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Brasil: Vazamento de pesticida mata 80 ton de peixes no RJ

Enquanto a atenção da maioria das pessoas no Brasil se voltava para a trágica enchente em Santa Catarina, outro desastre ambiental assolava o país, dessa vez no estado do Rio de Janeiro. Em 18 de novembro, um vazamento do fatal pesticida endosulfan [en] no Rio Pirapetinga, um afluente do Rio Paraíba do Sul, matou milhares de peixes – mais de 80 toneladas – em Resende e outras cidades vizinhas. O incidente causou ainda a interrupção do fornecimento de água em sete cidades na área. A tragédia foi maior por ter acontecido durante a temporada de reprodução de muitas espécies, algumas das quais correm risco de extinção. Cintia Sibucs diz que além de peixes, ela ficou triste em ver capivaras e até passarinho mortos:

Pela quantidade de peixes e animais mortos, pode-se dizer que será necessário uns dez anos ou mais para que toda essa vida volte ao que era antes. O produto químico Endosulfan, usado na fabricação de inseticidas, é usado pela empresa que fica em Resende. O acidente gerou ainda mais transtornos pois o serviço de água e esgoto suspendeu a captação de água por uns dias, deixando a população em alerta.

Agora, depois de tanta tristeza de ver milhares de peixes e capivaras mortas, o que resta é recolher o que restou. Desde sábado (22/11) as prefeituras de Volta Redonda e Barra Mansa estão num trabalho ininterrupto de recolhimento dos peixes, que já estava causando forte mau cheiro.

Capivara morta, foto tirada pelo professor de Engenharia Ambiental Ricardo Terra, do blog do Roberto Morais

O vazamento foi descoberto o vazamento foi descoberto a partir de investigação da Feema, alertada por uma mortandade de peixes no Rio Pirapetinga e Paraíba do Sul.. Com sede em Resende, a Servatis, empresa responsável pela fábrica de fertilizantes, confessou o vazamento de 1,5 mil litros de endosulfan e alegou que ele teria sido causado por uma falha humana ao conectar um caminhão tanque. Em uma postagem chamada “Além de morte, nenhum risco”, Vitor Menezes contesta o anúncio feito pela empresa em 19 de novembro, pouco de mais de um dia depois do acidente, alegando que a situação estaria sob controle:

A empresa Servatis, responsável pelo vazamento do pesticida endosulfan no rio Paraíba do Sul, afirmou aqui em seu site que, de acordo com a sua gerência de meio ambiente, a concentração do produto no rio havia caído a zero e não havia “mais risco à fauna”. Os peixes do post abaixo não devem ter recebido o recado.

Peixe morto, pelo professor de Engenharia Ambiental Ricardo Terra, foto do blog do Roberto Morais

Mais tarde veio a descoberta de que o vazamento do inseticida endosulfan foi maior do que os 1,5 mil litros assumidos pela Servatis. O produto foi derramado durante o descarregamento de um caminhão que tinha capacidade de 30 mil litros, mas apenas 12 mil litros, ainda assim misturados com água da chuva, foram recuperados no dique da empresa. A Servatis depois admitiu que pelo menos 8 mil litros podem ter vazado – ao contrário do que tinha sido divulgado na semana anterior. O advogado e ambientalista Luiz Felipe Muniz de Souza fala das consequências do vazamento para as comunidades locais:

Várias comunidades pesqueiras afetadas estão impedidas de trabalhar e nem sabem ao certo quando poderão retornar, pois a ação do inseticida, mesmo tão distante do ponto em que foi despejado pelos criminosos, e mesmo estando tão diluído – devido ao volume do próprio Rio Paraíba do Sul e devido ao volume d’água das intensas chuvas regionais –, continua provocando mortandade de peixes em toda a foz do Paraíba do Sul, e nas praias do município de São João da Barra e de São Francisco do Itabapoana. Os criminosos ambientais, que inicialmente se omitiram e mentiram sobre a quantidade do produto arremessado no rio, depois admitiram que foi uma quantidade 10 vezes maior do que a declarada, diante de tantos peixes mortos!

Foto do Blog do Roberto Morais

Servatis recebeu uma multa de R$ 33 milhões, da qual a empresa afirmou que pretende recorrer, e 20 dias de suspensão. As operações na fábrica foram reiniciadas hoje, 9 de dezembro, para todos os departamentos, exceto o de produção de endosulfan. reage à notícia:

Mais uma vez o poder público zomba de nós! Sem que nada tenha sido feito para minimizar os danos ao Rio Paraíba a empresa “Servatis volta a operar nesta terça-feira” (…) Em menos de um mês, desde o acidente ambiental, a auditoria realizada por empresa privada solicitada pela SEA foi rapidamente concluída, e sem que houvesse tempo hábil para a realização de uma segunda auditoria ou para que se analisasse a fundo o conteúdo do documento – medidas que poderiam dar mais garantias sobre os processos e ajustes da empresa para a segurança da população – a Servatis abre!

