carbide as indenizou para evitar suas responsabilidades civis pela negligencia e pelo defeituoso projeto da fabrica que levaram ao acidente, pagando apenas US$ 470 milhões após um acordo considerado pelas vítimas como produto de uma injusta conspiração em 1989. Mas, mesmo a Dow Chemical ainda não se livrou de sua responsabilidade penal.</p>
<p>Mas tanto a Union Carbide quanto seus diretores se negaram a serem julgados por um tribunal penal de Bhopal. Na verdade, a Dow Chemical deu refúgio a um fugitivo da lei indiana. “A oferta da Dow coloca o governo da Índia diante de uma opção crítica: ou colabora e faz um acordo com uma corporação multinacional ou se coloca ao lados das vítimas”, disse Satinath SArangi, do Grupo de Bhopal para a Informação e a Ação. Foi esta organização que em 1990 descobriu e estabeleceu a magnitude da contaminação do solo e da água subterrânea, a qual, segundo Sarangi, causou defeitos congênitos, cânceres e danos a pulmões, fígados e rins da população da área.</p>
<p>O governo indiano está fortemente dividido neste caso. O Ministério de Produtos Químicos e Fertilizantes ordenou à Dow Chemical limpar o lugar e que depositasse US$ 25 milhões como pagamento inicial pela descontaminação. A sentença a este respeito encontra-se pendente. Mas o Ministério de Leis se opõe a estas ações e considera que a responsabilidade deverá ser determinada após se ler as letras pequenas do contrato pelo qual Union Carbide e Dow Chemical se fundiram em 2001. segundo as organizações das vítimas de Bhopal, a Union Carbide tergiversou os fatos ao alegar não ter responsabilidades pelas conseqüências da perda de gás.</p>
<p>Na realidade, esta companhia, alguns de seus diretores (entre eles seu ex-presidente Warren Anderson) e sua subsidiaria indiana são acusados perante um tribunal penal indiano de causar mortes por negligencia. A Dow afirma que, por ser uma empresa norte-americana, não está sujeita à jurisdição dos tribunais indianos, que ainda não deram uma sentença sobre a responsabilidade da empresa. De todo modo, a justiça só lhe pediu que uma parte dos tóxicos que ficaram na superfície do lugar, cerca de 386 toneladas em um deposito, seja levada para um povoado em Gujarat para serem incineradas.</p>
<p>Entretanto, a Alta Corte de Madhya Pradesh se mantém em silêncio a respeito dos passos a seguir para eliminar as oito mil toneladas de resíduos químicos que jazem debaixo da terra onde funcionava a fabrica e também as centenas de toneladas esparramadas por todo o complexo. As organizações de vítimas alegam que a incineração é um método inseguro e inadequado de eliminar esses dejetos, e que a Índia não tem a tecnologia correta para eliminar sua toxidade. Como alternativa, citam o exemplo da Unilever Corporation, empresa que em 2003 foi condenada pela Alta Corte de Madrás a levar para os Estados Unidos 230 toneladas de resíduos de mercúrio que haviam vazado em Kodaikanal, no Estado de Tamil Nadu, para descontaminá-las.</p>
<p>Há dois anos, associações de vítimas, entre elas Bhopal Gás Peedit Mahila Stationery Karamchari Sangh, Bhopal Gás Peedit Mahila Purush Sangarsh Morhca e o Grupo de Bhopal para a Informação e a Ação, conseguiram que fosse anulado um contrato entre Dow Chemical e a estatal Indianoil Corporation, que envolvia a licença de uma tecnologia registrada da Union Carbide, que é 10% subsidiaria da Dow. Esta, por sua vez, negocia a venda de tecnologias de petroquímicos com a Reliance Industries Ltd. Uma das maiores empresas privadas da Índia, pertencente ao grupo Mukesh Ambani.</p>
<p>“Evidentemente, todo tipo de interesse opera para ajudar a Dow Chemical a fugir à sua responsabilidade e obrigação legal de limpar a área’, disse Nityanandan Jayaraman, da Campanha Internacional para a Justiça em Bhopal. “É verdadeiramente terrível que o governo indiano deixe de pressionar, no momento em que entram no país grandes volumes de investimentos estrangeiros diretos, superiores a US$ 100 bilhões este ano”, acrescentouo. Jayaraman disse que isto deixa claro o “total servilismo de Nova Délhi em relação aos Estados Unidos e a grandes corporações multinacionais, um fenômeno evidente desde 1984”. Para este ativista, “o grande crescimento do produto interno bruto e a reivindicação por parte da Índia de seu caráter de superpotência econômica emergente não a impediram de atuar como um país de Quarto Mundo, que coloca os investimentos corporativos acima da vida e do bem-estar de seus cidadãos”.</p>
<p>Se o governo sucumbe à pressão da Dow Chemical, de poderosos industriais indianos como Ratam Tata (que pressionou em nome da companhia) e de alguns de seus próprios ministros, isso somente agravará os já enormes prejuízos sofridos pelas vítimas, afirmam os ativistas. A maioria das vítimas de Bhopal recebeu menos de US$ 150 por suas enfermidades e por seu prolongado sofrimento. As famílias dos mortos obtiveram apenas US$ 5 mil. Presume-se que funcionários, políticos e intermediários corruptos desviaram boa parte das compensações.<br />
<a href="http://www.mwglobal.org/ipsbrasil.net/nota.php?idnews=3223" rel="nofollow">http://www.mwglobal.org/ipsbrasil.net/nota.php?idnews=3223</a></p>
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		<title>By: Antônio Pereira</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/10/brasil-vazamento-de-pesticida-mata-80-ton-de-peixes-no-rj/comment-page-2/#comment-3510</link>
		<dc:creator>Antônio Pereira</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 May 2009 16:56:06 +0000</pubDate>
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		<description>Resíduos tóxicos de Bhopal / India

Na madrugada de 3 de Dezembro de 1984, um produto químico tóxico vazou de uma fábrica de pesticida, de propriedade da Union Carbide, na cidade de Bhopal no norte do estado de Madhya Pradesh, India.

Cerca de 3000 pessoas morreram na noite do vazamento. Houve, pelo menos, 15.000 mortes relacionadas ao fato.

Nos últimos 24 anos, 384 toneladas de resíduos foram deixados nas instalações da extinta fábrica - e de maneira nenhuma, não foi ainda encontrado destinação final segura.
O mais recente revés veio quando o governo do estado vizinho Gujarat recuou de um compromisso de incinerar uma grande parte dos resíduos industriais.
Antes disto, o ministério da Defesa da Índia recusou-se a retomar o trabalho e recomendou o Instituto Nacional de Gestão de Desastres do país como instância adequada para a limpeza do local. O instituto recusou.

Apoio
Em maio, a corte superior de Madhya Pradesh ordenou que 40 toneladas de resíduos fossem transportados para o estado do distrito Dhar e despejado nos aterros locais - o restante de 350 toneladas foi para ser incinerado em Gujarat.
O governo de Gurajat autorizou, mas a empresa que foi concedida o contrato para o transporte dos resíduos recusou-se, dizendo que não tinha competências para o trabalho.
Em seguida, a agência de controle de poluição do estado que não assumiu a responsabilidade, disse que os resíduos não poderiam atravessar a fronteira de Gujarat.

Cemitério de produtos mortais
Os resíduos no aterro incluem os subprodutos de Sevin, o pesticida que foi produzido na fábrica, produtos acabados não vendidos e matérias-primas.
Especialistas dizem que a fábrica é praticamente um armazém virtual de produtos químicos mortais, incluindo chumbo, mercúrio e clorado naftaleno. Estes produtos químicos podem causar câncer - que afetam o crescimento das crianças - e pode levar a outros distúrbios no corpo humano.
Quando a fábrica estava funcionando, os resíduos eram despejados nas lagoas de tratamento por evaporação da instalação.

Resíduos – ameaça ambiental
A organização não governamental (ONG), Sathyu Sarangi de Sambhavna Trust, que trabalha com as vítimas do gás, diz que os resíduos representam uma enorme ameaça ambiental.
&quot;É escorrer para a terra com água da chuva contínua. Ainda não há uma clara estimativa da área horizontal e vertical que foi contaminada, poços artesianos de bombas manuais, distante de 5 a 10 km da fábrica foram encontrados substâncias químicas tóxicas &quot;, diz ele.

Níveis alarmantes
Sarangi diz que isso poderia afetar dezenas de milhares de famílias de classe média e pobres, que vivem em assentamentos ao redor da fábrica.
Outro ativista Rachna Dhingra diz que o governo fechou os poços de bombas manuais na área depois de um relatório do Instituto Nacional de Engenharia Ambiental, encontrou &quot;níveis alarmantes de toxicidade&quot;, em amostras da água subterrânea.
Dhingra diz que as pessoas continuam a utilizar a água de torneiras fechadas, na ausência de novas fontes de água encanada.
Em maio de 2004, a Corte Suprema da índia ordenou que os assentamentos ao redor da fábrica recebessem água potável antes do início das monções.
Quatro anos mais tarde, mais de 25.000 pessoas que vivem em 14 colônias ao redor da fábrica continua a beber água, que se suspeita serem tóxicas.

Dow Chemical
É a empresa americana que comprou Union Carbide, em 2001. A Dow diz que não é responsável pela limpeza do local, que está em terra de propriedade do governo estadual Madhya Pradesh.
O governo federal apresentou um requerimento no tribunal local solicitando pagamento pela Dow Chemical de 230 mil dólares como adiantamento para a limpeza da área contaminada.

Falta responsabilidade
A agencia de controle da poluição local diz que realiza testes trimestrais sobre o solo e a água da área ao redor da fábrica, mas não há informações qual ação é tomada.
Embora diferentes agências, empresas e governos negam que sejam responsáveis pelo tratamento dos resíduos, parece não solução à vista para a tragédia ambiental de Bhopal.

Fonte: BBC News - 30 September 2008

Comentário
A tragédia de Bhopal ocorreu na madrugada de 03 de dezembro de 1984, quando 40 toneladas de gases tóxicos fatais (gases como o isocianato de metila e o hidrocianeto) vazaram na fábrica de pesticidas da empresa norte-americana Union Carbide. É o pior desastre industrial ocorrido até hoje e é um exemplo de crime corporativo. A empresa se negou a fornecer informações detalhadas sobre a natureza dos contaminantes, e, como conseqüência, os médicos não tiveram condições de tratar adequadamente as pessoas expostas.

População expostas aos gases e mortes
Mais de 500 mil pessoas, a sua maioria trabalhadores, foram expostas aos gases.
O vazamento de gases inicialmente a morte de 7 mil pessoas.
O governo indiano estima que 15 mil pessoas morreram nestes 20 anos em decorrência da contaminação, mas ativistas falam em quase 33 mil vítimas no total.
Mais de 100 mil pessoas, segundo várias organizações, sofrem na atualidade de doenças crônicas, como cegueira, câncer, tuberculose, problemas respiratórios, depressão, irregularidades menstruais e problemas de articulação. Shyam Agarwal, médico que participa da campanha de ajuda às vítimas de Bhopal, disse que a incidência do câncer de pulmão na região aumentou significativamente e, embora não tenham mencionado números, organizações de defesa apontaram que é quatro vezes superior à habitual.

Vítimas não foram indenizadas
Muitas das vítimas e seus familiares continuam sem receber nenhuma indenização e sem possibilidade de ter acesso a tratamentos médicos adequados.
A empresa Union Carbide aceitou, em 1985, a &quot;responsabilidade moral&quot; do acidente e acordou com o Executivo indiano, sem ir a julgamento, o pagamento de US$ 470 milhões de indenização. Este dinheiro foi depositado no Banco da Reserva da Índia e somente parte dele foi utilizado para indenizar algumas das vítimas. Estas não podem entrar com uma ação contra a multinacional americana, devido ao acordo feito com o governo.
Em outubro de 2004, o Supremo Tribunal da Índia aprovou o pagamento de parte do dinheiro restante, cerca de US$ 350 milhões, a 572 mil vítimas e familiares, uma quantia muito inferior à que exigem.

Limpeza do local
A Union Carbide começou os trabalhos de limpeza do local depois do acidente, gastando cerca de US$ 2 milhões. Em 1998, o governo indiano assumiu as responsabilidades pelas operações de limpeza.