Uma tartaruga morta, foto do Roberto Morais

O blogue A TroLhA expressa o sentimento de que a lei ambiental brasileira tem duas caras:

O aparato de fiscalização ambiental quando se trata da persecução das medidas de controle e defeso de espécies (alías, necessárias), tem se mostrado eficiente em coibir as infrações cometidas por pescadores e populações que dependem dessa atividade, e que geralmente, ocupam os andares mais baixos da nossa pirâmide social… Por outro lado, quando se trata de estender essa eficiência aos empresários e industriais, que exploram atividades econômicas que trazem sérios riscos ao ecossistema no qual estão inseridos, nossos órgãos ambientais são de uma leniência e ineficácia vergonhosa… Direito a propriedade e a livre iniciativa não podem se sobrepor ao direito a vida…Bom, pelo menos não deveriam…

Rui Camejo nos lembra que essa não é a primeira vez que a Servatis causa prejuízos ao meio ambiente. De acordo com o blogueiro, há cerca de três anos a mesma empresa foi responsável pelo derramamento do inseticida Dimetutato. Outro blogueiro, :

E essa denúncia não deve se limitar a essa fronteira, à foz desse afluente: deve ser estendida a toda a bacia hidrográfica desse que é, seguramente, um dos mais importantes rios do Brasil, dada a sua relevância nos aspectos sociais e econômicos de toda a região que ela tão generosamente abraça.

Foto do Blog do Roberto Morais

O Rio Paraíba do Sul, que nasce da junção dos rios Paraibuna e Paraitinga, começa na Serra da Bocaina, no Estado de São Paulo e percorre 1,12 km até a foz em Atafona, ao norte do estado do Rio de Janeiro. A bacia do Rio Paraíba do Sul abarca três estados – São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro – e é considerado, em tamanho, uma das maiores bacias brasileiras, cobrindo uma área aproximada de 57.000 km².

Proibido em vários países no mundo inteiro, o endosulfan é largamente usado para controlar uma grande variedade de insetos e pestes em plantações. O seu uso é proibido na Europa e a Environmental Justice Foundation [Fundação para Justiça Ambiental, en] está promovendo uma campanha para que as pessoas pressionem seus governos locais a banirem o uso de endosulfan e listarem esse produto químico na Convenção de Estocolmo, que visa a banir a produção, uso e disposição de substâncias químicas tóxicas.

Foto do Blog do Roberto Morais

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    • Antônio Pereira

      “Tome seu veneno silenciosamente”; Blog: “Pensar Enlouquece” por Alexandre Inagaki

      http://www.interney.net/blogs/inagaki/2008/12/11/tome_seu_veneno_silenciosamente/

      Tem coisas que a gente não pode deixar passar em branco. Este incidente ecológico, por exemplo: no dia 18 de novembro a empresa Servatis Agro & Fine Chemicals, que fabrica inseticidas, fungicidas e fertilizantes, adquirida pela BASF em 2001, foi a responsável pelo vazamento de pelo menos 1,5 mil litros do inseticida Endosulfan no Rio Paraíba do Sul, no estado do Rio. Em nota publicada na tarde do dia 19/11 no site da Servatis, a empresa tratou de “tranqüilizar” a população, afirmando: “O produto em contato com a água entra, imediatamente, em processo de hidrólise (decomposição pela água), não oferecendo nenhum risco de contaminação a seres humanos. De acordo com a gerência de meio ambiente da empresa, análises realizadas nesta quarta-feira apontaram que a concentração do endosulfan no Rio Paraíba do Sul caiu para zero, não oferecendo mais riscos à fauna”. Pelo jeito, a zelosa empresa Servatis esqueceu de avisar os animais da região de que eles já estavam a salvo. Nove dias depois, em 28 de novembro, o blog do professor Roberto Moraes, que mora em Campos dos Goytacazes, publicou fotos de animais encontrados mortos às margens do Rio Paraíba do Sul.

      O pesticida Endosulfan, que segundo a Servatis trata-se de um produto que se decompõe com a água, foi banido na União Européia devido ao seu alto potencial tóxico. E a empresa que, diga-se de passagem, é reincidente e já havia sido multada anteriormente em R$ 307 mil há alguns meses pelo vazamento de gases tóxicos, desta vez recebeu uma multa de 33 milhões de reais devido a esse desastre ecológico que matou milhares de peixes e outros animais, deixando ainda várias cidades do Rio sem abastecimento de água potável. A Servatis protestou, como já era de se esperar, dizendo que esse valor comprometerá a existência da empresa. E propôs assinar um “Termo de Ajustamento de Conduta” ao invés de pagar essa multa. É como explicou ironicamente Xico Vargas: “Ou se aceita essa gracinha ou a empresa vai para o beleléu, põe uma penca de empregados na rua, deixa de recolher impostos e aumenta a crise. É mais ou menos como o marido que quebra toda a louça, hospitaliza a mulher de tanta pancada e sugere ao juiz comprar um novo aparelho de jantar e dar umas cestas básicas para alguma casa de caridade”.

      Saiba mais sobre os efeitos nocivos do Endosulfan nos sites da Pesticide Action Network North America e da Environment Justica Foundation. Paula Góes escreveu um artigo fundamental sobre o incidente da Servatis no Global Voices em Português. E Não se esqueça de enviar o seu recado para que o pessoal do Ministério do Meio Ambiente não deixe passar mais este incidente em branco.

      UPDATE: Paulo Fehlauer e André Deak produziram para a Revista Fórum a reportagem “Crônica de uma Reportagem Ambiental”, um exemplo excepcional de jornalismo multimídia e open source, explorando os recursos oferecidos pela internet, com textos, fotos, vídeos e Google Maps que narram os fatos e desdobramentos desta tragédia ecológica. Além disso, foi disponibilizado todo o conteúdo na íntegra das entrevistas de apuração realizadas pelos repórteres na região, possibilitando que novas edições a partir desse material bruto possam ser feitas.

      * * * * *

  • Pingback: O poço é fundo e o buraco lá embaixo :: NA RUA | jornalismo + fotografia + internet :: por Paulo Fehlauer

  • http://garapa.org Paulo Fehlauer

    Vejam a reportagem multimídia que fizemos sobre o caso: http://www.revistaforum.com.br/casoservatis/

    • Lobo Jr.

      Excelentes Reportagens!

      E a Servatis, continua suas atividades em Resende?
      As prefeituras ao longo dos Rios Pirapetinga e Paraíba do Sul, passaram a monitorar periodicamente (solo e água) e divulgar os resultados de efluentes tóxicos, para detectar novos vazamentos? Alertam a população?

      Crimes ambientais podem ser divulgados no site da
      CONECTAS – Direitos Humanos?
      http://www.conectas.org/noticias.php?idioma=pt

      Voces possuem alguma reportagem sobre a concentração de pesticidas remanescentes nas verduras, frutas e legumes que vão parar na mesa da população? E de como a população pode se defender do mal uso dos defensivos agrícolas e fertilizantes?

      Pelo andar da carroagem, vamos precisar de rótulos em cada produto a ser adquirido no “sacolão”, contendo a data e os produtos químicos utilizados no cultivo da safra e o agrônomo responsável criminalmente pelas intoxicações que vierem a ocorrer.

      Sds.

  • Tribuna do Povo

    É como assistir ao fim do mundo! Estamos envenenando a Terra, o Ar, a Água, e conseqüentemente todas as criaturas vivas, será esta a herança maldita para nossos filhos e netos: Mutações Grotescas e Deformidades?

    O caso nefasto mais conhecido certamente é o acidente na baía de Minamata no Japão, onde 46 pessoas morreram e centenas de outras foram intoxicadas pelo mercúrio, que correram para baía lançado pela empresa Nippon Chisso Hiryo produtora de químicos sintéticos. Quatro décadas e 48 bilhões de Ienes, foram necessárias para que o Tribunal de Tóquio condenasse a empresa a indenizar vítimas e para que a baía de Minamata apresentasse sinais de recuperação através de incessantes trabalhos de despoluição. Razão pela qual, cada vez mais se fortalece a tese do “Princípio da Precaução”.

    Os acidentes ecológicos ocorridos por negligência de empresas privadas e relapso, inaceitável, do poder público, são tão fatais para o meio ambiente e a vida humana, quanto o risco de estarmos bebendo veneno, ou escovando os dentes com arsênico sem sabermos. A diferença é que aqueles chocam pelo visual de fotos como a do recente acidente na costa espanhola. O médico sanitarista e renomado escritor Moacyr Scliar, através de seu imaginário fantástico, acende uma luz dentro das nossas mentes com um caso real.

    Minamata é uma cidadezinha igual a tantas outras no Japão: um lugar à beira-mar, pequeno, tranqüilo, em que boa parte da população vivia da pesca. Nos anos cinqüenta, contudo, estranhas coisas começaram a suceder ali. Em primeiro lugar, os gatos da cidade passaram a exibir um comportamento inusitado: moviam-se grotescamente, como se estivessem dançando. Alguns deles corriam para o mar, onde acabavam morrendo. Gatos dançantes? Gatos suicidas? Esquisito – e assustador. Mas, para desgraça dos habitantes, as coisas não ficaram nisso. Logo pessoas também passaram a apresentar problemas, sobretudo de incoordenação motora: muitos não conseguiam, por exemplo, calçar os sapatos.