Ambiente permanece contaminado
A fábrica da Union Carbide em Bhopal permanece abandonada desde a explosão tóxica enquanto que resíduos perigosos e materiais contaminados ainda estão espalhados pela área, contaminando solo e águas subterrâneas, dentro e no entorno da antiga fábrica.
A BBC publicou uma pesquisa que indicava que a água em Bhopal tem um nível de contaminação 500 vezes mais alto que o limite estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
http://zonaderisco.blogspot.com/2008/10/resduos-txicos-de-bhopal.html

Vídeo - Mostra a tragédia da população (impressionante!)
http://zonaderisco.blogspot.com/2008/10/resduos-txicos-de-bhopal.html</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Resíduos tóxicos de Bhopal / India</p>
<p>Na madrugada de 3 de Dezembro de 1984, um produto químico tóxico vazou de uma fábrica de pesticida, de propriedade da Union Carbide, na cidade de Bhopal no norte do estado de Madhya Pradesh, India.</p>
<p>Cerca de 3000 pessoas morreram na noite do vazamento. Houve, pelo menos, 15.000 mortes relacionadas ao fato.</p>
<p>Nos últimos 24 anos, 384 toneladas de resíduos foram deixados nas instalações da extinta fábrica &#8211; e de maneira nenhuma, não foi ainda encontrado destinação final segura.<br />
O mais recente revés veio quando o governo do estado vizinho Gujarat recuou de um compromisso de incinerar uma grande parte dos resíduos industriais.<br />
Antes disto, o ministério da Defesa da Índia recusou-se a retomar o trabalho e recomendou o Instituto Nacional de Gestão de Desastres do país como instância adequada para a limpeza do local. O instituto recusou.</p>
<p>Apoio<br />
Em maio, a corte superior de Madhya Pradesh ordenou que 40 toneladas de resíduos fossem transportados para o estado do distrito Dhar e despejado nos aterros locais &#8211; o restante de 350 toneladas foi para ser incinerado em Gujarat.<br />
O governo de Gurajat autorizou, mas a empresa que foi concedida o contrato para o transporte dos resíduos recusou-se, dizendo que não tinha competências para o trabalho.<br />
Em seguida, a agência de controle de poluição do estado que não assumiu a responsabilidade, disse que os resíduos não poderiam atravessar a fronteira de Gujarat.</p>
<p>Cemitério de produtos mortais<br />
Os resíduos no aterro incluem os subprodutos de Sevin, o pesticida que foi produzido na fábrica, produtos acabados não vendidos e matérias-primas.<br />
Especialistas dizem que a fábrica é praticamente um armazém virtual de produtos químicos mortais, incluindo chumbo, mercúrio e clorado naftaleno. Estes produtos químicos podem causar câncer &#8211; que afetam o crescimento das crianças &#8211; e pode levar a outros distúrbios no corpo humano.<br />
Quando a fábrica estava funcionando, os resíduos eram despejados nas lagoas de tratamento por evaporação da instalação.</p>
<p>Resíduos – ameaça ambiental<br />
A organização não governamental (ONG), Sathyu Sarangi de Sambhavna Trust, que trabalha com as vítimas do gás, diz que os resíduos representam uma enorme ameaça ambiental.<br />
&#8220;É escorrer para a terra com água da chuva contínua. Ainda não há uma clara estimativa da área horizontal e vertical que foi contaminada, poços artesianos de bombas manuais, distante de 5 a 10 km da fábrica foram encontrados substâncias químicas tóxicas &#8220;, diz ele.</p>
<p>Níveis alarmantes<br />
Sarangi diz que isso poderia afetar dezenas de milhares de famílias de classe média e pobres, que vivem em assentamentos ao redor da fábrica.<br />
Outro ativista Rachna Dhingra diz que o governo fechou os poços de bombas manuais na área depois de um relatório do Instituto Nacional de Engenharia Ambiental, encontrou &#8220;níveis alarmantes de toxicidade&#8221;, em amostras da água subterrânea.<br />
Dhingra diz que as pessoas continuam a utilizar a água de torneiras fechadas, na ausência de novas fontes de água encanada.<br />
Em maio de 2004, a Corte Suprema da índia ordenou que os assentamentos ao redor da fábrica recebessem água potável antes do início das monções.<br />
Quatro anos mais tarde, mais de 25.000 pessoas que vivem em 14 colônias ao redor da fábrica continua a beber água, que se suspeita serem tóxicas.</p>
<p>Dow Chemical<br />
É a empresa americana que comprou Union Carbide, em 2001. A Dow diz que não é responsável pela limpeza do local, que está em terra de propriedade do governo estadual Madhya Pradesh.<br />
O governo federal apresentou um requerimento no tribunal local solicitando pagamento pela Dow Chemical de 230 mil dólares como adiantamento para a limpeza da área contaminada.</p>
<p>Falta responsabilidade<br />
A agencia de controle da poluição local diz que realiza testes trimestrais sobre o solo e a água da área ao redor da fábrica, mas não há informações qual ação é tomada.<br />
Embora diferentes agências, empresas e governos negam que sejam responsáveis pelo tratamento dos resíduos, parece não solução à vista para a tragédia ambiental de Bhopal.</p>
<p>Fonte: BBC News &#8211; 30 September 2008</p>
<p>Comentário<br />
A tragédia de Bhopal ocorreu na madrugada de 03 de dezembro de 1984, quando 40 toneladas de gases tóxicos fatais (gases como o isocianato de metila e o hidrocianeto) vazaram na fábrica de pesticidas da empresa norte-americana Union Carbide. É o pior desastre industrial ocorrido até hoje e é um exemplo de crime corporativo. A empresa se negou a fornecer informações detalhadas sobre a natureza dos contaminantes, e, como conseqüência, os médicos não tiveram condições de tratar adequadamente as pessoas expostas.</p>
<p>População expostas aos gases e mortes<br />
Mais de 500 mil pessoas, a sua maioria trabalhadores, foram expostas aos gases.<br />
O vazamento de gases inicialmente a morte de 7 mil pessoas.<br />
O governo indiano estima que 15 mil pessoas morreram nestes 20 anos em decorrência da contaminação, mas ativistas falam em quase 33 mil vítimas no total.<br />
Mais de 100 mil pessoas, segundo várias organizações, sofrem na atualidade de doenças crônicas, como cegueira, câncer, tuberculose, problemas respiratórios, depressão, irregularidades menstruais e problemas de articulação. Shyam Agarwal, médico que participa da campanha de ajuda às vítimas de Bhopal, disse que a incidência do câncer de pulmão na região aumentou significativamente e, embora não tenham mencionado números, organizações de defesa apontaram que é quatro vezes superior à habitual.</p>
<p>Vítimas não foram indenizadas<br />
Muitas das vítimas e seus familiares continuam sem receber nenhuma indenização e sem possibilidade de ter acesso a tratamentos médicos adequados.<br />
A empresa Union Carbide aceitou, em 1985, a &#8220;responsabilidade moral&#8221; do acidente e acordou com o Executivo indiano, sem ir a julgamento, o pagamento de US$ 470 milhões de indenização. Este dinheiro foi depositado no Banco da Reserva da Índia e somente parte dele foi utilizado para indenizar algumas das vítimas. Estas não podem entrar com uma ação contra a multinacional americana, devido ao acordo feito com o governo.<br />
Em outubro de 2004, o Supremo Tribunal da Índia aprovou o pagamento de parte do dinheiro restante, cerca de US$ 350 milhões, a 572 mil vítimas e familiares, uma quantia muito inferior à que exigem.</p>
<p>Limpeza do local<br />
A Union Carbide começou os trabalhos de limpeza do local depois do acidente, gastando cerca de US$ 2 milhões. Em 1998, o governo indiano assumiu as responsabilidades pelas operações de limpeza.</p>
<p>Ambiente permanece contaminado<br />
A fábrica da Union Carbide em Bhopal permanece abandonada desde a explosão tóxica enquanto que resíduos perigosos e materiais contaminados ainda estão espalhados pela área, contaminando solo e águas subterrâneas, dentro e no entorno da antiga fábrica.<br />
A BBC publicou uma pesquisa que indicava que a água em Bhopal tem um nível de contaminação 500 vezes mais alto que o limite estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS).<br />
<a href="http://zonaderisco.blogspot.com/2008/10/resduos-txicos-de-bhopal.html" rel="nofollow">http://zonaderisco.blogspot.com/2008/10/resduos-txicos-de-bhopal.html</a></p>
<p>Vídeo &#8211; Mostra a tragédia da população (impressionante!)<br />
<a href="http://zonaderisco.blogspot.com/2008/10/resduos-txicos-de-bhopal.html" rel="nofollow">http://zonaderisco.blogspot.com/2008/10/resduos-txicos-de-bhopal.html</a></p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>By: Antônio Pereira</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/10/brasil-vazamento-de-pesticida-mata-80-ton-de-peixes-no-rj/comment-page-2/#comment-3509</link>
		<dc:creator>Antônio Pereira</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 May 2009 16:53:35 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=1491#comment-3509</guid>
		<description>Milhares lembram 20 anos de tragédia em Bhopal
03 de dezembro de 2004 

Milhares de pessoas lembram hoje, na cidade indiana de Bhopal, o vigésimo aniversário do vazamento de gás tóxico que causou milhares de mortes e exigem justiça para as centenas de milhares de vítimas. O governo indiano estima que 15 mil pessoas morreram nestes 20 anos em decorrência da contaminação, mas ativistas falam em quase 33 mil vítimas no total.
Defensores dos direitos humanos, ecologistas, milhares de sobreviventes e pessoas que apóiam os atingidos participaram hoje, de uma passeata pela cidade de Bhopal, capital do estado de Madhya Pradesh, no centro da Índia, para lembrar a catástrofe. Os manifestantes levavam retratos de muitos dos mortos na tragédia e cantavam consignas pedindo justiça e a limpeza da área, ainda contaminada. Durante a passeata, foram queimadas imagens com os símbolos da empresa americana Union Carbide, proprietária da fábrica de pesticida onde aconteceu o acidente, e da também americana Dow Chemical, que a adquiriu em 2001. 

Centenas de sobreviventes e milhares de outras pessoas participaram na noite de quinta-feira de uma vigília na qual, como a cada ano, foram acendidas velas e as vítimas de Bhopal foram lembradas. 

Vítimas não foram indenizadas
O acidente químico, ocorrido pouco depois da meia-noite do dia 2 de dezembro de 1984, causou inicialmente a morte de 7 mil pessoas. Vinte anos depois da catástrofe, muitas das vítimas e seus familiares continuam sem receber nenhuma indenização e sem possibilidade de ter acesso a tratamentos médicos adequados. 

A empresa Union Carbide aceitou, em 1985, a &quot;responsabilidade moral&quot; do acidente e acordou com o Executivo indiano, sem ir a julgamento, o pagamento de US$ 470 milhões de indenização. Este dinheiro foi depositado no Banco da Reserva da Índia e somente parte dele foi utilizado para indenizar algumas das vítimas. Estas não podem entrar com uma ação contra a multinacional americana, devido ao acordo feito com o governo. 

Em outubro, o Supremo Tribunal da Índia aprovou o pagamento de parte do dinheiro restante, cerca de US$ 350 milhões, a 572 mil vítimas e familiares, uma quantia muito inferior à que exigem. Mais de 100 mil pessoas, segundo várias organizações, sofrem na atualidade de doenças crônicas, como cegueira, câncer, tuberculose, problemas respiratórios, depressão, irregularidades menstruais e problemas de articulação. Shyam Agarwal, médico que participa da campanha de ajuda às vítimas de Bhopal, disse hoje que a incidência do câncer de pulmão na região aumentou significativamente e, embora não tenham mencionado números, organizações de defesa apontaram que é quatro vezes superior à habitual. 

O médico afirmou que a companhia Dow Chemical, atual proprietária da fábrica, que está fechada, esconde informação vital para estabelecer um tratamento médico eficaz para as vítimas, como a composição exata do gás e a quantidade do mesmo. &quot;O gás que vazou era formado por pelo menos 21 tipos de gases, dos quais até o momento só dez puderam ser identificados&quot;, disse Agarwal, que explicou que muitos dos doentes recebem tratamento médico gratuito em um hospital local. 

Ambiente permanece contaminado
Na segunda-feira passada, a organização não-governamental Anistia Internacional (AI) publicou um relatório que denunciava que muitas das vítimas, a maioria vivendo em extrema pobreza, ainda não receberam indenizações e que a área continua contaminada. Várias organizações e moradores da região exigem a limpeza do local e afirmam que dentro da fábrica há uma grande quantidade de produtos químicos acumulados e sem proteção, que atingem o solo e contaminam a água. 

A BBC publicou recentemente uma pesquisa que indicava que a água em Bhopal tem um nível de contaminação 500 vezes mais alto que o limite estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Depois destas denúncias, as autoridades de Madhya Pradesh anunciaram ontem que ordenaram uma pesquisa para determinar a quantidade de lixo tóxico que há na área e prometeu que este será um primeiro passo para uma &quot;limpeza total&quot;. 