    Logo ficou claro que se tratava de uma doença. Mas que doença? Sífilis, que naquela época era (e é) bastante freqüente? Não. Aquilo era mais grave do que sífilis. E, como se veio a descobrir, não se tratava de doença causada por micróbio. A causa estava na própria cidade.

    Em 1932 instalara-se em Minamata uma grande indústria, a Chisso, que fabricava acetaldeído (usado na produção de material plástico). A indústria cresceu muito. Seus resíduos eram despejados no mar. E estes resíduos continham mercúrio. As pesquisas mostraram níveis elevadíssimos deste metal nas vísceras de pessoas e animais falecidos da doença. Envenenamento por mercúrio não chegava a ser novidade. Entre os personagens de “Alice no País das Maravilhas” existe o Chapeleiro Louco. Por que um chapeleiro haveria de ser louco? Porque naquela época o feltro de que eram feitos os chapéus era tratado com mercúrio – e os chapeleiros, intoxicados, exibiam o mesmo comportamento que os gatos depois mostrariam em Minamata.

    Mas o caso da cidade japonesa teria mais um, e trágico, desdobramento. Acontece que a Chisso empregava boa parte da população. Se fechasse, muita gente ficaria sem trabalho. O que se viu, então, foi um amargo confronto entre empregados e parentes das vítimas, que só cessou quando a corporação mudou o seu ramo de atividade.

    A doença de Minamata, como veio a ser conhecida, chamou a atenção do mundo todo para o problema da intoxicação por metais pesados. Um problema que aparece sob as formas mais inesperadas. Por exemplo, no recondicionamento de baterias, feito por pequenas indústria de fundo-de-quintal. Os vapores de chumbo que se desprendem no processo são altamente tóxicos. E isto exige uma atenção redobrada, não só por parte da saúde pública e da fiscalização, como do público em geral. Metal pesado é um risco constante. Para o qual precisamos estar atentos. Sob pena de dançarmos como os gatos de Minamata.

    http://www.clinicaliteraria.com.br/minamata.htm

  • Tribuna do Povo

    Contaminando a vida

    Minamata, Japão, 1956.
    No dia 21 de abril, uma criança com disfunções do sistema nervoso dá entrada no Hospital Shin Nihon Chisso. Logo em seguida, no dia 1o de maio, quatro outros pacientes com sintomas similares aparecem no Centro de Saúde Pública de Kumamoto. Esta última acabou sendo a data oficial da descoberta do Mal de Minamata, doença cerebral causada pela ingestão de mercúrio.

    Naquele ano, um comitê especialmente designado para investigar a doença (de causas até então desconhecidas) reconheceu o mal em 56 pessoas. A investigação apontou pacientes das vizinhanças da Baía de Minamata, cujas dietas eram centradas em peixes e frutos do mar. Foram encontrados cristais de mercúrio orgânico nos dejetos da indústria química Chisso. O mercúrio era despejado em um rio que desaguava no mar, o principal fornecedor de alimentos às comunidades da região. A fauna marinha foi intoxicada e, através da comida, o metal altamente tóxico chegou aos organismos humanos.

    As mortes e doenças conseqüentes da contaminação por mercúrio em Minamata são exemplos da força tóxica do grupo de elementos químicos conhecidos como metais pesados.

    Os despejos de resíduos industriais são as principais fontes de contaminação das águas dos rios com metais pesados. Indústrias metalúrgicas, de tintas, de cloro e de plástico PVC (vinil), entre outras, utilizam mercúrio e diversos metais em suas linhas de produção e acabam lançando parte deles nos cursos de água. Outra fonte importante de contaminação do ambiente por metais pesados são os incineradores de lixo urbano e industrial, que provocam a sua volatização e formam cinzas ricas em metais, principalmente mercúrio, chumbo e cádmio.

    Os metais pesados não podem ser destruídos e são altamente reativos do ponto de vista químico, o que explica a dificuldade de encontrá-los em estado puro na natureza. Normalmente apresentam-se em concentrações muito pequenas, associados a outros elementos químicos, formando minerais em rochas. Quando lançados na água como resíduos industriais, podem ser absorvido pelos tecidos animais e vegetais.

    Uma vez que os rios deságuam no mar, estes poluentes podem alcançar as águas salgadas e, em parte, depositar-se no leito oceânico. Além disso, os metais contidos nos tecidos dos organismos vivos que habitam os mares acabam também se depositando, cedo ou tarde, nos sedimentos, representando um estoque permanente de contaminação para a fauna e a flora aquáticas.