A Union Carbide começou os trabalhos de limpeza do local depois do acidente, gastando cerca de US$ 2 milhões. Em 1998, o governo assumiu as responsabilidades pelas operações de limpeza.

http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI433281-EI294,00.html</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Milhares lembram 20 anos de tragédia em Bhopal<br />
03 de dezembro de 2004 </p>
<p>Milhares de pessoas lembram hoje, na cidade indiana de Bhopal, o vigésimo aniversário do vazamento de gás tóxico que causou milhares de mortes e exigem justiça para as centenas de milhares de vítimas. O governo indiano estima que 15 mil pessoas morreram nestes 20 anos em decorrência da contaminação, mas ativistas falam em quase 33 mil vítimas no total.<br />
Defensores dos direitos humanos, ecologistas, milhares de sobreviventes e pessoas que apóiam os atingidos participaram hoje, de uma passeata pela cidade de Bhopal, capital do estado de Madhya Pradesh, no centro da Índia, para lembrar a catástrofe. Os manifestantes levavam retratos de muitos dos mortos na tragédia e cantavam consignas pedindo justiça e a limpeza da área, ainda contaminada. Durante a passeata, foram queimadas imagens com os símbolos da empresa americana Union Carbide, proprietária da fábrica de pesticida onde aconteceu o acidente, e da também americana Dow Chemical, que a adquiriu em 2001. </p>
<p>Centenas de sobreviventes e milhares de outras pessoas participaram na noite de quinta-feira de uma vigília na qual, como a cada ano, foram acendidas velas e as vítimas de Bhopal foram lembradas. </p>
<p>Vítimas não foram indenizadas<br />
O acidente químico, ocorrido pouco depois da meia-noite do dia 2 de dezembro de 1984, causou inicialmente a morte de 7 mil pessoas. Vinte anos depois da catástrofe, muitas das vítimas e seus familiares continuam sem receber nenhuma indenização e sem possibilidade de ter acesso a tratamentos médicos adequados. </p>
<p>A empresa Union Carbide aceitou, em 1985, a &#8220;responsabilidade moral&#8221; do acidente e acordou com o Executivo indiano, sem ir a julgamento, o pagamento de US$ 470 milhões de indenização. Este dinheiro foi depositado no Banco da Reserva da Índia e somente parte dele foi utilizado para indenizar algumas das vítimas. Estas não podem entrar com uma ação contra a multinacional americana, devido ao acordo feito com o governo. </p>
<p>Em outubro, o Supremo Tribunal da Índia aprovou o pagamento de parte do dinheiro restante, cerca de US$ 350 milhões, a 572 mil vítimas e familiares, uma quantia muito inferior à que exigem. Mais de 100 mil pessoas, segundo várias organizações, sofrem na atualidade de doenças crônicas, como cegueira, câncer, tuberculose, problemas respiratórios, depressão, irregularidades menstruais e problemas de articulação. Shyam Agarwal, médico que participa da campanha de ajuda às vítimas de Bhopal, disse hoje que a incidência do câncer de pulmão na região aumentou significativamente e, embora não tenham mencionado números, organizações de defesa apontaram que é quatro vezes superior à habitual. </p>
<p>O médico afirmou que a companhia Dow Chemical, atual proprietária da fábrica, que está fechada, esconde informação vital para estabelecer um tratamento médico eficaz para as vítimas, como a composição exata do gás e a quantidade do mesmo. &#8220;O gás que vazou era formado por pelo menos 21 tipos de gases, dos quais até o momento só dez puderam ser identificados&#8221;, disse Agarwal, que explicou que muitos dos doentes recebem tratamento médico gratuito em um hospital local. </p>
<p>Ambiente permanece contaminado<br />
Na segunda-feira passada, a organização não-governamental Anistia Internacional (AI) publicou um relatório que denunciava que muitas das vítimas, a maioria vivendo em extrema pobreza, ainda não receberam indenizações e que a área continua contaminada. Várias organizações e moradores da região exigem a limpeza do local e afirmam que dentro da fábrica há uma grande quantidade de produtos químicos acumulados e sem proteção, que atingem o solo e contaminam a água. </p>
<p>A BBC publicou recentemente uma pesquisa que indicava que a água em Bhopal tem um nível de contaminação 500 vezes mais alto que o limite estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Depois destas denúncias, as autoridades de Madhya Pradesh anunciaram ontem que ordenaram uma pesquisa para determinar a quantidade de lixo tóxico que há na área e prometeu que este será um primeiro passo para uma &#8220;limpeza total&#8221;. </p>
<p>A Union Carbide começou os trabalhos de limpeza do local depois do acidente, gastando cerca de US$ 2 milhões. Em 1998, o governo assumiu as responsabilidades pelas operações de limpeza.</p>
<p><a href="http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI433281-EI294,00.html" rel="nofollow">http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI433281-EI294,00.html</a></p>
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	<item>
		<title>By: Antônio Pereira</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/10/brasil-vazamento-de-pesticida-mata-80-ton-de-peixes-no-rj/comment-page-2/#comment-3508</link>
		<dc:creator>Antônio Pereira</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 May 2009 16:52:05 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=1491#comment-3508</guid>
		<description>27/07/2005 - 
Nuvem química castiga bairro da zona leste de SP 
FABIO SCHIVARTCHE
da Folha de S.Paulo

Uma nuvem densa encobre diariamente o céu do Jardim Keralux, bairro popular no extremo leste da cidade de São Paulo onde cerca de 8.000 pessoas vivem em meio a um pólo industrial.

Ora cinza, ora esbranquiçada, a fumaça é formada por gases tóxicos de nomes complicados, como o sulfídrico (H2S) e o dióxido de enxofre (SO2), mas que são reconhecidos em segundos pelos moradores pelo cheiro de ovo podre.

O odor, no entanto, é o menor dos problemas. A emissão desses gases pelas fábricas, acima dos padrões seguros à saúde pública, está provocando doenças crônicas, principalmente males respiratórios nas crianças.

Enquanto continua em andamento um inquérito civil para apurar as responsabilidades, técnicos da prefeitura paulistana investigam se a emissão de poluentes na região está relacionada à ocorrência nos bairros vizinhos de casos de gravidez em que o feto sofre de anencefalia (não tem o cérebro) --problema semelhante ao registrado nos anos 80 em Cubatão, no litoral paulista, que já foi a cidade mais poluída do mundo.

Há ainda um problema ambiental: dejetos da maior poluidora, a Bann Química, que produz insumos para a indústria pneumática, estão indo diretamente para um afluente do rio Tietê, junto ao Parque Ecológico do Tietê. Já foram registrados episódios de morte de pássaros na região.

Cortina de fumaça

O posto de saúde da prefeitura no Jardim Keralux recebe em média cinco crianças por dia com problemas respiratórios, como bronquites e alergias. Até funcionários do posto sofrem com resfriados e dores de garganta constantes. &quot;Quando eles liberam a fumaça, dá um nó na garganta&quot;, diz a estudante Carla Rodrigues.

Vizinha, a desempregada Crisdet Rosa dos Santos já se acostumou a levar o primo Rodrigo, de 2 anos, para fazer inalação no posto de saúde. &quot;Tem dia que ele não para de espirrar e o peito fica que é uma chiadeira só&quot;, conta.

Na divisa do Keralux com o Parque Ecológico do Tietê foi instalada recentemente a USP Leste, o novo campus da Universidade de São Paulo. Dependendo da direção do vento, os alunos sentem o cheiro ruim --e ficam expostos às doenças provocadas pelos gases que saem das chaminés, alguns deles cancerígenos.

A Folha passou a tarde de segunda-feira na região e constatou a sensação de permanente desconforto narrada pelos moradores. Mesmo tendo chovido bastante na noite anterior, a poeira incomoda muito, irritando os olhos e a garganta. Na língua, sente-se um gosto ácido.

A Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, que investiga a emissão de gases na atmosfera e a de efluentes no córrego, negocia um acordo com a Bann Química.

Já a Cetesb, órgão ambiental do Estado, diz que já emitiu mais de 20 multas em nome da Bann desde 1989. &quot;Eles cumpriram parte do que estava previsto, eliminando parte dos poluentes. Falta a segunda etapa&quot;, afirma Joaquim Pereira, engenheiro da agência Tatuapé da Cetesb.

Sobre os dejetos despejados no córrego que atinge o Tietê, ele diz que é responsabilidade da Sabesp completar a rede de tratamento de esgoto no local.

O vereador Juscelino Gadelha (PSDB) está organizando um grupo de moradores do Jardim Keralux para tentar remover a fábrica do bairro. &quot;A situação por lá é gravíssima&quot;, afirma.

Outro lado

Advogada contratada pela Bann Química para coordenar o gerenciamento ambiental da fábrica, Márcia Buccolo afirmou à Folha que &quot;ninguém tem culpa&quot; pelos problemas de saúde causados no Jardim Keralux.

&quot;A região era um pólo industrial muito antes da urbanização do bairro. Além disso, há outras fábricas que emitem tantos poluentes quanto a nossa&quot;, afirma.

Segundo ela, desde 1994 a planta de Ermelino Matarazzo passa por investimentos para &quot;mitigar os problemas ambientais&quot;. &quot;Num futuro próximo vamos implantar um projeto de vanguarda para que a chaminé se transforme apenas em equipamento de segurança&quot;, diz.

Ricardo Ferro, da Viscofan, outra empresa citada como grande poluidora do bairro, diz que estão sendo instalados equipamentos novos para reduzir a emissão de poluentes.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u111400.shtml</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>27/07/2005 &#8211;<br />
Nuvem química castiga bairro da zona leste de SP<br />
FABIO SCHIVARTCHE<br />
da Folha de S.Paulo</p>
<p>Uma nuvem densa encobre diariamente o céu do Jardim Keralux, bairro popular no extremo leste da cidade de São Paulo onde cerca de 8.000 pessoas vivem em meio a um pólo industrial.</p>
<p>Ora cinza, ora esbranquiçada, a fumaça é formada por gases tóxicos de nomes complicados, como o sulfídrico (H2S) e o dióxido de enxofre (SO2), mas que são reconhecidos em segundos pelos moradores pelo cheiro de ovo podre.</p>
<p>O odor, no entanto, é o menor dos problemas. A emissão desses gases pelas fábricas, acima dos padrões seguros à saúde pública, está provocando doenças crônicas, principalmente males respiratórios nas crianças.</p>
<p>Enquanto continua em andamento um inquérito civil para apurar as responsabilidades, técnicos da prefeitura paulistana investigam se a emissão de poluentes na região está relacionada à ocorrência nos bairros vizinhos de casos de gravidez em que o feto sofre de anencefalia (não tem o cérebro) &#8211;problema semelhante ao registrado nos anos 80 em Cubatão, no litoral paulista, que já foi a cidade mais poluída do mundo.</p>
<p>Há ainda um problema ambiental: dejetos da maior poluidora, a Bann Química, que produz insumos para a indústria pneumática, estão indo diretamente para um afluente do rio Tietê, junto ao Parque Ecológico do Tietê. Já foram registrados episódios de morte de pássaros na região.</p>
<p>Cortina de fumaça</p>
<p>O posto de saúde da prefeitura no Jardim Keralux recebe em média cinco crianças por dia com problemas respiratórios, como bronquites e alergias. Até funcionários do posto sofrem com resfriados e dores de garganta constantes. &#8220;Quando eles liberam a fumaça, dá um nó na garganta&#8221;, diz a estudante Carla Rodrigues.</p>
<p>Vizinha, a desempregada Crisdet Rosa dos Santos já se acostumou a levar o primo Rodrigo, de 2 anos, para fazer inalação no posto de saúde. &#8220;Tem dia que ele não para de espirrar e o peito fica que é uma chiadeira só&#8221;, conta.</p>
<p>Na divisa do Keralux com o Parque Ecológico do Tietê foi instalada recentemente a USP Leste, o novo campus da Universidade de São Paulo. Dependendo da direção do vento, os alunos sentem o cheiro ruim &#8211;e ficam expostos às doenças provocadas pelos gases que saem das chaminés, alguns deles cancerígenos.</p>
<p>A Folha passou a tarde de segunda-feira na região e constatou a sensação de permanente desconforto narrada pelos moradores. Mesmo tendo chovido bastante na noite anterior, a poeira incomoda muito, irritando os olhos e a garganta. Na língua, sente-se um gosto ácido.</p>
<p>A Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, que investiga a emissão de gases na atmosfera e a de efluentes no córrego, negocia um acordo com a Bann Química.</p>
<p>Já a Cetesb, órgão ambiental do Estado, diz que já emitiu mais de 20 multas em nome da Bann desde 1989. &#8220;Eles cumpriram parte do que estava previsto, eliminando parte dos poluentes. Falta a segunda etapa&#8221;, afirma Joaquim Pereira, engenheiro da agência Tatuapé da Cetesb.</p>
<p>Sobre os dejetos despejados no córrego que atinge o Tietê, ele diz que é responsabilidade da Sabesp completar a rede de tratamento de esgoto no local.</p>
<p>O vereador Juscelino Gadelha (PSDB) está organizando um grupo de moradores do Jardim Keralux para tentar remover a fábrica do bairro. &#8220;A situação por lá é gravíssima&#8221;, afirma.</p>
<p>Outro lado</p>
<p>Advogada contratada pela Bann Química para coordenar o gerenciamento ambiental da fábrica, Márcia Buccolo afirmou à Folha que &#8220;ninguém tem culpa&#8221; pelos problemas de saúde causados no Jardim Keralux.</p>
<p>&#8220;A região era um pólo industrial muito antes da urbanização do bairro. Além disso, há outras fábricas que emitem tantos poluentes quanto a nossa&#8221;, afirma.</p>
<p>Segundo ela, desde 1994 a planta de Ermelino Matarazzo passa por investimentos para &#8220;mitigar os problemas ambientais&#8221;. &#8220;Num futuro próximo vamos implantar um projeto de vanguarda para que a chaminé se transforme apenas em equipamento de segurança&#8221;, diz.</p>
<p>Ricardo Ferro, da Viscofan, outra empresa citada como grande poluidora do bairro, diz que estão sendo instalados equipamentos novos para reduzir a emissão de poluentes.</p>
<p><a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u111400.shtml" rel="nofollow">http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u111400.shtml</a></p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>By: Antônio Pereira</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/10/brasil-vazamento-de-pesticida-mata-80-ton-de-peixes-no-rj/comment-page-2/#comment-3507</link>
		<dc:creator>Antônio Pereira</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 May 2009 16:47:22 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=1491#comment-3507</guid>
		<description>Madrugada do dia 18 de novembro de 2008

&quot;MEIO AMBIENTE: Empresas clientes da Servatis não tem onde incinerar seus resíduos tóxicos.&quot;

Poucas semanas foram tão ruins para a Servatis, quanto a última. A empresa do setor agro-químico, responsável pelo vazamento de cerca de oito mil litros de endosulfan nas águas do Rio Pirapetinga, afluente do Rio Paraíba do Sul, foi interditada pela Feema, acabou multada em R$ 33 milhões pela Comissão Estadual de Controle Ambiental e está sendo investigada pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente. Tem mais. Pode ser obrigada a fechar as portas e demitir todos os seus 650 funcionários, caso não consiga reverter a multa milionária que lhe foi aplicada em medidas de compensação ambiental.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Madrugada do dia 18 de novembro de 2008</p>
<p>&#8220;MEIO AMBIENTE: Empresas clientes da Servatis não tem onde incinerar seus resíduos tóxicos.&#8221;</p>
<p>Poucas semanas foram tão ruins para a Servatis, quanto a última. A empresa do setor agro-químico, responsável pelo vazamento de cerca de oito mil litros de endosulfan nas águas do Rio Pirapetinga, afluente do Rio Paraíba do Sul, foi interditada pela Feema, acabou multada em R$ 33 milhões pela Comissão Estadual de Controle Ambiental e está sendo investigada pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente. Tem mais. Pode ser obrigada a fechar as portas e demitir todos os seus 650 funcionários, caso não consiga reverter a multa milionária que lhe foi aplicada em medidas de compensação ambiental.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>By: Antônio Pereira</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/10/brasil-vazamento-de-pesticida-mata-80-ton-de-peixes-no-rj/comment-page-1/#comment-3506</link>
		<dc:creator>Antônio Pereira</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 May 2009 16:41:04 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=1491#comment-3506</guid>
		<description>Pior, impossível

MEIO AMBIENTE: Empresas clientes da Servatis não tem onde incinerar seus resíduos tóxicos.

Poucas semanas foram tão ruins para a Servatis, quanto a última. A empresa do setor agro-químico, responsável pelo vazamento de cerca de oito mil litros de endosulfan nas águas do Rio Pirapetinga, afluente do Rio Paraíba do Sul, foi interditada pela Feema, acabou multada em R$ 33 milhões pela Comissão Estadual de Controle Ambiental e está sendo investigada pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente. Tem mais. Pode ser obrigada a fechar as portas e demitir todos os seus 650 funcionários, caso não consiga reverter a multa milionária que lhe foi aplicada em medidas de compensação ambiental. 

A interdição temporária da empresa, localizada em Resende, pode desencadear também um outro problema. Tão sério quanto o ocorrido. “De dimensões incalculáveis”, frisa uma fonte do aQui, com especialização em biologia. Trata-se do destino que será dado ao lixo tóxico produzido pelos clientes da Servatis, especialmente os que estão localizados no Sul Fluminense. Sem poder usar o incinerador da Servatis, cuja fábrica está lacrada, estas empresas estariam despejando os resíduos diretamente nas águas do Rio Paraíba. Ou, pior: enterrando tudo quanto é porcaria tóxica no solo, em flagrante desrespeito à Legislação Ambiental. 

Em entrevista exclusiva ao aQui, o diretor financeiro da Servatis, Hideraldo Zerbone, admitiu que os clientes da sua empresa terão realmente problemas para eliminar seus resíduos tóxicos. “A Servatis possui o maior incinerador da América Latina”, afirma Zerbone. “Por incapacidade de incineração de forma geral no país, muitos clientes terão problemas complexos para destruição dos resíduos com segurança e dentro da legislação brasileira”, dispara, sem citar os nomes das empresas. Para o diretor, essa situação pode ‘impactar negativamente’ as atividades industriais dos clientes da Servatis. 

Enquanto esta questão não chega, oficialmente, aos ouvidos das autoridades ambientais, tipo Feema, o órgão estadual continua monitorando as águas do Rio Paraíba. Na semana passada, pescadores de Campos dos Goytacazes, no norte Fluminense, reclamaram dos prejuízos causados pela suspensão da pesca por parte da Vigilância Sanitária local, que estaria preocupada com o consumo de peixes contaminados.

O cenário, visto pelos moradores do Sul Fluminense, com várias espécimes de peixes e animais ribeirinhos mortos pelo endosulfan foi observado, também, em São João da Barra, município a 500 quilômetros de distância de Resende, cidade onde está localizada a Servatis. 

Desde que foi notificado oficialmente do vazamento do endosulfan no Paraíba, o Estado não divulgou a quantidade, em toneladas, de peixes mortos e recolhidos. Sabe-se que as conseqüências foram drásticas para a biodiversidade do rio por conta do fenômeno da Piracema, quando os peixes sobem o leito do rio para a desova. A estimativa da Feema é que pelo menos 80 espécies tenham sido afetadas, comprometendo a reprodução de peixes por pelo menos três anos. E o que é pior, a recuperação total do Paraíba pode levar até dez anos, caso não sejam realizadas ações que acelerem este processo. 

Segundo o biólogo Paulo Fontanezzi, o reflorestamento nas margens do Paraíba e a reposição das espécies de peixes afetadas são medidas que ajudam a recuperar o rio. “A água se auto depura, mas é preciso repor o que foi perdido com o vazamento do endosulfan”, ressalta. O perigo, segundo ele, pode estar bem no fundo do rio. “O endosulfan é mais pesado do que a água. Não se sabe se ele se fixou no fundo do rio”, alerta, acrescentando que esta suspeita tem levado a Feema a fazer constante monitoramento do Paraíba. 

O biólogo explica que somente no ano que vem será possível saber se há, ou não, resquícios do endosulfan no fundo do Paraíba. Se tiver, acredita, mais peixes poderão morrer. “Entre os meses de abril e agosto teremos o período da estiagem, quando o volume de água do Paraíba é baixo. Com as chuvas, o rio enche e as águas naturalmente se movimentam. O que está embaixo, sobe. Se este material estiver no fundo do rio, ele pode voltar. E este risco é real justamente porque a água não consegue diluir o endosulfan”, afirma Fontanezzi. 

INVESTIGAÇÃO
Durante toda a semana passada, diretores, engenheiros e técnicos da Servatis prestaram depoimento na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente, no Rio de Janeiro. Segundo o delegado Fernando César Reis, o funcionário – cujo nome não foi revelado – que operava o equipamento no momento do acidente e o diretor comercial, Uataul Teixeira foram indiciados e vão responder criminalmente pelo vazamento do endosulfan. A empresa será investigada, também, pelo acidente ocorrido há quatro meses, quando gases tóxicos vazaram para a atmosfera, formando uma nuvem escura no céu de Resende. 
Na época, a secretaria de Meio Ambiente de Resende notificou a Servatis e aplicou uma multa de R$ 307 mil, que segundo a própria empresa, foi paga corretamente. “A Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente não foi informada pela prefeitura de Resende deste vazamento de gás provocado pela Servatis. Deveria”, reclamou o delegado Fernando Reis, acrescentando que pediu cópia do processo administrativo e pretende anexá-la ao inquérito que investiga o vazamento de endosulfan no Paraíba. “Queremos dar conta ao Ministério Público da reincidência da Servatis”, avisa. 

Servatis 
Na segunda, 24, a Servatis concedeu licença remunerada a 475 dos 650 funcionários, diretos e terceirizados, por tempo indeterminado. Se eles vão voltar ao trabalho, ninguém garante. Nem mesmo a Servatis, que considerou a multa aplicada – R$ 33 milhões – incompatível com a capacidade econômica da empresa. Confira abaixo a entrevista concedida, com exclusividade ao aQui, pelo diretor financeiro da Servatis, Hideraldo Zerbone. 

aQui - A Servatis já foi notificada oficialmente da multa aplicada pela CECA? A empresa vai recorrer? 
Hideraldo Zerbone - Não, só ficamos sabendo através da imprensa. Após recebê-la a empresa recorrerá, sendo que já contratamos uma assessoria jurídica ambiental.

aQui - A Servatis pretende reverter o valor da multa aplicada em medidas de compensação ambiental? Que medidas seriam estas?
Zerbone - A reversão da multa em medidas de compensação ambiental conforme nossa opinião seria o mais vantajoso para a sociedade, o meio ambiente e a própria empresa. Entre as medidas, podemos citar a reposição dos alevinos, a reconstituição parcial da mata ciliar e a reedição do Projeto “Chico Ruço” que visa o levantamento integral da situação ambiental do Rio Paraíba do Sul, sob a coordenação da OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) Associação Ecológica Piratingaúna. 

aQui - As informações que circulam é que se a multa fosse superior a R$ 10 milhões, o funcionamento da empresa seria inviabilizado, correndo o risco da Servatis fechar suas portas. Isto procede? 
Zerbone - Uma multa não correspondente à capacidade econômica e financeira da empresa colocaria os objetivos sociais e econômicos em alto risco. 

aQui - O que será feito já que a multa ultrapassou em até três vezes mais este valor?
Zerbone - Vide resposta acima.

aQui - Como a Servatis vai ficar temporariamente parada, as câmaras que armazenam produtos tóxicos vão ficar desligadas? Isto oferece algum risco para a população? Quais?
Zerbone - A Servatis agiu de forma responsável colocando todas as suas instalações em situação de segurança. Porém, uma paralisação prolongada pode oferecer riscos para a população e ao meio ambiente (opinião claramente manifestada pelos auditores externos independentes). 

aQui - Como foi a vistoria realizada pela secretária do Ambiente, Marilene Ramos, no interior da Servatis? Ela vistoriou toda a fábrica?
Zerbone - A Secretária junto com a FEEMA e o DPA vistoriaram a fábrica e estão aguardando o laudo da auditoria na sua íntegra.

aQui - Há quatro meses a Servatis foi multada em R$ 307 mil devido a um acidente com gases tóxicos na atmosfera. Esse passivo foi revertido em medidas de compensação ambiental? O que foi feito?
Zerbone - Trata-se de uma nuvem de produtos de decomposição com forte odores que gerou desconforto para a população, porém não tóxicos nesta concentração e não um vazamento de gás.Quanto à multa, a empresa decidiu não recorrer por estar enquadrada em medidas de compensação ambiental e social em benefício da sociedade..