    Estas substâncias tóxicas também depositam-se no solo ou em corpos d’água de regiões mais distantes, graças à movimentação das massas de ar. Assim, os metais pesados podem se acumular em todos os organismos que constituem a cadeia alimentar do homem. É claro que populações residentes em locais próximos a indústrias ou incineradores correm maiores riscos de contaminação.

    http://www.clinicaliteraria.com.br/minamata.htm

  • Tribuna do Povo

    Efeitos na Saúde

    A maioria dos organismos vivos só precisa de alguns poucos metais e em doses muito pequenas. Tão pequenas que costumamos chamá-los de micronutrientes, como é o caso do zinco, do magnésio, do cobalto e do ferro (constituinte da hemoglobina). Estes metais tornam-se tóxicos e perigosos para a saúde humana quando ultrapassam determinadas concentrações-limite.

    Já o chumbo, o mercúrio, o cádmio, o cromo e o arsênio são metais que não existem naturalmente em nenhum organismo. Tampouco desempenham funções – nutricionais ou bioquímicas – em microorganismos, plantas ou animais. Ou seja: a presença destes metais em organismos vivos é prejudicial em qualquer concentração. Desde que o homem descobriu a metalurgia, a produção destes metais aumentou e seus efeitos tóxicos geraram problemas de saúde permanentes, tanto para seres humanos como para o ecossistema.

    Um estudo realizado por pesquisadores brasileiros avaliou a concentração de metais pesados em verduras cujo plantio utilizou adubo proveniente da compostagem de lixo orgânico. Os resultados demostraram que o solo e as hortaliças tinham Cádmio em níveis perigosos para o consumo humano. Folhas de alface, couve e brócolis continham, respectivamente, 2,3, 11,8 e 8 miligramas de Cádmio por quilograma de alimento (mg/kg). Como a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o máximo diário de 1 micrograma de Cádmio por quilograma de massa corpórea, alguém que se alimente destas verduras acabará por ingerir dez vezes mais que as quantidades aceitáveis. Os mesmos pesquisadores afirmam que os alimentos fornecem 40% do cádmio absorvido pelo homem e que a vida média biológica deste elemento químico (19-38 anos) acarreta sua acumulação no corpo humano, especialmente nos rins e no fígado. Altos teores podem trazer disfunções em pessoas com mais de 50 anos de idade.

    1 Crianças são especialmente vulneráveis aos efeitos do chumbo. Mesmo quantidades relativamente pequenas de chumbo podem causar rebaixamento permanente da inteligência em crianças, potencialmente resultando em desordens para leitura, distúrbios psicológicos e retardamento mental. Outros efeitos em crianças incluem doenças nos rins e artrite.

    2 Minerais de zinco constituem a principal fonte de cádmio. Este elemento é obtido durante os processos eletrolíticos de fundição utilizados para refinações de zinco e outros metais Todos os concentrados de zinco apresentam como constituinte menor e inevitável de 0,1 a 0,3% de cádmio. Apesar de seu uso na indústria ter aumentado nos últimos 50 anos, a elevada toxicidade do cádmio tem restringido seu uso tanto nas aplicações já existentes como no desenvolvimento de novas tecnologias.

    3 A mineração contribui com 50% e o restante provém de atividades industriais (catálise, fabricação de equipamentos elétricos, pintura e fabricação de pesticidas).

    4 A maior parte dos efeitos tóxicos do zinco relaciona-se à sua combinação com outros metais pesados e contaminação durante os processos de extração e concentração de zinco. As cinzas do metal nunca são completamente puras, podendo estar misturadas a outros metais como cádmio e mercúrio.

    http://www.clinicaliteraria.com.br/minamata.htm
    Principais Fontes e Impactos de alguns metais pesados, vide quadro no link indicado acima.

  • Tribuna do Povo

    Depoimento de um pescador japonês na Baia de Minamata: “É somente o mar, e eu posso confiar. Quando alguém diz para mim que o mar está sujo, eu quero agredi-lo. Como ousam dizer que o mar está sujo. Não é o mar que está sujo, não é o mar que está errado. O mar é a minha vida, o mar é a minha religião.”
    ——————————————————–
    Alerta do Governo Brasileiro:

    A “doença de Minamata” afeta o sistema nervoso e o cérebro, causando dormência nos membros, fraquezas musculares, deficiências visuais, dificuldades de fala, paralisia, deformidades e morte. O metilmercúrio também ataca os fetos durante a gestação, sendo que até mesmo fetos de mães aparentemente saudáveis podem ser gravemente afetados. Um grande número de crianças com deformidades causadas pela doença foi registrado nos anos que se seguiram à catástrofe japonesa. O resultado da contaminação em Minamata se faz sentir até hoje. Morreram 1.435 pessoas e mais de 20.000 contaminadas ainda recebem indenizações.