aQui - A auditoria realizada no interior da Servatis no início desta semana apontou responsáveis. Quem? 
Zerbone - A empresa ainda não recebeu o laudo oficial da auditoria.
http://www.jornalaqui.com.br/arquivo/2008/611/paginas/regiao.htm</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Pior, impossível</p>
<p>MEIO AMBIENTE: Empresas clientes da Servatis não tem onde incinerar seus resíduos tóxicos.</p>
<p>Poucas semanas foram tão ruins para a Servatis, quanto a última. A empresa do setor agro-químico, responsável pelo vazamento de cerca de oito mil litros de endosulfan nas águas do Rio Pirapetinga, afluente do Rio Paraíba do Sul, foi interditada pela Feema, acabou multada em R$ 33 milhões pela Comissão Estadual de Controle Ambiental e está sendo investigada pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente. Tem mais. Pode ser obrigada a fechar as portas e demitir todos os seus 650 funcionários, caso não consiga reverter a multa milionária que lhe foi aplicada em medidas de compensação ambiental. </p>
<p>A interdição temporária da empresa, localizada em Resende, pode desencadear também um outro problema. Tão sério quanto o ocorrido. “De dimensões incalculáveis”, frisa uma fonte do aQui, com especialização em biologia. Trata-se do destino que será dado ao lixo tóxico produzido pelos clientes da Servatis, especialmente os que estão localizados no Sul Fluminense. Sem poder usar o incinerador da Servatis, cuja fábrica está lacrada, estas empresas estariam despejando os resíduos diretamente nas águas do Rio Paraíba. Ou, pior: enterrando tudo quanto é porcaria tóxica no solo, em flagrante desrespeito à Legislação Ambiental. </p>
<p>Em entrevista exclusiva ao aQui, o diretor financeiro da Servatis, Hideraldo Zerbone, admitiu que os clientes da sua empresa terão realmente problemas para eliminar seus resíduos tóxicos. “A Servatis possui o maior incinerador da América Latina”, afirma Zerbone. “Por incapacidade de incineração de forma geral no país, muitos clientes terão problemas complexos para destruição dos resíduos com segurança e dentro da legislação brasileira”, dispara, sem citar os nomes das empresas. Para o diretor, essa situação pode ‘impactar negativamente’ as atividades industriais dos clientes da Servatis. </p>
<p>Enquanto esta questão não chega, oficialmente, aos ouvidos das autoridades ambientais, tipo Feema, o órgão estadual continua monitorando as águas do Rio Paraíba. Na semana passada, pescadores de Campos dos Goytacazes, no norte Fluminense, reclamaram dos prejuízos causados pela suspensão da pesca por parte da Vigilância Sanitária local, que estaria preocupada com o consumo de peixes contaminados.</p>
<p>O cenário, visto pelos moradores do Sul Fluminense, com várias espécimes de peixes e animais ribeirinhos mortos pelo endosulfan foi observado, também, em São João da Barra, município a 500 quilômetros de distância de Resende, cidade onde está localizada a Servatis. </p>
<p>Desde que foi notificado oficialmente do vazamento do endosulfan no Paraíba, o Estado não divulgou a quantidade, em toneladas, de peixes mortos e recolhidos. Sabe-se que as conseqüências foram drásticas para a biodiversidade do rio por conta do fenômeno da Piracema, quando os peixes sobem o leito do rio para a desova. A estimativa da Feema é que pelo menos 80 espécies tenham sido afetadas, comprometendo a reprodução de peixes por pelo menos três anos. E o que é pior, a recuperação total do Paraíba pode levar até dez anos, caso não sejam realizadas ações que acelerem este processo. </p>
<p>Segundo o biólogo Paulo Fontanezzi, o reflorestamento nas margens do Paraíba e a reposição das espécies de peixes afetadas são medidas que ajudam a recuperar o rio. “A água se auto depura, mas é preciso repor o que foi perdido com o vazamento do endosulfan”, ressalta. O perigo, segundo ele, pode estar bem no fundo do rio. “O endosulfan é mais pesado do que a água. Não se sabe se ele se fixou no fundo do rio”, alerta, acrescentando que esta suspeita tem levado a Feema a fazer constante monitoramento do Paraíba. </p>
<p>O biólogo explica que somente no ano que vem será possível saber se há, ou não, resquícios do endosulfan no fundo do Paraíba. Se tiver, acredita, mais peixes poderão morrer. “Entre os meses de abril e agosto teremos o período da estiagem, quando o volume de água do Paraíba é baixo. Com as chuvas, o rio enche e as águas naturalmente se movimentam. O que está embaixo, sobe. Se este material estiver no fundo do rio, ele pode voltar. E este risco é real justamente porque a água não consegue diluir o endosulfan”, afirma Fontanezzi. </p>
<p>INVESTIGAÇÃO<br />
Durante toda a semana passada, diretores, engenheiros e técnicos da Servatis prestaram depoimento na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente, no Rio de Janeiro. Segundo o delegado Fernando César Reis, o funcionário – cujo nome não foi revelado – que operava o equipamento no momento do acidente e o diretor comercial, Uataul Teixeira foram indiciados e vão responder criminalmente pelo vazamento do endosulfan. A empresa será investigada, também, pelo acidente ocorrido há quatro meses, quando gases tóxicos vazaram para a atmosfera, formando uma nuvem escura no céu de Resende.<br />
Na época, a secretaria de Meio Ambiente de Resende notificou a Servatis e aplicou uma multa de R$ 307 mil, que segundo a própria empresa, foi paga corretamente. “A Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente não foi informada pela prefeitura de Resende deste vazamento de gás provocado pela Servatis. Deveria”, reclamou o delegado Fernando Reis, acrescentando que pediu cópia do processo administrativo e pretende anexá-la ao inquérito que investiga o vazamento de endosulfan no Paraíba. “Queremos dar conta ao Ministério Público da reincidência da Servatis”, avisa. </p>
<p>Servatis<br />
Na segunda, 24, a Servatis concedeu licença remunerada a 475 dos 650 funcionários, diretos e terceirizados, por tempo indeterminado. Se eles vão voltar ao trabalho, ninguém garante. Nem mesmo a Servatis, que considerou a multa aplicada – R$ 33 milhões – incompatível com a capacidade econômica da empresa. Confira abaixo a entrevista concedida, com exclusividade ao aQui, pelo diretor financeiro da Servatis, Hideraldo Zerbone. </p>
<p>aQui &#8211; A Servatis já foi notificada oficialmente da multa aplicada pela CECA? A empresa vai recorrer?<br />
Hideraldo Zerbone &#8211; Não, só ficamos sabendo através da imprensa. Após recebê-la a empresa recorrerá, sendo que já contratamos uma assessoria jurídica ambiental.</p>
<p>aQui &#8211; A Servatis pretende reverter o valor da multa aplicada em medidas de compensação ambiental? Que medidas seriam estas?<br />
Zerbone &#8211; A reversão da multa em medidas de compensação ambiental conforme nossa opinião seria o mais vantajoso para a sociedade, o meio ambiente e a própria empresa. Entre as medidas, podemos citar a reposição dos alevinos, a reconstituição parcial da mata ciliar e a reedição do Projeto “Chico Ruço” que visa o levantamento integral da situação ambiental do Rio Paraíba do Sul, sob a coordenação da OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) Associação Ecológica Piratingaúna. </p>
<p>aQui &#8211; As informações que circulam é que se a multa fosse superior a R$ 10 milhões, o funcionamento da empresa seria inviabilizado, correndo o risco da Servatis fechar suas portas. Isto procede?<br />
Zerbone &#8211; Uma multa não correspondente à capacidade econômica e financeira da empresa colocaria os objetivos sociais e econômicos em alto risco. </p>
<p>aQui &#8211; O que será feito já que a multa ultrapassou em até três vezes mais este valor?<br />
Zerbone &#8211; Vide resposta acima.</p>
<p>aQui &#8211; Como a Servatis vai ficar temporariamente parada, as câmaras que armazenam produtos tóxicos vão ficar desligadas? Isto oferece algum risco para a população? Quais?<br />
Zerbone &#8211; A Servatis agiu de forma responsável colocando todas as suas instalações em situação de segurança. Porém, uma paralisação prolongada pode oferecer riscos para a população e ao meio ambiente (opinião claramente manifestada pelos auditores externos independentes). </p>
<p>aQui &#8211; Como foi a vistoria realizada pela secretária do Ambiente, Marilene Ramos, no interior da Servatis? Ela vistoriou toda a fábrica?<br />
Zerbone &#8211; A Secretária junto com a FEEMA e o DPA vistoriaram a fábrica e estão aguardando o laudo da auditoria na sua íntegra.</p>
<p>aQui &#8211; Há quatro meses a Servatis foi multada em R$ 307 mil devido a um acidente com gases tóxicos na atmosfera. Esse passivo foi revertido em medidas de compensação ambiental? O que foi feito?<br />
Zerbone &#8211; Trata-se de uma nuvem de produtos de decomposição com forte odores que gerou desconforto para a população, porém não tóxicos nesta concentração e não um vazamento de gás.Quanto à multa, a empresa decidiu não recorrer por estar enquadrada em medidas de compensação ambiental e social em benefício da sociedade..</p>
<p>aQui &#8211; A auditoria realizada no interior da Servatis no início desta semana apontou responsáveis. Quem?<br />
Zerbone &#8211; A empresa ainda não recebeu o laudo oficial da auditoria.<br />
<a href="http://www.jornalaqui.com.br/arquivo/2008/611/paginas/regiao.htm" rel="nofollow">http://www.jornalaqui.com.br/arquivo/2008/611/paginas/regiao.htm</a></p>
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		<title>By: Antônio Pereira</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/10/brasil-vazamento-de-pesticida-mata-80-ton-de-peixes-no-rj/comment-page-1/#comment-3505</link>
		<dc:creator>Antônio Pereira</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 May 2009 16:37:49 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=1491#comment-3505</guid>
		<description>CRÔNICA DE UMA CATÁSTROFE AMBIENTAL 
	
&quot;A história do derramamento no Rio Paraíba do Sul que matou toneladas de peixes e pode ter contaminado milhões de pessoas.&quot;
http://www.revistaforum.com.br/casoservatis/site/

(Vide: Galeria de Fotos; O efeito devastador da nuvem de veneno. Fotografias cedidas pela Associação dos Canoeiros Defensores da Natureza de Barra Mansa - RJ.)
http://www.revistaforum.com.br/casoservatis/site/index.php/galeria/

Envenenados 

Na madrugada do dia 18 de novembro de 2008, um líquido leitoso escorreu silenciosamente para as águas barrentas do rio Pirapetinga. Veneno! Os peixes que entravam em contato com aquilo tinham o sistema nervoso atacado. Convulsões. Hemorragia interna. Morte. O vazamento seguiu por horas, sem que ninguém percebesse. Tempo suficiente para que o produto químico saísse do afluente e chegasse ao principal rio que abastece o estado do Rio de Janeiro: o Paraíba do Sul. Ninguém sabia ainda, mas as próximas horas trariam pânico aos municípios próximos.

Os relatos são muitos, e por isso não se sabe ao certo quem primeiro avistou a nuvem de peixes mortos que chegava em Barra Mansa (RJ), a primeira cidade afetada. A notícia era de que havia algo de muito errado com as águas do rio que percorre 37 municípios no Rio de Janeiro e abastece 12 milhões de pessoas, segundo a Fiperj (Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro). “Nós não fomos comunicados por Resende [cidade onde ocorreu o vazamento]. Um agente ambiental nosso viu e então as providências foram tomadas. Ficou todo mundo apavorado, porque ninguém sabia de onde era o problema”, conta Marco Chiesse, secretário do Meio Ambiente de Barra Mansa

O município avisou a capital, que tomou uma decisão drástica, sem saber ao certo o que estava acontecendo, como explica a secretária de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Marilene Ramos: “Mandamos fechar o abastecimento na quarta-feira [o acidente ocorreu na terça de madrugada]. Tomamos essa decisão no escuro, porque nossa equipe só chegou no local na quarta de tarde. Achamos estranho, mandamos fechar. Isso significa comprometer o abastecimento de milhões de pessoas. Mas foi para prevenir riscos”.

A nuvem tóxica andou 500 quilômetros do rio, até o mar. “Percorreu toda a extensão do rio, e por onde o veneno passava foi aniquilando o manancial de peixes”, relata o delegado Fernando Reis, responsável pela investigação criminal do caso, da Delegacia de Meio Ambiente. Várias cidades recolheram peixes mortos, tentando aliviar o cheiro que infestava as casas ribeirinhas, procurando evitar doenças. Muitos foram incinerados, outros levados para o lixão de Carmo, município da região. Caso fossem enterrados próximos, poderiam contaminar o solo e os lençóis freáticos. Sérgio Coelho, presidente da Associação dos Canoeiros Defensores da Natureza de Barra Mansa, conta que só ele tirou uns 3 mil quilos de peixe, num barco pequeno, desses com um motor simples atrás. “Ensacamos e levamos para o forno da CSN. Estava um mal-cheiro do cacete. O rio e aquilo branco, tomado de peixe. Doía. Dói. A gente depende dos peixes”.

A contagem final do estrago ainda não está pronta, porque cada município retirou toneladas do leito. Só a Federação de Pescadores do Estado do Rio de Janeiro cedeu quatro caminhões, com capacidade para 25 toneladas cada, que saíram cheios. Outras 50 toneladas ficaram presas nas grades de contenção da Usina Hidrelétrica Ilha dos Pombos, próximo ao município de Carmo. Até no mar é provável que houve estragos. &quot;Tivemos 40 quilômetros de praia onde tiramos peixes mortos. Vimos também tartarugas e capivaras. Não podemos afirmar que foi relacionado, mas foi na mesma época”, diz Marilene Ramos, secretária de Meio Ambiente do RJ. O Ibama fala em centenas de toneladas de peixes mortos.

http://www.revistaforum.com.br/casoservatis/site/index.php/envenenados/</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>CRÔNICA DE UMA CATÁSTROFE AMBIENTAL </p>
<p>&#8220;A história do derramamento no Rio Paraíba do Sul que matou toneladas de peixes e pode ter contaminado milhões de pessoas.&#8221;<br />
<a href="http://www.revistaforum.com.br/casoservatis/site/" rel="nofollow">http://www.revistaforum.com.br/casoservatis/site/</a></p>
<p>(Vide: Galeria de Fotos; O efeito devastador da nuvem de veneno. Fotografias cedidas pela Associação dos Canoeiros Defensores da Natureza de Barra Mansa &#8211; RJ.)<br />
<a href="http://www.revistaforum.com.br/casoservatis/site/index.php/galeria/" rel="nofollow">http://www.revistaforum.com.br/casoservatis/site/index.php/galeria/</a></p>
<p>Envenenados </p>
<p>Na madrugada do dia 18 de novembro de 2008, um líquido leitoso escorreu silenciosamente para as águas barrentas do rio Pirapetinga. Veneno! Os peixes que entravam em contato com aquilo tinham o sistema nervoso atacado. Convulsões. Hemorragia interna. Morte. O vazamento seguiu por horas, sem que ninguém percebesse. Tempo suficiente para que o produto químico saísse do afluente e chegasse ao principal rio que abastece o estado do Rio de Janeiro: o Paraíba do Sul. Ninguém sabia ainda, mas as próximas horas trariam pânico aos municípios próximos.</p>
<p>Os relatos são muitos, e por isso não se sabe ao certo quem primeiro avistou a nuvem de peixes mortos que chegava em Barra Mansa (RJ), a primeira cidade afetada. A notícia era de que havia algo de muito errado com as águas do rio que percorre 37 municípios no Rio de Janeiro e abastece 12 milhões de pessoas, segundo a Fiperj (Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro). “Nós não fomos comunicados por Resende [cidade onde ocorreu o vazamento]. Um agente ambiental nosso viu e então as providências foram tomadas. Ficou todo mundo apavorado, porque ninguém sabia de onde era o problema”, conta Marco Chiesse, secretário do Meio Ambiente de Barra Mansa</p>
<p>O município avisou a capital, que tomou uma decisão drástica, sem saber ao certo o que estava acontecendo, como explica a secretária de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Marilene Ramos: “Mandamos fechar o abastecimento na quarta-feira [o acidente ocorreu na terça de madrugada]. Tomamos essa decisão no escuro, porque nossa equipe só chegou no local na quarta de tarde. Achamos estranho, mandamos fechar. Isso significa comprometer o abastecimento de milhões de pessoas. Mas foi para prevenir riscos”.</p>
<p>A nuvem tóxica andou 500 quilômetros do rio, até o mar. “Percorreu toda a extensão do rio, e por onde o veneno passava foi aniquilando o manancial de peixes”, relata o delegado Fernando Reis, responsável pela investigação criminal do caso, da Delegacia de Meio Ambiente. Várias cidades recolheram peixes mortos, tentando aliviar o cheiro que infestava as casas ribeirinhas, procurando evitar doenças. Muitos foram incinerados, outros levados para o lixão de Carmo, município da região. Caso fossem enterrados próximos, poderiam contaminar o solo e os lençóis freáticos. Sérgio Coelho, presidente da Associação dos Canoeiros Defensores da Natureza de Barra Mansa, conta que só ele tirou uns 3 mil quilos de peixe, num barco pequeno, desses com um motor simples atrás. “Ensacamos e levamos para o forno da CSN. Estava um mal-cheiro do cacete. O rio e aquilo branco, tomado de peixe. Doía. Dói. A gente depende dos peixes”.</p>
<p>A contagem final do estrago ainda não está pronta, porque cada município retirou toneladas do leito. Só a Federação de Pescadores do Estado do Rio de Janeiro cedeu quatro caminhões, com capacidade para 25 toneladas cada, que saíram cheios. Outras 50 toneladas ficaram presas nas grades de contenção da Usina Hidrelétrica Ilha dos Pombos, próximo ao município de Carmo. Até no mar é provável que houve estragos. &#8220;Tivemos 40 quilômetros de praia onde tiramos peixes mortos. Vimos também tartarugas e capivaras. Não podemos afirmar que foi relacionado, mas foi na mesma época”, diz Marilene Ramos, secretária de Meio Ambiente do RJ. O Ibama fala em centenas de toneladas de peixes mortos.</p>
<p><a href="http://www.revistaforum.com.br/casoservatis/site/index.php/envenenados/" rel="nofollow">http://www.revistaforum.com.br/casoservatis/site/index.php/envenenados/</a></p>
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	</item>
	<item>
		<title>By: Antônio Pereira</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/10/brasil-vazamento-de-pesticida-mata-80-ton-de-peixes-no-rj/comment-page-1/#comment-3486</link>
		<dc:creator>Antônio Pereira</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 May 2009 17:08:09 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=1491#comment-3486</guid>
		<description>&quot;Tome seu veneno silenciosamente&quot;; Blog: “Pensar Enlouquece” por Alexandre Inagaki

http://www.interney.net/blogs/inagaki/2008/12/11/tome_seu_veneno_silenciosamente/

Tem coisas que a gente não pode deixar passar em branco. Este incidente ecológico, por exemplo: no dia 18 de novembro a empresa Servatis Agro &amp; Fine Chemicals, que fabrica inseticidas, fungicidas e fertilizantes, adquirida pela BASF em 2001, foi a responsável pelo vazamento de pelo menos 1,5 mil litros do inseticida Endosulfan no Rio Paraíba do Sul, no estado do Rio. Em nota publicada na tarde do dia 19/11 no site da Servatis, a empresa tratou de &quot;tranqüilizar&quot; a população, afirmando: &quot;O produto em contato com a água entra, imediatamente, em processo de hidrólise (decomposição pela água), não oferecendo nenhum risco de contaminação a seres humanos. De acordo com a gerência de meio ambiente da empresa, análises realizadas nesta quarta-feira apontaram que a concentração do endosulfan no Rio Paraíba do Sul caiu para zero, não oferecendo mais riscos à fauna&quot;. Pelo jeito, a zelosa empresa Servatis esqueceu de avisar os animais da região de que eles já estavam a salvo. Nove dias depois, em 28 de novembro, o blog do professor Roberto Moraes, que mora em Campos dos Goytacazes, publicou fotos de animais encontrados mortos às margens do Rio Paraíba do Sul.

O pesticida Endosulfan, que segundo a Servatis trata-se de um produto que se decompõe com a água, foi banido na União Européia devido ao seu alto potencial tóxico. E a empresa que, diga-se de passagem, é reincidente e já havia sido multada anteriormente em R$ 307 mil há alguns meses pelo vazamento de gases tóxicos, desta vez recebeu uma multa de 33 milhões de reais devido a esse desastre ecológico que matou milhares de peixes e outros animais, deixando ainda várias cidades do Rio sem abastecimento de água potável. A Servatis protestou, como já era de se esperar, dizendo que esse valor comprometerá a existência da empresa. E propôs assinar um &quot;Termo de Ajustamento de Conduta&quot; ao invés de pagar essa multa. É como explicou ironicamente Xico Vargas: &quot;Ou se aceita essa gracinha ou a empresa vai para o beleléu, põe uma penca de empregados na rua, deixa de recolher impostos e aumenta a crise. É mais ou menos como o marido que quebra toda a louça, hospitaliza a mulher de tanta pancada e sugere ao juiz comprar um novo aparelho de jantar e dar umas cestas básicas para alguma casa de caridade&quot;.

Saiba mais sobre os efeitos nocivos do Endosulfan nos sites da Pesticide Action Network North America e da Environment Justica Foundation. Paula Góes escreveu um artigo fundamental sobre o incidente da Servatis no Global Voices em Português. E Não se esqueça de enviar o seu recado para que o pessoal do Ministério do Meio Ambiente não deixe passar mais este incidente em branco.

UPDATE: Paulo Fehlauer e André Deak produziram para a Revista Fórum a reportagem &quot;Crônica de uma Reportagem Ambiental&quot;, um exemplo excepcional de jornalismo multimídia e open source, explorando os recursos oferecidos pela internet, com textos, fotos, vídeos e Google Maps que narram os fatos e desdobramentos desta tragédia ecológica. Além disso, foi disponibilizado todo o conteúdo na íntegra das entrevistas de apuração realizadas pelos repórteres na região, possibilitando que novas edições a partir desse material bruto possam ser feitas.

* * * * *</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Tome seu veneno silenciosamente&#8221;; Blog: “Pensar Enlouquece” por Alexandre Inagaki</p>
<p><a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/2008/12/11/tome_seu_veneno_silenciosamente/" rel="nofollow">http://www.interney.net/blogs/inagaki/2008/12/11/tome_seu_veneno_silenciosamente/</a></p>
<p>Tem coisas que a gente não pode deixar passar em branco. Este incidente ecológico, por exemplo: no dia 18 de novembro a empresa Servatis Agro &amp; Fine Chemicals, que fabrica inseticidas, fungicidas e fertilizantes, adquirida pela BASF em 2001, foi a responsável pelo vazamento de pelo menos 1,5 mil litros do inseticida Endosulfan no Rio Paraíba do Sul, no estado do Rio. Em nota publicada na tarde do dia 19/11 no site da Servatis, a empresa tratou de &#8220;tranqüilizar&#8221; a população, afirmando: &#8220;O produto em contato com a água entra, imediatamente, em processo de hidrólise (decomposição pela água), não oferecendo nenhum risco de contaminação a seres humanos. De acordo com a gerência de meio ambiente da empresa, análises realizadas nesta quarta-feira apontaram que a concentração do endosulfan no Rio Paraíba do Sul caiu para zero, não oferecendo mais riscos à fauna&#8221;. Pelo jeito, a zelosa empresa Servatis esqueceu de avisar os animais da região de que eles já estavam a salvo. Nove dias depois, em 28 de novembro, o blog do professor Roberto Moraes, que mora em Campos dos Goytacazes, publicou fotos de animais encontrados mortos às margens do Rio Paraíba do Sul.</p>
<p>O pesticida Endosulfan, que segundo a Servatis trata-se de um produto que se decompõe com a água, foi banido na União Européia devido ao seu alto potencial tóxico. E a empresa que, diga-se de passagem, é reincidente e já havia sido multada anteriormente em R$ 307 mil há alguns meses pelo vazamento de gases tóxicos, desta vez recebeu uma multa de 33 milhões de reais devido a esse desastre ecológico que matou milhares de peixes e outros animais, deixando ainda várias cidades do Rio sem abastecimento de água potável. A Servatis protestou, como já era de se esperar, dizendo que esse valor comprometerá a existência da empresa. E propôs assinar um &#8220;Termo de Ajustamento de Conduta&#8221; ao invés de pagar essa multa. É como explicou ironicamente Xico Vargas: &#8220;Ou se aceita essa gracinha ou a empresa vai para o beleléu, põe uma penca de empregados na rua, deixa de recolher impostos e aumenta a crise. É mais ou menos como o marido que quebra toda a louça, hospitaliza a mulher de tanta pancada e sugere ao juiz comprar um novo aparelho de jantar e dar umas cestas básicas para alguma casa de caridade&#8221;.</p>
<p>Saiba mais sobre os efeitos nocivos do Endosulfan nos sites da Pesticide Action Network North America e da Environment Justica Foundation. Paula Góes escreveu um artigo fundamental sobre o incidente da Servatis no Global Voices em Português. E Não se esqueça de enviar o seu recado para que o pessoal do Ministério do Meio Ambiente não deixe passar mais este incidente em branco.</p>
<p>UPDATE: Paulo Fehlauer e André Deak produziram para a Revista Fórum a reportagem &#8220;Crônica de uma Reportagem Ambiental&#8221;, um exemplo excepcional de jornalismo multimídia e open source, explorando os recursos oferecidos pela internet, com textos, fotos, vídeos e Google Maps que narram os fatos e desdobramentos desta tragédia ecológica. Além disso, foi disponibilizado todo o conteúdo na íntegra das entrevistas de apuração realizadas pelos repórteres na região, possibilitando que novas edições a partir desse material bruto possam ser feitas.</p>
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	</item>
	<item>
		<title>By: Tribuna do Povo</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/10/brasil-vazamento-de-pesticida-mata-80-ton-de-peixes-no-rj/comment-page-1/#comment-3468</link>
		<dc:creator>Tribuna do Povo</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2009 17:01:41 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=1491#comment-3468</guid>
		<description>Depoimento de um pescador japonês na Baia de Minamata: &quot;É somente o mar, e eu posso confiar. Quando alguém diz para mim que o mar está sujo, eu quero agredi-lo. Como ousam dizer que o mar está sujo. Não é o mar que está sujo, não é o mar que está errado. O mar é a minha vida, o mar é a minha religião.&quot; 
--------------------------------------------------------
Alerta do Governo Brasileiro:

A “doença de Minamata” afeta o sistema nervoso e o cérebro, causando dormência nos membros, fraquezas musculares, deficiências visuais, dificuldades de fala, paralisia, deformidades e morte. O metilmercúrio também ataca os fetos durante a gestação, sendo que até mesmo fetos de mães aparentemente saudáveis podem ser gravemente afetados. Um grande número de crianças com deformidades causadas pela doença foi registrado nos anos que se seguiram à catástrofe japonesa. O resultado da contaminação em Minamata se faz sentir até hoje. Morreram 1.435 pessoas e mais de 20.000 contaminadas ainda recebem indenizações.

Na década de 30, uma empresa se instalou na região, a Chisso. A empresa, que fabricava acetaldeído (usado na produção de material plástico), jogava seus resíduos com mercúrio nos rios, contaminando os peixes. Como a doença leva alguns anos para se desenvolver, somente em 1956 começaram a surgir os primeiros casos da doença. Os hospitais recebiam pessoas com os mesmos sintomas: problemas no sistema nervoso e no cérebro, causando dormência nos membros, fraquezas musculares, deficiências visuais, dificuldades de fala, paralisia, deformidades levando até mesmo à morte. 