    Na década de 30, uma empresa se instalou na região, a Chisso. A empresa, que fabricava acetaldeído (usado na produção de material plástico), jogava seus resíduos com mercúrio nos rios, contaminando os peixes. Como a doença leva alguns anos para se desenvolver, somente em 1956 começaram a surgir os primeiros casos da doença. Os hospitais recebiam pessoas com os mesmos sintomas: problemas no sistema nervoso e no cérebro, causando dormência nos membros, fraquezas musculares, deficiências visuais, dificuldades de fala, paralisia, deformidades levando até mesmo à morte.

    No princípio as autoridades acreditavam que se tratava de uma epidemia, mas os gatos começaram apresentar doenças com as mesmas semelhanças. Somente de dez anos depois os médicos descobriram a causa: o consumo de peixe contaminado por mercúrio, base da alimentação daquela população. Estima-se que a empresa descartou de 200 a 600 toneladas de metilmercúrio na baía da cidade. Depois de várias batalhas judiciais, a empresa foi obrigada a indenizar as vítimas, mas o resultado da contaminação se faz sentir até hoje.

    http://www.cetem.gov.br/mercurio/semiquanti/por/caso_minamata.htm

  • Antônio Pereira

    CRÔNICA DE UMA CATÁSTROFE AMBIENTAL

    “A história do derramamento no Rio Paraíba do Sul que matou toneladas de peixes e pode ter contaminado milhões de pessoas.”
    http://www.revistaforum.com.br/casoservatis/site/

    (Vide: Galeria de Fotos; O efeito devastador da nuvem de veneno. Fotografias cedidas pela Associação dos Canoeiros Defensores da Natureza de Barra Mansa – RJ.)
    http://www.revistaforum.com.br/casoservatis/site/index.php/galeria/

    Envenenados

    Na madrugada do dia 18 de novembro de 2008, um líquido leitoso escorreu silenciosamente para as águas barrentas do rio Pirapetinga. Veneno! Os peixes que entravam em contato com aquilo tinham o sistema nervoso atacado. Convulsões. Hemorragia interna. Morte. O vazamento seguiu por horas, sem que ninguém percebesse. Tempo suficiente para que o produto químico saísse do afluente e chegasse ao principal rio que abastece o estado do Rio de Janeiro: o Paraíba do Sul. Ninguém sabia ainda, mas as próximas horas trariam pânico aos municípios próximos.

    Os relatos são muitos, e por isso não se sabe ao certo quem primeiro avistou a nuvem de peixes mortos que chegava em Barra Mansa (RJ), a primeira cidade afetada. A notícia era de que havia algo de muito errado com as águas do rio que percorre 37 municípios no Rio de Janeiro e abastece 12 milhões de pessoas, segundo a Fiperj (Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro). “Nós não fomos comunicados por Resende [cidade onde ocorreu o vazamento]. Um agente ambiental nosso viu e então as providências foram tomadas. Ficou todo mundo apavorado, porque ninguém sabia de onde era o problema”, conta Marco Chiesse, secretário do Meio Ambiente de Barra Mansa

    O município avisou a capital, que tomou uma decisão drástica, sem saber ao certo o que estava acontecendo, como explica a secretária de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Marilene Ramos: “Mandamos fechar o abastecimento na quarta-feira [o acidente ocorreu na terça de madrugada]. Tomamos essa decisão no escuro, porque nossa equipe só chegou no local na quarta de tarde. Achamos estranho, mandamos fechar. Isso significa comprometer o abastecimento de milhões de pessoas. Mas foi para prevenir riscos”.

    A nuvem tóxica andou 500 quilômetros do rio, até o mar. “Percorreu toda a extensão do rio, e por onde o veneno passava foi aniquilando o manancial de peixes”, relata o delegado Fernando Reis, responsável pela investigação criminal do caso, da Delegacia de Meio Ambiente. Várias cidades recolheram peixes mortos, tentando aliviar o cheiro que infestava as casas ribeirinhas, procurando evitar doenças. Muitos foram incinerados, outros levados para o lixão de Carmo, município da região. Caso fossem enterrados próximos, poderiam contaminar o solo e os lençóis freáticos. Sérgio Coelho, presidente da Associação dos Canoeiros Defensores da Natureza de Barra Mansa, conta que só ele tirou uns 3 mil quilos de peixe, num barco pequeno, desses com um motor simples atrás. “Ensacamos e levamos para o forno da CSN. Estava um mal-cheiro do cacete. O rio e aquilo branco, tomado de peixe. Doía. Dói. A gente depende dos peixes”.