No princípio as autoridades acreditavam que se tratava de uma epidemia, mas os gatos começaram apresentar doenças com as mesmas semelhanças. Somente de dez anos depois os médicos descobriram a causa: o consumo de peixe contaminado por mercúrio, base da alimentação daquela população. Estima-se que a empresa descartou de 200 a 600 toneladas de metilmercúrio na baía da cidade. Depois de várias batalhas judiciais, a empresa foi obrigada a indenizar as vítimas, mas o resultado da contaminação se faz sentir até hoje.

http://www.cetem.gov.br/mercurio/semiquanti/por/caso_minamata.htm</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Depoimento de um pescador japonês na Baia de Minamata: &#8220;É somente o mar, e eu posso confiar. Quando alguém diz para mim que o mar está sujo, eu quero agredi-lo. Como ousam dizer que o mar está sujo. Não é o mar que está sujo, não é o mar que está errado. O mar é a minha vida, o mar é a minha religião.&#8221;<br />
&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<br />
Alerta do Governo Brasileiro:</p>
<p>A “doença de Minamata” afeta o sistema nervoso e o cérebro, causando dormência nos membros, fraquezas musculares, deficiências visuais, dificuldades de fala, paralisia, deformidades e morte. O metilmercúrio também ataca os fetos durante a gestação, sendo que até mesmo fetos de mães aparentemente saudáveis podem ser gravemente afetados. Um grande número de crianças com deformidades causadas pela doença foi registrado nos anos que se seguiram à catástrofe japonesa. O resultado da contaminação em Minamata se faz sentir até hoje. Morreram 1.435 pessoas e mais de 20.000 contaminadas ainda recebem indenizações.</p>
<p>Na década de 30, uma empresa se instalou na região, a Chisso. A empresa, que fabricava acetaldeído (usado na produção de material plástico), jogava seus resíduos com mercúrio nos rios, contaminando os peixes. Como a doença leva alguns anos para se desenvolver, somente em 1956 começaram a surgir os primeiros casos da doença. Os hospitais recebiam pessoas com os mesmos sintomas: problemas no sistema nervoso e no cérebro, causando dormência nos membros, fraquezas musculares, deficiências visuais, dificuldades de fala, paralisia, deformidades levando até mesmo à morte. </p>
<p>No princípio as autoridades acreditavam que se tratava de uma epidemia, mas os gatos começaram apresentar doenças com as mesmas semelhanças. Somente de dez anos depois os médicos descobriram a causa: o consumo de peixe contaminado por mercúrio, base da alimentação daquela população. Estima-se que a empresa descartou de 200 a 600 toneladas de metilmercúrio na baía da cidade. Depois de várias batalhas judiciais, a empresa foi obrigada a indenizar as vítimas, mas o resultado da contaminação se faz sentir até hoje.</p>
<p><a href="http://www.cetem.gov.br/mercurio/semiquanti/por/caso_minamata.htm" rel="nofollow">http://www.cetem.gov.br/mercurio/semiquanti/por/caso_minamata.htm</a></p>
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	</item>
	<item>
		<title>By: Tribuna do Povo</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/10/brasil-vazamento-de-pesticida-mata-80-ton-de-peixes-no-rj/comment-page-1/#comment-3467</link>
		<dc:creator>Tribuna do Povo</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2009 16:49:51 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=1491#comment-3467</guid>
		<description>Efeitos na Saúde

A maioria dos organismos vivos só precisa de alguns poucos metais e em doses muito pequenas. Tão pequenas que costumamos chamá-los de micronutrientes, como é o caso do zinco, do magnésio, do cobalto e do ferro (constituinte da hemoglobina). Estes metais tornam-se tóxicos e perigosos para a saúde humana quando ultrapassam determinadas concentrações-limite.

Já o chumbo, o mercúrio, o cádmio, o cromo e o arsênio são metais que não existem naturalmente em nenhum organismo. Tampouco desempenham funções - nutricionais ou bioquímicas - em microorganismos, plantas ou animais. Ou seja: a presença destes metais em organismos vivos é prejudicial em qualquer concentração. Desde que o homem descobriu a metalurgia, a produção destes metais aumentou e seus efeitos tóxicos geraram problemas de saúde permanentes, tanto para seres humanos como para o ecossistema.

Um estudo realizado por pesquisadores brasileiros avaliou a concentração de metais pesados em verduras cujo plantio utilizou adubo proveniente da compostagem de lixo orgânico. Os resultados demostraram que o solo e as hortaliças tinham Cádmio em níveis perigosos para o consumo humano. Folhas de alface, couve e brócolis continham, respectivamente, 2,3, 11,8 e 8 miligramas de Cádmio por quilograma de alimento (mg/kg). Como a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o máximo diário de 1 micrograma de Cádmio por quilograma de massa corpórea, alguém que se alimente destas verduras acabará por ingerir dez vezes mais que as quantidades aceitáveis. Os mesmos pesquisadores afirmam que os alimentos fornecem 40% do cádmio absorvido pelo homem e que a vida média biológica deste elemento químico (19-38 anos) acarreta sua acumulação no corpo humano, especialmente nos rins e no fígado. Altos teores podem trazer disfunções em pessoas com mais de 50 anos de idade.

1 Crianças são especialmente vulneráveis aos efeitos do chumbo. Mesmo quantidades relativamente pequenas de chumbo podem causar rebaixamento permanente da inteligência em crianças, potencialmente resultando em desordens para leitura, distúrbios psicológicos e retardamento mental. Outros efeitos em crianças incluem doenças nos rins e artrite.

2 Minerais de zinco constituem a principal fonte de cádmio. Este elemento é obtido durante os processos eletrolíticos de fundição utilizados para refinações de zinco e outros metais Todos os concentrados de zinco apresentam como constituinte menor e inevitável de 0,1 a 0,3% de cádmio. Apesar de seu uso na indústria ter aumentado nos últimos 50 anos, a elevada toxicidade do cádmio tem restringido seu uso tanto nas aplicações já existentes como no desenvolvimento de novas tecnologias.

3 A mineração contribui com 50% e o restante provém de atividades industriais (catálise, fabricação de equipamentos elétricos, pintura e fabricação de pesticidas).

4 A maior parte dos efeitos tóxicos do zinco relaciona-se à sua combinação com outros metais pesados e contaminação durante os processos de extração e concentração de zinco. As cinzas do metal nunca são completamente puras, podendo estar misturadas a outros metais como cádmio e mercúrio.

http://www.clinicaliteraria.com.br/minamata.htm
Principais Fontes e Impactos de alguns metais pesados, vide quadro no link indicado acima.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Efeitos na Saúde</p>
<p>A maioria dos organismos vivos só precisa de alguns poucos metais e em doses muito pequenas. Tão pequenas que costumamos chamá-los de micronutrientes, como é o caso do zinco, do magnésio, do cobalto e do ferro (constituinte da hemoglobina). Estes metais tornam-se tóxicos e perigosos para a saúde humana quando ultrapassam determinadas concentrações-limite.</p>
<p>Já o chumbo, o mercúrio, o cádmio, o cromo e o arsênio são metais que não existem naturalmente em nenhum organismo. Tampouco desempenham funções &#8211; nutricionais ou bioquímicas &#8211; em microorganismos, plantas ou animais. Ou seja: a presença destes metais em organismos vivos é prejudicial em qualquer concentração. Desde que o homem descobriu a metalurgia, a produção destes metais aumentou e seus efeitos tóxicos geraram problemas de saúde permanentes, tanto para seres humanos como para o ecossistema.</p>
<p>Um estudo realizado por pesquisadores brasileiros avaliou a concentração de metais pesados em verduras cujo plantio utilizou adubo proveniente da compostagem de lixo orgânico. Os resultados demostraram que o solo e as hortaliças tinham Cádmio em níveis perigosos para o consumo humano. Folhas de alface, couve e brócolis continham, respectivamente, 2,3, 11,8 e 8 miligramas de Cádmio por quilograma de alimento (mg/kg). Como a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o máximo diário de 1 micrograma de Cádmio por quilograma de massa corpórea, alguém que se alimente destas verduras acabará por ingerir dez vezes mais que as quantidades aceitáveis. Os mesmos pesquisadores afirmam que os alimentos fornecem 40% do cádmio absorvido pelo homem e que a vida média biológica deste elemento químico (19-38 anos) acarreta sua acumulação no corpo humano, especialmente nos rins e no fígado. Altos teores podem trazer disfunções em pessoas com mais de 50 anos de idade.</p>
<p>1 Crianças são especialmente vulneráveis aos efeitos do chumbo. Mesmo quantidades relativamente pequenas de chumbo podem causar rebaixamento permanente da inteligência em crianças, potencialmente resultando em desordens para leitura, distúrbios psicológicos e retardamento mental. Outros efeitos em crianças incluem doenças nos rins e artrite.</p>
<p>2 Minerais de zinco constituem a principal fonte de cádmio. Este elemento é obtido durante os processos eletrolíticos de fundição utilizados para refinações de zinco e outros metais Todos os concentrados de zinco apresentam como constituinte menor e inevitável de 0,1 a 0,3% de cádmio. Apesar de seu uso na indústria ter aumentado nos últimos 50 anos, a elevada toxicidade do cádmio tem restringido seu uso tanto nas aplicações já existentes como no desenvolvimento de novas tecnologias.</p>
<p>3 A mineração contribui com 50% e o restante provém de atividades industriais (catálise, fabricação de equipamentos elétricos, pintura e fabricação de pesticidas).</p>
<p>4 A maior parte dos efeitos tóxicos do zinco relaciona-se à sua combinação com outros metais pesados e contaminação durante os processos de extração e concentração de zinco. As cinzas do metal nunca são completamente puras, podendo estar misturadas a outros metais como cádmio e mercúrio.</p>
<p><a href="http://www.clinicaliteraria.com.br/minamata.htm" rel="nofollow">http://www.clinicaliteraria.com.br/minamata.htm</a><br />
Principais Fontes e Impactos de alguns metais pesados, vide quadro no link indicado acima.</p>
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	</item>
	<item>
		<title>By: Tribuna do Povo</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/10/brasil-vazamento-de-pesticida-mata-80-ton-de-peixes-no-rj/comment-page-1/#comment-3466</link>
		<dc:creator>Tribuna do Povo</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2009 16:46:05 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=1491#comment-3466</guid>
		<description>Contaminando a vida

Minamata, Japão, 1956.
No dia 21 de abril, uma criança com disfunções do sistema nervoso dá entrada no Hospital Shin Nihon Chisso. Logo em seguida, no dia 1o de maio, quatro outros pacientes com sintomas similares aparecem no Centro de Saúde Pública de Kumamoto. Esta última acabou sendo a data oficial da descoberta do Mal de Minamata, doença cerebral causada pela ingestão de mercúrio.

Naquele ano, um comitê especialmente designado para investigar a doença (de causas até então desconhecidas) reconheceu o mal em 56 pessoas. A investigação apontou pacientes das vizinhanças da Baía de Minamata, cujas dietas eram centradas em peixes e frutos do mar. Foram encontrados cristais de mercúrio orgânico nos dejetos da indústria química Chisso. O mercúrio era despejado em um rio que desaguava no mar, o principal fornecedor de alimentos às comunidades da região. A fauna marinha foi intoxicada e, através da comida, o metal altamente tóxico chegou aos organismos humanos.

As mortes e doenças conseqüentes da contaminação por mercúrio em Minamata são exemplos da força tóxica do grupo de elementos químicos conhecidos como metais pesados.

Os despejos de resíduos industriais são as principais fontes de contaminação das águas dos rios com metais pesados. Indústrias metalúrgicas, de tintas, de cloro e de plástico PVC (vinil), entre outras, utilizam mercúrio e diversos metais em suas linhas de produção e acabam lançando parte deles nos cursos de água. Outra fonte importante de contaminação do ambiente por metais pesados são os incineradores de lixo urbano e industrial, que provocam a sua volatização e formam cinzas ricas em metais, principalmente mercúrio, chumbo e cádmio.

Os metais pesados não podem ser destruídos e são altamente reativos do ponto de vista químico, o que explica a dificuldade de encontrá-los em estado puro na natureza. Normalmente apresentam-se em concentrações muito pequenas, associados a outros elementos químicos, formando minerais em rochas. Quando lançados na água como resíduos industriais, podem ser absorvido pelos tecidos animais e vegetais.

Uma vez que os rios deságuam no mar, estes poluentes podem alcançar as águas salgadas e, em parte, depositar-se no leito oceânico. Além disso, os metais contidos nos tecidos dos organismos vivos que habitam os mares acabam também se depositando, cedo ou tarde, nos sedimentos, representando um estoque permanente de contaminação para a fauna e a flora aquáticas.

Estas substâncias tóxicas também depositam-se no solo ou em corpos d&#039;água de regiões mais distantes, graças à movimentação das massas de ar. Assim, os metais pesados podem se acumular em todos os organismos que constituem a cadeia alimentar do homem. É claro que populações residentes em locais próximos a indústrias ou incineradores correm maiores riscos de contaminação.

http://www.clinicaliteraria.com.br/minamata.htm</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Contaminando a vida</p>
<p>Minamata, Japão, 1956.<br />
No dia 21 de abril, uma criança com disfunções do sistema nervoso dá entrada no Hospital Shin Nihon Chisso. Logo em seguida, no dia 1o de maio, quatro outros pacientes com sintomas similares aparecem no Centro de Saúde Pública de Kumamoto. Esta última acabou sendo a data oficial da descoberta do Mal de Minamata, doença cerebral causada pela ingestão de mercúrio.</p>
<p>Naquele ano, um comitê especialmente designado para investigar a doença (de causas até então desconhecidas) reconheceu o mal em 56 pessoas. A investigação apontou pacientes das vizinhanças da Baía de Minamata, cujas dietas eram centradas em peixes e frutos do mar. Foram encontrados cristais de mercúrio orgânico nos dejetos da indústria química Chisso. O mercúrio era despejado em um rio que desaguava no mar, o principal fornecedor de alimentos às comunidades da região. A fauna marinha foi intoxicada e, através da comida, o metal altamente tóxico chegou aos organismos humanos.</p>
<p>As mortes e doenças conseqüentes da contaminação por mercúrio em Minamata são exemplos da força tóxica do grupo de elementos químicos conhecidos como metais pesados.</p>
<p>Os despejos de resíduos industriais são as principais fontes de contaminação das águas dos rios com metais pesados. Indústrias metalúrgicas, de tintas, de cloro e de plástico PVC (vinil), entre outras, utilizam mercúrio e diversos metais em suas linhas de produção e acabam lançando parte deles nos cursos de água. Outra fonte importante de contaminação do ambiente por metais pesados são os incineradores de lixo urbano e industrial, que provocam a sua volatização e formam cinzas ricas em metais, principalmente mercúrio, chumbo e cádmio.</p>
<p>Os metais pesados não podem ser destruídos e são altamente reativos do ponto de vista químico, o que explica a dificuldade de encontrá-los em estado puro na natureza. Normalmente apresentam-se em concentrações muito pequenas, associados a outros elementos químicos, formando minerais em rochas. Quando lançados na água como resíduos industriais, podem ser absorvido pelos tecidos animais e vegetais.</p>
<p>Uma vez que os rios deságuam no mar, estes poluentes podem alcançar as águas salgadas e, em parte, depositar-se no leito oceânico. Além disso, os metais contidos nos tecidos dos organismos vivos que habitam os mares acabam também se depositando, cedo ou tarde, nos sedimentos, representando um estoque permanente de contaminação para a fauna e a flora aquáticas.</p>
<p>Estas substâncias tóxicas também depositam-se no solo ou em corpos d&#8217;água de regiões mais distantes, graças à movimentação das massas de ar. Assim, os metais pesados podem se acumular em todos os organismos que constituem a cadeia alimentar do homem. É claro que populações residentes em locais próximos a indústrias ou incineradores correm maiores riscos de contaminação.</p>
<p><a href="http://www.clinicaliteraria.com.br/minamata.htm" rel="nofollow">http://www.clinicaliteraria.com.br/minamata.htm</a></p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>By: Tribuna do Povo</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/10/brasil-vazamento-de-pesticida-mata-80-ton-de-peixes-no-rj/comment-page-1/#comment-3465</link>
		<dc:creator>Tribuna do Povo</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2009 16:40:04 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://pt.globalvoicesonline.org/?p=1491#comment-3465</guid>
		<description>É como assistir ao fim do mundo! Estamos envenenando a Terra, o Ar, a Água, e conseqüentemente todas as criaturas vivas, será esta a herança maldita para nossos filhos e netos: Mutações Grotescas e Deformidades?

O caso nefasto mais conhecido certamente é o acidente na baía de Minamata no Japão, onde 46 pessoas morreram e centenas de outras foram intoxicadas pelo mercúrio, que correram para baía lançado pela empresa Nippon Chisso Hiryo produtora de químicos sintéticos. Quatro décadas e 48 bilhões de Ienes, foram necessárias para que o Tribunal de Tóquio condenasse a empresa a indenizar vítimas e para que a baía de Minamata apresentasse sinais de recuperação através de incessantes trabalhos de despoluição. Razão pela qual, cada vez mais se fortalece a tese do “Princípio da Precaução”.

Os acidentes ecológicos ocorridos por negligência de empresas privadas e relapso, inaceitável, do poder público, são tão fatais para o meio ambiente e a vida humana, quanto o risco de estarmos bebendo veneno, ou escovando os dentes com arsênico sem sabermos. A diferença é que aqueles chocam pelo visual de fotos como a do recente acidente na costa espanhola. O médico sanitarista e renomado escritor Moacyr Scliar, através de seu imaginário fantástico, acende uma luz dentro das nossas mentes com um  caso real.

Minamata é uma cidadezinha igual a tantas outras no Japão: um lugar à beira-mar, pequeno, tranqüilo, em que boa parte da população vivia da pesca. Nos anos cinqüenta, contudo, estranhas coisas começaram a suceder ali. Em primeiro lugar, os gatos da cidade passaram a exibir um comportamento inusitado: moviam-se grotescamente, como se estivessem dançando. Alguns deles corriam para o mar, onde acabavam morrendo. Gatos dançantes? Gatos suicidas? Esquisito – e assustador. Mas, para desgraça dos habitantes, as coisas não ficaram nisso. Logo pessoas também passaram a apresentar problemas, sobretudo de incoordenação motora: muitos não conseguiam, por exemplo, calçar os sapatos.

Logo ficou claro que se tratava de uma doença. Mas que doença? Sífilis, que naquela época era (e é) bastante freqüente? Não. Aquilo era mais grave do que sífilis. E, como se veio a descobrir, não se tratava de doença causada por micróbio. A causa estava na própria cidade.

Em 1932 instalara-se em Minamata uma grande indústria, a Chisso, que fabricava acetaldeído (usado na produção de material plástico). A indústria cresceu muito. Seus resíduos eram despejados no mar. E estes resíduos continham mercúrio. As pesquisas mostraram níveis elevadíssimos deste metal nas vísceras de pessoas e animais falecidos da doença. Envenenamento por mercúrio não chegava a ser novidade. Entre os personagens de &quot;Alice no País das Maravilhas&quot; existe o Chapeleiro Louco. Por que um chapeleiro haveria de ser louco? Porque naquela época o feltro de que eram feitos os chapéus era tratado com mercúrio – e os chapeleiros, intoxicados, exibiam o mesmo comportamento que os gatos depois mostrariam em Minamata.

Mas o caso da cidade japonesa teria mais um, e trágico, desdobramento. Acontece que a Chisso empregava boa parte da população. Se fechasse, muita gente ficaria sem trabalho. O que se viu, então, foi um amargo confronto entre empregados e parentes das vítimas, que só cessou quando a corporação mudou o seu ramo de atividade.

A doença de Minamata, como veio a ser conhecida, chamou a atenção do mundo todo para o problema da intoxicação por metais pesados. Um problema que aparece sob as formas mais inesperadas. Por exemplo, no recondicionamento de baterias, feito por pequenas indústria de fundo-de-quintal. Os vapores de chumbo que se desprendem no processo são altamente tóxicos. E isto exige uma atenção redobrada, não só por parte da saúde pública e da fiscalização, como do público em geral. Metal pesado é um risco constante. Para o qual precisamos estar atentos. Sob pena de dançarmos como os gatos de Minamata. 

http://www.clinicaliteraria.com.br/minamata.htm</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>É como assistir ao fim do mundo! Estamos envenenando a Terra, o Ar, a Água, e conseqüentemente todas as criaturas vivas, será esta a herança maldita para nossos filhos e netos: Mutações Grotescas e Deformidades?</p>
<p>O caso nefasto mais conhecido certamente é o acidente na baía de Minamata no Japão, onde 46 pessoas morreram e centenas de outras foram intoxicadas pelo mercúrio, que correram para baía lançado pela empresa Nippon Chisso Hiryo produtora de químicos sintéticos. Quatro décadas e 48 bilhões de Ienes, foram necessárias para que o Tribunal de Tóquio condenasse a empresa a indenizar vítimas e para que a baía de Minamata apresentasse sinais de recuperação através de incessantes trabalhos de despoluição. Razão pela qual, cada vez mais se fortalece a tese do “Princípio da Precaução”.</p>
<p>Os acidentes ecológicos ocorridos por negligência de empresas privadas e relapso, inaceitável, do poder público, são tão fatais para o meio ambiente e a vida humana, quanto o risco de estarmos bebendo veneno, ou escovando os dentes com arsênico sem sabermos. A diferença é que aqueles chocam pelo visual de fotos como a do recente acidente na costa espanhola. O médico sanitarista e renomado escritor Moacyr Scliar, através de seu imaginário fantástico, acende uma luz dentro das nossas mentes com um  caso real.</p>
<p>Minamata é uma cidadezinha igual a tantas outras no Japão: um lugar à beira-mar, pequeno, tranqüilo, em que boa parte da população vivia da pesca. Nos anos cinqüenta, contudo, estranhas coisas começaram a suceder ali. Em primeiro lugar, os gatos da cidade passaram a exibir um comportamento inusitado: moviam-se grotescamente, como se estivessem dançando. Alguns deles corriam para o mar, onde acabavam morrendo. Gatos dançantes? Gatos suicidas? Esquisito – e assustador. Mas, para desgraça dos habitantes, as coisas não ficaram nisso. Logo pessoas também passaram a apresentar problemas, sobretudo de incoordenação motora: muitos não conseguiam, por exemplo, calçar os sapatos.</p>
<p>Logo ficou claro que se tratava de uma doença. Mas que doença? Sífilis, que naquela época era (e é) bastante freqüente? Não. Aquilo era mais grave do que sífilis. E, como se veio a descobrir, não se tratava de doença causada por micróbio. A causa estava na própria cidade.</p>
<p>Em 1932 instalara-se em Minamata uma grande indústria, a Chisso, que fabricava acetaldeído (usado na produção de material plástico). A indústria cresceu muito. Seus resíduos eram despejados no mar. E estes resíduos continham mercúrio. As pesquisas mostraram níveis elevadíssimos deste metal nas vísceras de pessoas e animais falecidos da doença. Envenenamento por mercúrio não chegava a ser novidade. Entre os personagens de &#8220;Alice no País das Maravilhas&#8221; existe o Chapeleiro Louco. Por que um chapeleiro haveria de ser louco? Porque naquela época o feltro de que eram feitos os chapéus era tratado com mercúrio – e os chapeleiros, intoxicados, exibiam o mesmo comportamento que os gatos depois mostrariam em Minamata.</p>
<p>Mas o caso da cidade japonesa teria mais um, e trágico, desdobramento. Acontece que a Chisso empregava boa parte da população. Se fechasse, muita gente ficaria sem trabalho. O que se viu, então, foi um amargo confronto entre empregados e parentes das vítimas, que só cessou quando a corporação mudou o seu ramo de atividade.</p>
<p>A doença de Minamata, como veio a ser conhecida, chamou a atenção do mundo todo para o problema da intoxicação por metais pesados. Um problema que aparece sob as formas mais inesperadas. Por exemplo, no recondicionamento de baterias, feito por pequenas indústria de fundo-de-quintal. Os vapores de chumbo que se desprendem no processo são altamente tóxicos. E isto exige uma atenção redobrada, não só por parte da saúde pública e da fiscalização, como do público em geral. Metal pesado é um risco constante. Para o qual precisamos estar atentos. Sob pena de dançarmos como os gatos de Minamata. </p>
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		<title>By: Paulo Fehlauer</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/10/brasil-vazamento-de-pesticida-mata-80-ton-de-peixes-no-rj/comment-page-1/#comment-3214</link>
		<dc:creator>Paulo Fehlauer</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Mar 2009 02:49:02 +0000</pubDate>
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		<description>Vejam a reportagem multimídia que fizemos sobre o caso: http://www.revistaforum.com.br/casoservatis/</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Vejam a reportagem multimídia que fizemos sobre o caso: <a href="http://www.revistaforum.com.br/casoservatis/" rel="nofollow">http://www.revistaforum.com.br/casoservatis/</a></p>
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		<title>By: O poço é fundo e o buraco lá embaixo :: NA RUA &#124; jornalismo + fotografia + internet :: por Paulo Fehlauer</title>
		<link>http://pt.globalvoicesonline.org/2008/12/10/brasil-vazamento-de-pesticida-mata-80-ton-de-peixes-no-rj/comment-page-1/#comment-2984</link>
		<dc:creator>O poço é fundo e o buraco lá embaixo :: NA RUA &#124; jornalismo + fotografia + internet :: por Paulo Fehlauer</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Jan 2009 01:40:31 +0000</pubDate>
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		<description>[...] sobre um vazamento do poderoso agrotóxico endosulfan, ocorrido em novembro de 2008.  Do Global Voices:  Em 18 de novembro, um vazamento do fatal pesticida endosulfan no Rio Pirapetinga, um afluente do [...]</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>[...] sobre um vazamento do poderoso agrotóxico endosulfan, ocorrido em novembro de 2008.  Do Global Voices:  Em 18 de novembro, um vazamento do fatal pesticida endosulfan no Rio Pirapetinga, um afluente do [...]</p>
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