    A contagem final do estrago ainda não está pronta, porque cada município retirou toneladas do leito. Só a Federação de Pescadores do Estado do Rio de Janeiro cedeu quatro caminhões, com capacidade para 25 toneladas cada, que saíram cheios. Outras 50 toneladas ficaram presas nas grades de contenção da Usina Hidrelétrica Ilha dos Pombos, próximo ao município de Carmo. Até no mar é provável que houve estragos. “Tivemos 40 quilômetros de praia onde tiramos peixes mortos. Vimos também tartarugas e capivaras. Não podemos afirmar que foi relacionado, mas foi na mesma época”, diz Marilene Ramos, secretária de Meio Ambiente do RJ. O Ibama fala em centenas de toneladas de peixes mortos.

    http://www.revistaforum.com.br/casoservatis/site/index.php/envenenados/

  • Antônio Pereira

    Pior, impossível

    MEIO AMBIENTE: Empresas clientes da Servatis não tem onde incinerar seus resíduos tóxicos.

    Poucas semanas foram tão ruins para a Servatis, quanto a última. A empresa do setor agro-químico, responsável pelo vazamento de cerca de oito mil litros de endosulfan nas águas do Rio Pirapetinga, afluente do Rio Paraíba do Sul, foi interditada pela Feema, acabou multada em R$ 33 milhões pela Comissão Estadual de Controle Ambiental e está sendo investigada pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente. Tem mais. Pode ser obrigada a fechar as portas e demitir todos os seus 650 funcionários, caso não consiga reverter a multa milionária que lhe foi aplicada em medidas de compensação ambiental.

    A interdição temporária da empresa, localizada em Resende, pode desencadear também um outro problema. Tão sério quanto o ocorrido. “De dimensões incalculáveis”, frisa uma fonte do aQui, com especialização em biologia. Trata-se do destino que será dado ao lixo tóxico produzido pelos clientes da Servatis, especialmente os que estão localizados no Sul Fluminense. Sem poder usar o incinerador da Servatis, cuja fábrica está lacrada, estas empresas estariam despejando os resíduos diretamente nas águas do Rio Paraíba. Ou, pior: enterrando tudo quanto é porcaria tóxica no solo, em flagrante desrespeito à Legislação Ambiental.

    Em entrevista exclusiva ao aQui, o diretor financeiro da Servatis, Hideraldo Zerbone, admitiu que os clientes da sua empresa terão realmente problemas para eliminar seus resíduos tóxicos. “A Servatis possui o maior incinerador da América Latina”, afirma Zerbone. “Por incapacidade de incineração de forma geral no país, muitos clientes terão problemas complexos para destruição dos resíduos com segurança e dentro da legislação brasileira”, dispara, sem citar os nomes das empresas. Para o diretor, essa situação pode ‘impactar negativamente’ as atividades industriais dos clientes da Servatis.

    Enquanto esta questão não chega, oficialmente, aos ouvidos das autoridades ambientais, tipo Feema, o órgão estadual continua monitorando as águas do Rio Paraíba. Na semana passada, pescadores de Campos dos Goytacazes, no norte Fluminense, reclamaram dos prejuízos causados pela suspensão da pesca por parte da Vigilância Sanitária local, que estaria preocupada com o consumo de peixes contaminados.

    O cenário, visto pelos moradores do Sul Fluminense, com várias espécimes de peixes e animais ribeirinhos mortos pelo endosulfan foi observado, também, em São João da Barra, município a 500 quilômetros de distância de Resende, cidade onde está localizada a Servatis.

    Desde que foi notificado oficialmente do vazamento do endosulfan no Paraíba, o Estado não divulgou a quantidade, em toneladas, de peixes mortos e recolhidos. Sabe-se que as conseqüências foram drásticas para a biodiversidade do rio por conta do fenômeno da Piracema, quando os peixes sobem o leito do rio para a desova. A estimativa da Feema é que pelo menos 80 espécies tenham sido afetadas, comprometendo a reprodução de peixes por pelo menos três anos. E o que é pior, a recuperação total do Paraíba pode levar até dez anos, caso não sejam realizadas ações que acelerem este processo.

    Segundo o biólogo Paulo Fontanezzi, o reflorestamento nas margens do Paraíba e a reposição das espécies de peixes afetadas são medidas que ajudam a recuperar o rio. “A água se auto depura, mas é preciso repor o que foi perdido com o vazamento do endosulfan”, ressalta. O perigo, segundo ele, pode estar bem no fundo do rio. “O endosulfan é mais pesado do que a água. Não se sabe se ele se fixou no fundo do rio”, alerta, acrescentando que esta suspeita tem levado a Feema a fazer constante monitoramento do Paraíba.

    O biólogo explica que somente no ano que vem será possível saber se há, ou não, resquícios do endosulfan no fundo do Paraíba. Se tiver, acredita, mais peixes poderão morrer. “Entre os meses de abril e agosto teremos o período da estiagem, quando o volume de água do Paraíba é baixo. Com as chuvas, o rio enche e as águas naturalmente se movimentam. O que está embaixo, sobe. Se este material estiver no fundo do rio, ele pode voltar. E este risco é real justamente porque a água não consegue diluir o endosulfan”, afirma Fontanezzi.

    INVESTIGAÇÃO
    Durante toda a semana passada, diretores, engenheiros e técnicos da Servatis prestaram depoimento na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente, no Rio de Janeiro. Segundo o delegado Fernando César Reis, o funcionário – cujo nome não foi revelado – que operava o equipamento no momento do acidente e o diretor comercial, Uataul Teixeira foram indiciados e vão responder criminalmente pelo vazamento do endosulfan. A empresa será investigada, também, pelo acidente ocorrido há quatro meses, quando gases tóxicos vazaram para a atmosfera, formando uma nuvem escura no céu de Resende.
    Na época, a secretaria de Meio Ambiente de Resende notificou a Servatis e aplicou uma multa de R$ 307 mil, que segundo a própria empresa, foi paga corretamente. “A Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente não foi informada pela prefeitura de Resende deste vazamento de gás provocado pela Servatis. Deveria”, reclamou o delegado Fernando Reis, acrescentando que pediu cópia do processo administrativo e pretende anexá-la ao inquérito que investiga o vazamento de endosulfan no Paraíba. “Queremos dar conta ao Ministério Público da reincidência da Servatis”, avisa.

    Servatis
    Na segunda, 24, a Servatis concedeu licença remunerada a 475 dos 650 funcionários, diretos e terceirizados, por tempo indeterminado. Se eles vão voltar ao trabalho, ninguém garante. Nem mesmo a Servatis, que considerou a multa aplicada – R$ 33 milhões – incompatível com a capacidade econômica da empresa. Confira abaixo a entrevista concedida, com exclusividade ao aQui, pelo diretor financeiro da Servatis, Hideraldo Zerbone.

    aQui – A Servatis já foi notificada oficialmente da multa aplicada pela CECA? A empresa vai recorrer?
    Hideraldo Zerbone – Não, só ficamos sabendo através da imprensa. Após recebê-la a empresa recorrerá, sendo que já contratamos uma assessoria jurídica ambiental.

    aQui – A Servatis pretende reverter o valor da multa aplicada em medidas de compensação ambiental? Que medidas seriam estas?
    Zerbone – A reversão da multa em medidas de compensação ambiental conforme nossa opinião seria o mais vantajoso para a sociedade, o meio ambiente e a própria empresa. Entre as medidas, podemos citar a reposição dos alevinos, a reconstituição parcial da mata ciliar e a reedição do Projeto “Chico Ruço” que visa o levantamento integral da situação ambiental do Rio Paraíba do Sul, sob a coordenação da OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) Associação Ecológica Piratingaúna.

    aQui – As informações que circulam é que se a multa fosse superior a R$ 10 milhões, o funcionamento da empresa seria inviabilizado, correndo o risco da Servatis fechar suas portas. Isto procede?
    Zerbone – Uma multa não correspondente à capacidade econômica e financeira da empresa colocaria os objetivos sociais e econômicos em alto risco.

    aQui – O que será feito já que a multa ultrapassou em até três vezes mais este valor?
    Zerbone – Vide resposta acima.

    aQui – Como a Servatis vai ficar temporariamente parada, as câmaras que armazenam produtos tóxicos vão ficar desligadas? Isto oferece algum risco para a população? Quais?
    Zerbone – A Servatis agiu de forma responsável colocando todas as suas instalações em situação de segurança. Porém, uma paralisação prolongada pode oferecer riscos para a população e ao meio ambiente (opinião claramente manifestada pelos auditores externos independentes).

    aQui – Como foi a vistoria realizada pela secretária do Ambiente, Marilene Ramos, no interior da Servatis? Ela vistoriou toda a fábrica?
    Zerbone – A Secretária junto com a FEEMA e o DPA vistoriaram a fábrica e estão aguardando o laudo da auditoria na sua íntegra.

    aQui – Há quatro meses a Servatis foi multada em R$ 307 mil devido a um acidente com gases tóxicos na atmosfera. Esse passivo foi revertido em medidas de compensação ambiental? O que foi feito?
    Zerbone – Trata-se de uma nuvem de produtos de decomposição com forte odores que gerou desconforto para a população, porém não tóxicos nesta concentração e não um vazamento de gás.Quanto à multa, a empresa decidiu não recorrer por estar enquadrada em medidas de compensação ambiental e social em benefício da sociedade..

    aQui – A auditoria realizada no interior da Servatis no início desta semana apontou responsáveis. Quem?
    Zerbone – A empresa ainda não recebeu o laudo oficial da auditoria.
    http://www.jornalaqui.com.br/arquivo/2008/611/paginas/regiao.htm